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A árvore cartesiana e as crianças

Que nós possamos ao redor de uma árvore, abraçados a elas ou sentados debaixo das suas copas pensarmos em que ideias temos sobre Deus, as coisas e a alma porque tudo é mistério para nós e para os cientistas ainda hoje.

Na música de Lupicínio Rodrigues podemos ouvir os seguintes versos “A minha casa fica lá detrás do mundo / Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar / O pensamento parece uma coisa à toa / Mas como a gente voa quando começa a pensar”. E hoje eu quero falar sobre o ato de pensar. Sim, nós podemos voar através do pensamento e podemos também pensar em qualquer coisa que quisermos ou que seja algo à toa, como diz o poeta acima.

O pensamento que nos garante a existência e o nosso querido filósofo francês René Descartes com sua famosa proposição em latim que diz “cogito, ergo sum” e traduzida para o português “penso, logo existo” é do que nós vamos tratar neste ensaio. E existir é uma preciosidade para os homens que não sabem o seu valor. Talvez a existência seja um dos maiores presentes que o universo pode nos oferecer. Descartes descobriu que pensar só é possível se existirmos, na sua obra “Discurso do método”.

Isso é uma boa discussão para as crianças em sala de aula porque talvez elas ainda não tenham se dado conta de que podemos duvidar da nossa existência, de que tudo isso aqui é uma ilusão, não passa de um sonho e quem nos garante essa existência é o pensamento, por isso ele é tão importante. Que somos dotados de razão que nos concebe o pensamento e sendo a única forma de existência.René Descartes antes de chegar a essa sua afirmação, ele procurava uma metodologia capaz de traçar um conhecimento verdadeiro. Considerado o pai da filosofia moderna, ele se preocupava com o conceito da filosofia e o que ela podia nos oferecer de verdadeiro. O filósofo e matemático desejava obter o conhecimento absoluto, irrefutável e inquestionável.

Para Descartes, não havia nenhuma certeza verdadeira além da dúvida. Sim, ele duvidava de tudo. Contudo, Descartes encontrou algo que não poderia duvidar: da dúvida. De acordo com o pensamento do filósofo, ao duvidar de algo já estaria pensando e, por estar duvidando, logo pensando, estaria existindo.

Descartes entendeu que ao duvidar, estava pensando, e por estar pensando, ele existia. Desta forma, a sua existência foi a primeira verdade irrefutável que ele encontrou.

Tendo feito seus estudos clássicos com os jesuítas de La Fléche, Descartes logo se interessou pelas matemáticas como se fossem a causa da certeza e da evidência de suas razões. O sistema que elaborou é marcado pelo rigor.

No prefácio dos Princípios da Filosofia, ele define o conhecimento (a Filosofia) semelhante a uma árvore. As raízes são constituídas pela Metafísica, indicando que todo saber do sistema se apoia sobre a existência de Deus, considerado como o revelador e criador das verdades. É, portanto, de Deus que o homem deve deduzir as regras indispensáveis para compreender o mundo. Nessa perspectiva, a Física é a aplicação dessa concepção de conhecimento, formando o tronco da árvore. E, enfim, os galhos são constituídos pelas outras ciências (Medicina, Mecânica) e a moral, que surgem como os resultados da pesquisa, sobre a qual o próprio Descartes esboça grandes tratados.

Os professores devem ensinar as crianças sobre a metafísica, a física e a moral tomando como base o mesmo exemplo de Descartes, ou seja, a árvore. Tendo raízes, tronco e galhos ela pode ser dividida em partes diferentes e estudada de forma metafórica, mas didática, qualquer conteúdo que seja do interesse do professor e das crianças.

Há muitos críticos que questionam o ensino da filosofia às crianças, mas não concordo com nenhum deles. Acredito que o filósofo francês Michel de Montaigne no seu ensaio “Da educação das crianças” consegue nos convencer da necessidade que as crianças têm de aprenderem a filosofia a partir da tenra idade. Desde que ela seja ensinada de uma forma lúdica e criativa. Não serão com professores carrancudos e de mal humor que elas aprenderão os conceitos básicos da filosofia.

Como também devemos saber que para se ensinar a filosofia às crianças é preciso que os textos sejam adaptados para as suas idades e que a linguagem seja parecida com as delas. Levar as crianças num parque ecológico e colocá-las diante de uma árvore para falar sobre o conceito de filosofia e as suas divisões será maravilhoso. Aprender filosofia diante da natureza é preciso porque foi assim que surgiram os primeiros filósofos da physis, ou seja, todos eles tinham contato com a natureza.

Explicar para as crianças o conhecimento verdadeiro através das partes de uma árvore pode ser tarefa fácil, mas não é. O professor deve ser bem cuidadoso e explorar todas as divisões da planta de forma que as crianças possam juntá-las e separá-las sempre que sentirem necessidade sabendo que todas as partes juntas formam o conhecimento em si, ou seja, a filosofia.

As raízes explicam a metafísica e toda criança, na verdade, parece trazer a metafísica nas suas falas e questões, pois elas nas suas curiosidades querem saber de Deus, da morte, de onde viemos e para onde vamos quando morremos. As crianças podem fazer um trabalho com as raízes das árvores que se ramificam terra adentro e vão explorando o solo. De repente, elas podem explorar através das raízes algumas questões metafísicas que nunca pensaram antes com a ajuda do professor.

As raízes das árvores as sustentam no solo. São muito importantes à sua existência. Se cortamos as raízes das árvores elas morrem. É por onde a árvore tem contato com o solo recebendo dele a água e outros sais minerais. Nas raízes, para explicar a metafísica, podemos levar as crianças a pensarem se aquela árvore existe mesmo ou se não estamos tendo um sonho, de repente, se tudo o que está ao nosso redor não passa de uma ilusão do nosso pensamento ou se algo nos ilude brincando conosco.

Em Descartes vamos encontrar três níveis de ideias: as inatas, adventícias e factícias. Mas aqui abordaremos as consideradas ideias inatas que, por sua vez, são claras e distintas. É bom ressaltar que na metafísica cartesiana a ideia de Deus é considerada fonte das ideias e garantia da evidência. É Deus quem garante a veracidade e a existência das ideias que se pode conceber, podendo afirmar que as mesmas são claras e distintas, são verdadeiras. Mas, por outro lado, “(…) Pode ser que existam (…) pessoas que acharão melhor negar a existência de um Deus tão poderoso a crer que todas as outras coisas [ideias] são duvidosas”. (DESCARTES. 1999 pág. 253).

Essa tentativa de falar de Deus nasce na Terceira Meditação da obra “Meditações Metafisicas” de René Descartes. Nesta obra, os seus escritos apontam para um paradoxo acerca da existência de Deus. Em um lado está a ideia de que nenhum poder “conseguiria fazer com que eu não fosse nada enquanto eu pensar ser alguma coisa” (PASCAL. 1999, pág. 55). E do outro, todas as vezes que a ideia/opinião de Deus apresenta ao meu pensamento sou obrigado a confirmar que o mesmo existe, mesmo sendo ele um enganador.

O filósofo, para tentar comprovar a existência de Deus e resolver esta aporia existente em seu pensamento filosófico, apoia-se na evidência de que nada me pode fazer duvidar. E de que o mesmo (Deus) não é um ser enganador. Em Descartes, a veracidade metafísica é toda fundamentada na razão.

Descartes nos alerta para o fato de nos voltarmos exclusivamente ao passado e esquecer o presente como também a constante ausência da terra em que se vive, como segue com as suas próprias palavras “quando gastamos excessivo tempo em viajar, acabamos tornando-nos estrangeiros em nossa própria terra; e quando somos excessivamente curiosos das coisas que se realizavam nos séculos passados, ficamos geralmente muito ignorantes das que se realizam no presente” (DESCARTES, 1999, p. 39)

Sendo assim, a educação das crianças deve estar pautada numa paridade entre passado e presente para nortear o futuro, ou seja, as crianças devem aprender um pouco de tudo não fixando o conhecimento numa determinada parte do tempo. Como também a cultura próxima, essa da qual a criança faz parte, deve ser valorizada e explorada, sem afastar a possibilidade de conhecer a de outros povos.

Descartes deu uma grande contribuição a educação com a sua obra “Discurso do método” em que ele fala como o indivíduo deve fazer para resolver um problema. Isso é importante que as crianças aprendam.

Dividir o problema em partes e colocá-las numa espécie de caixa e ir resolvendo-o das partes mais fáceis para as mais difíceis. Com isso, ele criou o método cartesiano que parte da premissa “duvidar de tudo” e tinha quatro regras principais: i) só aceitar como verdadeiro o que está claro e não suscita dúvidas; ii) dividir cada problema em tantas partes forem necessárias; iii) analisar cada parte com clareza e plenamente acrescentando-a ao conhecimento do todo; iv) não deixar de levar em conta nada que possa ser fonte de erro. O método cartesiano é uma proposta de metodologia de ensino que assegura a facilidade do ensino-aprendizagem da criança e colabora para o desenvolvimento do seu pensamento cognitivo.

O professor pode aproveitar os galhos da árvore para resolver um problema dividindo-os em várias partes relacionando-os com o problema em questão. Separar os galhos no chão ou em cima de uma mesa e pedir para os alunos tentarem buscar soluções ou descobrirem outros problemas menores ou mais dúvidas.

Aqui, paro um pouco para lembrar do meu professor de filosofia Juan Bonaccini (in memoriam), nos anos 2000 com quem tive a minha melhor aula sobre Descartes quando ele deixou a classe inteira em dúvida sobre a nossa existência ao discutir sobre as “Meditações Metafísicas”.

Talvez eu tenha aprendido um pouco sobre o pensamento de Descartes que amo tanto e gostaria de que as crianças tivessem contato desde a tenra idade para não chegarem à idade adulta com um pensamento cheio de abobrinhas que não dizem nada e sim com um conhecimento verdadeiro e próprio a respeito das coisas. O professor Juan Bonaccini plantou uma árvore cartesiana enorme dentro de mim.

Depois de expor um pouco o pensamento de Descartes, que sei deve ser bem difícil explicar às crianças, mas eu tenho uma obra que ensina a como fazer isso. As crianças e o professor podem discutir sobre a existência de Deus numa roda de conversa. Será que Deus existe? Quem me prova que ele existe e como ele é? Por que ele não aparece? Será que ele é infinito?

Além de trazer questões para instigar a discussão, o professor deve deixar que as crianças levantem as suas e anotar tudo na lousa para depois retornar a cada uma delas com mais tranquilidade. Então, para começar a discussão com as crianças, o professor pode iniciar colocando a seguinte fala: que nós somos finitos, mas que Deus é infinito e perguntar as crianças como sabemos dessa nossa finitude e infinitude de Deus.

Explorar junto com as crianças que as árvores segundo a Bíblia Sagrada foram criadas por Deus e que Deus criou todas as coisas. Se Deus é o criador de todas as coisas e sabe de tudo, então ele é algo no qual podemos pensar e se pensamos nele de alguma forma ele passa a existir na nossa razão, pois tudo aquilo que concebemos nos nossos pensamentos é um ser que existe.

Deus não poderia ser algo enganador e um não-ser, se fosse assim não teria criado as árvores, os homens e os animais segundo consta na história. É preciso deixar que toda criança possa falar e duvidar até mesmo da existência de Deus. Sim, a dúvida em relação a Deus deve ser aceita porque, segundo Descartes ele poderia ser algo enganador e a dúvida é o princípio do bom filósofo e da filosofia. A criança que duvidar da existência de Deus buscará respostas para tantas indagações ao seu respeito que não podem ser respondidas pelo homem.

Depois de muito comentar sobre as raízes das árvores podemos passar para o seu tronco explorando assim a física. Tudo ao nosso redor é física e passarmos a ensinar as crianças a importância dessa ciência. A física permite-nos conhecer as leis gerais da natureza que regulam o desenvolvimento dos processos que se verificam, tanto no universo circundante como no universo em geral. O objetivo da física consiste em descobrir as leis gerais da natureza e esclarecer, com base nelas, processos concretos. Os cientistas, à medida que se aproximam desse objetivo, vão compreendendo melhor o panorama grandioso e complexo da unidade universal da natureza.

O universo não é um conjunto simples de acontecimentos independentes, mas todos eles constituem manifestações evidentes do universo considerado como um todo. Milhões de acontecimentos físicos ocorrem a cada segundo no universo e nós nem percebemos esses movimentos e transformações que podem ser explosões de estrelas, novos surgimentos de galáxias, asteroides se aproximando da terra e tantos outros elementos em nossa volta que se misturam ao nosso dia a dia e passam despercebidos por nós e pelas crianças que na maioria das vezes estão preocupadas com as tarefas escolares que achamos mais necessárias aos seus conhecimentos que são a matemática e a língua portuguesa. Na verdade, todas as ciências são necessárias às crianças e deveríamos permitir que elas escolhessem quais gostariam de estudar.Na discussão sobre a física, o professor pode levar as crianças a pensarem quais as propriedades físicas que envolvem as árvores. O que é essa natureza com a qual a física se preocupa e porque o universo tem tantos acontecimentos físicos.

Nos galhos das árvores encontramos as demais ciências e podemos pendurá-las neles para mostrar as crianças o quanto são muitas e quais as que mais elas gostariam de aprender.

Nesses galhos podemos encontrar a moral que é bastante valiosa para os nossos dias atuais. Questionar as crianças o que elas conhecem da moral e para que ela serve, o que nos torna melhores quando usamos da moral e quando somos moralistas. Importante mostrar que as árvores possuem muitos galhos e que novas ciências estão sempre a surgirem com os estudos dos homens. Falar das crianças sobre a moral necessária para as boas relações sociais, fruto da sociologia a qual tanto aspiramos.

A árvore cartesiana tenta explicar a filosofia, mas o professor pode tentar explicar outros conhecimentos com base no exemplo de Descartes. Também deve ser aproveitado o momento do estudo das partes das árvores para explorar cada uma delas e as suas importâncias e benefícios para os homens.

Das raízes podemos fazer chás e remédios, do tronco podemos fazer muitas coisas como casas, o papel que usamos para escrever, fogueiras para nos aquecermos do frio e dos galhos podemos falar das suas importâncias para os pássaros e outros animais que dormem e fazem as suas casas nas árvores. Além de ir falando cada importância de as partes das árvores também falarmos das divisões criadas por Descartes. A dúvida move o homem.

Para finalizar deixo vocês com alguns versos do heterônimo de Fernando Pessoa, mais amado dos ativistas ambientais, Alberto Caeiro que nos diz “Que ideia tenho eu das cousas? / Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? / Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma / E sobre a criação do Mundo?”

Que nós possamos ao redor de uma árvore, abraçados a elas ou sentados debaixo das suas copas pensarmos em que ideias temos sobre Deus, as coisas e a alma porque tudo é mistério para nós e para os cientistas ainda hoje. Se Deus existe que ele possa vir nos visitar e conversar um pouco conosco sentados à beira-mar ou à beira de um rio ouvindo o canto de um pássaro… o difícil é diferenciarmos o pássaro de Deus. Eu penso, logo existo!

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

As mulheres e a política

Peço licença às leitoras e leitores para iniciar a nossa conversa parafraseando Castro Alves:

“A política! A política é das mulheres

Como o céu é da águia.”

Assim, de imediato, através desse espaço, quero conversar e encorajar vocês, mulheres, a pensarem e se colocarem nos espaços públicos, ocupando vagas de extrema importância na construção e desenvolvimento da nossa sociedade.

O próximo pleito eleitoral se aproxima. Nos bastidores dos partidos políticos já se iniciaram as “negociatas”, “acertos políticos” e “arranjos” visando à escolha “dos melhores candidatos”.

Tenho observado, com certa tristeza e preocupação, o avanço dos debates para a escolha dos representantes, e o que percebo é que esses diálogos estão se baseando cada vez mais nos discursos e critérios masculinos. O senso comum, infelizmente, acredita na suposta “habilidade política” masculina, tornando algo comum e aceitável que o número de homens disputando e ocupando os espaços políticos seja quase que a integralidade das vagas.

Diante dessas situações, é sempre válido questionar acerca da baixa representatividade feminina nas casas legislativas. Vejamos a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul: no último pleito, em 2018, tivemos mais de 200 mulheres candidatas que disputaram cadeiras de deputada estadual, entretanto, apenas 09 mulheres foram eleitas.

Ora, se somos 52% do eleitorado brasileiro, por que ainda estamos sendo marginalizadas politicamente?

Será em razão da falta de recursos financeiros? De interesse na política? Ou em razão do trabalho doméstico? Da tripla jornada de trabalho? Dos filhos? Da família? Das viagens que se fazem necessárias quando se ocupa espaços de poder? Falta de capacidade? Falta de apoio do companheiro(a)?

Para Débora Thomé, Doutora em Ciências Políticas, “as mulheres se encontram sub-representadas não por vontade própria, mas por uma disputa de forças, por empecilhos que vão além das intenções de parte do grupo de maior contingente na maioria dos países”, segundo Débora “há um déficit democrático no processo” e “a ausência de mulheres perpassa os mais diferentes partidos políticos, a imensa maioria dos cargos partidários está, no Brasil, ocupada por homens entre seus filiados”.

Poderíamos elencar diversos motivos, mas, apesar de todos os obstáculos, acredito que a plena habilidade política somente será alcançada quando efetivamente as mulheres estiverem em condições de igualdade com os homens.

A liberdade feminina para atuar nas esferas públicas deve ser tratada pela sociedade como um direito básico de todas as mulheres. Para tanto, urgentemente, é necessário a criação de grupos de apoio no seio da sociedade e nas agremiações partidárias. Os partidos políticos precisam criar mecanismos de incentivo e de valorização da mulher em cargos partidários, da candidata e da mulher eleita.

A violência política precisa ser enfrentada por todas aquelas pessoas progressistas que não aceitam a desigualdade de gênero e que querem mais mulheres dedicadas à esfera pública com seu olhar diferenciado para as políticas públicas.

Sabe-se que até o início do século XX as mulheres estavam fora do jogo político, mas a partir de 1932 nós começamos a ser reconhecidas e a construir a tão sonhada “igualdade jurídica com os homens”.

Mas mesmo assim, seguimos nos questionando: por que as mulheres gaúchas e passo-fundense não estão participando efetivamente da esfera pública e política? Quantas mulheres já concorreram à deputada por Passo Fundo? E à vereadora? Quantas mulheres já representaram Passo Fundo e a região na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal e nos ministérios?

Ora, no caso dos ministérios, desde o governo José Sarney -1985 até o final do governo de Dilma Rousseff – 2014, foram nomeadas apenas 36 mulheres entre 467 nomes que assumiram postos de ministros (D’ARAÚJO; RIBEIRO, 2018).

Precisamos quebrar essas barreiras e impedimentos criados para as mulheres. A luta e a caminhada são duras, mas seguimos juntas para que mais mulheres ocupem os espaços de poder político nacional, estadual e municipal.

Viva a força e a coragem das mulheres!

Autora: Eva Valéria Lorenzato

Edição: Alex Rosset

Os largos passos rumo à destruição da educação brasileira

Cessar programas de expansão de instituições de ensino, fechar escolas, extinguir e reduzir o financiamento estudantil (Fies e Prouni), deixar de realizar concursos para professores, cortar bolsas do CNPq e Capes, contingenciar recursos para educação por mais 20 anos (EC 95/2016) e reduzir investimentos, revela uma opção política de produzir, intencionalmente, uma crise na educação.

Para além da ideologização e tentativas de censura, a edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2021 representa mais uma intervenção autoritária do governo federal de negação do direito à educação para milhões de jovens de escolas públicas, principalmente jovens pobres, pardos e negros.

Esta política de que a “universidade deveria ser para poucos”, como defende o atual Ministro Ribeiro (MEC), foi desencadeada já em 2015 quando se questionou o aumento de investimentos em educação (Meta 20 do PNE 2014-2024); quando se atacou-se o financiamento estudantil (Fies, Prouni, Proies e outros); quando efetuaram cortes nos recursos para educação, ciência, tecnologia e cultura; quando se implantou uma reforma do novo ensino médio reintroduzindo a formação técnica e qualificação profissional para esses jovens pobres não sonharem nem progredirem seus estudos no ensino superior.

Leia mais: O ministro da Educação Milton Ribeiro defendeu em entrevista à TV Brasil que a “universidade deveria, na verdade, ser para poucos, nesse sentido de ser útil à sociedade”. Para ele, os institutos feder… https://guiadoestudante.abril.com.br/noticia/ministro-da-educacao-diz-que-universidade-deve-ser-para-poucos/

Naturalmente que as falácias do presidente e do ministro da Educação sobre o Enem possuem, pelo menos, outras duas intenções: primeiro, desviar o foco da grave crise econômica (inflação alta, desemprego), social (aumento exponencial da pobreza e da fome) e política (entrega da gestão do governo ao centrão) e, em segundo lugar, camuflar a incapacidade do governo em apresentar e liderar um projeto de educação para os mais de 56 milhões de estudantes matriculados desde a educação infantil até a pós graduação em nosso país.

O Enem de 2021 é o mais desigual desde sua instituição

Este Enem não somente excluiu milhões de estudantes, como ampliou as desigualdades sociais, raciais, educacionais e tecnológicas, já agravadas pela pandemia em 2020 e 2021.

O problema começou já na inscrição, quando MEC negou isenção taxa R$ 85,00, para quem não justificou ausência em 2020, quando muitos estudantes estavam inseguros com a maior crise sanitária provocada pelo Covid 19. Após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar inscrição, apenas 9% se reinscreveram. “Tem gente que se esforça o triplo do que eu, trabalha, cuida da casa, da família e ainda estuda. Merecia muito mais uma vaga na universidade. Infelizmente, não é uma competição igualitária”, desabafa a estudante Tabatha Sayuri

Este Enem, também, vai impactar negativamente no acesso ao ensino superior, especialmente em instituições comunitárias e privadas, que já enfrentam redução de matrículas em decorrência da pandemia dos últimos dois anos, configurando um cenário catastrófico para as instituições e para a manutenção do trabalho de professores e pesquisadores.

Interferências nos exames

Servidores de carreira do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) pediram demissão de suas funções por divergências com a cúpula da Autarquia. Apontaram que um policial federal acessou o “ambiente seguro”, violando o sigilo das provas e, sentiram-se pressionados sobre perguntas com conteúdo que poderiam desagradar o governo de Bolsonaro.

Esses mesmos técnicos entregaram ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Controladoria-Geral da União (CGU) um dossiê com as denúncias e, alertaram que tais interferências afetam não somente o Enem, mas, também, os outros exames, como: Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), o Revalida, o Re-saber, entre outros.

Em uma Carta vários ex-ministros de educação lamentaram tomarem “conhecimento de relatos de assédio e interferência política veiculados na mídia, decorrentes da atuação do quinto presidente do Instituto nos últimos três anos e sua equipe” e, que nos 85 anos do Inep, jamais viram “na instituição uma crise tão profunda, ainda mais às portas da realização do mais importante instrumento de acesso ao ensino superior, que é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)”.

Para o presidente da SBPC, Renato Janine, “há gente, ingênua ou de má fé, que reclama das cotas “raciais” e diz que deveriam ser “sociais”. Mas eles já são: 50% das vagas vão para escolas públicas. Dentro dessa metade é que há vagas raciais ou étnicas, no mesmo percentual da população de negros ou de indígenas que vivem no estado onde está a universidade em que você quer entrar”. Isso implica que haverá mais vagas, por exemplo, na Bahia e menos no Rio Grande do Sul, mais para indígenas na Amazônia que no Sudeste, porém, antes de tudo, que nenhum negro ou indígena terá direito a cotas se tiver cursado o ensino médio em escolas particulares.

O papel da educação e da ciência

A educação, a ciência e o conhecimento são determinantes na história de uma nação e na vida dos adolescentes e jovens, que, por sua vez, são fundamentais para a construção de sociedade mais justa e democráticas. Não precisamos de mais presídios para estes jovens brasileiros, mas, sim, de educação, de cultura, de ciência e de condições condignas de vida para esses jovens viverem seus projetos.

Cessar programas de expansão de instituições de ensino, fechar escolas, extinguir e reduzir o financiamento estudantil (Fies e Prouni), deixar de realizar concursos para professores, cortar bolsas do CNPq e Capes, contingenciar recursos para educação por mais 20 anos (EC 95/2016) e reduzir investimentos, revela uma opção política de produzir, intencionalmente, uma crise na educação. E, “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto” das elites que governam este país, proferiu Darcy Ribeiro em pleno regime militar (1970).

O Enem foi instituído em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. Em 2009, foi aperfeiçoado e passou a ser utilizado como mecanismo de acesso à educação superior. Trata-se de um instrumento democrático, universal e transparente de acesso a uma formação acadêmica.

O ENEM abre possibilidades para estudantes optarem e escolherem universidades que almejam, tanto no Brasil como em outros países que reconhecem o Enem como mecanismo de ingresso em suas instituições. A título de exemplo, só em Portugal, são mais de 50 universidades que o utilizam.

Essa credibilidade e legitimidade reconhecidas nacionalmente e internacionalmente precisam ser preservadas. Os estudantes, suas famílias e a sociedade exigem respeito e transparência, segurança e garantias de não ingerência ideológica e política do governo atual sobre o Enem e demais processos avaliativos no Brasil.

Sem investimento e atualização do banco de questões, combinado com a desconstrução do corpo técnico e o desmonte do Inep, o Enem de 2022 está sob risco de ser ainda mais excludente, elitista e conteudista.

Publicação originalmente publicada em site do SINPRO-RS: O passo a passo da destruição da educação brasileira – Extra Classe

Autor: Gabriel Grabowski

Edição: Alex Rosset

Consciência negra ou consciência humana?

Devemos honrar a quem tem sido desprezado, roubado em sua honra e dignidade, visto que os demais não necessitam disso.

Basta chegar a semana ou o mês em que se comemora o Dia da Consciência Negra para nos depararmos com inúmeros protestos nas redes sociais apelando a uma frase atribuída ao ator negro americano Morgan Freeman: “O dia em que pararmos de nos preocupar com consciência negra, amarela ou branca e nos preocuparmos com a consciência humana, o racismo desaparece.” Logo, não faria sentido dedicar um dia do ano à consciência negra.

Será que esta linha de raciocínio está correta? Bastaria parar de falar de um assunto para que ele perdesse a importância e desaparecesse?

Bem, parece que Martin Luther King, o pastor protestante que liderou a luta pelos direitos civis dos negros americanos, discorda veementemente: “Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam. É agradável esperar que as coisas sumam ignorando-as, mas chega um tempo em que se torna necessário dizer “Pare! Isso é inaceitável!”.

Interessante ressaltar que nunca vi ninguém protestando no “DIA DAS CRIANÇAS”, alegando que somos todos HUMANOS, independentemente da idade. Nunca vi ninguém protestando no “DIA INTERNACIONAL DA MULHER”, alegando que independentemente do gênero, somos todos humanos. Então, não entendo a razão que leva alguns a protestar contra o DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA. De fato, somos todos humanos, mas nenhuma etnia sofreu tanto nos últimos séculos do que a negra. Digo, sofreu e ainda sofre nas mãos de outros pertencentes à mesma raça, a humana.

Morgan Freeman que me perdoe, mas deixar de falar de um assunto não vai fazê-lo desaparecer.

Não precisamos de um dia dedicado à consciência humana, assim como não precisamos celebrar o Dia do Adulto ou o Dia do Homem, ou mesmo o Dia do Orgulho Hétero (sim, não vejo nada de errado em que os homossexuais tenham um dia para celebrar a luta por seus direitos civis). E respaldo meu posicionamento nas Escrituras.

Antes de citar o trecho bíblico no qual me apoio, devo salientar que creio que a igreja de Cristo nada mais é do que o embrião da nova humanidade. Portanto, muitas das regras apostólicas que deveriam ser seguidas pelas igrejas, são igualmente pertinentes na organização social do novo mundo sonhado pelos profetas.

Tomando o corpo humano como analogia, Paulo diz que os membros que têm sido menos honrados, a esses deveríamos honrar muito mais, enquanto que, os que têm sido prestigiados ao longo da história não teriam necessidade disso. Segundo a lógica do apóstolo, isso certamente contribuiria para que não houvesse divisão no corpo, de modo que se corrigisse uma injustiça, e que todos tivessem igual cuidado uns dos outros. “De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele” (1 Coríntios 12:26).

À luz disso, alguém ainda insistiria em dizer que precisamos celebrar o DIA DO HOMEM, ou o DIA DA CONSCIÊNCIA BRANCA, ou o DIA DO ADULTO ou do ORGULHO HÉTERO? Chega a ser cômico!

Devemos honrar a quem tem sido desprezado, roubado em sua honra e dignidade, visto que os demais não necessitam disso. Ou você conhece alguém que deixou de ser empregado por ser branco? Ou alguém que teve seu salário reduzido por ser homem? Ou foi privado de algum direito por ser hétero?

Como diz a profecia, “todo vale será exaltado, e todo o monte e todo outeiro será abatido; e o que é torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do Senhor se manifestará, e toda a HUMANIDADE juntamente a verá, pois a boca do Senhor o disse” (Isaías 40:4-5). Nosso trabalho é “preparar o caminho do Senhor”, isto é, nivelar o terreno, dar voz aos que não têm voz, tornar visíveis os invisíveis, honrar os que foram desonrados ao longo do processo histórico, corrigindo assim a injustiça cometida pelas gerações que nos antecederam.

Consciência humana é toda e qualquer consciência. Assim, “consciência humana” é uma expressão toda, unificada, em que o “humana” funciona não como adjetivo do substantivo consciência, mas apenas como uma peça reiterativa. Na sociologia, não faz sentido falar em “consciência humana”, pois a ideia de consciência X ou Y está ligada à ideia de identidade social. Há, então, “consciência negra”, “consciência operária”, “consciência feminista” etc. (Filósofo Paulo Ghiraldelli) Leia mais: https://www.neipies.com/existe-consciencia-negra-mas-nao-existe-consciencia-humana/

Autor: Hermes C. Fernandes

Edição: Alex Rosset

A gratidão é a memória do coração

Em praticamente todas as religiões do mundo, a gratidão é o princípio básico para se levar uma vida centralizada na fé, em Deus e em tudo o que o Universo pode conspirar ao nosso favor. Na Bíblia, um dos livros mais difundidos no mundo, Jesus ensina, a todo momento, a importância de ter amor e gratidão no coração, para se ter uma vida plena e feliz.

Você sabia que o simples ato de agradecer é capaz de aumentar seu nível de felicidade pessoal e mudar seu destino? Já está comprovado: quem “se lembra” de agradecer sempre, mesmo em situações adversas, vive uma vida mais feliz e saudável.

Contudo, agradecer verdadeiramente é reconhecer e retribuir um bem que recebemos, do fundo do coração, não sendo, portanto, um raciocínio lógico. Não é à toa que já se difundiu: “gratidão é a memória do coração”.

Agradecer de coração é um sentimento genuíno, que é capaz de despertar a nobreza que existe em nosso interior e nos ligar imediatamente à energia criadora e positiva do universo. 

Em praticamente todas as religiões do mundo, a gratidão é o princípio básico para se levar uma vida centralizada na fé, em Deus e em tudo o que o Universo pode conspirar ao nosso favor. Na Bíblia, um dos livros mais difundidos no mundo, Jesus ensina, a todo momento, a importância de ter amor e gratidão no coração, para se ter uma vida plena e feliz.

Nas culturas orientais, a gratidão também é diretriz para guiar uma vida com mais sabedoria e amor. Um filósofo japonês Mokiti Okada (1889-1955) registrou que “gratidão gera gratidão, lamúria gera lamúria”, sugerindo que quem vive em estado de gratidão acaba entrando em um ciclo contínuo de coisas boas e positivas. Não seria a infalível Lei da Atração agindo em nossas vidas?

Continue a leitura e aprenda como despertar seu coração para a verdadeira gratidão, atraindo a felicidade que você tanto deseja:

Ser grato pelo básico é o primeiro passo

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, já dizia: “Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”. Pense que o catalisador para uma vida com gratidão é simples: gravar no coração que sempre há algo para agradecer!

Parece clichê, mas acordar, abrir os olhos, respirar e se levantar da cama já são motivos de grandes agradecimentos da nossa parte ao universo. Pensando, mesmo superficialmente, todos nós temos, sempre, algo de bom em nossas vidas para levantar as mãos para os céus e agradecer.

Sabemos, entretanto, que sentir-se constantemente agradecido não é tão fácil quanto parece. Manter a chama acesa da gratidão no interior significa fazer um exercício diário para perceber pequenos milagres que acontecem na nossa vida, muitas vezes, sem que façamos muito esforço para tal.

Por isso, se estiver difícil ser grato, comece enumerando o básico presente na sua vida e verá que há muito mais coisas “presentes” do que “ausentes”.

Agradecer renova o sentimento de esperança

Um dos grandes benefícios da gratidão é renovar a esperança, enxergando que “fases ruins” são, quase sempre, uma questão de ponto de vista, um julgamento subjetivo e pessimista da realidade. Reveja uma situação considerada negativa em sua vida, agradeça nem que seja o fato de ter aprendido algo com ela, e veja como flui uma leveza e um sentimento de alegria antes não sentidos.

Às vezes, escolhemos focar no que “não está funcionando” na nossa vida, ou seja, os problemas, as lacunas, o que achamos que ainda falta conquistar ou ter. Contudo, agir assim é como cavar um poço bem fundo e pular nele, sem perceber.

Nosso subconsciente segue o que desejamos interiormente, como um roteiro de vida e, se ele segue uma linha feliz, de prosperidade e sucesso, nossa mente nos induz a um pensamento de felicidade. E nossas ações, inevitavelmente, seguirão este caminho.

Gratidão é o segredo da boa sorte

Ter gratidão é algo que não custa dinheiro e pode ser colocado em prática agora mesmo. Tornar-se grato é tão importante que é o primeiro passo para nos tornarmos seres humanos melhores — mais gentis, generosos, bondosos e humildes — e, consequentemente, filhos, maridos, esposas, pais e profissionais melhores.

Quem sente gratidão pelo que possui, torna-se menos ansioso e estressado, melhora o relacionamento, prospera e consegue, sempre, picos de boa sorte na vida, pois enxerga ótimas oportunidades em pequenas coisas. Ainda melhora a aparência, pois você já viu alguém que vive reclamando de algo, ter um sorriso bonito no rosto e uma fisionomia atraente?

Quem nunca se pegou pensando: “fulano é tão sortudo”, “nasceu com uma estrela na testa”. A über model Gisele Bündchen, considerada umas das pessoas mais sortudas do planeta, deu uma lição de gratidão ao afirmar, em entrevistas recentes, que a primeira coisa que faz ao se levantar é agradecer, durante seu momento de meditação.

E mais: o modelo, apontada como exemplo de felicidade, também afirmou que, além de serem um dos sete pilares da sua vida, o amor e a gratidão são os principais ensinamentos que pretende deixar como herança para a sua filha: “Minha filha, seja grata por tudo o que você tem na vida. Eu vivo disso”, descreveu Bündchen.

Sim, a gratidão é a memória do coração

Agradecer é retribuir o que nos foi oferecido de bom, mesmo que mentalmente. Contudo, quanto mais materializarmos a nossa gratidão, maior será o nosso próprio nível de felicidade. Foi o que comprovou um teste realizado, recentemente, por psicólogos americanos.

No experimento, voluntários foram convidados a pensar em pessoas por quem tivessem gratidão, após terem feito algo maravilhoso em suas vidas. Cada voluntário foi, então, estimulado a escrever uma “carta de gratidão” a esta pessoa. O objetivo era contatar a pessoa citada na carta e ler para ela o conteúdo escrito, como forma de materializar a gratidão expressa.

Quem conseguiu fazer isso, demonstrou, por meio de medidores, um aumento do nível de felicidade pessoal de 4%. Já as que conseguiram falar com os destinatários das cartas e leram o que escreveram, aumentaram em quase 20% o seu nível de felicidade.

Assim, ficou claro que a gratidão deve ser exercitada, diariamente, como parte do nosso roteiro de felicidade.

Ao retribuir algo de bom, nossa energia muda e somos capazes de alterar nosso próprio destino. “Pense na gratidão como um músculo a ser exercitado diariamente, e não como apenas um sentimento”, definiu o estudo.

Se algo estiver fora do eixo em sua vida, faça um desafio e incorpore a gratidão no seu dia a dia. Tente se lembrar: quando foi a última vez que sentiu ou retribuiu a gratidão? Tenha em mente que a gratidão é a memória do coração e repense em toda a sua vida. Você, com certeza, constatará que tem muito mais do que o necessário para viver.

E mais: a modelo, apontada como exemplo de felicidade, também afirmou que, além de serem um dos sete pilares da sua vida, o amor e a gratidão são os principais ensinamentos que pretende deixar como herança para a sua filha: “Minha filha, seja grata por tudo o que você tem na vida. Eu vivo disso”, descreveu Bündchen.

Sim, a gratidão é a memória do coração

Agradecer é retribuir o que nos foi oferecido de bom, mesmo que mentalmente. Contudo, quanto mais materializarmos a nossa gratidão, maior será o nosso próprio nível de felicidade. Foi o que comprovou um teste realizado, recentemente, por psicólogos americanos.

No experimento, voluntários foram convidados a pensar em pessoas por quem tivessem gratidão, após terem feito algo maravilhoso em suas vidas. Cada voluntário foi, então, estimulado a escrever uma “carta de gratidão” a esta pessoa. O objetivo era contatar a pessoa citada na carta e ler para ela o conteúdo escrito, como forma de materializar a gratidão expressa.

Quem conseguiu fazer isso, demonstrou, por meio de medidores, um aumento do nível de felicidade pessoal de 4%. Já as que conseguiram falar com os destinatários das cartas e leram o que escreveram, aumentaram em quase 20% o seu nível de felicidade.

Então, que tal começar este exercício em nosso site? Expresse sua gratidão nos comentários e aumente seu nível de felicidade! 

https://osegredo.com.br/entenda-por-que-gratidao-e-memoria-coracao/

Aprendendo gratidão!

Inspirados nesta reflexão acima, estudantes e professores/as da EMEF ZDC (Escola Municipal de Ensino Fundamental Zeferino Demétrio Costi) realizaram, neste último dia 26/11/2021, Dia Mundial de Ação de Graças, atividades reflexivas sobre a memória desta data e a importância do agradecimento na vida de cada ser humano.

Em seguida, como gestos concretos de gratidão, levaram para as suas casas um saquinho de sementes, lembrando da importância de semear, de agradecer e de fazer reverência aos alimentos que nos permitem a vida e a sobrevivência.

Expuseram, ainda, tiras de TNT que continham ideias, frases ou desenhos sobre a importância da gratidão e os motivos para agradecimento. Estas tiras foram colocadas na grade que dá acesso à rua que corta a frente da Escola. Deste modo, a Comunidade Escolar tornou público o seu trabalho pedagógico para toda a comunidade que circunda a escola ou que transita nesta rua da escola.

Quer aprofundar sobre a importância de ensinar gratidão na escola, assista a este breve vídeo. A animação apresenta o resultado de alguns estudos que evidenciam a importância da gratidão na formação das crianças e adolescentes, com o aprendizado iniciado em casa e continuado nas escolas. https://youtu.be/7xRvejvaH74?t=33

Edição: Alex Rosset

A falácia da terceira via

Terceira via não existirá. Será novamente uma luta da centro-esquerda contra a extrema-direita, esteja o ex-capitão na contenda ou não.

É possível processos eleitorais com dois polos ideológicos opostos e um mediador sendo a terceira via? A resposta é simples: sim é possível. Em países pluripartidários, não há razão para se pensar diferente.

A busca pelo eleitor de centro, nas eleições em países que contam apenas com dois partidos (bipartidarismo), é um clássico das análises da ciência política. Parte-se da ideia de que há uma parcela considerável da população que não está interessada em política, ou que tem medo de extremos, e tende a votar em candidatos que se aproximem mais do senso comum.

Mas o fato de ser possível não significa que seja inexorável sua presença. Não há nenhum princípio essencial na presença de uma terceira via, de um centro. Isto é importante para avançar no argumento que pretendo desenvolver aqui a partir da pergunta: existe um centro a se constituir, diferente do PT e seus aliados de esquerda e da extrema-direita de Bolsonaro, para ser chamado de terceira via? 

Começo por uma resposta peremptória: Não. E explico por quê.

Darei três razões, mas possivelmente há muitas mais. A primeira é que opor Lula a Bolsonaro como dois extremos ideológicos é muita ingenuidade ou má intenção.  São, certamente, polos adversários, mas isto não é sinônimo de dois extremos. Lula foi, por duas vezes, presidente do país e seu partido ganhou quatro eleições presidenciais; Bolsonaro é o atual presidente do Brasil.

A comparação entre os governos é fácil de ser feita.  Apesar das aberrações discursivas dos donos do pato amarelo, nas primeiras vezes em que Lula se candidatou, os  seus governos posteriores foram de concertação.

No melhor estilo do que André Singer chamou de Lulismo, isto é onde “todos ganham”. E os banqueiros ganharam muito. Ao mesmo tempo, o Brasil saiu do mapa da fome, o salário mínimo teve aumento real de 75%, houve importantes políticas públicas para os mais pobres, inclusive o formidável avanço da política de cotas para negros e estudantes das escolas públicas em geral. Lula fez um governo de centro-esquerda por um simples fato: gostemos ou não, Lula é um político de centro-esquerda.

Já Bolsonaro e sua parentela têm feito um governo de desmanche de extrema-direita, para dizer o mínimo. Prometeu isto e está cumprindo. Atua no sentido de desconstruir não o governo petista anterior, mas as bases da frágil mas valente democracia brasileira, ancorada na constituição de 1988.

O mais trágico para seus apoiadores do andar de cima é que não cumpriu suas promessas ultraneoliberais, que ele próprio não sabia o que era, mas confiava num  Chicago’s Elder, que se revelou de uma incompetência exemplar. 

O ex-capitão e sua parentela chegam a 2022 com um grupo pequeno de apoiadores fanatizados e muitos militares bem pagos em cargos de confiança, além de uma trupe venal que habita o Congresso Nacional e que não costuma afundar com o barco.  Tendo por base as condições do fim do ano de 2021, Bolsonaro tem munição para, em tese, dar um golpe de estado, mas não para ganhar as eleições.

A segunda razão para que não exista um centro é que a questão não é um candidato de centro, mas um candidato que substitua Bolsonaro nos corações e mentes da Faria Lima e dos setores da classe média que costumam se arrastar atrás de qualquer um que prometa manter seus privilégios e empobrecer ainda mais os mais pobres.

Bolsonaro até pode ser candidato, e muito possivelmente será, mas há necessidade de um novo candidato de extrema-direita para completar a “obra” do desmonte. E aí despontam algumas figuras. Temos os candidatos de sempre do PDT e do PSDB. O eterno Ciro não sabe se é ultra-inimigo de Bolsonaro ou se pode até fazer uma aliança velada, de ocasião, com forças reacionárias. Sua ambição é puramente pessoal, uma mistura de caudilhismo gaúcho, característico do fundador de seu partido, com o velho coronelismo nordestino. 

Pari passu vem o PSDB, que perdeu todo o aplomb, pretensamente sustentado por seu maior líder, que até título real tinha para se definir profissionalmente: o príncipe da sociologia. Após o melancólico desastre de 2018, quando Alkmin não conseguiu 5% dos votos, pretendia voltar com o prefeito de São Paulo.  Doria é um tucano de pobres plumagens, segundo alguns, compradas na 25 de Março. É rico, mas brega, e o PSDB gosta de rico com origem na USP.  

Mas era o que se apresentava na ocasião, e sua mediática (e até eficiente) administração da pandemia de covid-19 o cacifava como um candidato de peso. No entanto, o partido, mesmo em frangalhos, se dividiu e um jovem governador apareceu para aqueles que não engoliam o apresentador de TV disfarçado de governador, como o novo, a salvação da lavoura.

Deu no que deu, o PSDB viveu algumas semanas gloriosas e a grande mídia também. Parecia que finalmente tinham encontrado o substituto de Bolsonaro, pouco importando se fosse Doria ou Leite. Mas o evento correspondeu à crença de que um moribundo melhora um pouco antes de morrer.  As prévias do partido viraram uma luta de rinha de galos sem regras. Lá se foi o sonho do “centro” novamente…

Resta Sergio Moro, que depois de cometer todos os disparates como servidor público da justiça federal, após negociar com acusadores contra os réus, prender o candidato que poderia ganhar as eleições de seu futuro patrão e ter levado um pontapé nos glúteos daquele a quem foi tão servil, volta. E como? Com a velha, surrada, mas perigosa lenga-lenga do salvador da pátria, um homem de fora da política que vem salvar o país da corrupção.

Moro é o homem sem qualidades e um pouco mais civilizado do que o ex-capitão, ideal para cumprir o papel de representante da família margarina e pet de estimação da banca internacional e dos donos do pato amarelo. Resta saber se terá fôlego para uma campanha e se convencerá parte significativa do eleitorado. Parece-me de tiro curto, mas é um elemento de extrema-direita perigoso. Não podemos perdê-lo de vista.

A terceira razão para que não haja candidatura de centro para presidente da república é que o centro, no sentido político do termo, esteve sempre ao redor do PT, e o Partido dos Trabalhadores nunca lhe negou guarida. Ao contrário, abusou da hospitalidade. Se este é o grande problema do PT ou não, é difícil afirmar, pois muitas outras variáveis precisariam ser analisadas.

A pergunta que fica em aberto é: quem será o vice de Lula?  Aí saberemos se o centro participará das eleições presidenciais de 2022. Eu apostaria que sim. Terceira via não existirá. Será novamente uma luta da centro-esquerda contra a extrema-direita, esteja o ex-capitão na contenda ou não.

 Autora: Céli Pinto

Professora Emérita da UFRGS; Cientista Política; Professora convidada do PPG de História da UFRGS


* Esta publicação foi originalmente publicada no Jornal Sul21, no dia 24/11/2021:
https://sul21.com.br/opiniao/2021/11/a-falacia-da-terceira-via-por-celi-pinto/

Edição: Alex Rosset

As árvores podem ser as melhores amigas da sua criança

A canção “Árvore” interpretada por Elba Ramalho nos diz em seus versos “Todo santo dia / Pois todo dia é santo / E eu sou uma árvore bonita / Que precisa ter os seus cuidados”. Toda árvore é bonita e como nós, todas elas precisam de cuidados porque conforme alguns cientistas elas sentem emoções iguais a nós. Claro que você não vai sair por aí à procura de uma árvore chorona, birrenta ou sorridente. Elas sentem emoções dos seus jeitos. E há que se entender o jeito de cada árvore para cuidar delas e amá-las.

Ouça música de Elba Ramalho: https://youtu.be/buE4XDY1724?t=226

As árvores são maravilhosas porque nos dão frutos, sombra, ar puro, decoram as nossas ruas e são moradas de pássaros. Elas também são encantadoras com as suas folhas verdinhas no inverno e secas no outono a serem levadas pelo vento como quem corre para os braços de uma criança. Quem aprende a amar uma árvore nunca mais deixará de amar a si próprio e ao outro. Algumas árvores nos dão pouco trabalho, elas só querem mesmo ser paparicadas e mimadas iguais crianças.

A minha mãe gosta de conversar com a árvore da nossa casa. Eu não sei o que tanto as duas conversam todos os dias pela manhã bem cedo, mas acho que a nossa árvore sabe de todos os segredos de mamãe e claro nunca contará para ninguém por que se existe algo em que podemos confiar é nelas. Também não vivem trocando de amigos e o melhor de tudo não têm amigos virtuais. São amigas de gente de carne e osso que valoriza as relações presenciais, que gosta de beijo e de abraços. Toda criança gosta de abraçar uma árvore, imagine ser o melhor amigo de uma delas. Mamãe é a melhor amiga da nossa árvore.

Sim, as árvores podem ser as melhores amigas da sua criança. Se você incentivar a criança a gostar delas, a amá-las, cuidá-las e respeitá-las, certamente que criarão um laço afetivo e emotivo para longevidade. Conheço um homem que tem quase cem anos e é amigo de uma árvore há mais de setenta anos. Ele me disse, um dia, que ela sabe mais dele do que a sua própria família. Achei isso a coisa mais bonita que já ouvi na vida.

As árvores conseguem até mesmo curar as doenças e traumas das crianças, pois quando são abraçadas por elas e recebem os seus prantos de dor e tristeza transmitem uma energia da natureza capaz de amenizar os problemas emocionais pelos quais a criança está passando. Assim como precisam de cuidados, as árvores também sabem cuidar. Uma árvore pode acalentar uma criança que perdeu um amiguinho ou bichinho.

Faz algum tempo, levei o meu sobrinho para um parque de mata atlântica aqui da minha cidade e ele ficou encantado por uma das árvores desse local. Ele disse que pôde ouvir a árvore chamar por ele e pedir-lhe um abraço. Todo mundo sabe que abraços também curam medos, traumas, doenças e nos transmitem energias maravilhosas, fazem com que a nossa autoestima suba e fazem com que nos sintamos as pessoas mais amadas do mundo.

Os cientistas e tecnólogos da informação sabem tanto do poder de um abraço que já estão programando robôs para abraçarem crianças que fazem tratamento para combater o câncer. As crianças se sentem protegidas dentro de um abraço. A proteção é algo necessário ao homem desde os tempos das cavernas quando se escondiam nelas para se protegerem dos seus predadores.

O autor Eduardo Galeano na sua clássica obra “O livro dos abraços” nos fala da grandiosidade dos momentos, da riqueza dos inesquecíveis momentos, das histórias belas que ouvimos ao longo dos anos e de como tudo isso vai se abraçando e traçando a vida para novos significados, valores e virtudes. As árvores fazem isso conosco. Se ninguém nunca lhe falou sobre elas serem grandes contadoras de histórias eis o meu pensamento, principalmente aquelas seculares que têm dentro de si muitas histórias.

As árvores não precisam andar por muitos lugares para conhecerem as coisas e nem mesmo navegar em vários mares para saberem delas. Elas têm o poder de saber tudo que está ao seu redor, por isso que quando uma delas está sofrendo com machadadas todas choram em profundo silêncio. Sim, a floresta silencia-se quando uma árvore é derrubada e aquele homem mesmo tendo feito um grande mal a uma delas ainda assim continuará recebendo a sua sombra e os seus frutos porque elas não são vingativas.

As pessoas não imaginam que as árvores podem adoecer de tristeza e até mesmo morrerem. Assim como as crianças na educação infantil que adquirem piolhos, algumas delas sofrem com os cupins e precisam de tratamento. Os cupins são uma grande praga para as árvores. Eles são como algumas doenças do nosso corpo, vão comendo tudo por dentro e quando percebemos elas estão ocas e mortas. Só lhes restam cair ao chão, sem vida.

Uma criança que é amiga de uma árvore precisa saber que todo ser vivo pode morrer a qualquer momento. Então, os pais e responsáveis precisam contar para ela que a árvore não é imortal. Ela pode viver muitos anos se cuidada e amada como necessário, mas também pode sofrer com doenças e pragas, iguais a nós. O laço afetivo da criança para com a árvore deve ser estabelecido nos primeiros anos de vida. Aprender a respeitar a natureza, a senti-la, a tocá-la, precisa ser feito antes mesmo da criancinha começar a andar.

Abraçar produz todo o tipo de efeitos positivos no corpo, na mente e no coração. Os benefícios científicos do abraço vão desde dar a sensação de bem-estar até prevenir doenças, como já foi dito acima. As árvores substituem seus braços pelos seus galhos e apesar de não se movimentarem como gostaríamos elas nos abraçam fortemente dentro dos seus troncos e galhos. As belezas da natureza ganham singularidade quando descobrimos que uma árvore todos os dias espera o menino passar para a escola apressadinho, mas antes dá-lhe um abraço gostoso.

O abraço ainda promove o bem-estar e melhora a memória. Além da oxitocina, um abraço promove também a liberação de dopamina, um hormônio que atua como um estimulante, criando uma sensação de prazer no cérebro. Existem também estudos que demonstram que quando abraçamos alguém a liberação de endorfinas também aumenta. Da mesma forma que abraçar alguém nos proporciona tudo isso, assim também as árvores nos oferecem esse bem-estar.

As crianças que têm contato com a natureza conseguem manter uma memória afetiva mais aguçada, a sua inteligência emocional é mais desenvolvida e a sua criatividade é estimulada porque as árvores além de serem amigas e boas contadoras de histórias também são responsáveis pelas crianças que as cativam. Tanto a criança sente essa responsabilidade quanto as árvores. Cativar faz parte do laço afetivo que envolve criança e árvore. Porém, não é só o abraço que a árvore proporciona. É o balanço feito de madeira em um dos seus galhos onde a criança passa horas brincando e cantando.

As crianças gostam de sentar-se em cima das folhas secas das árvores e essas além de servirem para adubos também servem como tapete para a criançada ficar em cima e descobrirem formigas e lagartas escondidas embaixo delas. Há um mundo embaixo das folhas secas das árvores que não conhecemos. Essas folhinhas quando tocadas e acarinhadas ganham vida novamente e vão morar nos corações de alguma criança que as guardam dentro de um livro ou do caderno escolar para que possam andar sempre ao seu lado. A folhinha seca tornar-se uma espécie de amuleto às crianças e adultos que gostam de guardá-las em algum lugar das suas coisas. Elas podem servir até mesmo para perfumarem as roupas nos guarda-roupas.

Voltando ao abraço ele pode significar carinho, amor, afeto e amizade. Um abraço estabelece uma ligação íntima e saudável entre as pessoas. É bom tanto para quem dá, quanto para quem o recebe. É um gesto simples, porém carregado de sentimentos. Nos últimos anos, temos visto pais e responsáveis preferirem levar as suas crianças para passearem nos shopping centers e esquecerem dos parques ecológicos, com isso as crianças perdem o contato com a natureza se em casa não tiverem uma árvore ou plantinha para cuidarem.

Contudo, não basta somente abraçar a árvore todos os dias. A criança precisa manter responsabilidades para com ela. Aprender desde cedo a podá-la, a cuidar dos seus galhos, a apanhar as suas folhas secas e sempre regá-la porque mesmo a árvore sendo secular ela precisa de água. Assim como nós, durante toda a sua vida a árvore precisará ser hidratada com água. As responsabilidades para com as árvores mostram para elas que também são importantes e que têm coisas que precisam muito dos seus cuidados. Toda criança quer ter uma responsabilidade para sentir-se útil.

Falei pouco sobre os frutos das árvores, mas elas nos oferecem esses deliciosos alimentos que matam a nossa fome. Muitas crianças não têm o que comer em casa e se alimentam dos frutos das árvores próximas das suas moradias. Tomar uma água de coco em pleno dia quente, chupar um caju ou laranja, comer uma goiaba ou chupar uma manga é uma maravilha. Muitas pessoas se alimentam mais de frutas do que de outros alimentos, atualmente. As frutas nos dão vitaminas e nos fazem crescer fortes e saudáveis. Além de proporcionarem a cura e a prevenção de várias doenças.

O gesto do abraço de uma criança em uma árvore demonstra a forma como se importa com ela, por isso dependendo da intensidade do abraço podemos saber quão amigos são a criança e a árvore. Há abraços que parecem eternos e duram vários minutos. Parece que quando estamos nos sentindo sozinhos no mundo gostamos de abraçar para descobrimos que existe alguém ou algo que nos ama e no qual podemos confiar que nunca vai nos abandonar, assim são as árvores. Como não podem andar, as crianças têm a certeza de que sempre as encontrarão no mesmo lugar.

As árvores têm várias emoções que precisamos conhecer. Elas têm sentimentos de saudades, tristezas, felicidade. Como disse acima, dos seus jeitos. O importante é sabermos que elas têm sentimentos e emoções capazes de deixá-las doentes e até morrerem se não forem cuidadas como necessitam.

Deixo vocês com os versos da canção “Dentro de um abraço” da banda de música Jota Quest que nos diz “O melhor lugar do mundo / É dentro de um abraço / Pro solitário ou pro carente, eh / Dentro de um abraço é sempre quente, quente / Tudo que a gente sofre / Num abraço se dissolve / Tudo que se espera ou sonha / Num abraço a gente encontra”. Sim, dentro do abraço em uma árvore tudo pode mudar, a criança pode esquecer o seu sofrimento e passar a sorrir mais vezes até esquecer aquela dor difícil. Dentro de um abraço a gente aprende que o mundo é vasto e que nós somos esse mundo do qual muito se espera e muito se sonha. Abraços!

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Vida a Crédito

Será que precisamos comprar tudo aquilo que desejamos para ter uma vida feliz?

Vida a Crédito é o título de um dos livros do sociólogo polonês Zigmunt Bauman (Zahar, 2010), no qual analisa profundamente a recessão iniciada em Wall Street, nos Estados Unidos em 2008, e que rapidamente atormentou o mundo todo. Em tempos de crise como estamos vivendo, onde os noticiários não cessam de anunciar a falta de dinheiro e o endividamento generalizado, a leitura e estudo de Vida a Crédito pode nos ajudar a entender melhor os fatores da crise e a possibilidade de aprendermos com os erros.

Bauman inicia sua análise dizendo que estamos vivendo nas últimas décadas uma transição da sociedade de produtores (onde os lucros eram obtidos sobretudo da exploração do trabalho assalariado) para a sociedade de consumidores (onde os lucros são oriundos sobretudo da exploração dos desejos de consumo).

Para “alimentar” a sociedade do consumo e criar sempre mais “fome” de consumir, a “filosofia empresarial” criou um conjunto de estratégias, cujas finalidades sejam satisfeitas e, de preferência, induzir, capturar e ampliar novas necessidades e desejos de consumo.

Para garantir essa prática consumista insaciável e retroalimentar o desejo sempre insatisfeito de comprar cada vez mais, a oferta de crédito por meio de empréstimos se tornou imprescindível. Por essa razão, assistimos nos últimos anos a introdução de cartões de crédito em quase todas as camadas sociais.

O lema básico desta nova forma de vida foi: “não adie a realização do seu desejo”. Com um cartão de crédito em mão se tornou possível “desfrutar agora e pagar depois”. O cartão de crédito criou a doce ilusão de que “cada um é livre para administrar sua própria satisfação” e obter as coisas que desejar, sem esperar o tempo para juntar recursos suficientes para comprá-la. Assim, do automóvel ao vestuário, do jantar em um restaurante sofisticado à viagem dos sonhos, da televisão gigantesca à festa inesquecível, tudo se resume em antecipar o prazer e retardar a realidade.

No entanto, como nos adverte o próprio Bauman, não pensar no “depois” significa, como sempre, acumular problemas. Quem não se preocupa com o futuro pagará um preço pesado pela sua imprudência. Mais cedo do que tarde se descobre a triste e desagradável realidade de que “o prazer da satisfação” se transformou na “punição da cobrança”.

Assim, a falta de planejamento dos gastos, a suposta facilidade do crédito e a felicidade efêmera do consumo se tornaram rapidamente em pesadelo, mal-estar, incômodo, depressão e tantas outras patologias provenientes desta embaraçosa situação.

A dura realidade se faz sentir, principalmente, quando se anuncia uma crise, quando aquilo que parecia funcionar tão bem perde, sem aviso prévio, o rumo dos acontecimentos. E como já dizia a lei de Murphy “que se algo pode dar errado, dará”, nos damos conta que até o crédito para pagar nossas dívidas vai se tornando escasso, difícil, impagável.

Aos poucos nossa própria vida, considerada o bem mais precioso e inalienável, se transforma num objeto de venda, de troca, de hipoteca. E assim nos tornamos escravos de nossos próprios desejos e de um monstro invisível chamado consumismo que toma conta de nossas escolhas.

Os antigos nos ensinaram que a prática da prudência e o exercício da reflexão podem se tornarem o remédio amargo para nos curarmos de nossos próprios desejos e de nossa própria servidão.

Cabe, por fim, um questionamento: será que precisamos comprar tudo aquilo que desejamos para ter uma vida feliz?

Para os que desejarem conhecer mais o pensamento de Bauman, além das leituras do seu livro, sugiro o Dicionário Crítico-Hermenêutico que acaba de sair e está disponível publicamente em PDF.

Segue o link de acesso: https://www.researchgate.net/publication/356290134_Dicionario_Critico-Hermeneutico_Zygmunt_Bauman

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição: Alex Rosset

O ano letivo termina. Que ano foi esse? Que ano virá?

Podemos fazer a diferença na vida dos alunos. O ano que finda, tão desafiador e singular, nos permite o reforço desse pensamento. Permite também ampliar a certeza de que o papel do professor é imenso, intenso, para além da visão que se reduz ao ensino, que tanto insistem em enfatizar, com o propósito de diminuir ou anular toda a grandiosidade e força das relações que só se constituem na escola.

Reconhecemos que foi um ano desafiador. Por tudo!

A situação pandêmica causada pelo Covid-19, o retorno à escola na modalidade híbrida e, posteriormente, o desafio do retorno totalmente presencial. Mesmo estando no final do percurso, o que temos em maioria são estudantes em processo de construção de vínculos afetivos com professores e especialmente com o grupo que, durante o escalonamento, não teve a convivência garantida e plenamente satisfeita.

Mesmo que o ano acabe, o que temos em maioria são estudantes desejosos pela vida escolar, dinâmica, viva.  A escola é o lugar que querem estar, permanecer, viver. Isso porque a modalidade remota, lamento informar, não se configurou como a mais desejada, embora ainda tenha quem acredite nisso.

 Mesmo que o fim do ano esteja próximo, reconhecemos que no percurso dele acabamos por desenvolver capacidades que nos permitiram crescer. Quem não aprendeu diante dos desafios deste ano? Sem contar o ano de 2020. É porque somos feitos de desafios! São eles que nos fazem crescer enquanto humanos.

O fato é que ninguém gosta de se sentir sacudido, de lá para cá, ou de cá para lá, sem direção, como se o piloto tivesse abandonado a embarcação. São rotinas muitas vezes distantes ou distorcidas em relação ao que de fato é necessário. O que se pretende dizer com isso?

Que, ao final deste ano, seja possível afirmar que houve uma entrega plena e verdadeira no que fizemos enquanto educadores, e por essa razão nos tornamos melhores em muitas dimensões.  Inclusive para dizer que tudo tem limite! Chegamos ao limite em relação ao uso tecnológico-remoto e nos tornamos ávidos pelo cheiro da escola (mesmo com máscara), barulho da sala de aula, olho no olho e toque (com muito álcool em gel depois).

O professor precisa olhar, ouvir, sentir, tocar. Tem que perceber para além do que os alunos demonstram. O que acontece na escola, e só na escola, e está inteiramente ligado e dependente com o que se passa com seus alunos fora dela.  E a modalidade remota não tem esse alcance! Lamento, mas não tem. Por isso que a escola é mais do que um espaço privilegiado para o ensino, é sobretudo um espaço social, diverso e complexo de relações. Enquanto professor, se os olhos se fecharem para isso, certamente restará o fracasso.

É que na condição de professor, é no chão da escola que se pode fazer a diferença na vida dos alunos. Claro, se eles forem o foco. E convenhamos, é questionável se no atual cenário eles de fato são o foco. Parece que estamos nos distanciando cada vez mais desse propósito, apesar de ter quem discurse o oposto. Mas, como dito anteriormente, nos capacitamos muito durante este tempo difícil, tanto que podemos dizer tudo tem limite! Sabemos o que estão fazendo. Sabemos dos seus planos futuros…

Na condição de professor, podemos fazer a diferença na vida dos alunos. O ano que finda, tão desafiador e singular, nos permite o reforço desse pensamento. Permite também ampliar a certeza de que o papel do professor é imenso, intenso, para além da visão que se reduz ao ensino, que tanto insistem em enfatizar, com o propósito de diminuir ou anular toda a grandiosidade e força das relações que só se constituem na escola. 

Como nos humanizamos? Assista: https://youtu.be/Il_XyDpcsgY?t=12

As modificações da sociedade exigem agilidade dos profissionais da educação em relação ao rendimento dos estudantes. Para cumprir com as determinações legais e alcançar o perfil em voga, os professores acabam por se amparar em programas e projetos que (de)formam exclusivamente para um tipo de sociedade. Dito de outro modo, logo perceberemos a competição entre nossas escolas, num ambiente restritivo, que não contempla os sentidos plurais e inteligentes do ser humano. Estaremos imersos em práticas verticalizadas que encerram o ser humano num mundo desprovido de possibilidades, isso tudo porque se tem como pano de fundo a lógica da competição e da lucratividade. 

No entanto, em contextos social, cultural e economicamente diversos, mais do que conhecer as realidades, é fundamental compreender as situações em que os indivíduos vivem (ou muitas vezes sobrevivem).

Então, qual é conhecimento que se consolida como essencial e que se torna o diferencial na vida do aprendiz? É aquele que permite entender o outro.  Para tanto, é necessário que nos coloquemos no lugar desses outros, com a acolhida, a escuta e a relação humanizada. Isso é o que deveras importa.  Essa perspectiva ultrapassa o processo de ensino, porque almeja algo maior: a compreensão do outro.  E quando alcançamos esse entendimento, conseguimos fazer a verdadeira diferença. Ambas as vidas mudam, a do outro e a minha. Isso é educação plena! E ao mesmo tempo, é do que mais estamos carentes!

Acontece que a escola contemporânea atua como uma empresa. Reestrutura-se para estar em concordância com os objetivos comerciais. Atende um “conjunto de discursos, práticas e dispositivos que determinam um novo modo de governo dos homens segundo o princípio universal da concorrência” (DARDOT; LAVAL, 2016, p. 17). Por esta concepção de característica utilitarista e excludente, ocorre o esquecimento da história pessoal de cada ser e os pilares necessários à vida coletiva.

A realidade de muitas escolas é dura e esgotante. Muitas vezes agimos como o professor que não gostaríamos de ser: apressado; tenso; preocupado; o que fala alto; o que faz a pergunta e dá a resposta; o que perde a paciência; o que não ouve; o que usa e abusa dos manuais; o que usa e abusa da tecnologia; o que fala sem pensar; o que só pensa e não fala; o que diz coisas que não quer e não sente; o que é absorvido pelo cansaço… Tudo isso nos faz mais fracos, e na fragilidade nos esquecemos de argumentar e combater os despropósitos que por vezes nos impõe, e um deles é o que nos limita a só transmitir conhecimento, impedindo a verdadeira compreensão do outro.

Não é fácil conseguir energia para lidar com as adversidades que surgem, mas não é momento para atirar a toalha ao chão! E é isto que deve ser lembrado e até transformado em mantra.  Temos que pensar no ano que virá e oferecer uma educação de qualidade, independente das imposições! E isso implicará alguns embates, pois não haverá garantia dela sem eles. E a qualidade requer que alguns direitos sejam assegurados/respeitados. Mas quais direitos?

De ter uma escola permeada por relações dialógicas. De ter uma escola com possibilidades para aprender com o outro. De ter uma escola que seja possível conhecer e compreender o outro. De ter uma escola que seja possível participar. De ter uma escola comprometida com memórias, momentos e experiências e situações de vida. De ter uma escola que permita a leitura do mundo. De ter uma escola consciente e crítica acerca da realidade, e disposta a agir para melhorá-la. De ter uma escola que prefere cooperar ao invés de competir. De ter uma escola de resistência ao que (de)forma e (des)educa. De ter uma escola com capacidade e coragem para dizer: NÃO. ISSO NÃO É EDUCAÇÃO!

As escolas só serão locais de profusão de solidariedade se fizerem de seus espaços, locais onde se alimenta sonhos. Há muito as escolas deixaram de ser o local onde se vive sonhos. (Everaldo Reis) Leia mais: https://www.neipies.com/escolas-mais-solidarias-pos-pandemia/

Referências bibliográficas:

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian: A escola não é uma empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensino público. São Paulo: Boitempo, 2019.

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian:  A nova razão do mundo: Ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016.

Autora: Ana Lúcia Vieira

Edição: Alex Rosset

 

Meninos pensantes, sábios e capazes de solucionar problemas

Apresentamos pequenas histórias de meninos que sabem muitas coisas e que acreditam no poder de suas ideias. Meninos que sabem gerenciar suas emoções, que sabem superar suas tristezas, que lidam com as surpresas da vida e que não tem medo de lidar com suas tristezas.

A partir de cada pequena história, seguem propostas de atividades pedagógicas que podem ser aplicadas com estudantes das séries iniciais do Ensino Fundamental.

O menino que gerenciava as suas emoções

Era uma vez um menino que aprendeu a gerenciar as suas emoções, ou seja, ele não perdia o controle das coisas, nunca ficava nervoso ou tenso demais e sabia o momento certo de chorar.

O menino que gerenciava as suas emoções sempre se saía bem nas rodas de conversas e nas provas da escola. Não precisava estudar muito tempo, bastava o suficiente.

O menino gerenciava as suas emoções com cuidado. Claro era que quando não suportava mais a raiva ele falava com a pessoa sobre o que estava o aborrecendo, mas nunca explodia.

Exercícios para o bom pensar.

1 – O que é gerenciar?

2 – Por que devemos aprender a gerenciar as coisas?

3 – Como gerenciar as nossas emoções?

Desenhe você gerenciando as suas emoções.

O menino tristonho

Era uma vez um menino bonito e educado que dizia ter uma tristeza grande dentro de si, uma espécie de vazio. Quiseram preencher o vazio do menino com uma bicicleta, um trem elétrico, um urso de pelúcia, mas nada disso foi suficiente. O vazio só crescia dentro do menino e a sua tristeza também.

Certo dia, o menino encontrou um amigo que gostava de ouvir os vazios das pessoas. E ficou conversando com ele a tarde inteira. Esse amigo emprestou-lhe um pensamento bom para guardar dentro do vazio. Pela primeira vez, o menino sentiu-se um pouco aliviado da sua tristeza. Porém, não sabia o que significava aquele pensamento bom do seu amigo, mas voltou no dia seguinte e pediu mais pensamentos bons para colocar dentro do seu vazio e assim foi preenchendo o vazio de pensamentos bons, de forma que a tristeza foi embora e nunca mais voltou.

Exercícios para o bom pensar.

1 – O que é a tristeza?

2 – O que é o vazio?

3 – Por que sentimos um vazio dentro da gente sempre que estamos tristonhos?

Desenhe você recebendo um pensamento bom.

O menino surpreso

O menino surpreso, às vezes sentia alegria com as coisas e noutras ficava triste. Dependia da surpresa. Há surpresas boas e outras não.

Mas quando queriam tomar uma das estrelas do seu céu, ficava surpreso e triste com aquela pessoa, pois não esperava que alguém pudesse ser mal com uma criança.

O menino surpreso sentia o coração bater mais forte e as mãos suarem com o tamanho da surpresa. Mas era apenas um menino como todo outro que gostava de surpresas boas.

Exercícios para o bom pensar.

1 – O que é uma surpresa?

2 – Por que há surpresas boas e más?

3 – Como você fica com uma surpresa boa?

Desenhe você se surpreendendo com um amigo.

O menino dos problemas

Era uma vez um menino com muitos problemas. Ele não sabia mais o que fazer com aqueles problemas que enchiam a sua cabeça. Então, ele teve uma grande ideia.

O menino dos problemas foi olhar as montanhas, os rios, as árvores e os pássaros, entregou a cada um deles um pouco dos seus problemas.

Daquele dia em diante, o único problema do menino era cuidar das suas galinhas barulhentas, pois entregou à natureza tudo aquilo que o perturbava.

Exercícios para o bom pensar.

1 – O que são problemas?

2 – Por que os problemas nos sufocam?

3 – Como os problemas nos afligem?

Desenhe você resolvendo um problema.

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

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