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Nutrição e atividade física

Dicas para passar o verão em boa forma,
equilibrando alimentação, exercícios físicos
e integração com a natureza.

 

Verão chegando, corpos mais expostos. É natural que todos queiram estar em dia com sua boa forma.

Dúvidas são sempre frequentes sobre o que comer para manter a massa muscular bem definida.

Primeiramente, é importante conhecer seu organismo, como funciona e o que ele precisa. Para as funções fisiológicas, nosso corpo utiliza como principal nutriente: a glicose, que fornece energia para cérebro, músculos e ativa o metabolismo das gorduras quando consumido de forma correta.

Um dos problemas em que as pessoas mais erram na hora de se alimentar é não equilibrar nutrientes, gasto calórico e otimização de resultados.

Uma dúvida muito frequente entre as pessoas que praticam atividades físicas é: o que devo comer antes o exercício físico? A resposta depende, principalmente, do intervalo entre a refeição e o treino.

Para atividades e resistência como corrida, ciclismo, natação é indicado consumir carboidratos com alto índice glicêmico, 30 minutos antes de começar o treino. Isso porque esses alimentos fornecem energia de forma mais rápida para o organismo.

Alguns exemplos:

  • pão ou tapioca com melado;
  • frutas secas, – picolé ou suco de frutas;
  • banana em rodelas com mel.

Para atividades de força como musculação, o ideal é investir nos carboidratos com baixo nível glicêmico, que tem ação mais lenta no organismo para liberar a glicose necessária e dar energia durante a atividade, incluindo também alguma fonte de proteína, sempre com baixo teor de gordura.

Pode-se considerar:

  • pão integral e queijo branco ou pão integral com patê de atum e cenoura;
  • vitamina de frutas com leite, os leites vegetais como os de amêndoa, aveia e soja também podem ser usados;
  • granola e iogurte com baixo teor de gordura;
  • peito de frango e arroz integral com brócolis;
  • ovos e batata-doce.

No período próximo ao treino, evite alimentos ricos em gorduras, para que a glicose seja liberada rapidamente e jamais faça uma atividade física se estiver a mais de 3 horas sem comer.

Durante o treino, ocorre desgaste das fibras musculares e redução das reservas energéticas e de água. Por essa razão, comer depois da atividade é fundamental para recuperar o organismo. O ideal é caprichar na salada, que deve ser temperada com azeite, limão, ervas e pouco sal. Escolha o arroz integral, uma carne magra (frango ou peixe), feijão ou outra leguminosa, como ervilha, grão-de-bico, etc.

Cuidado com o excesso de proteínas, isso poderá influenciar de forma negativa seus objetivos, pois quando há excesso de proteína o resultado é síntese de gordura. Não descuide da ingestão de água, pois indivíduo hidratado tem melhores resultados om o treino.

Cada pessoa tem sua individualidade e isso deve ser levado em consideração na hora do seu planejamento de treino e alimentar.

Jureci Machado já publicou outros quatro artigos sobre alimentação, qualidade de vida e nutrição no site. Confira os demais artigos, todos bem lidos e apreciados. No mês de novembro, seu trabalho também foi destaque na revista Contato Vip (http://www.contatovip.com.br/)

Alimentação no tratamento da ansiedade

 

Quanto vale uma mulher? | Radis

Um dos cinco países que mais matam por desigualdade de gênero,
Brasil ainda engatinha na proteção das mulheres.

A cada dia, 13 mulheres são mortas de forma violenta no Brasil — ou uma a cada duas horas. Grande parte dessas mortes, comumente tipificadas como homicídios, devem ser enquadradas em uma categoria específica, a do feminicídio. É o que afirma a juíza Adriana Mello, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que participou de debate promovido pelo Centro de Estudos Estratégicos (CEE) da Fiocruz na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), em 18 de setembro. “A nomeação ‘feminicídio’ dá corpo ao fenômeno de se assassinar mulheres em contextos marcados pela desigualdade de gênero; torna-o visível e concreto”, diz ela, lembrando que aquilo que não se nomeia, não existe.

A tipificação só passou a valer em 2015, com a aprovação da Lei 13.140, que alterou o Código Penal para incluir o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio. A norma também incorporou os assassinatos motivados pela condição de gênero da vítima no rol dos hediondos, o que aumenta a pena de um terço até a metade da atribuída ao assassino. “Se o feminicídio não existisse como categoria analítica, não se conseguiria coletar dados, implementar políticas públicas”, avalia.

Feminicídio, resume Adriana, é a morte de mulheres pelo simples motivo de serem mulheres — em outras palavras, que tenha sido motivada por sua “condição” de mulher. A partir dessa categorização, se consegue investigar o crime com contornos diferentes das mortes de mulheres seguidas de roubo ou decorrentes da violência urbana, por exemplo. “Antes da edição da lei, esses assassinatos eram citados como crimes passionais, em um contexto que não nos dizia respeito enquanto sociedade”, aponta.

Fenômeno invisível

Um caso emblemático, segundo Adriana, é o de Eliza Samudio, morta em 2010 a mando do então goleiro do Flamengo Bruno Fernandes de Souza — que cumpre sua condenação a 22 anos e 3 meses de prisão. “A imprensa retratou a vítima como ‘a amante’, ‘a dançarina’, em um processo de desqualificação da mulher”, avalia. “Perdeu-se a oportunidade, à época, de se discutir misoginia (ódio ou aversão às mulheres) ou assimetria de poder, de quebrar a invisibilidade desse fenômeno”.

Mais do que episódios isolados, o feminicídio é rotina no país. Em 2016, somente no Rio de Janeiro houve 396 vítimas em 2016, segundo o Dossiê Mulher, levantamento de violência contra a mulher do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, vinculado diretamente à Secretaria de Estado de Segurança Pública. “Na Espanha toda houve 90 casos”, compara Adriana, ressalvando que o Rio não é sequer o estado mais violento para as mulheres. Roraima tem a maior taxa desse tipo de crime: 11,4 mortes de mulheres a cada 100 mil habitantes, em torno de mil mortes por ano. A média brasileira é de 4,4; a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa taxa só é maior em El Salvador, na Colômbia, na Guatemala e na Rússia.

A vulnerabilidade é ainda maior entre negras: a chance de serem assassinadas é duas vezes maior do que a de brancas. O Mapa da Violência de 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), identificou aumento de 54,2% nas mortes de negras e queda de 9,8% nas de brancas, em um período de 10 anos.

No Rio, um dado que chama a atenção é a simbologia associada à morte de mulheres em Paraty, município do litoral sul: “Os corpos são arremessados em praias, como que um ritual para mostrar para aquela sociedade o quanto vale uma mulher”. A juíza encara o feminicídio como um “ato de comunicação”, em que o autor busca transmitir à comunidade a mensagem de subordinação da mulher. Para Adriana, esse crime é, em grande parte, fruto da assimetria de poder nas relações domésticas. Os assassinatos são apenas a ponta do iceberg, enquanto a base é um contexto de violência rotineira.

A barreira da denúncia

Segundo a Organização das Nações Unidas, sete em cada 10 mulheres já sofreram violência por serem mulheres alguma vez na vida. No Rio de Janeiro, 61% das vítimas de agressão indicaram que o crime aconteceu dentro de suas casas, de acordo com o Dossiê Mulher. No estado, 4.013 mulheres sofreram estupro em 2016. Os casos de assédio no transporte coletivo foram 388, com a ressalva de que o número deve ser muito superior, dado o desencorajamento para denunciar. “O que isso representa na saúde? Quais são as consequências físicas e psicológicas?”, questiona a juíza. Grande parte das mulheres que sofrem violência procuram unidades de saúde e é papel dos profissionais orientar sobre as formas de dar fim ao ciclo de sofrimento.

Levantamento do Data Popular com o Instituto Patrícia Galvão indicou que 85% das entrevistadas pensam que quem denuncia violência tem mais risco de ser morta. “E é verdade”, reforça Adriana. A Lei Maria da Penha é conhecida por 100% delas, mas mais de 80% sabem pouco sobre o que ela estabelece.

 

Autor: Bruno Dominguez
Fonte: Radis 

Sílvia Aparecida de Miranda

Ao fazer memória da morte de Sílvia Aparecida de Miranda,
Mulher da Paz brutalmente assassinada em 25 de outubro de 2013,
rendo-me à dor de sua perda há quatro anos e exerço solidariedade.

 

A lacuna da morte de alguém muito próximo da gente como nosso pai, nossa mãe, nosso irmão ou irmã, nosso amigo, amiga, nosso avô ou avó sempre nos remete a um dos mais difíceis aprendizados da vida humana: conviver com a presença ausente.

O desafio que se coloca a todos é reconhecer sentido para a nossa existência, pois a morte de alguém sempre deve nos remeter para a pergunta sobre o tipo de vida e de relações que construímos de forma individual e coletiva.

Cada um de nós carrega de sentido a sua existência através das relações interpessoais pelas quais nos “fazemos gente”.

Professora de Cachoeirinha, RS, cria projeto para discutir violência contra a mulher. Veja mais aqui.

Por mais que tentemos, ninguém consegue sobreviver e, quiçá, ser feliz sozinho. Esta característica da interdependência é também, de certeza, um dos maiores desafios de nossa própria humanização, pois conceber-se integrado e conectado com os outros exige que saibamos lidar com a superação dos próprios egoísmos.

A morte estúpida e prematura de Sílvia Aparecida de Miranda inspirou a produção de um documentário dirigido por Guilherme Cruz, Amanda Scharr, Fabiana Beltrami e Gerson Lopes, premiado pelo 1º Concurso de Curta Documentário sobre a Lei Maria da Penha. O concurso foi promovido pela Câmara de Deputados, Procuradoria Especial da Mulher e Banco Mundial.

A vida comunitária, herança de nossas primeiras e mais primitivas comunidades, permite que vejamos o sentido da vida e da morte de uma pessoa. As comunidades religiosas são, sobretudo, o lugar onde fazemos a memória de nossos mortos, buscando apreender de seus ensinamentos, exemplos e virtudes.

Sílvia Aparecida de Miranda aprendeu e ensinou que a vida vale a pena quando estamos em comunidade. Em seu bairro, era líder comunitária, orientadora espiritual e Mulher da Paz.

Na comunidade somos reconhecidos por nossos feitos e desfeitos. São muito mais felizes aqueles que podem desfrutar durante a vida, e no momento de sua morte, dos valores comunitários. Quem tem uma comunidade e leva uma vida comunitária vive mais feliz e poderá morrer mais feliz ainda.

A comunidade é também o lugar onde damos vazão aos nossos medos, fantasmas e incompreensões, refazendo-nos permanentemente. Por isso mesmo, cada um deve ser reconhecido e tratado com dignidade, pois é a referência de si mesmo (alteridade). A comunidade, por sua vez, é o espaço em que lapidamos o nosso ser pessoal e social, onde ousamos viver a nossa subjetividade, buscando o reconhecimento.

Um dos grandes ensinamentos da amiga e Mulher da Paz Sílvia foi ter-me ensinado que para sobreviver precisamos de muitas poucas coisas, mas que precisamos nos apegar ao que é fundamental: família e comunidade. Ensinou-me ainda, que é preciso amar as crianças, as mulheres e os mais velhos porque estes são os sujeitos da comunidade que mais precisam de nossa ajuda e proteção.

Sílvia comprovou, a si mesmo e aos outros, que sempre é bom e necessário reconciliar-se com os outros para reconciliar-se consigo mesmo. Ensinou-me o quanto uma mãe é capaz de fazer em defesa de uma filha, e de seus filhos. Soube constituir-se sujeito, a partir da comunidade.

Conviver com a presença ausente (de meu querido Pai e de Sílvia Aparecida de Miranda) é deparar-se com os interstícios entre as palavras, as ações, os gestos e os exemplos de nossos entes queridos.

As lembranças se encarregam de recolocar, permanentemente, que cada pessoa tem algo a nos ensinar porque é única, sagrada, genuína. A presença ausente é, também, prova de que a vida se faz na experiência compartilhada, nas memórias e nas histórias de todos os que na comunidade se fazem protagonistas.

Sigamos, pois, acreditando na vida e fortalecendo a luta cotidiana por dias melhores, para homens e para as mulheres. No caso de Sílvia, como dizem as Mulheres da Paz de Passo Fundo, “a saudade passa a ser fermento da esperança e da luta pela vida sem violência”. 

Quadrados de tecido que representam os desejos e também a realidade de suas comunidades. Conheça a colcha de retalhos feita pelo Grupo Mulheres da Paz de Passo Fundo.(Fevereiro 2013)

 

A escola e sua função de educar na superação das violências.
Combate à violência contra a mulher pode virar tema obrigatório nas escolas.

 

Violência contra a mulher afeta a permanência das vítimas em empregos.
Veja mais aqui.

Saber ouvir

Na prática “se colocar no lugar do outro” permite que
você tome conhecimento de algo que vai além da sua percepção.
É se proporcionar entender o outro. Receber o que ele tem a contribuir,
mesmo que baseado na argumentação (e não em juízos de valor)
você tenha que desconsiderar quase tudo depois.

 

Sempre levo comigo um pouquinho de cada entrevistado. A profissão, assim como o diagnóstico da esclerose múltipla e a especialização em ciências sociais, abriu não só a mente, mas também os meus ouvidos. Em tempos que muito se quer falar, ter razão e impor verdades, fazer o exercício de escuta atenta é algo desafiador, mas magnífico e enriquecedor.

(Mesmo que algumas pessoas façam a gente desacreditar disso).

Ouvindo o outro você escuta o que ele disse, ao invés de escutar o que quer ouvir. Você aprende, você entende. Você discute. Tão demonizadas em períodos de bipolaridades políticas e religiosas, as discussões têm um papel fundamental na construção de novos saberes. Na construção de ideias coletivas, na construção de um mundo mais humanamente habitável e socialmente justo.

 

Saber falar, mas também saber ouvir

Setembro foi amarelo e destacamos a importância de ouvir e fazer a diferença na vida de quem tem pensamentos suicidas. Ao ser ouvinte você compartilha com a pessoa aquela vivência e se praticar a escuta de maneira empática, sem dúvidas saberá o mais adequado para falar naquele momento.

Inclusive se o mais adequado for apenas escutar.

 

Escutar faz a diferença

Não só para quem fala, mas para quem escuta. Quem fala divide posicionamentos, o que os argumenta, suas vivências, histórias, momentos felizes e até angústias. Viver nesse mundão capitalista e excludente não é nenhum pouco fácil e dividir deixa a carga mais leve. Talvez até crie laços importantes.

“E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.”

Quando se bate um papo a ideia não é a disputa de quem sabe mais ou quem tem a razão, mas sim a construção do conhecimento. Seja ele para questões pessoais, emocionais, políticas, econômicas ou sociais. Dividir não precisa ser só com os nossos amigos pessoais, pode e deve ser também o feito com pessoas que temos menos contato.

 

Saber ouvir, mas também saber falar

Uma boa discussão, com sustentação de argumentos e de preferência sem ofensas e sarcasmo, resulta no que os filósofos chamam de Princípio da Acomodação Racional, também conhecido como Princípio da Caridade e que foi tratado por nomes como Donald Davidson e Willard Van Orman Quine. Esse princípio diz, basicamente, para tentarmos compreender o ponto de vista do nosso opositor em sua forma mais forte e persuasiva. Somente depois disso teríamos condições de examinar a sua avaliação ou posicionamento.

Você é uma dessas pessoas que está diante de alguém que fala com você, mas não presta atenção ao que ela está dizendo? Ou o contrário, você é a pessoa que fala e não te ouvem?

Na prática “se colocar no lugar do outro” permite que você tome conhecimento de algo que vai além da sua percepção. É se proporcionar entender o outro. Receber o que ele tem a contribuir, mesmo que baseado na argumentação (e não em juízos de valor) você tenha que desconsiderar quase tudo depois.

Mas não nos enganemos: saber ouvir não significa, por exemplo, acreditar nas justificativas (no mínimo) rasas dadas na votação que arquivou as denúncias contra o presidente Michel Temer.

Isso, meus amigos, nem com todo exercício de escuta atenta do mundo é possível encontrar sentido.

Cidade Inteligente, Cidadão Engajado

O grande desafio das cidades, para aderirem a este conceito,
é ao mesmo tempo em que crescem e se desenvolverem economicamente,
melhorando a qualidade de vida de sua população
a partir da eficiência de suas operações.

 

Falar de cidade inteligente, ao contrário do que muitos pensam, não está associado única e exclusivamente à tecnologia. Claro que ela é importante neste conceito, mas apenas como um meio para se chegar ao que mais interessa, o empoderamento e o bem estar do cidadão, algo que vem se tornando cada vez mais difícil com o crescimento exponencial dos centros urbanos.

Atualmente, com esse crescimento das cidades, cerca de 3,5 bilhões de pessoas estão vivendo em apenas 2% da superfície do planeta. Essa concentração provoca grandes problemas de transporte, segurança, meio ambiente, saúde, educação e energia.

Para resolver ou pelo menos minimizar estes problemas, vem surgindo soluções que partem dos grandes players de tecnologia, governantes e até mesmo da própria população. O grande desafio das cidades, para aderirem a este conceito, é ao mesmo tempo em que crescem e se desenvolverem economicamente, melhorando a qualidade de vida de sua população a partir da eficiência de suas operações.

Ao redor do mundo temos vários exemplos de cidades que se planejaram ou se adaptaram para serem inteligentes, como Songdo na Coréia do Sul e Copenhague na Dinamarca, respectivamente.

Songdo foi planejada, construída e já está sendo povoada desde 2011 com a expectativa de contar com mais de 250 mil habitantes até 2020. A tecnologia é a base para Songdo ser classificada pelo Jornal Inglês The Guardian como a primeira cidade inteligente do mundo. Toda a cidade possui sensores que detectam condições do trânsito, fazem a gestão de resíduos e a segurança das pessoas através de uma central de monitoramento. As edificações também são igualmente inteligentes e conectadas com a cidade e tudo isso acontece sem esquecer a sustentabilidade.

No caso de Copenhague, faz jus ao titulo de cidade mais inteligente da Europa concedido pela revista Fast Company. Esse resultado vem principalmente pela redução de emissão de carbono em 21% desde 2005. O sucesso tem a participação da população, visto que a metade utiliza bicicleta para se deslocar ao trabalho. Ao governo coube disponibilizar tecnologia e infraestrutura para viabilizar estes resultados.

No Brasil também temos exemplos de cidades inteligentes. De acordo com a revista exame as capitais São Paulo (SP), Curitiba(PR), Rio de Janeiro(RJ), Belo Horizonte(MG) e Vitória(ES) foram eleitas as cidades mais conectadas e inteligentes do Brasil. Neste estudo foram avaliadas avalia a integração entre mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo e governança em mais de 500 cidades brasileiras, usando 70 indicadores.

Ainda no Brasil, contaremos com a primeira cidade planejada para ser inteligente, a Smart City Laguna(smartcitylaguna.com.br), que deve ficar pronta até o final de 2017. Localizada no município cearense de São Gonçalo do Amarante, no Ceará, contará com produção de energia solar e eólica, ciclovias, monitoramento da qualidade do ar e água, iluminação pública inteligente, WI-FI gratuita para todos os moradores e meios de transportes compartilhados.

Outro conceito também utilizado e buscado para melhorar a qualidade de vida nas cidades é o de cidade educadora. Marcio Tascheto, professor da Universidade de Passo Fundo e Coordenador do Programa UniverCidade Educadora fala da concepção, dos desafios e da importância de construirmos uma cidade educadora.

Apesar de poucas cidades ainda merecerem o “titulo” de cidade inteligente, muitos movimentos são realizados nesta busca. O que podemos destacar é que estas iniciativas devem combinar o planejamento com o envolvimento governamental, de universidades e institutos de pesquisa, da iniciativa privada e principalmente do cidadão, visto que ele é o principal beneficiado com as melhorias geradas.

Texto de Prof. Dr. Roberto dos Santos Rabello, Curso de Computação (ICEG)

Ocupação de vazios urbanos e o conhecimento

As pessoas que apostam na ocupação como
meio para conseguir um local próprio para morar,
questionam as instituições e em especial representam risco
para o poder institucionalizado da especulação imobiliária.

 

A interação e o diálogo com quem vive na margem das diversas instituições e, em especial com habita nas fronteiras da “grande instituição social”, indica o grau de inserção, aderência e a potencialidade transformativa do conhecimento. Nesse diálogo deve estar incluído, o MTST (Movimento de Trabalhadores sem Teto) que se organiza e ocupa terrenos urbanos ociosos, como forma de reivindicar políticas públicas que democratizem o acesso às moradias.

Em São Bernardo, São Paulo, no momento, existe uma ocupação em um vazio urbano com aproximadamente 8 mil famílias.

O município de Passo Fundo, cidade com cerca de 200 mil habitantes localizada no norte do Rio Grande do Sul, possui um lugar privilegiado para contemplar um cenário que representa bem as imensas desigualdades sociais que ainda marcam o país.

Realidade habitacional de Passo Fundo: ausência do poder público e invisibilidade das famílias

As pessoas que apostam na ocupação como meio para conseguir um local próprio para morar, questionam as instituições e em especial representam risco para o poder institucionalizado da especulação imobiliária.

Indivíduos com sensibilidade, incluindo alguns políticos e artistas, apoiam o movimento. Por exemplo, Caetano Veloso tentou fazer um show na ocupação e foi impedido pela “justiça”. Nesse caso cabe, novamente, uma pergunta incomodativa: o judiciário está apoiado em qual conhecimento/ciência e está a serviço de quem?

Alguns cidadãos alimentam a crença e ensinam que as decisões do judiciário estão apoiadas na formalidade jurídica. Outros defendem que o judiciário, apoiado na dimensão formal e institucional, é um dos principais entraves para que a justiça se viabilize na dimensão prática.

Antes do governo Lula, era forte no Brasil um movimento semelhante ao MTST, denominado de MNLP (Movimento Nacional de Luta por Moradia). Em Passo Fundo, RS, este movimento continua tentando chamar a atenção de quem tem a função de direcionar sua instituição para o benefício coletivo, demonstrando que mais de trinta por cento dos habitantes não tem a oportunidade de usufruir de um direito básico que é uma moradia digna. A necessidade não é apenas de um teto ou de um abrigo, mas de viabilizar o direito à cidade.

O direito das pessoas a uma vida digna é negado pela impossibilidade de acessar políticas públicas de saúde, segurança, habitação, saneamento.

Todos têm direito a um lugar próprio para morar. É inaceitável que o conjunto das instituições e o poder público em especial se mantenham em uma postura insensível, diante do drama humano de não ter acesso ao básico para continuar vivendo.

Defensores da propriedade também dizem que, se o Estado ceder um prédio de área nobre ao povo, outros imóveis serão ocupados. O povo é insaciável!

http://https://www.neipies.com/os-lanceiros-e-os-velhacos/

A indiferença, dos comportamentos individuais e institucionais, diante da lógica que prioriza a acumulação de riqueza, desumaniza a sociedade.

Os questionamentos das razões pelas quais o direito habitacional não é uma realidade concreta, mas uma formalidade, merecem atenção, precisam ser debatidos, investigados e explicitados. Nas respostas se inclui a lógica da especulação imobiliária, que oprime a população pobre e insensibiliza quem se mantem alheio, seja por egoísmo ou por ignorância.

Um documentário da UPFTV mostra a situação das pessoas que moram no limite da ferrovia aqui de Passo Fundo. Essa produção é uma parceria com a vice-reitoria de Extensão da UPF e da Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo.

Filhos de fé clamam por respeito

 

Com mais de 65 mil terreiros o Rio Grande do Sul é o Estado onde mais se registra o crescimento destas religiões e apesar de não haver dados concretos sobre Passo Fundo, a estimativa é que existam mais de 200 templos na cidade. Apesar do grande número de adeptos, nos últimos meses a cidade registrou  casos de intolerância religiosa, sendo  dois deles em escolas da rede municipal de ensino.

 

No mês de setembro de 2017, o som de atabaques ressoava no centro de Passo Fundo, num dos seus principais parques, o parque da GARE. No lugar de bombachas e vestidos de prenda, dezenas de pessoas usando roupas brancas e cantando por um mundo com mais paz, amor e respeito.

De acordo com o representante dos Guerreiros do Axé, Baba Akinelé, o objetivo da ação era trazer presente para os passofundenses que as diferenças religiosas devem ser tratadas com respeito. O movimento prestou solidariedade aos casos de intolerância religiosa crescentes no país, com maior destaque no Rio de Janeiro e na Bahia. Akinelé afirmou que apesar de a manifestação ser em solidariedade aos povos de terreiro que estão tendo seus templos invadidos por criminosos no Rio de Janeiro, o cenário em Passo Fundo merece atenção.

“Infelizmente vem crescendo os números de intolerância religiosa no nosso município. É perceptível a intolerância velada e o que mais nos preocupada é quando ela parte do poder público, a intolerância institucionalizada, o preconceito institucionalizado.

Cada vez mais a gente trabalha e luta para mobilizar os povos de terreiro para buscarmos a conscientização no sentido de exigir o nosso direito constitucional e através do poder público dialogar para que se avance em políticas públicas e ações afirmativas em defesa do nosso povo, contra a intolerância religiosa,” disse o babalorixá, que ressaltou a importância de ter uma Coordenadoria de Igualdade Racial ativa no município.

O biólogo Alexandre Giusti é iniciado há pouco tempo na religião. Ficou sabendo da mobilização e foi mesmo sem conhecer muitas das pessoas que estavam ali. Para ele a intolerância pode ser vista em todas as esferas da sociedade brasileira, sendo a religiosa somente mais uma delas.

“Acho triste esse momento que passamos no Brasil. A intolerância é um reflexo do ego nas pessoas. Seja na política, na sexualidade, no relacionamento, no dia a dia… Essa é só mais uma demonstração da competição que vivemos no planeta e um ato destes mostra que não estamos sozinhos”, encerra, lembrando que o respeito é a única maneira de transpassar todas as situações geradas pela falta de conhecimento sobre as crenças do próximo.

Gabriela Alves de Oliveira frequenta a doutrina espírita e não conhecia as religiões de matriz africana. Ela foi surpreendida pela movimentação no espaço público da cidade.

“Eu achei muito legal e me senti muito acolhida. É extremamente visível o amor dessas pessoas, sua união. Dá para ver o amor que eles têm por aquilo que acreditam e eu, que não conhecia, fiquei com vontade de conhecer mais, ”confessa a veterinária. 

 

Intolerância é crime!

O termo intolerância religiosa descreve a falta de habilidade ou a vontade em reconhecer e respeitar diferenças ou crenças religiosas de outras pessoas e isso é considerado crime no Brasil desde janeiro de 1989, quando foi sancionada a Lei Nº 7.716. A punição aos crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, religião, etnia ou nacionalidade.

A pena é reclusão de um a três anos, além de multa. No ano 2007 foi instituído o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, comemorado no dia 21 de janeiro. A data é incluída no Calendário Cívico da União conforme a Lei Nº 11.635.

Para a socióloga representante do Conselho Estadual de Povos de Terreiro Mãe Carmem, a intolerância sempre existiu, mas sempre foi camuflada. Lembrou que em 1912 no episódio que ficou conhecido como “Quebra de Xangô” pais e mães de santo tiveram seus terreiros destruídos e tinham que se esconder para não serem mortos. Intolerância motivada por questões políticas foi o motivo da barbárie que parece se repetir tanto tempo depois.

“Somos de paz e o nosso deus é o mesmo deus que criou as coisas visíveis e invisíveis. Essa perseguição, mais pelas igrejas neopentecostais que estão nos assolando, nos marginalizando, que estão tirando nosso sangue, é simplesmente por uma intolerância religiosa, racial. Um meio de um movimento disseminar o povo negro, já que estão destruindo o lugar onde foi guardada a oralidade dos nossos saberes religiosos.

Estar nesta praça hoje é acima de tudo resistência. Nos colocarmos nos ambientes culturais onde a gente possa mostrar um pouquinho de nós, o que acreditamos, nossos saberes. Queremos mostrar que somos de paz que somos todos iguais independente das nossas crenças” afirma Carmem.

 

Passo Fundo intolerante

Vídeos registrados no Rio de Janeiro e na Bahia por facções criminosas ligadas à igreja pentecostal, em que bandidos aparecem obrigando pais e mães de santo -sob a mira de uma arma- a destruírem seus templos sagrados, repercutiram nas redes sociais.

Mas nem sempre a intolerância é praticada por fanáticos armados. Na maioria das vezes velada, aparece nos olhares, nas atitudes e na maneira como as pessoas agem ao conviverem com alguém que usa as roupas ou elementos da religião.

Em casos que merecem ainda mais atenção, a intolerância também pode aparecer na escola. Não só por parte dos alunos que tenham crença diferente, como por parte dos educadores que não contam com preparo para trabalhar com a diversidade religiosa apresentada em sala de aula.

Sou pela diversidade! A diversidade das culturas, das crenças e das diferentes maneiras de viver e ser pode ter espaço nas escolas públicas de nosso país. Antes tarde que seja tarde, a sociedade precisa definir se o futuro será democrático ou fundamentalista. A religião tem um peso relevante neste contexto em que duelam democracia e fundamentalismo! (Nei Alberto Pies, professor e escritor)

Estado laico, promotor de conhecimento das diferentes religiões

Com mais de 65 mil terreiros o Rio Grande do Sul é o Estado onde mais se registra o crescimento destas religiões e apesar de não haver dados concretos sobre Passo Fundo, a estimativa é que existam mais de 200 templos na cidade. Apesar do grande número de adeptos, nos últimos meses a cidade registrou três casos de intolerância religiosa, sendo dois deles em escolas da rede municipal de ensino.

O integrante do grupo Guerreiros do Axé Ipácio de Bará aponta que a diversidade está dentro da escola e por isso deve ser trabalhada com responsabilidade.

“Isso é muito sério, pois começa a minar o desrespeito dentro do espaço de formação das crianças e isso se reflete no cenário que estamos presenciando: templos sendo invadidos por bandidos, assassinatos de pais e mães de santo, homens bomba do outro lado do mundo… Isso é muito grave! O preconceito adoece quem sofre dele e mais que isso: ele mata. Queremos mais que tolerância, queremos respeito e reconhecimento. Existimos como religiosos e a constituição nos legitima e nos dá o direito de cultuar a nossa fé, ” desabafa o babalorixá.

De acordo com Ipácio já foram tomadas iniciativas e ações que visem coibir casos de intolerância religiosa no município junto à Secretaria Municipal de Educação e a municipalidade.

Matéria publicada no Jornal impresso Rotta, de Passo Fundo, RS.

Pequeno tributo à dignidade

Com uma fala pausada e arrastada típica do seu país,
o velho agradeceu polidamente o título, expressou mais
uma vez seus sonhos de que o mundo possa ser melhor e mais justo.
Saiu como entrou, em um profundo silêncio, levando consigo
seu mundo e sua dignidade. Esse velho era José Saramago.

 

Nestes tempos em que nossos homens públicos adotam a política da tolerância zero em relação aos seus adversários e perdoam-se e si mesmos refestelando-se nos salões das ricas famílias, à mesa de finos talheres e iguarias, protegidos por um exército de advogados, enquanto arruínam os destinos da nossa Nação, faz-se necessário, por uma simples questão de sobrevivência, construir sonhos ou acalentar lembranças.

E com eles e elas render homenagens àqueles que fazem a diferença em um mundo que clama por mudanças.

O que relatarei constitui uma lembrança autônoma, dessas que fustigam continuamente. Inquietou-me pela primeira vez quando, alguns dias após a ocorrência do fato, parei para refletir sobre a qualidade das nossas lideranças públicas, das boas e más características de todos os que, de alguma forma, vivem das palavras e da imagem. Dentre as más, certamente, a vaidade.

Vaidade produtiva ou vaidade destrutiva – Fabio Nemer

Estou falando da lembrança de uma festa, onde em meio à balbúrdia do salão apinhado de homens e mulheres um senhor inicia com passos lentos, acompanhado por seus anfitriões, o caminho que o levará à mesa de honra onde receberá o título de Doutor Honoris Causa. É o quinto título dessa espécie que receberá em terras brasileiras. Seu rosto marcado pela vida carrega um indisfarçável sentimento de cansaço, não um cansaço físico, desses que advém após horas de trabalho ou uma viagem longa, mas sim um cansaço espiritual. Há uma clara falta de sintonia entre este senhor e o mundo de pessoas que o cercam, evidente no desconforto que procura esconder.

Afinal este homem, que não teve a fortuna de beneficiar-se de estudos adiantados, não concluindo sequer o curso ginasial – chamado liceal em seu país -, que tomou contato com os livros através das bibliotecas públicas e que criou-se em uma família pobre em uma aldeia no interior de sua terra, que vagou por uma infinidade de profissões e ofícios para sustentar-se em um mundo que talvez nunca o compreenderá, receberá mais um título cercado de pompas e um assédio sufocante da imprensa por ter conseguido driblar com as palavras o destino traçado pela realidade, afirmando a sua humanidade, os seus sonhos e os seus sentimentos através dos livros.

A cena foi paradoxal, pois em meio às palmas e assovios pesava um profundo silêncio – dois mundos chocando-se de forma constrangedora: de um lado um senhor solitário, um velho de mãos calejadas e olhar cansado, carregando sua história simples, austera, marcada por valores e projetos, lutas e desencontros, terra e suor, por uma humildade inabalável e uma crença na necessidade de reafirmar cotidianamente a cidadania, e de outro uma massa difusa, senhores vestidos com suas togas, cerimônia, formalidades, clichês, discursos solenes e estranhos, pompas e senhoras pintadas e risonhas.

filme-homenagem que busca olhar o mundo pelas lentes desassossegadas de josé saramago. documentário que revive o redemoinho de sensações, palavras e lembranças deixadas em quem o sentiu por perto. um humanista, que usou os microfones de um escritor, para gritar sobre o nosso mundo.

Dizem que as coisas da realidade sensível são nos apresentadas através dos sentimentos. Presenciei tudo tomado de uma estranha tristeza, observando a sociedade frívola, consumista, artificial e deslumbrada daquele final de milênio na Universidade, este reino onde impera a rotina e a bajulação, premiando um filho de agricultores pobres e analfabetos, velho, autodidata e ainda “sujo” dos obstáculos que a vida lhe ofereceu.

Com uma fala pausada e arrastada típica do seu país, o velho agradeceu polidamente o título, expressou mais uma vez seus sonhos de que o mundo possa ser melhor e mais justo. Saiu como entrou, em um profundo silêncio, levando consigo seu mundo e sua dignidade.

Dali, dentro de alguns dias, voltaria para outra ilha, a de Lanzarote nas Canárias espanholas, em autoexílio onde continuou redigindo até 2010 de forma incansável seus textos, semeando suas parábolas e metáforas. Havia cumprido mais uma escala de compromissos desde que ganhara o prêmio máximo da literatura mundial. Agora, em suas palavras, queria ficar só.

Desde então, pego-me, de tempos em tempos, a refletir sobre a concorrida cerimônia e seus significados, sobre o mundo em que vivemos com suas misérias e desencantamentos, a descrença de alguns, a razão cínica de muitos e o sentimento de profunda necessidade de reinventar o futuro para além dos significados que nos movem atualmente.

O velho chama-se José Saramago, era 18 de agosto de 1999, eu tinha 26 anos e estava na terceira fila do Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina.

A fragilidade dos laços na criança do mundo contemporâneo

Sabemos que os laços afetivos nas crianças
ainda estão em fase de construção, mas é para isso e
por isso que chamo a atenção dos pais e professores para que ensinem
às suas crianças a aprenderem a cuidar dos seus sentimentos.

 

Não quero mais ser o seu amigo. E o menino vai embora. E o menino, de repente, esquece do amiguinho que ia à sua casa brincar de trenzinho todos os dias.

Parte-se para novas amizades, esquecido está o amiguinho de outrora. Investe-se em outras diversões como tablets e celulares. Não há mais espaço para o amiguinho.

A fragilidade dos laços na criança do mundo contemporâneo tem crescido nos últimos anos, igual à fragilidade dos laços no mundo dos adultos. As crianças não ficam mais presas a um amigo, animal ou brinquedo. Tudo é trocado por objetos tecnológicos de última geração.

Não sente a criança mais tanta falta da brincadeira na praça, na rua, no campinho de futebol. Tudo passou rápido. Quem viveu essa época sabe do que falo. Era muito bom brincar de esconde-esconde no meio da rua com a iluminação da lua.

A criança não tem mais apego às suas coisas, aos seus animais e aos seus amiguinhos. Tudo é descartável, tudo é líquido, como dizia o sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

O tempo que as crianças ficam longe dos pais não causam mais tanto sofrimento, elas se distraem com os aparelhos celulares cheios de aplicativos de jogos e redes sociais.

Outro dia eu estava numa clínica e vi por duas horas uma criança brincando com o celular enquanto ao seu lado eu lia um livro pouco sem graça, talvez. As nossas crianças já não amam mais seus brinquedos como antigamente, e permitem que esses sejam abandonados ou doados sem o menor sentimento de emoção. As crianças vivem o amor líquido.

Na minha rua tem muitas crianças que brincam nas ruas, que correm ladeiras, que pulam amarelinha e que se jogam no meio de um dia de chuva, mas também percebi nesses meninos e meninas que a fragilidade dos seus laços de amizade tem crescido, pois esquecem uns dos outros rapidamente quando chega um amiguinho novo na rua ou quando chega alguma novidade no bairro o outro é deixado de lado, esquecido, abandonado.

Tudo é descartável. Tudo passa rápido pela infância. As crianças não têm mais tantos amigos, como antigamente. No máximo se tem um amiguinho. E esse só é visto nos fins de semana, nos passeios nos shopping centers, nos parques de diversões ou na escola.

Não quero dizer que as crianças estão deixando de amar, não é isso. Estou querendo alertar pais e professores para o problema da fragilidade dos sentimentos das nossas crianças presas ao mundo da tecnologia e da inovação.

O que é novo sempre nos chama a atenção, ficamos curiosos e admirados com a presença do novo nas nossas vidas, diante disso esquecemos o passado, com quem estávamos antes, com quem brincávamos ontem, esquecemos dos nossos amiguinhos.

Precisamos alimentar os sentimentos das crianças com afeto, com laços duradouros e fortes, com amizades que perdurem pela vida inteira, que se apeguem aos seus brinquedos e por eles tenham amor, que se apeguem aos seus objetos escolares e cuidem deles com dedicação e carinho.

As crianças costumam imitar os adultos, por isso faz-se necessário uma família onde os laços de emoção e afeto sejam bem aceitos e que a criança possa se espelhar na sua família para construir os seus sentimentos de afeição pelo outro. Tenho medo de que as nossas crianças deixem de amar e aprendam a sentir pequenos e passageiros afetos.

É necessário cultivar na criança os laços duradouros de afeto por tudo o que a cerca. Aprender a cuidar e conservar as suas coisas, a respeitar os seus amigos, a cuidar de si mesmo, e a cuidar do ambiente em que vive. A todo instante nossas crianças são convidadas a trocar de super heróis, a trocar de roupas, a trocar de brinquedos e de animais.

A velocidade com que a mídia chega aos nossos lares proporciona o abandono do antigo pela novidade, e qual criança não gosta de experimentar o novo? Se a criança não estiver preparada para amar delicadamente uma flor, essa correrá o risco de morrer tão logo apareça um gato.

Sabemos que os laços afetivos nas crianças ainda estão em fase de construção, mas é para isso e por isso que chamo a atenção dos pais e professores para que ensinem às suas crianças a aprenderem a cuidar dos seus sentimentos.

Conheço um menino que ficou doente por meses devido a mudança de endereço de um amiguinho seu e quando o viu depois de passados alguns anos o abraçou com saudades, isso sim, podemos chamar de laço duradouro.

Que tenhamos tempo de ensinar às nossas crianças a cuidarem dos seus laços afetivos e que sejam fortes e intensos igual ao brincar na infância!

Razões para um balanço

São os anos sessenta, e vida decorre
sem grandes atrativos, exceto a leitura.
Mas temos uma utopia; não podemos desfrutar
as inconsequências da juventude. Somos a mocidade
precocemente amadurecida, que há de conduzir
o Brasil de volta à Democracia.

 

São os anos sessenta, e vida decorre sem grandes atrativos, exceto a leitura. Estou percorrendo a obra de Erico Verissimo.

A renúncia de Jânio Quadros é o primeiro susto. Depois, o episódio da Legalidade: Leonel Brizola tenta garantir a posse do Vice João Goulart, que volta de uma viagem à China. Brizola prepara-se para defender o Palácio Piratini contra um bombardeio anunciado.

(*) Oswaldo França Júnior foi autor, entre outras obras, de Jorge, um Brasileiro (1967), que inspirou seriado de tevê e filme, O homem de macacão (1972), Aqui e em outros lugares (1984), Recordações de amar em Cuba (1986) e No fundo das águas (1987). Morreu jovem, num acidente de trânsito, em 1989.

Aliás, quem irá evitar essa tragédia é um futuro escritor, Oswaldo França Junior(*), mineiro, então muito jovem, servindo à Aeronáutica. Ele, juntamente com alguns colegas, sabotaram os aviões que atacariam o Palácio do Governo. Naturalmente, Oswaldo sofreu as consequências de seu ato.

Passo no Vestibular de Filosofia Pura. Na UFRGS: a única possibilidade de cursar uma Faculdade. O estudo me apaixona; grandes professores como Gerd Bornhein e Frei Antônio do Carmo Cheuiche. A um ano do Golpe de Estado, a vida anda de cabeça para baixo.

Começam as perseguições, as pessoas simplesmente desaparecem da noite para o dia. Ouve-se histórias de horror. Colegas da Filosofia são presos; professores foram e são demitidos e exilam-se no Uruguai, Argentina, Chile, depois na Europa, corridos pelos golpes que se sucedem na América Latina.

Começamos a nos reunir sob o patamar da Faculdade de Filosofia, centro de grandes debates e tensões. Iniciam-se as passeatas, silenciosas ou falantes, da Faculdade ate ao centro da cidade. A polícia nos acompanha pelo trajeto, alguns infiltrados do DOPS, fotografam-nos para os inquéritos, as pessoas do povo nos aplaudem e seguimos pela Paulo Grama, Sarmento Leite, João Pessoa, Salgado Filho, Borges de Medeiros, Rua da Praia. Na Praça da Alfândega os líderes discursariam, nos arrancando gritos e aplausos…

… não, na Praça da Alfandega somos reprimidos por cavalos e policiais, e espancados aos golpes de cassetetes. Corremos para as lojas do centro, e lá nos refugiamos. Os lojistas descem as cortinas de ferro: som que jamais haverei de esquecer. Dentro, no escuro, esperamos por minutos e horas, até poder voltar para casa. Nossos pais, naturalmente, nos imaginam na Biblioteca, que é, na verdade, onde gostaríamos de estar.

Mas temos uma utopia; não podemos desfrutar as inconsequências da juventude. Somos a mocidade precocemente amadurecida, que há de conduzir o Brasil de volta à Democracia.

Avançamos nosso intento, em 21 anos de dores e perdas, com nossa jovem coragem e com o medo de nossos pais.

Na mesma Praça da Alfândega, a Feira do Livro persiste.

Assista à reportagem sobre a escolha de Valesca de Assis
como patrona da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Acessse o link aqui.

Conheça um pouco mais da Patrona da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Acesse o link aqui.

Booktrailes 03 Valesca de Assis

 

 

, patrona da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre 2017.

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