A honestidade como horizonte de um Brasil ético e com decência

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Num cenário onde imperam a impotência,
o cinismo, a cultura do ódio e a falta de esperança,
a honestidade é o horizonte de um Brasil
que pode se reconhecer um país ético e decente.

 

Se houvessem meios de aferir a vontade dos brasileiros creio que, agora, seríamos quase uma unanimidade. Estamos quase todos cansados do sentimento de impotência diante da possibilidade de construírem-se cercas entre países, do cinismo que move políticos que agem no sentido de blindarem-se das consequências de seus ilícitos, da cara de pau de um governo que nomeia, sem pudor, suspeitos e notórios ladrões da coisa pública.

Elegemos (meia culpa) políticos que ascenderam por herança. Grande parte deles é remanescente de famílias historicamente assentadas em cadeiras de poder e, ouso dizer, historicamente ignorantes do que seja público e do que seja privado.

 

Ética e política sempre andam juntas. Veja este trabalho de estudantes, juntando charges sobre ética e política.

 

Acredito que a maioria de nós gostaria que fossem banidos por perpetuarem práticas notórias de compra de votos, de engodos tão bem arquitetados a ponto de angariarem eleitores pela repetição de políticas de convencimento pela força argumentativa e pressão psicológica. Os brasileiros, em grande medida, são reféns de políticos profissionais.

 

Impeachment de Dilma feriu a democracia

Está escancarado o plano criminoso de destituir a Presidente Dilma, ferindo de morte a democracia tão arduamente conquistada. Abriram-se precedentes perigosos, com argumentos frouxos e com o convencimento de que um partido, uma vez apontado à exaustão e pela força da repetição, seria sozinho responsável pela corrupção epidêmica no nosso país.

A profusão de “verdades viralizadas” nas redes sociais faz um estrago enorme. Perdemos a credibilidade, uma vez que, sem a devida verificação, reproduzimos pérolas, como uma que ouvi recentemente: “sabia que Marisa Letícia era funcionária do Congresso Nacional e recebia R$ 68.000,00 e agora Lula vai receber pensão?”

Você tem tempo para reproduzir isso e não tem tempo de verificar se é boato? Meu amigo, minha amiga, você está de má fé! Pensa bem!

Se quisermos unificar nossa indignação como povo brasileiro, sejamos verdadeiros, mesmo que, às vezes, como todo mundo, estejamos equivocados. Sejamos honestos conosco e com os outros.

O professor, escritor e ativista de direitos humanos Nei Alberto Pies defende o combate à corrupção como um dever cívico de todos os brasileiros e brasileiros. Reconhece a corrupção endêmica, sistemática e fruto de um sistema político falido e que não representa o conjunto de interesses da população brasileira. Veja mais.

Precisamos de alguma forma de aferição da nossa vontade, que é, para todos, que o Brasil seja respeitado, seja uma nação democrática e que o trabalho dos brasileiros reverta em benefícios dele mesmo.

A honestidade, quando exercida, abre nossos olhos, para que enxerguemos a desonestidade onde ela está. Sem subterfúgios, com boa vontade.

Os norte-americanos têm a vantagem de conhecer as verdadeiras intenções do seu Presidente. Ele é notoriamente uma caricatura, que não esconde o que pensa.

No nosso caso, lidamos com interesses escondidos e escamoteados por uma camarilha despudorada e carente de princípios éticos. Durma-se com um barulho desses! Carecemos de inteligência e de boa vontade para desmascarar mentiras, mesmo que, travestidos de povo indignado, estejamos procurando por justiça nos lugares errados.

Anseio por meios de unificação do que nos dividiu nos últimos anos. Sejamos brasileiros, antes de sermos de esquerda e direita, do bem e do mal e, na medida da honestidade com nós mesmos, sejamos honestos publicamente.