A revitalização da Jornada de Literatura de Passo Fundo passaria por uma mudança de foco: deixar de ser um evento gigantesco e se tornar um evento mais íntimo e vibrante, conectado com a vida cultural da cidade, afinal, Passo Fundo é a capital do mundo, pelo menos repeti isso minha vida toda.
Os festivais literários se tornaram um importante espaço de encontro, celebração e difusão da literatura. No Brasil, alguns eventos se destacam, como a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que se tornou referência global, e a Balada Literária de São Paulo, conhecida por seu formato mais informal e descentralizado. Outro evento que ganhou notoriedade foi a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, que por anos foi um dos maiores e mais influentes festivais literários do país, iniciado lá nos anos 1980 no auditório do clube Juvenil com autores vindos inicialmente de graça pela amizade com a professora Tânia Rösing.
Ao longo do tempo, o modelo da Jornada de Passo Fundo foi perdendo fôlego e, por uma série de motivos, acabou se dissolvendo. O formato se tornou grandioso, isso exigia muitos recursos e uma infraestrutura complexa, deixou de ser viável.

Grandes artistas vinham à cidade. Leia esta matéria: www.neipies.com/ziraldo-era-o-proprio-menino-maluquinho/
De uma hora pra outra surgiu a Flip, no centro do país e não no canto sul, com sua capacidade de atrair grandes nomes internacionais e a força de sua marca, acabou por se tornar a referência do mercado, enquanto o evento gaúcho viu seu protagonismo diminuir até sua extinção.
Mas é possível reverter esse quadro e revitalizar a Jornada de Literatura de Passo Fundo. O segredo é adotar um modelo mais simples, dinâmico e com poucos recursos, inspirado em eventos como a Balada Literária de São Paulo, organizada por Marcelino Freire, e a Festipoa Literária, criada em Porto Alegre.
A proposta é simples: organizar uma semana de bate-papos em livrarias e cafés da cidade. As atividades seriam descentralizadas, mas aconteceriam em locais próximos para facilitar a circulação do público. Para animar as noites, seriam realizadas festas em bares e, pelo menos, uma balada.
O convite para os autores seria direto e pessoal. Seriam convidados cerca de seis artistas e escritores de renome de Porto Alegre e um ou dois de São Paulo, com apoio do Sesc. A ideia seria oferecer em troca apenas passagem e estadia, sem remuneração na primeira edição. Para viabilizar isso, seriam fechados convênios com hotéis e restaurantes da região.
As atividades começariam na terça-feira e terminariam no sábado, sempre no período da noite, com a possibilidade de organizar oficinas à tarde no Sesc. O domingo seria livre para um churrasco de confraternização, um momento para os artistas convidados e a equipe celebrarem a experiência. A festa de encerramento no sábado seria um espetáculo à parte, mostrando a riqueza da cultura local com teatro, música e outras manifestações artísticas.
Esse modelo de evento é mais direto e mais econômico. Ele prioriza a proximidade, o diálogo e a celebração da cultura local, sem a necessidade de uma estrutura complexa e onerosa.
A revitalização da Jornada de Literatura de Passo Fundo passaria por uma mudança de foco: deixar de ser um evento gigantesco e se tornar um evento mais íntimo e vibrante, conectado com a vida cultural da cidade, afinal, Passo Fundo é a capital do mundo, pelo menos repeti isso minha vida toda.
Em 2015, publicávamos reflexão no site “Cancelamento da Jornada da Literatura: uma tragédia?”: www.neipies.com/jornada-nacional-de-literatura-uma-tragedia/
Autor desta coluna: Leandro Malósi Dóro. Também escreveu e publicou no site “Vida Ed Mort”: www.neipies.com/a-vida-ed-mort/
Edição: A. R.












Do autor Leandro Dóro:
“A revitalização da Jornada de Literatura de Passo Fundo passaria por uma mudança de foco: deixar de ser um evento gigantesco e se tornar um evento mais íntimo e vibrante, conectado com a vida cultural da cidade, afinal, Passo Fundo é a capital do mundo, pelo menos repeti isso minha vida toda”.