Quando aparecer algum pregador querendo se livrar de Hitler,
citem este livro fantástico (Cozinha Venenosa).
Uma das raras obras sobre o nazismo pelo ponto de vista do jornalismo
e sobre como o jornalismo de esquerda se engaja, em momentos graves,
à luta contra as grandes ameaças.

 

Tem um novo andaço da pregação fascista-nazista-diversionista de que a origem do nazismo é o socialismo, ou de que Hitler teria sido um pregador com forte base ideológica de esquerda.

Essa bobagem, propagada mais por ignorância mesmo do que pela intenção de criar confusão, permite pelo menos que se retome o assunto. Não para entrar nesse debate imbecil como se fosse coisa muita séria, mas para entender melhor o que aconteceu e não deixar a falação sem resposta.

Eu cito todos os anos, sempre que posso, o livro A Cozinha Venenosa – Um jornal contra Hitler (Editora Três Estrelas), da jornalista brasileira Silvia Bittencourt. É a chance de citá-lo de novo.

 

Cozinha venenosa é o título do livro da jornalista Silvia Bittencourt. Ela pesquisou a história do Munchener Post, o principal jornal opositor a Adolf Hitler na Alemanha. Ao narrar a trajetória do jornal que foi fechado logo após a ascensão do nazismo ao poder, em 1933, Silvia revela os conflitos sociais e políticos desde a unificação do país, passando pela 1ª guerra mundial, queda da monarquia e a revolução russa de 1917.

 

Silvia mora na Alemanha e escreveu sobre a ascensão e a consagração de Hitler a partir da percepção e da resistência de um jornal, o bravo Münchener Post, de Munique.

Por que Hitler decidiu atacar sistematicamente o jornal, até destruí-lo em 1933? Porque, é claro, o Münchener era um jornal de esquerda, sustentado abertamente pela social-democracia. Foi o Münchener que alertou a Alemanha para o que estava sendo esboçado por Hitler desde sua aparição em 1919.

O Münchener publicou em 1932 um documento em que Hitler anunciava o plano para se livrar dos judeus. Isso em 1932. Era o projeto da solução final. O texto, na íntegra, está no livro.

Se Hitler era de esquerda, então Jânio Quadros, Collor, Maluf, ACM, Aécio, Doria Júnior e outros pregadores da direita populista, que fizeram ou fazem promessas em nome da libertação do povo (incluindo alguns ditadores militares), também seriam.

Quando aparecer algum pregador direitoso querendo se livrar de Hitler, citem este livro fantástico. E leiam o relato de Silvia, porque é uma das raras obras sobre o nazismo pelo ponto de vista do jornalismo e sobre como o jornalismo de esquerda se engaja, em momentos graves, à luta contra as grandes ameaças.

O que não acontece hoje no Brasil, onde a grande imprensa se diz neutra, amorfa, inodora, incolor e principalmente im-par-ci-al… Sim, é pra rir.