Perguntei-me como a IA pode alimentar a esperança em um mundo mais justo e solidário? Como pode contribuir com a ecologia integral, ou seja, o cuidado efetivo com a Casa Comum? Poderá ela nos ajudar a fortalecer o diálogo respeitoso, a paz, a vida comunitária e a valorização da diversidade étnico-racial e cultural?
Hoje tirei um tempo para bater um papo-cabeça com a IA. Assim aprendemos a chamar a dona inteligência artificial. Convidei-a para tomar um chimarrão. Ela começou me dizendo que não é dessas coisas. Então já fiquei um pouco desconfiado. Mesmo assim, decidi que faria uma conversa sem beber nada, a seco.
Iniciei perguntando: – Quando você veio ao mundo? Ela não tinha muita certeza disso e nem onde tinha nascido. Manifestou dúvidas também a respeito de seus verdadeiros pais. Bem, vamos conversar mesmo assim, pensei. Não tenho nada a perder. Então, indaguei sobre outra questão: – O que você sabe fazer? Ela disse: – Um pouco de tudo. Pois, vamos ver.
– Qual a raiz quadrada de 70? Prontamente respondeu: – É 8.36660026534. Fiquei encantado com aquela precisão e rapidez! Eu tentei e não consegui, refleti comigo. Daí parti para uma questão de Geografia. – Qual a distância entre Brasília e Washington? De pronto me informou: – Em linha reta é aproximadamente 6.791 km.
Desisti das exatas e fui para a área da saúde. – Você poderia me orientar sobre o melhor tratamento para desnutrição? Ela não hesitou em afirmar: – Geralmente, envolve o aumento gradual de calorias, a reposição de nutrientes e pode necessitar de mudanças na dieta, suplementos, ou alimentação por sonda. Em casos graves, é essencial identificar e tratar a doença de base.
Eu já estava quase satisfeito com aquele papo, mas ainda aproveitei para fazer outra pergunta, agora sobre problemas brasileiros.
Não tardou em dizer: os maiores problemas do Brasil envolvem desafios estruturais e sociais profundos, encabeçados pela saúde pública precária e pela alta criminalidade e violência. Depois acrescentou também a segurança pública e a histórica desigualdade social.
Adiante, questionei se sabia algo sobre Paulo Freire. Logo foi dizendo que o grande pedagogo, autor do livro “Pedagogia do Oprimido” e tantos outros, é Patrono da Educação Brasileira. Que faleceu em 2 de maio de 1997, mas continua vivo no pensamento e nas ações de muita gente pelo mundo afora. Disse, inclusive, que acabou de acontecer na Universidade Federal de Santa Maria (21 a 23 de maio/2026) o XXVII Fórum de Estudos: Leituras de Paulo Freire com o tema “sementes para o esperançar com diferentes gerações”.
Como o assunto tomou o rumo das sementes, aproveitei para indagar quais as sementes importantes a humanidade precisa cultivar. Ela me falou das sementes da paz, da justiça, do cuidado, do diálogo e da educação humanizadora. A conversa já ia bem adiantada, quando me inventei de proferir uma pergunta também básica, que foi derradeira: – Você sabe preparar algum tipo de alimento? Ela imediatamente me forneceu a receita de vários.
Foi quando retruquei: – Eu não costumo comer receitas, mas comida. Nesse momento percebi que ela ficou abalada com a pedagogia da cozinha. Não tive medo de prosseguir: – Sempre depois que preparo comida e me alimento, sobra a louça para lavar. – Você poderia me ajudar nisso? Aí foi que ela caiu fora. Então pensei: a IA ia, porém não foi. Aí fui eu de novo.
Mas, ao ficar só, dialoguei comigo mesmo sobre o significado, os impactos presentes e as preocupações com o futuro da IA em nosso cotidiano.
Perguntei-me como a IA pode alimentar a esperança em um mundo mais justo e solidário? Como pode contribuir com a ecologia integral, ou seja, o cuidado efetivo com a Casa Comum? Poderá ela nos ajudar a fortalecer o diálogo respeitoso, a paz, a vida comunitária e a valorização da diversidade étnico-racial e cultural?
Conseguirá, enfim, nos levar a um patamar mais humanizado, a sermos mais democráticos e felizes? Enviei para a IA pensar. Estou aguardando as respostas!
Autor: Dirceu Benincá. Professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e do mestrado em Ciências e Sustentabilidade da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Autor do livro “Terra Sem Males dos Males da Terra”. Também escreveu e publicou no site “Terra sem Males dos Males da Terra”: www.neipies.com/terra-sem-males-dos-males-da-terra/
Edição: A. R.












“Perguntei-me como a IA pode alimentar a esperança em um mundo mais justo e solidário? Como pode contribuir com a ecologia integral, ou seja, o cuidado efetivo com a Casa Comum? Poderá ela nos ajudar a fortalecer o diálogo respeitoso, a paz, a vida comunitária e a valorização da diversidade étnico-racial e cultural?” (DIRCEU BENINCÁ)