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Dezembro chegou

Dezembro é o início do fim que sempre irá chegar!

Dezembro chegou e este é o início do fim! Encerram as aulas, encerram os projetos do ano, encerram-se ciclos intermináveis de calendários projetados para os ” longos e logo ali” doze meses.

É o tempo onde a procrastinação permite-se oficializar com a frase: “- Não dá mais tempo” e a dieta já foi abandonada faz muito tempo. A luz no fim do túnel dos recessos ilumina a esperança de uma quebra impactante da rotina, e o que não deu certo cerca-se de expectativas para o ano vindouro.

É o início do fim de mais um ciclo comercial, patrimonial, estruturante e condizente com as vidas metódicas as quais levamos. Mas existe outra versão deste multiverso, aquela dos hiperativos que recuperarão o ano em duas ou três provas de exames colegiais, que farão todas as dietas mais malucas em busca do chape da moda, que farão três turnos de trabalho para aumentar a renda e gastarão às fanfarras alimentando a economia vigente.

Até a fé é renovada pela visão do nascimento e mergulhada no universo doce dos presentes regados a refrigerante.

Não faço aqui juízo de certo ou errado e viajo constantemente pelo multiverso das alternativas existentes.

Considero deveras necessário que o ser humano sempre encontre uma forma de recomeçar, mesmo que num belo feriado de janeiro, pois dezembro é o início do fim que sempre irá chegar!

Autor: Alexandre da Rosa Vieira. Acadêmico Academia Passofundense de Letras, cadeira 26. Também já escreveu e publicou no site a crônica “Uma escola que ensine a subir escadas”: www.neipies.com/uma-escola-que-ensine-a-subir-escadas/

Edição: A. R.

O G-20, o apagão de professores, a educação de qualidade e o financiamento justo 

O Brasil, sob a responsabilidade do Estado, por meio de políticas públicas, em conjunto com toda a sociedade, precisa assumir seriamente um compromisso definitivo e prioritário de financiamento estatal da educação, de qualidade social da educação e da formação, promovendo equidade racial e de gênero, a valorização da carreira docente e do uso pedagógico e formativo das diversas tecnologias em prol das atuais e futuras gerações.

Estamos encerrando o ano letivo de 2024 e planejando a próxima década por meio do Projeto de Lei (PL) nº 2.614/2024 que tramita no Congresso Nacional sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE) 2024-2034. Este ano que estamos terminando, bem como a última década, foram muito difíceis, desalentadores e ameaçadores para a educação pública e a formação de qualidade no Brasil. Sofrem os professores, os estudantes e as escolas públicas que são a grande maioria. O projeto de “qualidade empresarial” disputa com o projeto de “qualidade social” estão todas as políticas e pautas educacionais.

Para o especialista e estudioso professor Luiz Carlos de Freitas (Unicamp), a primeira coisa a fazer é atuar de forma coletiva e lutar para que se ganhe consciência da gravidade deste período e dentro do possível lutar por uma escola que prepare a juventude para esta realidade tentando construir outra forma e conteúdo para a escola – seja como política mais geral, seja como resistência em seu dia a dia.

É nesta perspectiva que a Declaração final de líderes de países do G20, principal fórum de cooperação econômica internacional, realizado no Rio de Janeiro em 18 e 19 de novembro de 2024, incorporou temas e recomendações relevantes que podem contribuir como horizonte para pensarmos a educação enquanto política de estado e projeto de nação.

O G-20 e o GT de Educação e Cultura do C20 assumiram na Carta de compromissos o reconhecimento do “papel crucial da educação e da formação de qualidade para a garantia dos direitos humanos, a justiça fiscal no financiamento de uma educação e cultura públicas de qualidade e de forma sustentável, a valorização dos profissionais da educação, a educação plenamente inclusiva e o enfrentamento aos desafios das novas tecnologias – em especial, da inteligência artificial” na educação.

O Brasil, sob a responsabilidade do Estado, por meio de políticas públicas, em conjunto com toda a sociedade, precisa assumir seriamente um compromisso definitivo e prioritário de financiamento estatal da educação, de qualidade social da educação e da formação, promovendo equidade racial e de gênero, a valorização da carreira docente e do uso pedagógico e formativo das diversas tecnologias em prol das atuais e futuras gerações.

Desafio do financiamento

O Brasil descumpriu a maioria das metas dos Planos Nacionais de Educação (PNEs) 2001-2011 e 2014-2024. No Projeto de Lei (PL) nº 2.614/2024 que tramita no Congresso Nacional, que prevê o novo Plano Nacional de Educação (PNE) 2024-2034, o compromisso com o financiamento da educação está muito aquém de nossa demanda, frágil e sem garantias de ampliação dos investimentos necessários de acordo com os direitos à educação para todos.

Segundo análise do Fórum Nacional de Educação (FNE), no seu item 18 do novo Projeto de Lei, “Financiamento e infraestrutura da educação básica” e objetivo 18, “Assegurar a qualidade e a equidade nas condições de oferta da educação básica” (Brasil, 2024), são apresentadas quatro metas relativas a esse item e objetivo. Nota-se que os títulos apresentados provocam um questionamento: trata-se apenas do financiamento da educação básica? A leitura das metas, entretanto, nos levam a concluir que se trata, também, do financiamento da educação em todos os seus níveis, etapas e modalidades. Contudo, não há nenhuma referência a respeito do financiamento da educação superior.

Na Constituição Federal do Brasil estão previstos nos artigos 212, 205 e 208 os investimentos em educação: 18% da receita de impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino. Já os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem aplicar, no mínimo, 25%. Em grande parte, também, a exemplos dos PNEs, descumprem-se estes percentuais constitucionais e ninguém é responsabilizado.

No contexto brasileiro atual, agrava-se a condição do financiamento da educação através da mercantilização, privatização e terceirização – por meio das Parcerias Público-Privadas (PPP). Os fundos públicos para a educação pública estão sendo disputados e destinados a empresas que estão se responsabilizado pela gestão de redes de escolas, conforme abordado na coluna anterior.

Declaração de Líderes do G20 endossa  e apoia a tributação progressiva como “uma das principais ferramentas para reduzir as desigualdades internas, fortalecer a sustentabilidade fiscal, promover a consolidação orçamentária, promover crescimento forte, sustentável” (página 19) e reconhece a importância do financiamento para uma educação de qualidade.

A manifestação do GT de Educação e Cultura do C20 reafirma, também, “a justiça fiscal no financiamento de uma educação e cultura públicas de qualidade e de forma sustentável ” (página 61) e reforça a necessidade e seriedade de maiores investimentos. Sem financiamento suficiente e contínuo nunca teremos educação e formação de qualidade em nenhum lugar do mundo, muito menos no Brasil que possui um déficit histórico na educação.

Desafio da carreira e valorização docente

As declarações do G-20 e do GT Educação e Cultura C20 alertam que o apagão docente é uma ameaça global e a valorização dos profissionais da educação precisam serem assumidos pelos Estados nacionais. O G-2-0 observa “com preocupação a atual escassez global de professores. Políticas de desenvolvimento profissional capazes de qualificar e reter professores, além de estimular o interesse de professores no início da carreira, tornaram-se um componente essencial do desafio multidimensional de preparar nossas sociedades para o futuro.” (parágrafo 27)

Já o GT de Educação e Cultura do C-20 prossegue reafirmando que “Valorizar todos os profissionais da educação e da cultura, assegurando condições de trabalho e saúde, com prioridade para o bem-estar mental, por meio de financiamento adequado. Garantir planos de carreira e remuneração com salários compatíveis à riqueza econômica dos países, promovendo igualdade salarial para profissionais da educação, incluindo educadores especiais, em relação a outros profissionais com o mesmo nível de formação, como forma de enfrentar a escassez de profissionais da educação.” (página 63)

Resta-nos uma indagação que pode ser, também, uma indignação brasileira: porque no Brasil, tanto a nível Federal, mas principalmente nos Estados e em boa parte dos Municípios, estamos na contramão dessas recomendações?

Recentes estudos publicados revelam aumento exponencial de professores temporários nas redes estaduais do Brasil, evidenciando que, pela primeira vez, em 2022, as redes estaduais tinham mais professores temporários do que efetivos. Este cenário se manteve em 2023, com 51,6% de temporários e 46,5% de efetivos. Em seguida, o estudo mostra o cenário em cada uma das 27 Unidades da Federação. Em 15 estados há mais docentes temporários do que efetivos e, de 2020 a 2023, 67% dos estados aumentaram a quantidade de temporários e diminuíram a de efetivos.

Os estudos apontam impactos negativos de professores temporários sobre os resultados da aprendizagem dos estudantes, como: a alta rotatividade docente que pode prejudicar o vínculo com a comunidade escolar e o efetivo desenvolvimento dos estudantes; os processos seletivos utilizados pelas redes de ensino, que em sua maioria não utilizam boas etapas de seleção e, as condições de trabalho dos professores podem ser piores que a dos efetivos.

Equidade Racial e de gênero

Os participantes do G-20 e do GT C20 se posicionaram, também, sobre a necessidade de equidade racial e de gênero ao reconhecerem que todas as “mulheres e meninas enfrentam barreiras específicas devido a diversos fatores, tais como falta de acesso a saúde, educação, desenvolvimento da carreira, igualdade salarial e oportunidades de liderança. Reconhecendo que a violência baseada em gênero, inclusive a violência sexual contra mulheres e meninas, é preocupantemente alta nas esferas pública e privada, nós condenamos todas as formas de discriminação contra mulheres e meninas e lembramos nosso compromisso de acabar com a violência baseada em gênero, inclusive a violência sexual, e combater a misoginia on-line e off-line.” (parágrafo 32).

Portanto, o GT de Educação e Cultura C20 reafirma a necessidade de políticas que promovam “a educação formal, não formal e popular que abrace as culturas de todas as minorias raciais e étnicas, povos indígenas, pessoas de ascendência africana, africanos, asiáticos, pessoas de ascendência asiática, migrantes, refugiados, comunidades ciganas, dalits, populações sem-terra e sem-teto, mulheres, meninas, pessoas LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, incluindo pessoas autistas, e aquelas com outras condições de saúde, como pessoas vivendo com HIV, demência e outros grupos em situações de vulnerabilidade, incluindo populações ribeirinhas.” (página 62).

No Brasil, na última década, retrocedemos em todos estes direitos agendas, mesmo sendo um país de maioria de negros e pardos, mulheres e jovens.

Tecnologias digitais e Inteligência Artificial

Por fim, não menos importante e necessário, os países reconheceram “o potencial das tecnologias digitais e emergentes para reduzir as desigualdades” e promover “acesso equitativo à informação, ao conhecimento e aos recursos digitais por meio de conectividade significativa, alfabetização digital e autonomia, reconhecendo a tecnologia como uma linguagem e a internet como um território para a educação e a cultura” (página 63).

Para tanto, afirmam, é preciso garantir “comunicação inclusiva e acessibilidade em plataformas e conteúdos digitais para pessoas com deficiência”, fomentar a “colaboração entre setores por meio da apropriação digital centrada na comunidade, oferecendo ferramentas e dispositivos digitais personalizados que atendam às necessidades específicas de cada comunidade. Além disso, fortalecer e estabelecer redes para ampliar o compartilhamento de recursos.” (página 63)

Sobre a Inteligência Artificial (IA), os países fizeram um apelo por “um engajamento global fortalecido e eficaz no debate sobre direitos autorais e direitos conexos no ambiente digital e os impactos da inteligência artificial sobre os detentores de direitos autorais.  (…) Nós reconhecemos, dizem os países do G-2-, a contribuição da infraestrutura pública digital para uma transformação digital equitativa e o poder transformador das tecnologias digitais para reduzir as divisões existentes e empoderar sociedades e indivíduos, incluindo todas as mulheres, meninas e pessoas em situações de vulnerabilidade”.

O GT Educação e Cultura C20 afirma ser necessário “garantir decisões centradas nos direitos humanos em relação ao uso ético da inteligência artificial”, assegurando princípios como privacidade, segurança, responsabilidade e proteção de dados no uso de tecnologias na educação e na cultura, implementando salvaguardas robustas – especialmente para crianças e adolescentes – contra possíveis violações de privacidade, aplicadas de forma consistente por atores públicos e privados.” (página 63)

Que a ética tenha algo a dizer sobre o tema da técnica e da IA, ou que a técnica esteja submetida a considerações ética, eis algo que se segue pelo simples fato de que a técnica é um exercício do poder humano, isto é, uma forma de ação, e toda forma de ação humana está sujeita a uma avalição moral.

Para o filósofo Hans Jonas, a técnica, independente do seu uso para o bem ou para o mal, tem em si um lado ameaçador, que a longo prazo poderá ter a última palavra. E, pelo bem da autonomia humana, a dignidade exige que possuamos a nós mesmos e não nos deixemos ser possuídos por nossas máquinas, temos que trazer o galope tecnológico sob o controle extratecnológico.

FONTE: www.extraclasse.org.br/opiniao/2024/12/o-g-20-o-apagao-de-professores-a-educacao-de-qualidade-e-o-financiamento-justo/

Autor: Gabriel Grabowski é professor, pesquisador. Também escreveu e publicou no site “Desqualificar a escola pública é meta das reformas educacionais”: www.neipies.com/desqualificar-educacao-publica-e-meta-das-reformas-educacionais/

Edição: A. R.

É a Escola Pública que realmente amamos?

“A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.” Foi ainda de Darcy Ribeiro, a famosa frase de 1982, soando quase como uma profecia: ‘Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios.”(1) Imaginem após 42 anos?

Na última sexta (29 de novembro de 2024) tive o privilégio de passar uma hora em uma Escola Pública de Passo Fundo. Pelas suas cercanias, vivi um bom tempo da adolescência, subindo e descendo suas ruas ainda mal traçadas para alcançar a Avenida Brasil. Nosso sonho na época era o de estudar no CENAV, como se chamava nos anos 70. Mas não havia vagas para quem era desconhecido, recém-chegado do interior. Então fomos pagar para completar o ‘segundo grau’. Pagar não, financiar.

Passando em frente ao EENAV na sexta, lembrei de tudo e parei para apreciar as dezenas de alunos descendo suas escadas. Quanta gratidão pela Escola! Não pude acessá-la, pois a mim representava uma Escola Federal da época; exclusiva e inacessível. Indo para a Escola particular, deparei com amigos, fiz novos amigos, mas sempre sabendo que os motivos que os levavam para as salas eram diferentes dos meus. 

Créditos: Passo Fundo em Imagens (2022): https://www.facebook.com/passofundoemimagens

Então nós saímos desta escola gigante aos nossos olhos de então, para jogar vôlei com os amigos da CENAV.  Não usávamos uniformes.  Eles, sim. Os carros que estacionavam em frente a sua Escola eram diferentes dos que apanhavam meus colegas. E a defasagem entre nossos sonhos nunca parou de crescer.

E já se foram 40 anos sem nunca entender completamente porque as escolas representam tão fielmente o extrato das camadas as quais somos achatados e acomodados na sociedade.

As cenas me vieram à mente quando vi que seus alunos de agora não buscavam por maçanetas de carros, mas pelas mãos de suas mães e pais, para, em seguida, seguirem as suas casas, creio; caminhando.

Mas o motivo de minha visita a uma escola pública nessa semana foi um encontro com a sextos e sétimos anos através do projeto chamado Autor Presente. (2)  Ali, apresentamos às turmas inquietas pelo calor, um pequeno livro sobre rejeição e empatia, seguido de perguntas e respostas entre o autor e sua plateia.

Não há como não se emocionar ao sentir novamente o clima da Escola Pública, tão próximo. Não foi preciso ver carrões no estacionamento ou empresas de segurança guardando seus portões. O que eu vi foram sorrisos de professores e coordenadores, vi crianças que pulavam felizes, muitas sem celular, senti o acolhimento do que faz da escola sua razão principal de viver ou ser; o sentimento de ser incluído. É isso!

Sempre lamento quando sou obrigado a argumentar contra um tal de senso comum, que a educação paga é a mais organizada e ensina mais. Um grande equívoco! 

Aprende-se mais onde há uma dedicação unilateral de professores, geralmente desvalorizados, com seus alunos, em torno da sua realidade. Aprende-se onde há amor, e sobretudo, aprende-se mais onde o maior valor é a necessidade de transformação. Sem importar qual sua dimensão, a realidade que se impõe no dia a dia da Escola Pública é a verdadeira geradora de mudanças.

Por quais razões mudar quando se tem tudo o que se quer?  Quando todos os desejos podem ser atendidos de imediato? Mudança mesmo por quê?

O mundo da Escola Pública não é o mesmo da Particular. Nem pode ser. A sociedade real está aí representada, com todas as suas disfuncionalidades que a escraviza. Para alunos e famílias a que isso lhes diz respeito, que maravilha poder ter apenas um tênis, não ter mais do que algumas roupas e não ter de provar o tempo todo o que se pode comprar. É libertador não ter um celular da hora e não ter de competir para arrastar ou por ele ser arrastado, somente para mostrar à sua classe.

Na vivência de uma Escola Pública, para quem quer ver, vê-se um princípio de mudança que a sociedade brasileira faz questão de omitir: a desigualdade estrutural, consentida e planejada contra sua população. Ali é o templo das transformações. Na convivência dos amigos que têm quase sempre problemas comuns, neste espaço serão geradas as sementes da transfiguração, que, sem as quais, nunca teremos forças para romper as correntes que mantém o sistema educacional no fosso eterno de todas as carências.

Não é possível haver vida paralela.  Embora no seu tempo, e os seus desafios reais sendo demais para suas idades, sair de suas casas para um dia na Escola pode ser o melhor que se apresenta.  É nessa forja que nasce o desejo pessoal, imutável, da busca da superação de si mesmo.

Longe das agruras em seus lares, nem todos, evidente, estes alunos carregam as dores e preocupações de seus pais.  Como viver então para não mudar?

Por isso, em seus prédios e pátios há uma áurea malvista, mas que é de resiliência e indignação. Temos de ver estes alunos como nosso reflexo, de contradição e de buscas, pelas quais passamos, e não como nascidos fora da cerca. Sua paciência e devoção são excepcionais.

Não podemos fazer de conta, claro, que muitos estudantes comparecem sem vontade, sem propósito ou sem o mínimo de reconhecimento sobre o que lhes é oferecido. Mas isso não é exclusivo. As redes sociais já sequestraram seus desejos e os tornaram suas presas. Mas não todos! E sempre há tempo de alertá-los, pois no momento em que desistirem e forem sugados para dentro do mercado de trabalho, precocemente, cada ano passado longe de seus bancos será uma dor a arrastar.

Duvido sempre, que na hipótese de Jesus estar entre nós, não frequentasse a Escola Pública. Ali seria o seu lugar.

É a reunião da catarse social, onde se vê a realidade de um país que anda na direção contrária, em achar que sem educação de qualidade, com apoio e verbas, vai seguir muito longe.

Na Escola Pública, mesmo com todo o descaso em prioridades vitais, os seus pátios são formadores de poetinhas, pequenos escritores, grandes professores, idealizadores de todos os futuros distintos, pois os que ali frequentam, não tem muitos médicos ou advogados na família em que possam se espelhar.

Registro de atividade Autor Presente com comunidade escolar Escola Estadual Adelino Pereira Simões. Fotos: Marciano Pereira

Sagrada Escola Pública onde os educadores são verdadeiros heróis, os pais, sobreviventes, e os alunos, quase sempre felizes, formam a comunidade da resistência em uma escala social mal construída e reprodutora das mesmas condições dos seus avós.

Quem acha que a transformação de uma sociedade refém da condição colonial é possível, que considera que a educação reparadora pode acolher qualquer pessoa, independente do mundo coisificado e sua felicidade precificada, deveria olhar com amor extremo aos que tem em uma simples ida à escola, a sua maior emoção do dia.

A Escola Pública é o antídoto da ideia de que mais presídios são necessários. E o próprio Prof. Darcy, lutava pela ampliação do seu espaço, como que um dos últimos a gritar em sua defesa. Hoje, ao contrário, será no seu meio em que se dará a nossa redenção, quem sabe, a desconstrução deste projeto de alienação e descaso da Educação e seus programadores.

Pense em um futuro de Escolas lindas, seus muros bem pintados, com professores seguros de que valeu a pena e, com seus alunos, sobretudo, certos de que representam o fim da escassez espiritual e material em suas vidas e famílias.

Antes de encerrar meu diálogo com estes queridos e atentos pré-adolescentes, veio de um deles a pergunta mais inteligente:

– Há algum livro em que o senhor já se arrependeu de escrever?

Há inquietação neste questionamento. Não partiu de um colégio com pompa, espaçoso e bem pintado, a melhor questão que já ouvi.

Que ótimo! Quantas certezas levei comigo nessa tarde!

A partir dos pátios e salas da Escola Pública, aguardem a mudança que precisamos!

Escrevam aí!

Referências:

1.Darcy Ribeiro (1922-1997) foi um dos principais pensadores da Educação Brasileira, Fundador da Universidade de Brasília, Ministro da Educação, idealizador dos CIEPs, escolas de tempo integral.

2. Gratidão aos mestres, Marciano Pereira e Vanusa Kolwski, pela coordenação do encontro, sua dedicação e carinho para que de fato acontecesse.

Autor: Nelceu A. Zanatta. Também escreveu e publicou no site “Escola perdida, alunos ausentes”: www.neipies.com/escola-perdida-alunos-ausentes/

Edição: A. R.

Casamentos

“Nenhum casamento é suportável se as pessoas não se modificam, não mudam. Por isso, case-se várias vezes, de preferência com a mesma pessoa”.

A necessidade renovação, transformação e mudança para se adaptar às distintas fases da vida, em especial no que diz respeito à vida amorosa, é um dos mais antigos axiomas sobre os casamentos. Afinal, quando casamos com alguém certamente esta pessoa se transformará em outras pessoas dentro daquele mesmo sujeito; igualmente quando nos separamos esta será uma pessoa muito distinta daquela com quem iniciamos uma jornada de casal. Portanto, a mudança é mandatória.

Nada há de novo nestes conselhos, inclusive a ideia de “casar muitas vezes” com o mesmo parceiro. A questão é que esta perspectiva sobre as uniões parte de uma visão rígida sobre o casamento, tratando-o como se fosse um evento social sagrado e por demais precioso, que precisa ser preservado a todo custo.

É inegável a importância que as civilizações emprestaram à união dos casais, pois que o reconhecimento do Estado garantia compromissos de cuidado por parte dos maridos, e de fertilidade e fidelidade por parte das esposas. Estes são, sem dúvida alguma, valores primordiais, essenciais para a sobrevivência de qualquer grupo. Não seria possível a grande revolução da agricultura e do sedentarismo ocorrida no paleolítico superior não fosse a adoção destas medidas de controle social.

Não à toa, as uniões de casais são descritas como o ápice e o centro da estrutura social, pela sua importância na continuidade da espécie. Entretanto, é possível que hoje exista um exagero sobre esta forma de ver a vida “a dois”. Talvez a forma como vemos os relacionamentos precise ser refeita.

No ano passado, o número de uniões civis no Japão caiu pela primeira vez desde os anos anteriores a segunda guerra mundial. Ao lado disso, e por consequência, os nascimentos caíram 5.1% , chegando a 758 mil por ano, números que o Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e Previdência Social esperavam só ser alcançado em 2035. Ou seja: a baixa de casamentos leva à baixa de natalidade.

A falta de jovens e o envelhecimento da população é um problema grave para a economia de qualquer país. Em 1982, o número de nascimentos no Japão foi de 1,5 milhão, quase o dobro do que se vê agora. A taxa de fertilidade – a média de nascimentos por cada mulher – caiu para 1,3, um valor trágico se levarmos em consideração que a taxa necessária para manter uma população estável; é de 2,1. Os falecimentos ultrapassam os nascimentos por mais de uma década. Assim, no Japão mais pessoas são enterradas do que paridas há mais de 10 anos.

Em uma aldeia japonesa chamada Kawakami não houve o nascimento de nenhuma criança em 25 anos. Esta localidade já teve 6 mil moradores nos anos 80, e hoje não tem mais do que 1.150 habitantes. Será o Japão um fato isolado? Serão os japoneses o tubo de ensaio de uma crise de natalidade grave que atingirá o mundo inteiro?

Talvez o casamento não seja tudo isso. Apesar da importância que ainda vemos neste tipo de união civil – que pode ser medida pelos custos de uma cerimônia para as classes abastadas – é possível que o casamento como o conhecemos, que inclui os filhos, a monogamia, a coabitação, os projetos compartilhados, etc., tenha sido uma moda passageira na história da humanidade, uma forma intermediária para acomodar necessidades específicas, e tão somente um subproduto do patriarcado, criado para manter o controle sobre as mulheres, a procriação e a descendência.

Hoje em dia o casamento é criticado como nunca e duramente questionado sobre seu real valor, e para alguns parece evidente que ele tem seus dias contados por não oferecer aos casais a liberdade e a autonomia que tanto almejam.

A lenta decadência do modelo patriarcal talvez leve consigo alguns elementos que hoje são comuns, mas que talvez se tornem raridade no futuro: as parcerias eternas, os casais de velhinhos e o almoço de domingo na casa dos avós. Quem sabe que tipo de sociedade diferente vai surgir quando desta instituição sobrar apenas uma vaga memória.

Por fim, a questão dos casamentos, seu significado e seu futuro, são determinantes para as sociedades contemporâneas. Por mais que existam questões sobre os valores inseridos no casamento, ainda haverá a necessidade de ajustar os afetos, o desejo sexual e a criação das crianças, fruto destas uniões. Sem a figura do casal heterossexual como a única forma de expressão dessas uniões, como vai ser a construção desta nova sociedade? Sobre quais valores se assentará e como será a arquitetura das famílias do século XXII?

As pessoas da minha geração, em especial aquelas contaminadas pelo romantismo e que nasceram sob a égide da família nuclear, por certo não terão a oportunidade, ou o tempo de vida suficiente, para testemunhar este mundo sem casais e sem juras de amor eterno; não teremos a chance de vivenciar as dores e os sabores deste mundo novo e desafiante. Entretanto, é inevitável a curiosidade em saber se o modelo que virá para garantir o afeto e o cuidado das crianças terá tanto sucesso quanto o amor romântico teve na história do planeta.

Autor: Ricardo Herbert Jones. Também escreveu e publicou no site “O velho e o cafona conceito de equilíbrio”:www.neipies.com/o-velho-e-cafona-conceito-do-equilibrio/

Edição: A. R.


 

 O menino do Portinari e o colapso do mundo

O menino de Portinari só foi para a tela porque existia e existe no mundo. Um mundo tão frio que até o sol pode ser confundido com a lua. O menino está só de gente, e não tem rosto. O pior é que tudo está diante de nossos olhos sob a claríssima luminosidade do dia.

Menino do Papagaio foi pintada por Portinari em 1954. Vi a tela original de perto no Museu Ruth Schneider, aqui em Passo Fundo-RS,  há muito tempo, em um projeto de interiorização do MARGS-Museu de Arte do Rio Grande do Sul. Raramente teríamos oportunidade de sentir o cheiro perturbador da tinta, se não fosse esse projeto de arte extra-muros. Ainda não tenho um Portinari na sala da minha casa para ter dispensado esta oportunidade singular.

Menino do Papagaio parece uma mancha de fogo no mar. Também seria possível dizer que o menino de Portinari é uma miragem de sol no deserto. O menino que não tem rosto é o único em cores quentes, rodeado de cores frias. Até mesmo a ovelha que lhe dá aconchego é feita de cores frias. Tudo é árido. Não há uma única planta. Só areia e rochas. Não esperem brotação. O céu está extremamente límpido. Não háverá possibilidade de chuva por muitos dias.

O menino do papagaio é um menino de fogo no meio de um mundo frio. Até o sol é frio. Não lembro de ter visto em outras pinturas um sol tão gelado. Tem gente que diz que o sol de Portinari não é um sol, mas uma lua. Não parece ser razoável. Primeiro, porque a cara do objeto azul no céu azul é de sol e não de lua. Segundo, um menino jamais soltaria papagaio na noite. Outra coisa, as figuras têm sombra refletida no chão de areia. A lua não sabe fazer sombras tão marcantes.

Não há dúvidas que ele está num mundo de cores frias, que tudo é frio; que ele está num deserto, que tudo é árido. Mas não há dúvidas que tudo acontece durante o dia. Então, não pode ser uma lua, embora o sol de Portinari parece não ter luz própria.

O menino está só num mundo de cores frias, no meio de um deserto, com um sol apagado. Este menino não tem rosto e é o único vermelho. De companhia apenas uma ovelhinha. Quem sabe o calor do menino venha dessa ovelhinha, como se fosse o Menino Jesus esquentado no presépio. No mundo frio de Portinari, o menino está só. E não tem rosto. Podendo, portanto, ser qualquer menino ou menina do mundo tentando fazer um papagaio para brincar, um papagaio que também é de um papel extremamente frio.

Poucos entendem a arte. Ou, no máximo, se endinheirados, compram arte pra decorar a sala. Só sabem dizer se combina ou não com o resto dos móveis. Ou dividem tudo em feio e bonito. E o quadro de Portinari está mais pro feio, além de parecer ter sido feito às pressas, sem esmero no acabamento.

Nossos meninos e meninas podem não ver a terra no futuro, por excesso de frio em alguns lugares, por excesso de calor em outros, por desastres climáticos em quase todos os lugares.

O menino de Portinari só foi para a tela porque existia e existe no mundo. Um mundo tão frio que até o sol pode ser confundido com a lua. O menino está só de gente, e não tem rosto. O pior é que tudo está diante de nossos olhos sob a claríssima luminosidade do dia.

Um mundo que elege um mentiroso contumaz, que não acredita nas mudanças do clima, que vê a terra apenas como planeta a ser explorado, escolhe matar meninos e meninas. São escolhas.

Autor: Pablo Morenno. Também escreveu e publicou no site “O sonho das coisas”: www.neipies.com/os-sonhos-das-coisas/

Edição: A. R.

Nossa bola era mesmo rachada, mas só por fora

Eu estava com a bola do meu time. Ele pediu para olhar. Havia uma parte que a tinta havia descascado. Vendo-a, ele se exasperou: — Você acha que meus atletas vão jogar com bola rachada!

Conheci, pelo Rudi Armin Petry, como era ser dirigente de um grande clube e ter relações educadas, afáveis, amigas com aqueles que labutavam nos clubes pequenos. Lembro-me da vez que fui com meu pai, Wolmar Salton, receber a delegação do Grêmio no nosso aeroporto. Petry fez questão de vir até a cidade no carro do meu pai.

Queria saber das dificuldades de comandar um time do interior como o S.C. Gaúcho. Inspirava amizade, era bom estar com ele. Mesmo que em campo a disputa fosse forte, muito forte, a gentileza, a civilidade nunca foram sequer arranhadas entre ele e meu pai.

Pois, quando chego com a equipe dos meninos de dez anos do S.C. Gaúcho às finais do campeonato estadual da categoria, encontro, como diretor do Grêmio, alguém no mínimo o oposto. Mais que o oposto: assustador.

Tivemos uma reunião no meio do campo antes de a partida iniciar. Ele me disse, de saída, que nossa disputa nem graça teria. O único time que poderia confrontar o Grêmio, “dar jogo”, eram os próprios reservas do Grêmio.

Eu estava com a bola do meu time. Ele pediu para olhar. Havia uma parte que a tinta havia descascado. Vendo-a, ele se exasperou:

— Você acha que meus atletas vão jogar com bola rachada!

Ato contínuo, jogou a bola ao chão com tanta força que ela picou e passou por cima do alambrado. Um dos nossos atletas, menino de dez anos, correu atrás e conseguiu recuperá-la. A nossa bola era mesmo “rachada”, reconheci, mas só por fora.

Como não estava a tratar com um Rudi Amim Petry, preferi ficar calado, aguardar o início do jogo. Se não levássemos uma goleada acachapante, como o diretor assustador havia afirmado que levaríamos, já estava bom.

Havia a nosso favor o fato de nossos meninos terem vencido vários quadrangulares disputados em inúmeras cidades até chegarem à final. Fora uma maratona de jogos vencidos, sempre com placar apertado.

Tínhamos contra nós os poucos recursos, as chuteiras humildes, a torcida composta apenas por três mães – o Grêmio contava com carros, ônibus, charanga – e a bola rachada. Só por fora, mas rachada.

Futebol é futebol: vencemos o jogo por 2 x 1 e conquistamos o título de Campeão Estadual do Rio Grande do Sul. Sim, ganhamos, apesar de tudo. Tivemos de sair de lá fugidos, nosso adversário estava incrédulo e – pior – raivoso.

Acredito firmemente que, vendo aquilo tudo, Rudi Armim Petry torceria por nós.

Em outro ano, com o mesmo grupo de meninos, cruzamos com o Internacional numa semifinal.

Havia uma abertura no alto da parede que separava os dois vestiários. O treinador do Inter falava tão alto que ouvíamos a sua preleção:

—Vocês vão jogar com um time do interior, nem bola direito tem, não tem noção do que é futebol de alto nível como o nosso! No mínimo seis a zero é o que eu espero hoje!

Não me lembro tudo o que ele disse, mas esculhambou com o nosso time. Éramos, segundo ele, do interior do interior. Do mato!

Bem… final do jogo: Gaúcho 2 x 0 no Internacional. Nossos treinadores, Moacir Della Valentina e Adair Bica, aproveitaram a escuta da preleção infeliz para motivar o nosso grupo. A prepotência tira nossos pés do chão…

Felizmente, encontramos “Rudis Amins Petrys” no Grêmio, no Internacional, no Caxias, no Juventude. E boas amizades foram construídas.

O documentário de 98 minutos narra histórias reais de superação e pergunta: “O que é a vida?”. Título da canção-tema de Paulo Reichert e da banda PRR.

Quando não encontrarem filme para assistir à noite, convido-os a darem uma espiada no nosso documentário. Basta entrar no Youtube e escrever: Oito Quatro: a afirmação de uma possibilidade” ou usar o link de acesso: https://youtu.be/ZN1v9rvWMRQ?si=R2Uy9UVH9IAMu705

Autor: Jorge Alberto Salton. Também escreveu e publicou no site “Os sons dos nossos recreios nos acompanharão para sempre”: www.neipies.com/os-sons-dos-nossos-recreios-nos-acompanharao-para-sempre/

Edição: A. R.

A luz e a sombra

Em novembro de 2024, a luz é um acordo mundial para terminar com a fome e com as guerras.

As parábolas, metáforas, narrativas ou fábulas são tipos de linguagens que devem ser apresentadas como ferramentas conceituais para a melhor interpretação possível do contexto que estamos vivendo.  Qual é o principal assunto, objeto de comentários, neste novembro de 2024? Ouso afirmar para a avaliação de quem está nos lendo que a maior parte do tempo das pessoas é ocupado com temas centrados na própria sobrevivência e na sequência sobre o comportamento dos seus animais de estimação.

A expressão “trabalhar de dia para comer de noite” veio à minha mente, nesse momento, para ilustrar o que tenho observado na parte da minha trajetória que se dedica para interpretar o comportamento. Essa expressão se apresenta como uma metáfora, representando o comportamento predominante na atualidade é uma   ferramenta para explicar por que temos dificuldades para distinguir a luz das sombras.

A parábola “Mito da Caverna” é uma história criada por Platão na Idade Antiga para mostrar que as pessoas estavam presas em uma caverna, pois a realidade das sombras é mais cômoda e confortável do que o mundo verdadeiro da luz.  Esse aprisionamento se apresenta em correntes que são objetos materiais mas, em uma perspectiva evolutiva, a prisão deixa se ser física e passa a ser mental. Na Idade Moderna, “Matrix” é uma construção mental permanente que impõe uma dissonância cognitiva, na qual a visão das pessoas retrocede a um estágio mental anterior ao descrito no mito da caverna, nos aprisionando ao comportamento instintivo da sobrevivência.

Em novembro de 2024, a luz é um acordo mundial para terminar com a fome e com as guerras.  A sombra é saber que estivemos muito próximos de um golpe de estado e de uma guerra civil em 2022 e 2023. A “Matrix” é constatar nas palavras e comportamentos predominantes a centralidade de orientações primitivas e primárias, vinculadas com a própria sobrevivência.

Autor: Israel Kujawa. Também escreveu e publicou no site “O digital, o social e o virtual”: www.neipies.com/o-digital-o-social-e-o-virtual/

Edição: A. R.

O dia em que Deus se arrependeu de nós. Será que somos o erro de Deus?

“Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei…porque me arrependo de os haver feito.” (Gênesis 6:7)

Calma ai! 

Acredite ou não em Deus, é isso mesmo! Um dia, um pouco distante do tempo em que se chama hoje, Deus se arrependeu feio. Aliás, além se arrepender, disse que ia fazer desaparecer tudo.

Mas voltou atrás.

Foi Noé quem achou graça diante de Deus e o fez mudar de ideia, conforme o Texto Bíblico. E o resto nós sabemos, pois o dilúvio acabou por salvar a todos e, enfim, chegamos até aqui. Mas o estrago foi grande, com violência e matança de toda ordem, por todos, descendentes de Abel ou Caim.

Logo, estamos todos a beira do colapso, pois somos fruto da criação de Deus e do seu arrependimento, igualmente.  O que pode ser sido um erro em nos poupar, para céticos e desamparados.

Pensando bem, Deus deve estar perplexo com a nossa capacidade de esfolar e matar.  Mata-se Mãe e Pai, mata-se a esposa, filhos e vizinhos.  Mata-se a todos e ainda a tudo o que existe ao seu redor. Não há dia em que não se vê a crueldade humana em ação.  Não há dia ou noite, em que não nos é oferecida a maldade humana à mesa do jantar, muitas vezes, vendo crianças dilaceradas na banalização de uma mortandade, entre terroristas ou matadores autorizados.  Uma guerra sem fim, justamente nas terras onde Noé caminhava.

Mas há outras brigas por aí e o estoque de mísseis não para de crescer.  Hoje, é grande o número de vendedores da morte pelo mundo. Que criador teria orgulho desse impulso fraticida?

Mas por que será que Deus se arrependeu de se arrepender?

Não ouvimos ou lemos que tenha se arrependido do resto de sua criação, exceto animais e répteis. O mar, o céu, crisântemos, jasmins, cinamomos e tudo o mais. Isso não! Parece que o que se move é o que destrói.

Ele se arrependeu justamente do homem, de você, de mim, consequentemente. Não gostaria de ser um errante pela Terra, fruto de um Criador que viu em sua frente, o poder da liberdade humana, concedida, para em seguida suspendê-la.

 E que tem aquilo, né? Dando as costas, um de seus netos, digamos, Caim, matou de imediato a seu irmão.

_Onde está Abel, seu irmão? Perguntou o Senhor.

_Não sei: acaso sou tutor de meu irmão?

_A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim, disse Deus, resumindo a trágica dualidade de violência combinada, que acompanharia a humanidade para sempre: terra e sangue.

Além de o matar, mentiu! Vemos o primeiro homicídio em curso. E de brutalidade e atrocidade chegamos, enfim, a agressão final; nossa casa.

Todas as razões do paraíso para o Seu arrependimento, portanto. Não só continuamos a nos matar como destruímos o que ele criou.  Uma casa que não nos pertence, uma vez que aqui, estamos de passagem.  E por estarmos nesta hospedaria, deveríamos pelo menos não destruir o que não é nosso, motivo na qual nascemos, respiramos, dançamos e saímos para trabalhar.

Mas à ira de sua criação não haveremos de escapar. Vale para crentes e incrédulos.  Destruindo o nosso meio, ou apenas assistindo e calando, enquanto outros o fazem, haverá um preço.  Porque não paramos reclamar do que pode vir!

_Nossa, como tudo está mudando!  E é somente o começo.

O fato de crermos ou não, não altera o prato; todos respiramos o mesmo ar, olhamos as mesmas paisagens.  E os rios e pássaros que desaparecem a cada dia, diz respeito a todos os nossos amanheceres.  Os que defendem a vida e seu esplendor, o meio ambiente ou os indiferentes. Todos molharão seus pés um dia, em todos os dilúvios que virão.

Estamos sentindo apenas o que vem por aí. O paraíso em que vivíamos agora se torna um clima ameaçador. E os tempos nunca mais serão os mesmos. Na Espanha, carros empilhados nos deram um ‘spoiler’ do que chega. Chuvas em horas que deveriam cair em meses.  Reis são vaiados e ameaçados em público, algo impensável em alguns anos atrás, eles mesmos, sempre a salvos do banquete da devastação e suas consequências.

Por aqui, vimos o que os rios podem fazer.  Cercar a todos até que confessemos nosso ódio à natureza e ao que nos entorna. Após cortar até o último tronco choramos pelas vidas arrastadas nos beirais do seu leito.

A violência banalizada agora tem outra aliada: a violência climática.  O termo é forte.  Ficamos nas explicações, quando alguém, em sua indignação, chama os cortadores de árvores ou lançadores de esgoto em terra alheia de criminosos. Pois é o que são! E, por fim, a violência gerada na ausência de empatia, finalmente chegou ao meio ambiente: cortar e matar.

Mas vem do Norte as notícias trágicas de que tudo deve retornar ao seu lugar: a glória dos anos 50. Intrusos que não têm documentos, os que lavavam latrinas, tem de sumir de seu país adotivo.  Velhas térmicas a carvão serão ativadas. Estupradores nomeados a cargos públicos. A verdade reinventada. Em breve, seus cidadãos sentirão falta de quaisquer acordos que lhes devolva um amanhã.

Bem falou a Greta, quando afirmou, que os poderosos que hoje sujam o planeta estarão mortos em 20 anos.  Nossos filhos e netos é que terão de respirar a sujeira toda.

Um dia, sendo improvável, gostaria de perguntar ao Criador, no que pensava e no que viu quando falou que iria destruir a todos. E por qual razão não o fez. Bastaria me explicar qual foi a sua esperança neste homem recém-criado e que já dava mostras horrendas do seu caráter. Preciso desta conversa!

Agora, o próprio Deus tem de nos dar forças para enfrentar as incertezas dessa jornada, com os degraus da violência climática crescendo, que começou não faz muito e que quase nem existiu.  Porque a vida vale a maravilha que é, a cada segundo, a ela dedicamos os nossos suspiros de alegria e vertigem.

Dará forças o mesmo Deus, então!  

A quem pedir, claro.

Referências:

1) Viu o Senhor que a maldade do homem havia se multiplicado na Terra…e isso lhe pesou no coração.  Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei…porque me arrependo de os haver feito. Porém, Noé achou graça diante do Senhor. A Terra estava corrompida à vista de Deus, e cheia de violência. (Gênesis 6: 5 a 11): Diálogo do Senhor com Caim. (Gênesis:4 a 10)

2) Greta Thunberg, ativista climática sueca.

3) O texto Bíblico utilizado foi o da tradução de João Ferreira de Almeida, versão atualizada.

Autor: Nelceu A. Zanatta. Também escreveu e publicou no site “Restarão árvores a queimar em 2025”: www.neipies.com/restarao-florestas-a-queimar-em-2025/

Edição: A. R.

Zumbi sempre!

Para nós, do Rio Grande do Sul, festejar pela primeira vez o 20 de novembro como feriado nacional tem um gosto especial. Pois foi aqui que surgiu a ideia do 20 de novembro ser a data icônica do combate ao racismo, pois é da data de Zumbi dos Palmares.

Deixei passar a data do 20 de novembro de 2024, primeiro feriado nacional para marcar a Consciência negra. Data muito cara para os lutadores sociais, no combate ao racismo, no resgate das ancestralidades, porque foi o dia da morte do Zumbi dos Palmares.No Rio Grande do Sul, Oliveira Silveira, professor e poeta de grandeza, já falecido, foi quem sempre defendeu esta data.

Ela, com alguns outros bravos como os jornalistas Emilio Chagas, Jeanice Dias Ramos, entre outros criam em 1978 a Revista Tição, que está num processo de retomada a partir desta data.

Lula

O presidente Lula quando das enchentes no Rio Grande do Sul se mostrou perplexo pelo número de negros encontrados. Estava na cidade de colonização alemã São Leopoldo. 

Para quem vive nosso cotidiano rio-grandense não tem como ficar admirado, porque o Rio Grande do Sul sempre teve um grande contingente de negros, desde sua formação.

Por isso, já escrevi e sustento que Porto Alegre, a capital, é mais negra que açoriana, apesar do mito fundante ser da vinda dos 60 casais açorianos nos primórdios do seu nascimento.

Desde os primeiros aventureiros paulistas que para cá vieram fazer riquezas, prear gado, vinham com negros escravizados e até indígenas.

Um caso raro, talvez, é terem usado os indígenas por eles dominados para lutar contra seus irmãos indígenas daqui. Uma verdadeira “barbaridade” como se diz pelo Sul.

Num censo de 1814, Porto Alegre tinha 47% de sua população adulta negra. Registros se somem ou são apagados.

Quilombos no Rio Grande do Sul

Segundo os dados do governo federal, o Rio Grande do Sul tem 130 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares. Espalhadas por 58 municípios (de um universo de 497). No entanto, apenas quatro comunidades possuem a titulação das terras.

O Censo de 2022 do IBGE apontou que o Rio Grande do Sul tem 14.496 quilombolas, o que corresponde a 0,16% de sua população. O Estado é o 13° com maior população de quilombola absoluta. Estes e outros dados fui confirmar com a doutora em educação Eliane Almeida, do Instituto Apakani.

Em Porto Alegre

Oito quilombos já foram reconhecidos pela Fundação Palmares, e os demais estão com o processo em curso.

A administração local reconheceu quatro deles. O Quilombo da Família Silva foi o primeiro do Brasil a ter suas terras regularizadas.

Norte do RS

No Norte do RS temos sete comunidades quilombolas. Há 112 anos, grupo criou “clube para negros” para driblar segregação em Passo Fundo. O local tinha como objetivo incluir afro-brasileiros que não eram bem-vindos em outros espaços sociais do município.

Este tipo de clube era uma resposta contra a proibição em outros clubes, aqueles dos brancos. Estes espaços eram para receber os negros barrados nos clubes sociais, fomentado pelo racismo da época, segundo reportagens locais.

O movimento teria começado em 1912, com 11 homens negros, quando criaram a Sociedade José do Patrocínio, em homenagem ao abolicionista brasileiro.

Quatro anos depois, em 23 de abril de 1916, o grupo passou a se chamar Clube Visconde do Rio Branco — que, além de guardar a memória do movimento negro da cidade, também foi o primeiro clube com uma diretora mulher, Dona Madalena.

Para muitos parece estranho a vinculação de José Maria Paranhos, o Visconde, com os negros, é que a Lei do Ventre Livre foi aprovada por seu gabinete em 1871, reduzira substancialmente o contingente de escravos no país.

Em Porto Alegre, a tradicional Colônia Africana, não por coincidência, é o atual Bairro Rio Branco.

Memórias

Os maus tratos aos negros, escravizados ou não, em Porto Alegre foram sempre muito cruéis. Como de resto em todo o país.

Quem estudar a História das Charqueadas, em Pelotas e na região, vai se deparar com a situação deplorável dos escravizados.

Temos casos de açoitamentos no Pelourinho que ao contarmos nos dias atuais soam inacreditáveis. Temos os negros que foram levados ao Largo da Forca, muitos deles inocentes, e mesmo assim enforcados.

Muitos deles fugiam para os arrabaldes, tanto que temos os Campos da Redenção, hoje o principal parque público, oficialmente chamado de Farroupilha, mas que todos nós aqui chamamos de Redenção.

Havia também a Colônia Africana, onde hoje está o Bairro Rio Branco, de onde os negros foram expulsos pela força da exploração imobiliária que sempre foi desenfreada em Porto Alegre.

Como os negros foram sendo enxotados da sua Colônia Africana, um grande gueto negro da capital, o mesmo aconteceu com os negros da Ilhota, do Areal da Baronesa levados à força para os confins da cidade, mais de 30 quilômetros do centro, o Bairro Restinga, tanto que este criou sua fisionomia e cultura com largos traços do povo negro.

Esquecimentos e apagamentos

Censos são esquecidos ou desdenhados. São esquecidos os homens que fizeram antigas edificações e que se tornaram patrimônio histórico e cultural.

Em Porto Alegre, a cúpula da Igreja católica mandou demolir a antiga Igreja do Rosário sem qualquer razão para fazer desaparecer aquela que fora uma verdadeira obra de arte, fruta da luta da comunidade negra, para em seu lugar levantar uma nova com péssimo gosto estético.

Poucas eram as ruas com nomes de negros. Em todo o Centro Histórico, só há uma rua com nome de negro: José do Patrocínio.

Estudando as denominações de ruas, vamos verificar que os/as negros/as começam a aparecer em nomes de ruas e ruelas na periferia a partir das lideranças locais que queriam ver nomes de suas gentes.

Não se fala que Luciana de Abreu, professora, poeta e lutadora feminista do século XIX, fosse negra. Mas era.

O enforcamento do inocente escravo Josimo foi sendo esquecido, mas pude resgatar a sua história e de outros em crônicas muito antigas. O mesmo foi o caso da escrava Páscoa raptada por um ricaço da cidade.

Avaliação da situação do negro no rio grande do sul

Entrevistei o jornalista e ativista da luta antirracial Emílio Chagas que me disse o que segue:

Fotografia: Divulgação/rede social

Pergunta: como você vê a evolução da luta antirracial no RS da década de 70, época da Revista Tição, até hoje?

Emílio Chagas – Quando surgimos, em 1978, a Abolição da Escravatura ainda não tinha completado nem 100 anos ainda; a imprensa negra era praticamente inexistente, com referências dos anos 30 ou 40, com jornais voltados para temáticas clubísticas ou associativas. A Tição surge no bojo da luta contra a ditadura, como um produto da imprensa alternativa, também chamada de “nanica”. E trazia como o grande objetivo a conscientização das camadas negras da sua raça e etnia. Então, eram duas frentes: a questão racial e a luta política.

A receptividade foi enorme, o que era para ser uma publicação acabou se tornando um movimento. A revista surge antes do próprio Movimento Negro Unificado e 10 anos da criação da Fundação Palmares. Não existia rigorosamente nenhuma política pública governamental para a questão negra, nem municipal, nem estadual e muito menos federal.

O racismo estava instituído em todas as suas formas e frentes, mas a que mais nos impulsionaram para a luta foram as questões da discriminação racial e a violência policial. Além delas, ou talvez, decorrência delas, a exclusão social em todos os níveis, no ensino e no mercado de trabalho, principalmente. O negro era duplamente segregado, racial e socialmente.

Na dita sociedade, o racismo era velado e praticamente oficializado. Eram tempos em que se dizia que o negro “sabia o seu lugar” – ou seja, subalterno e nas camadas inferiores. O que mudou, os poucos avanços em relação aos dias de hoje, foi fruto da luta e da pressão social conquistada pelo movimento negro. É visível o avanço na questão da educação com a questão da política de cotas, que garantiu mais espaço aos negros e pardos nas universidades, a introdução do Prouni, etc – embora ainda falte muito.

Outro evolutivo se aloja dentro da própria comunidade negra, com seu autorreconhecimento como tal, exercendo o seu orgulho racial e estético. Existem outros avanços, sem dúvida, mas a questão do racismo estrutural ainda permanece – e aflorado pelo crescimento da extrema-direita nos últimos anos. Nesse sentido a questão da violência se tornou ainda mais agudo, assim como perseguição policial, a discriminação mais visível e as camadas negras ainda mais periféricas, fruto da brutal desigualdade social do país. A diferença é que os negros hoje estão mais organizados e oferecem mais resistência.

Pergunta: E o registro oficial de quilombos, o que achas?

Emílio Chagas: A luta quilombola é outro grande avanço, embora enfrente as grandes dificuldades típicas da questão da terra. Uma luta que remete diretamente à questão histórica dos direitos e da própria identidade negra. Ganhou força a partir da Constituição de 1988, mas ainda são grandes as suas dificuldades como o baixo número de quilombos titulados, a resistência e ataques do agronegócio, da especulação imobiliária e do próprio poder público, como se viu no governo Bolsonaro, a falta de infraestrutura nos quilombos e de acessos às políticas públicas existentes, como emprego e renda.

Nosso 20 de Novembro

Para nós, do Rio Grande do Sul, festejar pela primeira vez o 20 de novembro como feriado nacional tem um gosto especial. Pois foi aqui que surgiu a ideia do 20 de novembro ser a data icônica do combate ao racismo, pois é da data de Zumbi dos Palmares.

Já tínhamos aqui o Largo Zumbi dos Palmares, um espaço público quase no Centro da capital, onde há feiras e outros eventos.

E no mês da Consciência Negra, em Porto Alegre é lançado o livro “LUA – um griô de Porto Alegre”, no qual a autora Letícia Núñez Almeida, celebra uma das figuras mais emblemáticas da luta contra o racismo em nosso Estado e também no país.

Museu do percurso do negro

Há mais de uma década, Porto Alegre tem o seu museu ao ar livre do percurso do negro. Até o momento, são algumas obras em locais públicos, passando pelo Bará do Mercado, homenagem a este orixá, bem no centro do Mercado Público da cidade, o Painel Afro-brasileiro no muro do Chalé da Praça XV, a Pegada Africana em plena Praça da Alfândega e o Tambor, na Praça Brigadeiro Sampaio, onde fora no passado o Largo da Forca.

Parque Harmonia

O Parque da Harmonia, em Porto Alegre, que foi concedido à iniciativa privada e que gerou muitas polêmicas tem o Piquete Pelo Escuro em homenagem ao já citado poeta rio-grandense Oliveira Silveira, até porque ele foi um dos poucos negros que se vinculou a tradição local das cavalgadas, dos CTGs, da cultura da pampa gaúcha.

E, neste 20 de novembro, várias atividades culturais serão realizadas na cidade, como no Largo Zumbi dos Palmares, aonde já vinham sendo realizadas atividades na Semana que antecede esta data, na Câmara Municipal e, neste 2024, atividades da Prefeitura, organizações diversas, com atividades neste local.

Uma cavalgada estava programada pelos percursos dos negros será realizada, como do Viaduto Abdias do Nascimento, outro lutador da causa, muito conhecido, terminando neste Parque com uma churrascada coletiva. Porém, dado ao mau tempo foi postergada.

Escravidão contemporânea

A cada tanto, a mídia noticia casos e mais casos de escravidão contemporânea, com trabalhadores e trabalhadoras sendo resgatados sejam de fazendas nos fundões do país, em obras públicas terceirizadas, em atelieres de costura, como foi o caso na Vindima em Bento Gonçalves.

Estes casos ensejaram dois livros deste autor: “Escravidão Contemporânea, o caso da Serra Gaúcha” e “Vidas Roubadas, a escravidão que persiste”. Livrosque podem ser adquiridos com o autor em 051.999335309.

Retomadas contra o esquecimento e contra o apagamento

O “clube de negros” mais antigo do Brasil é o Floresta Aurora de Porto Alegre, fundado em 31 de dezembro de 1872, logo antes da Abolição, antes da República, fazendo agora 152 anos.

Já o Satélite Prontidão foi fundado em 1902 também em Porto Alegre, o José do Patrocínio, depois Visconde de Rio Brande de Passo Fundo, vem em seguida, em 1912.

Os clubes de Porto Alegre continuam muito ativos, sendo que foi publicado aos seus 150 anos uma Revista com a História do Floresta Aurora, seguidas de duas revistas.

Foi criado recentemente o Coletivo de Escritores Negros. Surge com força o Instituto Oliveira Silveira, um piquete em sua homenagem no citado Parque da Harmonia, Pelo Escuro.

Haverá, em seguida, o lançamento da retomada da Revista Tição, já mencionada como pioneira nacional nesta luta.

Leia também: www.neipies.com/consciencia-negra-consciencia-cidada/

Autor: Adeli Sell, professor, escritor e bacharel em Direito. Também escreveu e publicou no site “Censura e perseguição ideológica na terra gaudéria”:  www.neipies.com/censura-e-perseguicao-ideologica-na-terra-gauderia/

Edição: A. R.

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