Carta pela natureza às futuras gerações

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Esta carta-convite foi escrita pelo Sr. Gilberto Brockstedt há cerca de 20 anos, em um momento singular de sua trajetória: aos 76 anos, cursava a faculdade de Biologia e realizava estágio, demonstrando que o amor pelo conhecimento e pela natureza não tem idade. Ambientalista por essência, unia sensibilidade, prática e compromisso com a educação, deixando um legado que ultrapassa gerações.

Resgatar este texto é, ao mesmo tempo, um gesto de memória, de homenagem e de inspiração para as novas gerações.

Gilberto, meu querido pai, era pelotense por origem, e viveu por mais de quatro décadas em Soledade, onde constituiu sua família. Nesta carta, escrita três meses antes do seu falecimento, ele nos faz lembrar que pequenas atitudes constroem grandes transformações.

Cuidar do meio ambiente é, antes de tudo, cuidar da própria vida e garantir o futuro das próximas gerações. Que sua história siga inspirando jovens e adultos a fazerem a sua parte

Segue a carta.

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Estimados alunos da Escola Municipal Aurélio Coelho, de Soledade

Diz uma lenda que havia um incêndio numa floresta, e um beija-flor encheu o bico de água, voou alto sobre o fogaréu e deixou cair uma gota sobre o fogo. Voou dali e encontrou outros bichos que lhe perguntaram por que fizera aquilo. Disse que era para ajudar a apagar o incêndio. Os bichos deram muitas risadas e disseram: o que poderia adiantar uma gotinha d’água sobre um fogo destes? O beija-flor respondeu: – Bem, ao menos eu fiz a minha parte.

A natureza é maravilhosa. Sem ela não é possível a vida no mundo. Então todos têm a obrigação de cuidar dela. Temos de cuidar de nossas florestas, de nossas árvores, de nossos rios, de nossas flores, de nossos animais, do nosso ar, da nossa terra, pois assim estaremos cuidando de nós mesmos.

Vamos cuidar, por exemplo, de nossa terra, pois é ela que, afinal, nos dá o sustento, por meio do que plantamos e colhemos. Afinal, estamos todo o dia sobre ela.

Mas como poderíamos fazer a nossa parte? Vocês já ouviram falar em “húmus” ou terra vegetal? Pois bem, a terra é um elemento vivo, porque ela contém, além de muitas pedras e areia, restos de culturas, folhas de árvores, estercos de animais etc., que são a parte viva da natureza, chamada matéria orgânica. Esta é a parte principal da terra: é onde estão as vitaminas e os sais minerais que sustentam as plantas. Sim, as plantas, como são vivas, precisam beber e se alimentar como nós. A água, que vem das chuvas, é retirada do solo através das raízes e leva consigo vitaminas e sais minerais produzidos pelos restos vegetais e animais. Do ar, elas retiram nitrogênio e gás carbônico, também indispensáveis à vida das plantas.

Podemos ajudar a tornar o solo mais fértil? Sim. Hoje em dia, como a população do mundo aumentou muito e é necessário produzir muita comida, utiliza-se adubo químico, que é caro. Então, que tal produzirmos um adubo muito bom e barato em casa?

Isso é o que vamos aprender a fazer no Sítio Santa Helena, bem perto de vocês, e depois vocês poderão ensinar a seus pais. Vamos aprender a fazer adubo da melhor qualidade e até criar minhocas para pescaria e para alimentação de outros animais, pois elas também ajudam na produção desse adubo.

Vamos usar materiais que geralmente são jogados fora e, o que é pior, muitas vezes queimados, como folhas de plantas, restos de podas, palhas de vegetais, borra de café e erva, estercos de animais etc. Mas isso não vamos apenas estudar, vamos, sim, ver na prática, ao vivo.

VAMOS FAZER A NOSSA PARTE? MÃOS À OBRA!”

(Sr. Gilberto Brockstedt)

Autora: Marilise Brocksted Lech. Também escreveu e publicou no site “Onde mora a felicidade”: www.neipies.com/onde-mora-a-felicidade/

Edição: A. R.

3 COMENTÁRIOS

  1. Nosso site propõe-se a ser uma ferramenta para a humanização, através da produção e divulgação de conteúdos críticos e reflexivos. Obrigado por confiar no nosso trabalho, Marilise Brocksted Lech.

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