Projeto Frutos da Terra entrega 22 hortas comunitárias em Esteio e Canoas – RS

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O tema hortas, sejam elas domiciliares ou comunitárias, é recorrente em nosso site. Entendemos que uma horta é um laboratório de aprendizagem, seja de conhecimentos específicos de produção de alimentos, seja de conhecimentos que envolvam solidariedade, coletividade, empreendedorismo, cooperação, sustentabilidade.

Já publicamos no site.

Crianças degustam alimentos que elas mesmas plantam: www.neipies.com/criancasdegustam-alimentos-que-elas-mesmas-plantam/

Uma experiência associativa de horta domiciliar na cidade: www.neipies.com/uma-experiencia-associativa-de-horta-domiciliar-na-cidade/

Horta residencial é uma alternativa para quem quer economizar: www.neipies.com/horta-residencial-e-uma-alternativa-para-quem-quer-economizar/

Quando descobrimos o Projeto Frutos da Terra, uma parceria entre o Instituto Integrar a e a Petrobrás, vimos uma oportunidade de divulgar e promover iniciativas de hortas comunitárias como laboratórios de cidadania e de acesso a alimentos naturais e saudáveis. Entendemos, também, que projetos de hortas que são implantados em escolas ou em associações de bairros devem estar bem estruturados, com intencionalidade política e pedagógica bem claras, bem como devem ser orientados por profissionais da área técnica de produção.

Com alegria, conversamos com Docimar Querubin, Coordenador do Instituto Integrar, entidade responsável pela implantação deste projeto nas cidades de Canoas e Esteio.

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P- Como surgiu a ideia de implantar hortas comunitárias na cidade de Esteio e Canoas?

R- O Projeto faz parte da carteira de projetos da Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental. O Instituto Integrar participou da seleção pública e foi selecionado em 2023 para desenvolvimento do projeto Frutos da Terra.

Surge da ideia de ampliar o debate e a construção de alternativas comunitárias na produção de alimentos em áreas urbanas.

P- Qual é a participação do Instituto Integrar – RS e a Petrobras?

R- O Instituto Integrar é a entidade responsável para desenvolver o Projeto Frutos da Terra no território da cidade de Canoas e Esteio e a Petrobras é a patrocinadora do programa, garantindo os recursos financeiros para a execução e desenvolvimento das ações.

Ao longo de três anos, a iniciativa oportunizará o plantio, o cultivo e o consumo de alimentos saudáveis. O objetivo do programa é oferecer para a mesa da comunidade um produto livre de qualquer tipo de agrotóxico e insumos que possam prejudicar a saúde da comunidade.

 P- Como uma horta comunitária pode ser um espaço ou ferramenta de educação ambiental?

R – O Projeto Frutos da Terra parte do princípio de que a questão ambiental é responsabilidade de todos, mesmo que em pequenos atos e ações. Desta forma o projeto aprofunda junto a comunidade elementos como alimentação, organização comunitária, direitos humanos, empreendedorismo e economia solidária.

Assim o projeto tem a intenção de que a partir das ações de hortas comunitárias a comunidade pode levar para suas casas essas experiências de cuidado, de alimentação e de preocupação com o planeta. Não podemos pensar em cuidar do planeta se não cuidamos de nosso quintal. Ao mesmo tempo em que sabemos que a qualidade de vida das comunidades só será possível se ela se tornar protagonista desse cuidado e ao mesmo tempo cobrar políticas públicas dos órgãos competentes para esta finalidade.

P- Quais são os detalhes da implantação e da continuidade das hortas nas comunidades no entorno da REFAP?

R – O Projeto tem uma duração inicial de 03 anos, conforme contrato assinado entre a Petrobras e o Instituto Integrar. Após esse período se a Petrobras considerar estratégico a continuidade do projeto o mesmo poderá ser renovado por igual período.

P – Qual é a vinculação/relação das hortas comunitárias com as práticas de educação formal (escolas e escolinhas)?

R – A vinculação com a comunidade escolar acontece em diversos momentos do projeto. Primeiro a relação da escola de educação infantil, fundamental ou ensino médio em participar na organização da horta comunitária, neste aspecto estamos com diversas escolas que tem atuado e isso ajuda na formação geral dos educandos e na articulação curricular em sala de aula em disciplinas como ciência, biologia, química, geografia, etc.

Em segundo momento o projeto proporciona aos estudantes e professores a experiência prática de convívio com a natureza e a produção de alimentos e, por fim, em terceiro momento temos a horta escola, um espaço que todas as escolas e turmas podem ir com o professor e desenvolver oficinas, cursos e conhecimentos voltados ao meio ambiente e a produção de alimentos. A Horta escola temos hoje na Associação do Hip Hop em Esteio e teremos uma na cidade de Canoas.

P – Quais já são os primeiros impactos que podem ser mencionados após a implantação das primeiras hortas comunitárias?

R – O impacto mais importante neste momento sem sombra de dúvidas está vinculado às primeiras colheitas e o consumo dos produtos que são produzidos na horta. Ver as famílias levando para suas casas um alimento saudável é extremamente gratificante e mostra que o projeto realmente colheu os primeiros frutos. A comunidade tem participado com alegria neste espaço de produção e ele vai para além da produção é um espaço de convívio, de tr4oca de experiência e de conhecimentos.

Para muitos é um retorno a infância ou a história dos pais e avós que plantaram e cultivaram a terra, então tem uma relação afetiva. Mas notamos que muitas comunidades estão transformando a horta comunitária como seu espaço preferido e se puderem estar todos os dias lá, elas estão. Outro aspecto importante é que a grande maioria das pessoas que participam da horta são mulheres e isso tem gerado alegria do encontro e da convivência entre elas. O Projeto proporcional muitos espaços de diálogo e formação com temos sobre direitos humanos, cultivo e plantio de alimentos e alternativas de rendas em comunidades com grande número de pessoas em situação de vulnerabilidade.

P – Quais são os principais objetivos finais traçados por este projeto?

R – O principal objetivo do projeto é de que no decorrer do mesmo as pessoas possam ter a oportunidade de convivência, de troca e de construção coletiva. Ter uma experiência de conviver com o outro, de apreender com o outro e de levar seus conhecimentos e trocá-los de forma natural. Se as comunidades chegarem ao fim do projeto com uma relação de troca e conseguirem perceber o mundo de outra forma, seus direitos, suas lutas e conquistas o projeto terá alcançado seu objetivo.

P- O que mais gostaria de considerar?

R – Esse projeto iniciou com uma meta de atuar em 22 hortas, sendo que duas dessas serão hortas escola, um conceito de aprendizagem socioambiental que mobiliza a comunidade e as escolas na perspectiva do cuidado com o mundo e com a natureza. Hoje estamos com uma demanda de 25 hortas, sendo que metade dessas já em produção e colheita e outras serão concluídas até o final de 2025. Para o ano de 2026 vamos investir em formação para a comunidade, em tecnologias de conhecimentos que estão por muito tempo abandonadas no cuidado e cultivo das hortaliças e dos produtos das hortas.

Vamos organizar espaços coletivos na cidade de Canoas e de Esteio, de troca entre os produtores de alimentos, de fóruns municipais que debatam a agricultura urbana nessas cidades. Já estamos participando e articulando com diversas entidades locais como Fórum da Agricultura Urbana de Porto Alegre, trocas com a EMATER, Institutos Federais e outros espaços coletivos que se preocupam com alimentação e meio ambiente.

Inauguração da horta Raízes do axé, No Ilê de Ogum e Iemanjá.

PARA SABER MAIS:

1. Conheça o projeto Frutos da terra no Instagram: https://www.instagram.com/reel/DNEJ5DhRim-/?igsh=aTZidmkxd2tkcmty

    2.      Bate-papo com a Professora Iara Pacheco projeto Frutos da Terra do Instituto Integrar: https://youtu.be/6d9kOC2q_38?t=1240

     3.      Site do Instituto Integrar – Canoas, RS: https:integrar.org.br/

    4.      Jornal do almoço ao vivo, direto da nossa horta geodésica: https://www.instagram.com/p/DQFdf2BkdAq/?img_index=1

     Fotos: Divulgação Instituto Integrar-Projeto Frutos da Terra.

    Edição: A. R.

    1 COMENTÁRIO

    1. Quando descobrimos o Projeto Frutos da Terra, uma parceria entre o Instituto Integrar a e a Petrobrás, vimos uma oportunidade de divulgar e promover iniciativas de hortas comunitárias como laboratórios de cidadania e de acesso a alimentos naturais e saudáveis. Entendemos, também, que projetos de hortas que são implantados em escolas ou em associações de bairros devem estar bem estruturados, com intencionalidade política e pedagógica bem claras, bem como devem ser orientados por profissionais da área técnica de produção.

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