Maior município da Região Norte, referência em saúde, educação e industrialização, celebrou 168 anos de emancipação nesta última quinta-feira (7 de agosto de 2025)
(Por jornalista Eduarda Costa)
Maior município da Região Norte do RS, referência em saúde, educação e industrialização, Passo Fundo celebra 168 anos de emancipação nesta última quinta-feira (7 de agosto de 2025) em meio a novos desafios para o futuro.
Com crescimento populacional constante, envelhecimento da população e projeções de mudanças no cenário eleitoral, a cidade precisa se preparar para manter o protagonismo regional e garantir qualidade de vida aos moradores.

O aumento populacional é uma das marcas do desenvolvimento recente de Passo Fundo. Entre os censos de 2010 e 2022, a cidade cresceu em média 1% ao ano, saltando de 184.869 habitantes para 206.224. A tendência, segundo o coordenador regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), Jorge Benhur Bilhar, é de continuidade:
— Passo Fundo é uma cidade atraente e convergente. Os jovens vêm para estudar e acabam ficando, conseguindo emprego e, por vezes, trazem as famílias. Essa é a nossa tendência para o futuro. Devemos ter mudanças no perfil, com população mais velha e famílias com menos filhos, mas em crescimento.
O aumento reflete no maior número de eleitores. A estimativa do coordenador é que, até as eleições municipais de 2040, Passo Fundo atinja 200 mil eleitores, número necessário para a cidade ter segundo turno na votação.
— Mas muitos fatores influenciam, como a não transferência dos domicílios eleitorais, ou a não emissão (do título) ao completar 16 anos. Mesmo assim, estimamos que até as eleições de 2040 já tenhamos 200 mil eleitores — ressalta.
Por que Passo Fundo é atrativa?
Atualmente com 214.564 habitantes estimados, Passo Fundo foi a quinta cidade gaúcha que mais cresceu no último levantamento do IBGE. Por trás desta evolução, os motivos são os mais variados: oportunidades de emprego, estudo e até de melhor qualidade de vida.
É isso o que aponta a análise da economista e diretora da escola de Ciências Agrárias, Inovação e Negócios da Universidade de Passo Fundo (UPF), Cleide Moretto:
— Passo Fundo oferece serviços muito semelhantes aos encontrados em capitais ou regiões metropolitanas, como excelentes escolas, hospitais, clínicas, serviços especializados, além de um importante centro atacadista, comercial e da construção civil. A revitalização dos espaços públicos dá visibilidade às opções de lazer, sinalizando espaço para iniciativas na área do turismo.
Fatores econômicos também são grandes impulsionadores por trás dos números populacionais. A expansão da produção, diversificação das atividades econômicas e o agronegócio são algumas das características atrativas para novos moradores.
— Temos uma economia local baseada no setor terciário (comércio atacadista, varejista e serviços), com especialização na área da saúde e da educação, e mesmo assim atendemos uma demanda regional baseada na produção agropecuária. Estamos nos consolidando como um “mesopolo regional agropecuário” — destaca.

Desafios das próximas décadas
Para dar conta de atender o aumento da população, a cidade precisa ter infraestrutura condizente com as novas necessidades. Com tendência de ter cada vez mais idosos, por exemplo, será preciso investir em atendimentos focados na área da saúde. Outras demandas serão na mobilidade, como acessos, rodovias e aeroporto.
— Hoje temos em torno de 47 mil idosos, e isso vai só aumentar, porque as pessoas estão vivendo mais. Nossos gestores precisam dar importância ao assunto. Em algum momento, é de se pensar em deixar de construir escolas e focar em casas de acolhimento. Já deveríamos ter um geriatra em cada posto de saúde, e temos essas carências em torno do crescimento da cidade — aponta Bilhar.
A discussão já está no radar da prefeitura, que discute soluções para adaptar a rede à população em envelhecimento. Conforme o secretário de Planejamento, Giezi Schneider, preparar a cidade é um dos planos.
— Precisamos ter outras estruturas de atendimento, mas isso ainda está na fase de discussão, para equiparmos adequadamente a cidade — adianta.
Outro gargalo está na mobilidade urbana. Hoje, quem se desloca pela cidade precisa passar pela Avenida Brasil, resultando em congestionamento na principal via da cidade. O mesmo acontece nos trevos de acesso, que precisam ter maior estrutura para dar conta tanto dos moradores quanto do trânsito de caminhões.
Ainda segundo Giezi, o tema é o ponto focal da gestão municipal. Um departamento foi criado para pensar estratégias específicas e soluções para o trânsito dentro e no entorno da cidade:
— O trânsito hoje é crucial para a garantia da qualidade de vida, e precisamos vencer esses gargalos. Vamos criar rotas alternativas à Avenida Brasil, para que a locomoção seja distribuída. Também qualificar o transporte coletivo e o entorno da cidade, com os principais trevos já incluídos em projetos de estruturação.

Suporte para novos moradores
Tornar a cidade atrativa economicamente também passa por investimentos em serviços básicos, para dar suporte a esses novos trabalhadores. Escolas em turno integral — para os pais conseguirem trabalhar — moradia, segurança e lazer são alguns dos atrativos conectados com o desenvolvimento da cidade.
— Toda a força de atração produtiva implica em expansão na mesma intensidade da estrutura de serviços básicos. Políticas públicas direcionadas ao crescimento são fundamentais e definidoras do desenvolvimento sustentável do município, e serão determinantes para o seu futuro — destaca Cleide Moretto.
Manter a plenitude dos serviços também é uma estratégia da gestão municipal, que entende que, para manter os novos moradores, é preciso ter uma cidade cada vez mais atrativa.
— A nossa diversidade da matriz econômica é um dos pilares de Passo Fundo, e precisamos estar preparados para suportar essa chegada de profissionais. Focamos numa cidade que funcione, que traga boas condições de vida, fazendo com que os recursos circulem por aqui. Precisamos manter esse DNA que está dando certo, por muitos anos — finaliza Giezi.
Fotos: fotógrafo Diogo Zanatta
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Edição: A. R.











Da autora jornalista Eduarda Costa, do ZH (Jornal Zero Hora):
“Manter a plenitude dos serviços também é uma estratégia da gestão municipal, que entende que, para manter os novos moradores, é preciso ter uma cidade cada vez mais atrativa.
— A nossa diversidade da matriz econômica é um dos pilares de Passo Fundo, e precisamos estar preparados para suportar essa chegada de profissionais. Focamos numa cidade que funcione, que traga boas condições de vida, fazendo com que os recursos circulem por aqui. Precisamos manter esse DNA que está dando certo, por muitos anos — finaliza Giezi.