PORONGOS

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Giovanni deve causar polêmica com seu livro. Ele apresenta dados importantes sobre as tropas, mostrando o papel dos Lanceiros, dos Infantes, a composição étnica, sem esquecer os indígenas.

Não fiz a chamada pelo título do livro de Giovanni Mesquita por precaução. Pois, meu esforço aqui será para que as pessoas leiam minha resenha de, agora sim, QUEM FOI TRAÍDO EM PORONGOS?

Giovanni Mesquita é, de fato, um historiador corajoso. Já tinha nos entregue o primeiro volume da biografia de Bento Gonçalves. Estamos à espera do segundo.

Giovanni não só nos apresenta dados inéditos extraídos das centenas de documentos que consultou, como fez comparações entre eles, mostrando contradições muitas vezes que quase ninguém observou ou não escreveu até agora.

Não toma os ditos como verdades, questiona, e as relações que faz com a recente Lava Jato são de uma clarividência incrível. Cuidado para não comprar uma versão de um terceiro como a verdade e fazendo um julgamento. Mostra as contradições da chamada carta RESERVADÍSSIMA com os fatos ocorridos e as circunstâncias da trama do massacre em Porongos, em novembro de 1844.

Mostra com precisão o que ninguém mostrou: as diferenças internas no Partido dos Farroupilhas.

Que Davi Canabarro é culpado da derrota de Porongos fica evidente, não se precaveu da iminência do ataque do inteligente e sagaz Chico Pedro, o Moringue, mesmo sendo avisado. Era um prepotente, pois achava que Moringue não se aproximaria ao sentir sua moringa. Talvez seja esta a razão do massacre dos Lanceiros Negros.

Canabarro tinha um papel importante naquele momento da guerra, mas não tinha a simpatia de Bento Gonçalves e muito menos do General Neto. Era tido como um burro.

Giovanni deve causar polêmica com seu livro. Ele apresenta dados importantes sobre as tropas, mostrando o papel dos Lanceiros, dos Infantes, a composição étnica, sem esquecer os indígenas.

Giovanni também enfrenta algumas cabeças coroadas da historiografia e do memorialismo local, como o professor Moacir Flores, o jornalista Juremir Machado da Silva. Contesta as conclusões de Raul Carrion.  É louvável a exegese que faz dos escritos do historiador Alfredo Varela.

O livro traz uma sensata Apresentação do escritor Paulo Timm.

As polêmicas vão surgir, porque é voz corrente que Canabarro traiu, e a prova seria a tal carta. Porém, ela pode ter sido uma forma sem princípios de Moringue com a anuência de Caxias para dividir mais a Minoria e a Maioria, dentro do Partido dos Farroupilhas, com vistas ao tal acordo de paz que aconteceu no Ponche Verde.

Giovanni estará na Feira do Livro de Porto Alegre. O livro está na Livraria Isasul, na Riachuelo, 1236.

Não deixe de ler QUEM FOI TRAÍDO EM PORONGOS!

Autor: Adeli Sell. Professor, escritor e bacharel em Direito. Também escreveu e publicou no site “Caminho de cercas: um livro e tanto”:  www.neipies.com/caminho-de-cercas-um-livro-e-tanto/

Edição: A. R.

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