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“Suicídio.com – autoextermínio na era da internet” é tema de roda de conversa na UPF

Entre abril e maio de 2017,
foram registradas mais de 1 milhão
de menções virtuais ao suicídio.

 

O município de Passo Fundo tem mais do que o dobro de suicídio da média nacional, que é de 5 suicídios para cada 100 mil habitantes (2013). A capital do Planalto Médio está entre as cidades brasileiras com o maior número de suicídio, 12 para cada 100 mil habitantes, configurando entre as 20 cidades do país com maior incidência dessa ação. Os dados foram apresentados em uma roda de conversa na Universidade de Passo Fundo (UPF), na quarta-feira, 12 de setembro, com o tema “Suicídio.com – autoextermínio na era da internet”, com a participação das professoras da UPF Dra. Ciomara Benincá e Dra. Bibiana de Paula Friderichs, e da mestranda em Psicologia Maria Eugênia Benincá. A atividade integra a programação do comitê municipal de ações sobre o Setembro Amarelo, do qual a UPF faz parte.

Entre abril e maio de 2017, foram registradas mais de 1 milhão de menções virtuais ao suicídio, sendo 94,2% no Twitter, 5% no Facebook, 0,4% no Youtube e 0,4% no Instagram, conforme pesquisa da iniciativa Comunica que Muda, da agência de comunicação Nova/sb. Os estados que registraram mais menções foram: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, conforme informações apresentadas durante o evento.

O suicídio de jovens de 15 a 29 anos de idade já é a 2ª principal causa de morte no mundo. E esses jovens são os que mais acessam a internet, de acordo com o Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil. Por esse motivo, é necessário discutir e refletir sobre o “Suicídio.com”. “A ideia do Setembro Amarelo e dessa conversa sobre ‘Suicídio.com’, que é aberta a toda a comunidade, alunos do ensino médio e comunidade acadêmica, é falar de um fenômeno muito grave e que vem se tornando cada vez mais comum: os anúncios de suicídio pela internet e o estímulo que se faz na internet para que as pessoas venham a atentar contra a própria vida. A ideia é provocar a discussão e a reflexão para que cada um de nós possa combater esse tipo de crime”, destacou a coordenadora do projeto de extensão da UPF “Clínica de estudos, prevenção, intervenção e acompanhamento à violência” (Cepavi), doutora em Psicologia, professora Ciomara Benincá.

A professora Bibiana, diretora da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC) e que tem pesquisas vinculadas à cibercultura, ressaltou que é preciso entender e saber usar a tecnologia. “O suicídio sempre existiu, antes mesmo da chegada da tecnologia. A internet não aumenta o suicídio, mas impacta os rituais, os caminhos que envolvem as questões de morte e de luto. A internet é um espaço perigoso, mas sem volta. Ninguém vai deixar de usar celulares e computadores, mas é preciso olhar para ela com cuidado, porque ela elimina os rituais que temos no cotidiano real, as fronteiras, as regras sociais, o certo e o errado. Precisamos reentender esses rituais”, comentou Bibiana.

 

Passo Fundo está entre as cidades com maior número de suicídio

Os dados não param por aí. A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo. Ou seja, 804 mil pessoas cometem suicídio anualmente, uma taxa de 11,4 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS 2016). As taxas de suicídio nas faixas etárias de 15 a 24 anos e acima de 60 anos são consideradas as que mais crescem.

Das 20 cidades brasileiras onde o número de suicídio é mais elevado, 11 são gaúchas. No Rio Grande do Sul, entre os anos 2000 e 2016, o índice foi de 10,1 para 10,4 para cada 100 mil habitantes, sendo que o índice nacional é de 5 para cada 100 mil habitantes. Passo Fundo está entre as cidades onde esse índice tem as taxas mais elevadas. A capital do Planalto Médio registrou 12 para cada 100 mil habitantes. Em 2016, Passo Fundo teve 28 casos de suicídio, em 2017, o número subiu para 30, e em 2018, até o momento, já são 14 casos. “Para o tamanho da cidade, é muita coisa. E a perspectiva é negra. Provavelmente vamos fechar o ano com números tão assustadores quanto nos anos anteriores. E é isso que move eventos como esse. Discutir e pensar estratégias de prevenção. Temos uma grande responsabilidade em desenvolver políticas de prevenção contra o suicídio”, enfatizou a professora Ciomara Benincá.

Os motivos para esse grave cenário ainda não estão bem esclarecidos. “Cogita-se questões que têm a ver com agrotóxicos fosforados orgânicos, mais presentes na região da indústria fumageira. Se cogita questões de ordem genética, mas no Rio Grande do Sul, o que mais conseguimos entender é em virtude das questões étnicas e culturais, envolvendo a rigidez de valores, de honra e dignidade do gaúcho, que não lida muito bem com as frustrações, porque acha que tem que dar conta de tudo. Essas são questões que mais têm se apontado para entender o alto número de suicídios no Rio Grande do Sul”, comentou Ciomara.

A professora observa que o suicídio é o “estopim” de uma série de fatores agravados e que passam pela ordem social, biológica e até econômica. “Muitas vezes, o suicídio é visto como se fosse motivado por uma única causa e isso é um engano. Os eventos acontecem ao longo da vida do sujeito, motivo pelo qual ele dá muitos sinais. A ideia é discutir quais são esses sinais para poder evitar e prevenir o suicídio”, salienta ela.

 

Acolhimento e compreensão

De acordo com Ciomara, a família tem um papel importante e deve acolher e compreender as pessoas que estão passando por uma situação difícil. “Nada de dizer que o sujeito não valoriza a vida ou não tem Deus no coração. Ele tem que ser acolhido sem julgamento. A ideia é dizer ‘se você está passando por uma situação muito difícil, uma dor intensa, me diga qual é que eu vou te ajudar a enfrentar’”, ressalta.

O segundo passo é procurar ajuda profissional. “É preciso procurar ajuda médica, por meio de psiquiatras, clínicos gerais e até um psicólogo, que farão o encaminhamento adequado nessas questões. Numa situação de desespero, existe um telefone disponível 24 horas por dia, todos os dias do ano, gratuito, para o qual as pessoas podem ligar e desabafar, para poder passar pelo momento de crise, sem tomar o ato impulsivo de atentar contra a própria vida. É só ligar para o 188, para o Centro de Valorização da Vida (CVV)”, salientou a professora.

 

Sobre o Setembro Amarelo

A UPF faz parte de uma grande articulação institucional que preparou uma série de ações relacionadas ao Setembro Amarelo, mês dedicado a debater o tema do suicídio. Em Passo Fundo, um comitê foi montado para pensar essas ações. Promovida pela Prefeitura de Passo Fundo, em parceria com a UPF, o Hospital da Cidade, o Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes, a IMED, a Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), a Associação Psiquiátrica do Planalto Gaúcho (APPG), o Núcleo de Apoio à Vida de Passo Fundo (Navipaf) e a Coordenadoria da Juventude, a campanha vem sendo realizada desde o ano passado.

Escolas públicas: eleições de diretores e democracia

A escola pública e democrática é hoje uma
conquista institucionalizada, mas que, na prática, ainda está
longe de ser realidade plenamente vivenciada na escola.

 

A escolha das direções escolares ainda não permitiu condições democráticas de organizar as escolas a partir de uma base curricular, de propostas pedagógicas, de metas e da organização do quadro dos professores (distribuição da carga horária e disciplinas). Há que se considerar ainda, por vezes, a forma autoritária como os gestores da educação organizam suas redes de ensino.

As eleições de diretores e diretoras nas escolas públicas, muitas vezes, padecem dos mesmos vícios e desvios éticos das eleições gerais em nosso país.

A escola deveria ser a referência do ensino para a vida e para cidadania. Alunos e professores deveriam ser considerados sujeitos e não apenas números ou peças de manipulação para a tomada do poder.

A escola e a vida são oportunidades de aprendizagem, socialização e construção de conhecimentos. Humanizar é um dos maiores desafios da atualidade.

Espaço de significativas e distintas aprendizagens, é também um grande laboratório de exercício de poder. Cotidianamente, através das relações interpessoais, ela administra as suas tensões internas, as escolas são fortemente influenciadas pelo poder externo (dos governos e da comunidade). E o professor, uma peça fundamental, nem sempre é considerado em sua dimensão de pessoa humana e de sujeito, portador de desejos, direitos e dignidade.

Além de sua estrutura administrativa, a escola é um lugar onde se constroem vínculos. Estes vínculos determinam a qualidade das relações entre professores, funcionários, equipe diretiva, alunos e pais.

A maior diferença da escola pública, em relação às demais, reside no fato de sua gestão ser pública e democrática. Por isso mesmo, torna-se mais exigida e exigente para todos os que convivem nela.

O professor, peça chave desta engrenagem, “deve ser um verdadeiro educador. Um mestre da vida e do saber. É mestre porque é homem de fé, que acredita em si e nos outros, que confia e ama seus discípulos”. (Maximiliano Menegolla).

Professores não são números. Professores são sujeitos, seres humanos, com suas opções pedagógicas e ideológicas. Aliás, o exercício de seu ofício não lhes permite neutralidade, pois a educação é, por natureza, um ato político. Suas práticas pedagógicas resultam de suas trajetórias pessoais, de seus compromissos com o ser humano e de seus conhecimentos e aperfeiçoamento profissional.

Algumas instituições de ensino público, por suas práticas contraditórias e autoritárias, minimizam o alcance e a importância das conquistas democráticas. É claro que exercitar cotidianamente a democracia, como se faz na escola, não é uma tarefa fácil. Por isso que, para muitos, ela não passa de verborragia. Para outros, incansável exercício, prática de inclusão e respeito a todos, mesmo enfrentando as contradições do discurso e da prática.

Jovens entre 16 e 24 anos são os que menos sabem quais são os seus direitos e deveres, a importância do Estado de Direito e da cultura democrática. É possível ensiná-los?”
Veja mais aqui.

Espera-se dos diretores e diretoras que serão eleitos competências técnicas, mas também que construam menos paredes e mais pontes. Que usem o poder que lhes foi delegado para valorizar e promover seus professores, com ampla participação de toda comunidade escolar. Que não se apeguem apenas à seus méritos, mas que promovam métodos de participação e de divisão de responsabilidades nos educandários públicos. Que promovam o poder como um serviço!

A escola pública deve buscar a qualidade social. Qualidade social de ensino se mede e se verifica quando as escolas se tornam um lugar onde todos os sujeitos da aprendizagem: alunos, professores, funcionários, pais, mães ou responsáveis sintam prazer em participar, em aprender, em se integrar, em conviver. Sintam-se valorizados e responsáveis pela aprendizagem de todos.

O exercício do poder democrático é um dever da escola e um legado que ela deve deixar para seus alunos e para a sociedade como um todo; esta é sua contribuição para a consolidação da democracia no Brasil. Qualidade na educação será uma realidade quando tratarmos gente como gente deve ser tratada e quando tomarmos a democracia como a base de nossas vivências e relações.

Chegaremos lá, mas ainda temos muito trabalho, reflexão e aprendizagem para serem feitos!

À escola pública exige-se que seja democrática e é nessa cultura que se desenvolve a inclusão. Como pode uma escola que não é democrática na sua organização e no funcionamento educar para a democracia? Como poderão os jovens ser educados para os valores da democracia, da cidadania, do diálogo ou da participação, sem uma vivência democrática na escola? (Mário Nogueira)
Veja mais aqui.

 

 

Também há fome de poesia

Apenas três candidaturas a presidente tem real compromisso com o fortalecimento do papel do estado e investimento no mercado de produção e consumo: Lula-Haddad-Manuela, Guilherme Boulos e Ciro Gomes. Estas candidaturas são comprometidas com um projeto de nação realmente democrático, desenvolvimentista e sustentável. 

 

Andando pelas ruas de nossa cidade, não tem como passar despercebido o aumento da quantidade de pessoas pedindo dinheiro ou revirando o lixo das ruas.

Ontem a noite encontrei dois homens nesse tipo de situação, depois me pediram dinheiro. Logo após, passando por um ponto de ônibus, um jovem me pede dinheiro para a passagem e hoje cedo na caminhada matinal próximo a uma padaria, um trabalhador desce de sua bicicleta e me pergunta se não tenho R$0,50.  Detalhe: Aqui não estamos tratando de pedintes profissionais, a exceção dos dois primeiros citados.

Ao mesmo tempo, vejo e me recordo do noticiário da imprensa que denuncia o retorno do Brasil ao mapa da fome, trazendo a recordação  de uma situação que deveria  ter ficado para trás, apenas como uma lembrança de “páginas  infelizes da nossa história”.

Essa realidade também me fez recordar   poemas de   Solano Trindade e Manuel  Bandeira.

O primeiro:  TEM GENTE COM FOME (Solano Trindade) -1944

“Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiiii
Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome(…)”

O segundo: O BICHO (Manuel Bandeira) – 1947

“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.”

 

Se a fome aumenta, também aumenta o violência gerada pelo tráfico de drogas e a prostituição, assim também como um maior controle e dominação por parte dos velhos políticos e empresários de “bens”, pois um povo esfomeado fica mais sujeito as pressões para votar nos candidatos indicados pelos patrões e ser submetido aos salários degradantes e em condições de trabalho que beira ao tipo escravo.

Daí a importância dos programas de transferência de renda, incluindo o Bolsa Família e aumento real do salário mínimo. Sem isso, parte significativa da população fica mais carente e dependente da “caridade de quem os detesta”.

Como apenas três candidaturas a presidente tem  real compromisso com o fortalecimento do papel do estado e  investimento no mercado de produção e  consumo, por meio das medidas citadas acima, entre outras, vale a  pena acompanhar as campanhas de Lula-Haddad-Manuela, Guilherme Boulos e Ciro Gomes, bem como buscar escolher candidatos aos governos do estado, ao congresso e as assembleias estaduais, comprometidas com um projeto de nação realmente democrático, desenvolvimentista e sustentável.

Essas escolhas são fundamentais, porque o terceiro e o quarto poder, o judiciário e a imprensa, não darão trégua àqueles que desejam a retomada de um país que possa fazer jus ao que diz uma passagem de nosso hino nacional.

 

“Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!”

 

E como apesar disso tudo, não podemos deixar de acreditar e agir, que tal lembrar a nossa fé e resistência secular, que nos fez chegar até aqui? Mesmo com tantos golpes, roubos e traições.  A que nos faz insistir e re-existir.

“Credo” de   Milton Nascimento e Fernando Brant.(1978)

“Caminhando pela noite de nossa cidade. Acendendo a esperança e apagando a escuridão. Vamos, caminhando pelas ruas de nossa cidade. Viver, derramando a juventude pelos corações. Tenha fé no nosso povo que ele resiste”

 

Olhar mais tolerante e compassivo com os imigrantes

As histórias se repetem: fome, pobreza, perseguição política ou religiosa, medo, violência, ou alguma razão semelhante faz com que as pessoas abandonem sua casa, seu país, suas raízes e parte de sua família para viver em outro lugar.

Há alguns anos, visitei a cidade holandesa de onde alguns de meus antepassados vieram. Chama-se Groede, pequena, parecia quase deserta, mas era limpa, charmosa e bem organizada, como imaginamos as cidades de países desenvolvidos.

No passado não era bem assim. Pelo que sei, a família era pobre e provavelmente emigrou empurrada pela miséria, talvez pela perseguição religiosa. Parece que fingiram-se de alemães para poder embarcar em um navio que partia da Bélgica para o Brasil, com outros imigrantes. Devem ter passado por muitas dificuldades, mas sobreviveram, sobrevivemos. De outra parte da família, sabemos vagamente que eram de origem paulista, talvez bandeirantes, por alguma razão foram para a Argentina, e lá nasceu meu bisavô, que depois emigrou para o Brasil.

Essa é parte da história da minha família. Acredito que seja parecida com a de muitas outras famílias brasileiras. As histórias se repetem: fome, pobreza, perseguição política ou religiosa, medo, violência, ou alguma razão semelhante faz com que as pessoas abandonem sua casa, seu país, suas raízes e parte de sua família para viver em outro lugar.

Imagino que para meus tataravós, recomeçar a vida em um novo país com idioma, cultura e clima tão diferentes deve ter sido extremamente difícil. Assim costuma ser para os que emigram. E a grande maioria só o faz porque não há alternativa possível.

Lembrei dessa história de família quando ouvi notícias tristes sobre conflitos na fronteira do Brasil com a Venezuela. Houve outras notícias, de outros lugares, sobre confrontos, intolerância, violência. E há ainda o discurso agressivo de muitas pessoas contra os imigrantes.

Claro que a imigração é um problema complexo e as cidades que recebem os maiores fluxos enfrentam um enorme desafio, que só será superado com a implementação de uma política nacional, bem articulada entre estados, municípios e governo federal. No entanto, parte da solução pode estar em nós, através de um olhar mais tolerante e compassivo aos que chegam. Para isso talvez ajude pensarmos que, de certa forma, somos todos imigrantes.

“O direito de migrar é universal. Nenhum ser humano é ilegal. É dever do Brasil, signatário de vários tratados internacionais que reconhecem esse direito, garantir a segurança e os direitos dos migrantes no país”. (Setembrino Dal Bosco)

Nenhum ser humano é ilegal

 

Liberdade existe?

Ser livre é difícil,
mas ter respeito não é.

 

Segundo a filosofia, liberdade é a independência do ser humano. Isto é o mesmo que ter autonomia, porém, na prática, restam os questionamentos de que liberdade é utopia. Sartre, Descartes, Kant e Marx tiveram o cuidado de questionar o conceito. No dia-a-dia fica evidente a nossa incapacidade de sermos realmente livres.

Há profissionais brilhantes completamente dependentes do que pensam as corporações à qual pertencem. Pode-se aplicar essa dependência a todos os campos da atuação humana. Como agem os médicos ante o poder dos grandes laboratórios e planos de saúde submetidos a interesses multimilionários difíceis de serem driblados? A atuação profissional, nesse contexto, leva em consideração só a vida dos pacientes?

Assim como os médicos, o pensamento de jornalistas fica limitado à corporação. Como movimentar-se frente a interesses que movem a mídia? É grave a limitação de que são vítimas pessoas, por vezes muito bem formadas, mas que, frente ao contexto pontual, devem mover-se segundo o que o órgão midiático a que pertencem acha conveniente no momento.

A liberdade de expressão é verdadeiramente exercida quando o profissional é manietado e aviltado em favor dos anunciantes ou da subserviência política?

Creio ser difícil ser livre. Temos limitações no sentido de sermos dependentes de interesses. O grande espaço de liberdade é o particular, desde que não sejamos dependentes financeiramente de espaços em que atuamos. Aí cabe o medo de retaliações, de julgamentos, que podem colocar em risco o nosso ganha-pão.

Quem pode dizer abertamente, dentro do seu estabelecimento, qual a sua posição política? Como expor sua ideologia? Melhor optar pela neutralidade?

No bem particular, dentro da nossa casa, somos totalmente livres? Penso ser o momento de pensar nisso, em um momento sensível do nosso país. Por que estamos tão limitados, sem forças para nos dizermos? Fazemos parte dos que julgam os outros, não permitindo que todos tenham direito a pensar? Somos daqueles que, ante uma notícia de que profissionais agiram fora do que julgamos certo, procuramos saber o que os moveu, para só aí tirarmos conclusões justas.

Ando bem cabreira sobre o quesito liberdade, preferindo pensar que ela realmente não existe, mas procurando consolo na categoria interdependência, essa sim, bem mais bonita.

Não conseguimos ser nada sem que nossa liberdade seja dependente da liberdade do outro.

Mas a extrema alegria é saber que o nosso pensamento é nosso, bem lá no fundo. Por vezes ele é impublicável, mas com o pensamento posso ser livre, mesmo que esteja em uma solitária. O pensamento não tem limites e merece viajar por aí sem fronteiras.

Com o pensamento alimentado todos os dias com o que vejo, leio, vivo, sinto, tenho a liberdade de formar o que, na prática, transforma-se em minha performance pessoal, personalíssima, convenientemente inserida na vida coletiva, onde não posso prescindir do que exijo para mim, que é o respeito ao pensamento. Ser livre é difícil, mas ter respeito não é.

Qual é o sentido da verdade e dos conhecimentos?

A ciência e o conhecimento se consolidam
como um antídoto contra os charlatões e
picaretas que exploram a ignorância alheia.

 

“A verdade pode ser intrigante. Pode dar algum trabalho lidar com ela. Pode ser contraintuitiva. Ela pode contradizer preconceitos profundamente enraizados. Pode não se coadunar com o que queremos desesperadamente que seja verdade. Mas nossas preferências não determinam o que é verdade”. (Carl Sagan)

Começo minha reflexão com essas linhas, com uma dentre tantas frases que ficaram marcadas pela sabedoria deste grande cientista e divulgador da ciência moderna. Tão importante quanto querer saber a verdade, é nos livrarmos de todo o preconceito e senso comum que teimam em velar nossos sentidos, e tentarmos olhar na direção da realidade, criando assim, as condições necessárias para que a lucidez e o conhecimento prevaleça. Conhecimento este, que como diz Milton Santos também se dá pela intuição, mas sobretudo pelo estudo.

A verdade independe de nossa vontade, e conforme Neil de Grasse Tyson, saber como pensar nos empodera muito mais do que apenas saber o que pensar. Assim, a ciência e o conhecimento se consolidam como um antídoto contra os charlatões e picaretas que exploram a ignorância alheia.

O pensamento não pode ser mecânico, imediatista, nem tão pouco polarizado, ao contrário, deve ser elaborado, ponderado, relativizado, onde na fricção de ideias contrárias surjam novas ideias que possam transformar a realidade ou trazer um novo prisma sobre esta.

O conhecimento pode ter o impacto de um meteoro, mas também pode ser encantador como uma poesia, e na “nossa” prática diária como docente temos o dever, de através do ensino impactarmos a vida de nossos alunos, sem esquecer de trazer consigo também o encantamento.

Acredito que o conhecimento tem o propósito de atrair e incentivar as pessoas para a busca do novo, sem nenhum trauma, humilhação ou opressão. Talvez esse seja o ensino que liberta o indivíduo, que demonstra amor pelo próximo e pelo coletivo, e que como diz Paulo Freire impregna de sentido aquilo que fazemos a cada instante.

Ao se desenvolver um processo de ensino-aprendizagem dessa forma, construímos em nós mesmos e nos nossos interlocutores o compromisso social e moral do intelectual, que aliás, está acima do compromisso do cientista, visto que este nem sempre está comprometido com a ética. Como?

Imaginemos então Wernher von Braun, engenheiro aeroespacial brilhante, com conhecimentos avançados em física, matemática, astronomia, mas que em sua prática desenvolveu armas e foguetes para o exército nazista, para uma causa fascista. Pergunto: Estava esse senhor comprometido moralmente com a sociedade? – Já imagino sua resposta – Agora, compare a prática desse indivíduo com qualquer um desses, agora sim, intelectuais que eu citei logo acima. Aí está a diferença!

Abraço, e já que comecei com ele, divido mais uma com os amigos pra terminar: “Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.” (Carl Sagan)

Futebol e Inclusão: destaques do Festival Internacional do Folclore 2018

O folclore uniu-se à história de nossa cidade,
tratando o futebol como mais uma das
mais eficazes formas de unir povos e culturas.

 

O Festival Internacional de Folclore de Passo Fundo, XIV edição, 2018, ocorreu entre os dias 17 a 25 de agosto de 2018, numa promoção da Prefeitura Municipal de Passo Fundo, tendo também a aprovação do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet. Esta edição do Festival destacou como temas e novidades a inclusão e o esporte como uma construção cultural, capaz de promover a paz e a integração entre os povos e culturas.

Nesta edição, houve a participação e apresentação de 12 grupos internacionais e 62 grupos nacionais brasileiros e 160 pessoas voluntárias.

Quanto ao tema da inclusão, foi montada uma logística especial para que pessoas com deficiência pudessem participar ativamente do Festival como participantes (grupo da Colômbia) ou como público que assistiu às apresentações.

Paulo Dutra destaca o reconhecimento que o Festival recebeu da FIDRF (Federação Internacional de Festivais de Folclore), indicando o mesmo para concorrer a Melhor Festival do Mundo. A premiação ocorrerá no mês de setembro, na Coréia do Sul.

Passo Fundo e influências na formação de seu povo e sua cultura

O professor de Literatura da UPF (Universidade de Passo Fundo), Eládio Vilmar Weschenfelder é um grande colaborador das diferentes iniciativas literárias, de cultura, de folclore e de teatro em Passo Fundo. O professor faz uma leitura da história da nossa cidade.

Destaca que, desde o início da história de nossa cidade, “o vilarejo de Passo Fundo, hoje polo regional do Norte rio-grandense, viveu, ao logo de sua história, eventos antagônicos, com períodos de paz e guerra, dividindo opiniões e pessoas a ponto de, seus desdobramentos políticos provocarem batalhas campais, resultando na morte de centenas de seus cidadãos nas batalhas, inicialmente com arcos e flechas, adagas e facões, espingardas e canhões, resultando no caos humanitário, posto que não havia médicos e hospitais para salvas vidas e curar os feridos, nem palavras e canções para consolar seus familiares. Isso, na acepção de Heráclito de Éfeso, significa que “…a guerra é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres”.   

Continuando sua reflexão, baseada em pesquisas e estudos sobre a história de nossa cidade, Eládio acrescenta: “dando tempo ao tempo, foi preciso transformar os efeitos do arco em lira, como entendia Octavio Paz. Ou como Fênix, pássaro simbólico da mitologia grega, que renasceu das suas próprias cinzas, o povo de Passo Fundo refez-se dos destroços, reerguendo-se com a instalação de dois grandes hospitais (Hospital São Vicente de Paulo e Hospital da Cidade) e fundando dois grandes clubes de futebol (Esporte Clube Passo Fundo e Esporte Clube Gaúcho)”.

Conforme acredita o professor, “as quatro instituições sublimaram as diferenças políticas e religiosas. Todavia, mantêm, simbolicamente e folcloricamente, seus matizes ideológicos, figurativamente manifestos em cores e bandeiras e formas de serviço.

Do homem guerreiro, bárbaro, surge o Homo Ludens, moderno, o homem que joga uma tipologia esportiva visando o lúdico. O genuíno tipo passo-fundense, que aliado aos que aqui chegaram para construir a cidade e fazer história, construiu um caldo cultural, histórico e folclórico, facilmente identificado nas personagens artísticas, nos esportistas, nos vanguardistas nas legendas que revelam as múltiplas faces dos passo-fundendenses, dentre os quais, o Gaúcho de Passo Fundo (Teixeirinha), a Salomé (Chico Anísio), o Bebeto (Canhão da Serra), o Felipão, os irmãos Gustavo e Murilo Endress, o Yamandu Costa, a dupla Oswaldir e Carlos Magrão, a professora Tânia Rösing, dentre tantos outros e outras.

Desdobramento de suas ações estão os monumentos, eventos e lendas que dão estamento ao rico e variado folclore regional passo-fundense, dentre eles, a lenda e a Praça da Mãe Preta, a Cuia e o Chafariz da Praça Floriano Peixoto, o monumento a Teixeirinha, o Largo da Literatura, os pórticos da Cuia, da Chaleira e das Botas (Roselândia), os Túneis das Letras, a Academia Passo-fundense de Letras, os prédios da antiga prefeitura, do Itaú e do Hotel Glória e da antiga Gare (Estação Ferroviária). Soma-se a tudo isso, as instituições que dão suporte cultural a Passo Fundo: a Universidade de Passo Fundo (50 anos), a Academia Passo-fundense de Letras (80 anos), os CTGs e as Companhias de Teatro, dentre outras”.

O Festival Internacional do Folclore de Passo Fundo de 2018 promoveu e enalteceu o esporte de nossa cidade: o Esporte Clube Gaúcho e o Clube Passo Fundo. O folclore uniu-se à história de nossa cidade, tratando o futebol como mais uma das mais eficazes formas de unir povos e culturas.

Para que serve a ética na política?

A política é a forma mais sublime
de praticar a caridade, já escreveu Paulo VI.

 

Que tal uma hipótese bem notória e conhecida? Suponhamos que um magnata da construção civil, por exemplo, resolva apoiar um certo partido e, a partir dele, um determinado aspirante à política, financiando nutridamente a campanha eleitoral do candidato. Este, se eleito, terá dificuldade em se manter neutro na hora de decidir que obras devem ter prioridade durante o seu mandato, onde construí-las e que empresas chamar à licitação. Isso partindo do pressuposto que haverá licitação, por um lado, e, por outro, que essa não representará uma farsa previamente orquestrada.

Entra em cena o conceito de “conflito de interesses”. Os interesses do político em questão, tanto no poder executivo quanto no legislativo, ou mesmo no jusidiário, em lugar de ter como horizonte as obras ligadas às necessidades básicas e mais urgentes da população, podem entrar em conflito com tais exigências do bem-estar comum para as quais foi eleito.

O prato da balança facilmente penderá para um compromisso, ou uma aliança, com quem, financeiramente, o ajudou a eleger-se. Há uma dívida a ser paga e o poder adquirido pode facilitar a negociação!

Querendo ou não, de forma consciente ou inconsciente, vem à tona a armadilha. O conflito de interesses tem tudo para converter-se em “convergência de interesses” entre doador e beneficiado. O filósofo alemão Friedrich Hegel, em sua Filosofia da História, alertava para a astúcia da razão. A política também padece de uma astúcia particular, às vezes sutil, outras vezes nem tanto.

Em outras palavras, nosso político eleito e nosso empresário da construção civil, ao invés de reconhecer um conflito de interesses tão manifesto e consequentemente repudiá-lo, podem terminar por celar um pacto que os unirá em uma empresa furtiva e obscura, mas reciprocamente rendosa.

Lamentavelmente, é bastante comum que eleitor e candidato mantenham os olhos fechados a essa possibilidade de que o conflito, mais ou menos encoberto, se transforme em convergência vantajosa de interesses. Disso resultam não poucas formas de corporativismo, de nepotismo e de apadrinhamento, para não falar de cumplicidade e corrupção. Instalam-se, assim, os históricos e famigerados currais eleitorais, bem como os balcões de negócios, onde se compram e se vendem cargos, benefícios, privilégios, poder de influência, e assim por diante.

De que maneira rasgar o véu que, bem ou mal, esconde tais práticas políticas? Como eliminar a máscara que as dissimula aos olhos da opinião pública e, não raro, às câmaras, microfones e holofotes dos próprios meios de comunicação? Isso quando estes últimos não fazem parte do mesmo conluio, usado palavras e imagens em benefício próprio!

É aqui que ganha relevância a pergunta do título: para que serve a ética na política? O exemplo acima torna a resposta muito simples e transparente: serve para identificar os possíveis conflitos de interesses que estão em jogo, precavendo-se contra eles desde o momento do registro da candidatura.

Os príncipios éticos, neste caso, são chamados não somente a discernir tais armadilhas, ou astúcias, mas sobretudo a impedir que eleitores e candidatos possam cair na ratoeira. Nesse ponto, a Doutrina Social da Igreja (DSI), ao longo do tempo, sempre se revelou muito clara e objetiva. “A política é a forma mais sublime de praticar a caridade” – escreveu o Papa Paulo VI na Carta Encíclica Octagesima Advenians (1971).

Os fundamentos da DSI – mas também a Declaração Universal dos Direitos Humanos, quase todas as Constituições dos países democráticos ocidentais e os Mass Media – advertem insistentemente para semelhante risco no exercício normal do poder. Advertência que serve para iluminar o vasto e complexo campo da atividade pública, separando com cuidado o joio do trigo, para usar uma parábola do Evangelho (Mt, 13,24-30).

O terreno escorregadio da política (como tantos outros, de resto) presta-se, com efeito, ao crescimento de ervas daninhas. Não faltam espinhos na arena da disputa pelo poder. Mas o mesmo terreno presta-se igualmente ao favorecimento de políticas públicas que garantam ao maior número de pessoas o desenvolvimento, a justiça, os direitos básicos e a paz.

 

Violência na sociedade e na escola

Foto: Ingra Costa e Silva

A sociedade contemporânea, que tem por
modelo a competição, e não a cooperação, estimula a
violência como a solução de todos os seus problemas.

 

A violência na sociedade é tema recorrente de reflexões, palestras e seminários e afeta, cotidianamente, a vida dos professores e professoras porque também se estende na sala de aula e nos ambientes escolares.

Como o professor deve se preparar para lidar melhor com a violência da sociedade e na escola? Como construir um ambiente educativo que promova cultura de paz? Como fazer da escola um ambiente de tolerância e respeito aos direitos humanos?

Para ser Cirandeira deste tema, o CMP Sindicato (Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo) convidou a professora e psicóloga Maria Isabel Bristott. Ela participou da vigésima terceira Ciranda dos Saberes, em agosto de 2018, uma atividade formativa diferenciada para professores que visa integrar troca de saberes, música e poesia, comida e bebida, com duração de duas horas. As Cirandas dos Saberes iniciaram em 2014.

Sua abordagem foi instigante. Ela instituiu o abraço como o primeiro território para a construção de uma cultura de paz. Em círculo, todos estavam desmemoriados, e ninguém sabia mais o que era o abraço. O abraço passava entre os presentes e a dúvida do que ele era (o que é isso?) voltava para quem o instituiu: a cirandeira. Aos poucos, o abraço foi tornando-se um gesto natural, não mais um estranhamento.

Enfrentar a violência com atitudes de não-violência. Ouvir e entender a realidade sem pré-julgamentos. Construir territórios de proteção, de cuidado, de oportunidades de cada um dizer os seus sentimentos e promover ambientes de consideração e valorização de cada um e de todos é o caminho mais eficaz para construir cultura de paz.

Cultura de paz, segundo Monja Coen.

A sociedade contemporânea, que tem por modelo a competição, e não a cooperação, estimula a violência como a solução de todos os seus problemas. É muito grave perceber que esta ideia vem sendo instituída e institucionalizada no Brasil, gerando uma sociedade com uma cultura de violência.

O conhecimento nos torna melhor seres humanos. A ignorância gera a violência e a estupidez. Qual é o papel da escola neste contexto?

Como os professores e professoras, a partir de suas escolas, podem intervir para vivenciar com seus educandos e educandas valores e processos que mostrem caminhos diferentes da competição e da violência?

Por que nossas escolas silenciam sobre a violência? Quais são as estratégias pedagógicas mais eficazes para construir uma cultura de paz, mesmo na contramão da promoção da violência na sociedade?

A troca de ideias, as experiências relatadas e as reflexões da Ciranda apontaram que a própria escola, desde a sua organização, gera ambientes amorosos ou conflitivos que influenciam no comportamento de todos que dela participam. Quando há equipes diretivas mais abertas ao diálogo e à escuta dos sujeitos (professores, alunos e pais), ocorrem vivências mais significativas e promotoras de uma cultura de paz. Quando há o contrário, tende-se acentuar a competição e a violência como um caminho de resolução dos conflitos, que são inerentes ao ser humano.

Todos somos sujeitos de nossa história e desejamos dizê-la. A escuta, paciente, amorosa e respeitosa, sem julgamentos, é parte do caminho para a promoção da paz. A palavra é a ferramenta instituinte do sujeito. Quem fala se liberta.

“Temos necessidade de comunicar aquilo que nos incomoda, que nos irrita, que nos prende a nós mesmos. Falar sempre é um ato libertador, porque nos permite uma melhor compreensão de nós mesmos e dos outros. É também constante busca de compreensão, pois viver na eterna incompreensão gera desilusão e descrença nas possibilidades humanas”. (Nei Alberto Pies)

Quem fala se liberta

Como o educador Paulo Freire já ensinou: “a educação não muda o mundo. A educação muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo”.

Embora tenha sempre um poder limitado, a educação, a partir das escolas, pode escolher caminhos, estratégias e processos que promovam uma cultura de respeito, consideração, cooperação e solidariedade. Desta maneira, estará ajudando a sociedade a rever suas posições, ou mesmo, tomar novos rumos.

“Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”.  (Mahatma Gandhi)

 

Nenhum ser humano é ilegal

O direito de migrar é universal.
Nenhum ser humano é ilegal.
É dever do Brasil, signatário de vários tratados internacionais que reconhecem
esse direito, garantir a segurança e os direitos dos migrantes no país.
A face cruel do capitalismo não irá barbarizar nossa humanidade.

 

A violência xenofóbica-barbárica atravessou o Atlântico e aportou no Brasil. No sábado [18] um grupo de moradores da cidade de Pacaraima, Estado de Roraima, atacou com paus, pedras e bombas caseiras centenas de famílias de venezuelanos, inclusive mulheres e crianças que estavam acampados na cidade. Os refugiados tiveram suas barracas incendiadas e foram expulsos até o limite da fronteira. O fútil motivo detonador do conflito, um suposto assalto cometido por um refugiado venezuelano contra um comerciante da cidade, sequer foi comprovado.

As agressões aos venezuelanos [as] aconteceram com a vergonhosa e covarde complacência das forças de segurança locais, do Exército, com a conivência da governadora Suely Campos [PP] e da total inoperância do governo federal.

Atitudes xenofóbicas como a ocorrida em Pacaraima é um subproduto da crise sistêmica do capital que, desde 2008, tem aumentado sobremaneira a exploração e opressão dos povos, indiferente de sua nacionalidade, para garantir manutenção da lucratividade dos ricos e poderosos que não passam de 1% da população total do planeta, deixando por onde passam um rastro de destruição, miséria, sofrimento e mortes.

O ato de brutalidade foi metodicamente organizado por políticos locais criminosos e latifundiários assassinos. Foi uma selvageria contra os imigrantes venezuelanos que vivem em situação de extrema precariedade. Foi uma expressão clara da barbárie devido à falência agônica do modelo de organização social capitalista, materializada há tempos no velho continente. Agora está acontecendo no nosso país. Atitudes com estas são inaceitáveis e inadmissíveis.

O problema não são os refugiados. O problema é o capital!

A crise humanitária em todo o mundo é uma triste realidade nos dias atuais. Presenciamos a alguns anos refugiados sírios e africanos sendo vitimados por chauvinistas extremados nas mais diversas nações da Europa.

Culpá-los pela crise econômica sistêmica do capital no seu estágio da barbárie, que os forçam a abandonar sua terra-mãe em busca de sobrevivência em outro território, é ser signatário da sandice xenofóbica. Não podemos aceitar. No final das contas somos todos [as] vítimas da ganância dos trustes [monopólios e oligopólios], banqueiros internacionais e nacionais, latifundiários e grandes empresários.

O direito de migrar é universal. Nenhum ser humano é ilegal. É dever do Brasil, signatário de vários tratados internacionais que reconhecem esse direito, garantir a segurança e os direitos dos migrantes no país. A face cruel do capitalismo não irá barbarizar nossa humanidade.

Devemos combater o sistema que nos oprime, verdadeiro responsável pelo aumento da miserabilidade social, e não iniciar um processo de “autoextermínio” de pobres e miseráveis brasileiros contra miseráveis e pobres venezuelanos.

Devemos unir todos os oprimidos e explorados brasileiros e venezuelanos para lutar por emprego e direitos.  A crise humanitária não é venezuelana, mas de todos os trabalhadores e pobres que são sugados e depois descartados pelo capital.

Repudiamos com todas nossas forças e energias, a agressão contra os venezuelanos assim como repudiamos com a mesma intensidade as atitudes desumanas, criminosas e assassinas de vários governantes da Europa contra os refugiados das mais diversas nacionalidades, sobretudo sírios e africanos.

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