A Universidade de Passo Fundo (UPF), por meio de sua Política de Responsabilidade Social 2013/2016, reconhece-se como parte da comunidade e trabalha com ela na promoção dos direitos coletivos, que pressupõem condições de vida digna, reconhecimento da cidadania, da convivência com as diferenças e enfrentamento de violações que prescindem de solidariedade e urbanidade. Assim, a UPF procura realizar ações nos diversos âmbitos de atuação (ensino, pesquisa e extensão), estabelecendo parcerias com várias instituições.

Uma dessas iniciativas, desenvolvida em 2015, foi a realização de quatro edições da feira ecológica e de economia solidária no campus I, como resultado da mobilização de estudantes após discussão sobre o tema alimentação saudável. A proposta surgiu como uma estratégia da comunidade acadêmica, elaborada pela Comissão de Alimentação do Fórum de Estudantes UPF, com o apoio do Diretório Central de Estudantes, possibilitando a oferta de produtos agroecológicos e de economia solidária para toda a comunidade acadêmica.

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Com base nas discussões do Fórum de Estudantes UPF, promovido pela Reitoria, foi constituída a comissão que, apoiada por funcionários da Divisão de Extensão e por professores, promove debates acerca de uma proposta de alimentação saudável e para além da relação custo versus produto, pretendendo fomentar uma nova política de alimentação baseada na segurança alimentar.

A Constituição federal brasileira, em seu artigo 6º, institui que o acesso à alimentação é um dos direitos sociais, sendo dever da família, da sociedade e do Estado assegurá-la à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, como disposto no artigo 227. No entanto, para a concretização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, as normas do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional destacam que é preciso fazer uso de práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

Nesse sentido, ações de educação alimentar e nutricional que visem à promoção do direito humano à alimentação adequada devem ser estimuladas, assim como parcerias entre instituições públicas e privadas para o enfrentamento dessa realidade. Discussões sobre resgate da cultura regional, valorização de frutas nativas e alimentos típicos e estímulo à alimentação saudável devem ser oportunizados nos espaços da universidade.

Sob essa perspectiva, diversas articulações, aproximando projetos de extensão e iniciativas dos cursos da universidade, reuniram participantes do Programa de Extensão Comunidades Sustentáveis e do projeto Fazendo a Lição de Casa, ambos vinculados ao Centro de Ciências e Tecnologias Ambientais, e agregaram os integrantes do projeto Extensão Universitária e Trabalho Decente: assessoria em economia solidária, vinculado ao Núcleo de Economia Solidária. Também participa do grupo de trabalho, o Núcleo de Estudos em Agroecologia, criado a partir de um edital do CNPq e do Ministério de Desenvolvimento Agrário, que se constitui em um fórum de estudo e discussão constante sobre agrobiodiversidade e agroecologia, procurando atender os interesses dos agricultores e da população demandante e consumidora, estabelecendo a produção e troca de sementes, de plantas medicinais e de frutas nativas, estimulando o uso de insumos para uma produção ecológica. Em algumas edições, também integra a feira ecológica e de economia solidária, o projeto BookCrossing UPF, que participa com seu troca-troca de livros e incentiva a “libertação” das obras já lidas da estante para os espaços públicos.

Aprovada pela Fundação Universidade de Passo Fundo, a feira ecológica e de economia solidária acontece às terças-feiras, das 11 horas às 17 horas, em duas edições por mês.

Tendo em vista que promover o diálogo sobre o assunto é peça fundamental para o avanço da construção de uma política alimentar que atenda às necessidades de um projeto sustentável demandado pelos estudantes, as edições da feira ecológica constituem-se em um espaço de sensibilização e formação para a comunidade acadêmica, no sentido de fortalecer ações de responsabilidade social, econômica e ambiental.

Professora Elisabeth Maria Foschiera
Acadêmica Monique Tartas

Fotos: Alexandre Hahn e Monique Tartas