Talvez aí resida o verdadeiro milagre:
conectar-se com Deus.
Estar com ele para que ele esteja com a gente.
Viver com ele para que ele viva com a gente.
Conversar com ele para que ele converse com a gente.

 

 

Quando chegamos aos quarenta anos, elaboramos ideias mais consistentes que passam a nos orientar na vida adulta. Estas ideias são os conceitos que vamos sedimentando acerca da existência, do sentido da vida e do sentido do mundo. Aconteceu comigo quando me deparei com a palavra e o conceito “milagre”.

Sou um homem de fé, cristão, educado na doutrina Católica Apostólica Romana. Tenho conhecimentos de várias e muitas tradições religiosas e também de filosofias como ateísmo e agnosticismo porque sou professor de Ensino Religioso em escolas públicas. Estes conhecimentos nunca abalaram a minha fé, mas, antes, pelo contrário, confirmaram ainda mais minhas crenças. Nunca acreditei cegamente em milagres, mas sempre achei que poderiam existir entre a gente, a partir da fé de cada pessoa.

Um dia, ao ouvir uma homilia de um religioso, num canal de televisão, descobri o conhecimento que precisava para um amplo entendimento de milagre.

O religioso dizia: “se você tem algum problema, alguma situação difícil na qual esteja passando, creia em Deus. Não peça a solução para o seu problema, mas tenha fé. Não queira impor a Deus a sua vontade. Deus sabe o que se passa contigo e, se você tiver fé, ele saberá te ajudar naquilo que você precisa. Este é o verdadeiro milagre”.

Desde então, passei a me “perturbar” com o assunto e por isso decidi escrever, em forma de reflexão.

Vejo que a maioria dos cristãos acredita nos milagres, assim como eu. No entanto, tem uma ideia de milagre diferente desta que relatei acima.

A maioria dos cristãos acredita no poder mágico e extraordinário que vem do poder de Deus sobre a nossa frágil condição humana. Nesta perspectiva, o milagre sempre é um fenômeno externo à vida da gente. A gente pede, implora e se Deus não atende, a gente xinga, a gente esbraveja Deus porque Ele não nos atendeu. Parece que o milagre é só de Deus e a gente fica na passividade de ser apenas seu beneficiário. Isso, talvez, explique porque há tanta gente que está brigada com Deus.

Eu mudei meu conceito de milagre, a partir da fala do religioso. Passei a entender que milagres existem todos os dias, para aqueles que têm fé. Para aqueles que acreditam no poder de sua fé, sem a exigência de ser atendido naquilo que eles imaginam ser a solução dos seus problemas.

 

Oração para ter força e coragem.

Mahatma Gandhi, líder religioso hinduísta, em texto “Poder da Oração” afirma que ele simplesmente orava, mas um dia percebeu que se tornara um homem de fé. Percebeu que nada seria sem a força de Deus que agia nele. Disse ainda que orar ou rezar, não é pedir, mas sim, estar com Deus.

Talvez aí resida o verdadeiro milagre: conectar-se com Deus. Estar com ele para que ele esteja com a gente. Viver com ele para que ele viva com a gente. Conversar com ele para que ele converse com a gente.

Não tem problema a gente mudar de ideia. “O mais triste é não ter ideias para mudar”, como dizia Barão do Itararé. Antes tarde que mais tarde, sejamos capazes de rever os conceitos fundantes de nossa vida e de nossa existência. Cada dia é uma oportunidade para a gente se revelar a Deus e de Deus se revelar para a gente. Os milagres existem para quem tem fé!