O amor é a força da vida. E também a energia dos processos de aprendizagem. Mas, é importante perceber que se tratam de dois tipos de sentimentos.
O amor familiar se caracteriza por ser um suporte para que se tenha o prazer de bem viver. O amor profissional se caracteriza pela responsabilidade de ajudar a encontrar o prazer de aprender.
O primeiro representa o convite para a participação no banquete da vida. O segundo assegura que o aluno não é um intruso no banquete dos conhecimentos. O amor profissional se caracteriza pela relação com a beleza e a importância de cada Campo Conceitual, no domínio científico.
Sara Pain, em sua sabedoria, propõe a seguinte cena para simbolizar dois momentos básicos da relação professor e aluno.
Imagine-se viajando num trem, duas pessoas, uma olhando para a outra, sentadas frente a frente, se uma dessas pessoas dirigir seu olhar para a paisagem mutante que a janela do trem oferece, ocorre sempre, que a outra pessoa vai buscar o que a primeira passa a olhar. Isto é, para manter a tarefa ensinante, a professora precisa estabelecer afetivamente uma relação desejante de ensinar a cada aluno, sem excluir nenhum.
E, a cada dia, dirigir seu olhar para a riqueza das ideias do campo conceitual a ensinar. Se a professora não é, ela mesma, encantada pelo que ensina, dificilmente despertará verdadeiro interesse dos seus alunos pelo que tem como objetivo. Por outro lado, se a professora não estabelece uma certa cumplicidade com todos os seus alunos, tendo como núcleo as conceitualizações que ela se propõe a oferecer-lhes, certamente, os que ficarem fora desse vínculo, não aprenderão.
Essa competência não vem por si só, quando alguém se torna professor. O amor profissional do mestre, entre ele e alunos, é parte essencial das condições de sucesso dos atos de ensinar e de aprender. Mas, trata-se de um amor profissional diferente do familiar ou social. Ele se concretiza nas malhas do desejo do professor de proporcionar conhecimentos. O amor familiar e as amizades sociais se caracterizam provocando o gosto de sermos pessoas humanas bem relacionadas com outras.
Certamente, para além do amor profissional, como indispensável para bem ensinar, são necessários outros dois conhecimentos: o do conteúdo científico a propiciar aos alunos e o conhecimento de como ensinar esse conteúdo, que é um outro precioso campo científico – o da DIDÁTICA de cada campo conceitual.
E, para nossa felicidade há muito de novo nesse, também novo, campo científico de como se ensina, pois não se nasce professor. Precisamos nos tornar professores.
Autora: Esther Pilar Grossi, escrito em 15/09/2025, em uma de suas redes sociais. Já publicamos no site outras reflexões de sua autoria como Para que Escola de tempo integral: www.neipies.com/para-que-escola-de-turno-integral/ e A não-aprendizagem: violência instituída: www.neipies.com/a-nao-aprendizagem-violencia-instituida
Edição: A. R.









