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Por uma cidade educadora e inteligente

 

Na Cidade Educadora e Inteligente,
a escola é parte essencial do processo educativo e
assume o território como campo de pesquisa, currículo e lugar de estudo.
Aberta à comunidade, ela envolve locais e se reconhece no território,
atuando em prol de suas transformações.

 

Interessados em constituir outras plataformas municipalistas, em co-construir a cidade que queremos e podemos, em inventar outras práticas urbanas, em viver uma cidadania de alta intensidade, em re-existir com alegria e criatividade, tenham a liberdade de se auto-convocar para participar do I Encontro sobre Cidades Educadoras e Inteligentes: desafios dos municípios do século XXI, em Passo Fundo, 13 e 14 de setembro de 2017.

O Encontro visa promover, qualificar e difundir a concepção de cidade educadora como uma estratégia de desenvolvimento urbano e social nas cidades do norte do Rio Grande do Sul. Para tanto, remete ao entendimento da cidade como território educativo, produtivo e gerador de inovação.

Nele, seus diferentes espaços, tempos e atores são compreendidos como agentes pedagógicos, que podem, ao assumirem uma intencionalidade educativa, garantir a perenidade do processo de formação dos indivíduos para além da escola e com ela, em diálogo com as diversas oportunidades de ensinar e aprender que a comunidade oferece, aumentando o potencial produtivo do território e ampliando sua capacidade de mobilização democrática e empreendedora.

Iniciado no começo dos anos 1990, na cidade de Barcelona/ESP, a experiência das cidades educadoras se consolida como uma rede mundial emergente de reconfiguração das cidades no contexto contemporâneo.

Com mais de 470 cidades oficialmente vinculadas, a Associação Internacional das Cidades Educadoras – AICE (17 só no Brasil) está baseada em uma carta de princípios (carta das cidades educadoras ou carta de Barcelona) que orienta os rumos pactuados em cada cidade, respeitando suas identidades singulares e suas características históricas e culturais.

A carta prevê dentre outros aspectos, a revitalização dos espaços públicos, a dimensão pedagógica das políticas públicas, o foco na formação das crianças e dos jovens, um plano municipal amplo de educação e a democratização dos bens culturais. O Movimento Brasileiro das Cidades Educadoras, nos dias 01 a 04 de junho de 2016, em encontro realizado na cidade de Rosário/Argentina, reforçou o compromisso com esses princípios.

O Fórum de Mobilidade e Educação e o Programa UniverCidade Educadora UPF são signatários desse processo e visam incluir cada vez mais o município de Passo Fundo/RS e região no circuito dessas boas práticas de desenvolvimento social e urbano. Para tanto, definiram cinco premissas em diálogo com a realidade local para serem debatidas transversalmente no Encontro:

  1. Ampliação da participação e do controle social: É imprescindível que as políticas em diálogo com Cidades Educadoras e inteligentes tenham como princípio o avanço da democracia e o aprofundamento das formas de participação social. Dos fóruns locais, passando pelos conselhos, comissões, audiências e consultas, a Cidade Educadora deve cultivar políticas públicas que ensejam um profundo compromisso com a transparência e contemplam, em todas as suas etapas – elaboração, implementação e avaliação – o engajamento da sociedade civil.
  2. Dimensão intersetorial e pedagógica das políticas públicas: Na Cidade Educadora e inteligente, o arranjo das políticas deve transcender a lógica setorializada da gestão pública, assumindo a intersetorialidade como premissa norteadora das ações e instrumento estratégico de articulação entre instituições, pessoas e saberes. Fundamentada pela descentralização, a intersetorialidade emerge como oportunidade para que, nos territórios, a gestão de políticas e serviços esteja mais próxima daqueles a quem se destinam, bem como de seus mecanismos de controle social e de formação cidadã.
  3. Cidades Educadoras e Inteligentes no marco da educação integral: Na Cidade Educadora e Inteligente, a escola é parte essencial do processo educativo e assume o território como campo de pesquisa, currículo e lugar de estudo. Aberta à comunidade, ela envolve locais e se reconhece no território, atuando em prol de suas transformações. Assumindo-se como centro de liderança local, a escola busca outras instituições para que, juntas, possam avançar na garantia do desenvolvimento integral de crianças e jovens. Essa configuração permite que a escola amplie tempos, espaços, recursos e agentes, conferindo sentido ao aprendizado e estabelecendo um diálogo permanentemente com o contexto de vida daqueles que devem ser o centro de todas as suas ações: os estudantes. Embora a escola seja estratégica para que uma Cidade Educadora se consolide como tal, é preciso ressaltar que, nessa concepção, a educação é vista como um processo permanente, que se dá ao longo da vida. Para além da etapa escolar, é possível aprender na cidade (cidade como espaço onde a aprendizagem ocorre), aprender com a cidade (cidade lida como texto, como emissora constante de aprendizados) e aprender a cidade (cidade como intervenção, passível de transformação, de ação política).
  4. A valorização dos espaços públicos na perspectiva da sustentabilidade ambiental: A concepção de Cidade Educadora e inteligente remete ao entendimento da cidade como território educativo. Nele, seus diferentes espaços, tempos e atores são compreendidos como agentes pedagógicos, que podem, ao assumirem uma intencionalidade educativa, garantir a perenidade do processo de formação dos indivíduos para além da escola, em diálogo com as diversas oportunidades de ensinar e aprender que a comunidade oferece. A Cidade Educadora compromete-se a valorizar os espaços públicos, abrindo caminho para as diferentes identidades, expressões e saberes comunitários. A partir de políticas públicas e ações que estimulam o vínculo e o reconhecimento da população com o território, uma cidade que educa deve assegurar acesso a todos e fomentar a sua valorização na perspectiva da sustentabilidade ambiental.
  5. Inovação e empreendedorismo no território: Cidades Educadoras e Inteligentes exigem a criação de mecanismos e estratégias capazes de contemplar as diferentes vozes que compõem o território, aproximando processos de inovação tecnológicos com as grandes questões sociais materializadas na cidade. Parte do pressuposto que para gerar uma ambiência de inovação e criatividade aplicada ao espaço urbano, deve garantir o exercício de uma cidadania de alta intensidade, apostando em dispositivos capazes de mobilizar o território de forma produtiva e democrática ao mesmo tempo.

 

Marcio Tascheto, professor da Universidade de Passo Fundo e Coordenador do Programa UniverCidade Educadora fala da concepção, dos desafios e da importância de construirmos uma cidade educadora.

 

Sintam-se convidados!
Prof. Dr. Marcio Tascheto da Silva
Faculdade de Educação – FAED
Coordenador da Divisão de Extensão – UPF
Mais informações: http://www.upf.br/univercidadeeducadora/
Telefone: 054 3316 8396

 

O ideal platônico de Educação

 

Em síntese, Platão foi pioneiro ao atribuir
um sentido profundo para a educação:
descobrir e desenvolver as capacidades humanas individuais,
preparando-as de modo que possam se colocar em
contato com as atividades dos demais.

 

Platão, filósofo grego da antiguidade, é conhecido na história da filosofia como o primeiro e grande idealista. Idealismo é a doutrina de pensamento baseada na crença de que as ideias movem o mundo.

Quanto melhor for pensada a ideia, mais possibilidades se têm de realizá-la. Mas Platão teria sido ainda mais enfático ao dizer que a realidade é mera cópia das ideias perfeitas que existem no mundo inteligível. Sendo assim, tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, sentimos e degustamos, é formulado por ideias que residem no intelecto cuja sede repousa no mundo inteligível.

O idealismo platônico é justificado por uma refinada teoria metafísica, a qual condensa problemas filosóficos profundos, insolúveis até os dias de hoje. Nos diálogos de juventude ele trata do problema das virtudes humanas, como coragem, justiça, temperança e sabedoria.

O problema aí é o de saber como o ser humano se tornar virtuoso e se as virtudes podem ser ensinadas. Nos diálogos intermediários, o conhecimento humano é um dos problemas centrais.

Como o ser humano conhece? Qual é o papel das ideias? As percepções possuem alguma finalidade epistemológica? Menão, República e Teeteto são diálogos importantes para pensar o problema do conhecimento humano.

Educação para Platão.

De todos os diálogos platônicos, Fedão está entre aqueles que mais me agrada. Ele trata do papel da filosofia e do problema da imortalidade da alma. O diálogo relata os instantes finais da morte de Sócrates.

Ao ser condenado pelo tribunal grego, ele já havia tomado cicuta, o veneno mortal destinado aqueles julgados de morte. O fim de Sócrates era questão de horas. O nervosismo e impaciência tomavam conta de seus discípulos, embora Sócrates mostrava-se calmo e resignado.

Como pode alguém manter-se sereno diante da morte que se aproxima? Sócrates, na resposta que oferece aos seus discípulos, diz que não havia motivo para preocupação, uma vez que dedicou sua vida toda à filosofia.

Ora, como a filosofia nada mais é do que o ensinamento sobre a morte, então não havia motivo para agitar-se diante dela. Também, outro argumento adicional, que tornou-se decisivo à teologia cristã, a vida não se esgota com a morte do corpo. Ela segue no Jardim de Hades, em nova forma, longe das prisões do próprio corpo.

Esta resposta, oferecida por ele aos seus discípulos impacientes, cravou fundo na tradição filosófica posterior, tendo consequências pedagógicas importantes. A morte é uma longa preparação que começa com uma vida bem sucedida, cuidada ao longo do percurso: saber se alimentar bem, não cometer exageros, cuidar do espírito e dar-se bem com os outros, valorizando os detalhes que a natureza e o mundo oferecem.

Nas apreciações que a filosofia popular faz de Platão normalmente está ausente este pensamento filosófico profundo, que ainda nos ensina sobre o sentido da vida e seus dilemas. Ocorre, no mais das vezes, uma vulgarização de seu pensamento.

Fala-se, com frequência, por exemplo, do amor platônico, querendo dizer com isso que se almeja algo que não pode ser alcançado na prática. Deste modo, platônico passou a ser compreendido, pejorativamente, como sinônimo de tudo o que é irrealizável, pondo, portanto, a pessoa fora do mundo e da realidade.

Mas, um juízo parcial e muito equivocado sobre o pensamento de Platão não é obra só daqueles que não possuem formação filosófica. Deve-se, também, a filósofos muito esclarecidos, que desempenharam papel importante na história do pensamento ocidental. Tal é o caso de Karl Popper, importante teórico das ciências, que escreveu aLógica da Pesquisa Científica, livro que modificou positivamente o debate acerca dos métodos e teorias da ciência contemporânea. No entanto, para o Popper da Sociedade Aberta e seus inimigos, Platão foi o teórico do Estado absoluto e o primeiro grande inimigo do pensamento liberal.

Qual é, neste contexto, o juízo de Dewey sobre Platão? O Platão que aparece no capítulo VII de Democracia e Educação está muito longe de ser vulgarizado, embora Dewey não o tome na seriedade merecida.

Em todo caso, ele reconhece em Platão aquilo que é nuclear à teoria da educação: a estabilização da sociedade exige que os seres humanos façam uso adequado de suas capacidades (disposições) de tal modo que possam coloca-las a serviço dos demais. Ou seja, há uma pressuposição ética de fundo que se refere à exigência de se colocar o desenvolvimento das disposições humanas a serviço da comunidade.

É papel da educação descobrir tais disposições e forma-las progressivamente para o uso social. Com isso já se vê em Platão um nexo estreito entre educação e sociedade, sendo que a finalidade da educação não pode ser definida sem levar em consideração as demandas sociais. Este é um grande legado que a teoria educacional platônicas traz para a posteridade.

Neste sentido, Platão já oferece, mesmo que de maneira ainda incipiente, recursos conceituais para se pensar a educação como um fenômeno eminentemente social, que ocorre no convívio social entre os seres humanos no interior de seus grupos sociais e institucionais.

Contudo, o limite de Platão foi, segundo Dewey, de não ter conseguido delimitar, com mais precisão, a pluralidade indefinida as capacidades e atividades que caracterizam o ser humano ou o grupo social. Ele focou em certas disposições e secundarizou outras, dando mais atenção, por exemplo, aos aspectos cognitivos e menos aos aspectos afetivos e emocionais. Este limite restringiu sua própria visão a um número pequeno de classes de disposições (capacidades) e de organizações sociais.

Platão coloca a ideia do bem como fim último da educação, por meio da qual deve-se determinar quais são as capacidades humanas e as organizações sociais mais importantes para atingir tal finalidade. Com isso está dizendo, simultaneamente, que não há educação com qualidade sem que haja um fim para o qual ela se direciona.

Como a educação entrelaça-se com os modelos provenientes das instituições, costumes e leis, quanto mais justos forem tais modelos, melhor será a própria finalidade da educação.

Dewey visualiza o aspecto circular na teoria platônica da educação: a boa educação depende de instituições, leis e costumes justos, na mesma medida em que tais instituições são resultado de uma boa educação.

O bom entorno social forma bons espíritos na mesma proporção em que espíritos bem cultivados estão na base de instituições com boas leis e bons costumes. Contudo, está boa circularidade dependia da atmosfera democrática inexistente na época de Platão.

Em síntese, Platão foi pioneiro ao atribuir um sentido profundo para a educação: descobrir e desenvolver as capacidades humanas individuais, preparando-as de modo que possam se colocar em contato com as atividades dos demais.

Seu grande limite foi o de não ter percebido a fundo a singularidade do indivíduo. Enfatizou excessivamente o social em detrimento da individualidade do ser humano. Focou demasiadamente no papel do Estado e empalideceu o papel do indivíduo singular.

O filósofo Grego Platão, foi discípulo de Sócrates e professor de Aristóteles. Escreveu sobre uma grande variedade de assuntos, tais como Política, Estética, Cosmologia e Epistemologia. Até hoje fazemos referência ao “Amor Platônico” e aos “Ideais Platônicos”. A busca de Platão pela verdade e pelo conhecimento formou a base de grande parte da Filosofia Ocidental.

 

O que esta crítica nos ensina em termos de educação? Mesmo que a interpretação de Dewey não esteja de todo correta em relação a Platão, nos ensina que a teoria educacional precisa pensar de modo adequado a relação entre indivíduo e sociedade, considerando que a formação de um depende do outro.

Constituído por múltiplas capacidades, o indivíduo é capaz de uma infinidade de combinações que enriquece sempre mais a sociedade, da mesma forma que o cultivo individual de suas disposições espirituais depende de instituições, leis e costumes que valorizem seus talentos e coíbam seus caprichos.

 

O século da psicologia

Os profissionais da psicologia devem cuidar
das relações entre técnicas, máquinas e humanos.
Para ampliar impacto social, a psicologia deve
definir com mais clareza o seu problema, bem como
propor intervenções adequadas para o tratamento do mesmo.

 

A Psicologia como área do conhecimento e como ciência aplicada pode se adaptar e provocar mudanças significativas na sociedade do século XXI. O avanço desta área deve trazer contribuições para situações conflituosas das dimensões subjetivas e sociais, que se apresentam como problemas para a humanidade.

As forças produtoras de mudanças psicológicas e sociais estão sendo compostas por pessoas com maior desenvolvimento cognitivo, que devem desenvolver e cuidar da dimensão mental, afetiva e humana. Esta inteligência advém do conhecimento produzido, especialmente no século XX, pelo modelo apoiado na matéria, com descobertas da constituição e funcionamento da energia.

Paralelamente, a psicologia apesentou descrições revolucionárias das relações entre pensamento, mente cérebro e corpo. As relações e a sintonia mais adequada entre estas dimensões é um ponto de partida importante e está no horizonte da psicologia.

Em uma sociedade ideal (utópica) para o século XXI, as pessoas são educadas pelo reforço do que é positivo. Para isto, se faz necessário aperfeiçoar a democracia, nos sistemas de gestão de escolas e empresas, sejam públicas ou privadas. Para ser bem sucedida a democracia depende da capacidade das pessoas tomarem decisões corretas.

Um dos temas a ser valorizado na capacitação dos profissionais da psicologia deve cuidar das relações entre técnicas, máquinas e humanos.

Para ampliar seu impacto social, a psicologia deve definir com mais clareza o seu problema, bem como propor intervenções adequadas para o tratamento do mesmo.

Neste foco deve estar incluída a responsabilidade dos profissionais responder as demandas sociais crescentes, nos cuidados com as pessoas. Nestes cuidados se incluem soluções que passam pelo convencimento, possibilitando opções por caminhos pacíficos e sustentáveis.

A psicologia tem potencial para ser uma das principais ciências, na escolha individual das pessoas, no método adequado para o aperfeiçoamento da democracia e nos cuidados afetivos.

Por mais mecanizados que humanos se tornem, por mais humanizadas que sejam as máquinas, não há perspectivas de que estas consigam satisfazer necessidades humanas. Dificilmente as máquinas saciarão, por exemplo, a necessidade de afeto, de amor e de sexo, dentre outras.

O ser humano do futuro, provavelmente, será alguém com mais inteligência e com menos contato com outros seres humanos. Esta restrição aos espaços de convivência humana apresenta, entre as consequências, um espaço privilegiado para a psicologia, incluindo a necessidade de aperfeiçoar a sintonia entre o desenvolvimento cognitivo e emocional.

 

Conheça mais sobre a psicologia de crítica social.

 

A África como ela é

Victória Holzbach, jovem jornalista gaúcha, fala, em vídeo enviado diretamente de Moçambique, de sua experiência como missionária em solo africano.

A convivência com o povo moçambicano, durante quase um ano, faz a jornalista reconhecer seu crescimento como pessoa e como cidadã do mundo. Victória destaca que o trabalho cotidiano de cada moçambicano é regado pelo sonho e pela crença de um país melhor. A esperança é o grande ânimo deste povo, num contexto de mudanças rápidas, cheio de inovações e estranhezas de uma África cheia de novidades e diferenças.

Destaca, também, que seu desafio como jovem e jornalista é comunicar uma cultura diferente da sua, a partir da empatia e do conhecimento, que se dão através da convivência e do reconhecimento das diferenças.

Em outra publicação no site, Victória afirma: “Em Moçambique, uma pequena porção da Terra-Mãe, convivemos com um povo que não cansa de trabalhar e lutar por uma vida melhor, seja nos grandes centros ou nos distritos do interior, nas pequenas propriedades rurais familiares ou nas grandes empresas (estrangeiras). Por aqui, em muitos lugares já chegou a energia, o computador, a internet e até o Facebook. Em outros, é claro, a televisão ainda é novidade e carro é coisa para criança curiosa correr atrás.

No local onde vivo, norte de Moçambique, os recursos são realmente poucos. Mas isso não acontece porque é um lugar esquecido ou castigado por Deus.

Precisamos desmistificar a África

Escolas do crime e alternativas de ressocialização de presos no Brasil

O complexo prisional brasileiro precisa urgentemente de reforma,
a começar pelo Congresso Nacional, que também
se tornou um “covil de ladrões”. Todos precisam de conversão.
Não somos mais santos do que qualquer criminoso.

 

Os massacres recentes, ocorridos no início de 2017, revelam e reforçam a tese de que nossas prisões se tornaram “escolas do crime”. (Relembre reportagem do G1 sobre o tema).

Os massacres não foram acidentes, mas realidade do inferno e caos prisional. O porte interno de armas, de drogas e de celulares demonstra que o sistema está corrompido.

É a ponta de um iceberg. Assim está nosso Brasil. A maioria das prisões se tornou universidades do crime, onde se diploma para roubar e matar ainda mais. É lá dentro que se reúnem os bandidos de todas as espécies, podendo arquitetar o mal em conjunto.

Como o provérbio popular diz, a ocasião faz o ladrão. Alerta o salmo primeiro: “Bem-aventurado o homem que não se assenta na roda dos escarnecedores” (Sl 1,1).

O complexo prisional precisa urgentemente de reforma, a começar pelo Congresso Nacional, que também se tornou um “covil de ladrões” (Mc 11,17), ousando repetir as palavras de Jesus no Templo de Jerusalém.

O modelo prisional de Associação de Proteção e Apoio aos Condenados (Apac), como o de Barracão (PR), procura uma alternativa na recuperação do encarcerado. Os próprios presos, chamados de recuperandos, mantém todo o processo de limpeza, cuidados, alimentação, estudo, num modelo que não utiliza policiais, armas ou qualquer tipo de violência. Os apenados recebem ajuda de voluntários em atendimentos psicológicos, religiosos, esportivos e sociais, reduzindo pela metade o custo de um preso, comparado ao sistema tradicional.

 

Saídas e alternativas para degradante situação dos presídios no Brasil

 

Espalhadas por cidades brasileiras, em 40 anos, as Apacs recuperaram 90% dos condenados. Dos 70% de reincidência dos presos do sistema carcerário comum, nelas esse número cai para 10%.

Conheça um pouco da história das Apacs no Brasil através deste audiovisual.

 

É preciso acreditar na conversão do pior bandido e do mais miserável pecador, que será sempre um prisioneiro de seu pecado e de sua própria vontade irracional.

Todos precisam de conversão. Não somos mais santos do que qualquer criminoso.

Conheça o trabalho e as ideias do Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude, Dalmir Franklin de Oliveira Júnior. “Existem autores, entre eles  Alvino Augusto de Sá,  psicólogo que trabalhou no sistema prisional em São Paulo, que diz  “ a possibilidade  de ressocialização passa por uma reaproximação do cárcere com a sociedade”, e  você deixar o sujeito fechado e, após largar na sociedade sem que ele tenha  oportunidades, não vai ter muita função,  não vai ter uma consequência positiva, então, a privação da liberdade tem que permitir essa reaproximação do cárcere com a sociedade, através de projetos com possibilidades e competências que possam ser explorados, distintos dos quais o levaram ao crime”.

Dedilhando sonhos: servindo o bem público e ajudando pessoas

 

São João afirma que quem odeia o seu irmão é um homicida (cf. 1Jo 3,15). Os detentos na prisão são também filhos de Deus, filhos de nosso tempo e nossa sociedade. No Juízo Final, que Deus não nos reprove com essa frase sentencial: “Estive nu e não me vestistes, doente e preso e não me visitastes”(Mt 25,43).

Em outro artigo publicado no site, o professor Nei Alberto Pies alerta para o fato de que as casas prisionais deste país são um verdadeiro depósito de seres humanos e a sociedade brasileira parece não se importar com esta situação desumana. Esperar o que então?

Gente foge e faz rebelião por quê? Responsabilidade de quem?

 

De uma presença ausente: meu pai

 

Um dos grandes ensinamentos de meu querido e saudoso pai
foi ter-me ensinado que, para sobreviver, precisamos de muitas poucas coisas,
mas que precisamos nos apegar ao que é fundamental: a família e a comunidade.

 

Perdi meu pai fazem sete anos. A lacuna da morte de alguém muito próximo da gente, como nosso pai, nossa mãe, nosso irmão ou irmã, amigo ou amiga, avô ou avó, nos remete a um dos mais difíceis aprendizados da vida humana: conviver com a presença/ausência. O desafio que se coloca a todos é reconhecer sentido para a nossa existência, pois a morte de alguém nos remeter para a pergunta sobre o tipo de vida e de relações que construímos de forma individual e coletiva.

Cada um de nós carrega de sentido a sua existência através das relações interpessoais pelas quais nos “fazemos gente”. Por mais que tentemos, ninguém consegue sobreviver e, quiçá, ser feliz sozinho.

Esta característica da interdependência é também, de certeza, um dos maiores desafios de nossa própria humanização, pois conceber-se integrado e conectado com os outros, exige que saibamos lidar com a superação dos próprios egoísmos.

Família e comunidade são essenciais para a realização humana.

 

A vida comunitária, herança de nossas primeiras e mais primitivas comunidades, ressignifica o sentido da morte de uma pessoa. As comunidades religiosas são, sobretudo, o lugar onde fazemos a memória de nossos mortos, buscando apreender seus ensinamentos, exemplos e virtudes.

Na comunidade somos reconhecidos por nossos feitos e desfeitos. São muito mais felizes aqueles que podem desfrutar durante sua vida e no momento de sua morte, dos valores comunitários. Quem tem uma comunidade e leva uma vida comunitária, vive mais feliz e poderá morrer mais feliz ainda.

A comunidade é também o lugar onde damos vazão aos nossos medos, fantasmas e incompreensões, refazendo-nos permanentemente. Por isso mesmo, cada um deve ser reconhecido e tratado com dignidade, pois é a referência de si mesmo – alteridade. A comunidade, por sua vez, é o espaço em que lapidamos o nosso ser pessoal e social, onde ousamos viver a nossa subjetividade, buscando o reconhecimento.

Um dos grandes ensinamentos de meu querido e saudoso pai foi ter-me ensinado que, para sobreviver, precisamos de muitas poucas coisas, mas que precisamos nos apegar ao que é fundamental: a família e a comunidade.

 

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma… Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Depois de algum tempo. (Autor desconhecido)

 

Ensinou-me ainda, que é preciso amar as crianças e os mais velhos, porque estes são os sujeitos da comunidade que mais precisam de nossa ajuda e proteção.

Meu pai também comprovou, a si mesmo e aos outros, que sempre é bom e necessário reconciliar-se com os outros, para reconciliar-se consigo mesmo. Ensinou-me tantas coisas, demonstrando especial atenção aos valores do trabalho, do amor e a da fé.

Como a maior parte dos pais, soube valorizar as conquistas de seus filhos, como se fossem também as suas. Soube apontar, na medida do seu universo, os caminhos que seus filhos poderiam trilhar. Soube constituir-se sujeito a partir da comunidade. Conviver com a presença/ausência é deparar-se com os interstícios entre as palavras, as ações, os gestos e os exemplos de nossos entes queridos. As lembranças se encarregam de lembrar, permanentemente, que cada pessoa tem algo a nos ensinar, posto ser única, sagrada e genuína.

A presença/ausência é, também, prova de que a vida se faz na experiência compartilhada, nas memórias e nas histórias de todos os que, na comunidade, se fazem protagonistas.

Obrigado pelos grandes ensinamentos, meu pai. Que eu consiga seguir seu exemplo e que esta crônica também sirva de reflexão a todos que já são ou um dia viverão a paternidade, pois esta só tem sentido se for de vida compartilhada.

Comunidade e pertencimento (reflexão em vídeo TV Brasil)

 

 

O que se pode esperar de uma criança da vila?

 

Mantenham essa criança viva e alimentada dentro de vocês,
pois, essa criança aceita desafios, não tem julgamentos prévios ou preconceitos e,
acima de tudo, possui a humildade e a alegria que devemos
celebrar cotidianamente para a harmonia planetária.

 

Inicio esse texto com a seguinte pergunta: “o que se pode esperar de uma criança da vila?” Essa pergunta se faz necessária porque nessa oportunidade íntima de me apresentar com maiores detalhes aos meus queridos leitores e colegas, aproveito para direcionar meu relato também à todas as crianças da vila, pessoas comuns e de origem humilde.

Atualmente sou professora com Ph.D. em universidades dos EUA (Universidade de Washington e Onondaga Community College) e palestrante de diversos cursos nos EUA, Canadá, México, Europa e Brasil. Na minha área profissional sou conhecida como Dr. Bodah, possuo mais de dez livros no Brasil (que podem ser acessados aqui) e quatro entre EUA e Europa.

Sou presidente do Thaines and Bodah Center for Education and development que possibilita intercâmbio entre estudantes, bem como oriento centenas de pesquisas na área da educação, ciências biológicas, ecologia, agricultura, genética e psicologia.

Contudo, tive origens humildes, nasci e me criei no interior do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Minha mãe foi professora (cujos pais agricultores nunca tiveram a chance de frequentar a escola) e meu pai, pedreiro.

Fui uma criança da vila, estudei a maior parte da minha vida em escolas públicas e, com muito esforço, tornei-me professora da rede municipal de Passo Fundo -RS. Uma vida muito corrida, lecionando em várias escolas. Em 2004, consegui uma bolsa para fazer Mestrado em Educação na UPF  sob orientação do Pe. Eli Benincá.

Em uma de nossas conversas, eu estava muito empolgada contando ao Pe. Eli sobre o que eu tinha feito com os estudantes num projeto de educação ambiental, que eles adoraram e as famílias estavam envolvidas e etc.

O Pe. Eli, com toda a sua serenidade, me disse que tudo era muito interessante, mas também me disse que se eu não registrasse essa experiência através da memória escrita, isso se perderia… Então, ele me desafiou a escrever meu primeiro livro: “Educação ambiental para as crianças e seus mestres”.

 

Pe. Elli foi ordenado sacerdote em 03 de julho de 1965 e atuou como coordenador de pastoral e formador dos seminaristas. Na área da educação, o professor e sacerdote assumiu em 1970 a direção do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e, de 1974 a 1985, dirigiu a Faculdade de Educação da UPF. Mestre em Ciências da Religião e Doutor em Educação, Pe. Elli colaborou na elaboração dos estatutos da atual Itepa Faculdades, trabalhando também como seu primeiro diretor. Elli Benincá foi e é uma grande referênca para educadores da rede municipal e estadual da região norte do RS e que o conheceram, sobretudo, nas suas atividades docentes na UPF (Universidade de Passo Fundo, RS).

 

Na época, esse desafio parecia fora das minhas aptidões, mas aceitei pois, afinal, ele era meu orientador de mestrado… ninguém quer contrariar muito o seu orientador. O livro editado pela Berthier foi lançado na UPF e eu o carregava na bolsa. Minha vida continuou a mesma até uma noite de verão, entre escolas, em uma parada de ônibus. O ônibus estava atrasado, como de práxe durante o horário de pico. Não havia uma grande fila, apenas o usual. Crianças brincando na rua ainda, alguns casais de namorados e frequentadores assíduos de um bar perto da parada com suas vozes altas e embriagadas.

A maior parte de minha vida, até então foi na mesma cidade e isso me causava uma mistura de inquietude e ansiedade.

Olhei para o céu estrelado naquela noite clara e disse: “ai meu Deus… como eu gostaria de conhecer o mundo, se for pra ser…” Entrei no ônibus, que em seguida ficou novamente preso no congestionamente e por acaso uma placa anunciando cursos de idiomas me chamou a atenção. Resolvi descer do ônibus e ver como faria e quanto custaria para cursar inglês.

Ao chegar naquela escola, a secretária me explicou que não havia aulas naquela noite, mas por um acaso, uma professora chamada Daniela Mendonça acabara de chegar dos EUA, estava ali para buscar um material e talvez ela pudesse conversar comigo.

 

Como surgiu a oportunidade de conhecer o mundo, a partir dos EUA?

Quando a professora me recebeu, expliquei que eu queria aprender uma nova língua, cultura e talvez viajar. A professora me perguntou o que eu fazia, eu expliquei que dava aula de ciências para crianças de uma escola pública, que gostava de trabalhar com educação ambiental e mostrei o livro que Pe. Eli havia me desafiado a escrever.

A professora achou muito interessante, me comunicou que não haviam aulas no momento para o que eu queria, mas que poderia conversar novamente comigo sobre eu ir aos EUA para mostrar meu trabalho e dar aulas no Audubon Center of the North Woods para crianças americanas. Outro desafio que para muitos parecia irreal… Os detalhes, inquietudes e frustrações dessa minha jornada do Brasil aos EUA podem ser encontrados na minha última obra: “Ciência, Deus e Sucesso”.

Durante minhas palestras, várias pessoas incrédulas com as conquistas atuais como de ser professora com Ph.D. naturalizada nos EUA há mais de dez anos, olham para minha trajetória inicial, seja de ter sido uma criança da vila que estudou em escola pública, que não tinha fluência em inglês, que não era superdotada, enfim uma pessoa comum que se tornou professora da rede pública de uma escola brasileira. Muitas dessas pessoas pedem orientação de como conseguir o mesmo.

A resposta para esses pedidos sempre foi de que devemos estar atentos para oportunidades e focar no “estudo, persistência, resiliência, dedicação e paixão”. Contudo, ao longos dos últimos dez anos, quando a minha vida realmente deu uma guinada, eu consegui fazer uma análise de como eu atingi o sucesso atual. Alguns de meus colegas podem tentar entender isso como determinação, empreendedorismo, poder espiritual, sorte…

Na verdade, a mensagem que eu gostaria de deixar nesse momento aos meus leitores é apenas a mesma que recebi do Pe. Eli muitos anos atrás: registrem a sua prática… o registro escrito a faz imortal e destrói fronteiras. Claro que além disso, peço que não desistam de seus sonhos, tenham fé e, acima de tudo, não deixem de lado aquela criança que existe dentro de cada um de nós… Para concluir, reporto-me a minha pergunta inicial: “o que se pode esperar de uma criança da vila?”

 

Com o intuito de não perder contato com seus egressos e de mantê-los integrados ao cotidiano da Universidade de Passo Fundo (UPF) foi criada a Associação de Ex-alunos Sempre UPF. Assista aos depoimentos de pessoas que fazem parte dessa história: Elli Benincá.

 

Uma das possíveis respostas para essa pergunta é: “pode-se esperar o que essa criança quiser – o céu é o limite”.  Apenas, mantenham essa criança viva e alimentada dentro de vocês pois essa criança aceita desafios, não tem julgamentos prévios ou preconceitos e, acima de tudo, ela possui a humildade e a alegria que devemos celebrar cotidianamente para a harmonia planetária.

 

Vantagens em cooperar?

 

 

A cooperação é uma ferramenta para nos fazermos gente.
É a possibilidade de vivermos em condições menos estressantes,
capazes de reconhecimento mútuo e recíproco,
capazes de compreender que ninguém se basta a si mesmo.

 

Ao desaprendermos a cooperação, empobrecemos nossas relações sociais e a própria condição de humanidade, que se realiza a partir da interdependência com os outros. Ao abrirmos mãos da intrínseca relação entre o eu e o outro, perdemos a dimensão da construção social que é sempre coletiva; que nos faz humanidade em movimento.

Nossa cultura alimenta-se de ideários individualistas na medida em que estimula, ao máximo, a busca da superação pessoal, a partir de nossa autodeterminação. A máxima expressão do modo de levar a vida hoje, para muitos, já foi cunhada pelos romanos: “se queres paz, prepara-te para a guerra”.

 

Documentário: Riqueza x Pobreza – Desigualdade Social. Um documento contundente, que retrata a realidade brasileira como ela é.

 

Outra máxima: “minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro”, propõe, igualmente, a construção de uma liberdade individualista, supondo haver uma linha limítrofe entre a nossa ação e a ação dos outros. Na verdade, a liberdade pressupõe um pacto de cooperação mútua para ambos alcancemos a liberdade, ou seja, somos sempre condição para a liberdade, nossa e dos outros.

Preocupa que, mesmo sem perceber, temos sido muito permissivos na construção de um modo de vida extremamente individualista, que prega o uso de todos os meios para a construção do sujeito social, inclusive o uso da violência e da competição desmedida.

Neste contexto, não há nenhuma preocupação com a resolução dos conflitos, com os contextos e as condições em que vivem os outros; busca-se somente consolidar uma situação em que os vencedores se afirmam a partir do sufoco, superação ou sufocamento dos vencidos.

“Aquele que alivia o fardo do mundo para o outro não é inútil neste mundo” (Charles Dickens)

O que mudou mesmo é que refinamos cada vez mais nossos instintos competitivos, dando-lhes uma forma e um conteúdo mais definido. Além de estar mais claro, este ideário está bem disponível às novas gerações. E em tempos em que tudo o que é assimilado deve ser aplicado, muitos, sobretudo adolescentes e jovens, desafiam-se para colocá-lo em prática, sem escrúpulos.

 

 

Benefícios ou vantagens da cooperação?

E a cooperação? Bem, a cooperação não traz vantagens suficientemente consistentes para inspirar um ideário ou um estilo de vida. É geralmente tratada como solução em situações limites de nossa vida como nos conflitos interpessoais, nas relações de médico-paciente, na complexidade dos assaltos e roubos, na ajuda humanitária e na solidariedade a pessoas em iminente risco de vida.

 

Um dos ataques que as organizações mundiais promovem é contra a solidariedade.
Vídeo: 5º princípio: atacar a solidariedade – Noam Chomski

 

As vantagens da cooperação servem mesmo para promover a vida e a dignidade, para qualificar as nossas relações sociais. A cooperação é uma ferramenta para nos fazermos gente. É a possibilidade de vivermos em condições menos estressantes, capazes de reconhecimento mútuo e recíproco, capazes de compreender que ninguém se basta. Quem pensa assim, nos acompanhe!

 

Escola e família

 

Família educar, escola escolarizar, em síntese.
Ouve-se isso, inclusive, de filósofos Pops brasileiros e,
quando dito por filósofos, parece que não há apelação.
Quem se arrisca a contestar os filósofos?
Só um outro filósofo…

 

Hegel afirmava que a filosofia é o espírito do tempo apreendido no conceito. Assim, não cabe à filosofia nem a representação da fé e nem a imagem e representação das artes. Nem cabe à filosofia permanecer no primeiro degrau do conhecimento das certezas sensíveis e, sobretudo, para filosofar, é preciso distanciamento para não pensar com o fígado, mas, de preferência, com a cabeça.

Vivemos tempos difíceis de distanciamento, com forte tendência a repetir mantras e frases prontas, dispostos a brigar na defesa dos pré-conceitos, mas pouco tolerantes e abertos a aprender do outro e, sobretudo, aprender a respeitar a voz das ciências.

Digo isso porque circula no senso comum e, às vezes, em alguns ambientes acadêmicos, sobretudo de tendência neoconservadora, a ideia pré-concebida e acrítica de que a família é a responsável pela educação moral dos filhos e a escola deve escolarizar.

Família educar, escola escolarizar, em síntese. Ouve-se isso, inclusive, de filósofos Pops brasileiros e, quando dito por filósofos, parece que não há apelação. Quem se arrisca a contestar os filósofos? Só um outro filósofo…

Nosso maior palco é a vida e nela somos eternos aprendizes. Nosso maior desafio é a humanização, através do conhecimento. O conhecimento nos torna melhor seres humanos. A escola e a vida são oportunidades de aprendizagem, socialização e construção de conhecimentos. Humanizar é um dos maiores desafios da atualidade. Nei Alberto Pies, professor, escritor e ativista de direitos humanos propõe mudanças substantivas para atingirmos a humanização.

 

Voltando. A família educa. A escola escolariza.

Não é errado assim pensar e assim se expressar. Só que uma verdade quando dita pela metade presta um desserviço à própria verdade. Vamos ver.

Que a família educa os filhos, no sentido moral do termo, e ensina valores (não mentir, não matar, não roubar, respeitar etc.) parece mais do que certo. É a família a primeira célula da sociedade e é na tenra idade que somos propensos ao exercício da domesticação.

Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola, para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos.

 

Sim, como dizia Nietzsche, “o homem é um animal domesticável”. E não há habitat mais natural para a domesticação moral do que o lar, a família, o ambiente doméstico, enfim.

E a escola? À escola, dizem os novos gênios da educação, sobretudo, da corrente da escola sem partido, a escola deve escolarizar, isto é, deve formar para a aquisição de habilidades instrumentais e para a inserção na sociedade e no mercado. Nada de ensinar valores! E nada de ensinar a criticar e relativizar valores.

Se, por acaso, ensinar valores, então, tem que ser imparcial. Imparcial significa, se bem interpreto, mostrar o outro lado. Ótimo. Eu acho isso bárbaro! Mostrar o outro lado, o outro ponto de vista, o outro argumento, é o que se aprende na primeira aula de filosofia quando se estuda os sofistas.

Aprendemos dos sofistas a sempre prestar a atenção ao contraditório e ao outro ponto de vista. É deles que aprendemos que para cada coisa sempre há no mínimo duas formas de ver e de argumentar, em defesa ou contra. Mas isso será tudo?

Não creio que seja tudo. A escola educa sim e não somente faz pensar e adquirir habilidades instrumentais para o mercado do trabalho. Não. Quando formamos para a autonomia, para a liberdade e para a responsabilidade, então estamos educando (e sem relativismo de ter que mostrar o outro lado), e não só escolarizando. Quando formamos para a justiça, para a solidariedade, para a tolerância, estamos educando, e não só escolarizando.

Quando discutimos ética ambiental e ética animal, estamos educando, e não só escolarizando. Sobretudo, quando discutimos questão de gênero, estamos educando e não fazendo ideologia.

Se a família fosse o limite da educação então deveríamos achar relativo que alguém tenha preconceito com negros, pobres, gays, prostitutas, ateus etc. Via de regra esse ensinamento vem das famílias, ou não? A quem cabe educar para o respeito, a tolerância, para a diversidade e para a universalidade que ultrapassa o valor do sangue (familiar), da religião e da nação?

O machismo, o racismo, a xenofobia e a homofobia nós aprendemos em casa, e não na escola. Ou não? Então, calma lá ao dizer que a família educa e a escola escolariza.

 

Alimentação vegetariana

 

A Dieta Vegetariana segue o conceito estabelecido
por aqueles que decidiram excluir as carnes, aves, peixes
e todos os outros produtos de origem animal de sua alimentação.

 

Nos últimos 5 anos cresceu o número de pessoas adeptas a uma dieta sem o consumo de carne, tendo em vista algumas questões ideológicas, de saúde ou religiosa. A Dieta Vegetariana segue o conceito estabelecido por aqueles que decidiram excluir as carnes, aves, peixes e todos os outros produtos de origem animal de sua alimentação.

A Dieta foi relacionada como uma alternativa para quem procura melhorar a qualidade digestiva, auxiliar na redução ou manutenção de peso, por ser composta de alimentos de baixas calorias (frutas, legumes e verduras em sua maioria) e por abolir alimentos de origem animal, contribuindo para deixar os níveis de gordura saturada e colesterol da alimentação extremamente baixos.

A alimentação dos seguidores da Dieta Vegetariana consiste no consumo de alimentos de origem vegetal como frutas, legumes e verduras, leguminosas, cereais, nozes e sementes. Contudo, há alguns vegetarianos que apesar de não consumirem carnes e peixes, consomem ovos e produtos lácteos (ovo – lacto vegetarianos), há também aqueles que excluem também os ovos, porém consomem os leites e derivados (lacto – vegetarianos).

 

Conheça outras três importantes publicações da autora no site.

Fome emocional: pode?

Há um fator importante que deve ser observado, que ao restringir o consumo de alguns alimentos deixamos muitas vezes de ingerir nutrientes essenciais ao nosso organismo, especialmente nutrientes como vitamina B12, cálcio, ferro e zinco. O cálcio é um mineral que participa da formação e manutenção de dentes e ossos. Uma drástica restrição de seu consumo, longo prazo, pode favorecer o desenvolvimento de osteoporose, assim como, redução da massa muscular.

Já a vitamina B12 é um micronutriente encontrado exclusivamente em produtos de origem animal e utilizado na síntese de glóbulos vermelhos, atuando na prevenção de anemia.

O ferro é uma das maiores preocupações, ao se avaliar a alimentação dos seguidores da Dieta Vegetariana, pois assim como a vitamina B12 esse mineral é um componente fundamental dos glóbulos vermelhos, pois junto como a hemoglobina realiza o transporte de oxigênio na corrente sanguínea.

As carnes são as principais fontes desse nutriente, que também são encontrados em verduras verde-escuras e leguminosas. Contudo, nesse caso, para ser absorvido é preciso a associação com a vitamina C. O zinco também encontrado nas carnes é fundamental para síntese de muitas enzimas assim como desempenha importante papel na formação de proteínas e divisão celular.

É extremamente necessário que os seguidores de dieta Vegetariana realizem frequentemente acompanhamento através de exames laboratoriais e sigam uma alimentação equilibrada em nutrientes e, se necessário, utilizem suplementação vitamínica e minerálica para manter o equilíbrio orgânico.

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