Estradas de sangue

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O Brasil está ganhando mais uma medalha: a medalha do campeão de acidentes em estradas. Mas, por que tanto acidente? Quais as causas? Porque ninguém toma alguma providência?

Viajar. Palavra interessante, que nos leva a pensar em conhecer novos ambientes, pessoas diferentes, enfim, viajar significa, na maioria dos casos, romper com o cotidiano, dar asas à imaginação, libertar o espírito desbravador. Afinal de contas, para que servem as estradas, além de servir para o transporte de cargas?

A estrada, juntamente com o automóvel e o ônibus, não deveria deixar de ser um instrumento de lazer, teoricamente deveria ser tão segura, ou até mais, que o confuso trânsito de nossas cidades.

Se esta foi a realidade do passado, no presente a realidade nos mostra que ocorreram mudanças radicais, para pior. Está se tornando um sério ato de risco de vida. Basta acompanhar os noticiários para vermos a quantidade incrível, e que cada vez mais cresce, de acidentes de todo tipo. Nada escapa: caminhão, ônibus, automóvel, moto.

Algo muito grave está acontecendo. Todos os dias, a imprensa mostra cenas de destruição e, nós, espectadores e prováveis vítimas futuras, nada fazemos. Ou melhor, fazemos de conta que não temos nada a ver com esta situação.

Isto é problema de quem viaja. Grande engano. Mesmo que o acidente não ocorra conosco ou com algum membro de nossa família, de uma forma indireta todos estamos envolvidos pelos acidentes que tem ocorrido nas estradas. Afinal de contas, quem acaba pagando o preço que significa a perda de vidas, dos ferimentos, de invalidez de pessoas, da destruição dos veículos?

O grande preço é pago pela sociedade, que perde a participação das pessoas, que, a muito custo, foram criadas e educadas pela sociedade.

Morrer de velhice é algo natural. Morrer de acidente em estradas é algo que a sociedade não pode aceitar.

O Brasil está ganhando mais uma medalha: a medalha do campeão de acidentes em estradas. Mas, por que tanto acidente? Quais as causas? Porque ninguém toma alguma providência?

Já houve época em que viajar de avião significava, sem razão, correr sério perigo. Hoje, milhões de pessoas usam o avião, e, apesar dos acidentes, é o meio mais seguro de transporte. Porquê? Simples, muito simples. No transporte aéreo as regras de segurança são rigidamente obedecidas. Este é o segredo: obedecer às regras de segurança.

E nas estradas, será que a segurança é obedecida? Não, é claro que não. Se o leitor não acredita, basta dar uma pequena saída e ficará convencido que na estrada está em vigor a lei da selva: salve-se quem puder e que sobreviva o mais forte e o mais esperto. Ninguém respeita ninguém.

Automóveis de pessoas que não têm prática de dirigir em estrada, caminhões que abusam de seu tamanho, ônibus de linha regular ou de excursão e até motos.

As mínimas regras de segurança estão sendo desrespeitadas: limite de velocidade em 80 km/hora ninguém respeita e só não se é ultrapassado por caminhão numa subida muito forte. Caminhão em descida: saia da frente salve-se, porque ele vem há mais de 100 km/h.

Mesmo à noite, quando menos se espera, um caminhão, destes com mais de 40 toneladas, invade sua faixa e, sem ligar a mínima para você, vem na sua direção, e se você não quiser morrer, saia para o acostamento.

Se depois destas experiências você conseguiu chegar em casa, ainda não esqueceu os sustos e as cenas dos desastres que viu ao longo da estrada, agradeça a Deus e pergunte: será que conseguirei sobreviver na próxima viagem?

Em 2025, lancei meu último livro “Minhas Crônicas 2”. A obra pode ser adquirida comigo ou através da Academia Passo-Fundense de Letras.

Autor: Roque Gilberto Anes Tomasini. Também escreveu e publicou no site “Produzir soja: até quando”?: www.neipies.com/produzir-soja-ate-quando/

Edição: A. R.

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