A fábula “O lobo mau e os três porquinhos”

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Nós educadores, pais e demais adultos, temos que refletir sobre o dano que pode ser provocado no desenvolvimento físico, emocional, psicológico, social e espiritual do infante e adolescente que permanece fixado por longo tempo nas telas digitais, já comprovado cientificamente, e oferecer opções mais saudáveis, como a audição, leitura ou visualização de uma boa história, entre outras.

Era uma vez…

Mamãe porca se deu conta que seus três filhos porquinhos já estavam crescidos e não dependiam mais dela para sobreviver.  Ela, conversando com eles, explicou que agora eles estavam livres para construírem suas vidas sem ela.

Os três irmãos se chamavam:  Cícero, Heitor e Prático, saíram do lado da mãe para o mundo, mas, antes, ela lhes disse: “Tenham cuidado com o Lobo Mau, ele está sempre procurando algum porquinho para matar a sua fome”. O trio estava tão feliz com a liberdade que nem deram muita atenção ao último conselho da mãe.

Prático logo pensou em fazer sua casinha utilizando palha, pois era mais fácil de conseguir o material e simples de fazer, ficaria logo pronta e ele teria mais tempo para brincar e se divertir. Heitor escolheu fazer sua casinha de madeira, daria um pouco mais de trabalho, mas era mais firme e segura. E assim o fez.

Quando terminou de pregar a última tábua, Prático já lhes estava convidando para passearem e brincarem. Cícero decidiu fazer sua casinha de tijolos; levaria mais tempo, daria mais trabalho, teria que fazer o alicerce de pedra, colocar, depois, tijolinho por tijolinho, levantar as paredes, pôr o telhado, mas seria sua casa para toda a vida.

Prático e Heitor cansavam de ir buscar Cícero para passear e brincar, ele estava sempre muito ocupado, construindo sua casinha que, por sinal, estava ficando muito bonita, forte e aconchegante. Por mais que os manos insistissem ele não abandonava o trabalho. Depois de muito tempo, ela ficou pronta. Era grande, tinha lareira com fogão e chaminé. Nesse dia, ele prometeu aos irmãos que ele iria passear e brincar com eles. Mas na noite daquele dia, quando prático preparava seu lanche da noite, bateram fortemente na porta. Ele levou um susto e perguntou: – Quem está aí querendo entrar? E a resposta foi: – É o lobo, abra a porta! Prático respondeu, tremendo de medo: – Não vou abrir a porta, vá embora…O lobo respondeu: – Não precisa abrir. Vou assoprar e sua casinha de palha vai para os ares! E assim ele fez, deu dois sopros fortes e a casa se desmanchou. Prático, em meio a palhas voando, saiu correndo até a casa de Heitor que abriu a porta para ele entrar, enquanto ele contava o que estava acontecendo e trancarem a porta. Em seguida o lobo bate fortemente na porta, gritando: – Abra a porta que eu quero entrar. Heitor respondeu: – Não vou abrir, vá embora. O lobo respondeu: – Então eu vou assoprar. E assoprou tão forte que na terceira vez a casa de madeira se desmanchou. Os dois irmãos correram para a casa de Cícero que os acolheu e fechou a porta, trancando-a bem.  Disse aos manos que tremiam de medo: – Fiquem tranquilos porque a minha casa o lobo não consegue destruir, ela é bem forte. Logo o lobo bate à porta, gritando: – Abra que eu quero entrar e pegar os três juntos. Heitor respondeu – Não vou abrir, pode soprar à vontade.  Então Cícero, muito calmo, colocou uma panela grande com água para ferver pois o fogo já estava aceso na lareira.

O lobo, do lado de fora, assoprava, assoprava, assoprava e a casa nem se mexia. Depois de certo tempo ele já estava sem fôlego e resolveu deitar-se na grama para se recuperar. Olhando para cima do telhado viu a chaminé e logo pensou: – É por lá que eu vou entrar na casa e surpreender os três porquinhos. Dentro de casa, na lareira a água da panela já estava fervendo.  O lobo subiu pelo telhado até a chaminé e entrou, se espremendo de costas até seu rabo entrar dentro da água fervendo na panela. O lobo deu um urro e subiu ligeiro, saindo, até saltar do telhado e embrenhar-se na floresta que tinha na frente da casa de Cícero. Dizem que ele está correndo até hoje…

Os três porquinhos ficaram muito felizes porque o lobo foi embora. Cicero aproveitou a água que fervia, para fazer uma sopa gostosa para jantar com os manos num clima de muita alegria e convidou-os para morarem com ele na sua casinha de tijolos. Eles aceitaram o convite e viveram juntos com muito afeto.

Uma breve explicação!

Por que contar fábulas para as crianças da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino Fundamental?

A fábula é uma história imaginária na qual os animais assumem características humanas apontando as fraquezas dos homens e servindo de alerta contra tais fraquezas. Ela é uma forma literária que utiliza a linguagem simbólica para passar uma mensagem moral, reunindo o útil ao agradável. Geralmente conquista a aceitação espontânea entusiasta da criança e do adolescente pois reúne elementos úteis à vida da pessoa, são do seu conhecimento, têm significado, são compreendidos e assimilados. Vai ao encontro das expectativas do que gostamos, pensamos e sonhamos e o seu desfecho desperta a vontade de realizar o que a fábula está propondo.  O objetivo da boa fábula é introduzir na imaginação humana, através da inteligência emocional, a mensagem da verdade, do que é bom, útil e belo, de forma amena e prazerosa.

A história simples, pura, eloquente, adequada à faixa etária da criança, ajudará a criar imagens mais cristalinas, vivendo as fases e etapas de enobrecimento dos personagens em foco, criando quadros positivos que repercutirão mais tarde na sua vida física, emocional e espiritual, quando se imagina vivendo as aventuras dos personagens.  O petiz sente prazer, encanto, deslumbramento, ele tem facilidade em fantasiar o mundo que o rodeia. Este poder mágico do pensamento infantil é intuitivo, desenvolto, vivaz, exuberante. Nesta fase, para ele tudo tem amina (alma), vida, sentimento, tanto os objetos como todos os seres da natureza.

A boa narrativa é um estímulo que contribui para desenvolver as diversas dimensões da inteligência. A sequência dos fatos ocorridos na história ajuda a desenvolver a memória e o senso lógico e sua capacidade de raciocinar. Ativa a imaginação e a criatividade pois amplia as experiências já possuídas, além de enriquecer o vocabulário, pois a criança adquire novas formas de expressão da linguagem escrita e falada.

A fábula ajuda a educar as emoções básicas como o medo, a tristeza, a raiva, a alegria, a afetividade e desperta a curiosidade.

O Lobo Mau e os Três Porquinhos oferecem esta possibilidade de a criança perceber estas emoções nas peripécias que eles passam: a raiva do que o lobo fazia, o medo de enfrentar este desafio, a tristeza de ver sua propriedade destruída, a frustração, a possibilidade afetiva de encontrar apoio nos irmãos, a união entre os pares, a alegria de ver o lobo ir embora. O lobo representa o desafio a ser enfrentado no futuro, a floresta representa o mundo desconhecido para onde o lobo foi.  Ficaram unidos, pois o lobo poderia voltar…no meu entendimento ele ainda está fugindo daqueles três sapecas… já tenho escrita nova fabula da recuperação do lobo, ex mau. Aguardem!

Nós educadores, pais e demais adultos, temos que refletir sobre o dano que pode ser provocado no desenvolvimento físico, emocional, psicológico, social e espiritual do infante e adolescente que permanece fixado por longo tempo nas telas digitais, já comprovado cientificamente, e oferecer opções mais saudáveis, como a audição, leitura ou visualização de uma boa história, entre outras.

Autora: Gladis PedersenPedagoga, especialista em educação – gladispedersen@gmail.com Também escreveu e publicou no site “A arte de contar histórias”: www.neipies.com/a-magia-da-arte-de-contar-historias/

Edição: A. R.

4 COMENTÁRIOS

  1. Adorei a explicação sobre o sentimento que uma criança apresenta quando ouve uma boa história.A professora Glades conta maravilhosamente todas elas . Gratidão por compartilhar esses conhecimentos com a humanidade.

  2. Esta fábula, recontada por Gladis Pedersen, representa muito para a nossa literatura e para a humanização de nossas crianças. Parabéns!

  3. Gratidão professora Georgina, a criança precisa da presença cativante da adulto que conta histórias para ela. É um momento mágico de interação enquanto corre, entre os dois, o rio da história…

  4. EXCELENTE EXPLICAÇÃO SOBRE A FÁBULA DOS 3 PORQUINHOS. NOSSAS CRIANÇAS PRECISAM VALORIZAR O AUTO ESFORÇO, A VONTADE, SUPERAÇÃO, SOLIDAREIDADE, SEGURANÇA, AMIZADE… VALORES QUE OS AUXILIARÃO A ENFRENTAR OS DESAFIOS EXISTENCIAS…
    PARABÉNS GLADIS!

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