Entre pampas, colmeias e palavras: autor campinense lança dois livros na Academia de Letras

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Havia ainda orvalho sobre a grama da Chácara Ludwig quando as primeiras vozes começaram a chegar. Era 25 de julho — Dia do Colono, do Motorista e do Escritor —, essa tríplice data em que o Rio Grande do Sul celebra, no mesmo fôlego, a mão que semeia, a mão que conduz e a mão que escreve. Não poderia haver manhã mais apropriada para uma Festa das Letras.

Ali, todos, sendo recebidos, com pão e sal (símbolos da abundância e hospitalidade e ao som do violino e danças do Grupo Troyka), sob o sol tímido do inverno missioneiro, a Academia de Letras do Noroeste do Rio Grande do Sul — Alenrio — reuniu três grandes regiões em torno da mesma mesa: o Grande Santa Rosa, a Missioneira e a região Celeiro.

Vieram autoridades locais, regionais e estaduais; vieram escritores e poetas de muitos caminhos, alguns de estrada longa, todos movidos pela mesma teimosia de acreditar que a palavra ainda importa. Quatro novos acadêmicos foram empossados, e cada posse teve o peso silencioso de quem sabe que uma cadeira, numa academia, é menos um assento do que um compromisso.

Foi nesse cenário que o escritor campinense Jacinto Anatólio Zabolotsky, ocupante da cadeira nº 15, apresentou ao público duas obras que vinha guardando como quem guarda safra.

História dos Povos Formadores do Rio Grande do Sul

Entre Pampas, Imigrantes e Diásporas, vol. 8 — obra construída em parceria com a UFRGS, a UPF e a Universidade Federal da Fronteira Sul, de Chapecó, para a qual o autor foi convidado a escrever um capítulo. É livro que caminha pelos rastros de quem chegou: os que vieram de barco, os que vieram de carroça, os que trouxeram na bagagem um idioma, um santo e uma saudade. História de pampas e de diásporas, de gente que atravessou oceanos para plantar raiz em terra nova.

As Abelhas — O Eterno Zumbido da Vida

Se o primeiro livro olha para os povos, o segundo olha para as asas. As Abelhas — O Eterno Zumbido da Vida é ciência e encantamento na mesma colmeia: natureza, sustentabilidade, ensinamentos e curiosidades, tudo em harmonia com a vida. Nele, o zumbido deixa de ser ruído de fundo e se revela o que sempre foi — a trilha sonora discreta de tudo o que floresce. Quem o abrir descobrirá que a abelha não é apenas um inseto laborioso: é mestra de organização, de coletividade e de paciência, lições que o mundo dos homens teima em reaprender.

Próximos capítulos

Encerrada a manhã, ficou o gosto de continuidade. As duas obras serão em breve lançadas também em Campina das Missões aos apicultores e comunidade em geral e na Feira do Livro de Santa Rosa — porque livro, como semente e como mel, só cumpre seu destino quando é partilhado.

Fonte: Jornal A Gazeta do povo, 31/07/2026, Campina das Missões/Candido Godoi.

Edição: A. R.

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