Futebol, política e religião: sim, se discutem!

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Estamos tão vinculados ao resultado das eleições que a diferente escolha entre os candidatos a Presidente causará consequências e resultados diferentes, que atingirão a todos (estamos juntos), seja para o bem ou seja para o mal.

Tenho visto publicações e comentários nas redes sociais de que futebol, religião e política não se discutem. Vamos analisar um caso concreto de frases com que me deparei.

“Aprendi que existem pessoas maravilhosas que votam no Lula e existem pessoas maravilhosas que votam no Bolsonaro. A escolha por um desses candidatos não define o caráter de alguém. Ela é baseada nos conhecimentos e experiências de vida e sobretudo como cada indivíduo significou tudo isso. Isso não faz as pessoas melhores ou piores, são apenas pontos de vista e expectativas diferentes.”

Diria que, para torcida de futebol, estas frases estão boas. O time do coração é escolhido pela paixão, e não pela razão. Ou seja, é verdadeiro afirmar que a escolha do time de futebol não faz as pessoas melhores ou piores, são apenas escolhas apaixonadas. Além disso, se o Inter ou o Grêmio vencem o campeonato, tanto faz, isso não interfere no valor do salário, da passagem de ônibus, no preço do leite ou no preço da gasolina.

Já a escolha de um Presidente da República é diferente. A escolha deveria ser pela razão, analisando fatos, ações, resultados, propostas, etc, e não pela paixão, como no futebol.

Para presidente, deve-se olhar o que cada candidato já fez na vida e quais são os valores humanos, sociais e coletivos que cada um defende e representa. Diferente do futebol, se for o “Lula ou o Bolsonaro que vencer o campeonato”, para cada candidato diferente que vença as eleições, isso vai representar resultados diferentes, e sim interfere no valor do salário, da passagem de ônibus, do preço do leite e do preço da gasolina.

Ou seja, a frase divulgada “isso não faz as pessoas melhores ou piores” é verdadeira quando aplicada à escolha do time de futebol, mas é FALSA quando aplicada à escolha do Presidente do país. Nesse sentido, usar afirmações e premissas verdadeiras para a escolha do time de futebol para associá-las à escolha do Presidente do país é um artificio argumentativo que visa enganar as pessoas. Isso se chama manipulação de linguagem.

Agora vamos analisar a frase divulgada “A escolha por um desses candidatos não define o caráter de alguém”. Diria que essa afirmação é no mínimo parcialmente falsa, pois pode definir. Vamos usar uma comparação para auxiliar no raciocínio: na Alemanha nazista, a escolha de apoiar o Hitler e a escolha de apoiar o time de futebol do Bayern de Munique – tem diferença?

Sim, a opção política a favor ou contra o Hitler na época falava sobre o caráter das pessoas, a tal ponto que os expoentes nazistas foram posteriormente condenados. Apoiar um candidato que usou camiseta com o nome e apoia publicamente o mais famoso torturador e assassino da época da Ditadura Militar, com a família, destacadamente o pai preso, fez uso de discursos de estupro, machistas, racistas, prepotentes … pode falar sobre o caráter da pessoa que apoia esse tipo de (má) conduta.

Como dizem, esses discursos tiram esqueletos do armário de seus apoiadores. Afinal, lendo as falas de Jesus Cristo na Bíblia, podemos formar uma opinião sobre seu caráter. Lendo e ouvindo as falas dos candidatos a presidente, especialmente analisando as ações e comportamentos anteriores, podemos formar uma opinião sobre o caráter de cada um deles.  

Dessa forma, as frases divulgadas são verdadeiras para escolha de um time de futebol, mas são falsas quando aplicadas à escolha de candidatos políticos, como no caso da Presidência da República.

As recentemente famosas “terras raras”, minerais considerados “o novo petróleo do século”, estão no centro da atual disputa presidencial. O Brasil, com uma das maiores reservas mundiais, poderia se transformar na “Noruega deste século” a partir dessa riqueza.

Na reunião da ONU desta semana, o atual império lançou o “Escudo das Américas”, que prefiro chamar de “Ameaça ou Assalto das Américas”, cujo objetivo declarado é combater o terrorismo, e o objetivo semiescondido é garantir a “segurança do fluxo das terras raras”, para o norte, claro, para o império. Entre os candidatos à presidência, um assegura a riqueza das terras raras para o Brasil e o outro para os Estados Unidos. Ou seja, a opção entre um ou outro candidato definirá se aproveitaremos, ou jogaremos fora, a oportunidade de desenvolver o país a partir da riqueza dos minérios das terras raras que possuímos. Ou seja, TMJ para o bem e, infelizmente, também para o mal.

Na mesma linha, em publicação do dia 23/09, com o título “Flávio e a sombra dos milicianos”, o jornal Estado de São Paulo opina que os eleitores têm liberdade para dar seu voto, mas chama a atenção para “que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República”.

Parece evidente ser um alerta de que a escolha do candidato a presidente passa a ser uma escolha entre democracia e milícia, que em certa medida poderia ser interpretado como uma opção entre soberania democrática ou submissão ao crime organizado.

Estamos tão vinculados ao resultado das eleições que a diferente escolha entre os candidatos a Presidente causará consequências e resultados diferentes, que atingirão a todos (estamos juntos), seja para o bem ou seja para o mal.

O resultado das eleições será importante para democracia, para o Brasil e para o mundo, especialmente em função do aumento dos movimentos de extrema direita nas denominadas democracias ocidentais, destacadamente na democracia ou império estadunidense, que se encontra em declínio. O resultado vai configurar uma maior ou menor esperança dos brasileiros e das brasileiras poderem viver suas escolhas e seus caminhos, sem medo de que isso represente uma ameaça às suas vidas.

Autor: João Carlos Loebens. Também escreveu e publicou no site “Nunca foi contra a corrupção”: www.neipies.com/nunca-foi-contra-a-corrupcao/

Edição: A. R.

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