Dizem que falta amor no mundo. Talvez falte também interpretação de texto. Se Cristo é a chave hermenêutica das Escrituras, o amor é a chave hermenêutica da vida. Somente através das lentes do amor seremos capazes de compreender, de fato, a sua mensagem.
Saber de cor as letras do alfabeto não é o mesmo que saber ler. Ler exige reconhecer as combinações entre letras, sílabas e fonemas, percebendo os sentidos que emergem desse encontro. Saber soletrar palavras também não significa compreender o que está escrito. É preciso discernir o significado produzido pela relação entre elas.
Entender uma frase isolada é muito diferente de captar a mensagem que o texto inteiro deseja transmitir. Para isso, não basta observar apenas as palavras. É necessário atentar para os sinais, as vírgulas, os silêncios, os espaços e, sobretudo, para os sentimentos que o texto pretende despertar.
Assim também acontece com a vida.
Julgamos dominar assuntos, conhecer fatos, compreender pessoas e relacionamentos, quando, na verdade, muitas vezes não passamos de analfabetos funcionais da existência. Ou, simplesmente, analfabetos existenciais.
Gabamo-nos de títulos, diplomas e especializações, mas ainda não saímos do beabá da alma.
Estar informado sobre um fato não significa possuir a verdade.
Se alguém usa uma suposta verdade para chantagear, manipular, ameaçar, difamar ou obter vantagens, então o que possui não é a verdade, mas apenas fragmentos de informação possivelmente distorcidos, desencontrados, exagerados, adulterados ou mal interpretados. A verdade jamais serve à opressão. Sua vocação é libertar.
Muitas “verdades” carregam intenções inconfessáveis que, cedo ou tarde, acabam reveladas.
Não leia um livro pela metade e imagine conhecer sua conclusão. Não tente adivinhar o desfecho antes do tempo. Tampouco aceite spoilers de quem afirma saber tudo sobre a história. O que hoje parece sem sentido talvez encontre significado apenas no último capítulo.
A verdade que se revela no final, na realidade, esteve insinuando-se o tempo inteiro ao longo da trama. Pena que tantas vezes nos distraímos com informações inúteis e perdemos o essencial.
Dizem que falta amor no mundo. Talvez falte também interpretação de texto. Se Cristo é a chave hermenêutica das Escrituras, o amor é a chave hermenêutica da vida. Somente através das lentes do amor seremos capazes de compreender, de fato, a sua mensagem.
Autor: Hermes C. Fernandes. Também escreveu e publicou no site “Tire as sandálias dos teus pés”: www.neipies.com/tire-as-sandalias-dos-teus-pes/
Edição: A. R.










