Tradicionalismo e sociedade: combate à violência contra a mulher no Rio Grande do Sul

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“Nos alicerces da história, sustentando toda uma raça, erguem-se gigantes — mulheres que, como o próprio sol, iluminam e aquecem a alma do nosso povo. Elas sopram esperança em forma de vento e firmam as bases desta estirpe chamada: MULHER!”

Apresentamos, nesta publicação, interessante reflexão de Bárbara Vitória Spannenberg Vieira sobre os desafios do tradicionalismo diante das realidades da violência contra as mulheres no RS.

Segue o texto.

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Saudações tradicionalistas!

Conforme a temática proposta feita pela Gestão de Prendas e Peões 2025/2026 no último Congresso Tradicionalista do MTG/RS realizado na cidade de Cachoeira do Sul: “O Tradicionalismo dos Galpões à Sociedade: Movimento Tradicionalista Gaúcho no combate à Violência Contra a Mulher”, reafirmamos nosso compromisso com a dignidade humana e com a valorização da mulher gaúcha em todos os espaços da sociedade.

O Movimento Tradicionalista Gaúcho, por meio de sua Carta de Princípios, em seu ítem IX:  orienta que se deve “defender os princípios da liberdade e da dignidade do ser humano”. É com base nesse compromisso ético e social que, em 2025, o MTG propõe como tema anual a urgente e necessária reflexão sobre o combate à violência contra a mulher no Rio Grande do Sul.

Conforme o Atlas da Violência, nosso estado apresentou uma das maiores taxas de feminicídio do Brasil, números evidenciam a dor de mulheres que, muitas vezes, silenciam diante do medo e da opressão. Esses números não são apenas estatísticas — são gritos silenciados, histórias interrompidas, famílias devastadas. E diante disso, o tradicionalismo não pode ser apenas guardião de danças, músicas e indumentária — deve ser também instrumento de transformação social, de resistência e de acolhimento.

A mulher gaúcha, que já foi tropeira, costureira, educadora, guerreira, líder, protagonista em tantas frentes históricas e culturais, não pode ser esquecida quando mais precisa ser defendida. Figuras como Nilza Lessa, primeira coordenadora do Departamento de Prendas do MTG, referência na integração entre arte e liderança feminina, são exemplos de mulheres que abriram caminhos com coragem e visão dentro do tradicionalismo mostrando que o protagonismo feminino caminha lado a lado com a tradição.

Como prenda, não representamos apenas a beleza da tradição, mas também o seu poder de educar. Precisamos ocupar nossos CTGs com projetos que fortaleçam o respeito, o acolhimento e a denúncia da violência. Precisamos ouvir, orientar, dialogar, promover rodas de conversa, fortalecer vínculos e proteger aquelas que são a base de nossos lares, entidades e comunidades.

O tradicionalismo não pode compactuar com discursos ou práticas que silenciem o sofrimento feminino. Deve, ao contrário, se posicionar com firmeza e empatia. A tradição gaúcha, que reverencia a força da mulher na lida campeira e na construção da identidade do Sul, deve também ser aliada na luta por equidade, segurança e justiça.

Em minha participação em gestões internas pesquisamos sobre prendas, a mulher gaúcha e seu papel na sociedades como os afazeres domésticos da época farrapa, homenageamos na avenida no desfile farroupilha heroínas de nosso tempo e promovemos atividades junto à Liga Feminina de Combate ao Câncer com temáticas do período, sendo assim, acredito que possamos realizar junto à Defensoria Pública, Procuradoria da Mulher na Câmara e à Coordenadoria da Mulher muitos eventos de conscientização e combate à violência.

Que o lenço no pescoço seja também símbolo de luta, que o vestido de prenda carregue, além de beleza, coragem, que o galpão seja espaço de cultura, mas também de escuta e acolhimento. E que o tradicionalismo gaúcho, com sua força e raízes profundas, seja também solo fértil para o florescer de uma sociedade mais justa, igualitária e livre de violência!

Que sejamos porta-vozes de um tempo novo, onde a tradição rime com proteção, e a cultura caminhe ao lado da justiça. E que a Ciranda, mais do que um concurso, seja uma roda de união, consciência e protagonismo. Porque não há tradição que sobreviva sem o respeito à vida. Porque nenhuma mulher deve ter medo de existir!

Bárbara Vitória Spannenberg Vieira, Gaúcha da capital do Planalto Médio, II Semestre de Publicidade e Propaganda na UPF,  1ª Prenda do CTG Lalau Miranda – 7ª RT.

Autor da coluna: Alexandre da Rosa Vieira. Também escreveu e publicou  no site “A cultura gaúcha como síntese de união e  força social: www.neipies.com/a-cultura-gaucha-como-sintese-de-uniao-e-forca-social/

Edição: A. R.

1 COMENTÁRIO

  1. Nos alicerces da história, sustentando toda uma raça, erguem-se gigantes — mulheres que, como o próprio sol, iluminam e aquecem a alma do nosso povo. Elas sopram esperança em forma de vento e firmam as bases desta estirpe chamada: MULHER!”.
    (Da autora Bárbara Vitória Spannenberg Vieira)

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