Contar histórias sempre ocupou papel central no desenvolvimento do ser humano enquanto espécie. Hoje, porém, a narração oral ganhou dimensão ainda maior: é vista como arte, engaja muitas pessoas como profissionais na atuação e é um motor da economia criativa. Basta ver o número de projetos, festivais, encontros e outras manifestações promovidas no Brasil e no mundo. Passo Fundo, claro, não fica fora dessa.
Considerada a Capital Nacional da Literatura, a cidade de Passo Fundo sempre apresentou vocação narradora. Desde as Jornadas Literárias, com a promoção de debates e apresentações, passando por iniciativas como o Bando de Letras, as intervenções do Mundo da Leitura, da UPF, dentre outras, muitas foram as mãos e mentes impulsionando o gosto pelas narrativas. Todavia, foi nos últimos anos, sobretudo na última década, que a narração oral de histórias ganhou ainda mais vigor em nosso território.
A inserção de novos profissionais dinamizou a cena cultural da cidade. Iniciativas de grupos e produtores independentes, da Biblioteca Pública Municipal Arno Viuniski, do SESC, da Academia Passo-Fundense de Letras e de diversos agentes ajudaram a dar um sentido novo à oralidade.
A gama de projetos se expandiu, os espaços foram preenchidos com intervenções variadas e até intercâmbio com outros artistas e outras cidades foram promovidos. Em determinado momento, percebeu-se a necessidade de avançar um pouco mais. E, em 2025, foi aprovada e promulgada a Lei Ordinária 5.988, de proposição do vereador Douglas Pereto, instituindo a Semana Municipal do Contador de Histórias. Estava concretizado o reconhecimento via Poder Público de um trabalho de muitos anos.
A instituição legal desse momento dedicado aos narradores orais foi apenas um primeiro passo para poder estimular ações, busca de recursos e mais participação pública na arte e na cultura.
De imediato, já em março de 2026 (mês dedicado ao artista da palavra oral), foi realizada a 1ª Semana do Contador de Histórias, com atividades em diversos pontos da cidade. Uma delas foi o encontro de profissionais da área e interessados nas dependências da APL. Tendo como objetivo o compartilhamento de experiências e ideias, o momento serviu para um alinhamento mais preciso sobre a capacidade de atuação em Passo Fundo, os desafios do ofício e, sobretudo, qual o papel que deveria ser assumido diante dessa nova perspectiva. As conversas renderam bons frutos e estimularam ainda mais a continuidade desse trabalho.
De agora em diante é necessário ainda mais esforço, tanto dos agentes culturais, quanto do Poder Público e da sociedade civil. Todos aqueles que tiverem a oportunidade da partilha de narrativas, seja no âmbito do lar, ou a nível profissional; que puderem acompanhar espetáculos, consumir produtos artísticos, divulgar artistas, devem fazê-lo.
Como dizia o poeta Antonio Machado, “caminhante, não há caminho/o caminho se faz ao andar”, temos a plena consciência de que é com o engajamento conjunto que conseguiremos chegar a um patamar de excelência no respeito à oralidade e tudo o que ela simboliza: memória, pertencimento, conexão.
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A literatura em Passo Fundo tem se aprimorado muito nos últimos anos. Novas — e competentes! — editoras surgiram, autores se profissionalizaram, o número de contadores de histórias cresceu e as produções locais têm alcançado todo o Estado, quiçá o país.
O escritor e contador de histórias Gabriel Cavalheiro Tonin, o Gabito, é prova viva disso. Com uma vasta criação de livros e projetos, ele se aprimora a cada passo, apresentando obras dignas dos maiores catálogos. Neste episódio do Literatura Local, ele nos apresenta seu mais novo livro infantil, A Abelha e a Flor, lançado pela editora Giostri, de São Paulo!
Publicada pelo selo Giostrinho, a obra é o segundo volume de uma jornada que começou quando Gabito venceu um concurso da editora. Como tudo que é bom merece bis, ele lança agora, pela mesma casa editorial, a continuação desse enredo.
Em nosso bate-papo, também falamos sobre a formalização da Associação de Contadores de Histórias, entre outros assuntos essenciais para a nossa literatura. (Aleixo da Rosa)
Confira!
Autor: Gabriel Cavalheiro Tonin (Gabito). Também escreveu e publicou no site “Salvem a leitura”: https://www.neipies.com/salvem-a-leitura/
Edição: A. R.











