A omissão do governo brasileiro no enfrentamento à pandemia da Covid-19 e a falta de estratégias de prevenção para evitar as mais de 650 mil mortes registradas, impulsionaram instituições brasileiras a solicitar junto às organizações internacionais a responsabilização e a punição ao governo do Brasil. O Brasil detém a maior mortalidade média mundial, de 4,5%.
Para tratar do assunto, um conjunto de organizações realizou um Evento Paralelo da 49ª Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas nesta terça-feira, 29 de março. O tema do debate foi: “As Violações dos Direitos Humanos no contexto da Covid-19 no Brasil”.
O objetivo foi apresentar a situação de violações dos direitos humanos no país, mostrando aspectos, análises e casos que caracterizam violações e apontando caminhos que responsabilizam o estado brasileiro no enfrentamento da crise sanitária e recomendando aos organismos internacionais um posicionamento. A atividade teve como base o Relatório que contém 21 requerimentos detalhados ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.
A atividade foi proposta pela Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil – AMDH; Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH Brasil; Fórum Ecumênico ACT Brasil – FE ACT Brasil; Processo de Articulação e Diálogo para a Cooperação Internacional – PAD e Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH.
As organizações parceiras foram: Conselho Nacional de Saúde – CNS; Centro de Educação e Assessoramento Popular – CEAP; Conselho Nacional de Direitos Humanos – CNDH; Associação Brasileira de Juízes pela Democracia – ABJD; Rede de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil – RPCT Brasil; CDES Direitos Humanos; SOS Corpo – Instituto Feminista pela Democracia; FLD-COMIN-CAPA; Vida e Justiça – Associação Nacional em Apoio e Defesa dos Direitos das Vítimas da COVID-19; MISEREOR e PPM.
Romi Bencke, secretária geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), da coordenação da AMDH e coordenação do Fórum Ecumênico ACT Brasil, afirmou que “o atual panorama dos Direitos Humanos é de graves violações, em especial no Brasil onde a pandemia demonstrou o descaso do governo em tratar da questão sanitária, o que se deve a fatores como a falta de estratégia eficiente, junto com o processo sistemático de sucateamento e sub financiamento do SUS, que vem se sustentando desde as medidas de austeridade fiscal e a aprovação da EC95, que prevê a limitação das despesas primárias do orçamento público por 20 anos. Essa Emenda leva o país a reduzir investimentos em políticas públicas que visam garantir direitos básicos da população, sobretudo para a população mais pobre. Ante a tragicidade do número de vítimas em 2020, em plena aceleração da pandemia no início de 2021, ao invés do governo federal garantir vacinas já oferecidas ao país no ano de 2020, o Brasil vivenciou o período mais dramático da pandemia, alcançando picos de mais de 3 mil mortes por dia. Entre janeiro e junho de 2021 morreram mais de 320 mil pessoas de Covid-19. A pandemia continuou vitimando milhares de pessoas e ainda vítima. Atualmente o número de vidas perdidas é de mais de 659 mil, o que coloca o Brasil no segundo lugar do ranking de países com maior número de mortes, atrás somente dos EUA cuja população é mais numerosa que a do Brasil”.
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Mércia Alves da Silva, do SOS Corpo – Instituto Feminista pela Democracia, da coordenação do Processo de Articulação e Diálogo e da coordenação do AMDH, afirmou que o governo brasileiro falhou na aquisição de vacinas e não fez qualquer campanha formativa e de mobilização para fortalecer o processo de imunização, acentuando a crise sanitária. “Esse é um quadro que mostra como os DH vem sendo desrespeitados, com violações de forma massiva, atingindo a população em geral, especialmente as mais vulneráveis como povos indígenas, população de rua, população encarcerada, moradores de periferia, negros e negras, mulheres, PCDs, LGBTQIA+, entre outros grupos”.
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Para Flávio Valente, médico, mestre em Saúde Pública, pesquisador da AMDH, da Sociedade Maranhense e um dos especialistas que contribuiu para a elaboração do documento, 480 mil mortes pela Covid-19 poderiam ter sido evitadas se fossem tomadas as medidas necessárias. “Temos centenas de milhares de órfãos e milhões de sequelados. O estado brasileiro, liderado pelo presidente Jair Bolsonaro, teria condições para conter a pandemia, mas ao contrário do esperado ignorou o que vinha ocorrendo, como passou a contestar as informações prestadas por especialistas da área, avalizadas pela OMS, assim como ignorou ações que pudessem ser feitas para conter o vírus. Demanda-se que justiça seja feita pelas famílias que sofreram perdas e que o governo e o presidente Jair Bolsonaro sejam responsabilizados”, explica o médico, ratificando o descumprimento do Marco Legal de Saúde do Brasil.
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Darci Frigo, presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), afirmou que o país vive um retrocesso dos direitos humanos, com a inexistência com um Plano Nacional de Direitos Humanos, omissão do governo federal frente à pandemia e ainda divulgação de mensagens que confundiram a população. Além disso lembra que as violações aos DH remontam ao período da ditadura militar. “O governo revogou o plano de DH, um compromisso público do estado brasileiro e que não está sendo implementado, além de estar descontruindo o período democrático que vivemos e não cumprir a Constituição. É importante levarmos esta denúncia de violações para que as instituições internacionais reconheçam o genocídio que vivemos”, disse.
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Fernando Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde, informou que desde o início da pandemia o CNS emitiu, em média, um posicionamento público a cada três dias. Reforçou que, caso o governo federal tivesse seguido as recomendações feitas pela Organização das Nações Unidas e entidades, como o próprio CNS, o número de pessoas que perderam a vida devido à doença no país poderia ter sido reduzido. “Centenas de milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se o governo tivesse seguido as devidas orientações, inclusive, as emitidas pelas Nações Unidas. As ações e omissões do governo brasileiro levaram à violação dos direitos humanos, especialmente o direito à saúde e à vida. Isso porque não forneceu orientações adequadas e nem a proteção necessária contra a pandemia. Ao contrário, atuou em favor do vírus”, disse.
O presidente do CNS defendeu a ampliação dos investimentos na saúde como parte essencial para a manutenção do SUS. “Foi o Sistema Único de Saúde que garantiu o atendimento à toda a população. Fazem da saúde mercadoria visando os lucros, onde o custo são as vidas dos mais pobres, pretos, quilombolas, mulheres e indígenas. Buscamos a responsabilização daqueles que agiram de forma criminosa na pandemia. Queremos reparação para as vítimas. Buscamos proteção e cuidado das pessoas com sequelas, órfãos e familiares. As vítimas da Covid-19 clamam por justiça”, finalizou.
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Valdevir Both, coordenador executivo do CEAP e membro do Fórum Nacional de Defesa do Direito Humano à Saúde, lembrou que ainda no início da pandemia pesquisadores e lideranças apontavam para possíveis números alarmantes de mortes caso não fossem tomadas medidas necessárias. “Estes especialistas foram ridicularizados pelo governo Bolsonaro e hoje vimos estes números se tornarem reais, com mais de 659 mil mortes.
A gravidade do contexto vai além, e está traduzido em números. Nós temos hoje quase 30 milhões de brasileiros infectados e recentemente a OMS disse que 10% a 20% dos curados desenvolverão sequelas. Pesquisas recentes mostram que ainda em 2020 deixamos de fazer no Brasil 30 milhões de procedimentos em relação a 2019. Em 2020 deixamos de fazer 19 milhões de exames, 8 milhões de procedimentos clínicos, 1,2 mil pequenas cirurgias e mais de 210 mil transplantes, uma consequência dramática para o povo brasileiro”. Ou seja, como as medidas para conter o vírus não foram tomadas, os casos explodiram e todo o sistema de saúde precisou voltar-se ao tratamento clínico de modo a negligenciar as demais necessidades da população. E tudo isso piorado pelo efeito da Emenda Constitucional 95, que congelou os gastos sociais por 20 anos. “Em 2018, 2019 e 2022 foram quase R$ 40 bilhões de perdas em função da EC95, consequência direta do golpe no Brasil em 2016”.
Valdevir citou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) para evitar que a tragédia fosse ainda maior. “Se não fosse o SUS esses números seriam duplicados, triplicados, por isso a defesa do SUS é imprescindível neste momento. O SUS é um sistema público universal, de acesso a todos e todas e não queremos uma cobertura universal, um pacote básico de saúde para a população como propõem alguns organismos internacionais e o governo Bolsonaro. Por isso, temos dois grandes desafios: lutar para que tenhamos o SUS fortalecido, com mais financiamento. Outro desafio é responsabilizar os o presidente Bolsonaro e todos os responsáveis por esse genocídio no Brasil. É um imperativo ético, político e pedagógico. Para isso precisamos do sistema internacional de direitos humano, da ONU, para agilizar isso.
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Jymena Reyes, representante da Federação Internacional de Direitos Humanos, afirmou que o governo Bolsonaro atingiu o direito humano à vida, à saúde e à informação no contexto da pandemia da Covid-19.
“Temos que responsabilizar o estado brasileiro na administração da pandemia de Covid. Não existe uma obrigação de resultado, não se pode pedir ao estado que previna todas as mortes, mas existe obrigação de diminuir, o que significa que o estado deve fazer todas as medidas possíveis para que o vírus não seja espalhado. É a chamada diligência, padrão de conduta que mede que o Estado deve fazer os melhores esforços para diminuir os riscos. Se olharmos para o direito à vida descrito no Pacto Internacional de Direitos Civis da ONU temos o Direito à Vida protegido através da Lei e isso é dever dos países. O governo Bolsonaro, com sua atitude populista, realizou ataques contra a ciência no contexto da pandemia, atuando com clara negligência. Na nossa avaliação o governo atuou com clara negligência, as respostas das autoridades à pandemia foi combustível e agravou a crise sanitária. O presidente agravou o contexto da pandemia quando chamou de ‘gripezinha’. Ele utilizou a pandemia como oportunidade para diminuir a expertise, incluindo as orientações da OMS, além de humilhar especialistas e ainda reduziu o orçamento de medidas sanitárias relativas à Covid, isso causou muito mais mortes”, finalizou.
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Enéias da Rosa, da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, lembra que a sociedade civil tem se organizado para levar denúncias aos organismos internacionais. “Estamos esperando e precisando manifestações mais concretas dos organismos internacionais dos direitos humanos com relação às ameaças à democracia e às violações de DH que nossa população tem sofrido, em especialmente pelos grupos historicamente mais vulneráveis e com direitos violados”. Eneias lembra que a agenda de denúncias irá seguir nas próximas semanas com entidades nacionais e internacionais. “Já estamos com previsão de agenda de diálogo com o escritório do Brasil da ONU e representação do alto comissariado para as Nações Unidas na América Latina, além de agendas em nível nacional”.
Em tempos de preços elevados, saiba como planejar e implantar um canteiro com frutas e hortaliças em casa.
O cenário econômico de incertezas enfrentado nos últimos anos, e que foi agravado pela pandemia, gerou um aumento no preço dos produtos vinculados não só às atividades agrícola e pecuária, mas em todos os setores da economia. No caso da horticultura, os consumidores se deparam com preços elevados de frutas e hortaliças ao fazer compras nos supermercados.
Essa alta nos preços também foi observada nos dados divulgados pelo Centro de Pesquisa e Extensão da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade de Passo Fundo (Cepeac/Feac/UPF). Entre os dez itens da cesta básica de Passo Fundo que acumularam maiores altas de preços em fevereiro, quando comparado com o mês de janeiro, estão cenoura, maçã e tomate, com preços elevados em 58%, 43% e 28%, respectivamente.
Diante disso, os consumidores, muitas vezes, por não conhecerem os aspectos envolvidos nos sistemas de produção adotados na horticultura, apontam que os produtores são os responsáveis pelos preços elevados desses produtos. Mas como ocorre esse processo?
Aumento que afeta do produtor ao consumidor
Para facilitar o entendimento por parte dos consumidores, o professor do curso de Agronomia da UPF, Dr. José Luís Trevizan Chiomento, ressalta que é importante compreender o funcionamento dos agroecossistemas hortícolas. Conforme explica, o cultivo de frutíferas e de hortaliças se caracteriza pelo uso em larga escala de insumos, representados por sementes ou mudas, fertilizantes, agrotóxicos (químicos ou biológicos), água, combustíveis, mão-de-obra intensiva, entre outros.
“Para o cultivo do tomateiro, por exemplo, os produtores precisam realizar vários manejos e tratos culturais no meio de crescimento, como escolha do local de cultivo ou do substrato, preparo de solo, adubação e fornecimento de água e na planta, como produção de mudas, transplante no local definitivo de cultivo, tutoramento, amarrio, desbrote, desponte, desfolha, raleio, colheita, etc. Todas essas atividades desenvolvidas demandam o uso de insumos e de mão-de-obra. Isso condiciona a produtividade da lavoura à aquisição desses insumos necessários e também da captação de pessoas que desenvolvam essas atividades”, afirma.
Como a elevação dos preços também atingiu o mercado de insumos agrícolas, os horticultores acabam por pagar preços elevados para adquirir tais insumos e contratar funcionários. “Consequentemente, para terem saldo positivo, os horticultores precisam valorizar seus produtos. Como as redes de supermercados são ‘mediadoras’ entre horticultores e consumidores, o valor do produto final disponível nos mercados é mais elevado em relação ao valor pago aos produtores”, destaca Chiomento.
Uma das alternativas aos consumidores quanto à elevação do preço das hortaliças corresponde ao planejamento e implantação de hortas em casa. Para quem opta pelo cultivo de seus alimentos, o professor avalia que alguns aspectos devem ser considerados antes de iniciar o processo, já que a atividade demanda investimentos como tempo e dinheiro.
Dicas para quem quer fazer uma horta caseira
Para quem deseja produzir uma horta residencial, a primeira etapa é planejar as hortaliças que serão cultivadas, as épocas de plantio e colheita, o local de inserção da horta e as dimensões desse espaço. Fazendo isso você está planejando seu modelo agroalimentar sustentável. Mas, uma série de outros fatores devem ser considerados.
1) Horta deve ter uma boa iluminação
O local de instalação da horta deve ter boa ventilação, principalmente para as hortaliças de clima quente, cultivadas na primavera/verão e receber luz solar de quatro a seis horas diárias. Se a horta for implantada em ambientes internos, garanta que as plantas tenham acesso à luz solar. Em ambientes externos, a horta não deve ser inserida em locais próximos a árvores. Isso porque, além do possível sombreamento ocasionado pelas árvores, pode haver competição por recursos (água, luz e nutrientes) entre as hortaliças e as outras espécies vegetais.
2) Cuide da condição ideal de desenvolvimento de cada cultura hortícola
Apesar de existirem cultivares de hortaliças que são produzidas o ano todo, a exemplo da alface, cada espécie requer condições térmicas ideais ao seu desenvolvimento. Hortaliças de estações frias (outono e inverno) desenvolvem-se melhor em ambientes com temperaturas médias de 15ºC a 18ºC, como é o caso do alho, da beterraba, da cebola, da couve-flor, do morangueiro, do repolho, dentre outras.
As hortaliças de estações quentes (primavera e verão) requerem, durante a maior parte do seu ciclo, temperaturas médias de 18ºC a 30ºC, a exemplo da batata-doce, da berinjela, do coentro, do espinafre, do pepino, do pimentão, entre outras. Já as hortaliças de meia estação ou de clima ameno são variedades que toleram um pouco mais o frio ou o calor. Na maioria das vezes são cultivares de clima frio que foram melhoradas para cultivo em condições de temperatura média mais elevada, como é o caso do agrião, da alface, do almeirão, da batateira, da cenoura, da chicória, da rúcula, da salsa e do tomateiro.
3) Atente-se ao consumo diário de água
O fornecimento de água para as hortaliças está vinculado às condições de solo e clima do local de inserção da horta, às espécies cultivadas e às fases de crescimento e desenvolvimento das plantas. Para se organizar, você pode prever um consumo diário de aproximadamente 7 litros de água para cada metro quadrado de canteiro e de 3 a 5 litros em cada cavidade. Isso, num período de 15 a 20 dias após o momento de inserção da hortaliça em seu local definitivo de cultivo e, para hortaliças folhosas (agrião, alface, almeirão, rúcula, etc.), sugere-se que as irrigações ocorram diariamente. Para hortaliças tuberosas (bulbos, raízes, rizomas e tubérculos) e de frutos, as irrigações podem ser escalonadas, a cada 2 ou 3 dias.
De modo geral, você deve realizar irrigações mais frequentes e com menor volume de água em cada aplicação nas seguintes situações: em fases iniciais de desenvolvimento das hortaliças; em hortas onde as plantas foram cultivadas em solos arenosos ou em substratos com menor retenção hídrica; em dias mais quentes e ensolarados, onde ocorre maior perda de água do solo por evaporação e perda de água da planta por transpiração. Já em situações de metade-final de ciclo das hortaliças, solos argilosos e em dias mais frios, opte por irrigações menos frequentes e com maior volume de água em cada aplicação.
4) Adubação é um passo importante
Quando as plantas forem cultivadas no solo, a adubação pode ser feita em dois momentos: durante o preparo do solo, nos canteiros ou covas, antes do plantio das hortaliças; e durante o crescimento e desenvolvimento das hortaliças, após o plantio. A quantidade necessária de adubo orgânico que deve ser incorporada no solo depende da fertilidade desse meio de crescimento (determinada pela análise química feita em laboratórios). A adição de composto orgânico no solo varia de 4 a 7 quilos por metro quadrado e usa-se de 0,5 a 3 kg/m2 de húmus. O uso de adubo orgânico diretamente nas covas de plantio varia de 2 a 4 kg por cavidade para composto orgânico e de 0,5 a 2 kg/cova para húmus.
A nutrição das hortaliças cultivadas em substratos pode ser realizada com biofertilizantes adquiridos em lojas do setor agropecuário (doses recomendadas nas informações do produto) ou podem ser produzidos na propriedade, a exemplo do Bokashi. Mas atenção: caso o substrato usado tiver em sua composição a presença de esterco curtido, húmus ou composto orgânico, você deve evitar o uso excessivo de biofertilizantes para não prejudicar o crescimento e desenvolvimento das plantas.
Canteiro em recipientes é opção para quem tem pouco espaço em casa
Quando alguém opta pela construção de uma horta em casa, mas o local não permite que o cultivo seja realizado diretamente no solo, seja por falta de espaço, por inconvenientes de solo, por estruturar uma horta em apartamentos, dentre outros fatores, uma alternativa é a inserção das hortaliças em recipientes.
Os recipientes de cultivo, que funcionam como pequenos canteiros, podem ser à base de pneus, copinhos de café, garrafas PET, canos de PVC, baldes, latas, vasilhames de manteiga, floreiras de alvenaria, tambores de latão ou de plástico, vasos, entre outros materiais. Independente do recipiente escolhido, o professor Chiomento atenta que ele deve ser higienizado antes do cultivo e deve ser furado em sua parte inferior para permitir a drenagem de água fornecida via irrigação. “Esses tratos culturais aplicados nas hortaliças são práticas que proporcionam melhores condições para o crescimento e o desenvolvimento das plantas. Essas atividades auxiliam na otimização do espaço cultivado porque, quando realizadas corretamente, possibilitam melhorar a produção e a qualidade das hortaliças produzidas”, ressalta o professor.
A Campanha da Fraternidade de 2022, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, é um convite à Igreja, às instituições educativas e à própria sociedade, a refletir sobre a importância da EDUCAÇÃO na construção da Fraternidade e dos valores que dão sustentação à vida em sociedade, de forma saudável e democrática. Considera-se a Educação uma ferramenta imprescindível na formação humana e no processo de transformação permanente de cada pessoa, durante a vida toda.
Compreende-se também que esta é uma tarefa da família, da escola, da Igreja e da sociedade. “É preciso toda uma aldeia para educar uma criança” cita o Papa Francisco ao lançar, em 2019, o Pacto Educativo Global, onde propõe elementos constitutivos para uma educação humanizada que forme pessoas abertas ao diálogo e à compreensão de que estamos todos integrados e interligados na mesma caminhada.
Propõe assumir o cuidado como uma forma corresponsável de ser e de estar juntos, nesta Casa Comum que habitamos. Mais recentemente, na sua carta Encíclica “Fratelli Tutti – sobre a fraternidade e a amizade social”, o Papa Francisco retomou e reforçou perspectivas para o aprofundamento dos conceitos valorativos que estão presentes e orientam todo o seu magistério: a educação, a fraternidade e a espiritualidade vividas comunitariamente e orientados para a construção dos sonhos possíveis de transformação social, como ele mesmo explicita: “Desejo ardentemente que neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade… é juntos que se constroem sonhos”[1].
De fato, neste tempo prolongado de pandemia, que nos fez viver diversos conflitos, distanciamentos e polarizações, constatamos o quanto é importante retomar os sonhos de transformação rumo a uma sociedade renovada. Neste sentido cumpre um papel fundamental a educação humanizadora, que se alimentando dos conhecimentos produzidos pelas ciências humanas, conjugados à riquíssima experiência da tradição bimilenar da Igreja que se encontra compilada na sua Doutrina Social, pode muito contribuir nesta travessia e transformação.
A proposta deste curso se coloca e ganha relevância neste cenário realçado pela Campanha da Fraternidade em sua proposta de ação. Em consonância com ela, deseja mobilizar educadores e lideranças eclesiais, especialmente as da Arquidiocese de Passo Fundo, oferecendo-lhes a oportunidade de estudos, diálogos, partilhas e reflexões sobre os sentidos mais profundos da Educação, tendo por fundamento e horizonte o Humanismo integral e Solidário proposto pela Igreja. Busca-se que cada pessoa seja educada a viver a espiritualidade e a fraternidade na construção do Reino de Deus. O curso é proposto pela pastoral da Educação e Cultura da Arquidiocese de Passo Fundo e a ITEPA Faculdades.
Modalidade: Curso de Extensão (40h) a ser oferecido de forma híbrida presencial/virtual, a ser realizado no primeiro semestre de 2022, prevendo um encontro semanal a acontecer nas segundas-feiras à noite (das 19h30 às 21h), nos meses de abril, maio e junho, com a previsão de 13 encontros virtuais.
Assessoria: prof. Carlos Rodrigues Brandão e outros convidados
Legenda: Carlos Brandão, em atividade em Passo Fundo, 2015. SeminárioEducação, Espiritualidade e Cultura do Bem Viver.
Público participante: Educadores(as) que atuam em escolas, universidades, instituições de ensino em geral, lideranças eclesiais, catequistas, educadores sociais e demais interessados(as).
Promoção: Pastoral da Educação da Arquidiocese/Itepa Faculdades/ECOPAZ
Outras informações:
Duração: 12 encontros (11 de abril a 27 de junho de 2022);
Periodicidade: Segundas-feiras, das 19h30min às 21h;
Carga Horária: 40 h/a com certificado desde que tenha a frequência de, no mínimo, 75% de participação;
Valores: Inscrição de R$ 50,00 + 2 mensalidade de R$ 50,00;
Coordenação e monitoria: Silvio A. Bedin, Regiano Bregalda e Lisiane Ligia Mella.
OBJETIVO GERAL
Promover a formação continuada de educadores e lideranças eclesiais que, no contexto e em ressonância à Campanha da Fraternidade, queiram se aprofundar no estudo da Carta Encíclica Fratelli Tutti – sobre a fraternidade e a amizade social, e do Pacto Educativo Global, do Papa Francisco
ESPECÍFICOS
Promover estudos da Encíclica Fratelli Tutti – sobre a fraternidade e a amizade social estabelecendo relações com o Pacto Educativo Global e o magistério do Papa Francisco.
Ressoar a Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de Passo Fundo;
Favorecer a escuta sensível e o diálogo com educadores e lideranças eclesiais visando identificar carências e desafios nos diferentes âmbitos, níveis e modalidades da educação, e abrir perspectivas de reciprocidade em ações em prol de uma educação humanizadora.
Promover a articulação e intercâmbio entre Pastorais ligadas à educação, especialmente, as pastorais que atuam com juventudes, crianças e com a família.
Mobilizar educadores das Paróquias da Arquidiocese de Passo Fundo, visando constituir comissões da Pastoral da Educação em suas respectivas áreas Pastorais;
Articular e fortalecer a Rede a Pastoral da Educação e Cultura na Arquidiocese de Passo Fundo.
Programa e Cronograma:
TEMÁTICA
DATAHORÁRIO
I – Introdução ao Curso Educação, Fraternidade e Espiritualidade: Por uma pedagogia da Esperança
11/04 19h30 às 21h
II – Sobre o Papel da Educação na perspectiva humanista da formação integral e solidária
18/04 19h30 às 21h
III – Educação e Fraternidade: Olhares para a realidade As sombras de um mundo fechado
25/04 19h30 às 21h
IV – Educação, Direitos Humanos e Justiça Social: As sombras de um mundo fechado
02/05 19h30 às 21h
V- Educação e espiritualidade: A pedagogia samaritana (Lc 10, 25-37) Um estranho no caminho
09/05 19h30 às 21h
VI – Esperança e solidariedade: Pensar e gerar um mundo aberto
16/05 19h30 às 21h
VII – Fraternidade e aldeia global Um coração aberto ao mundo inteiro
23/05 19h30 às 21h
VIII – Educação e política como obra de arte A melhor política
30/05 19h30 às 21h
IX – A construção de uma nova cultura Diálogo e Amizade Social
06/06 19h30 às 21h
X – Os artesãos da paz e da espiritualidade Caminhos da fraternidade
13/06 19h30 às 21h
XI – Religiões, espiritualidade e fraternidade: por um Pacto Educativo Global
20/06 19h30 às 21h
XII – Ousar sonhar: por uma Pedagogia da Esperança
Que possamos buscar viver uma vida com menos soberba, mais empatia e em companhia de boas amizades.
Sobre a amizade
Você já parou para pensar o que significa ser amigo? O que é a verdadeira amizade?
Como distinguir amizade e oportunismo, afeto e estratégia, vínculo real e jogo de conveniência?
Epicuro, filósofo helenista, certa vez disse que “a amizade coroa uma vida feliz”. Pois, no plano individual não basta dominar as próprias paixões, vencer os medos, desenvolver apreciação e contentamento, expressar seus talentos e sentir-se capaz e útil. É preciso ter alguém para reconhecer e partilhar, alguém que acolha como somos e nos ajude a sermos melhores. Você tem alguém assim? Você é assim para alguém? Você inspira confiança, partilha alegrias e tristezas sem julgamento, acolhe os problemas, você melhora a vida de alguém?
Como tudo na vida, na amizade é preciso primar pela qualidade mais do que quantidade, pela verdade mais do que a utilidade. Cultive boas relações, esteja aberto a fazer novos amigos e, ao mesmo tempo, atento aos vínculos que você já nutre. Avalie continuamente a sinceridade, confiabilidade e reciprocidade de seus amigos, pois empatia e responsabilidade devem andar juntas. Assim como uma trilha na mata, o caminho entre as pessoas tem de ser mantido limpo e claro pelo próprio caminhar, para que os corações conversem e visitem um ao outro.
Sobre a soberba
Todos os dias, busco não cultivar o sentimento de soberba. Cada pessoa deve aspirar e potencializar seus sentimentos da maneira que quiser e eu não julgarei. Mas posso, com muita humildade, dizer que o sentimento de soberba é um dos mais desprezíveis do Ser Humano. Soberba, em sua etimologia, significa pretensão de superioridade, julgando o outro como sendo inferior.
A Soberba caminha muito próximo da arrogância, pois para o soberbo tudo que não é feito por ele tem algum grau de defeito ou deformidade. Freud dizia que “ao Pedro me falar de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”. Esta frase de Freud é emblemática e difícil de entender, mas se pararmos para pensar é simples: tudo aquilo do qual falamos do outro e repudiamos é um julgamento ou uma característica da qual não gostamos, não queremos… porém, ao mesmo tempo, quando se julga alguém busca-se a justificativa para fugir de nossos próprios problemas, de nossas próprias derrotas pessoais… Tá vendo aquele cara… porque ele não faz isso ou aquilo… (tá vendo aquele cara, ele não faz aquilo que eu também não sou capaz de fazer)…
O professor Silvestre Grzibowski me apresentou Edith Stein e o tema da empatia para estudo do meu mestrado e eu agradeço o professor por me apresentar a esta autora e esta temática, pois ela nos ensina como se dá a empatia e como podemos perceber a dor do outro sem misturar as nossas vivências…
Também quero citar uma frase do autor de Imitação de Cristo, Tomás de Kempis: “Se vires alguém pecar abertamente e ainda cometer faltas graves, nem por isto te deves ter por melhor, porque não sabes por quanto tempo poderás preservar no bem. Somos todos fracos, mas a ninguém tenhas por mais fraco que tu”.
Ao ler esta passagem um filme passa em minha cabeça e me lembro também das aulas do Professor José André da Costa, que me ensinou que diante de situações extremas a nossa racionalidade pode se perder e podemos nos transformar em algo que jamais poderíamos imaginar, tirar forças de onde não parecia haver…
Que possamos buscar viver uma vida com menos soberba e mais empatia…
Desde a tenra idade a criança deve ser acostumada a visitar o dentista, seja para aplicar flúor, cuidar dos dentinhos de leite, aprender a escovar bem os dentes e, principalmente, se acostumar com esse profissional tão necessário aos dias de hoje.
Para dra. Sebastiana e dra. Ione, minhas dentistas amadas.
É preciso cuidar dos dentinhos das nossas crianças com muito cuidado. As crianças ainda pequeninas não sabem direito a importância de dentes saudáveis e de um belo sorriso, por isso os pais e responsáveis devem ajudá-las na escovação sempre depois de comer qualquer coisa, das refeições e antes de dormir. Que não se torne um exagero, mas um cuidado dedicado e atencioso.
Quando a gente ama alguém quer vê-la feliz e com saúde. Sem desconfortos do corpo e da alma. Logo, o cuidado com os dentes das nossas crianças se faz necessário porque se tem algo que dói muito é um dente careado. Vejo crianças com 10 ou 11 anos de idade que já perderam parte dos seus dentes e isso é muito triste.
Ainda com as nossas criancinhas que não nasceram os dentinhos já podemos fazer a higiene bucal com um paninho limpo ou fraldinha de tecido umedecida passando na gengiva e língua da criança para que ela vá se acostumando com a limpeza da sua boca.
Quando o primeiro dente da sua criança nascer, dê de presente uma escova de dentes para ela. A primeira escova da sua criança deve ser escolhida com muito cuidado. Ela deve ter cerdas bem macias. Compre um bom creme dental e não use enxaguantes que contém álcool, eles são prejudiciais à saúde bucal se usados incorretamente.
Escovas de dentes com cerdas macias são encontradas sempre nos bons estabelecimentos comerciais. Não economize na escolha da escova de dentes da sua criança. Sempre compre a indicada para a idade dela e a que tem a cabeça pequena fica melhor para escovar os dentes da criança.
No início, você precisará ajudar a criança a escovar os seus dentes. Coloque-a em uma posição confortável ao seu lado ou no seu colo e peça para que abra bem a boca. Tente ir até o final da boca e limpe com cuidado para não machucar a gengiva. Seja cuidadoso e paciente porque a criança pode não gostar desse movimento na sua boca, mas diga para ela que é muito importante manter a boca limpa para que as bactérias não venham nos visitar e deixar os nossos dentes doentes.
Se a criança tiver curiosidades em falar mais das bactérias converse com ela sobre o que sabe ou pesquise na internet juntos. Vai ser estimulante adquirir conhecimentos que a criança pode passar para outras.
A criança pode não gostar da escova de dentes, achar difícil a escovação, achar chato, reclamar, porque ela não tem ainda uma coordenação motora completa, mas você deve auxiliá-la neste momento. As reclamações por parte das crianças são as mais diversas, porém com o tempo elas se acostumam.
Comece escovando os seus dentes ao lado da sua criança. Mostre para ela como você faz, os movimentos necessários, o bochecho e peça para que ela imite os seus gestos. Assim ela vai se sentir confiante e feliz em participar dos cuidados do seu corpo com você.
Distrações na hora da escovação dos dentes da sua criança são bem-vindos e deixam a tarefa mais alegre e o que poderia ser chato, pode se tornar uma rotina legal. Coloque músicas infantis para a criança ouvir, deixe-a escovar os dentes embaixo do chuveiro ou na banheira. Recompense a criança com uma história contada antes de dormir ou outra recompensa que ela venha gostar por estar se saindo bem com a higienização da sua boca.
Nunca deixar restos de comida na boca da criança, principalmente, entre os dentes. Quando ela estiver maiorzinha começar a ensiná-la no uso do fio dental. Lá para a idade dos 11 ou 12 anos de idade. Ainda pequeninas existem as cerdas interdentais pequenas que conseguem chegar nos espaços entre os dentes, fale com o dentista da sua criança em como adquirí-las.
Desde a tenra idade a criança deve ser acostumada a visitar o dentista, seja para aplicar flúor, cuidar dos dentinhos de leite, aprender a escovar bem os dentes e, principalmente, se acostumar com esse profissional tão necessário aos dias de hoje.
Os dentes das crianças devem sempre estar bem limpinhos para evitar a placa bacteriana, o tártaro e outras doenças bucais, por isso é bom visitar o dentista regularmente para aplicar o flúor e se necessário fazer uma limpeza nos dentes.
Cada vez mais se faz necessário um sorriso bonito. As crianças que perderam os seus dentes, principalmente, os da frente muitas vezes sofrem bullying e ficam tímidas diante dos seus amiguinhos. Até mesmo as pessoas adultas atualmente se sentem envergonhadas quando ficam sem os dentes da frente por uns tempos.
Antigamente, os dentistas por qualquer coisa extraíam o dente de uma criança. A minha mãe, filha de pais pobres, menina arruaceira que vivia fazendo favores a um e a outro para ganhar um pedaço de pão perdeu todos os seus dentes logo cedo. Hoje com 77 anos ela reclama, tristonha, a falta dos seus dentes e briga comigo sempre que esqueço de escovar os dentes. Se dependesse do cuidado dela meus dentes eram perfeitos e lindos.
A criança deve ter uma escova de dentes também na escola para depois do lanchinho escová-los. A professora ou professor deve ajudar na escovação e quando a pia for alta colocar a criança com cuidado num banquinho ou até mesmo no colo se for o caso.
Chamar sempre um bom dentista para fazer uma palestra na escola mostrando às crianças a importância de dentes saudáveis também é uma boa ideia.
Se os dentes da sua criança são tortos ou sobrepostos é bom que se procure um dentista logo cedo para que seja feita uma avaliação e os cuidados necessários básicos e precisos sejam tomados logo no início.
Não devemos responsabilizar somente as crianças quando aparecerem cáries nos seus dentes. A falta de higiene bucal, o constante consumo de doces e outros fatores emocionais podem levar a dores de dentes profundas. Faz-se necessário visitar o dentista regularmente, pode ser de seis em seis meses ou para quem tem dentes frágeis seria bom de três em três meses.
Sempre preparar a criança para visitar o dentista tirando-lhe o medo do barulho do motorzinho que trata a cárie. Hoje em dia, as anestesias são tão precisas que não sentimos mais nenhum tipo de desconforto quando vamos restaurar um dente. Isso também serve para as crianças. Os pais devem ter o cuidado de sempre procurar um bom dentista para os seus filhos.
Todas às vezes que visitar o dentista leve a escova de dentes que a sua criança usa, ele pode dar dicar importantes e dizer se realmente ela atende aos cuidados necessários para os dentinhos da sua criança. O dentista também poderá aproveitar a escova de dentes do seu filho para ensinar-lhe a escovar bem os dentes.
O bom profissional não é aquele que cobra mais barato, mas o que se preocupa com a criança.
É preciso fazer uma pesquisa antes de escolher o dentista do seu filho, pedir indicações, procurar saber o histórico de clientes do profissional a ser contratado etc. Todo cuidado é pouco ao entregar os dentes da sua criança a um dentista.
A criança com halitose deve também ser tratada por um dentista que investigará se a causa é da falta de higienização e cuidados com os dentes ou se trata de um outro problema. Muitas doenças podem causar a halitose. Como também angústias, ansiedade e até mesmo depressão na infância podem prejudicar as gengivas criando o que chamamos de gengivite e periodontite.
Os pais e responsáveis devem pedir para as crianças fazerem bochechos quando estiverem escovando os seus dentes, assim a limpeza minuciosa ficará mais completa. As doenças da boca são diversas e devemos ter cuidado para evitar que bactérias se acomodem nas das crianças.
As crianças com Síndrome de Down necessitam de mais cuidados por parte dos pais e responsáveis porque elas muitas vezes não sabem como manusear a escova de dentes e nem têm noção do cuidado que devem ter com os seus dentes, por isso é necessário evitar que elas comam doces e comidas enlatadas, levando-as periodicamente ao dentista, fazendo a higiene bucal sempre que necessário. Manter uma boa dieta com frutas e legumes também será bom para essas crianças.
A prevenção ainda é o mais importante na hora de cuidar dos dentes da sua criança, por isso não poupe esforços para que ela esteja sempre com os dentes limpinhos e com um belo sorriso no rosto mostrando felicidade e que criança veio ao mundo para ser feliz e deve apenas brincar até os seis anos de idade. Sorria, criança!
Em outra publicação, escrevemos sobre a alimentação da criança, observando que “precisamos mudar os nossos hábitos alimentares para que as nossas crianças possam nos imitar, isso é importante. Sempre digo que as crianças costumam imitar os adultos com quem convivem e isso é uma grande verdade”. Leia mais:https://www.neipies.com/como-ensinar-as-criancas-a-se-alimentarem-bem/
O futuro depende da forma como conduzimos nossas escolhas no presente. Viver a falsa esperança de que o universo conspirará para que no futuro as coisas estejam sintonizadas com o que gostaríamos de ter é alimentar um modo conformista de enfrentar a vida, é esperar que o destino se encarregue de ajustar os caminhos para termos uma vida melhor.
Em seu livro Aprendendo a viver, Luc Ferry nos adverte sabiamente que os filósofos gregos pensavam no passado e no futuro como dois males que pesam sobre a vida humana, dois centros de todas as angústias que vêm estragar a única e exclusiva dimensão da existência que vale a pena ser vivida, simplesmente porque o Instante Presente é o único tempo real que podemos vivenciar com intensidade. O passado não existe mais, e o futuro ainda não existe e talvez não existirá para muitos de nós. No entanto, paradoxalmente, vivemos quase toda nossa vida entre “lembranças” e “projetos”, entre nostalgia e esperança.
Neste processo paradoxal de lembranças e projetos ou de nostalgia e esperança, ficamos imaginando que seríamos muito mais felizes se tivéssemos algo que não possuímos, ou se tivéssemos muito dinheiro para comprar o que quiséssemos, um carro novo, sapatos de marca, casa num bairro nobre, viagem para lugares lindos, férias no Caribe e assim vai ….
Ao mesmo tempo, ficamos lembrando de decisões tomadas lá atrás que poderiam ter mudado nossa vida e assim nos sentimos infelizes por estar vivendo algo que poderia ser diferente se a escolha fosse outra. De tanto lamentar o passado ou de esperar por um futuro que talvez nem aconteça, esquecemos de viver intensamente o presente e a oportunidade de dar qualidade a essa vida que é única e real.
Assim, enquanto estamos presos a lembranças ou projetos, perdemos a oportunidade de conversar com nossos amigos, degustar uma boa comida, realizar aprendizagens interessantes e importantes, conviver com pessoas, amar intensamente os que estão próximos.
Muitas vezes, abraçamos uma ideia de uma falsa esperança que as “coisas” serão diferentes no futuro. Assim, ficamos na expectativa que o próximo ano será melhor, que nas próximas eleições o povo irá escolher o candidato certo, que o próximo emprego nos trará realizações e uma vida melhor. Mas tudo isso pode ser ilusório se não temos a coragem de viver o tempo presente.
O futuro depende da forma como conduzimos nossas escolhas no presente. Viver a falsa esperança de que o universo conspirará para que no futuro as coisas estejam sintonizadas com o que gostaríamos de ter é alimentar um modo conformista de enfrentar a vida, é esperar que o destino se encarregue de ajustar os caminhos para termos uma vida melhor.
Talvez deveríamos esperar um pouco menos e amar um pouco mais, porque quando vivemos continuamente na dimensão de projetos, correndo atrás de objetivos postos no futuro e pensando que nossa felicidade depende da realização completa de finalidades medíocres ou grandiosas, estamos fadados a esquecer que a vida depende das escolhas que fazemos o tempo todo.
Quando colocamos como meta de vida comprar algo e condicionamos isso como projeto de uma vida feliz, estamos fatalmente condenados a miragem da felicidade, pois quando o objetivo é alcançado, quase sempre temos a experiência dolorosa da decepção. Igual a criança que se desinteressa do brinquedo no dia seguinte ao Natal, a posse de bens tão ardentemente desejados não nos torna nem melhores nem mais felizes do que antes. Sobre isso tem razão o filósofo Sêneca quando dizia que “enquanto se espera viver, a vida passa”.
Isso reforça o provérbio budista de que “é preciso aprender a viver como se o instante mais importante da vida fosse aquele que você está vivendo no exato momento, e as pessoas que mais contassem fossem as que estão diante de você”. Um bom assunto para filosofar.
Uma das novidades do Novo Ensino Médio é o componente curricular Projeto de Vida. Entenda: “Trazer o projeto de vida como competência na dinâmica escolar é um dos desafios propostos pelo novo ensino médio. Existem diversas abordagens a serem exploradas por professores e instituições de ensino, desde que o foco esteja no reconhecimento das potencialidades dos alunos. Avaliações contínuas devem ser adotadas a fim de mensurar a evolução de competências que fogem do currículo tradicional. Interação, comunicação, escuta, cooperação, partilha e realização devem ser estimulados pela abordagem da escola”. Leia mais: https://www.intersaberes.com/blog/novo-ensino-medio-o-que-e-projeto-de-vida/
Há uma clara intenção de Eduardo Leite (PSDB) em sucatear ainda mais o IPE Saúde, fragilizando o controle social da autarquia e centralizando o poder ao governo.
O CPERS vem a público conclamar que o governo Eduardo Leite (PSDB) cumpra o seu papel e não permita a fragilização do IPE Saúde.
Na noite desta quarta-feira (16/03/2022), diversos hospitais do Rio Grande do Sul notificaram o Instituto sobre uma possível rescisão contratual e suspensão de atendimentos após anos de problemas históricos, como atrasos nos pagamentos e a falta de reajustes.
A rescisão contratual prejudicará milhares de sócios e sócias do CPERS, que dependem dos serviços do IPE Saúde para atendimentos básicos, mas, também, para casos mais graves e que sem o convênio sofreram consequências inimagináveis.
A diretora do Departamento de Saúde do Sindicato, Vera Lessês, que compõe o Conselho Administrativo do IPE Saúde, ressalta que não houve uma notificação oficial aos conselheiros sobre a rescisão contratual, mas que medidas estão sendo tomadas.
“Ficamos sabendo da notícia pela mídia de que houve essa reunião das entidades médicas e que oficiaram o IPE Saúde. Nós, enquanto conselheiros, nos reuniremos na próxima semana com a Casa Civil para cobrar a responsabilidade que o governo precisa ter com o plano de saúde”.
Vale ressaltar que o pagamento patronal – do governo – tem sido repassado com atrasos frequentes e que o IPE Saúde sobrevive com os 3,1% da participação dos servidores(as), que amargam quase oito anos de salários corroídos em mais de 50% da inflação, enquanto os altos salários estão debandando do Instituto. Essa falta de incremento na receita tem ingerência direta na falta de recursos para atualizar o valor repassado aos médicos, honorários hospitalares e prestadores de serviço.
Há uma clara intenção de Eduardo Leite (PSDB) em sucatear ainda mais o IPE Saúde, fragilizando o controle social da autarquia e centralizando o poder ao governo.
Essa crise está se refletindo de uma maneira muito cruel nos servidores(as). É necessário achar uma saída para que os mais de 1 milhão de beneficiários não sofram com a incompetência do governo.
O Sindicato seguirá firme e pressionando em todas as frentes para barrar mais esse ataque.
Que nenhuma árvore se sinta solitária enquanto houver pessoas sensíveis e amantes da natureza. Não deixemos de cuidar das árvores e de dar-lhes atenção para que elas continuem perfeitas e puras como o olhar de uma criança.
Quem ama um cajueiro nunca deixa de ser caju e ser caju é a melhor coisa, porque a gente vem depois da castanha que conheceu o mundo antes e veio nos dizer como ele é para termos a sorte de escolhermos ou não se queremos ser caju de verdade.
Inicio este texto com uma frase do poema “O cajueiro” do nosso querido escritor Rubem Braga que diz “O cajueiro já devia ser velho quando nasci. Ele vive nas mais antigas recordações de minha infância: belo, imenso, no alto do morro, atrás de casa. Agora vem uma carta dizendo que ele caiu.” Assim como o cajueiro de Braga eu também tive um, lindo e amigo no quintal da minha casa, na infância.
O meu cajueiro foi o meu melhor amigo nos tempos de criança. Eu cuidava dele e ele cuidava de mim. Éramos únicos no mundo.
A gente não precisava de mais ninguém e mais nada para ser feliz. Nos completávamos. Fiz a minha festa de aniversário de dez anos de idade embaixo das suas sombras com suco de caju e bolo de ovos servido à meninada da rua que veio me parabenizar naquela tarde linda de inverno.
A gente aprende a amar uma coisa quando ela é única no mundo e nos trata bem, nos dar atenção e nos admira sem criticar o nosso jeito de ser. Eu era uma menina calada e buchuda. Cheia de coisas estranhas, mas o meu cajueiro nunca me criticou. Só uma vez quando comecei a cantar para ele, ouvi vindo das profundezas das suas raízes um pedido para eu parar porque a minha voz gasguita estava doendo nos seus ouvidos sensíveis.
A gente precisa aprender a dar atenção às pessoas e as coisas que gostamos porque não sabemos nunca quando elas partirão. Foi assim com o meu cajueiro a vida inteira. Eu sempre ouvi as suas mais bobinhas histórias e anedotas que nem traziam graça, mas eu sorria só para não o desencorajar a não mais contar nada para mim. Precisamos saber cuidar das coisas que amamos. Uma palavrinha dita ao acaso pode machucar um coração que nos admira. Um gesto brusco e todo o amor se acaba ali.
Foi sempre assim com o meu cajueiro, respeito e cuidado nunca deixou de existir e acredito que deve ser assim com todas as árvores porque elas nos fazem muito bem e nunca pedem nada de volta. São delas as sombras nos dias de quentes, os frutos que comemos para aliviar a nossa fome, a madeira da qual fazemos o papel e as folhas e raízes que têm fins medicinais.
Devemos cuidar das árvores com todo o nosso carinho sempre perguntando se estão precisando da gente, contando as nossas mais loucas histórias para elas, limpando-as, podando-as e nunca riscá-las com canivetes ou facas. Também não devemos xingar as árvores porque deixam caírem folhas secas no chão sujando a nossa e a calçada do vizinho. Se não cuidarmos delas vão adoecer e até são capazes de morrerem só para nos deixarem com uma sensação de culpa e irresponsabilidade.
Eu mesma já experimentei dessa culpa quando o meu lindo cajueiro foi tomado por cupins. Mas, eu era apenas uma menina de dez anos de idade e nem sabia que os cupins davam em árvores. Apesar da pouca idade já tinha vivido a experiência com os cupins dentro da minha casa, porque eles comeram o nosso telhado que quase veio abaixo numa noite de muita chuva. Os cupins destruíram tudo o que havia de madeira dentro da nossa casa. Isso foi uma coisa horrível para mim. Eles foram os meus únicos inimigos a minha vida inteira. Era preciso ter raiva dos cupins. Era necessário desgostar deles.
E mais raiva tive dos cupins, mais triste fiquei com eles quando soube que o meu cajueiro estava cheio deles. Em todos os seus galhos, no seu tronco e até no chão onde ele vivia. Era o tal cupim de solo, como falou o homenzinho que veio nos visitar certa vez e entendia bem de cupins. Nossa, gente! Eu quis sumir do mundo naquele dia em que descobri que o meu cajueiro estava muito doente e podia morrer a qualquer momento.
Então, fiquei pensando nas dezenas de árvores que sofrem com cupins. Eu fui uma irresponsável! Se tivesse prestado mais atenção ao meu cajueiro talvez tivesse descoberto cedo os cupins. Talvez tivesse dado tempo de salvá-lo. E fiquei me culpando a vida inteira por não ter cuidado dele como deveria. Foram quarenta anos de culpa. Só hoje que resolvi escrever esta história sei que não tive culpa. Eu era uma criança bobinha que só queria saber de brincar e ia à escola com raiva porque não podia levar o meu cajueiro comigo.
A gente tem o hábito de achar que as coisas e pessoas que amamos só nós sabemos cuidar delas, e por isso queremos levá-las conosco para onde formos como forma de cuidado e proteção. Estando conosco saberemos do que elas estão precisando ou se estão se sentindo bem. Eu era assim. Já que não podia levar o meu cajueiro para a escola levava um galhinho dele dentro da minha mochila.
Certo final de manhã quando voltava da escola contente porque tinha tirado um dez na prova de matemática e eu já tinha me contentado em ser ruim nas continhas fiquei toda feliz e louca para contar ao meu cajueiro do resultado da minha prova. Cheguei correndo em casa com a língua saindo pela boca e a respiração ofegante. Queria abraçar o meu cajueiro de tanta felicidade que eu estava.
Vou dar um conselho a vocês necessário que eu aprendi ainda criança: abracem e digam que amam as pessoas enquanto elas estão por aqui porque depois elas não mais poderão ouvir e morrerão sem nunca saberem se você as amava de verdade.
O meu cajueiro nunca soube que eu o amava, porque achava que não era necessário dizer isso para ele. Eu era tão tímida na minha pequena idade.
Naquela manhã o meu cajueiro veio abaixo, caiu no chão. A mamãe disse que foi um barulho tremendo. Ele não resistiu aos cupins. Estava oco por dentro. Restou só um pedacinho de nada do seu tronco onde havia muitos cupins e era preciso queimar tudo para não empestar a casa novamente.
Eu fiquei triste por demais com a morte do meu cajueiro. Parecia que tinha sido alguém da minha família que morrera. Mas, ele era o meu melhor amigo e meu quarto irmão dos três que eu tinha, o único que não brigava comigo. Contei esta história para vocês porque já vi outras árvores morrerem devido os cupins. Elas não são bem cuidadas como deveriam, principalmente as árvores dos canteiros da minha cidade. Outro dia, numa praça aqui perto de casa uma árvore secular caiu no chão com a chuva forte, depois foram investigar direitinho e disseram que ela estava oca por dentro, os cupins comeram tudo.
Então, além dos cupins precisamos cuidar também das pragas que dão nas folhas das árvores como das suas raízes. Sempre que você vir uma minhoca, percevejo ou joaninha perto da sua árvore não os mate, pois eles são tipo “engenheiros do solo”, ou seja, aqueles que trabalham para manter o solo nutrido e forte. Eles protegem as raízes das suas árvores, são insetos do bem.
Segundo o site Ana Maria Primavesi, as minhocas são os maiores indicadores de um solo vivo. Estas são onívoras, ou seja, alimentam-se de fontes animais e vegetais (estes últimos em diferentes graus de decomposição), além de organismos decompositores acompanhantes, tais como fungos, bactérias, protozoários e nematoides. Ingerem seus próprios excrementos e fezes de outros organismos.
Podem ser classificadas em categorias ecológicas, dependendo de que camada habitam no solo: epigéicas vivem na superfície (0 a 10 cm), habitando geralmente a serrapilheira, endogénicas habitam os horizontes minerais do solo, onde constroem galerias semi permanentes e permanentes em profundidades de 10 a 40 cm e anécicas podem ultrapassar 40 cm de profundidade.
As minhocas melhoram a estrutura e qualidade do solo através da movimentação de partículas dentro e entre os horizontes, formando agregados que permitem a entrada da água, do ar e a penetração das raízes. As galerias que abrem com seus corpinhos também ajudam a abrigar outros bichinhos. Participam da decomposição de matéria orgânica, da mineralização de nutrientes e da disponibilização destes elementos para as plantas.
As árvores são muito resistentes e revolucionárias mesmo, iguais às mulheres feministas quando se revoltam contra o patriarcado assim são as árvores nas suas lutas pela sobrevivência, pois perto da minha casa tem duas árvores que recebem água de esgotos a céu aberto faz mais de seis meses.
Já ligamos para a empresa que trata esgotos na nossa cidade, relatamos o problema e nada. A água suja dos esgotos corre direto para as duas árvores e ficam ao seu redor. Não tem como evitar porque é uma ladeira.
Quanto mais cuidado mantermos para com as nossas árvores ainda assim estaremos fazendo pouco. Elas precisam de carinho e atenção. Nas noites de frio e inverno em que as suas folhas secam rapidamente ninguém as protege. Só queremos ficar embaixo dos nossos cobertores e não nos damos conta de que a nossa árvore do quintal ou da calçada também está sofrendo com a friagem. Neste caso não podemos fazer quase nada a não ser ficamos conversando com a nossa árvore das janelas do quarto de dormir ou da sala enquanto a chuva cai.
O meu sonho era nunca mais ver uma árvore tristonha ou doente, por isso creio que a prevenção também é necessária para a saúde delas. Além dos cupins as árvores se não tiverem atenção das pessoas que passam por elas e fazem de contas que não significam nada podem se sentir abandonadas e sozinhas, logo entrarão em depressão como qualquer ser humano. Isso é sério.
Talvez vocês já tenham visto muitas árvores em depressão pelos canteiros das cidades ou parques florestais. Geralmente elas deixam as suas folhas caírem sem ser no outono, elas murcham e param de balançar os seus galhos. Ficam ali, quietas, silenciosas. Uma árvore em depressão também precisa de terapia. Alguém deve ouvir as reclamações, anseios e medos da árvore.
Uma das maiores causas das doenças nas árvores é o medo da morte. Diferente de algumas pessoas elas têm muito medo da morte, mesmo sabendo que podem reencarnar em outro planeta.
As árvores têm medo da morte quando vêm um homem com um machado ou uma serra elétrica se aproximar delas. Esse medo pode fazer com que os seus frutos apodreçam mais rapidamente, suas raízes enfraqueçam e elas tombem no chão de tanto pânico. As suas emoções e sentimentos são parecidos com os dos seres humanos, por isso todas precisam que algum bom profissional na arte da escuta esteja ali um ou duas vezes na semana para ouvir tudo o que elas desejarem falar. Muitas vezes só desejamos desabafar mesmo, falar, falar e falar. Noutras só precisamos de um abraço. São esses cuidados que devemos manter com as nossas árvores.
Os griots e indígenas sabem cuidar bem das suas árvores porque eles acreditam que dentro delas moram deuses. Assim como eles deveríamos aprender a cuidar bem das nossas. Nos contos de fadas os duendes moram dentro dos troncos das árvores e se espalham pelas florestas quando aparece uma criança.
Alguns bichos moram dentro dos troncos das árvores. A casa deles deve ser cuidada por nós que temos a razão para diferenciarmos o que é bom ou não, mantê-la limpa e cheirosa.
Do mesmo jeito que você limpa a sua casa todos os dias assim deve fazer com a sua árvore. Limpá-la cuidadosamente. Agora me veio a lembrança da casa de uma amiga onde as galinhas e galos dormem em cima do cajueiro no quintal. São tantas as galinhas nos galhos do cajueiro que mais parecem frutas do que animais. Também tem perto da minha casa um gato que só dorme em árvores. Os animais têm bom gosto.
E para finalizar ficamos com uma frase da nossa poeta maior Cecília Meireles que nos diz “Nunca tive os olhos tão claros e o sorriso em tanta loucura. Sinto-me toda igual às árvores: solitária, perfeita e pura.” Que nenhuma árvore se sinta solitária enquanto houver pessoas sensíveis e amantes da natureza. Não deixemos de cuidar das árvores e de dar-lhes atenção para que elas continuem perfeitas e puras como o olhar de uma criança. Eu sou a tua árvore!
Eu não sei porque Deus criou cajueiros, mas eu acho que foi para ser amigo de uma menina que morria de medo das pessoas grandes, porque elas só têm garfos e facas na cabeça. Leia mais: https://www.neipies.com/menina-e-o-cajueiro/
As mulheres, crianças, velhos, doentes e homens guerreiros, que morrem ou são lançados na dor da violência, reduzem-se a uma explicação genérica, de que a guerra sempre existiu. Esse é o sentimento que se pulveriza na consciência humana. Abandonamos a utopia da paz.
O temor inexorável da humanidade é o destino único da morte, quando termina o ciclo biológico dos humanos e todos os seres vivos. Estar vivo é a absoluta certeza e condição determinante de que um dia chega o fim. Este final inevitável é designo traçado pelo criador, como explica a crença da maioria das fontes religiosas da humanidade.
É das mais remotas criações pela mão humana, a saga das guerras. Esta sim foi instalada em atos de ódio, denominada em momentos de glória vã, de arte bélica. A mística desta degeneração natural veio blindada pelo status de sustentação da mais alta nobreza em suas conquistas históricas. Até nossa memória milenar assinala a versão dos vencedores.
Pálida é a memória das conquistas de paz genuína. As razões mais diversas de libertação de grupos humanos, ao par de outros momentos de ódio implacável na imponderável utilização da força física letal, narram o permanente modelo fraticida da existência dos homens.
A Bíblia conta o episódio que moveu Caim a tirar a vida de seu irmão Abel por motivo torpe, mas até esse evento perdeu-se no tempo como necessidade de reprovação. É absolutamente doloroso reconhecermos que a relação dos povos insere a guerra como fato consumado. O resultado fatal, a morte e mutilações corporais, tanto quanto a dor moral e sequelas infames e desabrigo total do ser humano, são lançados no conformismo.
As ilações da literatura avaliam com flacidez ética o final seriado de batalhas devastadoras. Soa com simpatia a frase harmonizadora de Siro na convulsão bélica romana: “Bis vincit qui si vincit in victoria” (vence duas vezes que se vence na vitória).
Fala-se, então, em respeitar os vencidos, vivos ou mortos. E o que chamamos de paz é uma pedra sobre as sepulturas. E nada mais!
Estamos em plena escalada da guerra em sua configuração mundial. As mulheres, crianças, velhos, doentes e homens guerreiros, que morrem ou são lançados na dor da violência, reduzem-se a uma explicação genérica, de que a guerra sempre existiu. Esse é o sentimento que se pulveriza na consciência humana. Abandonamos a utopia da paz.
A guerra anunciada, e finalmente declarada, entre Rússia e Ucrânia desencadeia um rio humano de pessoas em fuga. Nos últimos decênios vimos os casos do Iraque, da Venezuela, da Síria, de Mianmar, do Afeganistão, do Sudão do Sul e, agora, da Ucrânia. Refugiados que se contam aos milhões ao redor do mundo. (Alfredo Gonçalves) Leia mais: https://www.neipies.com/a-multidao-dos-desterrados-e-errantes/
Civilização armada
As fantásticas conquistas tecnológicas evidenciadas a partir do século XX chegaram velozes até nosso cotidiano. Os meios de comunicação disponíveis à atual geração avançaram tanto que desafiam o imaginário. A transição de tudo isso tem exigido adaptação urgente na linha do afeto das relações humanas. Tudo é ótimo como recurso da criação do homem, especialmente o avanço da ciência médica que decretou o fenômeno da longevidade.
As castas oligárquicas, no entanto, retomam rapidamente o signo do extermínio, manipulando os que se dizem líderes mas que não passam de alucinados gênios do mal. O resultado de enorme pressão no jogo de poder leva a potência mundial, Alemanha, a investir em poder bélico. É o sinal de que o mundo está mesmo em perigo.
Ucrânia
O desmanche da União Soviética sepultou um regime totalitário, mas não eliminou o pensamento totalitário fortemente disseminado no mundo. O ex-presidente Trump tentou sua consagração com ajuda soviética nos USA. A democracia americana impediu sua ascensão.
Os métodos de ataque à democracia estão marcados em quadrantes do planeta. A ação que começa com fórmulas híbridas de constituição do poder político nas nações, logo salta para a autocracia rumo ao totalitarismo. A estratégia começa com a dilapidação das instituições democráticas.
Aqui no Brasil presenciamos ataques vergonhosos contra poderes constituídos, instituições de defesa ambiental, e mais enfática contra o sistema eleitoral. A guerra da Ucrânia revelou o estranho apreço de Bolsonaro pela figura de Putin. O alegado preito em favor do fornecimento de fertilizantes e gás ao Brasil não explica o suficiente. A Ucrânia sofre a guerra, mas suas consequências mexem com a difícil situação na economia brasileira. Inflação, preço do combustível e a crise nos fertilizantes agravam o que já era difícil.
Imagem da publicação: Autor Alisson Affonso: “A lágrima não tem cor” Conflito sangrento na Etiópia já dura mais de 16 meses…
O componente curricular Filosofia traz como preocupação oportunizar aos/às estudantes a busca pelo conhecimento – pesquisar, compreender, refletir, problematizar, debater, sistematizar, argumentar – de modo a projetar-se para além do senso comum, investigar e incorporar epistemologias que permitam pensar próximo da realidade e transcendê-la, ao contribuir com a sociedade, como sugere a BNCC.
O objetivo desta exposição é auxiliar os/as colegas da Área de Conhecimento das Ciências Humanas, especificamente, do Componente Curricular de Filosofia a compreender a estrutura, a organização, o desenvolvimento e as vinculações hierárquicas dos documentos nacionais e estaduais que implicam o Ensino Médio nesse aspecto e contribuir com a compreensão do funcionamento e arquitetura da Filosofia na sala de aula. Não de modo hermético e dogmático, mas como um desenho possível e, talvez, esclarecedor que se coloque como ponto de partida para os primeiros movimentos de apropriação da dinâmica. Sugestões que, necessariamente, pela natureza da Filosofia e das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, se constituem referencial, apenas.
Por ação de Edital de Transferência Temporária para Dedicação à escrita do Referencial Curricular Gaúcho do Ensino Médio para o Estado do Rio Grande do Sul, no ano de 2020, a Secretaria Estadual de Educação realizou seleção de dezoito (18) redatores/as titulares e respectivos suplentes, Professores e Professoras efetivos/as da rede estadual de ensino. Após entrevistas, os/as redatores/as, organizados/as em suas respectivas Áreas de Conhecimento, iniciaram os trabalhos previstos em 22 de outubro de 2020 e seguem em ação de escrita (PIES, 2022).
A partir das dificuldades encontradas com a compreensão dos documentos e a viabilização das atividades docentes, encaminhamos, sugestões de operacionalidade para ações de sala de aula e, também, para a compreensão da gênese e construção dos documentos. Destacamos que a Filosofia, enquanto Componente Curricular das CHS, juntamente com a Sociologia, tem sofrido reveses intensos no que tange a sua presença nas escolas. Significativos movimentos têm sido realizados pela ANPOF e pelo Fórum Sul de Filosofia, além de entidades da sociedade civil para sua manutenção nas matrizes curriculares.
Primeiras palavras
O documento denominado Referencial Curricular Gaúcho do Ensino compreende, logo na introdução, que
Referencial Curricular é um documento orientador da caminhada educacional de uma sociedade, especificamente, no ensino. Ao responder às perguntas: “o quê”, “quando”, “como”, “para quem” e “para onde”, pensa, como documento sistematizador, a educação de um determinado território e estabelece possibilidades, horizontes, metas, finalidades, perspectivas, sobre a práxis educacional. O Referencial Curricular Gaúcho se traduz em um caminho a ser seguido baseado em pressupostos teóricos e práticos, consideradas as condições, as realidades em que se encontram as redes de ensino no atendimento às demandas sociais. Constitui-se em guia que indica objetivos, sugere linhas gerais unificadoras, aponta fragilidades e recomenda parcerias, formas de enfrentamento e superação das insuficiências do sistema educacional. (RCGEM, 2021, p. 16)
Nesse sentido e em concepção hermenêutica, quer seja, de interpretação e da própria essência filosófica, o RCGEM apresenta linha gerais, amplas e abre para possibilidades de construção de planos e de aulas democráticas, dialógicas, criativas e, especialmente, com cientificidade e promotoras do conhecimento e da cidadania.
Na perspectiva de auxiliar a compreender as estruturas dos documentos e suas vinculações, explicamos que a Filosofia, na BNCC e no RCGEM é Componente Curricular integrante da Área do Conhecimento das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, simbolizada pela sigla CHS. A titulo geral, o documento se apresenta na seguinte linearidade:
Fonte: Fig. 01 – parte autora
Processo de Construção
O Componente Curricular de Filosofia, nas páginas 124 a 126 do RCGEM, reflete acerca da atitude e do pensar complexo e plurivalente na manutenção, continuidade e defesa da vida. E, a partir dessa compreensão, assim se posiciona em linhas gerais sobre sua concepção de fundo, sobre a metodologia e sobre os horizontes e ideais:
“A humanidade, em seus processos de produção, relações, instituições e desconstruções, da ação concreta e simbólica, desenvolve cultura e modifica a natureza – no sentido adotado por Aristóteles e por Rousseau – a partir do pensar e compreender mítico, teocêntrico, senso comum, técnico, científico e filosófico (CHAUÍ, 2010; ARANHA, 2013). As constituições racionalizadas ou aleatório-inusitadas apresentadas ao longo da história, de algum modo, caracterizam o modo como os seres humanos pensam, compreendem e posicionam-se no mundo; como compreendem a si próprios, aos demais e ao cosmos e como estruturam suas relações. Nos fundamentos das atitudes humanas, parece haver, explícita ou implicitamente, modos de compreender a complexidade da vida, hegemônicos ou alternativos, que revelam tradições e tendências de pensamento com potências suficientes para constituir escolas, influenciar pessoas e sociedades e dirigir o mundo, ainda que, por um período/tempo ou em um local/espaço.
Encontrar a verdade ou aproximar-se dela tem sido o grande debate, acompanhado de questões clássicas sobre: quem somos? Qual o sentido da vida? De onde viemos? Para onde vamos? O que é o certo, o belo e o bom/bem? O tudo e o nada? As buscas humanas oscilam entre abordagens racionais e emocionais, idealistas e empiristas, refletidas/mediadas e imediatas, simplistas e complexas. Desse modo se constitui a ciência filosófica, uma atitude, um modo de ser – ou não ser -, um método, uma compreensão.
A Filosofia move a humanidade ao pensar, ao conhecer, na direção da sabedoria, da intensidade do saber, do valor da vida, do pensar o pensar, do conhecer o conhecimento – na compreensão de Morin e de Foucault – ou não é Filosofia.
Em Filosofia, procura-se compreender as teorias filosóficas de pensadores/as desde o período clássico ao contemporâneo, com conceitos reflexivos e de inteligibilidade especulativa aguçada, abordados a partir da atualidade e da historicidade dos/das estudantes do Ensino Médio, o que torna mais significativa a experiência de ensino e aprendizagem das temáticas e problemáticas propostas pelos seres humanos ao longo da história.
O componente curricular Filosofia traz como preocupação oportunizar aos/às estudantes a busca pelo conhecimento – pesquisar, compreender, refletir, problematizar, debater, sistematizar, argumentar – de modo a projetar-se para além do senso comum, investigar e incorporar epistemologias que permitam pensar próximo da realidade e transcendê-la, ao contribuir com a sociedade, como sugere a BNCC.
Nesse contexto, o saber filosófico se justifica pela criticidade que proporciona ao fundamentar e dar significado a aprendizagens dos estudantes do Ensino Médio com base na pesquisa, aprofundamento e produção dos conhecimentos adquiridos para que possam transformar a condição de espectador em agente atuante, cidadão envolvido e comprometido com o mundo comum.
A Filosofia é, também, reflexão e debate sobre a historicidade do pensamento humano que sistematiza conhecimentos plurais, com diversas compreensões, desde o mundo antigo, passando pelo medievo, moderno e contemporâneo contribuindo com os tempos nos quais o ser humano partilha suas experiências e vivências.
Pensar a vida, sua constituição, construção e os modos como, a partir das relações e compreensões da humanidade em sua condição diversa e plural têm se assumido, compreendido, posicionado e transformado a natureza, a condição humana e sua dimensão espiritual. Desse modo, ressalta-se a relevância do trabalho realizado pela educação: se o senso comum é um conjunto de ideias e valores que servem de base à nossa primeira visão de mundo, trata-se, no entanto, de um saber não, necessariamente, crítico e científico, fragmentado, por vezes incoerente, desarticulado, misturado a crenças, portanto, pré-reflexivo (BRASIL, 2002, p. 44). Porém, potente para as sociedades ao longo dos tempos, assim como todos os modos humanos de ser, conhecer e conviver.
A Filosofia no Ensino Médio, com seu rigor conceitual de abordagem crítico-racional, subscreve a máxima délfica “Conhece-te a ti mesmo”, pois quer estimular nos/nas estudantes a consciência não apenas do mundo ao seu redor, mas de si mesmos – suas ações, sua corporeidade, suas disposições morais e psíquicas, suas crenças e modos de pensar -. Assim se constitui a proposta filosófica para o RCGEM, como possibilidade de conhecimento da história do pensamento, atitude crítico-reflexiva diante do mundo da vida nas suas dimensões concreta e imaginária.”
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Os debates e as construções sintonizadas entre a equipe de redação do RCGEM para a Área de CHS, as contribuições e sugestões da Consulta Pública a que foi submetido o RCGEM nos meses de novembro e dezembro de 2021, resultaram na produção de mais algumas habilidades que a BNCC não contemplava. Desse modo, destacam-se, algumas habilidades que são mais específicas para o Componente Curricular de Filosofia, mas ressalta-se que o objetivo é o desenvolvimento de uma formação integral das juventudes do ensino médio, inter e transdisciplinar de modo a evitar formação fragmentada e superficializações tecnicistas.
O texto do RCGEM está aprovado pelo Conselho Estadual de Educação (CEEd) desde o dia 20 de outubro de 2021. O Parecer CEEd n.003/2021 institui o Referencial Curricular Gaúcho para o Ensino Médio (RCGEM), etapa final da educação básica, bem como, suas modalidades. O CEEd, reforça que o RCGEM é “referência obrigatória para elaboração dos currículos das instituições integrantes dos Sistemas Estadual e Municipais de Ensino do RS” que devem seguir os termos do Parecer e da Resolução CEEd n.361/2021.
Para facilitar, desse modo, a compreensão da estrutura hierárquica dos documentos e a operacionalização na escola e na sala de aula, destacamos o seguinte esquema:
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Competências gerais da BNCC para a Educação Básica
A BNCC apresenta dez (10) Competências Gerais para a Educação Básica. Elas são a base para as ações educacionais em todas as modalidades e níveis da Educação Básica. Por educação Básica se compreende desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e a Educação Profissionalizante (Ensino Médio Integrado, Cursos Técnicos Concomitantes e Subsequentes).
As dez Competências Gerais, podem ser encontradas na BNCC (p. 09-10):
1. Conhecimento: Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
2. Pensamento científico, crítico e criativo: Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3. Repertório cultural: Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
4. Comunicação: Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Cultura digital: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
6. Trabalho e projeto de vida: Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7. Argumentação: Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
8. Autoconhecimento e autocuidado: Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Empatia e cooperação: Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Responsabilidade e cidadania: Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários
Competências específicas das CHS que podem ser desenvolvidas pelas Filosofia
Como desdobramentos das dez (10) Competências Gerais, a BNCC organizou competências especificas por área do conhecimento. Essas Competências estão disponíveis na BNCCEM (p. 558 a 565) e no RCGEM (p. 134 a 139), conforme Fig. 2. Para auxiliar no trabalho docente, visto que a BNCC não apresenta, objetivamente, Objetos do Conhecimento para serem trabalhados, tomamos a liberdade de sublinhar os aspectos que identificam a dimensão filosófica em cada uma das Competências Específicas das CHS.
Competência 1 – Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
Competência 2 – Analisar a formação de territórios e fronteiras em diferentes tempos e espaços, mediante a compreensão das relações de poder que determinam as territorialidades e o papel geopolítico dos Estados-nações.
Competência 3 – Analisar e avaliar criticamente as relações de diferentes grupos, povos e sociedades com a natureza (produção, distribuição e consumo) e seus impactos econômicos e socioambientais, com vistas à proposição de alternativas que respeitem e promovam a consciência, a ética socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional, nacional e global.
Competência 4 – Analisar as relações de produção, capital e trabalho em diferentes territórios, contextos e culturas, discutindo o papel dessas relações na construção, consolidação e transformação das sociedades.
Competência 5 – Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
Competência 6 – Participar do debate público de forma crítica, respeitando diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
Habilidades propostas pela BNCC e RCGEM
A BNCCEM apresenta uma lista de habilidades, enquanto documento base da educação nacional. Porém, a equipe de redação do RCGEM, para as CHS, percebeu que havia algumas lacunas que poderiam ser sanadas com habilidades específicas para algumas temáticas que não estavam contempladas e outras relacionadas com o Rio Grande do Sul. Nesse sentido, foram incluídas habilidades àquelas já construídas pela BNCCEM. Desse modo, nas habilidades elaboradas pelo RCGEM há um acréscimo da sigla RS ao código. Isto significa que ela foi elaborada pela equipe redatora por decisão autônoma ou por sugestão das entidades, docentes e comunidade durante a consulta pública organizada pelo CEEd-RS.
A preocupação da CHS para o Componente Curricular de Filosofia é facilitar o trabalho docente com o destaque das principais habilidades. Contudo, cada docente pode ir além e aproximar a Filosofia a outras habilidades a fim de desenvolver com maior amplitude o trabalho pedagógico para almejar as dez Competências Gerais da BNCC, onde se localiza a excelência congitiva.
Cada docente de Filosofia deve retomar o RCGEM e aprofundar os estudos das 10 Competências Gerais da BNCC, das 6 Competências específica da área de CHS e das habilidades que decorrem de cada uma das 6 Competências específicas de CHS. Apresentamos agora, as habilidades que decorrem da BNCC e aquelas elaboradas pela equipe do RCGEM que implicam diretamente a Filosofia.
– Acerca da Competência Específica das CHS, 01:
(EM13CHS101) Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais. (1º, 2° e 3°);
(EM13CHS102) Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos (1º, 2° e 3°);
(EM13CHS103) Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros) (1º, 2° e 3°);
(EM13CHS106) Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica, diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, incluindo as escolares, para se comunicar, acessar e difundir informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. (1º, 2° e 3°);
(EM13CHSA109RS) Compreender a lógica das operações de pensamento, das argumentações e suas teses, seus sentidos e contradições para tomar decisões, fazer escolhas e comunicar-se com autenticidade;
(EM13CHSA110RS) Elaborar, compreender e desenvolver argumentações com sentido para a dignidade humana e a justiça social a partir de diferentes concepções teóricas. (1º, 2º e 3º);
(EM13CHSA111RS) Compreender o pensamento sócio-filosófico a partir de suas bases teóricas relacionando-as com as ações humanas e seus significados em vários contextos. (1º, 2º e 3º).
– Acerca da Competência Específica das CHS, 02:
(EM13CHS202) Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais. (1º, 2º e 3º);
(EM13CHSA208RS) Estudar, investigar e compreender os sentidos e as processualidades das revoluções, das mudanças e rupturas provocadas na história da humanidade e de seu pensamento. (1°, 2° e 3°);
(EM13CHSA209RS) Identificar e valorar a importância dos agentes sócio-históricos em diferentes contextos de protagonismo e tensionamentos de forças políticas e compreensões na perspectiva de conquistas e garantias dos direitos humanos, no Estado republicano de direito. (1°, 2° e 3°).
– Acerca da Competência Específica das CHS, 03:
(EM13CHS301) Problematizar hábitos e práticas individuais e coletivos de produção, reaproveitamento e descarte de resíduos em metrópoles, áreas urbanas e rurais, e comunidades com diferentes características socioeconômicas, e elaborar e/ou selecionar propostas de ação que promovam a sustentabilidade socioambiental, o combate à poluição sistêmica e o consumo responsável. (1º, 2º e 3º);
(EM13CHSA308RS) Compreender as relações intrínsecas entre os elementos constituintes do cosmos e o protagonismo humano nas fronteiras da ética e da bioética concentrando esforços na promoção, defesa e continuidade da vida. (1º, 2º e 3º).
– Acerca da Competência Específica das CHS, 04:
(EM13CHSA405RS) Analisar e compreender os conceitos de mundialização e globalização, seus processos históricos, culturais, sociais, políticos, econômicos e ambientais, as interações e consequências – em diferentes escalas – para os indivíduos, as sociedades e para os Estados. (1°, 2° e 3°).
– Acerca da Competência Específica das CHS, 05:
(EM13CHS501) Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade. (1º, 2º e 3º);
(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais. (1º, 2º e 3º);
(EM13CHS504) Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas. (2º e 3º);
(EM13CHSA505RS) Pensar os sentidos e a importância das ações humanas promotoras do bem comum, da solidariedade, da ética e da cooperação, como pressupostos da cultura de paz, da harmonia, da justiça social e da dignidade humana. (1º, 2º e 3º);
(EM13CHSA509RS) Analisar e compreender as condutas humanas a partir dos comportamentos, atitudes e sentidos incorporados historicamente como consolidação de valores morais, éticos e estéticos. (1º, 2º e 3º);
(EM13CHSA510RS) Propor diálogos sócio-filosóficos que promovam compromissos individuais e coletivos com a solidariedade, o respeito às diferenças, a liberdade e a segurança individual e social. (1º, 2º e 3º);
(EM13CHSA511RS) Compreender as relações humano-sociais como construções histórico-culturais e o racismo, a etnofobia e a xenofobia como ocorrências resultantes de processos estruturais dominadores, exploradores e simplificadores da condição humana instituídos por compreensões homogeneizantes e hegemônicas nas fronteiras do mundo democrático e republicano, impeditivos das diversidades. (1°, 2° e 3°).
– Acerca da Competência Específica das CHS, 06:
(EM13CHS602) Identificar e caracterizar a presença do paternalismo, do autoritarismo e do populismo na política, na sociedade e nas culturas brasileira e latino-americana, em períodos ditatoriais e democráticos, relacionando-os com as formas de organização e de articulação das sociedades em defesa da autonomia, da liberdade, do diálogo e da promoção da democracia, da cidadania e dos direitos humanos na sociedade atual. (2º e 3º);
(EM13CHS603) Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania etc.). (1°, 2º e 3º);
(EM13CHS604) Discutir o papel dos organismos internacionais no contexto mundial, com vistas à elaboração de uma visão crítica sobre seus limites e suas formas de atuação nos países, considerando os aspectos positivos e negativos dessa atuação para as populações locais. (2° e 3);
(EM13CHSA607RS) Analisar e compreender o ser humano como integral e capaz de desenvolver suas potencialidades e habilidades socioemocionais e cognitivas. (1º, 2º e 3º).