O resultado das urnas reflete esta vontade manipulada pela grande mídia e pelas big techs. Mais de 90% dos brasileiros deploram a corrupção, mas os envolvidos no caso Master foram eleitos!
O Brasil se define como uma república democrática. República (“coisa pública”) é uma concepção de Estado baseado na igualdade de todos perante a lei, na alternância do exercício de governo, na independência dos poderes, na soberania do povo e na busca do bem comum. Democracia (“poder do povo”) é um sistema de governo no qual o poder político pertence ao povo, que o exerce diretamente ou mediante representantes que elege livremente.
O Brasil foi às urnas, no primeiro turno, para escolher os cidadãos e cidadãs aos quais delegou o direito de elaborar e aprovar leis e executar políticas que atendam seus interesses e assegurem a plena cidadania política e social a todos os cidadãos. Tanto os meios de comunicação social como os próprios agentes políticos e as autoridades constituídas gostam de proclamar em alto e bom tom que esta foi uma grande celebração da democracia.
Longe de mim negar o valor do voto universal e das eleições periódicas, transparentes e livres. O voto do empresário tem o mesmo peso que a escolha do operário. A vontade do militante vale tanto quando o voto de protesto do indiferente. Em tese, estamos livres dos sistemas autocráticos e monocráticos, pois a independência e a harmonia entre os poderes estão asseguradas. Sim, as eleições são uma grande e bela festa da democracia!
Mas, para que seja real e não uma mera formalidade, a democracia tem alguns pressupostos.
E o primeiro elemento que o efetivo exercício da democracia supõe é a correta compreensão daquilo que chamamos povo e da sua vontade objetiva. Povo não é um conceito fluido e indiferenciado, mas uma maioria qualificada que se diferencia e opõe àquilo que chamamos elites (econômica, cultural, financeira, política). O poder emana dele, e está a serviço dele.
Quanto à vontade objetiva e legítima do povo, não podemos presumir ingenuamente que seja aquilo que se revela no resultado das urnas. Uma coisa é a vontade objetiva, que coincide com suas necessidades e direitos fundamentais (à vida, à liberdade, ao trabalho, à saúde, à educação, à segurança, ao bem-estar, etc.); outra é a vontade subjetiva, que sofre influência dos medos (reais ou produzidos), das ambições e das manipulações da cultura e da mídia.
O resultado das urnas reflete esta vontade manipulada pela grande mídia e pelas big techs. Mais de 90% dos brasileiros deploram a corrupção, mas os envolvidos no caso Master foram eleitos!
80% querem o fim das bets e 70% querem o fim da escala 6×1, mas os candidatos que as defendem foram os eleitos! Os trabalhadores e aposentados lutam por aumento de salários e pensões, mas elegeram políticos que são contra. As árvores da floresta tombam uma a uma, mas o machado as convenceu que é uma delas por ter o cabo de madeira…
Autor: Dom Itacir Brassiani. Também escreveu e publicou no site “Quando a soberania de um povo corre perigo”: www.neipies.com/quando-a-soberania-de-um-povo-corre-perigo/
Edição: A. R.












80% querem o fim das bets e 70% querem o fim da escala 6×1, mas os candidatos que as defendem foram os eleitos! Os trabalhadores e aposentados lutam por aumento de salários e pensões, mas elegeram políticos que são contra. As árvores da floresta tombam uma a uma, mas o machado as convenceu que é uma delas por ter o cabo de madeira…
Autor: Dom Itacir Brassiani.