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O amor na sala de aula: depoimento de uma professora

Este depoimento é para lembrar a você, querido professor,
que sem amor nada conseguimos em sala de aula.
Educamos alunos preparados para concursos e o mercado,
mas nunca preparados para a vida.

Quando fui professora do terceiro ano do ensino fundamental I na Escola Municipal Sérgio de Oliveira Aguiar no município de Extremoz, Rio Grande do Norte, a minha turma era composta por quatorze crianças entre os seis e oito anos de idade. Eram quatro meninas e dez meninos.

No dia anterior ao meu primeiro dia de aula pintei a sala de cor branca e colei figuras feitas de EVA nas paredes. Limpei as janelas e o piso da sala.

Coloquei uma toalha e um vaso com flores em cima da mesa. Lembro-me de que o filósofo Michel de Montaigne fala que uma sala de aula deve ser acolhedora e ter janelas e vasos com flores. Escolhi livros na biblioteca e criei um cantinho para a leitura. Estava quase preparada para receber os meus alunos! Quase por quê? Porque eu me sentia ansiosa para ver aqueles rostinhos olhando para mim, eu não sabia como seria recebida pelas crianças.

Finalmente, o dia amanheceu e cheguei à sala de aula. Recebi os meus alunos com um sorriso no rosto e mais espantada do que eu estavam eles com a decoração da sala. Todos disseram um uníssono “Uau”. Os dias foram se passando e a gente aprendendo a conviver uns com os outros. A gente pintava, brincava, cantava, corria e estudava.

Os alunos disseram-me que antes ninguém brincava com eles em sala de aula, que a professora só fazia ensinar a matéria e pronto. Ela nunca nos contava uma história, disse um deles. O outro reclamou ainda “ela nunca brincou com a gente”. Pedi para que desenhassem eles brincando e falaram-me que não sabiam desenhar.

“Eu disse que todo mundo sabe desenhar. Não existe desenho feio ou bonito. E os convenci a desenharem as suas brincadeiras”.

Um dos desenhos era um menino brincando de empinar papagaio. Os dias passaram-se e na semana seguinte eu os ensinei a fazer um papagaio. Começava assim as nossas aulas de artes.

Um dia, o Gabriel adoeceu na sala de aula e mandei chamar a sua mãe. Enquanto eu cuidava dele com carinho a mãe, brutalmente, entrou na sala e o levou para casa. Naquela tarde tive uma conversa com os meus alunos e eles me disseram que sentiam falta de abraços, de ouvir historinhas e de brincarem com os pais em casa.

“Pensei: meus alunos estão precisando de amor e não somente aprenderem a fazer continhas. Acho que vou ensinar os dois para eles”.

Mas como ensinar o amor às crianças? Amando-as. Fazendo-as sentirem-se amadas. E foi o que eu fiz.

Que ser humano queremos ajudar a formar e como envolver a todos (ou muitos)  para que se incluam no projeto educativo proposto? A afetividade, impregnada pelo testemunho,  carrega os valores universais do respeito à alteridade, da solidariedade, da gratuidade, do cuidado do patrimônio social, do empenho pessoal pela justiça social.

Educação e relações de afetividade

No outro dia, cheguei na sala de aula com a ideia de criarmos um desenho animado onde todos participariam com as suas vozes e eu faria um bonequinho para cada um.

O nosso filminho se chamaria simplesmente “Meninos da praia”. As meninas não gostaram da ideia do nome do filme, porque eu só falava dos meninos, mas eu disse para elas que aquele nome acolhia a todos era apenas um jeito que escolhi de falar. Mas, preferi mudar o nome do filminho para “Crianças da praia”. E assim agradei a todos. Nós éramos democráticos. Tudo era submetido à votação.

Dessa forma começou o meu ensino com o amor e nunca mais parei de dá amor aos meus alunos. Eu levava flores para eles, criei o grupo de monitores que ajudavam àqueles que precisavam de reforço nos estudos, antes de terminar as nossas aulas cada um me dava um abraço de despedida e ensinei-lhes a desenhar.

A hora do desenho era a que eles mais gostavam, pois eu sempre dizia que cada pessoa desenha do seu jeito e levava desenhos de artistas do mundo inteiro para eles verem e se entusiasmarem.

Nunca apliquei avaliações com os meus alunos. Eles não precisavam ser avaliados. Sabiam produzir textos como nunca vi na minha vida, faziam poesias que era uma beleza e desenhavam príncipes, princesas e fadas como ninguém.

Eu nunca tive jeito para desenhos realistas, mas uma vez inventei de desenhar cada um deles. E eles gostaram da brincadeira de serem desenhados. Fizemos uma exposição na feira de ciências com os nossos desenhos que foi um sucesso.

Este depoimento é para lembrar a você, querido professor, que sem amor nada conseguimos em sala de aula. Educamos alunos preparados para concursos e o mercado, mas nunca preparados para a vida.

O amor em sala de aula é bastante importante.

A aprendizagem de uma criança acontece quando há desejo de aprender. Quando a família não vê o processo de aprendizagem como algo importante e a escola não faz investimento nesse aluno, fica difícil despertar nas crianças o desejo pelo saber, pois se todos desistiram dela porque ela não desistiria?

Educação e afeto – Ana M. Detoni

Os meus alunos faziam bagunça como todos os outros, mas a um simples gesto de emoção meu e eles silenciavam. A minha escola era pequena e muito simples, mas era o que eu tinha. Ensinei filosofia e inglês aos meus alunos mesmo sem constar da grade curricular. Queria que eles soubessem como enfrentar a vida quando adultos.

Eu me preocupava com os sentimentos dos meus alunos e quando eles mentiam para mim ficava triste. A mentira surgia sempre quando eles faltavam à aula.

O aluno Guilherme faltava bastante e os seus amiguinhos diziam que ele ficava brincando na rua quando não vinha à escola. No outro dia tive uma conversa franca com Guilherme e ele me falou que gostava de brincar na rua. Então, disse a ele que a partir daquele dia a gente ia correr na praia todas as sextas-feiras. A escola se localiza numa praia. Ele ficou feliz com a notícia e nunca mais faltou à aula.

A introdução da filosofia se deu quando um dos alunos veio me perguntar por que iriam pintar o muro da escola. Eu respondi que o muro estava com lodo. Ele me perguntou “O que é o lodo?, Por que nasce o lodo?” Eu vi que aquele porquê levaria a outros porquês e dei uma aula sobre o lodo. Foi linda a nossa aula! Surgiram as mais diferentes perguntas sobre o lodo! E nunca mais paramos de filosofar.

Eu tinha o Dudu, o Cadu e o Edu. Cada um com o seu jeito meigo de ser. O menino Edu gostava de continhas e produzia bastantes historinhas com apenas sete anos de idade. Era um grupinho fechado o dos Eduardos. Eles gostavam de brincar entre si.

O amor que eu dava aos meus alunos nunca era demais. Eu tinha o cuidado de levar chocolates para cada um deles, de repetir a explicação da atividade e fazia atividades individuais em seus cadernos todos os finais de aulas.

Eu tinha a missão de escrever quatorze tarefas distintas para cada um dos meus alunos todos os dias. As tarefas eram elaboradas de acordo com o desenvolvimento cognitivo de cada um.

Um dia, o aluno Igor me trouxe, de casa, um livro enorme de contos de fadas para que eu lesse para eles. Eu li o conto dos Três Porquinhos que marcou a nossa turma. Passaram a somente querer ouvir esse conto. Acho que eu imitava as vozes dos porquinhos de um jeito engraçado. Antes de começar as nossas aulas nós rezávamos um Pai Nosso e agradecíamos a Deus por estarmos ali. A música que nos marcou foi “Era uma vez” que cantávamos todos os dias.

Hoje faz onze anos que fui professora daquela turminha. E ontem recebi uma ligação de Guilherme que conta agora dezessete anos. Ele me disse que estava com um problema sério e que só tinha a mim para pedir ajuda. Por que eu, Guilherme? Porque a senhora foi a única pessoa que me amou nessa vida. O problema de Guilherme era coisa de adolescente, ainda bem. E lá fui eu dormir chorando, emocionada. O meu menino cresceu, pensei!

Na edição 300 da revista NOVA ESCOLA, convidamos o professor e filósofo Mario Sergio Cortella para ser entrevistado por três educadores da rede pública de ensino. Nesse vídeo, Cortella explica o papel da afetividade e vínculo com o professor para a aprendizagem do aluno.

Zeca Camargo participa da primeira conferência da Jornada

 

Jornalista e escritor integra o debate da conferência
“Literatura e imagem: além dos limites do real”,
na noite do dia 3 de outubro, na 16ª Jornada Nacional de Literatura

 

“Eu tenho certeza de que as conversas que lá tivermos vão ser capazes de nos jogar muito além dos limites do real”. Essa é a expectativa do jornalista e escritor Zeca Camargo sobre a sua participação na 16ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo/RS.

Zeca apresentará, durante a Jornada, suas percepções em relação a “Literatura e imagem: além dos limites do real”. Esse será o tema central da primeira conferência da Jornada, na noite do dia 3 de outubro, no Espaço Suassuna, ao lado dos também escritores Pedro Gabriel, Rafael Coutinho e Roger Mello.

As múltiplas possibilidades da leitura, em especial a leitura da imagem, estarão entre os grandes debates da Jornada. Para Zeca, a leitura é sempre um ponto de partida. E, segundo ele, têm, no seu infinito, um poder limitado: seu domínio é o das palavras.

“Somos nós que, como leitores, criamos o resto – um novo real, se preferir, a partir daquele que elas (as palavras) nos oferecem. Se a literatura que temos diante de nós parte do real ou de um universo completamente imaginado, não importa. Somos capazes de desenvolver muitas realidades além dela”, observa o escritor.

Entre as obras indicadas de Zeca para a Jornada, estão: “1000 lugares fantásticos no Brasil”; “Isso aqui é seu Novos olhares”; e “De A-ha a U2”. O escritor comenta como começou a escrever livros.

“Jornalista tem que gostar de escrever, né? Mesmo na televisão, fazer uma reportagem envolve a criação de um texto. A prática só aumentou essa relação. Os primeiros livros que escrevi eram, na verdade, grandes reportagens – e eu trouxe um pouco disso para as crônicas e para as tentativas de ficção que tenho feito. É um ‘ofício’, como a gente brinca, um desdobramento natural da nossa maneira de observar o mundo”, revela o jornalista.

Dieta mental

A comunicação e a literatura têm uma relação muito próxima. Zeca comenta que, quando a discussão sobre ‘como escrever melhor’ surge com os seus alunos de jornalismo, sua resposta é simples: “Lendo mais!

Nossa dieta mental do dia a dia envolve sempre algum texto – do jornalismo à crônica, passando, claro, pelo whatsapp…

Mas é na literatura que refinamos nossa comunicação – se não para diretamente crescermos na nossa conversa e no nosso pensamento, ao menos para abrirmos nosso leque de assuntos e temas. Uma coisa alimenta a outra”, destaca Zeca.

Iniciou no jornalismo em dezembro de 1987. Já trabalhou no jornal Folha de S. Paulo, nas emissoras MTV, TV Cultura, e Globo. Inspirado pelas reportagens no Fantástico, Zeca Camargo já escreveu seis livros e, agora, lança a coleção Eu ando pelo mundo. Confira a entrevista e embarque nesse bate papo! Programa Sala de Visita, Livraria Cultura.

Encontrar textos sedutores é a maior dificuldade para formar leitores. Segundo o jornalista e escritor, as leituras “obrigatórias” muitas vezes assustam crianças e adolescentes. O importante é não desistir. “É preciso paciência e perseverança na maioria das vezes. Mas, encontrando um bom texto, acessível e fascinante, já ganhamos esse desafio. Eu sempre procuro escrever cada parágrafo como se fosse um capítulo das ‘Mil e uma noites’: o leitor tem que ter a curiosidade de querer saber onde aquela história vai levá-lo”, comenta o escritor.

 

Inspirações

Vários autores inspiram ou inspiraram Zeca durante a vida dele. O jornalista revela que a primeira paixão foi Agatha Christie, “porta de entrada” para os livros.

“Antes era uma paixão casual – como quando eu encontrava um primeiro capítulo que começava: ‘Era no tempo do rei’… (“Memórias de um sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida)”, relembra o escritor.

Mas, conforme ele, os gostos mudam. “Já me apaixonei por narrativas de autores indianos, como Salman Rushdie e Rohinton Mistry. Já tive minha fase Patricia Highsmith. Hoje, leio qualquer coisa que Edward St. Albin escrever – e sempre releio um Eça de Queiroz de vez em quando… Mas um autor que nunca deixa de me encantar é Ian McEwan – pela maneira como escreve, pela estrutura que dá às suas histórias e pela maneira com que sempre nos surpreende”, pontua Zeca.

 

Expectativa para a Jornada

As Jornadas Literárias acontecem há 36 anos. Nesta edição, uma das homenageadas é Clarice Lispector, uma das grandes escritoras brasileiras. Clarice também é muito especial para Zeca Camargo, que relembrou algumas obras marcantes da autora, como “O ovo e a galinha” (conto de “A legião estrangeira”) e “A paixão segundo GH”. “Pelas sensações que ela sempre me provocou, fico extremamente feliz de participar de uma Jornada que a homenageia entre nomes tão fortes da literatura brasileira”, comentou Zeca.

Sobre a Jornada, o jornalista afirmou que é um encontro de uma força enorme para o universo dos livros no Brasil.

“Fiquei bem feliz com o convite para participar dessa edição. Eu tenho certeza de que as conversas que lá tivermos vão ser capazes de nos jogar muito além dos limites do real”, finalizou o escritor.

 

Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo

A 16ª Jornada Nacional de Literatura e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura são promovidas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. Os eventos contam com os patrocínios do Banrisul, da Corsan, da Ambev, da Companhia Zaffari & Bourbon,  da Ipiranga, da Panvel, da SulGás, da Triway e da TechDEC; com o apoio cultural da BSBIOS e do Sesi; patrocínio promocional da Capes, da Fapergs, da Italac e da Oniz; com a parceria cultural do Sesc; financiamento do Governo do Estado – Secretaria da Cultura – Pró-cultura RS LIC e realização do Ministério da Cultura.

Zeca Camargo enfatizou que a Jornada é um encontro de uma força enorme para o universo dos livros no Brasil. Inscrições para a Jornada estão abertas até 1º de outubro

Malas

Mundo, mundo,
Vasto mundo de Passo Fundo!
Tantas falas de malas!
Tantas malas!
Tantos malas!

Malas com dólares,
Mau agouro;
Malas de ouro,
Ali Babá dos tesouros!
Malas com Reais,
Jamais tanto se viu
Como pode!
Onde o bode?
Mala preta,
Pimenta malagueta.

Upa-upa, gaúcho!
De mala e cuia
Troteias na garupa
Do pingo xucro
Indo à bruta luta
Da guerra perdida
Nas lidas da vida.

E agora, Tatu?
Mala sem alça,
Arrastas as malas de pano
Às malas da memória
Para contar a história
Da guerra inglória
Do gaúcho que não morreu

Pedro de Malas Artes,
Bem-aventurado da prosa,
Carregas nas histórias risórias
As falas das gentes
Malas postais calientes
Marcadas pela esperança
Do grande Rio Grande.

Jeca-Tatu, Blau, eu e tu
Sepé Tiaraju, Tatu-Guaçu
Embalamos malas
Poetizar é preciso
Carregar malas também
Ah, como é vasto o mundo das malas!
Vai além de Passo Fundo!
E como espantam o mundo!

Caíram todas as máscaras

A regra é esta: foi-se embora o capital social que
algumas grandes empresas tentavam preservar.
A reputação, os compromissos sociais, a imagem externa,
os vínculos duradouros com as comunidades, nada disso interessa mais.

 

Teve um tempo em que grandes empresas eram sustentadas pela reputação institucional construída por décadas. Agora, o que importa é o resultado imediato às custas do marketing de ocasião.

A reputação, os compromissos sociais, a imagem externa, os vínculos duradouros com as comunidades, nada disso interessa mais. O que interessa é vender o produto. Mesmo que tenha soda cáustica, pelos de rato, pedaços de unhas e restos de propinas.

Degradou-se o esforço construído também por profissionais que se dedicavam a fortalecer marcas associadas a compromissos humanistas e à diversidade.
A reputação é algo vago, cada vez mais distante para os empresários brasileiros e em especial para seus herdeiros pragmáticos.

Obter resultados de curto prazo para os acionistas é a tática da sobrevivência, no ambiente pós-golpe de devastação da democracia e da economia. A estratégia vai até amanhã.

Foi-se o tempo em que boa parte dos empresários gostava de parecer alguma coisa que não era, em meio a projetos grandiosos e sinceros. Mas na maioria dos casos caiu a máscara.

O grande empresário brasileiro é, na média, um reacionário enrustido finalmente exposto pelo golpe. Um ultraconservador, muitas vezes até simpatizante de Bolsonaro, que ainda tentava se vender como um moderado liberal.

Há exceções? Claro, mas não vamos refletir sobre exceções que ainda resistem. A regra é esta: foi-se embora o capital social que algumas grandes empresas tentavam preservar.

A vantagem disso tudo é que o desmonte de compromissos pulverizou também algumas farsas construídas mais recentemente nos anos 90 da redemocratização, em todas as áreas, inclusive na grande imprensa.

Em outro artigo, Moisés Mendes descreve que há um contingente considerável de brasileiros ameaçando deixar o país: “A classe média atordoada se imagina na Austrália, na Nova Zelândia, na Espanha, até na Grécia em crise. Mas nunca no Peru, na Bolívia, no Chile, muito menos na Argentina. O sonho do brasileiro da classe média que deseja ir embora, e mais ameaça do que vai, nunca passa por paisagens latinas. Ir embora significa fugir pra longe”.

Veja mais.

 

O educador como agricultor

Ensinar sem conhecer quem são os alunos
seria o mesmo que o agricultor lançar a semente
em qualquer solo, sem conhecê-lo e tratá-lo corretamente.
Contudo, o gosto pela lida, baseado no amor zeloso e simples,
faz toda a diferença no exercício diário de qualquer profissão.

  

Como podemos observar, a profissão do agricultor não é nada fácil. Está sempre sujeito a riscos. Da preparação do solo até a comercialização dos grãos enfrenta muitos obstáculos, dos quais alguns dependem da solução de sua própria ação e outros obstáculos não.

O planejamento de sua ação, ancorado em sua destreza para se antecipar aos fatos e escolher as melhores alternativas fortalecem suas capacidades de solução contra as intempéries naturais e econômicas.

Mas, em que sentido a profissão do agricultor auxilia para pensar metaforicamente o papel do educador e a profissão de professor?

Se olharmos com atenção as etapas que constituem o trabalho do agricultor, caracterizando-o enquanto tal, é possível observar que muitos fatores independem de sua ação: forças da natureza, estradas apropriadas para o transporte, silos adequados para o armazenamento e humores do mercado internacional. Claro, ele pode interferir para acelerar o reparo das estradas, por exemplo, mas tal reparo depende em última instância da decisão do poder público.

Contudo, há muita coisa que está ao alcance de sua ação, sendo isso precisamente o que interessa a Dewey. A ação bem sucedida do agricultor depende do cumprimento de várias etapas: capacidade de previsão, observação cuidadosa, consideração meticulosa das condições existentes, estabelecimento do plano de ação e escolha certa entre alternativas possíveis.

O autor resume o núcleo da ação do agricultor do seguinte modo: “Seu propósito é simplesmente prever as consequências de suas energias relacionadas com as coisas que estão à sua volta, uma previsão empregada para dirigir seus movimentos no dia a dia”.

O resultado mais eficiente do emprego de suas energias depende do conhecimento maior das coisas e, ao mesmo tempo, do planejamento adequado de sua ação.

Algo semelhante acontece com o educador, seja pai ou professor. Ser bem sucedido no que faz depende do conhecimento de todas as etapas do processo educativo, respeitando-as em seus pequenos detalhes.

Há, como na ação do agricultor, um conjunto de fatores que independem da vontade do educador e que pesam decisivamente no desempenho de sua ação. As forças do ambiente externo, natural ou social, interferem na relação que o professor mantém com seus alunos, dentro da sala de aula. Poderá dar melhor aula, enriquecendo a experiência formativa de seus alunos, se o ambiente lhe for favorável.

“Muitos, como eu, nasceram e viveram a infância na roça. Eu sinto orgulho de ser um filho da roça, porque a vida no “interior” me ensinou valores muitíssimo finos e refinados. Na companhia de árvores frutíferas, animais, nascentes, riachos e lavouras, as pessoas que lá residem formam verdadeira comunidade. Comunidade quer dizer comunhão, integração, relação. Esta comunhão se perdeu na vida urbana atribulada e estressante. Todo o tempo na cidade tem que ser um tempo ocupado. Não temos mais tempo para curtir o próprio ritmo (do tempo).

Vida na roça

A escola pode estar mal construída, em local de difícil acesso, com telhado quebrado e com falta de material. Pode ter o espaço de sala de aula muito pequeno, não conseguindo abrigar confortavelmente o número excessivo de alunos.

Além disso, pode contar com pais e diretores que se interessam pouco pelo processo pedagógico em si, entregando literalmente filhos e alunos ao professor. Há, ainda, o problema da gestão pública dos recursos destinados à educação: o governo, além de ter destinado pouca verba, torna-se ineficiente e corrupto para fazer chega-la a tempo na escola.

Com todas estas condições desfavoráveis, o professor fica obviamente prejudicado no exercício de sua profissão, contando ainda mais com o fato de não receber remuneração justa pelo seu trabalho.

Mas, como na ação do agricultor, há um conjunto de coisas que dependem do próprio professor. Em primeiro lugar, cabe a ele e a mais ninguém, selecionar de maneira mais adequada possível, o conteúdo a ser tratado. A escolha do conteúdo precisa levar em conta as condições existentes, das quais o perfil dos alunos é decisivo.

Ensinar sem conhecer quem são os alunos seria o mesmo que o agricultor lançar a semente em qualquer solo, sem conhecê-lo e tratá-lo corretamente. Daí a importância sobre a observação cuidadosa das condições culturais dos alunos; saber de onde provém; qual é seu contexto social e familiar; o que sabem ou não sabem, tudo isso é muito importante para a organização do ensino.

Além do bom domínio de conteúdo e do conhecimento dos alunos, a postura do professor é determinante para que o processo pedagógico seja bem sucedido. Do mesmo modo que o agricultor não pode estabelecer um ideal de cultivo ignorando as condições existentes, o professor não pode querer simplesmente impor seus próprios fins como objetivos adequados ao desenvolvimento dos alunos.

Respeitar a condição cultural do aluno, tomando como ponto de partida a capacidade de fazer suas próprias experiências é um princípio pedagógico indispensável para que o professor possa ser bem sucedido em sua tarefa de ensinar as novas gerações.

Se o agricultor desenvolve em cada safra as mesmas atividades, mas nunca repetindo-as da mesma maneira, o professor recebe a cada ano alunos diferentes, sem repetir literalmente o mesmo conteúdo e procedimento.

Cada safra representa um novo ambiente, assim como cada turma significa, para o professor, um novo desafio, exigindo-lhe novo recomeço. Mesmo experiente e vacinado na lida, sabe que vai correr risco de não se fazer entender diante da nova turma.

Assim como o bom agricultor, que não se deixa orientar somente pela rentabilidade de seu negócio, mas, ao contrário, zela diariamente pelo crescimento das plantas, o professor demonstra todo seu amor à educação, cuidando cotidianamente de seus alunos.

Assim com o agricultor que espera boa safra e boa cotação de preço para seus produtos, também o professor espera colher os frutos formativos de seu trabalho, sendo remunerado de maneira justa.

Nem uma e nem outra profissão é um mar de rosas, pois, como vimos, estão rodeadas de obstáculos e dificuldades.

O sucesso do professor depende, primeiramente, do mesmo modo que o sucesso do agricultor, de sua capacidade de distinguir entre o que depende e não depende de sua própria ação. Isso ele precisa ter como pano de fundo para poder planejar adequadamente sua ação, prevendo suas possíveis consequências, para escolher da melhor forma entre as alternativas disponíveis.

Contudo, o gosto pela lida, baseado no amor zeloso e simples, faz toda a diferença no exercício diário de qualquer profissão.

Sociedade desconstrutiva

Dostoiévski já dizia: Se Deus não existe, tudo é permitido.
Somos produto de uma mentalidade que caminha em desconstrução.

 

A polêmica exposição patrocinada pelo Santander Cultural, em espaço nobre em nossa capital, é apenas a ponta de um iceberg de uma sociedade em busca da desconstrução.

O desrespeito e ultraje à fé cristã e católica, em tom abusivo, numa apologia e incentivo à pedofilia, zoofilia e orgias sexuais são batizadas de cultura contemporânea e pluralista, sob o pretexto da defesa dos direitos de opção sexual.

A exposição “artística”, agressiva e enfadonha, fere diversos artigos da Constituição Brasileira. Chamam de arte a deturpação da sociedade.

O que torna preocupante é que isso não é apenas um fato isolado, mas reflexo de uma mentalidade e organização global, onde se quer abolir a ética, a moral, a família e a fé, em nome da liberdade e do pensamento pós-moderno.

Para destruir a sociedade, tem que se desumanizar o homem, maculando sua essência mais genuína. A ideologia do gênero, propagada como um bem e antídoto é o veneno de nosso século. É rebeldia da criatura contra o Criador.

Se defendemos a família tradicional, composta de um varão e de uma mulher, com seus filhos gerados desse amor abençoado, estaremos hoje sendo acusados de homofóbicos.

Se nas escolas defendemos o dia dos pais e das mães, estaremos sendo preconceituosos e unilaterais.

Se pregamos nas igrejas a existência única de dois gêneros, como Deus fez e a ciência comprova, somos acusados de discriminatórios, retrógados, fora da modernidade e dos direitos alheios. Os programas educacionais promovidos e exigidos pelo MEC nas escolas, divulgando a ilusória ideologia do gênero, são abusivos e ferem o pudor e o respeito ético, na mais tenra idade.

 

Reações, polêmicas e ponderações

Jones Rossi é editor do Ideias em texto “Seis coisas sobre a exposição no Santander Cultural” enfrenta a polêmica e faz importantes ponderações como esta:

“O boicote promovido por grupos religiosos e civis contra o Santander tem toda a validade e mostra a maturidade de uma democracia na qual as pessoas podem se manifestar pelo que acreditam. Além disso, o Santander, por sua vez, tinha a possibilidade plena de continuar com a exposição, se assim quisesse. Já contra a censura promovida pelo Estado não há nada a ser feito.  Existe outro ponto que diferencia a censura do boicote. Quando o estado censura, é arbitrário. Quando qualquer grupo promove um boicote, sabe que pode dar errado, não existe garantia prévia de que o boicote funcionará. Há vários exemplos do lado oposto ter se movimentado e ter sido bem-sucedido no contra-ataque”.
Veja mais aqui.

 

 Nota da Arquidiocese de Porto Alegre sobre a exposição Santander

“É urgente combater o preconceito e a discriminação em todas as suas manifestações. Nesse sentido, em nome da pluralidade e do respeito às minorias, temos assistido ataques discriminatórios à cultura judaico-cristã que contribuiu na formação cultural do ocidente. Eliminar as dificuldades jamais pode significar desrespeitar o outro e suas crenças, especialmente porque, ao se tratar do imaginário simbólico da fé, entra-se num campo delicado de significados e sentidos que a ninguém é dado o direito de desprezar. Em tempos de terrorismo e intolerância, não se constroem pontes com agressão e desrespeito pelo o que é mais íntimo e sagrado no outro: sua fé e seu corpo”.
Veja mais aqui.

Professor Salah H. Khaled Júnior defende que fechamento da exposição foi criminalização

“Não vejo sequer fumaça de incitação à violência ou preconceito deliberado contra outro grupo social ou religião na mostra, muito menos de criação de uma exposição ou obra de arte especificamente com tais intenções. Fora desse limite, estamos diante de tentativas de imposição da moral de um grupo ou pessoa aos demais. Há precedentes históricos. Já queimamos bruxas, livros e histórias em quadrinhos. Talvez não tenhamos avançado tanto quanto se supunha”.
Veja mais aqui.

 

Em nome da liberdade de opção sexual, se fere as crianças na sua genuína alma infantil, criando feridas indeléveis, de uma sociedade que caminha para a morte.

Os que se rebelam dessa falsa pedagogia, podem ser até condenados, como provavelmente, agora nessa minha posição.

Perdemos infelizmente a linha divisória, porque abolimos quem a faz: Deus.

Dostoiévski já dizia: Se Deus não existe, tudo é permitido. Somos produto de uma mentalidade que caminha em desconstrução.

Estado laico, promotor de conhecimento das diferentes religiões

 

A religião tem um peso relevante neste contexto
em que duelam a democracia e o fundamentalismo
no Brasil contemporâneo.

Todo conhecimento gera compromisso. Em virtude do conhecimento que adquiri na práxis (teoria e prática) em relação à disciplina do Ensino Religioso há mais de 10 anos, sinto dever (ético) de me manifestar sobre os modelos de ensino religioso que o nosso STF (Supremo Tribunal Federal) está decidindo: não-confessional ou confessional.

Sou professor de ensino religioso, formado no paradigma do diálogo inter-religioso.

O Ensino Religioso é parte da formação integral do ser humano e integra os saberes necessários para a compreensão do mundo e das vivências humanas. Não há como desconsiderar a influência e a importância dos saberes religiosos na concepção de ser humano, mundo e sociedade. A busca de sentido para a existência, sejamos religiosos ou não, perpassa a vida de todo ser humano.

A liberdade religiosa, materializada pelo estudo e conhecimento das diferentes matrizes religiosas, é o que preconiza a legislação vigente que, por ora, os ministros poderão alterar. O Ensino Religioso ministrado nas escolas públicas hoje não é mais catequese, não é aula de religião e muito menos lugar para rezar e orar. O Ensino Religioso é a oportunidade de conhecimento das diferentes religiões com o intuito de respeitar e reconhecer as diferentes crenças e práticas religiosas que coexistem na sociedade.

O que prevê a atual legislação brasileira sobre o ensino religioso nas escolas.

 

Em 2015 escrevi: “Nem padre, nem pastor ou líder religioso, sou professor! Como líder religioso, falaria apenas a partir de uma religião. Como professor, posso apresentar o conhecimento acumulado de várias religiões, sem comparar e desmerecer uma em detrimento de outra. É direito dos alunos o conhecimento das diferentes religiões. É seu direito também o conhecimento dos fundamentos de cada e de todas as tradições religiosas. Conhecer as manifestações do sagrado e do transcendente nas diferentes religiões ou tradições religiosas tem o propósito de aprender a respeitá-las”.

Dois professores de ensino religioso em Passo Fundo, RS, discutem, em programa do CMP Sindicato, a importância do ensino religioso nas escolas de educação básica.

A escola não discute e nem questiona fé e religião. Fé e religião são prerrogativas de ordem íntima, pessoal, individual e de livre decisão de cada um. A Escola oportuniza conhecimentos e entendimentos das diferentes práticas religiosas.

Defendo a Escola laica, mas não a Escola atéia ou uma Escola que desconsidera a riqueza e a diversidade dos conhecimentos historicamente acumulados pelas grandes tradições religiosas. Laicidade, para mim, é justamente a possibilidade de trabalhar os conhecimentos religiosos de maneira “desapegada” da fé e das religiões. Onde, justamente, podemos também estudar, observar e considerar os fundamentos dos que não tem fé (ateus e agnósticos).

Como não há neutralidade na educação, aprendi que os diferentes conhecimentos religiosos constroem bases para a vivência da espiritualidade humana, que pressupõe a ideia do CUIDADO: consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com o transcendente.

A transmissão de valores e religiosidade da família para os filhos. Como trabalhar a inter-religiosidade no contexto escolar? Como a espiritualidade pode ser trabalhada na universidade?

O Estado do Rio Grande do Sul é um dos poucos estados brasileiros que estendeu a obrigatoriedade da oferta do ensino religioso também ao ensino médio, através de legislação própria, facultativo aos alunos participarem ou não das aulas. A partir de 2017, a Secretaria Estadual de Educação, sabiamente, retoma o Ensino Religioso na grade curricular, ofertando dois períodos no 1º ano do Ensino Médio, justamente para permitir aos alunos e professores um melhor aprofundamento e uma “amarração dos conhecimentos” já trabalhados durante os anos iniciais e finais do ensino fundamental.

Acredito, por fim, que a possibilidade de termos de volta às nossas escolas o ensino religioso confessional beneficiará, infelizmente, a onda conservadora e fundamentalista de entender o ser humano, o mundo e a sociedade que está tentando impor-se ao Brasil.

Sou pela diversidade! A diversidade das culturas, das crenças e das diferentes maneiras de viver e ser pode ter espaço nas escolas públicas de nosso país. Antes tarde que seja tarde, a sociedade precisa definir se o futuro será democrático ou fundamentalista. A religião tem um peso relevante neste contexto em que duelam democracia e fundamentalismo!

Estamos falando sobre estupro, mas vocês estão ouvindo?

 

No país são 130 estupros que acontecem por dia.
Isso significa que quatro em cada dez mulheres
que você conhece já foram estupradas.
E esses números podem ser ainda maiores, uma vez que a
maioria das mulheres que passa por essa situação horrível não faz a denúncia.

 

Num período em que as mulheres estão cada vez mais empoderadas para denunciar casos de estupro, o Brasil contabiliza cerca de 50 mil por ano, sendo que 10 mil destes são estupros coletivos, ainda é necessário encarar um sistema e uma Justiça machista que ainda acreditam que o estupro só acontece após a penetração. Vale lembrar que a nossa lei foi alterada em 2009 e que de acordo com o Código Penal Brasileiro estupro é constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

A Lei 12.015 de 2009 extinguiu o crime de atentado violento ao pudor e incluiu essa conduta em estupro. Sendo assim, qualquer ato com sentido sexual praticado com alguém sem seu consentimento, até mesmo um toque íntimo, é considerado estupro pela lei.

No início do mês um cidadão ejaculou no pescoço de uma mulher dentro de um coletivo urbano na cidade do Rio de Janeiro. Liberado pelo juiz que alegou que o homem não teria causado nenhum constrangimento à vítima, ele repetiu o ato no dia seguinte, com outra moça, em outro coletivo urbano. Este senhor já tinha quinze passagens pela polícia por motivos, senão iguais, semelhantes.

No país são 130 estupros que acontecem por dia. Isso significa que quatro em cada dez mulheres que você conhece já foram estupradas. E esses números podem ser ainda maiores, uma vez que a maioria das mulheres que passa por essa situação horrível não faz a denúncia. Seja por vergonha, pela falta de preparo da rede de acolhimento da mulher vítima de violência ou pelo medo dos julgamentos, a maioria não denuncia porque a sociedade impõe que a culpa foi dela que estava no lugar escuro, que andou com as pessoas erradas, que usava roupa muito curta.

Todo dia, de uma forma tão frequente, acabamos naturalizando todo tipo de barbaridade que a sociedade nos submete. E aí, você ia querer ser mulher numa sociedade como esta?

Todo mundo quer ser mulher?

 

 Sua culpa é ser mulher.

Seu fardo é ser mulher e viver numa sociedade machista que naturaliza a cultura do estupro a ponto de permitir que alguém interprete que receber uma ejaculada no pescoço, sem consentir, não causou constrangimento.

É ter que aguentar playboy na balada achando que pode enfiar a mão dentro do teu vestido, sem o teu consentimento, porque você “já estava bêbada mesmo”. É ter que aguentar cara tirando o pinto para fora da calça e esfregando em ti dentro do metrô. É ter que acelerar o passo toda vez que vê um estranho andando atrás de ti na rua e não tem mais ninguém naquele lugar.

E isso acontece pelo simples fato de que os homens acreditam que podem fazer o que bem entenderem conosco. Quando falamos de estupro temos que ter claro que não estamos falando de sexo: estamos falando de poder. Estamos falando de violência.

Quando um homem estupra uma mulher, nada mais é do que essa pessoa acreditando que os seus desejos, o que ele quer, são mais importantes do que o que a mulher quer. Ele se considera superior e por isso pode “fazer a escolha por ela”.

O que chamamos de cultura do estupro só é possível
por estarmos inseridos em um contexto com profunda desigualdade entre
os gêneros, a desumanização das mulheres e a objetificação de seus
corpos. Isso não é minha opinião, mas os fatos que a sociedade nos
confirma diariamente quando, por exemplo, dizemos que a culpa é dela
porque estava lá.

Por todas elas: contra a cultura do estupro

 

Isso é o machismo, que a gente tanto fala, posto em prática.

E a gente fala sim, faz textão, faz vídeo, denuncia, coloca o dedo na ferida do patriarcado.

Porque não são só os índices que aumentaram: o que aumentou foi a nossa coragem de falar sobre o assunto e mudar a realidade.

Não vamos mais nos calar!

Vamos falar de estupro, de aborto e de todos os assuntos que estejam ligados à vida (ou à causa da morte) de milhares de mulheres e vamos apontar sim, o dedo na cara de quem não respeita os nossos direitos individuais.

Mas e você: está pronto para nos ouvir?

Limites: entre o direito dos filhos e o dever dos pais

Fatherhood story June 12, 2009 Photography by Mark A. Philbrick Copyright BYU Photo 2009 All Rights Reserved photo@byu.edu (801)422-7322

 

Respeitar os filhos, dar-lhes amor, carinho e proteção,
permitir que participem efetivamente da vida da família
é tão importante quanto ensiná-los a ter autonomia e
responsabilidade com o que é seu e com o que é do outro.

 

Vivemos períodos de nossa história em que muitos seres humanos, de diferentes idades, não possuíam direitos. Homens sem posses, negros, índios, mulheres e crianças, por exemplo, não tinham direito de frequentar escolas, participar da vida política, de votar, etc.

Vagarosamente os tempos foram mudando e alguns direitos foram assegurados a essas e a outras pessoas. Quero aqui falar um pouco sobre direitos e deveres das crianças e adolescentes e direitos e deveres dos pais.

No decorrer do século XX foi se percebendo as modificações, tanto no campo da educação, como no campo das relações humanas, onde “respeito” à criança e ao adolescente começou a ser visto com outros olhos.

Muitas vezes ouvi e acredito, que você leitor também ouviu a frase, “criança e cachorro não tem querer”. Pois bem, com o passar do tempo essa fala foi sendo deixada de lado, pois se não em todos os lares, em muitos se começou a entender que criança tinha sim querer, assim como os adolescentes e adultos também têm.

O fato de se reconhecer que crianças têm direitos, entre eles à educação, carinho, lazer e “querer”, fez com que as relações entre pais e filhos melhorassem muito, que os pais fossem menos autoritários e que os filhos pudessem participar mais da vida em família e até ajudar a tomar decisões. Em síntese, a relação entre pais e filhos se tornou mais democrática.

Teoricamente esse “jeito novo” de educar seria perfeito, mas na realidade não é bem assim. O que temos visto nesse início do século XXI é preocupante, para não dizer assustador. Se por um lado o jeito novo de educar mostrou um avanço nas relações, por outro, trouxe alguns problemas. O que se vê hoje em muitas famílias é a grande dificuldade dos pais em dizer não para os filhos, é como se eles tivessem abdicado do direito de contrariar a vontade deles.

Sobre a influência dos pais nas decisões dos filhos.

Parece-me que houve uma grande distorção no termo democracia. Respeitar a criança e o adolescente não significa em hipótese alguma omitir o “não”. Dizer não, na hora certa, pode ser sinônimo de cuidado e proteção.

É preciso que nós pais entendamos que em determinadas situações os adultos possuem mais condições de discernir o que é certo do que é errado, o que é compatível com a idade do seu filho e o que não é o que pode lhe oferecer perigo ou não. Amar significa cuidar, proteger e para proteger muitas vezes o “não” se faz necessário.

Aristóteles já dizia: “A justiça está no meio termo”!

Fica claro para mim que o resultado de se passar de um extremo onde a criança não tinha querer para o outro extremo, onde criança tudo pode, resultou em uma geração bastante difícil de lidar, que enfrenta muitos problemas e causa outros tantos.

Essa geração que tudo pode, exceto ouvir não, são os filhos que frequentam nossas escolas e que, por vezes, torna o ambiente escolar um lugar difícil de conviver.

Nas escolas nos deparamos com crianças, adolescentes e jovens que têm extrema dificuldade de conviver com regras comuns, as chamadas normas de convivência, de respeitar seus professores, de aceitar as diferenças nos colegas e, sobretudo, de reconhecer autoridade e respeitar a hierarquia da escola.

Tão intrigante quanto a geração de “filhos” é a geração de “pais” que educam esses jovens que diariamente circulam na escola. Angustio-me quando me deparo com pais e, principalmente, mães que ao procurarem pelo serviço de coordenação pedagógica ou ao serem procurados pela escola relatam:

“Não sei mais o que fazer professora, ela não me obedece”.

“Professora ele sai e volta à hora que resolve voltar e ainda fica furioso se pergunto onde e com quem estava”.

“Quando meu filho descobriu que a senhora havia me chamado na escola ele me trancou em casa e tive que ligar para minha filha vir do trabalho para abrir a porta.”

“Professora eu queria que você visse as marcas roxas nas pernas e braços onde ele me bateu”.

“Por favor, diga a professora do meu filho que não quero mais que ela escreva no caderno do meu filho que ele não fez as tarefas, pois ele não gosta. Gostaria que ela me chamasse e dissesse para mim.”

“Vou chegar atrasada tem como ficar com meu filho até eu chegar”.

“Não posso ir até a escola, pois trabalho”.

Todos esses relatos mostram uma geração de pais que tem grande dificuldade de educar dentro dos padrões da democracia. Pais que não sabem a hora de dizer sim e de dizer não, pais que para compensar a falta de tempo, de afeto e de carinho tentam compensar com bens materiais. Pais que ainda não entenderam que mais importante que a quantidade de tempo que possuem para ficar com os filhos é a qualidade do tempo que a eles dedicam.

Pais que precisam se dar conta que os filhos são seus para sempre e que na escola estão de passagem e, portanto, não devem transferir a responsabilidade que é sua para a instituição. Pais que precisam urgentemente entender que os limites, que não são dados em casa, causarão dificuldades para os filhos em se relacionar na escola, na igreja, no futebol, nas festas e posteriormente, no trabalho.

Escola, aluno e família formam o tripé que sustenta o processo de formação. Neste Programa Destaque Cristo Rei vamos refletir a fundo sobre a importância dos pais para o pleno desenvolvimento escolar das crianças, adolescentes e jovens.

“Ninguém pode respeitar seus semelhantes se não aprender quais são seus limites – e isso inclui compreender que nem sempre se pode fazer tudo o que se deseja na vida. É necessária que a criança interiorize a ideia que poderá fazer muitas, milhares, a maioria das coisas que deseja – mas nem tudo e nem sempre”. (Tania Zagury – em livro Limites Sem Trauma)

É importante que filhos e pais entendam que o limite é necessário, que existe diferença entre querer e poder, pois, muitas vezes, o meu querer vai contra as necessidades dos colegas de classe, por exemplo.

Ser democrático no ato de educar é muito importante. Conversar com os filhos, permitir que eles se expressem e opinem sobre os assuntos da família é tão importante quanto deixar e estimular que eles também participem das atividades da casa.

Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola, para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos.

Pequenas tarefas condizentes com sua idade e capacidade podem e devem ser realizadas pelos filhos, pois assim como participam das discussões, também devem participar da rotina dos afazeres da casa e principalmente cumprir com seus compromissos escolares. Isso faz com que se sintam parte importante, que tenham organização e assumam responsabilidades de acordo com sua faixa etária.

A criança que tem bons hábitos adquiridos na família, dificilmente terá na escola dificuldades em dar conta das suas tarefas ou de manter uma relação amistosa com colegas, professores e funcionários, pois já tem internalizado o respeito pelo seu próximo.

Quando nascemos não temos noções de ética ou valores definidos. É tarefa dos pais passar para os filhos uma boa educação que deve sim ser democrática, porém não permissiva e não perniciosa. A propósito, encontrei em diferentes dicionários a definição paro o termo democrático:

Democrático: que toma decisões com a participação dos envolvidos. (Saraiva Jovem – página 293)

Democrático: que possui um caráter participativo. (Dicionário Didático, Editora SM – página 252)

É isso que precisa ser entendido pelos pais: assegurar aos filhos o direito de participar não significa deixá-los decidir tudo em casa – hora de dormir, onde passear, quanto gastar, o que e quando comprar, etc.

Existem decisões que não podem ser determinadas por uma criança de 8 anos, por exemplo. É necessário que os pais estabeleçam com os filhos regras que precisam ser cumpridas por todos na casa, caso contrário estaremos formando uma geração de tiranos que só pensam no seu bem estar e na satisfação de seus caprichos.

Respeitar os filhos dar-lhes amor, carinho e proteção, permitir que participem efetivamente da vida da família é tão importante quanto ensiná-los a ter autonomia e responsabilidade com o que é seu e com o que é do outro.

O que vemos ainda com bastante frequência são pais e avós carregando a mochila de crianças que já têm condições de fazerem isso sozinhas e, que na metade da tarde, largam seus compromissos para levar trabalhos escolares ou objetos que os filhos esqueceram em casa.

Mais grave que isso mães que dizem, sem nenhum constrangimento, que vão arrumar um atestado médico porque a filha “não gosta” de praticar atividade física, enfim, pais omissos que se submetem a qualquer vontade de seus filhos.

Em seu livro Limites Sem Trauma, Tania Zagury dá vários exemplos do que é dar limites e do que não é dar limites, mas uma dica considero fundamental:

Dar limites é dizer “sim” sempre que possível e “não” sempre que necessário.

A criança que não aprende a ter limites é a mesma que acha que só possui direitos, importa-se somente consigo mesma e que com o passar do tempo começa a enfrentar as consequência que variam desde a falta de interesse pelos estudos, passando pela dificuldade de enfrentar problemas mínimos até chegar ao desrespeito pelo outro, seja ele um familiar, um colega de escola e posteriormente os colegas de trabalho.

Pais e professores precisam ser grandes parceiros na formação educacional de cada ser humano.

Há poucos dias chamei para conversar, uma criança de 10 anos que havia batido na colega sem que essa tivesse feito qualquer coisa. Ao perguntar por que bateu na colega ela me respondeu: bati porque bati e pronto!

A escola é uma instituição que tem se colocado como colaboradora dos pais na tarefa de educar, porém nunca poderá substituí-los. Nenhuma família pode se dar ao luxo de terceirizar a educação dos filhos delegando a outrem a responsabilidade que é sua.

Finalizo escrevendo uma frase do grande psiquiatra Içami Tiba, que também é título de uma de suas obras:

Quem Ama Educa!

 

Marina Colasanti, vencedora de prêmio no México, na Jornada Nacional de Literatura

 

 Escritora Marina Colasanti, vencedora de prêmio no México,
participará da conferência sobre igualdade de gênero,
no dia 5 de outubro.

 

Prestes a completar oito décadas de vida e vencedora do Prêmio Iberoamericano SM de Literatura Infantil e Juvenil, anunciado há poucos dias, Marina Colasanti é uma das escritoras mais esperadas para a 16ª Jornada Nacional de Literatura, que acontece de 2 a 6 de outubro, em Passo Fundo/RS.

Com mais de 50 livros, de contos, crônicas, poesia, ensaios e literatura infantile juvenil, Marina estará na Jornada no dia 5 de outubro para debater sobre a mulher na sociedade, durante a conferência “Por elas: a arte canta a igualdade”, ao lado dos escritores Federico Andahazi e Conceição Evaristo e do integrante do Comitê brasileiro do HeforShe (ElesporElas) Edegar Pretto.

 

Eu sei, mas não devia


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

 

Marina, que teve atividade marcadamente feminista nas décadas de 1970 e 1980, se considera uma feminista histórica. Nessas últimas décadas, segundo a escritora, o tema ficou esquecido e só agora as jovens retomam a questão da igualdade e do empoderamento.

“Precisamos ainda discutir a posição da mulher porque, em pleno século XXI, as mulheres continuam ganhando menos do que os homens para realizar o mesmo trabalho, tendo menos acesso ao topo da pirâmide, carregando quase sozinhas as tarefas domésticas e os filhos (o Brasil continua não tendo creches suficientes), sendo demitidas pouco depois de voltar da licença maternidade, sendo assediadas, sendo espancadas e mortas”, declara Marina.

A escritora já participou da movimentação literária em Passo Fundo. A primeira vez foi na segunda edição da Jornada. Marina também ressaltou a importância da Jornadinha.

“A cidade e a Jornada eram muito diferentes, estavam ambas começando. Hoje, graças ao trabalho de tantos anos, graças ao empenho vital da professora Tânia Rösing, a Jornada tornou-se indispensável não só para Passo Fundo, mas para o Brasil. E seria injusto falar da Jornada e não falar da Jornadinha – da qual participei mais de uma vez –, pois a Jornadinha demonstra de forma cabal que, trabalhando a leitura desde a infância, fazem-se adultos leitores”, ressalta a escritora.

 

 Desafios na formação dos novos leitores

 Vontade política é um dos principais instrumentos para incentivar a formação de leitores no Brasil, na opinião de Marina. “Todo mundo sabe o que tem que ser feito. Só na minha casa, estamos falando disso há mais de 40 anos. Há o decálogo da Unesco, há uma bibliografia quilométrica. Porém, é preciso querer. E esse querer se chama vontade política. Fazemos nossos esforços, mas esforços individuais têm alcance limitado, não mudam um país”.

“Para fazer um país leitor, é preciso haver vontade política”, enfatiza a escritora.

 

Inspiração

 A literatura é algo presente desde sempre na vida de Marina, que começou a escrever o primeiro livro entre 1963 e 1964. “Sempre fui leitora voraz, passei por muitas fases na vida. O que continua me inspirando é o todo das minhas leituras, são a forma e o pensamento de tantos escritores poderosos que transformaram em palavras os sentimentos humanos e os transmitiram”, ressaltou Marina.

Nesta edição, a Jornada homenageará quatro grandes nomes da literatura: Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Moacyr Scliar. “Ariano Suassuna me encanta pela fusão entre a tradição literária portuguesa e a realidade nordestina; Carlos Drummond é poeta maior; de Clarice, fui jovem admiradora primeiro e editora no Caderno B do Jornal do Brasil depois; com Moacyr Scliar, não tenho maior afinidade, embora o conhecesse e reconheça a qualidade da sua escrita”, comentou a escritora, ressaltando que nenhum deles é inspiração para ela. Sobre isso, esclarece que “nenhum deles é inspiração para mim (nunca fui ‘seguidor’de ninguém).

“A minha inspiração tem raízes internas e fundas, vem de um olhar pessoal sobre o mundo, da soma de duas culturas, de muita experiência de vida”.

 

Prêmio Iberoamericano SM de Literatura Infantil e Juvenil

 Marina Colasanti é a vencedora do 13º Prêmio Iberoamericano SM de Literatura Infantil e Juvenil. O prémio literário é de 28 mil euros e foi criado em 2005 pela Fundación SM (México). A cerimônia de premiação acontecerá no dia 28 de novembro, durante a Feira Internacional do Livro de Guadalajara.

 

Sobre a escritora

Marina Colasanti é poeta, narradora, jornalista e tradutora. Nasceu em Asmara, na Eritréia, viveu em Tripoli, na Líbia, e, com o começo da II Guerra Mundial, a família regressou à Itália. Em 1948, transferiu-se definitivamente para o Brasil.

Com formação em Artes Plásticas, ingressou em jornalismo e durante trinta anos trabalhou em jornais e revistas como redatora, editora e ilustradora. Teve destacada atuação nas questões de gênero, seja por meiodos seus artigos, que resultaram em quatro de seus livros, seja com participação direta como membro do Primeiro Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Foi publicitária, muitas vezes premiada. Trabalhou em diversos programas televisivos como âncora, apresentadora e roteirista.

Seu trabalho se destaca pela diversidade. Publicou mais de 50 livros, de contos, crônicas, poesia, ensaios e literatura infantile juvenil. É considerada revitalizadora por excelência dos contos de fadas, reunidos recentemente em seu livro “Mais de 100 Histórias Maravilhosas”. Traduziu para o português importantes obras da literatura universal. É sua própria ilustradora.

Ziraldo conversa com Marina Colasanti, uma das mais premiadas escritoras brasileiras, autora de livros infantis e juvenis, contos, novelas e ensaios. Formada em Belas Artes, ela conta que ilustra a maioria dos seus livros.

 

Jornada Nacional de Literatura

 A 16ª Jornada Nacional de Literatura e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura são promovidas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. Os eventos contam com os patrocínios da Ambev, do Banrisul, da Corsan, da Companhia Zaffari & Bourbon, da Fapergs, da Ipiranga, da Panvel, da SulGás, da Triway e da TechDEC; com o apoio cultural da BSBIOS e do Sesi; com patrocínio promocional da Capes, da Italac e da Oniz; com a parceria cultural do Sesc; financiamento do Governo do Estado – Secretaria da Cultura – Pró-cultura RS LIC e realização do Ministério da Cultura.

As inscrições para a Jornada e para a Jornadinha estão abertas e são limitadas. Para a Jornada, o público pode se inscrever tanto para o evento completo quanto para apenas uma das noites. Os interessados devem se inscrever no portal www.upf.br/16jornada. A programação completa também está disponível no site da Jornada. Informações podem ser obtidas pelo e-mail jornada@upf.br ou pelo telefone (54) 3316-8368.

 

 

Marina Colasanti participará da conferência “Por elas: a arte canta a igualdade”, ao lado dos escritores Federico Andahazi e Conceição Evaristo e do integrante do Comitê brasileiro do HeforShe (ElesporElas) Edegar Pretto.

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