Cleide é dona de casa, esposa e mãe dedicada,
gosta de escrever e contar histórias do seu povo.
Dessas mulheres que crescem e
não perdem o encanto de ser menina.
Menina peralta, travessa, daquelas que gostam de poetizar
embaixo de pés de cajueiros ou no meio do milharal.

 

Cleide Paiva é uma mulher-menina tímida e que mora no meio do nada, ou melhor, no meio do mato, onde a gente respira o cheiro das folhas do baobá e o se encanta com o canto do sabiá no terreiro de casa. Cleide é dona de casa, esposa e mãe dedicada, gosta de escrever e contar histórias do seu povo. Dessas mulheres que crescem e não perdem o encanto de ser menina. Menina peralta, travessa, daquelas que gostam de poetizar embaixo de pés de cajueiros ou no meio do milharal.

Eu conheci Cleide numa tarde de poesia cheia de verde e canto de passarinhos. A sua fala simples, seu jeito tímido, suas mãozinhas de princesa logo me encantaram.

Ela me disse que estava fazendo um muro para a sua casa. Mas, antes precisava fazer os tijolos. Aquelas mãozinhas que à noite pegam na caneta para escrever poesias também fazem tijolos e logo senti a poesia dos tijolos de Cleide ao ver seu muro de tijolos de barro vermelho. Em cada tijolo, pode-se ler uma poesia, uma história de luta, uma batalha, um desejo de vencer.

Há pessoas que escrevem em computadores, Cleide escreve num caderninho simples em cima de uma mesa de madeira com quatro cadeiras diante de um fogão a lenha.

As panelas, os pratos, os talheres, as paredes da sua casa tudo tem poesia. Até no silêncio dos filhos e do marido a gente encontra poesia com aqueles sorrisos de gente do mato que sabe lidar com bichos de todas as espécies.

Cleide cria gatos, muitos gatos, diversos gatos, gatos de montões… gatos de todas as cores e tamanhos. Segue abaixo três textos que selecionei de Cleide para vocês apreciarem a sua escrita simples e cheia de poesia. Boa leitura!

 

A gatinha abandonada
Cleide Paiva

Um certo dia, uma gatinha foi abandonada pela a sua mãe desnaturada, no meio da floresta. De tanto andar sem saber para onde ir acabou presa em um buraco. Ela era pequenina e indefesa, ainda estava aprendendo a andar. Era branquinha com pintas pretas. Linda!

De repente, um menino ouviu um miado que vinha de dentro do mato, muito curioso foi olhar. Chegando lá encontrou a gatinha miando presa em um buraco, tentou tirar, mas foi em vão. O buraco era profundo.

Desesperado, o menino correu em sua casa e avisou para a sua mãe. A família se reuniu e todos foram tentar salvar a gatinha.

Depois de muita luta conseguiram resgatá-la. A gatinha ganhou um lar e o nome de Belinha. Hoje ela vive feliz e rodeada de crianças.

 

O pintinho rejeitado
Cleide Paiva

Era uma vez um pintinho que vivia sozinho com a sua mamãe. Um dia a dona que o criava morreu. Então, deixou a pobre galinha sozinha com o seu pintinho. Veio a malvada raposa e comeu a galinha deixando assim o pintinho sozinho.

Uma mulher que morava perto pegou o pintinho para cuidar sem se dá conta que tinha uma menina peralta em casa.

Numa tarde ensolarada, a menina com ciúmes do pintinho, porque a mulher dava mais atenção para ele, pegou o pintinho e amarrou num pé de manga distante de casa e nunca mais o bichinho viu ninguém.

 

O bode e a menina travessa
Cleide Paiva

Era uma vez uma família que morava em um sítio e ali criava-se de tudo: pato, peru, guiné, galinha e bode.

O casal tinha uma filha muito travessa. A menina mexia em tudo, nada ficava quieto quando ela estava por perto.

Uma certa manhã, chegaram alguns vizinhos na casa da família e os pais da menina tiveram que dá atenção às visitas. A menina muito travessa aproveitando o descuido dos pais, saiu e foi brincar com o bode.

A menina chegando ao quintal pegou os chifres do bode e foi puxando. O bode se irritou com a menina e deu-lhe um empurrão na barriga. A pobre menina foi jogada distante. Caiu gritando e chorando. Quando os seus pais chegaram levantaram-na do chão.

E para evitar que a mesma cena se repetisse o pai resolveu vender o bode.