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Morar na França para estudar

Apresentamos nossa última entrevista de 2017 com o professor Jandir Pauli, que fez a experiência de muitos professores e estudantes que complementam seus estudos em países fora do Brasil. A experiência do professor Jandir Pauli serve como inspiração para o desejo de quem também estudar ou complementar seus estudos em países como a França.

 

O que te levou a conhecer e morar na França?

Posso dizer que viver na França foi um projeto de longo prazo. Meu interesse para conhecer e viver neste país iniciou nas primeiras aulas de história no ensino fundamental e médio e seguiu durante os debates acadêmicos nos cursos de Filosofia e Sociologia. Mas esse projeto somente se mostrou viável recentemente. Após uma série de tratativas, fui aceito pela Université Paris IV – Sorbonne, para realização de um estágio doutoral de sete meses. Recentemente voltei a residir no país durante mais 6 meses para realização do pós-doutorado, também na Sorbonne, e sempre que possível volto à Paris para atividades de pesquisa com meu orientador Prof. Philippe Steiner.

 

Como foram os preparativos para morar no país?

Para poder morar em Paris foram necessárias três ações importantes: a primeira foi aprender o idioma, já que para ser aceito eu deveria comprovar proficiência no teste oferecido pela Aliança Francesa. Fiz um curso durante um ano em Passo Fundo e mais dois meses em Porto Alegre, onde realizei a prova.

A segunda ação foi aprovar meu projeto de pesquisa na CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal Superior) para obter uma bolsa de estudos. Qualquer pessoa que pretende morar em Paris precisa considerar que o custo de vida na cidade é bastante elevado… Mas deu certo! O projeto foi aprovado e eu pude contar com uma bolsa de estudos durante todo o período do estágio doutoral e também no pós-doutorado.

A terceira ação foi conseguir a liberação das atividades de docente na Faculdade Meridional IMED. Felizmente esta foi a parte mais fácil, dado que a instituição conta com um programa de apoio para realização de intercâmbios no exterior.

Conhecendo o idioma, com bolsa de estudos e liberação das atividades profissionais, tudo começou a se ajustar e três meses após eu já morava na Cité Universitaire de Paris. Um parque que reúne casas de estudantes de pelo menos 40 países, concentradas em um campus confortável e com uma vida acadêmica efervescente.

Minha primeira vivência em Paris foi em 2010. Cheguei no outono e a cidade estava exuberante. Clima agradável, chão coberto com as folhas douradas dos plátanos, um transporte coletivo incrivelmente eficiente. Posso dizer que a adaptação foi fácil. Logo que cheguei iniciaram as atividades acadêmicas e a agenda de estudos foi dando a lógica da minha permanência. Também pudera, meu espaço de estudos era a Maison de La Recherche, situada na área central, próximo à catedral de Notre Dame, Jardin du Luxembourg, Phanteon e vários outros importantes pontos turísticos.

 

Do que você mais gostou na França?

Um dos aspectos que mais chamou-me à atenção é a dimensão cosmopolita da cidade. Isto ficava evidente não somente pela quantidade de colegas estrangeiros na universidade, mas pela atenção aos ideais republicanos da liberdade, igualdade e fraternidade. Aos poucos foi possível descobrir a cidade para além dos a monumentos e pontos turísticos clássicos.

 “Esta foi a melhor parte: aprender a cultura do país, especialmente suas festas, comidas típicas, música e estilo de vida. Os franceses se orgulham não somente da sua tradição na política, filosofia, arte e ciências. Prezam por uma alimentação saudável e adoram discutir as questões da cidade nos cafés e brasseries”.

Claro que é preciso considerar que a cultura do interior da França é sensivelmente diferente da cultura parisiense. Não pude conhecer todo país, mas mesmo em cidades de porte médio ou grande como Grenoble, Marseille ou Boudeaux, há uma preocupação em manter o modo de vida francês. Por exemplo, é impressionante observar como eles se preocupam com a alimentação. O tempo dedicado às refeições é em torno de uma hora, a qualidade dos alimentos é superior e nota-se um prazer em ser gourmand (comilão). E mesmo assim, a obesidade está longe de ser problema de saúde pública…

Paris, embora preserve grande parte das características do interior, parece estar mais preocupada com a cultura universal. Seja pelos mais de 200 museus ou pelas incontáveis exposições, feiras e atividades culturais. As universidades atraem estudantes do mundo todo e há uma evidente valorização do pluralismo e da diversidade.

E como toda grande metrópole, Paris vive problemas que se colocam como grandes desafios. A poluição urbana atingiu níveis alarmantes e está exigindo reações de vanguarda. Além disto, a emergência do terrorismo, o recente fluxo migratório global e relação difícil com as ex-colônias na África representam uma séria ameaça.

Mesmo com este cenário, percebe-se nos franceses um otimismo com o futuro. Séculos de história forjados na superação de grandes dificuldades influenciam um comportamento confiante.

Esta entrevista foi publicada na revista impressa Contato Vip, assinada por Camila Docena.

A revista Contato VIP foi fundada em abril de 1993, circulando mensal e ininterruptamente até hoje. Sua sede está localizada na cidade de Carazinho, mas sua circulação se dá em toda a região do planalto médio e região noroeste do Rio Grande do Sul, através de assinaturas, venda em bancas e divulgação dirigida.

Além da edição mensal que aborda temas atuais, com ênfase em sociedade, moda e saúde, a revista Contato VIP publica edições especiais segmentadas, tendo entre os títulos Medicina & Saúde, Casa & Decoração e Eventos & Gastronomia.

Conheça mais aqui.

Política, uma grandeza pátria!

 

A política é a grande estrada
para a mudança, não a mídia,
o judiciário ou o mercado.

 

Temos grandes brasileiros na política, precisamos cada vez mais dar voz a esses e não votar mais nos outros. Dar dignidade e honra aqueles que nos representam no bem comum, é urgente!

Eu gosto de política, a boa política.  Penso ser a política a maior expressão de interesse e inteligência de um povo. Em minhas veias não corre nenhum desejo de destruí-la, mas de aperfeiçoá-la, aprendê-la, respeitá-la, porque pela politica e pelos políticos que nos representam, quando válidos, vocacionados e bons, posso me sentir representada pela voz e pela atuação parlamentar.

Um povo que induzido ou deliberadamente decidido à preguiça política, é um povo pobre e desvalido que, ao invés de ajudar a política a ser o que deve ser, tenta desqualificá-la e destruí-la por puro desinteresse e preguiça de pensá-la, consumá-la em projetos resolutórios, é um povo estúpido.

É um povo autofágico, que auto sabota o próprio bem e se consome em ignorância, superficialidade e demagogia, é um povo fadado a sempre ser dependente, colonizado e paralisado na inteligência capaz de evolução e autonomia.

O ex-presidente e atual senador do Uruguai José Mujica​ recebeu, na semana passada, o título de doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Ele esteve em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, para receber a homenagem. Mujica é uma grande referência para entendermos a verdadeira política.

Não participar seriamente, agir como torcida organizada cega, não ser disponível a verificar cada projeto, cada ação na coerência de vantagem ao povo e a nação é a desgraça de uma pátria.

Aqueles que só sabem generalizar, todos os políticos são iguais, etc, etc, são na verdade grandes convictos e preguiçosos que depois obrigam a todos a pagar as mazelas dos políticos torpes.

O Brasil, neste momento insólito, é uma grande oportunidade para conhecer sobre política, conhecer quem representa a soberania do voto e da nação.

Não, não são todos iguais.

Temos os que nos representam de fato e os que não nos representam, porém para fazer esse julgamento temos que tirar a trave do nosso próprio olho e saber exatamente a quem e por quem fazemos política.

A política do vômito emocional, JUDICIALIZADA, por quanto possa aliviar as tensões provisoriamente, quando estamos raivosos, não é solução para os complexos problemas que a vida em sociedade trás. Solução mesmo é compreendê-los, aceitá-los e trabalhar nas soluções compartilhadas, nas escolhas de representatividades pensadas e levadas a sério, é fazer funcionar colaborando com ideias e qualificando na ação todo e qualquer projeto que venha a melhorar a vida individual e social.

 

No Brasil, no atual momento histórico, orquestra-se uma forma de não fazer política, impondo a racionalidade burocrática e jurídica como fórmula para superar supostas imperfeições e imparcialidades da verdadeira política.
Veja mais aqui.

Temos grandes brasileiros na política, precisamos cada vez mais dar voz a esses e não votar mais nos outros. Dar dignidade e honra aqueles que nos representam no bem comum, é urgente!

A política é a grande estrada para a mudança, não a mídia, o judiciário ou o mercado. A política deve ser feita tanto na inteligência do mercado como na inteligência do bem social, a justiça é o ordenamento de função constitucional, somente isso, e comete grandes atrocidades quando criminaliza projetos claramente benéficos ao povo. Quem não é capaz a isso, não é capaz a política.

Nada, nem ninguém, me fará ter vergonha de ser política, não de carreira, não tenho essa pretensão, mas por interesse verdadeiro no destino do Brasil e do povo brasileiro. A consciência do papel e do valor da política em todo e qualquer gesto que faça a diferença no final resulta em vitória inteligente de um povo.

A saída para os problemas brasileiros é pela política, que se traduz na cidadania ativa das pessoas e no poder de organização dos coletivos que se dispõem a ajudar a dar rumos de uma nação. Passa também pelo fortalecimento dos partidos que, historicamente, estiveram em defesa dos interesses da classe trabalhadora.

Saída para os problemas brasileiros é pela política

Pelo amor a política que faz tudo mudar eu faço e farei tudo que estiver ao meu alcance para que humanamente tenhamos uma vida mais prospera e fértil na consciência de ser uma cidadã ao bem comum. Sou política e a expectativa do bem comum é que me faz pensar e agir também politicamente! Não me envergonho; me orgulho!

Eu me importo SIM!

O que esperam das mulheres?

As mulheres não são propriedade de legisladores, nem de religiões,
nem de instituições, nem de maridos e companheiros, mas são sagradas em sua dignidade.
Há que pedir licença, há que amar, há que respeitar de uma vez por todas aquelas
que trazem em si a sabedoria do mundo.

 

Acostumei-me à ideia de que todos sabem o que convém a nós mulheres. Fui uma criança educada em colégio de freiras, devota católica e filha exemplar em um lar alemão. É pouco?

Conheci a opinião dos homens desde cedo por ter sido uma criança “escutadora” e atenta a comportamentos e às hierarquias socialmente construídas. Acostumei-me a mulheres “culpadas” por tudo, principalmente pela condição de serem mulheres.

Ouvi vezes demais durante a infância, que as meninas são culpadas pelos pecados dos meninos, que o futuro feminino depende do seu comportamento recatado e que obedecer é pressuposto para a felicidade. E obedeci a tudo considerando os deslizes e pecadinhos infantis como falhas morais imperdoáveis. Nem as confissões obrigatórias foram capazes de deixar minha alma “branca como a neve”. Um massacre do qual os meninos passaram batido.

A trajetória da mulher, mesmo que não se perceba, é marcada pelo autoritarismo com que ela é tratada. Tenho observado a luta travada pelas feministas, entre as quais me incluo, por respeito ao seu corpo. Inclui-se nessa luta o direito por decidir sem que seu corpo seja invadido como se fosse uma coisa parecida com terra de ninguém.

O ativismo feminino é transformador. No ocidente do século XX, as mulheres conquistaram o direito de votar, de estudar, de trabalhar ao lado dos homens, de conquistar um lugar em todas as instâncias sociais e políticas, tendo hoje todos os seus direitos assegurados. Há ainda resquícios machistas, que tolhem os plenos direitos que elas conquistaram com tanto fervor.

Ativismo, uma necessidade! – Sueli Ghelen Frosi

Os partos são, em grande medida, a materialização de que temos donos, muitos donos. Submetem parturientes a procedimentos sem que elas façam parte das decisões.  Cortam períneos, úteros, usam fórceps, permitem trabalhos de parto intermináveis, cujo resultado é muita dor, sangramentos, crianças machucadas e a sensação de que o corpo deve aceitar toda sorte de escolhas que raramente são compartilhadas.

As mulheres estão à mercê de quem quiser invadi-las. Estupros e assassinatos acontecem todos os dias, deixando rastros de traumas, gravidezes, doenças, sangue e infelicidade. Cantadas, gracinhas, piadinhas, alfinetadas e perguntas indiscretas são alguns ingredientes que acompanham a trajetória feminina aviltando a dignidade ainda longe de ser consagrada.

Todo dia, de uma forma tão frequente, acabamos naturalizando todo tipo de barbaridade que a sociedade nos submete. E aí, você ia querer ser mulher numa sociedade como esta?

Todo mundo quer ser mulher?

As discussões sobre aborto são surreais, chegando-se às raias de negar atendimento digno a mulheres vítimas de estupro. Àquelas cuja gravidez é inviável é imputada a pecha de assassina de incapaz, ao invés de merecer acolhimento e compaixão. Cabe às mulheres tomar em suas mãos as decisões que dizem respeito ao seu corpo, pressuposto mais do que civilizatório.

As mulheres não são propriedade de legisladores, nem de religiões, nem de instituições, nem de maridos e companheiros, mas são sagradas em sua dignidade. Há que pedir licença, há que amar, há que respeitar de uma vez por todas aquelas que trazem em si a sabedoria do mundo.

Os corpos femininos já encharcaram o mundo com seu sangue e com suas lágrimas. Sejam bem-vindos os homens feministas, que de tão maravilhosos, são muito mais homens do que seus pares movidos pela prepotência machista.

 

O que nos faz humanos?

O homem, diz Heidegger, é criador de mundos. Eu concordo com ele. A pergunta que fica no ar é: em que mundo você vive?

 

Tenho prazer em pensar perguntas sem respostas que sejam definitivas. É a mania dos filósofos, perguntar, lá onde o senso comum não vê problema algum.

Os teólogos também fazem perguntas essenciais, mas eles sempre são socorridos pelo além, pela revelação que vem de fora. O filósofo não. O filósofo está no limite da razão. No máximo pode ter intuições e inspirações humanas, demasiadas humanas, mas nunca divinas. O que lhe é limite é, contudo, sua grandeza.

Falar a partir do não absoluto é libertador, pois é com menos pretensão e responsabilidade nas costas.

Paulo Freire deixou explícita a sua consciência de que todo conhecimento é inacabado, no sentido de que é um processo que se desenvolve continuamente.

Pensar livremente, eis a primeira tentativa de dizer o que nos faz humanos, que remete a uma segunda. Errar também nos faz humanos.

Os animais não humanos não erram. Os animais não humanos são perfeitos e estão mais próximos de Deus do que dos humanos. Os humanos não, os humanos, erramos. Erramos episteme e moralmente. Erramos na emissão de opiniões e erramos quando pretendemos conhecer, inclusive cientificamente.

O que faz o avanço da ciência não é o conhecer comprovado, mas o erro e a falseabilidade que torna todo conhecimento, sempre provisório. Erramos moralmente. E como erramos moralmente! E é humano que assim seja.

Os que se acham bons são, a bem da verdade, risíveis. Eu rio dos que se dizem do “bem”, “nós do bem” etc. São dignos de pena os que se dizem “do bem”. Falta-lhe humildade, que é o que nos faz, verdadeiramente, humanos, pois viemos do “húmus”.

Rir é outra coisa que nos torna humanos. O humano é o único animal que ri. Rir nos faz humanos, porque rir é uma faculdade do espírito. O animal não humano não ri. Ele é perfeito. Nada lhe falta e nada há de sobra nele. Em nós não.

No humano o espírito nos torna livres, mas a liberdade instaura em nós a falha, o erro, o tropeço. E no tropeço, o riso. O palhaço é o que erra e no erro nós rimos. O palhaço está aí para nos recordar que somos humanos, falhos e contra a lógica. O riso é o tropeço na lógica.

O riso é também a nossa salvação. O bom humor nos salva. Humanos sérios demais, os executivos do mercado, ou os pragmáticos sisudos, são, sobretudo, inumanos. Eles se acham, mas são uns robôs…

Rir é a salvação. Rir, inclusive, dos que desferrem golpes querendo tirar o nosso bom humor… Imagine alguém querendo se enforcar. Se no ato de dar um chute na escada, para que o peso livre do corpo pressione a corda e o nó o sufoque, se nesse ato ele conseguir rir do que está fazendo, então, estará salvo…! Rir é o princípio da vida. Não leve a vida tão a sério, ria!

O que mais nos define como humanos? O pensamento? Mas animais também pensam. A linguagem? Mas animais não humanos também se comunicam. A sociabilidade e a politicidade? Mas animais também convivem e organizam a convivência. A moral e a religião? Os animais são até melhores do que nós na empatia, na ajuda e amor ao próximo… Religião? Haverá melhor religião do que fazer o que tem que ser feito? E os animais fazem com, perfeição, tudo o que fazem. Não seria isso um ato religioso de religamento com o ser primordial? Observe o voo de um pássaro ou a corrida de um leopardo, perfeição! Os animais são religiosos, sem hipocrisia…

O que nos define essencialmente? Não há resposta que seja definitiva para essa pergunta. Heidegger fala “no abert”, na condição de criadores de si e de mundos. A pedra não tem mundo, o animal é pobre de mundo.

O homem, diz Heidegger, é criador de mundos. Eu concordo com ele. A pergunta que fica no ar é: em que mundo você vive? O mundo em que vivemos é criação e responsabilidade nossa. Se não há satisfação nele, revolta-se! Se há satisfação, então desfrute. Ambos com moderação…!

O que nos faz humanos: Mário Sérgio Cortella, Monja Coen e Pepe Mujica.

 

Carta aberta pelo fortalecimento do Ensino Religioso inter-religioso em Passo Fundo, RS

 

O ensino religioso é parte da formação integral de todo e qualquer ser humano, deve ser ministrado de forma a respeitar os diferentes conhecimentos das diferentes tradições religiosas. Desta maneira, contribui para a humanização, que leva à construção de uma sociedade mais justa e solidária, contrapondo-se às tendências tecnocratas na educação.

 

Os professores da rede municipal de Ensino de Passo Fundo (concursados para a disciplina do Ensino Religioso e outros que entendem que o Ensino Religioso deve respeitar e considerar as diferentes manifestações religiosas) manifestam, por esta Carta, posição sobre o tema.

O acesso ao Ensino Religioso não proselitista (que não promova nenhuma religião em detrimento de outras) é um direito de cidadania dos estudantes, conforme preconiza a Lei 9475, de 22 de julho de 1997.

Os estudantes do ensino fundamental têm o direito de um ensino religioso que contemple a diversidade dos conhecimentos e das crenças, pois desta forma, nossas escolas promovem o diálogo, o respeito e a tolerância, tão urgentes e necessários para os dias atuais. Não se trata de abordagem de nenhuma crença específica, mas do estudo dos diferentes conhecimentos das tradições religiosas e mesmo das correntes de pensamento que consideram a inexistência da fé (ateísmo e agnosticismo).

As religiões tem como princípios comuns e universais a ordem do planeta e o respeito à vida. Devem buscar saídas com novos métodos e estratégias que respondam às necessidades de vivência e convivência pelo amor fraterno, honestidade, humildade, compaixão, cordialidade… e, tudo o que beneficia a vida plena, pois a vida é sagrada, é dom de Deus.

A violência, o desrespeito, a transgressão de normas e limites, desde as pequenas coisas do cotidiano até a corrupção, o roubo, a mentira, a delinquência, a intolerância religiosa, os crimes diversos, a crueldade, a droga, o sucesso a qualquer preço e tudo que disto decorre, está fazendo com que todos se questionem sobre o futuro de nossas crianças e adolescentes.

O Ensino Religioso, componente curricular obrigatório, tratado como área de conhecimento, reflete a relação do ser humano com o Transcendente, contribui para a superação da violência a partir do diálogo entre as diferentes tradições religiosas que buscam resgatar e preservar a vida.

O ensino religioso é parte da formação integral de todo e qualquer ser humano, deve ser ministrado de forma a respeitar os diferentes conhecimentos das diferentes tradições religiosas. Desta maneira, contribui para a humanização, que leva à construção de uma sociedade mais justa e solidária, contrapondo-se às tendências tecnocratas na educação. Deve ser fortalecido em todos os educandários deste município através de diferentes estratégias:

promoção do respeito, do diálogo e da tolerância para que a religião  nunca seja motivo de conflito, de discórdia e de opressão;

retomada da formação permanente e qualificada de todos os professores e professoras que atuam nesta área do conhecimento (concursados ou não);

respeito, consideração e valorização da Seccional do CONER Passo Fundo, entidade que congrega diferentes religiões para subsidiar o Ensino Religioso no paradigma do Diálogo inter-religioso.

 

Passo Fundo, dezembro de 2017.

 

 

Entidades religiosas ligadas ao CONER (Conselho do Ensino Religioso) Secccional Passo Fundo apoiam esta iniciativa e destacam o papel do ensino religioso inter-religioso.

 

Conselho do Ensino Religioso – Seccional Passo Fundo – RS

A preocupação de vocês com o Ensino Religioso como área de conhecimento é legítima. O Ordenamento do Sistema de Ensino deve ter, para com ele, o mesmo cuidado que destinada às outras disciplinas do currículo.

Os municípios têm a responsabilidade de responder ao que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional determina.

Embora o estado brasileiro seja laico isso não tem qualquer implicação que possa justificar seu não oferecimento como elemento fundamental para a formação da cidadania.

O caráter do ERE não insere proselitismo, doutrina ou catequese, desta ou daquela religião. Entretanto, traz na sua essência, o respeito à diversidade religiosa e as formas, pelas quais, expressam sua fé.

Neste particular, as tradições religiosas, seus ethos, suas doutrinas, ritos, textos sagrados, são elementos históricos importantes para que o ser humano possa fazer sua caminhada pedagógica em direção ao transcendente como forma de se tornar um verdadeiro cidadão do mundo pelo exercício da moral e da ética.

A educação, portanto, não pode relegar o ERE a um plano rasteiro, sob pena de entrar em confronto com a lei e desrespeitar a natureza da contribuição religiosa para a formação do caráter da pessoa humana.

Nem o País, estados e municípios podem tratar o ERE com indiferença. É obrigação legal destes entes federados oferecê-lo conforme determina a LDBEN. Formação acadêmica, concurso público e formação permanente é exigência do Plano Nacional de Educação.

 As igrejas que fazem parte do Conselho do Ensino Religioso, não poderiam de forma alguma, deixar de apoiar a CARTA ABERTA PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO RELIGIOSO INTER-RELIGIOSO EM PASSO FUNDO – RS, expressando seu apoio e sua solidariedade aos anseios dos colegas professores municipais, que compreenderam ser o estudo da religião, um meio para a construção do amor, da solidariedade, justiça e fraternidade.

A cidadania nunca se completará sem um caminho que a leve ao transcendente. Cobrar que o Estado Brasileiro cumpra esta responsabilidade legal, é parte importante da estratégia daqueles que buscam fazer educação com seriedade, vocação, fé, compromisso como Deus, com o ser humano e com o planeta terra.

 

                                  Passo Fundo, 04 de dezembro de 2017.
                    Coordenador do Conselho de Ensino Religioso Seccional Passo Fundo – RS
          Rev. Francisco Paulo leal Machado

 

Créditos foto: Ingra Costa e Silva (IV Congresso dos Professores Municipais de Passo Fundo, 23 de agosto de 2017).

O Jurista Ives Gandra e a noção errada do que são “minorias”

Ele mostra a mentalidade pela qual se fazem necessárias leis de proteção de minorias: as leis são para protegerem as minorias de serem criminalizadas, exatamente como ele, Ives Gandra, faz em sua frase.

 

Ives Gandra Martins: ‘Não sou nem negro, nem homossexual, nem índio, nem assaltante, nem guerrilheiro, nem invasor de terras. Como faço para viver no Brasil nos dias atuais?’
(Blog do jornal Estadão).

Essa frase não poderia jamais ser pronunciada por uma pessoa escolarizada, muito menos por um jurista. Para além do problema de perversidade moral, que já seria suficiente para invalidar para sempre a autoridade de qualquer um, ela contém um erro intelectual, um pecado primário de não compreensão do que é uma minoria. Os dois erros estão imbrincados um no outro, e se confirmam no texto e contexto da frase.

Ives Gandra não sabe o que é uma minoria. Ele imagina que minoria é um grupo de pessoas formadas aleatoriamente, ou por traços comuns que ele inventa. Ofensivamente ele agrupa minorias étnicas junto com o que nada tem a ver com minorias, que são “assaltantes”.

Ora, gays, índios e negros são postos na mesma fileira de assaltantes! Não é um simples erro ou descuido de linguagem. Desse modo, ele mostra a mentalidade pela qual se fazem necessárias as leis de proteção de minorias: as leis são para protegerem as minorias de serem criminalizadas, exatamente como ele, Ives Gandra, faz em sua frase. Além disso, ele coloca junto de minorias étnicas e de práticas identitárias – gays, negros e índios – os “invasores de terra”, que não são nem minoria e muito menos aprioristicamente criminosos. Trata-se aí de reconhecido movimento popular, com existência legal, o MST.

Mais uma vez a confusão mental de Ives Gandra torna-se evidente: minoria é uma coisa e assaltante é outra; e invasor de terras é uma terceira coisa. E guerrilheiro? De onde ele tirou isso? Onde ele está vendo guerrilheiro no Brasil? Ele está se referindo ao Zé Dirceu (num suposto passado?), aquele condenado do “mensalão” que ele mesmo, Ives Gandra, falou que havia sido “condenado sem provas”? Aliás, estranha fala aquela! Muito estranha! (o que ele queria? desafiar os juristas que condenaram Zé Dirceu?)

Caso eu fosse pertencente a qualquer grupo desses realmente minoritários – gays, negros e índios – eu não deixaria de interpelar o jurista nos termos da lei. Aliás, se houver denúncias suficientes, a Procuradoria do estado de São Paulo pode interpelá-lo. Não é possível que um professor de direito do Mackenzie, alguém que já foi até cotado para ministro do STF, exiba esse comportamento a la Waack.

Ele deveria ser o primeiro a conhecer as leis e, por causa disso, já saber de antemão o conceito sociológico de minoria, e saber também que o que falou é ofensivo.

“Minoria” não corresponde a um grupo de “menor número”. “Minoria” não é alguma coisa exterior ao conceito geral de Direitos Humanos. Essas coisas estão ligadas. Minoria sociológica se define por um tipo de “cultura própria”, pode ser por práticas étnicas, linguísticas, religiosas, sexuais etc.

A proteção das minorias se fez presente na democracia liberal principalmente após a Segunda Guerra Mundial, quando a confirmação de genocídios (judeus, negros, pessoas com problemas físicos, gays, ciganos etc.) por parte dos nazistas veio à tona no Tribunal de Nuremberg. Daí para diante, os Direitos Humanos passaram a se aliar à ideia de que o estado precisa ser policiado, pois ele pode destruir não só o indivíduo, mas todo um grupo de pessoas afinadas culturalmente. Daí para diante, a noção de minoria foi se aprimorando no âmbito da sociologia e do direito. Notou-se bem, então, minorias definidas interna e externamente, positiva e negativamente. As leis de proteção de minorias que, no Brasil, ao contrário do que diz Gandra, são bem poucas (homofobia no Brasil ainda não crime!), vieram a ser demandadas nas democracias liberais do mundo todo.

Uma minoria definida positivamente são a dos alemães no Brasil, ou dos japoneses. Há um reconhecimento de grupos culturais afinados com a cultura alemã e com a cultura japonesa, e o número de virtudes atribuídas a tais comunidades, no âmbito da conversação hegemônica no Brasil, é bem maior do que o número de asserções negativas. Mas não é o mesmo caso para negros ou indígenas. Também não é o mesmo caso para com gays.

Na situação de negros, gays e indígenas (em certo sentido há ainda “as mulheres”), o reconhecimento de que são minorias, para seus próprios membros, se faz por conta do impacto da linguagem pejorativa contra eles, ou mesmo a violência e a discriminação contra eles. O pertencente a tais minorias descobre-se como membro delas por decisão exterior e pejorativa. Nasce sujo para o mundo! A cultura o interpela para lhe dizer que ele não pertence a nenhuma cultura, mas sim ao que não é humano. O seu próprio corpo é o que denota isso, e ele só percebe seu próprio corpo, seu eu corporificado, por causa da existência do apontar ofensivamente do Outro.

Nesse segundo caso, a minoria, ao ser organizar, pode gerar comportamentos fascistas. Pode agir contra a cultura hegemônica de modo a reproduzir práticas xenófobas, aquelas que se fizeram sentir contra elas. Mas a minoria, não raro, logo faz brotar internamente lideranças que percebem esse erro, e se desvia do comportamento meramente magoado para, então, alcançar as práticas de orgulho próprio, de valorização, de combate inteligente ao preconceito etc. Os movimentos gay, negro e indígena no Brasil têm aprendido a agir assim. Mas, em termos de conquistas da lei, estão completamente distantes de terem as facilidades que Ives Gandra afirma que ele, branco-macho-rico-professor-jurista, também não tem.

Ou seja, no limite, Ives Gandra acha que não se está obedecendo a Constituição por tentarmos fazer leis de proteção de minorias ou de contrabalanço. Ele não entendeu ainda que a lei de filiação de nossa Constituição, internacionalmente, é a Carta de Direitos Humanos. Leis e vantagens para grupos que estão aquém da linha de partida da corrida social não são criação de vantagens, são possibilidades de igualdade perante a lei no final da corrida.

Poderíamos dizer que Ives Gandra não fez Sociologia I na faculdade, ou que quando fez a mentalidade conservadora era muito forte, mas o fato dele não ter reaprendido conceitos e, enfim, o fato dele não ter sensibilidade para as mudanças de vocabulário de nossas épocas, é muito significativo de uma mentalidade empedrada.

Uma pessoa assim está completamente desqualificada para a vida fora da companhia de Waack. Precisa procurar seus pares. Sua declaração não cabe. Nem do ponto de vista conceitual nem do ponto de vista da sensibilidade de um professor e jurista.

Doutor e mestre em Filosofia pela USP. Doutor e mestre em Filosofia da Educação pela PUC-SP. Bacharel em Filosofia pelo Mackenzie e Licenciado em Ed. Física pela UFSCar. Pós-doutor em Medicina Social na UERJ. Titular pela Unesp. Autor de mais de 40 livros e referência nacional e internacional em sua área, com colaboração na Folha de S. Paulo e Estadão. Professor ativo no exterior e no Brasil. Publica regularmente importantes reflexões em seu site: http://ghiraldelli.pro.br/

Pinguela, política e politicagem

Onde não há Política no seu sentido pleno, de promoção do bem-comum, de atendimento a quem mais precisa, sobra a politicagem, a promoção pessoal de um vereador, de uma liderança, etc.

 

 

Talvez apenas os adultos entendam esse termo “pinguela”. Lembro da minha infância, quando em visita a meus tios e tias no interior de Seberi, RS, atravessávamos alguma ponte de madeira para transeuntes, construída de forma artesanal pelos próprios agricultores. Muitas vezes essas pontes ofereciam riscos, e nós, crianças, apesar da diversão, tínhamos medo de atravessá-las.

Pontes precárias que eram chamadas de pinguelas.

Faço essa digressão para trazer ao debate um tema incômodo, mas absolutamente necessário. E parto de uma “pinguela”, só que agora localizada no perímetro urbano, na divisa entre Porto Alegre e Viamão.

Gostaria de saber quem construiu a pinguela, se foi o serviço público ou foi iniciativa dos próprios moradores. Mas, o fato é que essa ponte/pinguela, de tempos em tempos precisa de reparos. E quem faz esses reparos? Para fazê-los são necessários equipamentos, material e pessoas capacitadas para a realização do reparo.

Como presidente da Associação de Moradores, várias vezes fui cobrado de providenciar o reparo da pinguela. Numa oportunidade até fiz o contato com o Centro Administrativo Regional (CAR), da Lomba do Pinheiro, e não fui atendido. Mas sempre me perguntei: “para onde vou encaminhar essa demanda?” Isso é função de quem? Do serviço público ou da iniciativa dos moradores? Se for dos moradores, de onde sairão os equipamentos e profissionais qualificados?

De forma mais ágil e com boa vontade, um morador da comunidade, assessor parlamentar, resolveu o problema do seu jeito: ele próprio fez os reparos da pinguela. É claro que ele não tinha os equipamentos e nem a capacitação técnica para realizar o serviço. O resultado é que, um mês após, a ponte necessita novamente de reparos.

Diferente do meu tempo de criança, quando cada momento era gravado apenas em nossa memória e lembrança, hoje o reparo da ponte é registrado com fotos que logo chegam a muitas pessoas através das redes sociais. Desconfio até que o uso dessas imagens tem um objetivo político de promoção do vereador para o qual o referido morador trabalha. Esse mesmo vereador costuma referir-se às ações de seus adversários como “politicagem”. Mas, o que é politicagem? E o que é Política?

A TV Caroço Lança o quadro Se Liga! Um quadro que vai chamar a atenção da galera para todas as coisas que precisam ser discutidas e alertadas na nossa sociedade, o primeiro vídeo vem falando sobre politica e politicagem. Um alerta pra todos!!

Partindo do exemplo da pinguela, não aquela do interior de Seberi, mas essa de uma das capitais que já foi referência em serviços e políticas públicas para o mundo, podemos perceber que alguma coisa está errada.

Para que não haja politicagem é preciso que existam políticas e serviços públicos. Para que existam serviços é preciso que os órgãos da prefeitura funcionem e que os servidores públicos sejam qualificados e valorizados para a realização desses serviços. Infelizmente não é o que está ocorrendo em Porto Alegre. A administração pública está ausente, não realiza os serviços necessários, especialmente nas periferias; não qualifica e não valoriza os servidores e servidoras.

O que sobra? Onde não há Política no seu sentido pleno, de promoção do bem-comum, de atendimento a quem mais precisa, sobra a politicagem, a promoção pessoal de um vereador, de uma liderança, etc. Não é assim que se administra uma cidade, especialmente uma capital tão importante.

O Papa Francisco disparou contra a ordem mundial que fez do dinheiro “um ídolo” e lamentou que se destinem “somas escandalosas” de dinheiro para salvar aos bancos e só “a milésima parte” para resgatar refugiados ou imigrantes. “Quem governa então? O dinheiro. Como governa?

Para as pinguelas, ruas, água, esgoto, etc. são necessários serviços qualificados. Para a saúde, transporte, educação, etc. são necessárias políticas públicas com perspectiva de futuro. Somente a Política com P maiúsculo pode construir a cidade que desejamos e evitar a politicagem.

 

O silêncio: aprender e ser apreendido

O aparente susto do tema para os alunos do ENEM
representa pouco frente às dificuldades que os surdos passam
em seu processo educacional. O silêncio, como um menino,
bate à porta das escolas e universidades.
Quer aprender e ser apreendido.

 

Mudara-me para um novo apartamento. Numa manhã, um menino vizinho bateu à minha porta. Abri e lhe disse “bom dia”. Me respondeu com silêncio. Ele era surdo, e eu não nada sabia de LIBRAS. Foi desconcertante.

Desconforto semelhante devem ter tido os participantes do ENEM na tarde do último domingo, ante o tema “desafios para a formação educacional para surdos no Brasil”.

Um susto para quem esperava escrever sobre homofobia, corrupção, ou sobre a censura à arte, mas nada de inédito para quem acompanha os temas sociais do exame nos últimos anos: 2015, foram as mulheres; 2016, pessoas que sofrem com a intolerância religiosa e racismo.

 

Em entrevista à reportagem do em.com.br, o professor Carlos Cristian conta que nasceu surdo e dá aulas de Libras há quase 7 anos. Para ele, a escolha desse tema é uma vitória para a comunidade surda.
Veja mais aqui.

“Especialistas” das redes sociais atiraram pedras sob o argumento de não ser relevante. Enganam-se. Uma rápida pesquisa no Google nos faz descobrir que há 360 milhões de deficientes auditivos no mundo e, segundo o Censo 2010, são 9,7 milhões no Brasil, quase 5% da população.

Talvez a única crítica foi a delimitação exagerada do tema: não a inclusão social em si, mas a inclusão educacional. Quase debate de especialistas. Mas o problema é importante, sim.

No Brasil, os surdos só começaram a ter acesso à educação com Dom Pedro II, que criou a primeira escola de educação de meninos surdos, em 26 de setembro de 1857, no Rio de Janeiro. Observe-se que apenas em 2002, pela Lei n° 10.436, a língua de LIBRAS foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão. Do mesmo modo, a Constituição de 1988, nos artigos 205 e 208, e a Lei de Diretrizes e Bases, nos artigos 4ª, 58, 59 e 60, garantem às pessoas surdas o direito de igualdade de oportunidade no processo educativo.

Todo esse suporte legal, contudo, não tem garantido aos surdos sua devida inclusão. Há poucas escolas e universidades com intérpretes e, quando existem devem atender a várias turmas. A situação piora em seminários, congressos e conferências. Isso sem contar que, em muitas instituições, os surdos são segregados das turmas regulares.

O aparente susto do tema para os alunos do ENEM representa pouco frente às dificuldades que os surdos passam em seu processo educacional. O silêncio, como um menino, bate à porta das escolas e universidades. Quer aprender e ser apreendido.

“Desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil”, tema da redação do ENEM 2017 dividiu opiniões entre alunos e professores de todo Brasil. Confira reportagem.

Professores analisam o polêmico tema da redação

 

Democracia ameaçada | Sul 21

O #5P dessa semana entrevistou o sociólogo Boaventura de Sousa Santos​. Segundo ele, a democracia está passando por um estado de deterioração em escala mundial.

“A maior prova disso está na tendência da população de votar em seus opressores, e não em quem luta contra a opressão”, afirma.

Confira!

 

Fonte: Jornal Sul 21

Precisamos falar sobre direitos humanos

Nunca houve interesse de se inteirar do assunto
antes de sair pegando microfone para passar vergonha.
Eram pessoas com total desconhecimento de um assunto
opinando sobre algo que simplesmente não conhecem.
Não sabem do que se trata. Com um conhecimento
quase nulo vociferam que é “cuidar de bandido”.
Talvez não saibam que existam documentos construídos
mundialmente para garantir tais direitos para TODOS os humanos.

 

Vi um registro fotográfico feito em Passo Fundo, cidade na qual nasci e vivi por toda a minha vida e pela qual tenho um carinho imenso, que me despertou um misto absurdo de emoções e sentimentos. Primeiro, senti vontade de chorar. Depois, repulsa e até um pouco de raiva. Por fim, ânsia de vômito e medo.

A foto foi feita em um protesto e um par de mãos masculinas, brancas e de meia idade, ostentavam um porrete de madeira com letras garrafais que diziam: direitos humanos.

Senti vontade de chorar ao ver um ser (que se diz) humano explicando que os iguais a ele (incluindo ele será?) não merecem direitos, mas sim apanhar com aquele porrete. O interessante era que tal protesto clamava por mais (pasme) segurança e contra (oi?) a violência. E nem vou entrar na discussão que tal ato teve como alvo pessoas que não são responsáveis de fato pela sua segurança. Deixo isso para outras pessoas comentarem.

Vou me ater no porrete destruidor de direitos humanos.

Aquele, empunhado por um (?) ser-humano.

Senti um pouquinho de raiva sim, não posso negar, ao ver aquelas dezenas de senhores que ali protestavam deixarem de lado sua principal demanda, o pedido por mais segurança no seu meio, a denúncia do descaso do estado para com os seus, para babar seu ódio ao que não entendem.

Não entendem porque nunca houve interesse de se inteirar do assunto antes de sair pegando microfone para passar vergonha. Eram pessoas com total desconhecimento de um assunto opinando sobre algo que simplesmente não conhecem. Não sabem do que se trata. Com um conhecimento quase nulo vociferam que é “cuidar de bandido”. Talvez não saibam que existam documentos construídos mundialmente para garantir tais direitos para TODOS os humanos.

 

Duas coisas impossibilitam avanços nos direitos humanos: a imbecilidade e o egoísmo. Defender os direitos humanos significa defender os humanos, todos os humanos, mas, sobretudo, os que são mais vulneráveis e mais propensos a serem tratados como fora do círculo dos direitos. (Gilmar Zampieri)

Humanos direitos?

Isso tudo depois de uma (absurdamente) rasa discussão sobre os tais direitos humanos (aqui não o porrete, mas os direitos em si). Mesmo sem saber quais direitos são esses. Os donos de opiniões profeririam, sem qualquer medo de passar vergonha e cheinhos de razão, que respeitar os direitos humanos de um (veja só) ser humano é errado.

É urgente que se fale em direitos humanos. Mas que se fale mesmo, além da frase pronta e carregada de senso comum que diz que direitos humanos é para humanos direitos.

Não.

Direitos humanos é, veja só, para todos os seres humanos. Todinhos, quer você concorde com isso ou não. São direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição.

Independente da sua ‘opinião’.

Os direitos humanos servem para proteger todo e qualquer cidadão do mundo. E mesmo assim diariamente perdemos as contas dos casos de desrespeito a esses direitos. São incontáveis pessoas passando, todo dia, por situações de intolerância, abuso, discriminação, opressão e até a morte.

Quem se diz defensor da democracia e contra os direitos humanos precisa começar a estudar o assunto, já que a promoção dos direitos humanos é indispensável para o pleno funcionamento de uma sociedade democrática. Ninguém é obrigado a saber de tudo, mas hoje temos mil meios de aprender as coisas antes de argumentar qualquer coisa com “minha opinião”.

Ao ver a foto do tal porrete, senti tristeza e medo dessa onda de ódio ao diferente, ódio ao próximo, ódio ao pobre, ao excluído socialmente. Pessoas que querem ser imunes à violência, mas praticamente pregam o código de Hamurabi.

Pessoas que são contra a violência que as atinge, mas favoráveis a usar violência com o próximo baseados em argumentações em um looping infinito de incoerência.

Sinto medo que esse porrete não seja usado só para botar banca e tirar foto.

Depois dessa coluna estou com medo, bem na verdade, é que esse porrete sobre até pra mim.

Segue reportagem sobre a referida manifestação de agricultores em frente ao Fórum de Passo Fundo.
Veja mais aqui.

Créditos da foto: Leonardo Andreoli

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