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O poeta e o cientista

Fundir o pensamento do poeta do inefável, Rainer Maria Rilke, com as ideias da “lenda viva de Harvard”, Edward O. Wilson, pode soar absurdo, a menos que se considere a criação artística e a prática científica como indissociáveis.

Indiscutivelmente, Cartas a um jovem poeta, de Rilke, e Cartas a um jovem cientista, de Wilson, são duas obras imprescindíveis de orientação para quem pensa em se aventurar no mundo da poesia e/ou no mundo da ciência, uma vez que em ambos há mais pontos em comum do que se poderia imaginar à primeira vista. Resumindo: o cientista ideal, de Wilson, deve pensar como um poeta, e o poeta ideal, de Rilke, deve pensar como um cientista.

Em 1929, foram reunidas as 10 cartas que Rainer Maria Rilke (1875-1926), poeta nascido em Praga e expoente das letras alemãs, trocou com Franz Xaver Kappus, o jovem que ambicionava ser poeta.

Nessas peças epistolares, Rilke, com clareza avassaladora e elevada densidade poética, diz coisas que se aplicam tanto a um aprendiz de poeta quanto a um estudante de iniciação científica. Por exemplo, que nem tudo é tão fácil de aprender e nem de dizer como normalmente somos levados a acreditar. Ou, ao sugerir, para maior chance de êxito em algo relevante, que sejam evitados temas e formas muitos usuais e comuns de escrever, exemplificando com o caso dos poemas de amor. A dificuldade é sempre maior em meio à profusão de coisas boas e algumas até brilhantes.

Ainda: quando diz que não se deve esperar uma resposta de fora (do ambiente externo) para questões que apenas podem ser respondidas intimamente. E, especialmente, ao afirmar que a tão comum tendência para a dúvida, que graceja entre as pessoas, se bem educada e usada com inteligência, pode se tornar uma qualidade positiva. Pois, quando essa dúvida for capaz de ser convertida em crítica e virar saber, deixará de ser meramente destruidora para se converter em colaboradora/construtora.

Edward O. Wilson (1929-2021) é um dos principais expoentes da ciência contemporânea. Professor emérito da Universidade Harvard, foi criador de disciplinas (biogeografia e sociobiologia, por exemplo) e de conceitos científicos (biofilia, biodiversidade e consiliência) visando à unificação das áreas de humanidades com as outras ciências, além da iniciativa de criação da Enciclopédia da Vida, que se configura em marco sem precedentes para estudos da biodiversidade global.

Wilson também é autor de dezenas de livros, sendo vencedor de dois Prêmios Pulitzer. Ao longo de uma carreira científica de mais de 60 anos, Edward O. Wilson produziu obras de valor inestimável. Este é o caso do livro Letters to a young scientist (Cartas a um jovem cientista), lançado em 2013.

Em Cartas a um jovem cientista, Wilson usa a si mesmo como referência para sugerir a essência do que é necessário para alguém ser bem sucedido na carreira científica.

Começa realçando que o conhecimento científico dobra a cada 15 anos, dificultando sobremaneira quem pretende saber tudo ou intenciona apenas se manter atualizado.

Destaca que a nossa ignorância sobre o tamanho da biodiversidade terrestre coloca essa área da biologia entre as portadoras de futuro. E condiciona que qualquer pretendente a cientista dever ter bem claro que a prática científica hoje é baseada em uso de tecnologia (equipamentos de pesquisa, por exemplo), que a tecnologia que permeia o nosso dia a dia é derivada do conhecimento científico e que a indústria contemporânea é baseada em tecnologia e ciência. Eis um novo mundo não tão simples assim.

Wilson orienta que a paixão pela descoberta vem antes do treinamento, ainda que esse seja imprescindível. E que bons mentores/orientadores são essenciais na formação dos jovens cientistas, pois são eles, pelos exemplos pessoais, que modelam valores e comportamentos. Realça que, por mais glamorosas e atrativas as áreas científicas da ocasião, deve-se sempre buscar o novo, onde poucos estejam trabalhando, pois como também frisou Rilke ao aprendiz de poeta, aí as chances de sucesso são maiores.

Finaliza lembrando que a prática científica é a busca pela verdade. E isso, acima de tudo, exige ética, pois se atua numa espécie de campo minado em que vicejam vaidades, competições pessoais e invejas de toda sorte.

E, de resto, poeticamente lembrando, é deixar a vida acontecer.

Do livro: Ah! Essa estranha instituição chamada ciência, 2021.

Autor: Gilberto Cunha

Lobos solitários: o que já sabemos

O futuro “lobo solitário” não é um ser estranho. É ele “um de nós” que está dominado pelo pensamento primitivo maniqueísta, que tem fortes desejos narcisistas, que está socialmente isolado, que tem acesso a armas e que mentalmente está preso na bolha de um movimento discriminador, xenofóbico, excludente.

Crimes assustadores, assombrosos, terroríficos em escolas como ocorridos nas cidades de Aracruz e Saudades, para citar dois exemplos, nos obrigam a examinar quem são esses assassinos chamados de “lobos solitários”.


Por terrorismo, referimos o uso da violência que visa assustar um público mais amplo do que os alvos diretos do ataque. Autores como Jerrold Post da The George Washington University, dividem o terrorismo em ondas: (1) onda anarquista; (2) nacional-separatista; (3) sócio-revolucionária; (4) onda religiosa e (5) onda “lobo solitário”.

A quinta onda provoca pânico pela sensação de que o agente do terrorismo pode surgir em qualquer local e a qualquer momento. E pergunta-se: até mesmo em qualquer pessoa?

Estudos de casos tentam encontrar características que distingam os futuros “lobos solitários” das demais pessoas.

Já se sabe que: (1) não há relação direta com uma doença mental listada nas classificações; (2) há com frequência a presença de traços narcisistas; (3) isolamento social; (4) acesso a armas; (5) agem por conta mas mentalmente estão na bolha de algum movimento discriminador, xenofóbico, excludente; (6) o pensar primitivo, maniqueísta, em dado momento passa a dominar a mente desses indivíduos.

O co-piloto alemão Andreas L. que derrubou uma aeronave da Germanwings em 24/03/2015 apresentava depressão e risco de suicídio. Mas essas características não foram as mais relevantes. Inclusive, a maioria das pessoas depressivas que cometem o suicídio não mata outras pessoas.

É possível que Andreas L. apresentasse traços de personalidade antissocial e é bastante provável que apresentasse fortes traços narcisistas de personalidade. Ou seja, a necessidade de ser “admirado” no mundo todo pode ter contribuído para o ato midiático de cometer homicídio e suicídio derrubando um avião.

Anders B., o norueguês que em 22/07/2011 em dois ataques terroristas matou setenta e sete pessoas, não era uma pessoa violenta. Assistam “22 de julho” na Netflix. A sua biografia comprova isso. E, após controvérsia inicial, a avaliação psiquiátrica concluiu que ele não apresentava doença mental. Mas revelava sim traços narcisistas e, nos anos que precederam o ato criminoso, foi gradativamente se afastando das pessoas.

A decisão de planejar a matança ocorreu no momento em que ele, isolado socialmente e desejoso de realizar suas necessidades narcisistas, tornou-se frequentador assíduo de sites maniqueístas existentes na época como “Gates of Vienna” e “Stormfront”. Fez o que fez mentalmente vinculado a ideologia xenofóbica contida nos sites.
Asne Seierstad (“Um de nós”, Record, 2016) está na foto da crônica pelo seu admirável trabalho de pesquisa. Ela fez aquele que talvez seja o mais extenso e minucioso estudo de caso de um “lobo solitário”. Na biografia que escreve sobre Anders B.
fica evidente que os ataques terroristas foram precedidos pelo predomínio do pensar maniqueísta, a característica (6) citada acima.

Mani, filósofo persa do século III, trouxe para a filosofia a forma primitiva do pensar humano que diz que aquele ou aquilo que eu não conheço é meu inimigo.

O pensamento maniqueísta apresenta sete características: reducionismo, generalização, dogmatização, uma forma de pensar que, a partir de uma suspeita qualquer, já salta para a conclusão, ausência de autocrítica, inexistência de empatia e necessidade de inimigos. Há a divisão entre “nós e eles”. E “eles” deixam de ser “gente como a gente”.

A humanidade conseguiu desenvolver o pensamento científico: sabe observar, classificar, deduzir, induzir, experimentar. Conseguiu, desde Isaac Newton (1642-1727), entender que “a maça” cai pela força da gravidade. Porém, a forma primitiva de pensar está dentro de nós e pode dominar nossas mentes: a maça cai na nossa cabeça porque os desconhecidos, os diferentes, os maus, os inimigos a jogaram em nós.

O futuro “lobo solitário” não é um ser estranho. É ele “um de nós” que está dominado pelo pensamento primitivo maniqueísta, que tem fortes desejos narcisistas, que está socialmente isolado, que tem acesso a armas e que mentalmente está preso na bolha de um movimento discriminador, xenofóbico, excludente. O problema é como detectar essas pessoas antes de cometerem o hediondo ato criminoso.


Sugiro a leitura do artigo: “Understanding the Motivations of ‘Lone Wolf’ Terrorists: The ‘Bathtub’ Model”, Perspectives on Terrorism Vol. 15, No. 2, April 2021.
Este artigo de Boaz Ganor baseia-se em extensos estudos realizados sobre as motivações dos “lobos solitários” pelo Instituto Internacional de Contraterrorismo (ICT) com sede em Herzliya, Israel. Busca contribuir com a literatura sobre o tema propondo um novo modelo. O “Modelo da Banheira” sugere que o processo de formação da decisão do “lobo solitário” de perpetrar um ataque pode ser semelhante a um recipiente de água (como uma banheira), que seria preenchido por várias fontes de água, cada uma representando grupos e subgrupos de motivações. O limite superior do modelo “banheira” representa, portanto, o nível máximo da capacidade do “lobo solitário” de conter suas motivações, frustrações e emoções.

Autor: Jorge Alberto Salton

Em Defesa da Palavra

“Em Defesa da Palavra”, do autor Eduardo Galeano, é aquele tipo de texto que você quer mostrar para todo mundo.

Conheci esta sua instigante reflexão nos anos 1990, por intermédio de uma professora de Literatura no Ensino Médio, numa escola estadual de Santo Ângelo, RS. Este texto marcou-me profundamente, a tal ponto que o retomo agora, ao ser acolhido como membro efetivo da Academia Passo-fundense de Letras, pois o considero um tratado sobre a necessidade da autenticidade da escrita e da literatura.

Gosto muito de um outro texto, um conto do autor, cujo título é “O mundo”. Não canso de repeti-lo e recontá-lo, pois tem um jeito especial de fazer todo mundo entender as diferenças entre os humanos.

Assista (na voz de Eduardo Galeano):https://youtu.be/pi0LhCR_aQs?t=68

Segue o texto “Em defesa da palavra”, do autor Eduardo Galeano.

***

Nas longas noites de insônia e nos dias de desânimo, aparece uma mosca que fica zumbindo na nossa cabeça: “Vale a pena escrever? Será que as palavras sobreviverão em meio aos adeuses e aos crimes? Tem sentido esta profissão que escolhemos, ou pela qual fomos escolhidos?

As pessoas escrevem a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os outros para denunciar aquilo que perturba e compartilhar o que traz alegria. As pessoas escrevem contra sua própria solidão e a solidão dos demais, porque supõem que a literatura transmite conhecimentos, age sobre a linguagem e a conduta de quem a recebe, e nos ajuda a conhecer melhor, para nos salvar juntos.

Na realidade, escrevemos para pessoas com cuja sorte ou má sorte nos sentimos identificados: os que comem mal, que dormem pouco, rebeldes e humilhados desta terra; que em geral nem sabem ler. Dentre a minoria alfabetizada, quantas dispõem de dinheiro para comprar livros?

Que bela tarefa de anunciar o mundo dos justos e dos livres! Que função mais digna, essa de dizer não ao sistema da fome e das cadeias visíveis ou invisíveis! Mas os limites estão a quantos metros de nós? Até onde os donos do poder nos dão permissão de ir?

Escrevemos para despistar a morte e destruir os fantasmas que nos afligem, por dentro; mas aquilo que escrevemos só pode ser útil quando coincide, de alguma maneira, com a necessidade coletiva à conquista da identidade.

Ao dizer “Sou assim” e assim me oferecer, avalio que eu gostaria, como escritor, poder ajudar muitas pessoas a tomar consciência do que são. Enquanto instrumento de revelação da identidade coletiva, a arte deveria ser considerada matéria de primeira necessidade e não artigo de luxo.

A obra nasce da consciência ferida do escritor e projeta-se ao mundo. Então, o ato de criação é um ato de solidariedade.

Acredito no meu ofício. Creio no meu instrumento. Nunca pude entender por que escrevem esses escritores que vivem dizendo, tão cheios de si, que escrever não tem sentido num mundo onde as pessoas morrem de fome. Também jamais consegui entender os que convertem a palavra em alvo de fúrias ou um objeto de fetichismo. A palavra é uma arma que pode ser bem ou mal usada: a culpa do crime nunca é da faca.

Creio que a função primordial da literatura atual consiste em resgatar a palavra, que foi usada e abusada com impunidade e frequência, para impedir ou atraiçoar a comunicação.

“Liberdade” é, no meu país, o nome de uma cadeia para presos políticos; chama-se “Democracia” a vários regimes de terror; a palavra “amor” define a relação do homem com seu automóvel; por revolução entende-se aquilo que um novo detergente pode fazer na sua cozinha; “glória” é o que um sabonete de certa marca produz; “felicidade” é a sensação que se tem ao comer salsichas. “País em paz” significa em muitos lugares da América Latina, “cemitério em ordem”; e onde se diz “homem são” deveria ler-se muitas vezes “homem impotente”.

Ao escrever, é possível oferecer o testemunho do nosso tempo e da nossa gente, para agora e para depois, apesar da perseguição e da censura. Pode-se escrever como que dizendo, de certa maneira: “Estamos aqui, aqui estivemos; somos assim, assim fomos”.

Na América Latina, lentamente vai tomando força e forma uma literatura que não ajuda os demais a dormir; antes, tira-lhes o sono; que não se propõe enterrar os nossos mortos; antes que perpetuá-los; que se nega a limpar as cinzas mas, em troca, procura acender o fogo.

Essa literatura continua e enriquece uma formidável tradição de palavras que lutam. Se é melhor como cremos a esperança à nostalgia, talvez esta literatura nascente possa chegar a merecer a beleza das forças sociais, que mudarão radicalmente o curso da nossa história, mais cedo ou mais tarde, por bem ou por mal. E, quem sabe, ajude a guardar, para os jovens que virão, “o verdadeiro nome de cada coisa” – como dizia o poeta.

Autor: Eduardo Galeano (1940 – 2015). Escritor uruguaio, autor de “As veias abertas da América Latina”.
Do livro “Crónicas 1963-1988”.

Imortalidade é das palavras

“Em realidade, a gente escreve para as pessoas com cuja sorte ou má sorte se sente identificado: os que comem mal, os que dormem pouco, os rebeldes e humilhados desta terra: que em geral nem sabem ler”. (Eduardo Galeano. Em defesa da palavra)

Desejo tornar público pequeno texto que escrevi para externar minha motivação pessoal para integrar a Academia Passo-Fundense de Letras. Este texto foi apresentado, junto com outros documentos, na minha inscrição para me tornar membro efetivo da APL (Academia Passo-Fundense de Letras) que, neste ano de 2023, completa seus 85 anos de existência.

“A escrita perpassa a minha história e biografia pessoal e profissional. Desde cedo, ainda nos anos finais do Ensino Fundamental, encontrei na escrita uma forma de me “tornar bonito aos outros”, como ensinara Rubem Alves. Acontece que, por sofrer de gagueira, compensava formas de valorizar minha importância na sala de aula, através de leituras e de iniciativas de escrita.

No Ensino Fundamental, a leitura foi um grande laboratório para a imaginação, criatividade e vontade de expressar ideias e sentimentos, que foram se aperfeiçoando ao longo da vida. No Ensino Médio, a leitura restringiu-se a livros e literatura de autoajuda, livros de psicologia e outros leituras que complementavam o vazio existencial de uma alma que se descobria jovem. Na escola, muita teoria sobre literatura e pouco estímulo ao prazer e gosto pela leitura.

No Ensino Superior, já em Passo Fundo, continuei escrevendo, descobrindo potencialidades e aperfeiçoando reflexões através dos estudos filosóficos. Foi um momento rico e desafiador, sobretudo ao despertar também para as dimensões poéticas da escrita (a descoberta da poesia).

Desde então, há 25 anos, dedico-me à escrita de crônicas. Já publiquei em diferentes periódicos como jornais, revistas impressas, revistas especializadas de educação. Sempre busquei espaços para publicação, infelizmente restritos àqueles e àquelas que se fazem escritores, nos interstícios da vida, do tempo disponível e das atividades do cotidiano.

Em dezembro de 2014, lancei primeiro livro: “Conviver, educar e participar: nos palcos da vida”, onde selecionei mais de 80 crônicas já publicadas em revistas, jornais e outros periódicos.

Ainda no mesmo mês, passamos a editar site www.neipies.com Nasceu daí um movimento que visa o engajamento e fortalecimento da escrita desde Passo Fundo, ao agregar outras pessoas que, regularmente, escrevem e publicam. Hoje, mais de 70 pessoas, a quem denominamos Convidados, se agregaram nesta iniciativa (alguns daqui e outros de fora de Passo Fundo). Temos especial atenção a novos escritores e novas escritoras, que passam a contar com este espaço de escrita e divulgação de suas produções literárias.

Mais recentemente, também me envolvi por sete anos, na organização e promoção do Projeto “Bandinho de Letras”, vinculado à UPF (Universidade de Passo Fundo)/Mundo da Leitura.

Em 2017, protagonizei a criação de uma Comunidade no Faceboock denominada “Cultura local em Passo Fundo”, que conta com mais de 160 membros, maioria deles envolvidos na defesa da cultura local e na produção literária.

Participo, ainda, de uma Sociedade Literária, denominada Sociedade dos Poetas Vivos, com atuação em nossa cidade. Esta sociedade reúne escritores locais que, coletivamente, promovem a leitura e a literatura, bem como editam livros a partir de contribuições de seus membros.  Em livro O monstro e a flor, participo com a publicação de uma crônica Um palco e uma passagem.

Como se pode constatar, há um crescente envolvimento e engajamento meu em prol da leitura, escrita e literatura desde a cidade de Passo Fundo.

Minha motivação para participar da Academia Passo-Fundense de Letras intenciona fortalecer todos os esforços e iniciativas que promovam verdadeiramente a escrita, a leitura e a produção de literatura desde a nossa querida e amada Passo Fundo. Queremos ajudar a construir uma cidade que valorize e reconheça as histórias e as contribuições de todas as pessoas que, indistintamente, a seu modo, fazem deste lugar um espaço de boa convivência, de reconhecimento dos seus feitos e histórias e que necessitam de reconhecimento social”.

Posse de novos membros da Academia Passo-Fundense de Letras

A Academia Passo-Fundense empossará seis novos membros em evento que ocorrerá no dia 24 de março de 2023. Segue registro de acolhimento aos novos membros. (Arquivo APL)

Autor: Nei Alberto Pies

O que significa ter uma vida bem-sucedida?

Destruímos aquilo que não nos pertence e temos dificuldade de compreender: nossa própria existência, pois realizamos uma enorme confusão entre viver, sobreviver, ter êxito e ter uma vida boa.

A pergunta que dá o título deste escrito pode parecer óbvia demais num tempo em que, frequentemente, vemos estampado nos jornais, nas revistas de grande circulação, nos noticiários, nos reality shows, nas diversas mídias o realce a certas personalidades consideradas pessoas bem-sucedidas.

Seja no mundo empresarial, da moda, no meio artístico, no âmbito político ou científico, tais pessoas são exaltadas por terem tido sucesso financeiro, por serem famosas, por obterem “reconhecimento” do público, por ganharem uma competição ou eleição ou, ainda, por terem descoberto algo inédito.

Neste contexto, ter uma vida bem-sucedida é confundida como sinônimo de “êxito social”. Lamentavelmente, essa confusão faz com que o “imperativo do êxito” seja posto como projeto de vida. Para muitos, ter um minuto de fama, ter nas mãos o poder, ganhar muito dinheiro, ser idolatrado, conquistar um título, ser visto nos jornais ou na mídia está acima de qualquer outro objetivo de vida.

O estilo de vida contemporâneo ficou tão ofuscado com essa estreita concepção de sucesso que perdeu o horizonte da própria existência humana. Os holofotes do êxito produziram a banalização e a “barbarização” da vida: em nome do sucesso jovens modelos são capazes de sacrificar a saúde, submetendo-se as terríveis dietas para ter um “um corpo ideal”; em vista do lucro empresários são capazes de submeter centenas ou até milhares de trabalhadores em condições precárias de trabalho com salários aviltados; em vista do poder candidatos são capazes de fazer de tudo para ganhar eleições (comprar votos, fazer acordos suspeitos, articular alianças absurdas, renegar princípios, enterrar a ética etc); atletas são capazes de se submeter as mais perversas técnicas de exaustão do corpo para conquistar um título inédito; em vista do enriquecimento, traficantes são capazes de ceifar milhares de vidas colocando nas mãos de adolescentes e jovens os instrumentos da auto-destruição.

Será que ainda sabemos o que significa uma vida bem-sucedida? 

Alguém pode dizer que tem uma vida bem-sucedida quando seu “êxito individual” é diretamente responsável direto ou indiretamente pela eliminação ou destruição de outros?

Alguém pode sentir orgulho de ter vencido uma eleição e se sentir o “legítimo representante do povo” quando os votos foram comprados ou está comprometido com grupos suspeitos que financiaram sua eleição ou mesmo por meio de fakes news?

Se olharmos com atenção os acontecimentos que nos rodeiam, chegamos à conclusão que o curso do mundo nos escapa. Na expressão do filósofo francês Luc Ferry, o mundo parece, por assim dizer, um giroscópio que deve simplesmente girar para não cair, independentemente de qualquer projeto.

Induzidos mecanicamente, jogados numa rotina frenética, acelerada, dinâmica, exigente, mas sobretudo fora de qualquer finalidade visível, somos limitados a conquistar escassas migalhas que sobram duma lógica perversa que se autodestrói. Por isso, nosso tempo é marcado pelo desejo inautêntico do consumo onde “ter uma vida bem-sucedida” significa, para muitos, poder consumir tudo aquilo que está a nossa frente. E assim, destruímos aquilo que não nos pertence e temos dificuldade de compreender: nossa própria existência, pois realizamos uma enorme confusão entre viver, sobreviver, ter êxito e ter uma vida boa.

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Projeto Moinhos – Literatura em Movimento

No próximo dia 09 de março, em uma quinta-feira, terá início na cidade que leva o título de Capital Nacional da Literatura, um projeto inovador, descentralizado e com foco em literatura, trata-se do Projeto Moinhos – Literatura em Movimento, uma inciativa da editora e produtora cultural Projetos Sorrisos (https://instagram.com/projetossorrisos?igshid=NmE0MzVhZDY= ).

O Projeto Moinhos: Literatura em Movimento, é um projeto híbrido de natureza descentralizada, itinerante, democrática, de incentivo à produção literária e à leitura, projeto que conta com 32 profissionais gaúchos ou residentes no Rio Grande do Sul, profissionais experientes, envolvidos com literatura em seus vários desdobramentos, entre eles: autores, editores, ilustradores e contadores de histórias.

Idealizado pela escritora, contadora de histórias e produtora cultural Luciana Marinho Albrecht em 2018, o Moinhos teve seu projeto piloto em parceria com a Sociedade dos Poetas Vivos de Passo Fundo em 2020, uma ideia que evoluiu e concorreu no edital estadual PRÓ-CULTURA FAC Publicações da Secretaria de Estado da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, sendo contemplado em 2022.

O Moinhos conta com a coordenação de núcleo artístico do professor e escritor Aleixo da Rosa e coordenação de redes sociais e meios digitais da arquiteta e escritora Stefani Pinheiro Paludo e a coordenação geral de Luciana Marinho Albrecht.

O projeto foi planejado para acontecer em 03 períodos do ano de 2023, na nona região funcional do Rio Grande do Sul, mais especificamente na cidade de Passo Fundo/RS.

As três edições do projeto acontecerão em locais diversos, físicos e virtuais, fechados e a céu aberto, de fácil acesso à população, como livrarias, o teatro municipal Múcio de Castro, o auditório da Academia Passo-Fundense de Letras, praças e também na internet através das redes sociais e plataforma Youtube. Os locais onde acontecerão as intervenções presenciais têm forte relação histórica e cultural com a cidade de Passo Fundo.

O projeto ainda prevê a distribuição de 200 obras literárias para as escolas públicas, ongs e demais participantes dos eventos.

Como a própria autora do projeto se refere a ele, “o Projeto Moinhos será uma explosão de literatura na cidade, é a literatura viva e circulante”.

Para saber mais sobre o Moinhos e acompanhar a vasta programação e as datas dos eventos confira as redes sociais oficiais do projeto:

Facebook: https://www.facebook.com/projetomoinhos?mibextid=ZbWKwL

Instagram: https://instagram.com/projeto_moinhos?igshid=NmE0MzVhZDY=

Youtube: https://youtube.com/@moinhosliteraturaemmovimento

Como se descasca uma laranja? Qual a utilidade da religião?

A vida nos dá várias “laranjas” para serem descascadas. A religião pode nos ajudar a “descascá-las”.

Com essas perguntas iniciei, uma das primeiras aulas de Ensino Religioso com uma turma de Sétimo Ano do Ensino Fundamental em uma escola pública da rede municipal de Passo Fundo, RS.

Para conectar as duas questões e encontrar as respostas, contei aos alunos a história que resumo a seguir.

“Quando eu tinha 17 anos, minha família foi, por um tempo, dona de um bar, em Getúlio Vargas.

Certa tarde entrou no estabelecimento um senhor humilde e eu o olhei “de cima a baixo”.

Meu irmão mais velho, naquela época, tocava violão, e nosso ritmo preferido era rock.

O homem elogiou o talento do meu irmão ao violão e pediu que ele tocasse algumas músicas sertanejas, ao que eu respondi, com desprezo:

— Ele não toca essas porcarias!

O senhor, visivelmente, se sentiu humilhado.

Não muito tempo depois, o bar faliu. Tive que procurar um emprego, qualquer emprego, meu primeiro emprego, para contribuir com a renda familiar.

A única vaga que consegui foi em um curtume, na pior parte possível da produção: eu deveria tirar o couro dos carroções, um por um, centenas e centenas de couros, e estendê-los em uma esteira para iniciar a secagem.

Adivinhe quem era meu companheiro de trabalho? Aquele senhor que, um tempo antes, eu havia humilhado. E, ao contrário do que eu podia esperar, ele me tratou muito bem. Lembrava-se de mim e me deu dicas de como fazer o trabalho da melhor maneira possível, tudo de forma amável, altruísta.

Na metade da manhã, soou o sinal do intervalo. Quinze minutos. O lugar era frio e fétido. Um gigantesco porão. Eu estava com dor nos braços e nas costas, com frio e com fome. Mas o pior, mesmo, era o quanto eu me sentia desamparado, desenganado, humilhado.

Como eu não tinha levado merenda, tive que me contentar com algumas laranjas que o senhor humilde me ofereceu. Comecei, com uma faca de serrinha, sofregamente, a descascar uma das laranjas.

As mãos, geladas, tremiam. O fio da faca também não ajudava.

— Não é assim que se descasca uma laranja — disse meu colega, sorrindo. Tomou a laranja das minhas mãos e tirou, do bolso da calça, um canivete.

Ao invés de descascar a laranja como eu tentei fazer e, suponho, a maioria de nós faz — rodeando a fruta com a faca —, ele cortou a laranja ao meio e, em seguida, cortou cada metade também ao meio.

Forçando, então, as extremidades de um dos pedaços, tirou a casca do gomo inteiro, sem esforço.

— Assim se descasca uma laranja — sorriu mais uma vez e me alcançou os pedaços da fruta”.

Hoje, aos 35 anos, sei que naquele dia comecei a aprender duas coisas:

1) não humilhe os outros; a vida dá voltas;

2) seja humilde — e humildade, aqui, não significa se humilhar, mas ter disposição para aprender.

Afinal, podemos aprender algo em quase qualquer circunstância. A sabedoria, mais que um lugar, é um estado de espírito.

Obviamente, não aprendi, de todo, as lições citadas acima. Longe disso! Mas sigo tentando…

Nas próximas aulas, apresentarei aos educandos quatro histórias de tradições religiosas distintas, todas com um mesmo tema: humildade.

A ideia é apontar a conexão entre vida e ensinamentos religiosos, mostrando que a Religião pode ser muito útil à vida de todos. Mostrando que a Religião não é uma coletânea de histórias antigas, mas sim a reprodução de coisas que nos acontecem todos os dias e que podemos perceber e aprender com isso, desde que tenhamos olhos para ver.

A vida nos dá várias “laranjas” para serem descascadas. A religião pode nos ajudar a “descascá-las”.

O Componente Curricular Ensino Religioso só tem sentido quando tem foco no amor e no respeito às diferenças de pensamento e de fé.

Autor: Aleixo da Rosa

Bancada evangélica repudia escola de samba por desfile contra a intolerância religiosa

Quem realmente atacou a fé cristã não foi a Gaviões da Fiel, mas os que a usam para disseminar ódio e violência contra segmentos já discriminados em nossa sociedade.

A Frente Parlamentar Evangélica veio à público para repudiar o desfile da Escola de Samba Gaviões da Fiel, de São Paulo, que trouxe como enredo “Em nome do Pai, dos Filhos, dos Espíritos e dos Santos”. A Frente divulgou uma nota em que afirma que a doutrina da Trindade teria sido deturpada, e, por conseguinte, desrespeitada.

Ainda segundo Eli Borges, líder da bancada evangélica, “Não se compara Cristo e Oxalá, divindade das religiões de matriz africana, em hipótese alguma.”

Interessante notar a incoerência deste discurso. Não se pode comparar Cristo a Oxalá, principal Orixá cultuado em religiões de matriz africana. Mas pode-se afirmar que Exu é o próprio diabo.

Na mitologia iorubá, Oxalá é o responsável pela criação do mundo, o mesmo que se diz de Cristo, o Logos Divino. Portanto, ao relacionar Cristo a Oxalá, os fiéis destas religiões demonstram um grande apreço por Ele. Mas ao relacionar Exu ao diabo, os evangélicos demonstram enorme desrespeito às crenças de matriz africana.

Para crentes fundamentalistas, o dogma vale muito mais que os ensinamentos de Jesus. Se o samba-enredo expressasse de maneira rigorosa o dogma cristão da Trindade, mas estimulasse a intolerância, o proselitismo antiético, e a demonização de outros cultos, certamente eles se sentiriam representados e talvez até emitissem nota elogiando o desfile.

Enquanto focam a imprecisão do dogma expressado no título do enredo, deixam passar a mensagem absolutamente cristã, em plena sintonia com o que Jesus ensinou.

Repare nesses trechos da letra:

“Do Pai maior aprender a lição

Tirar as angústias do nosso caminho

Pra ajudar seu irmão a carregar sua cruz

Na força da fé, nunca estou sozinho

Enfim a nossa terra prometida

Na paz eu vi o povo se amar

Nessa terra que é de amém e de axé

O mar se abriu, testemunhou

Um novo dia enfim clareou

E lá no céu essa luz que ilumina

Uma lágrima divina por Seu filho a derramar.”

Infelizmente, preferimos focar naquilo de que divergimos, e não nos pontos de convergência.

A Bancada Evangélica, no comunicado, ainda ignora o sincretismo religioso presente em inúmeras crenças no Brasil e afirma que “não se pode comparar comparar Cristo e Oxalá, “em hipótese alguma”, como se coubesse a esses políticos determinarem o que é correto ou não em matéria de fé.

Será que os membros desta bancada sabem que por onde o cristianismo passou, ele assimilou e adaptou parte das crenças locais? Até a celebração do Natal é fruto do sincretismo religioso!

Quando o centurião responsável pela crucificação de Jesus exclamou “Verdadeiramente ele é o Filho de Deus”, ele não se referiu a Iavé, como Deus se fez conhecido entre os judeus, mas a Theos (de onde vem o termo “teologia”). Era assim que os romanos se referiam a Júpiter, e os gregos a Zeus, ambos chamados “Deus dos deuses”. Será que Paulo foi sincrético ao dizer aos atenienses que lhes anunciava o “Deus desconhecido” para o qual haviam erigido um altar?

O mesmo líder da bancada evangélica, Eli Borges, que atacou a Gaviões da Fiel, saiu em defesa do pastor norte-americano que disse durante um congresso de jovens evangélicos que haveria um lugar reservado para gays, trans e bissexuais no inferno. Segundo o deputado, a constituição lhe garante que, com a Bíblia na mão, ele teria a liberdade de dizer o que disse.

Quem realmente atacou a fé cristã não foi a Gaviões da Fiel, mas os que a usam para disseminar ódio e violência contra segmentos já discriminados em nossa sociedade.

Atacar o evangelho não é questionar seus dogmas ou expressá-los de maneira imprecisa, mas corroer os ensinamentos de Jesus, transformando sua mensagem de amor e solidariedade numa verdadeira guerra santa contra tudo e todos que ousem divergir dos dogmas, da moral e dos costumes impostos pela igreja.

Autor: Hermes C. Fernandes

Forçando aprovações

O que adianta cumprir formalmente a escolaridade e não se encontrar preparado em sua essência para o vestibular, ENEM e mesmo vida profissional? Não é um incentivo ao analfabetismo funcional?

A complacência não ensina nada.

Sem rigor, sem disciplina, o aluno estará fingindo que passou de ano.

Você gostaria que seu filho tivesse uma aprovação sem mérito?

Contesto com veemência à portaria 305/2022 da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul (Seduc), que altera as formas de avaliação dos estudantes da rede estadual de ensino. Publicada em 30 de dezembro, permite que os alunos que não tiveram frequência mínima de 75% das aulas possam fazer uma prova final e, caso alcancem a média 5, sejam aprovados.

É um encorajamento descarado para gazetear as aulas, um tributo à inadimplência.

Não compreendo como a criança e o adolescente serão capazes de evoluir mantendo-se ausentes da escola.

É um novo sistema de aprendizagem por telepatia? Quem sabe não transformamos o nosso ensino presencial em curso por correspondência? Não seria mais honesto?

Porque estaremos invalidando as conquistas do saber em prol das facilidades da obtenção de grau para os estudantes do 3º ao 9º ano do Ensino Fundamental e de todo o Ensino Médio. A portaria 305/2022 põe por terra os requisitos mínimos da avaliação, antes estabelecidos em frequência igual ou superior a 75% do total da carga horária e média anual igual ou superior a 6.

O que adianta cumprir formalmente a escolaridade e não se encontrar preparado em sua essência para o vestibular, ENEM e mesmo vida profissional? Não é um incentivo ao analfabetismo funcional?

Já não bastam as lacunas e sequelas de conteúdo herdadas da epidemia da COVID-19 no último biênio, com transmissões online absolutamente irregulares?

A decisão vai contra a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e apenas transmite a primeira impressão de maquiagem de estatísticas pelo Governo do Estado, que não me parece preocupado com a qualidade do ensino, porém em manter índices para futuras avaliações positivas do mandato.

Isso que os nossos números nem são promissores, talvez seja o medo de que eles se tornem ainda piores e evidenciem uma calamidade.

De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2021, o Rio Grande do Sul ficou com 5,9 nos anos iniciais do ensino fundamental da rede estadual, em posição de igualdade com a média nacional. Nos anos finais, foi avaliado em 5,0, também em conformidade com a média brasileira. No ensino médio, o estado se mostra estacionado com sofrível 4,1, praticamente igual ao índice de 2019 (4,0) e pouco acima da média nacional (3,9).

Mesmo sob a égide de “Estudos de Recuperação”, bem temos a consciência de que não há como reaver no ano seguinte as habilidades e competências previstas no ano anterior.

É um funil impiedoso do currículo que não oferece tempo para resgatar deficiências retardatárias individuais no atendimento coletivo da turma, até porque cada matriculado precisa ter assimilado uma base para acompanhar desafios cada vez mais complexos. É como querer começar um game a partir da sua fase mais avançada, não entendendo as suas regras de sobrevivência.

A medida pode até inibir a evasão escolar, entretanto, criará um problema mais sério lá adiante, autorizando a precariedade da formação.

Autor: Fabrício Carpinejar

Coluna publicada no jornal Zero Hora, GZH, Última página, Porto Alegre (RS), 20/2/2023.

https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2023/02/forcando-aprovacoes-clebu5tp70053017lhmusti01.html?

Bandolins: uma nova história para ler e contar

Este livro da autora Luciana Marinho Albrecht tem compromisso com a ludicidade, com o respeito às diferenças e ao intelecto infantil.

“Gosto de pensar que sou uma simples sonhadora que pensa em plantar sonhos pelo mundo como se plantam flores em um jardim. Mas, o que sou mesmo é alguém que inventa as próprias histórias – escritas ou faladas- brincando com palavras, na tentativa de que o tempo passe na medida certa para trabalhar, amar, estudar e ouvir belas melodias por aí.

Antes de Bandolins, eu escrevi outros dois livros para crianças: A estrela Pequenina e O Procura Encrenca. Também escrevi o livro Confidências da Noite, poemas, sonhos e delírios para “gente grande”. Será que você já leu?”.

É assim que a autora Luciana Marinho Albrecht se apresenta no novo livro que lançou no dia 10 de fevereiro na Delta Livraria & Papelaria do Passo Fundo Shopping. Foi um momento muito rico, prestigiado por amigos escritores e escritoras, professores e professoras, como também por familiares e amigos.

Segue um pequeno spoiler desta bela história que merece ser lida e contada:

Cadu e o Velho são mesmo muito diferentes. Mesmo assim, acabam por formar um laço inusitado de afeto que atravessa o tempo e a rotina do dia a dia. O que será que os une?

Bandolins… Uma história sobre arte, amizade e tempo.

*Este livro leva o selo Projetos Sorrisos Infâncias: um compromisso com a ludicidade, com o respeito às diferenças e ao intelecto infantil. Este livro foi produzido a partir dos recursos do Sexto Funcultura Passo Fundo (RS), edição 2021, e é parte integrante do Projeto Bandolins – uma história, várias linguagens.

Contatos com autora para levar esta e outras histórias para sua escola ou instituição: projetossorrisos@gmail.com

Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação

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