Resolvi dedicar meu primeiro escrito de 2026 no site de Nei Alberto Pies para homenagear essa mulher guerreira, contar um pouco de sua história, expressar meus sentimentos com relação a ela, dizer aos leitores de minha coluna do quanto ela foi importante na minha vida, na nossa família e na vida de tantas pessoas.
No dia 7/2/26 minha querida e amorosa mãe Leontina Bissani Fávero, deixou este mundo terreno. A dor da despedida é grande, mas maior ainda é a história que ela nos deixa — uma história de vida dedicada ao cuidado, à educação, à fé e à comunidade.
Resolvi dedicar meu primeiro escrito de 2026 no site de Nei Alberto Pies para homenagear essa mulher guerreira, contar um pouco de sua história, expressar meus sentimentos com relação a ela, dizer aos leitores de minha coluna do quanto ela foi importante na minha vida, na nossa família e na vida de tantas pessoas.
Leontina nasceu no dia 26 de março de 1933, na comunidade de Vila Cabrito, hoje município de Vila Maria. Desde muito cedo, sua vida já foi marcada por desafios. Ainda bebê, enfrentou uma cirurgia pulmonar extremamente delicada. Talvez ali, logo no início de sua caminhada, a vida já estivesse anunciando que aquela menina teria uma missão especial, que exigiria força, sensibilidade e coragem.
Seus pais, Silvio e Solange Bissani, atentos à sua condição de saúde e ao seu potencial, possibilitaram que ela estudasse. E esse gesto mudou não apenas a vida da Leontina, mas a vida de centenas — talvez milhares — de pessoas. Aos 15 anos de idade, ela já se tornava professora, iniciando uma trajetória que duraria 31 anos, dedicada à alfabetização e à formação humana
Leontina foi mais do que professora: foi educadora no sentido mais profundo da palavra. Trabalhou sempre com turmas multisseriadas, em condições que exigiam ainda mais compromisso, criatividade e responsabilidade. Alfabetizou crianças, adolescentes e, em muitas famílias, chegou a ensinar três gerações. Eram tempos difíceis, de poucos recursos. Quase não havia livros didáticos, sua principal ferramenta de trabalho era quadro e giz. Mesmo assim soube ser EDUCADORA, no sentido profundo do termo. Tinha a confiança e o respeito dos pais e das crianças, tinha autoridade de quem sabe ensinar e afeto de que quem educa ama e ajuda crescer.


No dia 17 de fevereiro de 1956, uniu sua vida a Severino Pedro Fávero, seu companheiro de caminhada. Juntos construíram uma família sólida e amorosa, e tiveram cinco filhos: Geci, Alcir, Marilene, Zenaide e Altair. Leontina e Severino fizeram de sua casa, em frente à Igreja de Santo Agostinho, não apenas um lugar de moradia, mas um verdadeiro ponto de referência da comunidade — um espaço de acolhida, presença e serviço.
A pequena escola Santos Dumont (em homenagem ao brasileiro criador do 14-Bis, o primeiro avião a decolar por meios próprios em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, Paris), localizada ao lado da Igreja Santo Agostinho, no interior de Marau, foi o lugar onde minha mãe Leontina, por mais de três décadas alfabetizou centenas de crianças. Para se ter uma ideia das dificuldades, a luz elétrica só chegou na comunidade em 1978, justamente no ano em que ela se aposentou depois de ter lecionado 31 anos e 4 meses.
Meu irmão Alcir e minhas irmãs Geci, Marilene e Zenaide estudaram da 1ª a 5ª série com minha mãe. Eu também fui alfabetizado e estudei até a 4ª série quando ela se aposentou. Me recordo da forma como ela preparara suas aulas à luz de vela ou de lampião abastecido com querosene. Todos os dias ficava até tarde da noite para fazer o diário de classe das 4 turmas de aula, que estudavam na mesma sala. Me impressionava como ela conseguia organizar o quadro verde com as atividades para as 4 séries que estudavam juntas. Sua dedicação e amor ao magistério era tanto que duas das minhas irmãs (Marilene e Zenaide) e eu nos tornamos professores.
Além de professora, Leontina foi catequista, sempre disponível para colaborar com os afazeres comunitários, com discrição, compromisso e fé sincera. Após se aposentar em 1978, quando muitos pensariam em descanso, ela assumiu uma nova e longa missão: tornou-se ministra da Eucaristia da Comunidade de Santo Agostinho, serviço que exerceu por mais de 35 anos. Só deixou essa função quando as forças físicas já não permitiam continuar — não por falta de vontade, mas porque o corpo já não acompanhava o coração.


Sua vida foi marcada pela constância, pela responsabilidade, pela fé vivida no cotidiano. Leontina não buscava reconhecimento, mas deixou um legado imenso. Ensinou com palavras, com gestos e, sobretudo, com o exemplo. Mostrou que educar é um ato de amor, que servir é uma forma profunda de viver a fé e que a grandeza de uma vida está na doação silenciosa.
No último domingo, dia 8 de fevereiro, nos despedimos com saudade, mas também com gratidão. Gratidão por tudo o que ela foi, por tudo o que fez e por tudo o que permanece vivo em cada pessoa que aprendeu a ler, a rezar, a acreditar e a viver melhor por causa dela.
Que Deus a acolha em Sua paz, e que nós saibamos honrar sua memória vivendo aquilo que ela nos ensinou: cuidar, educar, servir e amar.
Descanse em paz, Mãe Leontina. Seu legado permanece entre nós e não será esquecido.
Para finalizar, gostaria de pedir a todos que conheceram ou conviveram com a professora Leontina que deixem seus comentários abaixo.
Fotos: arquivo pessoal do autor
Autor: Altair Alberto Fávero – altairfavero@gmail.com Professor e Pesquisador do Curso de Filosofia e do PPFEdu/UPF. Também escreveu e publicou no site “Razões e desafios para não desistir da docência”: www.neipies.com/razoes-e-desafios-para-nao-desistir-da-docencia/
Edição: A. R.












Mãe Leontina! Minha primeira professora, minha catequista, minha amiga conselheira, meu porto seguro. Minha mãe me ensinou tantas coisas boas, cultivar valores, respeitar as pessoas, ser amiga de todos. Ela viveu o que ensinou e eu procurei seguir seu exemplo. Tivemos o privilégio de ter uma pessoa tão amável e bondosa em nosso meio. Um ser iluminado. Sua luz continuará a nos guiar. As boas memórias serão conforto eterno. Descanse em paz, Mãe querida. Te amamos por todo sempre!
A tia, professora, catequista, ministra, promotora vocacional {Leontina) foi e é um grande exemplo de mulher, modelo de fé e prática da caridade {Evangelho), para toda a sociedade.
Na minha vida particular poderia elencar tantas coisas boas que fez por mim, mas, destaco duas:
– como pressora que tantas vezes pegou minha mão para me alfabetizar
– junto com minha mãe foram as que mais me inventaram para minha vocação.
Um exemplo a seguir.
Deus seja louvado pelo seu testemunho..
A vó Leontina foi uma vó extremamente amorosa, uma mãe dedicada e uma grande inspiração para todos nós como professora e como pessoa. Seu amor pela educação, pelo cuidado com o outro e pelo servir sempre fizeram parte das histórias que cresci ouvindo e que hoje levo comigo. Tenho muito orgulho do legado que ela deixou na nossa família e na comunidade. Sua vida segue viva em cada ensinamento, em cada gesto de amor e em cada pessoa que ela tocou. Descanse em paz, vó!
O que dizer dessa pessoa maravilhosa nasci,cresci e até meu casamento com 24 anos de idade sempre vivi morando enfrente da casa da dona Leontina…pra mim ela foi a mulher que me ensinou ,me acolheu na igreja desde meus 5 anos de idade ,onde ela me incentivou a começar a lendo preces e colocando livros de contos nos bancos da igreja..o tempo foi avançando comecei a fazer leituras e salmos e em seguida já me tornei comentarista….adorava cantar junto com a leontina..foi ali que aprendi tudo o que eu sei hoje…agora além de todas essas coisas que aprendi com ela…sou ministra da Eucaristia na cidade de Marau…mais um exemplo que segui inspirada na dona Leontina…como vizinha adorava ela …enquanto ela podia se locomover vinha sempre nos visitar…e conversa mos muito ..era uma mulher querida e sabia agradar a todos…e quando nos íamos até sua casa era uma total recepção…sempre agradava com seus mimos…bombons…chocolates..e outros…uma pessoa admirável…pessoa de fé e de muita esperança…sentirei muito sua partida mas o que me consola que estás junto com Deus intercedendo por mim e por todos aqueles que tiveram a honra de conchece_ lá…seu legado vai ficar vivo para sempre que foi rezar sempre ..ajudar o próximo…respeitar a todos e praticar o bem sempre.LEONTINA INTERCEDA JUNTO DE DEUS POR TODOS NOS AQUI NA TERRA…DESCANSE EM PAZ….E COMO A SENHORA OS ULTIMOS DIAS SE DESPEDIA DANDO UM BEIJO NA MINHA MÃO…AGORA RECEBA VARIOS BEIJOS ALI NO CÉU!!!
Dona Leontina foi uma presença marcante na minha vida desde o ano de 1991, quando tive a alegria de conhecê-la por meio de seu filho, o Professor Altair, com quem trabalhava na Escola Menino Jesus, em Passo Fundo. Desde aquele primeiro contato, percebi nela algo especial: uma mulher de profunda sabedoria, calma e serenidade, com um espírito jovial que se revelava no seu jeito simples e acolhedor de ser e de se relacionar com as pessoas.
Sou imensamente agradecida por ter tido a graça de conhecê-la e de conviver, ainda que por um tempo, com alguém tão iluminada. Mesmo quando a vida nos colocou fisicamente distantes, ela sempre foi presença próxima no coração. Deixou marcas profundas de amor e bondade por tudo o que fez e, principalmente, por tudo o que foi.
Cada vez que a encontrava, era como rever “minha nona”: cheia de vida, alegria, fé e coragem, sempre pronta para acolher com ternura. Dela levo aprendizados que o tempo não apaga — marcas significativas, daquelas que carregamos para sempre na alma. Sempre tive, e sempre terei, um carinho eterno por Dona Leontina.
Quando celebramos as Bodas de Ouro de seu casamento com o querido Seu Severino, tive novamente a oportunidade de estar próxima e de “pegar” um pouquinho do amor que transbordava do seu coração. Foi um momento especial, que guardo com gratidão e emoção.
Hoje, o céu certamente está em festa por receber uma pessoa tão maravilhosa quanto a nossa “nona” Dona Leontina. Fica a gratidão ao Professor Altair por ter partilhado comigo um pedacinho de sua mãe e por permitir que eu participasse de momentos tão ricos da vida de sua família.
Isso tem nome: amor, bondade e empatia. 🌷
Professor Altair,
O seu texto nos permite ficar mais perto de Leontina, que até ouso dizer, nossa educadora Leontina! Digo nossa, porque vejo nela uma inspiração do verdadeiro educar, que continua ecoando mesmo quando já não se está presencialmente. Que maravilha conhecer a história de uma mulher com tantas faces, tantos papéis, mas uma única importância: a de ser uma presença viva de afeto, aprendizado e coragem. Não há lamparina ou vela que se apague, quando o fogo é o amor, ja que “o amor é fogo que abrasa”. E ao final nem se saberá ao certo, o que tem Leontina em Altair e o que Altair deixou dele em Leontina, pois tudo foi amor… Vejo em você, fagulhas desse amor, que continuarão a conduzí-lo na docência e na vida!
Minha querida amiga, parceira, sogra. Dona Leontina e minha mãe se gostavam muito, talvez porque eram portadoras de uma generosidade imensa. Devem estar lá no outro plano conversando muito. Uma grande mulher – prof Leontina. Para sempre em meu coração. Saudades.
Que lindo exemplo de servir, que este possamos seguir, com dedicação, audácia e sensibilidade, sentimentos que não faltavam a sua mãe. Deus acolhe em sua morada eterna para de lá poder ser luz e guia dos passos terrenos. Digo a família: Queridos celebrem a passagem de Dona Leontina, aqui viveu o que lá certamente estará, em paz, cumpriu grandiosa missão. sintam-se abraçados.
E além disso foi uma vó impecável, Que conhecia cada neto e suas individualidades, que sentia orgulho de cada um e fazia de nós uma pequena constelação no seu peito. Ainda bem que agora eu andarei sempre com ela o coração. Te amo vó Leontina 💕 pra sempre!
Mãe amorosa, sempre tinha espaço para mais um, independente de que fosse. Sou grata. Por aqui acompanhei todas as postagens e ao longo dos anos eu sabia como vcs estavam. Descanse em Paz.
Dona Leontina, minha mãe! Cumpriu sua missão aqui na terra! Nos deixa saudades e um grande exemplo a ser seguido. Uma mulher batalhadora, guerreira, amável e generosa. Sua vida foi de doação e amor. Sempre agradecendo por tudo, e quando foi ficando mais frágil, seu olhar e sorriso tímido, pegava na mão da gente dizendo ” Obrigada”. Agradeço a Deus por colocar essa mulher na minha vida!
Na mais pura certeza está na morada do Senhor pois deu o seu melhor! Felizes o que foram agraciados com o convívio e doação desta grande mulher. E por acaso conheci este filho especial de uma super mulher que é você meu amigo Altair. Gratidão por grande partilha.