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As árvores são amigas e se autoajudam

As árvores são criaturas emocionalmente fortes e saudáveis. Ao contrário dos homens, elas vivem alegres e felizes. Só se abalam quando eles, os homens, mexem com elas de forma brutal.

Na sua linda canção “As árvores”, Arnaldo Antunes faz uma ode belíssima a estes maravilhosos seres vivos que formam as florestas nos dizendo “As árvores ficam paradas / Uma a uma enfileiradas / Na alameda / Crescem pra cima como as pessoas / Mas nunca se deitam”.

Assista e ouça: https://youtu.be/auoOG–P3-U?t=20

Talvez o fato de as árvores parecerem paradas e nunca se deitarem nos criem uma ideia de que elas não fazem nada, não se movimentam nunca, não têm sensações e emoções. Mas, eis um pensamento errado sobre as nossas árvores.

Estamos perdendo as nossas florestas e já não vemos mais árvores nas grandes cidades. O concreto está tomando conta de tudo. Os homens preferem fazer árvores de argila ou cimento do que plantarem sementes e esperarem, pacientemente, que elas cresçam, se tornem formosas e nos deem sombras e frutos.

Ah, o homem! Este ser que destrói tudo! As constantes queimadas, os cortes indevidos de árvores por madeireiros e o desenvolvimento desequilibrado das cidades vêm destruindo as florestas. As árvores estão morrendo ou sendo derrubadas todos os dias, todos os dias, por um machado ou serra elétrica.

Há quem goste de ter uma árvore de frente a sua casa. Há quem reclame das suas folhas secas sujando a varanda e a rua. Há quem se delicie embaixo da sua sombra e coma os seus deliciosos frutos agradecendo-lhe por tudo que nos oferece. Sim, há pessoas que conversam com as árvores como se elas pudessem escutá-las de igual para igual. E elas nos escutam. Muito mais inteligentes do que os homens são as árvores na arte da escuta e do amor ao próximo. Elas amam umas às outras, são amigas e se autoajudam.

Qual homem vive assim atualmente? Quantos amigos você tem? Quantas pessoas vêm te ajudar quando estais se sentindo sozinho no mundo?

Pois bem, as árvores são amigas umas das outras. Elas conversam entre si, contam seus segredos e até mesmo fofocam, acreditem. Tudo isso na maior harmonia. Diferente dos homens as árvores não são egoístas. Elas compartilham os seus nutrientes com as demais, quando uma delas é derrubada pelo tronco a outra ajuda as raízes que choram a não entrarem em depressão e continuarem lutando para renascerem do quase nada. Se existe verdadeiramente a imortalidade da alma, as árvores podem garantir que sim.

Quando uma árvore é queimada lá nas profundezas do solo estão as suas raízes sofrendo, solitárias, chorando, tristes. Sem saber o que fazerem ou para onde irem elas lamentam a ira do homem. Porém, nunca estão sozinhas. As demais árvores da floresta sempre se juntam para se autoajudarem. Surge uma corrente do bem entre as árvores.

Algumas árvores são conselheiras, outras ouvintes, há as que curam e as que meio tontinhas apenas ficam ali paradas a ouvirem respeitosamente as mais velhas. Cada uma age do seu jeito.

As árvores seculares são consideradas as mães das demais árvores. Elas sempre são chamadas para ajudarem as mais novas dando conselhos e orientando-as sobre a forma como devem viver para que possam desfrutar da vida de uma forma maravilhosa. Desde criancinhas as árvores aprendem que a amizade é um tesouro e não tem valor que a compre. Na tenra idade, as árvores costumam brincar entre si como se fossem crianças num jardim de infância. Claro que elas não vão à escola iguais as nossas crianças, mas aprendem as sabedorias das suas irmãs mais velhas e das suas mães seculares.

Às vezes penso que os homens têm inveja das árvores e por isso as maltratam. Eles nem sabem que para elas a vida é um benquerer infinito e cheio de bonitezas compartilhadas entre si quando fazem amizade umas com as outras e se colocam nos finais das tardes a ouvirem o canto dos pássaros como se estivessem tomando um belo chá da tarde com as amigas. As árvores são tão amigas umas das outras que conseguem morar pertinho sem nunca se xingarem ou praticarem guerras. Ah, se os homens amassem iguais a elas!

Talvez vocês achem que este texto é um pouco metafórico e imaginário demais, no entanto não o é. Quem fala dessa amizade e autoajuda das árvores sou eu que observo os seus comportamentos há muitos anos e que as amo com todo o meu amor porque nunca na vida tive um amigo melhor do que uma árvore. É a árvore do quintal da minha casa que sabe de todos os meus segredos. É a ela que conto todas as minhas aventuras e sonhos.

A gente tem que deixar de lado essa tolice de achar que só nós temos sentimentos e podemos nos emocionar. Todo ser vivo se emociona do seu jeito. Todo ser vivo é capaz de amar do seu jeito. Não somos os únicos dotados de sentimentos e emoções.

A teoria de que o homem é um animal racional porque pensa está fora de moda para mim. Acredito que todo ser vivo é capaz de pensar e tomar decisões da sua forma. Eu não sou cientista, mas que me importa a ciência se tenho a filosofia e a poesia correndo nas minhas veias cheias de sangue e um pensamento que diz a todo instante que o homem é tão tolo e tão ignorante no que concerne a realidade que deveria muitas vezes calar-se diante de tais eventos da natureza.

As árvores nas suas sabedorias aprenderam que sozinhas não somos nada, não conquistamos territórios, não aprendemos a ser melhores, mas juntos e nos ajudando uns aos outros somos capazes de mudar o mundo para melhor. É isso que quer dizer aquela pequena plantinha que nasce do asfalto quente no meio da avenida e teimosa insiste em gritar para todos que é capaz de crescer ali mesmo se ninguém a tirar do lugar.

As árvores são criaturas emocionalmente fortes e saudáveis. Ao contrário dos homens, elas vivem alegres e felizes. Só se abalam quando eles, os homens, mexem com elas de forma brutal.

Se pudéssemos descobrir os segredos das árvores acho que ficaríamos surpresos, pois em uma floresta muitas histórias são compartilhadas entre elas que através das suas raízes profundas conseguem conversar com a mãe terra e visitam lugares distantes trazendo para as suas irmãs histórias fascinantes. Assim, elas se tornam também boas contadoras de histórias umas às outras.

Quando uma árvore adoece, as demais chegam rapidamente em socorro. Cada uma age do seu jeito. Também existem as especialistas em áreas distintas. Os indígenas conhecem muito da vida das árvores assim como os velhos africanos guardiães dos segredos das suas tribos.

Admiramos as árvores pelas suas copas e troncos. Esquecemos que elas têm raízes profundas que vão além da terra. Que se enraízam chão adentro descobrindo mistérios e encantos nas profundezas do solo fértil e desbravador. As raízes que muitos as usam para medicamentos podem ser consideradas como os corações das árvores, o lugar onde elas guardam todas as suas vivências e experiências dialogadas com o mundo.

As raízes são as guardiães do contato das árvores com o mundo. Elas estão sempre preparadas para fornecerem os nutrientes necessários à vida das árvores, assim como são boas conselheiras no que diz respeito a forma de umas cativarem as outras.

Talvez também nunca tenhamos parado para pensar que as árvores nesse mundo meio parado que pensamos elas viverem também comemoram seus aniversários e fazem festas para os deuses que as habitam. A reencarnação é presente nas árvores, por isso elas vêm com missões a cumprirem por aqui. Suas missões muitas vezes são difíceis e exigem sacrifícios.

Quando se derruba uma árvore em algum lugar do universo a substância infinita criadora de todas as coisas lamenta a sua morte, mas a leva para uma nova morada.

As árvores nunca morrem elas apenas se encantam iguais aos homens, como disse o escritor Guimarães Rosa. Eu tenho uma árvore encantada dentro de mim e sei que um dia nos encontraremos na passagem do meu tempo por aqui. Eu quero na volta, na próxima missão, ser árvore. De preferência daquelas que gostam muito de fofocar e escrever poemas para crianças de madrugada.

As árvores são amigas verdadeiras umas das outras e nunca se abandonam. Elas também têm os seus costumes, valores morais, regras e tradições. São uma espécie de sociedade. E devemos tratá-las com respeito e dignidade. Antes de tocar em uma árvore é preciso pedir licença. Você não gostaria de ser tocado por estranhos, não é mesmo?

Uma curiosidade que me veio à mente agora é que estudo o comportamento do homem enquanto ser social no meu curso de Ciências Sociais, mas de uns tempos para cá tenho me dedicado a pesquisar o comportamento das árvores.

Na verdade, ainda há homens parecidos com as árvores no planeta Terra. Esses homens são grandes amigos e capazes de ajudarem uns aos outros sem nem pestanejar. Quem dera que os homens passassem a imitar o comportamento das árvores. Elas são seres sociais que se autoajudam solidariamente com seus vícios também, mas nada que desabone as suas relações umas com as outras e dentro da floresta. Sabem o momento de opinar e de se calar. Algumas, por incrível que pareça, gostam de mentir.

As árvores são seres com defeitos e acertos iguais a nós, sendo que por se manterem unidas o tempo todo o egoísmo e a inveja são pouco apreciados.

Como toda família, as árvores têm os seus problemas, dilemas, dificuldades e coisas para resolverem. Mas, se existe algo que elas sabem fazer melhor do que os homens é amar. Sim, as árvores amam incondicionalmente umas as outras. Disso eu tenho certeza e você também terá, caro leitor, se começar a prestar atenção nas árvores ao seu redor.

Para finalizar este texto que pode parecer meio estranho ao leitor cético ou ao estudante de ciências, deixo o pensamento do autor citado acima, Guimarães Rosa, que tanto admiro e diz: “Eu estou só. O gato está só. As árvores estão sós. Mas não o só da solidão: o só da solistência.” Que a solistência nos contamine hoje e sempre para que enquanto sozinhos sejamos múltiplos assim como as árvores nas florestas e que o nonada beije o queijo que o rato escondeu dentro do tronco de alguma árvore perto de você. 

Autora: Rosangela Trajano

Edição: Alex Rosset

Diagnóstico: Viver só (Z-602)

Amando e dando valor ao próximo que seremos valorizados, e o que tem valor, ninguém esquece e nem abandona. Como aprendi com uma nobre alma “Só é solitário quem não é solidário.”

A Classificação Internacional de Doenças 11ª edição (CID-XI) foi lançada no mês passado – fevereiro de 2022- pela Organização Mundial de Saúde e comemorada como um excelente instrumento de codificação de doenças e de tendências e estatísticas de saúde em mais de 90 países. 

Utilizando-se de mais de 17 mil códigos de lesões, doenças e causas de mortes, os quais, combinados com mais de 120 mil termos codificáveis, torna-a capaz de listar mais de 1,6 milhão de situações clínicas, das quais, destaco a de código Z602.

É sob este número que está o código do diagnóstico VIVER SÓ. Segundo a OMS, esta é uma informação que serve para uso médico, para pesquisas e estatísticas, só não serviu para salvar a vida de Dona Marinela Beretta, uma idosa de 70 anos, moradora da Lombardia (região ao norte da Itália) a qual morreu sentada em uma cadeira de sua casa tendo permanecido sozinha e mumificada por dois anos sem que alguém desse por sua falta. O fato foi descoberto no mês passado, justamente aquele do lançamento da revisão da CID XI. Dona Marinela tornou-se mais um número estatístico numa região onde aproximadamente 70% de idosos moram em iguais condições de solidão.

​Pergunto: o que choca mais, a morte solitária ou uma existência na qual, ao findar, Dona Marinela não fez falta alguma? Ela não tinha familiares próximos que pudessem notar sua ausência. Seus vizinhos preocuparam-se, na verdade, com alguns galhos de árvores que caíram sobre a rua e a sua casa, e por isso, somente por isso, chamaram os bombeiros para a remoção. Encontra-la morta foi a consequência.

Que esta desagradável notícia possa nos servir de reflexão: se morrêssemos hoje, sozinhos, quem daria por nossa falta? Quanto tempo depois? Que tipo de importância temos como pais, filhos, vizinhos, amigos…. Fazemos falta? 

Não precisamos viver com medo da morte, ela é inexorável, chegará. Porém, é possível vivermos de maneira que nossas vidas tenham sentido nos permitindo a sensação de realização, de maneira tal, que passemos a representar algo na vida dos outros. É amando e dando valor ao próximo que seremos valorizados, e o que tem valor, ninguém esquece e nem abandona.

​Como aprendi com uma nobre alma “Só é solitário quem não é solidário.”

Autor: César A R de Oliveira

Edição: Alex Rosset

Desmagoadores: o bem que nos fazem

Creio que todos queremos bem os nossos desmagoadores, pois tentam minimizar os sofrimentos permitindo que se pare de pensar nas mágoas e que se possa voltar a apreciar as cores oferecidas a nossos olhos.

Meu avô recebia na sala envidraçada da frente de sua casa um ou outro visitante. Eu ficava atento às suas conversas. Notava que, quando alguém se queixava de alguma ofensa que sofrera, de alguma desatenção, injustiça, descaso, meu avô oferecia algumas sugestões.

Certamente, eram conselhos que fizeram bem a ele mesmo. Depois, adulto, fiz uma síntese da sua técnica e acrescentei a de outros desmagoadores.

UM: saia da postura passiva de vítima injustiçada e adote uma postura ativa.

DOIS: examine sua participação no evento para ver se há como agir diferente no sentido de evitar que se repita; não atraia sobre si o lado maldoso das pessoas.

TRÊS: não espere que todo mundo se coloque no seu lugar e “cuide” de você.

QUATRO: é humano desejar que alguém seja solidário, imaginar que o líquido que escorre da garrafa não seja devido à condensação e que sejam lágrimas, como diz a canção de Gusttavo Lima: “Até a garrafa chora quando vê meu sofrimento”.

CINCO: certos problemas são criados dentro de você e, assim, são seus e você é responsável por eles; há problemas que são criados por outros, fora de você, vão “respingar” em você mas não os deixe entrar, não são seus, não os “adote”.

SEIS: muitas das pessoas que lhe magoaram são boas pessoas; de nada adianta ficar revivendo esses seus “maus momentos”; Procure construir um presente positivo entre ambos: dele virão memórias e lembranças felizes de “bons momentos”.

Creio que todos queremos bem os nossos desmagoadores, pois tentam minimizar os sofrimentos permitindo que se pare de pensar nas mágoas e que se possa voltar a apreciar as cores oferecidas a nossos olhos como na foto de Zilah Fragomeni Goellner.

Fica a sugestão: vamos nos lembrar deles. Não só de filósofos, como Epicuro, mas também de pessoas com as quais convivemos, aquelas que nos encantam porque, “frente a um problema, buscam a solução e não o culpado”. Repito: “a solução e não o culpado”.

Esta é a minha segunda crônica publicada no site. Conheça também a crônica: A princesa das baratas. https://www.neipies.com/a-princesa-das-baratas/

Autor: Jorge Alberto Salton

Edição: Alex Rosset

Ensino Religioso no Referencial Curricular Gaúcho do Ensino Médio

O RCG afirma o reconhecimento das diferentes religiosidades na formação histórica e cultural dos diferentes povos de toda humanidade e na afirmação de valores que promovam o respeito, a alteridade, a ética e a convivência pacífica como pilares de uma sociedade justa e equilibrada, superando os fundamentalismos dogmáticos que reforçam os anátemas.

Através de um Edital de Transferência Temporária para Dedicação exclusiva à Escrita do Currículo do Novo Ensino Médio do Estado do Rio Grande do Sul, no ano de 2020, a Secretaria Estadual de Educação fez uma seleção de 18 redatores titulares e 18 redatores suplentes. Estes redatores e redatoras, divididos por áreas de conhecimento, começaram seu trabalho no dia 22 de outubro de 2020 e seguiram atuando até o presente momento.

Os redatores e redatoras selecionados pela SEDUC são todos professores e professoras da rede estadual de ensino com atuação em escolas.

Como professor do estado, licenciado em Filosofia e Especialista em Metodologia do Ensino Religioso, fui selecionado para fazer parte do Grupo das Ciências Humanas, a partir do Componente Curricular Ensino Religioso.

Processo de Construção

A história do Ensino Religioso no RS tem sido generosa, contando com o empenho e participação de muitas pessoas e entidades que fortaleceram o componente curricular a perspectiva de uma formação humana integral. Em especial, destacamos o papel do Coner-RS que, a partir das denominações religiosas que compõem este Conselho do Ensino Religioso do RS, fortalece a perspectiva do diálogo inter-religioso.

Conheça: https://conerrs.wixsite.com/coner

Gládis Pedersen de Oliveira, uma estudiosa em Ensino Religioso, atuante na formação de professores e professoras, em artigo neste site, publicado em 30 de novembro de 2020, escreve que “a finalidade do Ensino Religioso é o conhecimento dos fenômenos religiosos, na perspectiva da diversidade religiosa. Fundamenta-se na ideia de que é preciso “conhecer para respeitar”, trabalhando os conhecimentos religiosos sem proselitismo, mas reconhecendo sua importância na formação histórica e cultural dos diferentes povos e de toda humanidade e afirmando valores que promovam o respeito, a alteridade, a ética e convivência pacífica como pilares de uma sociedade justa e equilibrada.”. Leia mais: https://www.neipies.com/ensino-religioso-no-novo-ensino-medio/

Na mesma publicação, Gládis Pedersen de Oliveira apresentou sugestões de habilidades que poderiam contribuir para a consolidação dos conhecimentos do Ensino Religioso no Ensino Médio, bem como podem definir a especificidade da atuação deste componente curricular nesta última etapa de formação da Educação básica.

A partir destas sugestões, de discussões com outros estudiosos do Ensino Religioso, em sintonia com os redatores dos demais componentes da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e com contribuições e sugestões da Consulta Pública a que foi submetido o Referencial Curricular Gaúcho do Ensino Médio nos meses de novembro e dezembro de 2021, resultaram um texto específico do Ensino Religioso e na definição de 10 habilidades que dialogam diretamente com a execução deste componente curricular no Ensino Médio do RS.

Como registra o Referencial Curricular Gaúcho Ensino Médio, na página 111, “no Rio Grande do Sul, o Ensino Religioso é parte integrante do currículo do Ensino Fundamental e Médio, atendendo ao disposto na Constituição Estadual de 1989, compondo, juntamente com as demais áreas do conhecimento, um todo orgânico e interdisciplinar, com foco na construção efetiva de aprendizagens significativas. Nesse sentido, o RCG afirma o reconhecimento das diferentes religiosidades na formação histórica e cultural dos diferentes povos de toda humanidade e na afirmação de valores que promovam o respeito, a alteridade, a ética e a convivência pacífica como pilares de uma sociedade justa e equilibrada, superando os fundamentalismos dogmáticos que reforçam os anátemas”.

O texto que segue é transcrição de parte específica do Referencial Curricular Gaúcho do Ensino Médio aprovado pelo Conselho Estadual de Educação no dia 20 de outubro de 2021, conforme Parecer CEEd Nº 003  que, “institui o Referencial Curricular Gaúcho para o Ensino Médio – RCGEM, etapa final da educação básica, e suas modalidades, como referência obrigatória para elaboração dos currículos das instituições integrantes dos Sistemas Estadual e Municipais de Ensino do RS, nos termos deste Parecer”  e a “ Resolução CEEd Nº 361, que Institui o Referencial Curricular Gaúcho para o Ensino Médio – RCGEM, etapa final da educação básica e suas modalidades, como referência obrigatória para elaboração dos currículos das instituições integrantes dos Sistemas Estadual e Municipais de Ensino do Rio Grande do Sul, nos termos do Parecer CEEd 003/2021”  .

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 Reconhecer e promover as diversidades culturais e religiosas como elementos de convivência fraterna e dialógica.

“A escola, lugar de interação social, de representação e representatividade, de aceitação, de respeito e de pluralidade cultural e religiosa, acolhe indivíduos das mais diversas origens. Além de promover o estudo e o reconhecimento das tradições religiosas, valoriza os saberes tradicionais e a ancestralidade, colabora para melhores entendimentos sobre a diversidade religiosa, cultural e étnica do Rio Grande do Sul.

O conhecimento das diferentes religiosidades e as diferentes formas de crença contribuem para desconstruir preconceitos na âncora do conhecer para respeitar. A educação, ao almejar o pleno desenvolvimento humano, não pode omitir o conhecimento, o estudo e a pesquisa das religiosidades, dos fenômenos religiosos, como manifestações espirituais.

Os fenômenos religiosos, indissociáveis da vida das pessoas, não podem ausentar-se dos estudos realizados na escola. A escola colabora para superar visões fragmentadas e meramente racionais da existência, do conhecimento e do mundo, compreende que, para além do racional, o ser humano constitui-se também do emocional, moral e do espiritual.

O Ensino Religioso guarda significativa relação com o Projeto de Vida dos/as estudantes, permitindo-lhes amplitude e profundidade de relações consigo mesmos, com os/as outros/as, com a natureza e com o transcendente, o que pode ser denominado espiritualidade.

Um dos aspectos que se incorporam nas práticas pedagógicas do Ensino Religioso são as competências socioemocionais, já previstas na BNCC. Uma formação integral vai além dos aprendizados técnicos. As competências socioemocionais oferecem suporte para cada indivíduo lidar com as próprias emoções, através de habilidades intrapessoais como autoconhecimento, autoestima, autonomia e resiliência. Auxiliam, também, nas relações interpessoais, quando os indivíduos elaboram senso de colaboração, empatia e respeito.

O trabalho escolar socioemocional contribui nas lidas do dia a dia, através da ética, do aumento de capacidade para lidar com situações complexas e da persistência, além do pensamento crítico, da colaboração e da ponderação para resolver conflitos.

Entende-se, numa perspectiva inter-religiosa, o objeto de estudo é o conhecimento e a compreensão dos conceitos de imanência e transcendência e trabalhar o respeito à diversidade cultural e de crenças, sem proselitismo, o aumento de capacidade para lidar com situações complexas e da persistência, além do pensamento crítico, da colaboração e da ponderação para resolver conflitos.

O olhar crítico, questionador e reflexivo das juventudes, uma vez orientado para o reconhecimento e o respeito às diferenças religiosas que envolvem a todos/as socialmente, inclusive daqueles/as não religiosos/as, é fundamental para qualificar relações sociais mais respeitosas e livres. É direito dos/as estudantes conhecer e reconhecer os princípios e fundamentos das diferentes religiões e culturas, bem como do ateísmo e do agnosticismo.

O acesso e a apropriação dos conhecimentos das religiões, dos saberes tradicionais, da ancestralidade e das filosofias de vida possibilita o exercício do respeito e da superação dos preconceitos e discriminações. Ao conhecer as tradições religiosas, os/as estudantes compreendem como elas implicam a formação cultural dos povos, como impregnam valores, moral e ética aos modos de vida das diferentes nações e povos.

O trabalho pedagógico, a partir de habilidades específicas que partem deste componente curricular, valoriza o patrimônio cultural e religioso produzido pelas capacidades humanas e pelos sentidos e usos da razão e da reflexão e institui potencialidades dialógicas e hermenêuticas de crescimento interior e relacional entre ciência e religiosidade. Valoriza, também, as culturas locais e o reconhecimento das diferentes religiosidades e formas de crenças que compõem a rica e diversa cultura gaúcha.

Ao incluir as tradições – indígenas e afro-brasileiras –, se reconhece o caráter identitário de muitas comunidades e de suas origens. Dessa forma, confere-se representatividade aos grupos e também às individualidades de cada estudante, sem deixar de lado suas histórias. Valorizar conhecimentos religiosos, filosóficos e científicos, em diálogo permanente, sugere às juventudes, no decorrer dos estudos e discussões, a pluralidade cultural e o princípio da alteridade como dimensões da autonomia e do protagonismo.

Os conhecimentos das diferentes tradições religiosas, os saberes tradicionais e da ancestralidade e as filosofias de vida, no contexto das CHS, podem sinalizar os fundamentos para a prática da espiritualidade, diante dos fortes apelos do mundo material”.

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Habilidades relacionadas com o Ensino Religioso no Ensino Médio

Com a intenção de facilitar a compreensão e a aplicabilidade de habilidades no planejamento das aulas do Ensino Religioso no Ensino Médio, queremos propor uma divisão didática que segue. Lembramos, ainda, que os objetos de Conhecimento devem ser construídos a partir de cada habilidade.

Habilidades de espiritualidade e religiosidade:

(EM13CHSA307RS) Compreender o conceito de espiritualidade na dimensão do cuidado: de si, dos outros, da natureza e do transcendente.

(EM13CHSA505RS) Pensar os sentidos e a importância das ações humanas promotoras do bem comum, da solidariedade, da ética e da cooperação, como pressupostos da cultura de paz, da harmonia, da justiça social e da dignidade humana.

(EM13CHSA506RS) Analisar os conceitos e fundamentos do agnosticismo e do ateísmo num contexto de liberdade religiosa, preservação do diálogo respeitoso e fraterno e da convivência pacífica.

(EM13CHSA607RS) Analisar e compreender o ser humano como integral e capaz de desenvolver suas potencialidades e habilidades socioemocionais e cognitivas.

(EM13CHSA608RS) Compreender o sentido ampliado de vida como relevante para a constituição dos Projetos de Vida e da trajetória pessoal.

(EM13CHSA308RS) Compreender as relações intrínsecas entre os elementos constituintes do cosmos e o protagonismo humano nas fronteiras da ética e da bioética concentrando esforços na promoção, defesa e continuidade da vida.

(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais

Habilidades de contexto sócio-histórico:

(EM13CHSA107RS) Problematizar as relações entre cultura e religiosidade, de modo a compreender como diferentes povos e nações constroem sua história a partir da diversidade das crenças e das manifestações de fé.

(EM13CHSA108RS) Identificar e analisar datas comemorativas, feriados locais e nacionais com origens religiosas ou sejam referências por reconhecimento de lutas, por consciência ou por afirmação de direitos.

(EM13CHSA207RS) Analisar e reconhecer as relevantes contribuições culturais e religiosas dos povos indígenas, africanos e afro-brasileiros para a história e a cultura.

(EM13CHSA507RS) Estudar e compreender como os paradoxos do secularismo e do fundamentalismo tensionam a negação do poder religioso e as formas autoritárias e impositivas de vivenciar valores.

(EM13CHSA508RS) Reconhecer o direito e a liberdade de crença como garantias de um Estado laico e de vivência dos direitos humanos

(EM13CHS101) Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

(EM13CHS104) Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.

(EM13CHSA110RS) Elaborar, compreender e desenvolver argumentações com sentido para a dignidade humana e a justiça social a partir de diferentes concepções teóricas

 (EM13CHS501) Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.

FONTE: https://educacao.rs.gov.br/upload/arquivos/202111/24135335-referencial-curricular-gaucho-em.pdf

Autor: Nei Alberto Pies

Edição: Alex Rosset

Rússia ou ucrânia? Leia antes de querer escolher um dos lados

Às favas com as pretensões imperialistas da Rússia ou dos Estados Unidos! Minha preocupação é com a população ucraniana que está no meio deste fogo cruzado. E mais: preocupar-me com os ucranianos não significa desprezar o sofrimento de outros povos que se encontram em situação semelhante ou até pior.

Quem diria que um dia Silas Malafaia se pronunciaria em redes sociais para justificar a invasão russa na Ucrânia? Não duvido que só tenha se posicionado após consultar seu mito. Como ele poderia contrariá-lo a esta altura, depois de se comprometer até o pescoço com o seu projeto de poder? Deve ter sido constrangedor ver seu presidente prestando continência ante o túmulo de soldados soviéticos, e vê-lo dizer que o Brasil era solidário à Rússia às vésperas da invasão da Ucrânia. Ainda mais constrangedor deve ter sido ver Bolsonaro vangloriar-se de ter evitado uma possível guerra mundial enquanto estava à bordo do avião que o levava a Moscou.

Tenho a impressão de que bolsonaristas ferrenhos ficam sempre aguardando o sinal de seu mito para saber a quem devem odiar, ou quem seria o comunista da vez. Fico a me perguntar: será que Bolsonaro seria simpático a Putin se este não fosse um aliado de Trump? E será que Malafaia se posicionaria da mesma maneira se Bolsonaro se pronunciasse a favor da Ucrânia?

No mesmo vídeo, o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo aproveitou a deixa para desvirtuar o assunto, introduzindo inusitadamente a questão do aborto, acusando de hipocrisia quem se diz contrário à guerra enquanto apoia a morte de milhões de bebês abortados.

Um canal cristão/bolsonarista de humor que atende pelo sugestivo nome de “Hipócritas” aproveitou a guerra para defender o acesso da população às armas, como se isso fosse impedir um conflito bélico ou ao menos proteger a população de uma invasão estrangeira.

Ledo engano. Uma paz garantida por armas não passa de uma bomba relógio prestes a explodir. Ou você acha que distribuir armas para a população ucraniana vai coibir o avanço das tropas russas? Não sejamos ingênuos.

Fato é que nunca foi tão difícil se posicionar acerca de uma guerra como agora. Mas quem disse que precisamos torcer por um dos lados? Até quando nos comportaremos como torcida organizada como se tudo não passasse de um espetáculo?

De um lado do ringue, um autocrata megalomaníaco, ex-agente da KGB, que se perpetua no poder à frente da segunda maior potência bélica do mundo. Do outro lado, um comediante que alcançou projeção ao vencer a “dança dos famosos”, e se notabilizou na TV ao interpretar um professor de história que chegava cargo de presidente da república de forma inesperada.

O ator decidiu apostar na popularidade do personagem e se candidatou à presidência da Ucrânia, vencendo o segundo turno das eleições com mais de 70 por cento dos votos. Não, ele não é um neonazista como Putin anda espalhando por aí. Aliás, ele é judeu. Seu avô lutou na Segunda Grande Guerra contra o exército nazista. Mas ele também não é um santo. Em um dos esquetes como humorista, Volodymyr Zelensky aparece metralhando os membros do parlamento após uma discussão. Não chegou a fazer isso. Mas tão logo assumiu a presidência da Ucrânia, dissolveu o parlamento.

No meio desta guerra de egos e narrativas está o povo ucraniano.

Se parasse aí, talvez ninguém saísse machucado. Tudo se resumiria à troca de farpas, memes e fake news.

Mas o ego de Putin não poderia tolerar que bem no seu quintal, um país que foi parte do antigo império soviético, desafiasse seu poderio, filiando-se à OTAN, união dos desafetos da antiga União Soviética.

Quanto malabarismo é necessário para justificar o que está ocorrendo ao povo Ucraniano?

Há quem relativize o fato e justifique as pretensões imperialistas da Rússia alegando que os Estados Unidos protagonizaram inúmeras invasões ao longo das últimas décadas. De fato, não há mocinho nesta história. Trata-se de duas potências bélicas disputando a hegemonia mundial. Mas não se pode justificar as atrocidades de uma, apelando às atrocidades de outra.

Não há Batman nesta história, nem tampouco comissário Gordon clamando por socorro enquanto projeta a imagem do morcego nas nuvens. Nesta história só encontramos Coringas, Charadas e Pinguins disputando Gotham City.

Às favas com as pretensões imperialistas da Rússia ou dos Estados Unidos! Minha preocupação é com a população ucraniana que está no meio deste fogo cruzado. E mais: preocupar-me com os ucranianos não significa desprezar o sofrimento de outros povos que se encontram em situação semelhante ou até pior.

Infelizmente, nem sempre a mídia dá a devida atenção a conflitos que ocorram em países mais pobres, de modo que as informações que temos são mínimas em comparação às que nos chegam acerca do que ocorre no leste europeu.

Em suma, devemos condenar igualmente toda e qualquer pretensão imperialista, independentemente da ideologia que propague, assim como devemos nos solidarizar com qualquer povo ou nação que seja vítima de tais pretensões, independentemente de questões étnicas, culturais ou econômicas. Que nossa solidariedade não seja seletiva, mas abarque o povo ucraniano tanto quanto o povo da Síria, da Somália e do Iêmen.

O que não podemos é passar procuração para que outros pensem e decidam por nós, fazendo-nos simpatizar com aqueles com os quais compartilhem interesses, e odiar os que se encontram na trincheira oposta.

Para evitar que sejamos manipulados, temos que nos informar, não por memes em grupos de whatsapp, mas através de canais devidamente abalizados, em que se possa ouvir a explanação de historiadores, especialistas em geopolítica e relações internacionais, sociólogos, filósofos, etc. Através deles, você poderá entender as razões do conflito, mesmo que as opiniões sejam enviesadas. Porém, jamais se esqueça que nenhuma razão, por mais plausível que seja, justifica o derramamento de sangue inocente.

Lembre-se, ainda, que a terra plana não dá voltas, ela capota. Inimigos de hoje, serão aliados amanhã. O que dita de que lado estarão são os interesses que estão acima do bem-estar de seus respectivos povos.

Eduardo Moreira fala sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia. Assista as suas sensatas análises e reflexões: https://www.facebook.com/eduardomoreirabrasil/videos/4823003514491889

Autor: Hermes C. Fernandes

Edição: Alex Rosset

Piso Salarial do Magistério: uma conquista nossa

O piso é lei e, sendo assim, nenhum Prefeito ou Governador podem, a partir de janeiro de 2022, pagar abaixo do valor de R$ 3.845,63 a uma professora ou a um professor com formação normal médio e com uma carga horária semanal de trabalho de 40 horas.

O livro “Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério: dois séculos de atraso”, da Professora Juçara Dutra Vieira, mostra que a primeira vez que se determinou no Brasil o valor mínimo para o salário da professora e do professor foi em um Decreto Imperial de 1827. Na ocasião, as províncias não aplicaram a determinação do Imperador, alegando não haver recursos suficientes para arcar com o valor, já que boa parte dos impostos arrecadados eram encaminhados à Coroa Real, no Rio de Janeiro e em Lisboa, à época ainda de Dom Pedro I como Imperador do Brasil.

A Conferência Nacional de Educação para Todos, realizada por etapas governamentais nos anos de 1993 e 1994, culminou com a assinatura de um pacto pela valorização dos Profissionais do Magistério e pela qualidade social da educação. Esse pacto indicou a criação do FUNDEB, um fundo para financiar todas as etapas e modalidades da educação básica e a valorização dos profissionais da educação, com aplicação do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público a partir de outubro de 1995.

Mas o Presidente Fernando Henrique Cardoso – FHC (PSDB) ao tomar posse em 1995, desconsiderou o pacto assinado pelo Ministério da Educação durante o governo do Presidente Itamar Franco. Esse documento foi assinado à época pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação (CONSED), pela União dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), pelo Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação (FCEE), pelo Clube de Reitores das Universidades do Brasil (CRUB) e pela União Brasileira dos Estudantes (UBES).

FHC e o então Ministro da Educação Paulo Renato criaram um outro modelo de financiamento para a educação, reduzindo o alcance desse fundo e o destinando apenas para o ensino fundamental (FUNDEF). Essa opção política, à época, abandonou a educação infantil, o ensino médio e as outras modalidades da educação básica. Aplicou a valorização apenas aos profissionais do magistério atuando no ensino fundamental e transformou o valor do piso salarial em salário médio, no valor de R$ 300,00 para a professora e professor dessa etapa de ensino com formação normal médio e com carga de trabalho semanal de 40 horas.

A CNTE nunca desistiu de conquistar o piso salarial profissional nacional para os/as profissionais da educação. Durante o período do governo do Presidente Lula, reabrimos o debate sobre o FUNDEB e conquistamos o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino e a Valorização dos/as Profissionais da Educação no ano 2007. Por meio da Emenda Constitucional nº 53/2006, conquistamos o direito dos/as trabalhadores/as administrativos da educação, após curso na área educacional, tornarem-se profissionais da educação e, após muita pressão/mobilizações, conquistamos o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da educação básica, que se tornou Lei no segundo mandato do presidente Lula (Lei 11.738/2008).

Desde janeiro de 2010 que a atualização do valor do piso salarial da/o professora/or acontece ano a ano, seguindo os critérios definidos nas leis do FUNDEB e na lei do piso salarial do magistério.

Sempre é importante lembrar, o piso salarial foi e é uma conquista nossa, não é dádiva nem presente de nenhum presidente da República. Quem determina o percentual de atualização do piso são as leis que foram criadas depois de muita luta do movimento educacional brasileiro e, em especial, da CNTE.

Logo, não é o Genocida que está concedendo esse aumento em 2022. Na verdade, o atual Presidente da República queria rebaixar o percentual da atualização do piso para ser referenciado apenas pela inflação de 2021, sem qualquer ganho real. Mas a nossa mobilização, mais uma vez, foi vitoriosa e impedimos, assim, mais um ataque do governo federal à nossa categoria.

O piso é lei e, sendo assim, nenhum Prefeito ou Governador podem, a partir de janeiro de 2022, pagar abaixo do valor de R$ 3.845,63 a uma professora ou a um professor com formação normal médio e com uma carga horária semanal de trabalho de 40 horas.

Fique ligado, lute pelo seu direito ao piso e carreira! Esses são critérios fundamentais em qualquer política de valorização profissional!

Artigo publicado no site do CPERS em 24/02/2022: https://cpers.com.br/piso-salarial-do-magisterio-uma-conquista-nossa-artigo-de-heleno-araujo-presidente-da-cnte/

Autor: Heleno Araújo, presidente da CNTE

Edição: Alex Rosset

Interlocução de Saberes – obra de um educandário estadual

Uma das iniciativas do site é valorizar publicações que sejam construídas de professores para professores, valorizando as trocas de conhecimentos e de experiências. Acreditamos que a sistematização ou problematização de práticas educativas contribuem para elevar a qualidade da educação. Conheçamos a experiência de um Instituto da Rede Estadual do RS.

“Num período em que ainda havia as promoções dos professores estaduais e a publicação de artigos ou capítulos de livros valiam uma significativa pontuação, muitos professores não conseguiam espaços em jornais locais ou regionais, bem como não havia revistas a fim de realizar tais publicações. Assim, decidiu-se em criar um livro com artigos dos professores do Instituto Estadual de Educação Odão Felippe Pippi.

Na oportunidade, também se discutiu sobre o título do referido livro, quando os autores reunidos numa sala do Magistério na Instituição votaram pelo título Interlocução de Saberes, dentre as várias sugestões apresentadas.

Inicialmente, os autores eram somente da Instituição, depois já se ampliou para outros professores ou interessados que tivessem interesse em publicar suas produções. E a fim de bancar as despesas da catalogação, ficha bibliográfica, ISBN e edição do livro buscou-se patrocínios, depois houve colaboração também dos próprios autores. Cada autor com direito a um número de exemplares.

Desta forma, o livro Interlocução de Saberes, no ano de 2021 lançou a 17ª edição. Iniciou no ano de 2005, mês de setembro. Fui organizador da primeira edição e de várias outras, depois que saí da instituição outros docentes continuaram as edições e foram ininterruptas até o momento”.

Autor: Professor Adelino Jacó Seibt, professor idealizador da obra

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Caros leitores e leitoras!

Apresentamos a XVII edição do Livro Interlocução dos Saberes, do Instituto Estadual Odão Felippe Pippi. A edição de 2021, assim como as anteriores, é fruto de uma bela caminhada e construído de forma coletiva e foi organizada por Milton César Gerhardt e Irena Bielohoubeck.

Esta obra se constitui de textos, artigos e reflexões ligados à temática educacional, construídos com o esforço e a dedicação de professores e estudantes. Os escritos são revelações de temáticas presentes na vida de cada autor que se constituiu autor de sua obra. Importantes e valorosas contribuições de muitas pessoas que têm seu trabalho vinculado à educação com um ato de profunda amorosidade.

No ano do centenário do nosso patrono da educação brasileira, Paulo Freire, destacamos sua contribuição histórica e social na educação.

Autor: Milton César Gerhardt, organizador.

Para quem tem interesse na obra, segue contato: miltoncesargerhardt@yahoo.com.br

Edição: Alex Rosset

Atitude filosófica de aprender com os erros

O que precisamos aprender para desenvolvermos nossa inteligência? De que forma a filosofia pode nos ajudar a aprender com os erros?

Aristóteles já dizia nas primeiras páginas de sua famosa Metafísica que todo homem deseja conhecer. Esse pressuposto que marca toda a história da filosofia, dos gregos até nossos dias, também pode ser um elemento fundamental da educação.

O ser humano é um ser aprendiz, e nisso consiste sua grandeza, seu diferencial com relação aos outros seres. Mas o que significa aprender com os erros nos tempos atuais?

O que precisamos saber para nos situar num mundo complexo e plural como o nosso? O que precisamos aprender para desenvolvermos nossa inteligência? De que forma a filosofia pode nos ajudar a aprender com os erros?

Roger Shank, um importante cientista da computação e reconhecido psicólogo cognitivo americano, em um de seus escritos “sobre o repertório científico do mundo que nos cerca”, destacou três requisitos fundamentais para que alguém possa ser considerado um inteligente aprendiz: propor e resolver problemas; aprender com os próprios erros; direcionar o próprio aprendizado. Os três indicativos de Shank nos remetem diretamente a aprendizagem com os erros.

Nunca imaginei que pudesse existir uma ciência do erro, mas ela existe e se chama “errologia”. Em seu livro Por que erramos?, (traduzido para o português em 2011), a jornalista e escritora Kathryn Schulz realiza um excelente trabalho de investigação sobre a importância do erro para os processos de aprendizagem e para uma vida de tolerância.

O erro é constitutivo do humano, porque é dessa forma que nos tornamos mais abertos e aptos a praticarmos nossa ignorância. E praticar nossa ignorância significa praticar nossa inteligência, nossa imaginação, criatividade, intuição e um conjunto de habilidades cognitivas e afetivas que são ativadas quando nos dispomos a aprender com os erros.

Há mais de 40 anos o reconhecido epistemólogo inglês Karl Popper declarava em uma de suas conferências publicada no livro A lógica das ciências sociais (1978) que “conhecemos muito. E conhecemos não só detalhes de interesse intelectual duvidoso, porém, coisas que são de uma significação prática considerável e, o que é mais importante, que nos oferecem um profundo discernimento teórico, e uma compreensão surpreendente do mundo”. No entanto, adverte Popper (1978, p.13), “nossa ignorância é sóbria e ilimitada”, pois a cada problema que resolvemos, a cada nova descoberta, nos damos conta que “todas as coisas são, na verdade, inseguras e em estado de alteração contínua”.

É a consciência da ignorância que nos impulsiona a conhecer mais, pois dar-se conta dos erros e aprender com eles pode nos ajudar a avançar na trajetória do conhecimento.

Infelizmente a cultura escolar tem prestado pouca atenção a esse ensinamento que pode surgir dos erros e da capacidade de construir conhecimento a partir deles. De fato, nossos sistemas tradicionais de avaliação dificilmente possibilitam um olhar construtivo do erro.

A “errologia” nos lembra que fracassar pode se tornar muito mais importante que o êxito e que punir o erro é punir a forma humana de aprende. Como nos lembra de forma instigante Gabriel Perissé em seu artigo “A errologia é infalível”, publicado na Revista Educação nº 182, “a resposta certa limita-se a colaborar o que já se sabe”; quem erra, no entanto, está em nítida vantagem, pois está prestes a aprender algo que o estudante nota 10 tem menos condições de aprender, ele já acertou tudo o que tinha de acertar e com isso pode simplesmente se acomodar.

Se estudarmos a história da ciência de forma cuidadosa, perceberemos que o seu progresso e avanço decorrem muito mais dos seus erros, do que seus acertos.

Os grandes inventores, e mesmo as grandes tradições de pesquisa, conseguiram realizar promissores avanços porque souberam aprender com os erros. Como diz Gabriel Perissé no artigo já mencionado, “o errologista é um otimista, pois defende o princípio de que, errando, contribuímos para a nossa evolução intelectual e emocional”.

A propósito disso, tem razão o reconhecido estadista americano Benjamin Franklin quando dizia que os erros da humanidade foram muito mais úteis do que as verdades uniformes e estreitas. Os erros são infinitamente variados e desafiadores. Aprender com os erros implica necessariamente numa arte: a arte de ver oportunidades onde a maioria prefere ver fracasso.

Em tempos de escolhas erradas no campo da política, nos investimentos duvidosos em projetos de desenvolvimento, na fabricação de certas crenças fundamentalistas que tem levado milhares de pessoas a idolatrarem personalidades com “pés de barro”, aprender com a pedagogia do erro pode se mostrar uma atitude filosófica educacional conscientizadora da realidade em que vivemos.

Proposta de Aprofundamento:

  1. Depois da leitura do texto, fazer um debate de ideias na turma, procurando identificar a importância dos erros e acertos, bem como das dúvidas e das certezas.
  2. Fazer uma pesquisa na internet de erros da ciência que resultaram em grandes invenções ou descobertas.
  3. Questão para debater: Qual é a importância da ciência? O que a filosofia tem a ver com a ciência?

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição:Alex Rosset

Dicionário Crítico-Hermenêutico Zygmunt Bauman

A organização de um dicionário sociofilosófico, em metodologia crítica e hermenêutica, permite um primeiro movimento na sistematização do ambivalente/plurivalente conhecimento produzido por Bauman.

O Dicionário Crítico-Hermenêutico Zygmunt Bauman, editado pela Editora da Unijuí e Editora da URI, organizado por Claudionei Vicente Cassol (Professor na URI, Frederico Westphalen-RS), João Nicodemos Martins Manfio (Professor na UniSociesc, Joinvile-SC) e Sidinei Pithan da Silva (Professor na Unijuí, Ijuí-RS), se esforça em sistematizar uma obra sociofilosófica, de cunho teórico-técnico e concentrar esforços nesse que pode ser um primeiro movimento para instituir uma história crítico-hermenêutica.

Esses primeiros escritos dão conta de uma mínima parcela do pensamento complexo/plural assumido e desenvolvido pelo filósofo social em estudo. São eleitas algumas categorias ou conceitos, aqui denominados de verbetes – para identificar a linguagem com o estilo literário que é objeto dessa escrita -.

As interpretações e a intencionalidade da obra Dicionário Crítico-Hermenêutico é, justamente, ventilar a possibilidade de diálogo, de incorporação da pluralidade e, desse modo, viabilidades que se descortinam para enriquecimento contínuo e alargamento de compreensões, de sentidos e de instituições humanas.

A complexidade do pensamento de Zygmunt Bauman (Poznán, 19.11.1925-Leeds, 09.01.2017), filósofo social de pensar plural, detentor de ímpar capacidade de diálogo entre diversas e divergentes tradições de pensamento, preocupado com questões da dignidade humana, da justiça social, de crescimento exponencial dos processos de simplificação da vida e do pensar, motiva o estudo e o debate permanente das conceitualidades presentes na sua obra, colorida pelas ricas metáforas, de operações teóricas desde o âmbito da ambivalência e da metodologia pluralizadora, denominada hermenêutica sociológica.

O Dicionário Crítico-Hermenêutico Zygmunt Bauman se torna possível, também, pelo apoio financeiro da FAPERGS, através de projeto aprovado para tal finalidade, pelo Edital ARD-04/2019.

O Dicionário se apresenta como 1) um debate em torno do pensamento baumaniano na tentativa de assegurar algumas gêneses teóricas desde a Sociologia e a Filosofia, identificadoras de seu constructo teórico; 2) possibilidade de elevar o conhecimento acerca do complexo, amplo e original pensamento de Bauman, professor de incertezas, contingências, ambivalências e plurivalência que povoam a vida, a existência, os discursos e os imaginários; 3) possibilidade de estabelecer, ainda que na transitoriedade/relatividade do pensamento situado na pós-modernidade ou, para ser fiel a Bauman, na modernidade líquida, alguns elementos teóricos da identidade de Bauman sobre as quais podem ser construídos e desconstruídos aprendizados, na perspectiva da dignidade humana; 4) um movimento de demarcação de um novo paradigma, uma nova forma de pensar, compreender e agir, na influência, na crítica e na interpretação do pensamento de Bauman, com e a partir dele.

A produção coletiva do dicionário sociofilosófico não significa a formatação definitiva de conceitos e a construção de amarras impeditivas de novos discursos e compreensões. Estaríamos na contramão do percurso teórico de Bauman. Contudo, a complexidade ou plurivalência do pensamento de Zygmunt Bauman e seus modos de operação teórica, múltiplas tradições sociofilosóficas que incorpora, desafiam a este empreendimento, não para fechar as perspectivas do filósofo social, mas para marcar amplitude, alcance, força e potencialidade da sua teoria. Desse modo, a organização de um dicionário sociofilosófico, em metodologia crítica e hermenêutica, permite um primeiro movimento na sistematização do ambivalente/plurivalente conhecimento produzido por Bauman.

O Dicionário Crítico-Hermenêutico sobre Zygmunt Bauman, prevê a) que conceituadores/as apresentam o (s) termo (s), situam no contexto, desenvolvem a compreensão, indicam fontes e sugerem leituras, tanto baumaniana quanto outras para permitir ao leitor/à leitora focalização, ampliação e pluralização da conceitualização; b) os conceitos/categorias/verbetes trabalhados, nesse primeiro momento, passam por análise da organização e, havendo divergências ou sondagens que se evidenciam necessárias, realizam-se contatos a título de revisões, consensualidades e validações; c) na perspectiva da continuidade da obra, estudiosos/as, pesquisadores/as e interessados/as, na região, no Brasil e no mundo, dispostos/as a construir, como colaboradores/as e autores/as de conceitos, serão contatados/as ou podem contatar a organização para submeter novos conceitos, sentidos, verbetes e interpretações. Consideramos a possibilidade de manter um fluxo contínuo para qualificar o projeto, atualizar e desenvolver novas edições. A empreitada construtiva da obra e/ou o desenvolver do projeto Dicionário Crítico-Hermenêutico de Zygmunt Bauman está aberta ao encontro de novas partes autoras; d) sempre que houver interesse em participar da composição do dicionário, com contribuições nas construções de sentidos às terminologias baumanianas, categorias/conceitos.

Escritores/as participantes:

Alejandro César Rayo Werlang, Altair Alberto Fávero, Arnaldo Nogaro, Bruna Sorensen, Carina Tonieto, César Augusto Danelli Jr, Claudionei Vicente Cassol, Claudir Miguel Zuchi, Daniela Lippstein, Eliane Cadoná, Eliete Jussara Nogueira, Evandro Consaltér, Fábio Roberto Pillatt, Fabrício José Dudek Kalfels, Felipe Pinheiro, Felipe Quintão De Almeida, Fernanda Dos Santos Ueda, Gabriela Antes Kuhn, Heloísa Derkoski Dalla Nora, Ivan Marcelo Gomes, João Nicodemos Martins Manfio, Juliana Brandão Machado, Junior Bufon Centenaro, Lidiane Limana Puiati Pagliarin, Luana Fussinger, Marcio Giusti Trevisol, Mariana Domitila Padovani Martins, Marie Jane Soares Carvalho, Olivério Vargas Rosado, Rogério Henrique Castro Rocha, Rosane De Fátima Ferrari, Rosmari Marodin Gobo, Sidinei Pithan Da Silva, Suimar João Bressan.

Caso seja do seu interesse adquirir esta obra, contate e-mail cassol.cv@gmail.com

Autor: Claudionei Vicente Cassol

Edição: Alex Rosset

Eco: mulheres que amam machistas como Narciso

Toda mulher deve ter o seu orgulho e o seu bom senso. Orgulho não por ser mulher, mas por tornar-se mulher sempre que é chamada pela natureza a amar alguém.

Há mulheres que morrem de amores por homens machistas que não estão nem aí para elas. Submetem-se as mais diversas humilhações, correm atrás, são xingadas e iludidas por eles, mas mesmo assim continuam a amar, amam intensamente, não conseguem ver as suas vidas sem a presença do macho escroto que só sabe dizer-lhes não, que não compreendem os seus amores, que não sabe amar ninguém. Essas mulheres sofrem e se deixam ser levadas por um amor doentio, sim. Um tipo de amor que precisa ser acompanhado por especialistas para não maltratar tanto o seu corpo e a sua alma.

Para quem não conhece o mito de Narciso farei um resumo breve. É um mito grego da antiguidade muito discutido na psicanálise. Trata-se de um jovem que ama a si próprio e que é de uma beleza radiante, recusa o amor de uma linda jovem chamada Eco. Ela corre atrás dele, deseja-o mais que tudo nessa vida e até pede para uma deusa castigá-lo por não querer o seu amor e morre em decorrência da sua culpa pelo castigo que Narciso recebeu e o faz sofrer. Eco se arrepende. Eco chora. Eco morre de desgosto. Identificou-se com Eco? Se sim, então peço que você reveja o seu conceito de amor. Amor é um sentimento que traz felicidade e não sofrimento. Quem ama deve receber cuidados da pessoa amada.

É certo que ninguém é obrigado a ficar com outro sem gostar, porém não é disso que quero falar. Detenho-me ao amor próprio que a mulher deve ter. Muitas mulheres no mundo inteiro vêm lutando para que o patriarcado fique no passado e que possamos ter os mesmos direitos dos homens. Não é nos deixando levar pela beleza de um homem que aceitemos todo tipo de maus-tratos.

Tantas mulheres morrem de amores por homens que abusam de suas fraquezas emocionais e vão e vêm quando querem.

Sem contar nos homens que contam dez ou vinte namoradas, uma em cada esquina da cidade. Os machistas se acham belos, mesmo sendo feios. Se acham os melhores na cama e os que mais merecem ser paparicados pela mulherada. Querem casa e comida pronta quando voltam das suas farras que às vezes duram dias. Atenção dedicada somente para eles. E ai daquela mulher que resolver sair da sua vida sem a sua permissão.

Homens como Narciso que só amam a si mesmos não merecem serem amados pelas mulheres nem jovens e nem adultas. Sim, porque as jovens sofrem mais mandando bilhetes, esperando a juventude inteira por aquele macho safado que só faz enganá-la dizendo que casa amanhã e depois e nunca casa. Nunca mesmo.

Toda mulher deve ter o seu orgulho e o seu bom senso. Orgulho não por ser mulher, mas por tornar-se mulher sempre que é chamada pela natureza a amar alguém.

O amor é belo, nele não há espaço para violência psicológica ou física. No amor não cabem palavras ou grosserias. Não quero defender Eco, mas também não vou julgá-la.

Quantas de nós já não fizemos algo errado em nome do amor e depois nos arrependemos?

Quantas de nós já pedimos aos deuses, Deus ou santos que trouxessem a pessoa amada para junto de nós e nos propusemos a fazer tudo para tê-lo ao nosso lado? Até mesmo fomos capazes de praticar maldades só para ter o homem amado ao nosso lado.

Não amem machistas. Escolham amar homens gentis que saibam valorizar o corpo e a alma feminina. Que saiam com vocês para passear, que não sejam considerados Dom Juans da vida, porque eles adoram serem chamados assim. Procurem amar homens que cuidem de vocês com carinho e respeito, que estejam aos seus lados na alegria e na tristeza.

Olhem-se para dentro de vocês! Vejam quão lindas são! Não permitam abuso de homem nenhum! Não se deixem serem levadas por ameaças psicológicas de que vou morrer se você me deixar ou você não vai saber viver sem mim se me deixar. Eles precisam mais de nós do que nós deles.

Mulheres, aprendam a amar primeiro vocês. O amor pede que nos conheçamos para amar o outro. Se você não gosta de usar sapato de salto alto, batom ou cabelo longo o seu macho deverá lhe aceitar do jeito que é sem exigir que mude nada na aparência, sem lhe humilhar diante dos amigos sorrindo quando você fala uma palavra errada.

Não! Não permita humilhações! Saia para passear sozinha pelos shoppings, museus ou teatros. Dê um pouco de atenção a si mesma. Vá a um show musical e curta o momento a sós onde você pode fazer tudo o que desejar sem ninguém lhe julgar porque está rebolando demais o corpo ou porque a saia está curta.

A maioria dos homens que se dizem belos costumam trocar de mulher como quem troca de roupa. Vivem em academias cuidando do corpo e falando mal uns dos outros com os amigos enquanto pegam aqueles pesos para construírem mais músculos. Eles acham que quanto mais musculosos ficarem mais atrairão mulheres para junto de si. São uns tontos.

E nós, como mulheres, devemos ser espertas cuidando de nós também para ficarmos lindas, cultas e inteligentes mostrando para aqueles que quiseram nos fazer de bobas o quanto demos a volta por cima e nos tornamos maravilhosas ao ponto de sermos cobiçadas por homens e por outras mulheres também, do mundo inteiro, gentis e amorosos(as).

Nenhuma mulher precisa de um homem para viver. Isso é um tabu que o patriarcado criou. Você, mulher, é capaz de viver sozinha e, muitas vezes, estar sozinha é melhor do que deixar-se permanecer num relacionamento abusivo e violento. Pense nisso!

Geralmente, homens de corpos belos somente amam a si mesmos e não estão nem aí para as mulheres que morrem de amores por eles. O tempo em que gastam cultuando os seus corpos é demasiado para ficarem preocupados com a mocinha ingênua que o espera sentada num sofá ou mesa de bar. Eles querem mais é serem endeusados por toda a mulherada.

Mulheres, aprendam a amarem.

Não deixem de amar homens bonitos porque nem todos são machistas e grosseiros, mas a qualquer sinal de desrespeito se afastem imediatamente dos mesmos. O amor de uma mulher é lindo demais para ser doado a um macho que só sabe subir em cima dela e violentamente penetrá-la até se satisfazer. Não é isso que queremos para nós, mulheres. Não merecemos esse tipo de homem.

Amemos os homens, sim, porque alguns merecem ser amados demasiadamente. Mas estejamos sempre em alerta a qualquer sinal de descuido ou grosseria. Afinal, o amor de uma mulher é o que de mais bonito pode ser encontrado no Universo depois das flores.

“Estamos no século vinte e um, mas ainda é muito comum encontrar mulheres submetidas a homens nas pequenas cidades brasileiras, principalmente nas regiões com menos acesso a serviços públicos. O patriarcado nada mais é do que essa estrutura social que define a submissão como a postura que a mulher deve ter em sua relação com o homem, ou seja, ele dita as regras de como a mulher deve se comportar”. Leia mais: https://www.neipies.com/o-patriarcado-nas-pequenas-cidades-brasileiras/

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

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