Gerson Pont é um grande profissional do rádio. Quem o ouve, de cara, percebe que ele gosta da profissão, tem experiência, conteúdo, domina bem a comunicação e tem humildade para reconhecer o quanto ainda pode aprender nesta área.
Uma das vozes marcantes do nosso rádio, na atualidade, na cidade de Passo Fundo, Pont tem formação em publicidade e propaganda. Seus primeiros estudos na área começaram na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) na área de publicidade, em 1983, mas desde então já atuava em rádio.
Nasceu em Uruguaiana, RS. Morou em Santa Maria, Porto Alegre e Passo Fundo.
Montou rádios e atuou como gestor de conteúdo em várias emissoras do Rio Grande do Sul.
Convidamos Gerson Pont para que ele fale por ele mesmo.
Por sua postura, conhecimento e experiência nesta área de comunicação, queremos afirmar o rádio uma ferramenta da educação, da evolução cultural de uma cidade e do entretenimento conectado com a diversidade cultural.

Conte-nos como surgiu a vontade de atuar profissionalmente na comunicação, em especial, o Rádio?
Meu pai tinha um programa de rádio em Uruguaiana, era um programa religioso, aos domingos pela manhã. Como ele me via brincar de rádio em casa, me provocou a apresentar o programa, num domingo que ele estaria em viagem.
Devia ter uns 14 anos. Foi ali que descobri que minha vocação era essa, quando a luz vermelho de “NO AR” ligou! Profissionalmente, comecei em rádio na Atlântida de Santa Maria, no ano de 1983.

Com meu pai, relação com a música
Que aprendizagens e conhecimentos comuns transitam no universo da publicidade, rádio e jornalismo?
Da publicidade, veio a preocupação de sempre “embalar” bem o produto, de que as ideias sejam claras e comunicadas de forma correta. Isso valendo também para a música, que deve ser pensada a partir do perfil do ouvinte da rádio.
O jornalismo também deve ter essa preocupação de forma e conteúdo. A notícia deve ser dada da mesma forma que a gente conta uma história para alguém. Não pode ser chata!
Na sua visão, como o Rádio é também um agente educativo, de formação cultural?
Com certeza! As pessoas tem hábito de ouvir rádio e tem suas emissoras preferidas. Fazemos parte da vida diária de quem nos ouve. Um parceiro num momento (ou mais de um) do dia. Devemos ser esse agente educativo, partindo do princípio que somos uma concessão pública. Temos que ter responsabilidade, provocar, fazer pensar!
O rádio se adaptou às mais recentes inovações da comunicação como as redes sociais. Por que o Rádio não para de crescer e continua com papel tão relevante na comunicação de massa?
O rádio foi a primeira rede social do mundo, muito antes das redes atuais. Então, ele já tem essa característica multifacetada do digital. Seus principais diferenciais são o localismo e a portabilidade. Não tem nada mais fácil de consumir em qualquer lugar que o rádio. Mas ele deve falar da aldeia, das coisas que impactam de verdade a vida de seus ouvintes.
Os comunicadores sempre foram influenciadores, antes mesmo da criação desse termo e, reforçando esse perfil diverso, o rádio é oferecido com imagem, em transmissão nas redes sociais.
Tiveste muitas experiências profissionais em rádio (Rádio Rock 105 FM, Rede Transamérica, Rede Atlântida, Guaíba, Fundação Piratini). Como estas, e cada uma delas, te consolidaram como profissional da comunicação?
Cada experiência de nossa vida profissional é válida. Mas o exemplo mais claro que posso dar é a oportunidade de gestão na rádio Guaíba, uma rádio news, focada em jornalismo e esporte (antes, sempre coordenei rádios de entretenimento). Essa diversidade em formatos me deu a certeza que é possível fazer uma rádio musical com notícia junto, que é o modelo da Rádio UPF. Esse ainda é um conceito novo e pouco explorado no rádio, mas acredito muito nele.
Depois de várias experiências em rádio, tanto na gestão como na atuação de radialista e jornalista, vieste a Passo Fundo em 2007 para montar uma Rádio Universitária. Esta Rádio mescla boa música e notícias. Qual é o diferencial da Rádio UPF?
Temos bons diferenciais. Primeiro, ser uma rádio educativa, mas que não é chata, que é possível de ouvir, se informar e ouvir boa música. O outro é essa mistura bacana da música com a notícia.
Comandas um programa chamado Café Expresso. Qual é a essência deste programa?
O Café Expresso foi a possibilidade que vi de por em prática essa fusão de música com notícia. Ele está há 10 anos no ar, em duas edições (das 7 às 9 e das 12 às 14h, segunda a sexta). Pensamos nesses horários também em função do trânsito ser mais intenso nesses momentos do dia. Uma das grandes armas do rádio é ter grande audiência nos carros.

Turma do Café Expresso: Gerson, Zulmara, Cris e Taís
De onde vem inspiração e vontade de fazer comunicação com responsabilidade social?
Primeiro, da consciência profissional: o rádio é uma concessão pública. No caso da Rádio UPF, ainda tem a questão de ser uma rádio educativa. Não existiria outro caminho senão o da responsabilidade em todo o conteúdo veiculado.
Neste momento histórico do Brasil, como avalias a comunicação de massa? A liberdade de expressão/imprensa corre riscos?
Como sempre, de extrema importância. Apesar do avanço das redes sociais, os meios de comunicação tradicionais, principalmente tv aberta e rádio, continuam com grandes audiências e responsabilidade dobrada, em função das fake news que circulam no digital. A liberdade de expressão já correu riscos maiores do que agora aqui no Brasil, mas é fator permanente de preocupação. Ainda que a própria expressão seja frequentemente confundida com falta de responsabilidade. Infelizmente, alguns veículos, assim como indivíduos, cometem esse engano com muita frequencia.
Qual é a tua relação pessoal com a literatura? Gostas de ler, escrever e publicar?
Já andei lendo mais que agora. Mesmo assim, mantenho o hábito no nível mínimo que acho necessário pra não esquecer dos livros.
Tenho muitos escritos meus guardados e apesar de não tendo produzido nos últimos tempos, estou fazendo uma revisão do material. É muito interessante rever coisas escritas há muito tempo…
Publiquei pouca coisa e sempre em coletânea. Talvez seja meta publicar, desde que fique satisfeito quando finalizar essa revisão.
O problema é que vamos ficando mais exigentes com a idade…
Qual é a tua relação com o universo do Rock?
Na adolescência, a relação maior foi com a MPB, até pelos discos que o pai tinha em casa. O rock veio mais tarde, já trabalhando em rádio. Em casa, escuto muito música folclórica latino americana. Muito em razão de ter nascido na fronteira.
Como te defines numa frase.
Minha melhor definição é meu signo, sagitário. Metade gente, metade bicho. Com pequenas variações pra lá ou pra cá, conforme o contexto.
A vida, num verso.
“Mejor, o peor, cada cual
Seguirá su camino
Cuánto te quise, quizás
Seguirás sin saberlo
Lo que dolería por siempre
Ya se desvanece, eh
La vida es más compleja de
De lo que parece”. (JORGE DREXLER)
Uma breve mensagem aos que agora, ao invés de te ouvir, te leem.
Agradeço sempre pela audiência. Que é tão diversa nesses mais de 40 anos no rádio. Sempre fiz o melhor que minha capacidade permitiu. E com muito amor. A noção da responsabilidade só aumentou com o tempo. Hoje, penso muito mais em cada palavra que digo. Entendo que deva ser assim.
Fotos: Arquivo pessoal entrevistado.
Acesse também última entrevista desta Sessão: www.neipies.com/del-loco-de-asis-a-la-culturaruf/
Edição: A. R.












Muito bom a profissão de radialista é mesmo muito interessante.
O rádio também educa! Obrigado pelo comentário.
Excelente entrevista. A rádio UPF está de parabéns.
A foto com o seu pai parece ser um aviso sobre o que o aguardava.
Parabéns Gerson, parabéns a todos.
Obrigado pelo comentário. Gerson é o cara com vocação, capacidade e visão de comunicação.
Parabéns por mais um conteúdo exemplar.
Sempre fazemos o melhor que está ao nosso alcance. Obrigado pela reverência.
Gracias pela possibilidade da entrevista!
Eu te agradeço muito pela confiança! Você é um cara nota dez!
Felicíssimo pela publicação desta grande entrevista deste profissional da comunicação, Gerson Pont. Era um combinado de anos atrás que agora se materializa. Agradecemos pela confiança!