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Precisamos desmistificar a África

Em lugar de negar-lhes a história,
faríamos melhor se ouvíssemos
as história que têm para contar.

 

Recentemente ganhei uma máquina fotográfica nova aqui na missão. Por isso, um amigo me provocou: “Aí na África tem muitos bichos legais. Você tem que começar a postar fotos dos leões e elefantes também”. Decidi na hora que precisamos falar sobre isso.

O questionamento me despertou para dois pontos importantes. Primeiro, o conceito de que em todo lugar da África existem grandes feras selvagens prontas a comer o que aparecer pela frente – especialmente pessoas. E, segundo, a ideia de que a África é um lugar só. Um pequeno país cheio de animais e gente sem roupa.

Para começar, minha escolha por tirar e postar fotos de pessoas não acontece apenas porque eu acredito que elas são a melhor maneira de expressar a real beleza do local que vivo mas, também, porque não tive, em 10 meses, absolutamente nenhum contato com algum animal “legal”. Isso mesmo. Sinto decepcionar, mas não vi nenhum leão, nenhum elefante e muito menos uma girafa ou uma zebra. Nem sequer um crocodilo ou uma cobra maior que 30cm.

Além disso, precisamos lembrar que a África é um continente imenso, com 54 países e, assim como o continente americano ou o europeu, possui uma vasta variedade de tradições, idiomas, culturas, climas, vegetações, povos e realidades.

Temos que concordar que falar de qualquer coisa em relação a África neste tom reducionista é como resumir a América pelos Estados Unidos.

Sem conhecer muito, baseados naquilo que nossos livros de história nos apresentaram, muitas vezes falamos de cultura africana sem perceber que, na realidade, não existe uma cultura única na África – ainda bem, porque é tanta riqueza em cada uma delas, que muita coisa se perderia se fosse assim! Quando você percebe que na realidade são mais de 1 bilhão de pessoas e cerca de 3 mil grupos étnicos, não dá para imaginar muita uniformidade.

Acontece que a África (o continente!) nos foi (im)posta como um lugar tão distante e tão impossível de chegar – e também tão desinteressante -, que toda a má reputação que ganhou ainda é muito viva em nós. Visualizamos em nossas mentes apenas um lugar sem conserto, tomado pela miséria, onde corvos aguardam a morte de crianças para devorá-las.

Não posso negar que muitas pessoas ainda morrem por falta de comida, medicamentos e água em muitos lugares do continente. Mas a África não vive só de pobreza, safaris e tambores.

Em Moçambique, uma pequena porção da Terra-Mãe, convivemos com um povo que não cansa de trabalhar e lutar por uma vida melhor, seja nos grandes centros ou nos distritos do interior, nas pequenas propriedades rurais familiares ou nas grandes empresas (estrangeiras). Por aqui, em muitos lugares já chegou a energia, o computador, a internet e até o Facebook. Em outros, é claro, a televisão ainda é novidade e carro é coisa para criança curiosa correr atrás.

No local onde vivo, norte de Moçambique, os recursos são realmente poucos. Mas isso não acontece porque é um lugar esquecido ou castigado por Deus.

A precariedade na alimentação, na saúde, na educação e na habitação aqui é resultado de um sistema corrupto, que vende medicamentos já pagos com recursos estrangeiros e literalmente come multas de trânsito, impostos e contribuições sociais.

Apesar disso, sabemos que o trabalho diário de cada moçambicano é regado pelo sonho e pela crença de um país melhor. A esperança é o grande ânimo deste povo, em um contexto de mudanças rápidas, cheio de inovações e estranhezas de uma África cheia de novidades e diferenças.

O pequeno astronauta

1
O pequeno astronauta
Uma nave criou
Com caixa de papelão
Nela decolou.

2
O pequeno astronauta
Chegou à lua
Na sua nave
De lá viu a sua rua.

3
Na lua tinha buracos
Ela parecia um queijo
Era muito bela
Ele deu-lhe um beijo.

4
O pequeno astronauta
A lua foi explorar
Saiu a dar pulos
Atrás de algo achar.

5
Era lua cheia
Muito gigante
Que a gente da terra
Se faz seu vigilante.

6
O pequeno astronauta
Na lua encontrou
Um homem grandão
Que lá também chegou.

7
Foram os dois
A passear
Pela lua
No seu brilhar.

8
O pequeno astronauta
E o homem grandão
Amavam a lua
Tinham por ela gratidão.

9
O homem grandão
Colocou uma bandeira
Plantada na lua
Como uma brincadeira.

10
O pequeno astronauta
Ficou a olhar
O homem grandão
E o seu pisar.

11
Onde pisava
O homem grandão
Deixava marcas
Do seu pezão.

12
O pequeno astronauta
Só queria saber
Onde a lua começava
Como era o seu nascer.

13
O homem grandão
Não soube responder
Preocupado estava
Se vida podia ali haver.

14
O pequeno astronauta
Achou o homem grandão
Muito esquisito
Com aquela preocupação.

15
Quem já ouviu falar
Que na lua vida tem
Só há buracos
Lá não há ninguém.

16
Mas, o homem grandão
Ao pequeno astronauta
Explicou a sua ciência
E o que tinha em pauta.

17
A ciência quer descobrir
Se o homem pode viver
Aqui na lua
Ou nela crescer.

18
O pequeno astronauta
Olhou o homem estranho
Com conversa meio torta
De quem parece ter sonho.

19
Ele um pequeno menino
Sabia muito bem
Que na lua
Não tinha ninguém.

20
Como um homem grandão
Cientista se dizia
Acharia que na lua
Gente haveria.

21
Se até para respirar
Ali não se podia
Da terra trouxe o ar
Isso todo mundo sabia.

22
O pequeno astronauta
Na sua curiosidade
De menino pequenino
Só queria uma novidade.

23
Era saber se na lua
Um coelho havia
Vivo ou desenhado
Como a vovó dizia.

24
O pequeno astronauta
Só queria ter a certeza
Se estava apaixonado
Ver o coelho sua alteza.

O sonho da igualdade social não acabou

O sonho de sociedade onde não escolarizados, adolescentes,
jovens, mulheres, representantes da diversidade sexual, negros,
trabalhadoras domésticas, estudantes das classes sociais sem condições materiais,
sem casa, sem-terra e trabalhadores em geral tenham prioridade na atenção social
vem sofrendo duros golpes nos últimos três anos.

 

As pessoas sem as mínimas condições materiais não devem ser caracterizadas como problema, mas como ponto de partida para o aperfeiçoamento da vida humana. Esta tese foi testada no Brasil, no início do século XX e seu resultado foi positivo não apenas na dimensão material, mas especialmente na constituição de um clima (espiritualidade) positivo e otimista.

Nos últimos anos se avolumou a antítese, afirmando que os espaços de poder com maior reconhecimento social são para quem passou pelos critérios do mérito ou da meritocracia. Além disso, esta antítese, que se transformou em nova tese, responsabilizou as camadas sociais, que não possuem condições materiais mínimas, pela instabilidade moral e insegurança institucional que infestou nosso cotidiano.

Em outro artigo, defendo que “a sociedade atual está desintegrada e se desintegrando com o aumento dos conflitos e dos confrontos nas relações. Estes confrontos contribuem para o aumento da insegurança na dimensão pessoal e são indicadores de um declínio da nossa civilização.

Cuidados com as relações e comportamento humano – Israel Kujawa

 

O sonho de uma sociedade em que os não escolarizados, os adolescentes, os jovens, as mulheres, os representantes da diversidade sexual, os negros, os trabalhadores domésticos os estudantes das classes sociais sem condições materiais, os sem casa, os sem-terra e os trabalhadores em geral, tenham prioridade na atenção social, vem sofrendo duros golpes nos últimos três anos.

A vinculação entre crise moral e as camadas sociais, historicamente desatendidas pelo mercado e pelo estado, foi etiquetada, impregnada em grupos de pessoas e líderes que representam a defesa do aperfeiçoamento da vida social, a partir da inclusão incondicional e universal.

A substituição, polêmica e contraditória do comando político brasileiro, em 2016, e as reformas aprovadas no último ano são a materialização do divisionismo e da equivocada responsabilização moral dos setores que vinham tendo atenção prioritária.

A melhora da vida em sociedade passa por recolocar o foco das atenções e das prioridades nas pessoas, especialmente nas pessoas que não atingiram as condições materiais básicas para um desenvolvimento humano saudável.

Ao longo da história humana, muitos são os personagens que direta ou indiretamente focaram seus projetos de vida vinculados com a defesa de um justo compartilhamento dos bens materiais e espirituais.

Em decorrência da quantidade e do anonimato não é possível citar estes personagens, contudo, entre todos, um personagem localizado na mudança da época antiga para a medieval, merece ser destacado: Jesus Cristo. Este personagem marca a cronologia do nosso tempo, indicando que estamos no ano 2017 e seu representante máximo, no momento, é um argentino reconhecido pelo simbólico nome de Francisco.

A escolha em 2013 deste nome teve por finalidade identificar um dos personagens máximos do cristianismo, São Francisco de Assis, que esteve ao lado dos pobres.

A responsabilidade pela atual crise moral, que afeta o conjunto das pessoas, que afeta o conjunto das instituições vinculadas com a igreja, com o mercado e com o estado, não é causada pelas classes sociais com menos acesso material e cultural, muito menos por seus defensores.

Os últimos episódios indicam que um novo patamar da vida social, com um nível satisfatório de administração das instabilidades e das crises deve estar, portanto, com a centralidade das atenções nos setores sociais menos privilegiados, apontando caminhos que nos aproximem do sonho de uma vida social com condições igualitárias.

Antonio Mesquita Galvão afirma que “a ética, como ethos (bom comportamento moral vivido à luz do direito natural), não é vivida nem buscada, e, por configurar-se uma situação de injustiça, não há paz. “A justiça produzirá a paz!” (Is 32,17), ensinou o profeta. A falta de paz numa sociedade é indicador da ausência de justiça. E, nesse particular, ética e moral funcionam como colunas de justiça”.

Crise da ética e ausência de justiça: reflexões de 20 anos

 

Leitura e literatura: pelo prazer de ler e contar histórias

Um autor e autor, um estudante universitário e um menino de apenas 11 anos dividem, em programa televisivo Literatura Local, seu prazer de ler e compreender o papel da literatura em suas vidas.

O professor Eládio Weschenfelder, dentre outras coisas, declara-se como professor universitário, ativista cultural e autor do Livro Histórias Preciosas.

“A leitura gera, com o tempo, necessidade de imitar, escrevendo como aqueles que a gente aprendeu a ler”.

Declarando-se estudioso de Machado de Assis, afirma que o mesmo dá à nossa literatura a brasilidade, a brasa. Negro, epiléptico e autodidata Machado é hoje reconhecido um grande autor da literatura brasileira.

“O leitor vai passando por várias fases, assim como os autores. Grandes autores são cânones, referências para os que os lêem. Machado foi um grande escritor porque antes foi também um grande leitor.

“A Escola está adoentada e o maior paciente é o professor, mas ninguém quer saber de tratá-lo, como se ele fosse um Deus. Professor é criatura humana, que tem de vivenciar sua vida com intensidade e tentar mostrar o caminho, caminhar lado a lado com o estudante, sem perder de vista o tipo de vida que o estudante está levando na família, na sociedade e na própria escola”.

Adelar Lescano, universitário, fala de sua vivência no Projeto de Extensão da UPF Bando de Letras:

“A gente pensa como nosso interlocutor, aquele que ouve a nossa poesia, reage à nossa entonação. Somos só uma caixa acústica, que damos vida e entonação, mas a beleza está mesmo na poesia. A leitura e literatura tem de ser feitas com prazer”.

Luís Gustavo Dalchiavon Pies, menino de 11 anos, há 05 anos no Projeto Bandinho de Letras, destaca como este projeto estimula para o gosto pela leitura, bem como a superação da desinibição em crianças como ele: “Bandinho de Letras é um projeto que estimula crianças e adolescentes no gosto e prazer de ler. Com o projeto, despertei ainda mais o gosto pela leitura e literatura”.

Alimentação no tratamento da ansiedade

Muitas pessoas que sofrem com a ansiedade
possuem deficiências vitamínicas e de minerais,
o que induz ao desencadeamento do transtorno.

 

A ansiedade é um distúrbio do sistema nervoso central que mais afeta a saúde da população atualmente, comprometendo diretamente a qualidade de vida.

O tratamento para esse problema envolve uma série de fatores: tratamento psicológico, atividade física, atividades manuais, alimentação equilibrada, entre outros.

Reportagem especial Globo Repórter sobre Ansiedade e alimentação, em 2011.

 

Uma dieta desregrada pode agravar o problema, pois o consumo de gorduras do tipo trans e doces em geral desestabilizam a atividade dos neurônios agravando o quadro clínico.

Muitas pessoas que sofrem com a ansiedade possuem deficiências vitamínicas e de minerais, o que induz ao desencadeamento do transtorno. Geralmente essas deficiências estão envolvidas com diminuição nos níveis de Vitaminas do Complexo B, vitamina C, Zinco, selênio e cromo.

Em outro artigo, publicado no site, Jureci Machado defende a relação entre alimentos e saúde emocional: “Quanto maior a necessidade de aplacar o estresse, mais comida se ingere. Quando se dá conta, já buscou conforto na comida”.

Fome emocional: pode?

 

Deve-se evitar dietas restritivas, pois estas podem desencadear compulsão alimentar e ainda agravar as deficiências nutricionais .

O cardápio deve ter como base alimentos coloridos, ricos em fibras, cereais integrais, verduras, frutas em geral especialmente abacate e banana, pois ativam os controles do sistema nervoso favorecendo o bem-estar.

A saúde do corpo depende da saúde da mente. Lembre-se disso!

 

Rosa dos Rumos: contos em palco

O Grupo Ritornelo de Teatro traz a cena seu mais novo espetáculo de rua: Rosa dos Rumos, dando sequência a sua trajetória de pesquisa e trabalho voltado para o popular, o espetáculo visa contribuir para o fortalecimento da identidade cultural regional e brasileira.

Este será o primeiro espetáculo em que o Grupo se utilizou de crowndfunding, uma forma de financiamento coletivo, que vem ajudando grupos, coletivos e empresas de todo o mundo a realizarem suas ideias.

O projeto alcançou 20% do objetivo com doações de pessoas físicas que, conjuntamente com outros apoios, como o Fundo Diocesano de Solidariedade, da Cáritas de Passo Fundo, conseguiram viabilizar a montagem.

O espetáculo “Rosa-dos-Rumos” é uma deliciosa farsa, onde os contos “Trezentas Onças”, “O Boi Velho” e “Jogo do Osso” de João Simões de Lopes Neto, são apresentados através de músicas, de elementos acrobáticos e de técnicas de palhaçaria; inserindo seus personagens no universo da cultura popular gauchesca, trazendo a cena diversos tipos e situações peculiares ao povo riograndense.

A montagem promove alguns reencontros no elenco; após anos trabalhando juntos no Grupo Viramundos, Carlinhos Tabajara, Miraldi Junior e Guto Pasini, voltam a trabalhar em um espetáculo de rua. Carlinhos e Miraldi como atores e Guto na direção.

Além disso, o espetáculo traz Jandara Rebelatto, atriz passofundense, que está de volta a sua terra natal, depois de anos atuando no grupo “As Maricotas”, de Florianópolis e Ricardo Pacheco, músico e compositor passofundense, que pela primeira vez vai atuar em um espetáculo teatral. A peça também conta com os figurinos de Betinha Mânica e a dramaturgia de Miraldi Junior.

A peça tem o patrocínio da Comercial Zaffari, o apoio da RBS TV – Passo Fundo e da Rádio Atlântida. Conta também com o apoio cultural da CNG Vídeo Produções, Nelson Ribeiro – Terapias Integradas e a parceria institucional da Fundação Beneficente Lucas Araújo e o Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE).

Conheça mais sobre o Grupo Ritornelo.
Acesse o site aqui.

 

 

“Tirem da minha vista a Cracolândia”

Mais de 80% das pessoas apoia a prefeitura no seu
ato insano de quebra do próprio liberalismo,
querendo internar viciados à força.
Todo o desejo dessas pessoas é realizar o que
já realizaram em seus locais privados, que foi o de
retirar o problema da vista, e não resolvê-lo.

 

Mais de 50% dos usuários de drogas que agora estão espalhados pelas novas cracolândias de São Paulo, ainda possuem relacionamento com os seus familiares. Todavia, não podem mais voltar para casa. O consumo exige permanência no local da chegada das drogas, tamanha é a necessidade pela qual o corpo drogado reclama. Além disso, em casa, se tornam inconvenientes o suficiente para que algum membro da família se sinta realmente incomodado.

Ação na Cracolândia foi ‘desastrosa’, avaliam especialistas.

 

As drogas atuais, especialmente o crack, quebra com o pacto contemporâneo do individualismo caracteristicamente moderno, que foi construído a duras penas pelas “egotécnicas”, para citar aqui um termo especial de Peter Sloterdijk. (Ver: “O apartamento”, capítulo do Para ler Sloterdijk, editora Via Verita).

Ler e escrever, vida em célula (ou cela) monacal, advento do espelho, vida no apartamento single contemporâneo que, enfim, vem equipado com recursos para recriação artificial de nosso duplo interior, nossa capacidade de sermos dois-em-um; eis aí no percurso desses elementos toda a história das egotécnicas. Assim criamos um ego e junto dele a imagem de nós mesmos que acreditamos ser o que somos. Estão nisso os elementos e práticas que nos deram um “eu”, e também subterfúgios para que pudéssemos pensar que ganhamos um ego.

No caso dos subterfúgios temos, principalmente hoje, eletrodomésticos, TV e Internet, para recriar falsamente relações sociais. Com isso podemos acreditar que temos um eu reflexivo, o que seria um eu completo.

No mundo atual, de império das normas liberais e de sua inflação, todos deveríamos ter um apartamento single, onde, solitários, sem relações sociais, pudéssemos recriar, ainda que falsamente, a interioridade que requer o dois-em-um para que alguém possa de fato ser um “eu”. Essa interioridade depende de relações. Se não as temos mais, então, o aparato do apartamento single deve nos dar elementos que nos faça acreditar que as temos.

Ora, a droga nos expulsa dessa célula ou cela monacal e, portanto, nos devolve ao “fora”, nos joga para longe do apartamento single que, mal ou bem, nos promete um útero, onde um dia estivemos junto da companheira placenta. A droga nos tira o quarto privado, o nosso apartamento single reproduzido na casa.

É por conta da quebra desse pacto forjado a partir do resultado das egotécnicas, que a droga gera suas “cracolândias” e, então, começa a fazer o poder público se mobilizar. A droga não é um curtir a si mesmo como a masturbação. Ela não é uma egotécnica, embora tenha êxito exatamente porque promete ser uma, ou mais ainda, promete ser a melhor. Promessa não só falsa, mas errada mesmo, pois causa exatamente o contrário.

Não devolve às pessoas a condição de dois-em-um autêntico, nem forja o falso dois-em-um do rapaz no apartamento single se masturbando diante da Internet ou conversando com a TV ou se autopoliciando na frente do espelho ou falando com seu liquidificador. E também a droga de nossos tempos não nos conduz, ao nos jogar para fora do lar, a nenhuma “casa do ópio”. O século XIX acabou.

O poder público que temos e o povo que temos são os mesmos que criaram a quebra das egotécnicas, jogando os jovens na rua. Somos os mesmos. Então, uma vez evocando o poder público, vamos apenas reproduzir o que já produzimos, que foi a quebra das egotécnicas.

Por isso que mais de 80% das pessoas apoia a prefeitura no seu ato insano de quebra do próprio liberalismo, negando Locke, e querendo internar viciados à força.

Todo o desejo dessas pessoas é realizar o que já realizaram em seus locais privados, que foi o de retirar o problema da vista, e não resolvê-lo.

O quadro aqui está pintado por Quino, criador da Mafalda. Uma de suas tirinhas mostra Mafalda e uma coleguinha vendo um pobre na rua. Mafalda acha que o poder público deveria cuidar daquele pobre, enquanto que a coleguinha da Mafalda, rainha da futilidade e de posições conservadoras, opina dizendo que não era necessário tanto, que bastava que se tirasse o pobre da vista. Ou seja, o pobre, o mendigo, o drogado de rua atrapalha as vitrinas. É realmente isso que importa.

A frase “a prefeitura deveria mesmo tirar o drogado da rua, contra a vontade dele, e interná-lo” quer dizer, para muitos paulistanos que a expressam, o seguinte: “que se tire essas pessoas da minha vista”.

 

Publicado originalmente aqui. 

Para o amor durar…

O amor é uma das qualidades humanas
que se comunica sendo.
Como tudo o que é cultivado na intimidade,
o amor detesta portas escancaradas.

 

Não exponhas o amor às extravagâncias. Sê discreto e manterás o amor seguro.

Esquece as declarações públicas, as faixas em aviões. Deixa o amor na alma, no coração e na mente, onde estão suas três raízes. Amor exposto é presa fácil às pragas.

Não te perguntes por que na floricultura as plantas têm folhas tão brilhantes e flores tão suaves. Pensa um pouco e lembrarás das estufas onde cresceram. Nenhuma flor delicada suporta a intempérie.

Por qual razão deixarás o amor sofrer ao relento? Como tudo o que é cultivado na intimidade, o amor detesta portas escancaradas.

Não ames para os outros. Ama para a pessoa amada. Apenas a ela interessa o teu desespero e a tua insegurança. Apenas ao ser amado interessam tuas declarações.

 

Canção Eu sem você, Paula Fernandes.

 

Deixa que os outros descubram o ser sutil. O amor não se revela em alto-falantes, nem em outdoors. O amor se diz em pequenos gestos, em espelhos tênues. É meia-luz o grande sol do amor. É o silêncio seu maior teatro.

Deixa os outros se espantarem com o amor, mas nunca pelo fiasco. O amor é feito de alma e, como ela, existe mas não pode ser tangido. Sente o amor como uma brisa anunciando mudança de tempo. O amor tem um corpo de aura que se esmigalha ao ser exposto sem finesse.

A maior prova que o amor nos faz para ver se dele somos dignos é incitar-nos a contá-lo ao mundo. Por isso, o primeiro impulso do apaixonado é sair gritando aos quatro ventos.

O que interessa ao mundo se amas? O amor interessa ao amado. Fala em seu ouvido, mostra com teus gestos, muda tua vida.

Teu amor não interessa aos vizinhos, ao pessoal do shopping, aos frequentadores de um jogo de futebol, aos telespectadores de um programa de televisão. Não mostres ao amor que não o mereces. Não consumas teu amor na indiscrição.

Quando quiseres amar, entra na tua alma e na alma que te encanta. O amor é uma das qualidades humanas que se comunica sendo.

Receita do Papa sobre a duração do amor:

“Mas se o amor é uma relação, então é uma realidade que cresce, e também podemos dizer, por exemplo, que se constrói como uma casa. E a casa é construída em companhia do outro, não sozinhos! Não queiram construí-la sobre a areia dos sentimentos, que vão e vêm, mas sim sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus.”
Veja mais aqui.
 

 

Quando amares, sê diferente sem escândalos. Deixa as loucuras de amor para o teu lar, para o teu quarto, ante os olhos e a boca. Uma intimidade exclusiva é o maior presente a ser dado a quem jogou o amor em ti.

Que teu amar seja tão exclusivo que apenas o amado ou a amada o reconheçam. Dá a ele ou a ela essa surpresa. É a única maneira de conservar o amor sempre com brilho de folhas novas e com a suavidade das pétalas.

O amor extravagante sofre as intempéries, desgasta-se com a poluição, fica ao risco das pragas, e ao expores ao mormaço as raízes sem o esmero da sutileza causarás, embora indesejado, o seu ressecamento.

Então, para sempre, terás perdido os instrumentos com os quais buscamos nas dimensões mais profundas da intimidade a seiva de nossas alegrias. Ao amar, sê como um monge oração.

Gerson Schmidt em texto: “O amor no tempo eterno do agora”: “Não nos permitimos mais perder tempo para celebrar o amor verdadeiro, para parar no tempo. Não queremos mais perder tempo nas pequenas coisas mais simples e cotidianas. Temos grandes negócios a resolver, a decidir, e precisamos correr atrás de uma máquina. Somos robôs de uma engrenagem que nós mesmos criamos.

O amor no tempo eterno do agora

 

 

UPF: a universidade que impulsiona o desenvolvimento de Passo Fundo

A Universidade de Passo Fundo
vem cumprindo função relevante na economia local e regional
e os dados institucionais atuais comprovam o papel preponderante
que continua exercendo na comunidade.

 

Em meados do século passado, o município de Passo Fundo festejou a criação do primeiro curso superior da região. Esse grande acontecimento ocorreu no ano de 1956, com a autorização do início das atividades do curso de Ciências Jurídicas e Sociais junto à recém-criada Faculdade de Direito, mantida pela Sociedade Pró-Universidade de Passo Fundo e que hoje conta com 61 anos de excelência no ensino.

A iniciativa daquela época empolgou destacadas lideranças e ilustres figuras da sociedade passo-fundense, que, com elevado espírito público, trabalharam no sentido de viabilizar o oferecimento de outros cursos superiores.

Assim, com o mesmo propósito e determinação do pioneiro, vários outros cursos superiores foram se instalando, fato que levou os integrantes da Sociedade Pró-Universidade e do Consórcio Universitário Católico de Passo Fundo a unir suas forças e que, no dia 6 de junho de 1968, culminou com a constituição da Universidade de Passo Fundo.

Desde então, a UPF cumpre relevante função social que, além de oferecer cursos de formação em nível superior, habilitando milhares de pessoas ao exercício de distintas profissões, proporciona efetivo desenvolvimento local e regional.

O ideal de implantação de uma universidade para atender à demanda de formação profissional na década de 1960 foi acompanhado pelo compromisso do desenvolvimento de uma área que compreende, hoje, mais de 100 municípios.

As 12 unidades acadêmicas em Passo Fundo e os campi instalados em Carazinho, Casca, Lagoa Vermelha, Palmeira das Missões, Sarandi e Soledade fazem da UPF uma Universidade regional, pois possibilita o acesso ao ensino superior em importantes microrregiões gaúchas.

Os efeitos das atividades desempenhadas pela Universidade de Passo Fundo são notórios e transcendem o impacto positivo que o expressivo número de mais de 73 mil egressos revela, principalmente quando se observam os avanços sociais e econômicos proporcionados por meio da atuação dos milhares de profissionais na área da educação, do direito, da agricultura, da saúde, da economia, dentre outros tantos ofícios importantes.

A Universidade de Passo Fundo mantém também a UPF TV, canal de televisão com notícias e programação locais e regionais.
Veja mais aqui

 

Conjugado com as atividades dos qualificados profissionais que a UPF forma e disponibiliza ao mercado, é dado marcante a utilização da melhor tecnologia nas respectivas áreas de atuação, beneficiando a comunidade em suas mais diversas necessidades.

Além de pontuar o quanto a UPF já contribuiu no desenvolvimento de Passo Fundo e da sua região de influência, com a atuação profissional de seus egressos, merece destaque a elevada formação de seu quadro de professores e de pesquisadores, a qual, aliada à excelência na infraestrutura física e de laboratórios da Instituição, assegura que a senda de sucesso permanecerá por muito tempo disponibilizando aos interessados elevado padrão técnico-científico.

A UPF mantém também canal de rádio, Rádio UPF. A Rádio da UPF está com várias novidades em sua programação.
Veja mais aqui.

 

Tudo se faz possível em razão do desenvolvimento de políticas institucionais que visam à conversão da inteligência gerada no meio acadêmico em aplicação na comunidade, por meio de produtos ou de técnicas destinadas ao desenvolvimento econômico e social.

Nesse sentido, cumpre notar a presença da visão empreendedora, tanto na formação do profissional quanto na sua interação com a comunidade. Tal postura é revelada na graduação, envolvendo o ensino, a pesquisa e a extensão, e no aprofundamento da pesquisa e dos estudos na área pós-graduação, focando no envolvimento direto com o meio empresarial.

Conheça Portal UPF, ferramenta de importante comunicação e interação acadêmica e com a comunidade regional.
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Referindo esse propósito – que sempre esteve presente nas ações da Universidade de Passo Fundo –, é importante frisar que a Instituição, desde o ano de 2013, disponibiliza a complexa infraestrutura do Parque Científico e Tecnológico UPF Planalto Médio para aprimorar a formação de seus acadêmicos.

Além de todas as atividades acadêmicas envolvendo professores e alunos, o UPF Parque executa ações direcionadas a empresas com a efetiva participação e com o acompanhamento de professores e acadêmicos, visando proporcionar aos empresários locais ou da região a possibilidade de desenvolvimento de inovação tecnológica em produtos ou serviços diferenciados, quer seja como empresas parceiras, quer seja como incubadas, startups ou maduras, a partir de uma base que promova a inovação, o desenvolvimento tecnológico e a inclusão social.

Como dito, permeando as atividades acadêmicas e sempre com presença marcante na comunidade, a extensão da UPF avança nas suas ações com o intuito de qualificar e potencializar as políticas públicas, principalmente aquelas alinhadas com a sua responsabilidade social, a partir da permanente interação dos alunos com o meio social.

Assim, ante aos apontamentos supramencionados, é lógica a conclusão de que a Universidade de Passo Fundo vem cumprindo função relevante na economia local e regional, e os dados institucionais atuais comprovam o papel preponderante que continua exercendo na comunidade.

Diante de tudo isso, a UPF reitera o seu compromisso com a sociedade e reafirma a disposição de continuar desenvolvendo, com os seus acadêmicos, funcionários e professores, uma formação de excelência, calcada nos princípios democráticos, visando sempre ao bem-estar e à melhor qualidade de vida da comunidade.

Atualmente, a UPF conta com 900 professores, 1.248 funcionários e aproximadamente 20 mil alunos nos cursos de graduação, pós-graduação lato e stricto sensu, ensino médio, cursos técnicos, cursos de idiomas e atividades de extensão.

A instituição mantém 61 cursos de graduação e oferta a possibilidade de educação continuada por meio dos mais de 60 cursos de especialização em andamento, 15 mestrados, seis doutorados e nove estágios pós-doutorais.

Na infraestrutura, oferece, em uma área de mais de 400 hectares, um ambiente de socialização e conhecimento. Conta com 150 clínicas e mais de 300 laboratórios, 23 anfiteatros e auditórios, 176 salas de ensino prático-experimental, museus, centro de idiomas, ginásio poliesportivo e ampla área verde. A Rede de Bibliotecas é mais um dos diferenciais da Instituição, colocando à disposição da comunidade acadêmica mais de 430 mil exemplares no acervo.

 

 

Além disso, os projetos de extensão garantem que a comunidade tenha acesso a atendimentos jurídicos e psicológicos, a atividades da terceira idade, a projetos que cuidam de crianças, de famílias em situação de vulnerabilidade, que cuidam de animais, dentre outras ações, beneficiando milhares de pessoas a cada ano. Desenvolve, ainda, inúmeros projetos artísticos e culturais que envolvem a comunidade.

 

José Carlos Carles de Souza
Reitor da Universidade de Passo Fundo

 

 

 

Os lanceiros e os velhacos

Defensores da propriedade também dizem que,
se o Estado ceder um prédio de área nobre ao povo,
outros imóveis serão ocupados.
O povo é insaciável.

 

É diversionista a manobra de alguns debatedores do despejo dos Lanceiros Negros que tentam levar o episódio para a arena de uma controvérsia que agrada ao reacionarismo.

Para esses velhacos, o bom debate é o que trata não da violência do Estado, mas das leis que teriam sido ofendidas pelos ocupantes de “prédios que pertencem ao povo”.

Essa é a polêmica que interessa aos que nunca se envolvem no debate sobre a grilagem e seus assassinos, o latifúndio improdutivo, a especulação imobiliária e as iniciativas do setor público em benefício de quem acumula áreas urbanas só para que continue acumulando mais e mais.

O prédio público ocupado (na esquina da Rua da Ladeira com a Andrade Neves) estava ocioso. Ocupá-lo é também uma forma de as famílias sem-teto desafiarem os governos a cumprirem com a obrigação de atender demandas elementares do povo, entre as quais a habitação. É assim, pela pressão, que funciona no mundo todo.

 

No mês de maio de 2016, o fotógrafo e jornalista Erviton Quartieri Jr esteve no prédio ocupado e registrou imagens desta gente que fez de um prédio desocupado lugar de vida e de direito à moradia (embora não adequada).

 

O tema urgente no debate sobre o despejo, que não interessa à direita, é a ação violenta do Estado contra famílias fragilizadas e desassistidas. Violência que não se manifestou apenas quando da expulsão dos Lanceiros pela Brigada, mas que se expressa há muito tempo em omissões e indiferenças inclusive da Justiça.

Defensores da propriedade também dizem que, se o Estado ceder um prédio de área nobre ao povo, outros imóveis serão ocupados. O povo é insaciável.

É uma desculpa esfarrapada, como a de que as leis devem ser cumpridas em ações de despejo (sob o nome de ‘reintegração de posse’), mesmo que à força e sob quaisquer circunstâncias, à noite, num dia frio, com portas arrombadas e bombas contra mulheres e crianças.

Vídeo demonstra “A valentia de um povo na luta por seu direito à moradia contra a covardia do Estado”.

 

O Estado que comemora a construção de presídios como se estivesse construindo escolas deve dizer logo o que pretende fazer com aquele edifício. O povo tem o direito de tentar ocupá-lo.

 

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