Ao final da entrevista, o Coordenador do GEPES também destaca que “Não existe futuro sem educação e sem crianças e jovens que possam ter uma formação escolar que tenha compromisso com a proteção do mundo”.
No domingo (05/10), foi publicada, no site neipies.com, uma entrevista com o Coordenador do GEPES/UPF, Prof. Dr. Altair Alberto Fávero, com o título de “Boa universidade promove experiências formativas, realiza pesquisas, produz conhecimentos e tem compromisso com a comunidade”.
Na entrevista, o Coordenador do GEPES (grupo que, atualmente, possui mais de 60 integrantes, pertencentes a 13 Instituições de Ensino Superior, realizando seus encontros quinzenais por meio da plataforma do Google Meet) falou sobre como foi realizada a inspiração da criação do GEPES em 2010, sobre os princípios do grupo, e sobre as 15 coletâneas que foram produzidas pelo GEPES que, segundo Altair, “contam a história do Gepes e descrevem quais foram os estudos que marcaram este período”.
Altair também ressaltou a importância da continuidade e da socialização do que é estudado no grupo, com a divulgação dos estudos sendo um compromisso social com o conhecimento, relatando que, desde os primeiros encontros do GEPES, sempre disse que “um bom grupo de pesquisa é aquele que tem longevidade e reconhecimento para além do próprio grupo”.
Ao relatar sobre a trajetória do grupo ao longo dos seus 15 anos de atuação, o Coordenador do GEPES também destacou que o grupo nasceu e foi se constituindo em sua atuação “como um grupo plural de estudos e pesquisa, que pudesse agregar e promover a formação de novos pesquisadores”.
Ademais, Altair também destacou que um dos aspectos marcantes do GEPES que constituiu sua identidade desde o seu início e que ainda se faz presente é o “respeito ao espírito de acolhida e o respeito pelas trajetórias singulares de cada integrante”.
Sobre a formação de professores, o Coordenador do GEPES relata que não existe uma boa educação e uma boa universidade sem que haja formação de professores e um projeto cuidadoso que oportunize condições para a boa estruturação, fundamentação e robustez tanto da formação inicial quanto da formação continuada dos docentes, e que também seja promotora de um projeto democrático que promova a equidade, a justiça social e a preservação ambiental, aspectos que, segundo Altair, sintetizam os maiores desafios da sociedade contemporânea.
Sobre as temáticas de estudo do GEPES, Altair destaca que, no ano de 2024, a temática de estudo, pesquisa, discussão e escrita escolhida pelo GEPES foi a de “Currículo e Políticas Educacionais”, e que, ao longo de 22 encontros, foram lidos, apresentados e discutidos diversos textos sobre a temática, que resultaram na 15ª coletânea do GEPES, intitulada de Currículo e Políticas Educacionais (Fávero; Tonieto; Bellenzier; Bukowski, 2025), uma coletânea comemorativa aos 15 anos do Gepes.
Sobre o papel da Universidade, Altair relata sobre sua esperança na potencialidade da educação de modo geral e do papel da boa universidade como casa do saber, da formação cidadã, do pensamento crítico e do fortalecimento da democracia, e seu otimismo em relação á essa tópica, também destacando a importância da coragem de “fazer aquilo que tem de ser feito”.
Ao final da entrevista, o Coordenador do GEPES também destaca que “Não existe futuro sem educação e sem crianças e jovens que possam ter uma formação escolar que tenha compromisso com a proteção do mundo”.
Nossas experiências de vida nos fazem acreditar que temos um conhecido caminho a seguir: ou diminuímos o ritmo de extração daquilo que a natureza [matriz de tudo] nos oferece, respeitando sobretudo a sua regeneração, ou vamos direto ao abismo.
No começo dos anos 1970, Barbara Ward (1914-1981), economista britânica, já dizia sem cerimônias que “os dois mundos do Homem – a biosfera de sua herança e a tecnosfera de sua criação – estão desequilibrados, na verdade, em profundo conflito”.
Diretamente, o que mais quero dizer com isso – e a ciência ajuda a comprovar – é que nós, os modernos, estamos mudando o ambiente de sustentação da vida na Terra. E de forma muito rápida. Portanto, o pano de fundo, que fique claro, é um só: nossa sociedade humana está combinando muita atividade econômica com muita destruição ambiental.
E pior: não cessamos de fazer isso ignorando as restrições colocadas pela natureza.
A partir dos anos 1950, pós-guerra, na chamada “Grande Aceleração”, passamos a pisar com mais firmeza no acelerador da produção econômica. Resultado? Somente nos últimos 70, 80 anos houve mais mudança (rápida e extensa) do que em qualquer outro período comparável da história humana.
Dito isso, vamos esclarecer ainda mais: desde 2009, um grupo de 29 cientistas renomados definiram nove limites planetários que, se ultrapassados, desestabilizam o Sistema Terrestre. Desses nove, já ultrapassamos 7 – o último deles foi agora, com a acidificação dos oceanos.
Acontece que todas essas mudanças nos levam para um clima mais quente. Daí a imediata conclusão de que o bem-estar da civilização humana está em risco. Afinal, clima mais quente, e não é segredo, ameaça a disponibilidade de água, de alimentos, afeta a vida dos animais, os ecossistemas e assim por diante.
“Em conjunto”, argumenta Dipesh Chakrabarty, “nós exercemos um tipo de força que é tão grande que pode alterar o ciclo habitual das eras glaciais seguidas por períodos interglaciais – um ciclo de, digamos, 130 mil anos. De alguma forma, adquirimos o papel de uma força geológica – graças à nossa busca de tecnologia, do crescimento populacional, e da nossa capacidade de nos espalhar por todo o planeta”.
Abrindo de vez essa cortina, a verdade é que estamos alterando a vida biológica neste nosso planeta. Os números não mentem: setenta por cento dos sinais vitais da Terra estão em estado crítico. Metade das zonas úmidas do planeta já desapareceu. Um terço das terras aráveis do mundo está degradada.
Entre 1994 e 2017, a Terra perdeu 28 trilhões de toneladas de gelo, apontou pesquisa realizada pelas universidades de Leedse de Edimburgo junto com a University College London. Quarenta por cento das reservas hídricas da Terra podem desaparecer até 2030.
Relatório Estado dos Recursos Hídricos Globais 2023 da Organização Meteorológica Mundial, OMM, apontou que 2023 foi o ano em que os rios do mundo estiveram mais secos em três décadas. Já colocamos 1 milhão de espécies de animais e vegetais em risco de extinção. Noventa por cento de todos os corais (os ecossistemas mais vulneráveis do planeta) que sustentam pelo menos ¼ de toda a vida marinha já estão comprometidos e o capital natural mundial caiu 40% nas duas últimas décadas. Quer dizer, estamos consumindo a natureza.
Balanço feito, a combinação dessas adversidades, todas ligadas em grande parte ao aumento da globalização e de novas tecnologias, nos impõe ao menos três desafios contemporâneos: conter o avanço da crise climática; conter a erosão da biodiversidade; conter o aprofundamento das desigualdades.
Agora, nossas experiências de vida nos fazem acreditar que temos um conhecido caminho a seguir: ou diminuímos o ritmo de extração daquilo que a natureza [matriz de tudo] nos oferece, respeitando sobretudo a sua regeneração, ou vamos direto ao abismo. Em outras palavras, ou mudamos o nosso [problemático] estilo de vida consumista, ou teremos que aceitar, entre outros, a pesada expectativa de que, em 2050, poderá haver mais plástico que peixes nos mares.
A conta, por nossa sorte, é básica: para melhorar a qualidade de vida de nossos pares – 8,5 bilhões de habitantes – temos que cessar a pressão sobre a biosfera. Isso porque, melhorar a qualidade de vida, começando pela qualidade do ar, da água, do solo, dos alimentos, da vida nas cidades e nos campos, é, em síntese, a verdadeira ideia de modernidade e prosperidade que o mundo civilizado pode – e deve – almejar. O outro nome disso, fechando o raciocínio, é política da vida, seja a vida humana ou a não humana.
Assista também: LIVE – COP 30: O Futuro do Clima e o Papel do Brasil no Debate Global:
Agora, o prêmio só fortalece as posições belicistas dos Estados Unidos e a extrema direita no Continente. Paz? Que paz?
“The Lady” (Além da Liberdade: Um filme sobre a Birmânia) nos dá o caminho para poder mostrar o fosse entre a conquista do Prêmio Nobel da Paz em 1991 por Aung San Suu Kyl e o de 2025, por Maria Corina Machado.
Até os dias atuais, Aug San Suu Kyl luta na Birmânia (Mianmar) contra os militares assassinos que comandam o país desde o assassinato de seu pai. Ela passou 20 anos em prisão domiciliar, lutando por seus meios. Neste interim, morreu seu marido na Inglaterra, proibido de entrar no país para se juntar à sua esposa.
Já em 2025, o Nobel foi para a ativista da extrema direita, Maria Corina Machado, que não quer “libertar” o seu país, a Venezuela, do governo de Maduro, mas entregar o país e sua riqueza para os Estados Unidos, que com sua premiação já bombardeou embarcações daquele país, ameaçando agora invadir não só a Venezuela, mas a Colômbia também.
Em 1991, a premiação a Aug San Suu Kyl foi recebida pelo marido e os dois filhos, pois, se saísse do país, não conseguiria voltar. Ela voltara a sua terra natal para acompanhar a morte da mãe, tida como símbolo em lembrança ao pai assassinado pelos militares que estão no poder, permanece no país, liderando a oposição.
Agora, o prêmio só fortalece as posições belicistas dos Estados Unidos e a extrema direita no Continente. Paz? Que paz?
A primeira, vivia à luz no meio das lutas pela democracia. Presa, continuou lutando de forma pacífica para evitar mortes e reiteradas ações genocidas; a outra, escondida em algum lugar do país, como leio na mídia, abre caminhos aos ianques.
De fato, os tempos são outros. Tempos sombrios até no Prêmio Nobel.
Acreditar na democracia é reconhecer o valor da contradição, da divergência e das diferenças. É admitir o potencial educativo e transformador dos conflitos, o valor do dissenso e da mobilização social. É reacender a dimensão político-pedagógica da cidadania e o compromisso com a justiça social.
Sentir e pensar o processo educativo é como contemplar o mistério da semente. A semente nunca viu a flor, e a flor nunca viu a semente — assim como o fruto não conheceu nem a flor nem a semente. No entanto, todas essas fases se pertencem. A verdade da semente é a árvore: se a semente não se torna árvore, não cumpre sua vocação. E a missão da árvore é produzir frutos, condição para novas sementes, para futuras florestas.
Trazendo essa metáfora à realidade humana, é preciso compreender que o ser humano só cresce por meio de um esvaziamento plenificador. A semente que não morre não germina; não floresce nem se realiza como árvore.
É necessário aceitar a beleza da serenidade nos ciclos de nascer, amadurecer e morrer. O presente precisa tornar-se o articulador entre o passado que repara e o futuro que anima. Aqui o tema é subjetividade e memória. Como gestar um processo pedagógico que, inspirado na metáfora da semente, valorize a originalidade na produção literária e a autoria no ato de educar? Como educar sem sufocar a singularidade de quem aprende, e sem mecanizar a ação de quem ensina?
Os algoritmos, por sua vez, não correm o risco de serem apenas a morte da semente? O fim da escuta, o engessamento da criação, o emperramento do processo pedagógico?
A espiritualidade e a naturalidade não são dimensões opostas: ambas pertencem ao processo de formação humana.
A rigidez das verdades universais perdeu terreno. Vivemos o tempo das mentiras plurais, da pós-verdade — onde a mentira se afirma com autoridade e se veste de opinião.
Mente-se todos os dias. Mentir virou uma façanha da razão ardilosa. O imperativo categórico está em desuso. Vivemos o fingimento cotidiano, o simulacro como norma.
Mas ainda faz sentido falar em educação? Como afirmar a verdade quando a mentira impera, inclusive no plano epistêmico-pedagógico? Optar por uma sociedade democrática é crer que o poder deve emergir do povo, e que as decisões políticas devem atender ao bem comum. É garantir o direito de todos à moradia, à saúde, ao trabalho, à educação, ao lazer, ao transporte — enfim, à dignidade.
Acreditar na democracia é reconhecer o valor da contradição, da divergência e das diferenças. É admitir o potencial educativo e transformador dos conflitos, o valor do dissenso e da mobilização social. É reacender a dimensão político-pedagógica da cidadania e o compromisso com a justiça social.
A educação, nesse contexto, não é neutra. Educar é um ato de resistência. Em tempos de “pós-tudo”, educar para a verdade é semear em solo árido — mas ainda é plantar. E quem planta, ainda crê na possibilidade da colheita.
Nos últimos dois anos, testemunhei o brilho nos olhos dos alunos ao comprarem seus livros, tanto na Feira do Livro quanto nas visitas de livreiros à escola. Mais do que isso: ajudei a organizar, com dedicação e fé no projeto, a aquisição de boas obras pelos estudantes.
Dia 15 de outubro foi o Dia do Professor, mas não encontrei motivos para comemorar. Fui surpreendido ontem por uma notícia de arrepiar os cabelos — se eu não fosse careca. Piadas à parte, a verdade é que aproximadamente 5 mil alunos dos Anos Finais (6° ao 9° ano) do Ensino Fundamental não terão direito ao vale-livro este ano.
Quem acompanha meu trabalho, seja na internet ou nos espaços culturais da cidade, conhece meu engajamento com a escrita e a leitura. Como professor, escritor, membro da Sociedade dos Poetas Vivos (SPV) e da Academia Passo-Fundense de Letras – APLetras, é impossível não me sentir atingido.
Contudo, é como educador que a questão mais me dói.
Nos últimos dois anos, testemunhei o brilho nos olhos dos alunos ao comprarem seus livros, tanto na Feira do Livro quanto nas visitas de livreiros à escola. Mais do que isso: ajudei a organizar, com dedicação e fé no projeto, a aquisição de boas obras pelos estudantes.
Defendi o projeto Bora Lê inúmeras vezes, rebati críticas e salientei sua importância como política pública de fomento à leitura. E agora, isso…
Quando os alunos do 1º ao 5º ano receberem seus vales e estiverem escolhendo suas leituras, como direi aos outros, do 6º ao 9º ano:
— Vocês, não. Vocês, talvez, ano que vem…
A justificativa, segundo boatos, é reservar o vale-livro dos Anos Finais para a Jornada Nacional de Literatura. Isso faz algum sentido para você? Para mim, nenhum.
Convido a todos e todas os(as) leitores(as) deste prestigiado site do amigo Nei Alberto Pies para que conheçam e leiam a obra para entender as razões e os desafios PARA NÃO DESISTIR DA DOCÊNCIA.
Para não desistir da Docência é o título de uma linda coletânea, lançada no último da 15 de outubro, dia do professor, por iniciativa de meu grande amigo Celso Vasconcellos. É a terceira coletânea da UniProsa, “a Universidade que versa e prosa. A prosa que humaniza e dá sentido ao viver, numa sociedade complexa e contraditória. Uma entidade educacional Comunitária e Informal. Integrada por muitos educadores que amam o que fazem: Educar. E se educam com o que amam: a Educação Humanizadora e Emancipatória. São educadores de diferentes gerações diferentes culturas, diferentes saberes e diferentes experiência e vivências nos Territórios Educacionais” (http://uniprosa.com.br/pagina-exemplo/).
Fui convidado pelo amigo Celso Vasconcellos para fazer parte da UniProsa, no ano passado (2024) e me sinto muito honrado e feliz de fazer parte deste maravilhoso coletivo que me encanta e entusiasma todos os dias.
Fazem parte deste maravilhoso grupo, professores e pesquisadores que admiro de longa data. Não vou poder colocar aqui a lista completa, mas apenas para citar alguns começando por Vasconcellos, Terezinha Rios, Jaqueline Moll, José Carlos Libâneo, José Pacheco, Bernad Charlot, Pedro Demo, Maria de Lourdes Rangel Tura, Valdo Cavallet, Susan Cavallet, Maria Amália Santoro Franco, Leonardo Palhares dentre muitos outros.
Desde o momento que passei a fazer parte da UniProsa passei a trocar mensagens com frequência com Vasconcellos e em novembro tive a oportunidade de assistir presencialmente uma conferência no Evento do Endipe em João Pessoa/PB. No dia 2 de julho deste ano recebi a seguinte mensagem:
Estou escrevendo um texto (“Para Não Desistir da Docência”), dirigido diretamente aos professores, neste momento tão delicado.
Pensei que poderia se tornar uma obra coletiva, com textos e cartas pedagógicas, e ser nosso 3o livro da UniProsa.
Que sentipensa?
Toparia participar?
Abraços, na luta!
(Celso Vasconcellos)
Aceitei imediatamente e convidei Junior Bufon Centenaro, meu ex-orientando de mestrado e doutorado e hoje integrante da equipe de coordenação do Gepes, para escrevermos juntos o texto Quando o estudo dialógico da pesquisa fortalece a docência: da curiosidade ingênua à curiosidade epistemológica publicado na coletânea entre as páginas 65-74 (Fávero e Centenaro, 2025). Algumas semanas depois veio o convite ainda mais especial: a honra de organizar junto com Vasconcellos e Eliane Pinheiro Fernandes a terceira coletânea.
A grandeza e generosidade de Celso Vasconcellos dispensa apresentações. Conheço e admiro os escritos deste meu grande amigo desde os anos 1990 quando me tornei professor. Para quem não conhece, Celso Vasconcellos é Doutor em Educação pela USP, Mestre em História e Filosofia da Educação pela PUC/SP, Pedagogo, Filósofo, pesquisador, escritor, conferencista, professor convidado de cursos de graduação e pós-graduação. Foi Professor (Educação Fundamental, Ensino Médio, Ensino Superior, Pós-Graduação), Orientador Educacional, Coordenador Pedagógico e Diretor de Escola. É consultor de secretarias de educação, responsável pelo Libertad – Centro de Pesquisa, Formação e Assessoria Pedagógica.
Me lembro que em 1994, li seus primeiros livros, gentilmente emprestados por Elena Bini, na época diretora da Escola Notre Dame Menino Jesus, onde trabalhei como professor de filosofia e história, coordenei a Pastoral da Escola e o projeto Filosofia com Crianças e também fiz parte da equipe de direção. As leituras dos livros de Vasconcellos foram fundamentais para entender os desafios e os cenários do contextos escolar: A construção do conhecimento em sala de Aula, Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula, Avaliação, Planejamento, Indisciplina e disciplina escolar, Coordenação do trabalho pedagógico dentre outros, se tornaram referências para nossos estudos.
Me recordo que o primeiro artigo que publiquei em 1996 na Revista Philos, intitulado “O problema da (in)disciplina na prática pedagógica em sala de aula: a comunidade de investigação como tentativa de superação” (Fávero, 1996), teve a obra de Vasconcellos (1994) como referência e inspiração.
A generosidade de Vasconcellos é tão grande que no último dia 8 de outubro, realizou a conferência de abertura intitulada Amor Crítico na Educação Escolar e suas repercussões para a Docência, no V Curso de Extensão Gepes/PPGEdu. Não poderia ser uma fala mais apropriada expressar a intencionalidade deste curso do qual participam mestrandos, doutorandos, gestores, professores da educação básica e da educação superior, dentre outros. São quase 100 participantes de diversas partes do Brasil, residentes em mais de 50 municípios e 14 estados da Federação. Para os que quiserem assistir a conferência na íntegra de Celso Vasconcellos, segue o link de acesso:
Durante a organização da coletânea também tive a alegria de trabalhar com Eliane Pinheiro Fernandes. Para quem não conhece, Eliane faz questão de dizer em seu currículo que foi Aluna da escola pública desde a educação infantil. É Professora de ensino fundamental por 21 anos na SME-SP e atualmente Coordenadora Pedagógica. Mestre em Educação: Psicologia da Educação (PUC-SP); doutora em Educação: Psicologia da Educação (PUC-SP); pesquisa Violência na escola e desenvolvimento da moralidade na perspectiva da Psicologia Sócio- histórica. Membro do grupo de pesquisa CNPq Atividade Docente e Subjetividade (GADS, PUC-SP). Posso dizer que nestes dois meses de muito trabalho me diverti e aprendi muito com Celso e Eliane. Estimo que em breve teremos outros projetos para continuar esta afetuosa e produtiva parceria.
A coletânea Para não desistir da Docência, além de ser composta de textos maravilhosos, nos ganha nas primeiras páginas com uma profunda e simbólica epígrafe do saudoso Danilo Gandin (homenageado em um dos capítulos da coletânea): “Não somos pescadores domingueiros, esperando o peixe. Somos agricultores, esperando a colheita, porque a queremos muito, porque conhecemos as sementes, a terra, os ventos e a chuva, porque avaliamos as circunstâncias e porque trabalhamos seriamente (p.6). E logo na sequência “Uma homenagem por Escrito à Todas as Professoras e à Todos os Professores que Não Desistem da Docência”.
No final da apresentação, Fávero, Vasconcellos e Fernandes (2025, p.9-10) assim se expressam:
É preciso dizer que não há perspectiva de futuro sem educação. Não fazemos coro às perspectivas ingênuas que veem na educação a tábua de salvação para os problemas sociais, políticos e econômicos geradores da pobreza e das desigualdades sociais, de classe, raça e gênero. Tais problemas estruturais e constituídos de determinações múltiplas, não podem ser superados pela escola isoladamente. Porém, como bem afirmou Paulo Freire (2000), sem a educação a sociedade também não muda. Se há desistência da docência, toda a sociedade e sua humanização, podem estar à mercê da barbárie.
É com esse espírito que convidamos você à leitura de Para Não Desistir da Docência. A partir de visões diversas, expressas por textos de diferentes gêneros (carta, poema, artigo, ensaio, relato de prática, ilustração, conto, fotografia), por autoras e autores de diferentes regiões do país (e até de Portugal e França), com diferentes formações (Pedagogia, Psicologia, Psicopedagogia, Psicanálise, Sociologia, Geografia, História, Filosofia, Engenharia, Arquitetura, Biologia, Letras, Artes Plásticas, Educação Física, Música, Matemática etc.), que atuam como Professores, Tutores, Orientadores Educacionais, Coordenadores Pedagógicos, Diretores, Consultores, Conferencistas, em Educação Formal e Não-Formal, da Educação Infantil à Pós-Graduação, Educação de Jovens e Adultos, Educação Tecnológica, Educação Indígena, Educação Integral, em instituições municipais, estaduais, federais ou privadas, Movimentos Sociais, Organizações da Sociedade Civil etc. (ver Apresentação dos Autores, no final do livro), nosso desejo é que essa leitura te inspire, provoque, e nos aproxime na luta por Uma Outra Educação e Um Outro Mundo possíveis!
Convido a todos e todas os(as) leitores(as) deste prestigiado site do amigo Nei Alberto Pies para que conheçam e leiam a obra para entender as razões e os desafios PARA NÃO DESISTIR DA DOCÊNCIA. Gentilmente, a UniProsa nos deu de presente esta preciosa obra que pode ser acessada diretamente no site: http://uniprosa.com.br/ebooks/
FÁVERO, Altair Alberto; VASCONCELLOS, Celso; FERNANDES, Eliane Pinheiro (orgs.). Para não desistir da Docência. São Paulo: Ed. dos Autores, 2025
FÁVERO, Altair Alberto. O problema da (in)disciplina na prática pedagógica em sala de aula: a comunidade de investigação como tentativa de superação. Revista Philos, Florianópolis, ano 2, n.5, p.32-35, 1996.
FÁVERO, Altair Alberto; CENTENARO, Junior Bufon. Quando o estudo dialógico da pesquisa fortalece a docência: da curiosidade ingênua à curiosidade epistemológica. In: FÁVERO, Altair Alberto; VASCONCELLOS, Celso; FERNANDES, Eliane Pinheiro (orgs.). Para não desistir da Docência. São Paulo: Ed. dos Autores, 2025, p. 65-74.
VASCONCELLOS, Celso. Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula. São Paulo: Libertad, 1994.
São muito importantes, para professores e professoras, declarações ou mensagens que enalteçam a sua função educadora. Os professoras e professores vivem um momento de pouca valorização na sociedade, o que também lhes causa desânimo, adoecimento e sofrimento. Que tal escrever algo importante para um professor ou professora que marcaram sua vida?
Todos nós carregamos memórias afetivas ou aprendizagens significativas por conta de um professor ou de uma professora que cruzaram a vida da gente.
Os professores e professoras, por sua vez, nem sempre tem a noção de que suas atitudes, ensinamentos, posturas ou mesmo olhares significam ou significaram para as crianças, adolescentes ou jovens em formação, durante o período de vida escolar.
Tanto os professores, quanto os estudantes, precisam de reconhecimento de seu papel no processo de ensino-aprendizagem, pois ambos são sujeitos aprendentes. Ao realizarem trocas de conhecimentos ou sabedoria, estão desempenhando um importante papel na formação humana e integral.
São muito importantes, para professores e professoras, declarações ou mensagens que enalteçam a sua função educadora. Os professoras e professores vivem um momento de pouca valorização na sociedade, o que também lhes causa desânimo, adoecimento e sofrimento.
Caro leitor ou leitora!
Gostaríamos de propor que escreva um pequeno texto a um professor ou professora que já marcou positivamente a sua vida estudantil. Pode ser breve, mas que fale de coração, em forma de agradecimento ou reconhecimento a alguma atitude, ensinamento ou olhar que seu professor ou professora tiveram na sua vida pessoal e estudantil.
Escreva este texto e publique no final desta publicação, na Seção DEIXE UMA RESPOSTA. Depois, compartilhe este texto com seu professor ou professora; marque ele ou ela em sua rede social para que acesse ao seu comentário ou mensagem.
Agradecido,
Nei Alberto Pies, professor, escritor e editor do site.
“À medida que formos mais livres, que abrangermos em nosso coração e em nossa inteligência mais coisas, que ganharmos critérios mais finos de compreensão, nessa medida nos sentiremos maiores e mais felizes”. (Anísio Teixeira, 1934)
Sempre é urgente e necessário perguntar o que é uma boa escola, uma escola com qualidade social. Responder o que é uma boa escola nos desafia a pensar as escolas que fazemos, cotidianamente, para torná-las cada dia melhores. Da mesma forma, precisamos responder o que é uma vida boa. Vida e escola se entrecruzam, cumprindo finalidades distintas e complementares na vida das pessoas.
Escola sempre é passagem, certo tempo onde nela convivemos, brincamos, aprendemos e nos desafiamos à construção do nosso próprio conhecimento.Vida e conhecimento são desafios permanentes; nunca prontos, para a maioria.
Vida, por sua vez, é permanência, é tempo de aprendizagem e acúmulo de experiências e de conhecimento. Na vida também se faz escola que denominamos “escola da vida”.
Paulo Freire concebeu escola como “lugar onde se faz amigos, onde não se trata só de prédios, salas, quartos, programas, horários, conceitos”. Para ele, escola é gente que estuda, que trabalha, que se alegra, que se conhece e que se estima, onde todos são gente. No seu ideal de escola, “nada de ser como um tijolo que forma a parede indiferente, frio, só”. Nela há espaços para criar laços de amizade e ambiente de camaradagem. Conclui dizendo que nesta escola, vai ser fácil se amarrar, estudar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.
Freire priorizou a relação entre os sujeitos o aspecto mais relevante para os processos de ensino-aprendizagem, concluindo que “ninguém educa ninguém. Ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.
Rubem Alves, escritor das metáforas, distingue escolas que são gaiolas e escolas que são asas. Insiste na ideia de que não deveríamos nos preocupar em formatar ninguém na escola, mas oportunizar a cada criança, adolescente, jovem ou adulto as suas possibilidades de ser melhor, a partir do conhecimento de si mesmo, dos outros, da natureza e do mundo. “Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”.
Acredito e luto para que nossas escolas sejam espaços de humanização. Humanizar-se é tornar-se melhor ser humano, a partir do conhecimento.
As escolas deveriam cuidar, substancialmente, de duas dimensões inerentes ao ser humano e à própria escola: a integração e socialização das pessoas e a construção de conhecimentos. Se estas dimensões não estiverem bem organizadas nas escolas, elas esvaziam seu sentido e diminuem sua importância.
A escola nunca deveria se distanciar da vida concreta das pessoas, pois esta deve e pode ser aperfeiçoada através do conhecimento. Acredito que as finalidades da escola deveriam sempre convergir.
Anísio Teixeira, no ano de 1934, ao discutir as finalidades da vida e da educação inicia dizendo que “a única finalidade da vida é mais vida. Se me perguntarem o que é essa vida, eu lhes direi que é mais liberdade e mais felicidade. São vagos os termos, mas, nem por isso eles deixam de ter sentido para cada um de nós”. Conclui dizendo: “a finalidade da educação se confunde com a finalidade da vida”.
Reflexão e conexão, mais do que uma palestra, o encontro foi uma oportunidade de conexão profunda sobre presença e equilíbrio. Ao final, muitos participantes relataram sentimentos de paz e inspiração para aplicar os ensinamentos em suas rotinas.
(Por Maria Eugênia Bortolon / Comunicação e Marketing Unimed)
No último dia 7 de outubro, o auditório da Universidade de Passo Fundo (UPF) foi palco de uma noite memorável de reflexão e espiritualidade. Com o tema “Entre o Caos e a Calma: Como Cultivar o Equilíbrio”, a renomada Monja Coen reuniu cerca de 390 pessoas em uma palestra que tocou profundamente os corações e mentes dos presentes.
Sabedoria em tempos turbulentos, durante sua fala, Monja Coen abordou os desafios contemporâneos que afetam o bem-estar emocional e espiritual das pessoas. Com sua habitual clareza e compaixão, ela compartilhou ensinamentos do Zen Budismo, destacando práticas simples e eficazes para cultivar o equilíbrio em meio às turbulências da vida cotidiana. “O caos é parte da existência, mas a calma é uma escolha que podemos aprender a fazer”, afirmou.
Apoio à transformação, o evento contou com o apoio de instituições comprometidas com a saúde e o desenvolvimento humano: Unimed Planalto Médio, Academia Passo-Fundense de Medicina e Sescoop. A parceria dessas entidades reforçou a importância de iniciativas que promovem o bem-estar integral da comunidade.
Reflexão e conexão, mais do que uma palestra, o encontro foi uma oportunidade de conexão profunda sobre presença e equilíbrio. Ao final, muitos participantes relataram sentimentos de paz e inspiração para aplicar os ensinamentos em suas rotinas.
A noite com Monja Coen foi um lembrete poderoso de que, mesmo em meio ao caos, é possível encontrar a calma — e que o equilíbrio começa dentro de cada um de nós.
Por Maria Eugênia Bortolon / Comunicação e Marketing Unimed
Breve depoimento sobre a palestra
Participei da palestra por motivações pessoais e por convite à Academia Passo-Fundense de Letras, na qual participo como membro efetivo desde o ano de 2023.
Acompanho as atividades e falas de Monja Coen pelas redes sociais, mas ouví-la pessoalmente foi muito importante e muito significativo para mim. Sua fala, direcionada aos médicos e médicas, aqueles que cuidam da vida, também serviram muito a mim que trabalho as dimensões espirituais e religiosas nas aulas de Ensino Religioso de escolas da rede municipal de Passo Fundo.
Monja Coen ofereceu aos participantes sabedoria e conhecimentos práticos e vivenciados a partir de sua espiritualidade zen-budista. Invocou a necessidade de um atendimento humanizado e focado nos pacientes e nas relações pessoais/profissionais que se estabelecem em consultórios médicos.
Apresentou o antídoto do equilíbrio como elemento de realização pessoal e profissional de cada um de nós. Esbanjou filosofia, reflexão e valores éticos como referências para uma vida boa, uma vida de felicidade.
Soube, como poucos, falar com profissionais da saúde na perspectiva da humanização e das relações sociais baseadas no equilíbrio e nas habilidades socioemocionais tão necessárias neste momento histórico em que vivemos.