Onde a escola encontra o mundo

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Com mais de 35 anos de história, o Integrado UPF segue se reinventando junto a uma geração que é protagonista do próprio aprendizado

Ao pedir para uma criança desenhar uma escola, alguns elementos parecem ser fundamentais: salas quadradas com mesas enfileiradas, cartazes nas paredes, o quadro cheio de exercícios. Horários, regras, provas, levantar a mão para fazer perguntas: “Vale nota?”. “É pra copiar?”.

Esses traços ainda fazem parte do imaginário coletivo. Mas esse modelo já não conversa com o perfil dos alunos que chegam às salas de aula no período pós-pandemia. Curiosos, questionadores e mais autônomos, eles desafiam as instituições a redesenhar suas próprias concepções.

Nascidos a partir de 2010, os jovens da chamada geração alpha não conheceram um mundo sem internet, smartphones ou redes sociais. Para eles, não existe fronteira clara entre o online e o offline, nem mesmo dentro da sala de aula. O desafio, que envolve educadores e famílias, é transformar esse contexto hiperconectado em oportunidades de aprendizagem significativas e capazes de cativá-los.

A geração alpha compreende crianças nascidas entre 2010 e 2020. Batizadas com a primeira letra do alfabeto grego, são marcadas, tanto pela cultura digital, quanto pelos impactos da pandemia de Covid-19 ainda nos primeiros anos da vida escolar. Para o professor do curso de Pedagogia da Universidade de Passo Fundo (UPF), Cláudio Dalbosco, pensar a educação para esse público exige cuidado para não cair em rótulos ou estereótipos.

Então: quem é esse estudante e como ele aprende? Essa é a pergunta que orienta o trabalho pedagógico do Centro de Ensino Médio Integrado UPF. “São crianças que já nasceram imersas no universo digital, aprendem de maneira multimodal, valorizam a interação e demonstram grande sensibilidade emocional”, explica a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental, Juliana Laimer. 

Segundo ela, o modelo tradicional, centrado apenas na exposição de conteúdos, já não responde a esse perfil. “O estudante da geração alpha aprende experimentando e vivenciando experiências que possibilitam atribuir sentido ao que se aprende; portanto, o Integrado busca constantemente analisar as formas e as ações que potencializam as aprendizagens dos estudantes”, diz. 

Um mundo inteiro como sala de aula

No Integrado UPF, essas reflexões não ficam apenas no campo teórico, orientam decisões pedagógicas cotidianas, desde a organização dos espaços até a forma como os conteúdos são apresentados e explorados em sala de aula. 

Um dos principais diferenciais, como relata Juliana, é a organização dos espaços físicos. No Integrado, a aprendizagem não se limita às quatro paredes: pátio, laboratórios, biblioteca e até espaços da cidade passam a fazer parte das atividades. A proposta é transformar diferentes ambientes em oportunidades de investigação e descoberta. “Esses ambientes ampliam as possibilidades de experimentação, promovem conexões entre teoria e prática e tornam o processo educativo mais envolvente e contextualizado”, explica.

A tecnologia, presença constante na rotina desses estudantes, também faz parte das estratégias de ensino. Segundo Juliana, o desafio não é proibir o uso dos dispositivos, mas ensinar a utilizá-los com intencionalidade pedagógica. Para a professora, a tecnologia é um recurso, um meio para aprender, não um fim em si mesma — ela precisa estar a serviço do pensamento e não substituir o processo de construção do conhecimento. Na prática, celulares, computadores e plataformas digitais são incorporados a pesquisas, produções autorais e projetos, sempre com mediação dos professores.

No fim das contas, a escola que esses alunos desenham hoje já não cabe apenas em quatro paredes, fileiras de carteiras e um quadro cheio de exercícios. Ela se espalha pelos pátios, pelos laboratórios, pela cidade e pela própria Universidade — um espaço mais aberto, em que aprender deixa de ser copiar e passa a ser experimentar, perguntar e construir sentido.

Créditos: Ederson de Ávila/ edersonavila@upf.br

Legendas:

Localizada no prédio B6, a Escola realiza atividades em todo o Campus I da UPF

Edição: A. R.

1 COMENTÁRIO

  1. Reconhecemos a importância deste Educandário para a formação humana e profissional em nossa cidade Passo Fundo.

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