Estudamos a cultura indiana e as religiões que se originaram por lá como o Hinduísmo e o Budismo em aulas de Ensino Religioso com estudantes das séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Assistimos, com certo interesse, reportagens produzidas por meios de comunicação sobre a história deste país, de seus habitantes e de seu imenso rio Sagrado: o Rio Ganges.
Aos poucos, depois de palestras, leituras e estudos estamos aprendendo e valorizando aspectos da cultura particulares daquele lugar. Nutrimos, talvez um dia, desejos de uma viagem para a incrível Índia, justamente por seus aspectos particulares e diferenciados.
Conhecemos pessoas do nosso convívio e de nossas relações que já fizeram a incrível experiência de visitar e conhecer este tão emblemático país, seja por suas grandes e controversas diferenças, seja pela justificação dos aspectos culturais e religiosos lá vivenciados.
Convidamos Nelci Zorzi, enfermeira obstetra e doula, que fez parte de uma viagem conduzida por Vanessa Shakti. Em matéria similar, construímos publicação sobre experiência de viagem familiar com Marilise Brockstedt Lech, já publicado no site, link: https://www.neipies.com/incrivel-india-por-que-visita-la-e-conhece-la/


Qual foi sua motivação para fazer uma viagem para Índia?
Sempre tive um desejo pessoal de visitar, de viajar para essa Terra Sagrada chamada Índia. A escolha para visitar a Índia sempre foi um grande desejo, um chamado espiritual, uma guia para dentro do coração, algo quase que inexplicável.
Uma visita para entender a grandiosidade da Índia tão diversa, assim como nosso mundo interno, para entender a multiplicidade de Índias e seres. Conhecer paisagens, diversidades culturais, religiosas e espirituais, mas, principalmente, querer fazer uma viagem onde o movimento é interno, onde se busca autoconhecimento, curas, respostas e foco no propósito de Vida.
A Índia é uma terra sagrada, rica espiritualmente, um país milenar. Pisar neste solo sagrado foi um retorno para casa, acessar uma profunda onda de transformação, conexão com a minha mais pura e verdadeira essência.
Que aspectos culturais e religiosos chamaram a sua a atenção?
Na Índia existem muitas culturas, muitas religiões, pilares espirituais de um país com uma história milenar. A riqueza nesse aspecto é tão maravilhosa e rica.
No entanto, pode-se ficar confuso em meio a tantas informações se não formos com um foco específico de viagem. Meu foco foi ver a Índia cheia de vida, sacralidade e portas abertas para a transformação.
Nossas guias nos conduziram com sabedoria, silêncio e amorosidade para olharmos para essa Terra Sagrada como peregrinas. Não fomos com intuito de turismo apenas, e, sim, de peregrinação para que pudéssemos olhar e perceber um lugar Sagrado. Que pudéssemos absorver toda essa cultura, ancestralidade milenar como códigos luminosos que ficassem escritos em nossas almas.
Muitos locais como Templos de Meditação, Asharams, escolas de músicas indianas, rituais, o rio Ganges, também chamado de Mãe GANGA, Escolas de artes, restaurantes com culinária local, as ruas da Índia, a simplicidade e a alegria do povo, a culinária, o cheiro…. isso tudo me levou a mergulhos profundos, visões. Tudo isso é também uma forma de honrar e agradecer este povo indiano.


Alguns locais visitados nesta viagem que destacamos:
1 – RISHIKESH – Um local, uma cidade que aquece o coração, onde os olhos e o coração silenciam, onde a meditação, o silencio e a entoação de Mantras estão em todo local. Muitos mochileiros, peregrinos, buscadores, muitas escolas da formação de Yoga, com uma atmosfera lindamente banhada pelo RIO GANGES, mãe GANGA aos pés dos Himalaias, Rituais de cantos, orações, mantras e banhos acontecem nas margens e no interior do rio. Aqui a Ganga flui linda e bela, cristalina, próxima a nascente. Nesse local realizamos o ritual do banhar-se em suas águas e sentar as margens ficar admirando um fluir divino das águas, quase inexplicável em palavras. Uma mãe em forma de Rio, cura, silencia, transforma, somente vivendo para entender.
2 – TEMPLO TUSHITA – MEDITATION CENTER, na cidade em Dharamshala, Himachal. Um Centro Budista de meditação, estudo e retiros, local no meio da natureza, de paz, harmonia, silêncio, entre as montanhas, num local mais remoto do Vilarejo.
3- GOLDEM TEMPLE
O Templo Dourado em Amritsar é uma lição sobre senso de comunidade. Visitar o Templo Dourado da religião Sikh na Índia é uma experiência incrível para qualquer viajante. No Templo Dourado em Amritsar encontra-se a maior cozinha comunitária do mundo, só por isso já valeria uma visita.
Mas tudo fica ainda mais interessante quando você entende quem são os Sikhs, o que é o Sikhismo e o que o Templo Dourado representa para a comunidade. Todods os templos Sikhs são centros comunitários e dentre os vários aspectos possuem um exemplar do livro sagrado, sala de orações e uma cozinha comunitária (Langar).
Quem são os Sikhs?
O Sikhs são seguidores do Sikhismo, uma religião monoteísta fundada há mais de 500 anos na região de Punjab, norte da Índia, pelo Guru Nanak nascido em 1469. Dentre as principais crenças estão a fé num Deus único e sem forma e nos ensinamentos dos dez gurus sagrados. Todos estes ensinamentos foram transcritos para o Sri Guru Granth Sahib, o livro sagrado dos Sikhs.
4 – NORBULIKGA – CENTRO DE ARTE E CULTURA TIBETANA
Um Templo cheio de arte e cultura, onde se mantém os ensinamentos Tibetanos. Um local lindo, com arquitetura impecável, em meio ao verde e águas em movimento, belíssimo. Uma visita que guardaremos no coração!
Lá você observará a tecelagem, tingimento, pintura e confecção de tecidos e roupas. Artesanato, esculturas, fundição, enfim é um completo centro de preservação da arte e cultura tibetana!!
5 – TEMPLO DE DALAI LAMA
Dalai Lama, nome que significa “Oceano de Sabedoria”. Um espaço sagrado simples e harmônico, onde orações e devoção ao budismo se somam em cada espaço no meio da natureza das montanhas.
Em 1959, após o fracasso de uma rebelião nacionalista contra o governo chinês, Dalai Lama, junto com um grupo de líderes tibetanos e com seus seguidores, a convite do governo indiano, exila-se na Índia e aí instala provisoriamente o governo tibetano, nas montanhas de Mussoorie na cidade indiana de Dharamshala. Ali entendemos e pudemos vivenciar as regras do Bem-estar de acordo com o BUDISMO.
6 – LODI GARDEN, que é um parque urbano, com Mausoléus antigos ícones da arquitetura indiana do século XV. Situado em meio ao agito de Nova Deli, na Índia. Espalhado por 90 hectares contém o túmulo de Mohammed Shah, o túmulo de Sikandar Lodi, o Shisha Gumbad e o Bara Gumbad, obras arquitetônicas fantásticas.
Seu espaço interno é maravilhoso, espaço verde, cheio de árvores, flores, gramas onde muitos praticam yoga, e uma vasta quantidade de aves, esquilos e muitas espécies lindas da flora e fauna local!
7- Um local que encanta: O TAJ MAHAL (em hindi: ताज महल) é um mausoléu situado em Agra, na Índia, sendo o mais conhecido dos monumentos do país. Encontra-se classificado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Foi anunciado em 2007 como uma das sete maravilhas do mundo moderno.
A obra foi feita entre 1632 e 1653, com a força de cerca de 20 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no suntuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal (“A joia do palácio”). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.
Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Alcorão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes. Supõe-se que o imperador pretendesse fazer uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou morto antes do início das obras por um de seus filhos.
8 – Outro local que enche os olhos e inunda o coração de emoção – FORTE VERMELHO, Em Nova Dehli, ÍNDIA
Este complexo grande e com muros vermelhos apresenta um longo período da história e da arte da Índia a partir do reinado dos imperadores mogóis no país.
O Forte Vermelho, em Nova Délhi, tem esse nome por causa das enormes paredes de arenito vermelho, que ficam a 33 metros (110 pés) de altura em algumas partes. Os muros foram construídos para manter invasores afastados durante o reinado do imperador mogol da Índia Shah Jahan, no século XVII. Shah Jahan também ficou famoso por fundar o Taj Mahal. Hoje, o Forte Vermelho é um destino turístico popular, atraindo milhares de visitantes todos os anos.
Quais as diferenças sociais e culturais mais evidentes e perceptíveis em território indiano?
Ao iniciarmos a viagem na chegada a Índia, na capital Dheli, nas ruas desta grande capital, já se observam as diferenças e desigualdades sociais.
A desigualdade social é um problema grave na Índia, onde uma pequena elite controla grande parte da riqueza do país. Isso leva à exclusão social e econômica de muitos cidadãos indianos. Observa-se ao andarmos pelas ruas, também ao pisarmos na Índia, neste solo sagrado.
Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Alcorão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes. Supõe-se que o imperador pretendesse fazer uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou morto antes do início das obras por um de seus filhos. meu olhar não foi discriminatório e sim pensando nas transformações internas dessa peregrinação que fizemos e nos preparamos para tal.
Através de guias locais também foi informado que muitos indianos vivem abaixo da linha da pobreza e que o governo estuda junto a outros órgãos e ONGS maneiras de estabilizar este quadro social, que conta também com questões culturais fortes que acabam influenciando drasticamente em algumas ações.
Sua percepção sobre religiosidade, mística e cultura de não-violência (ensinamentos de Mahatma Gandhi) junto ao povo indiano.
Eu acredito que em todos os locais que visitei junto ao grupo de peregrinação ao qual fiz parte, via e sentia os ensinamentos deste grande líder espiritual, na simplicidade das pessoas, na amorosidade, no sorriso, na alegria e no silenciar, no meditar, estar presente. Também no respeito ao animal sagrado que é VACA, um Deus sagrado, e em uma imensidão de Deuses e Deusas, na entoação de MANTRAS em todos os locais, casas, templos sagrados, comércio nas ruas, na partilha entre todos os povos. Vê-se o amor e a partilha do alimento em todos os espaços, especialmente nas classes menos favorecidas.
Obtive muitos ensinamentos com grandes mestres, rituais religiosos, budistas, devoção a cada gesto e, o principal: aquietar a mente através da meditação, silêncio e entoação de mantras.
O que a Índia tem a nos ensinar?
Eu diria que como peregrina e turista, mas principalmente como turista, o aprendizado que levo que é um chamado, um resgate da alma, um reencontro consigo mesmo, uma viagem interior.
“A diferença entre o Turista e o Peregrin é que este torna sagrado os lugares que visita, traz para dentro de si a força e a mística transformadora daquela natureza, se permitindo visitar lugares inusitados dentro de si mesmo e com a consciência desperta abre-se para dar passos em direção a verdadeira natureza do ser” (Jean Yves Leloup)
O povo, os aromas de incensos, perfumes, alimentos, temperos, culinária, entoação de mantras em todos os locais, orações, cantos, meditações, louvores, em todos os locais nos fazem olhar pra vida com outro olhar: olhar do silêncio, do despertar, do amor e respeito ao próximo.
Sim muitos problemas sociais se observam, mas o olhar do peregrino vai além disso.
Por que recomendaria uma viagem para Índia?
Índia: um país milenar, de história, culturas, aromas, magias, povo que encanta.
Por ser tão belo compartilhar rituais tão ancestrais, milenares e curativos. Por ser uma terra Sagrada, que tanto nos ensina.





Conheça também matéria do site para Templo Budista de Três Coroas, RS, realizada com estudantes do Ensino Fundamental de uma escola da rede municipal de Passo Fundo, no ano de 2019: www.neipies.com/viagem-de-conhecimentos-templo-budista-tres-coroas-rs/
Edição: A. R.












Obrigada, Nelci Zorzi, por ter topado nos contar um pouco desta interessante viagem à Índia.
Parabéns!