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Poeta Passarinho – Israel Portela de Farias

Sou Israel Portela de Farias (Passarinho) nasceu na cidade de Passo Fundo em 29 de setembro de 1989. Poeta, contista e amante da natureza. Um eterno menino que sempre gostou de brincar na rua com as coisas mais simples possíveis, e que descobriu nos livros de Mario Quintana e nas letras de Cazuza a simplicidade de uma vida em versos. Aos 14 anos de idade, entre a rotina de escola e amigos, já escrevia em seus cadernos algumas letras de música e pequenos poemas inspirados em tudo o que lia e ouvia. Dois anos mais tarde, quando eu trabalhava em uma loja de doces, usava o “tempo vago” para rabiscar em caixas de chocolate seus versos e rimas que falavam da sua rotina juvenil. Desde então sigo escrevendo seus versos tentando descrever grandes sentimentos através de poucas palavras. A vida, a liberdade, o amor e a dor são as inspirações para as minhas criações.

A partir do mês de julho de 2016 passarei a publicar, periodicamente, fragmentos, contos, poesias e poemas neste site.

Publicações e Prêmios: 

  • Antologia do 1° Concurso Nacional Novos Poetas 2011 – Premio Augustro dos Anjos, organizado pela Videira Editora.
  • Ganhador do concurso Conto Premiado Colombo, organizado pelas lojas Colombo na 14° Jornada Nacional de Literatura.
  • Revista Estudantil Pirocormo n°9 – 2014 – Universidad Autónoma de Aguascalientes
  • Revista Digital Cuestionarte Magazine n°4 Junio-Agosto 2014
  • Coletânea de poemas 2015 – Projeto Passo Fundo.

Não somos soltos no mundo

Chegamos à terceira edição da série “Profissões Educadoras”, e nesta abordagem, vamos conhecer o trabalho realizado pela psicóloga Ana Manoela Detoni.

Formada em Psicologia pela Universidade de Passo Fundo (UPF), Ana Manoela conta que, desde criança, sempre teve uma empatia muito grande pelas pessoas e foi com o intuito de ajudá-las que escolheu a profissão. Mas a inquietude da psicóloga levou-a além, e na busca por respostas para suas indagações, foi cursar Filosofia, que confessa ser sua “grande paixão”.

ana manoela 1Tal como a paixão, Ana Manoela, tem um espírito inquieto e provocador, que busca movimento e, nesta busca constante, foi levada pela filosofia à trilhar o caminho da educação. Ela enfatiza que a educação é responsabilidade de todos os profissionais, independente da área que atuam, pondera que “não somos indivíduos soltos no mundo, mas fazemos parte dele e nossas ações podem transformar o todo”. É esse anseio por mudanças e o constante questionamento que fazem da psicóloga e futura filósofa, uma educadora.

Márcia Machado: Você foi da psicologia para a filosofia, trajeto que te levou à educação. Como analisa essa “conversa” entre as profissões que escolheste?

Ana Manoela: Independente da profissão que se exerce, a educação permeia todas as profissões de alguma forma. Antes de ingressar na Psicologia, cursei um ano de Filosofia, e mesmo optando por outro curso, a questão da filosofia sempre ficou presente na minha vida, assim como a educação, pois a minha mãe é professora, minhas tias são professoras, outra tia é psicóloga, e a educação sempre esteve presente.  Também trabalhei numa escola como psicóloga no projeto Mais Educação. Não fui em busca da educação, fui em busca de uma paixão que me levou à outra.

 “Não fui em busca da educação, fui em busca de uma paixão que me levou à outra”.

Márcia Machado: No seu entendimento qual a contribuição de sua profissão para a sociedade?

Ana Manoela: Meu sonho é que toda a escola pudesse ter um profissional da psicologia, para atender alunos e professores, seria fundamental para que as coisas fluíssem de maneira mais adequada. Eu não acredito em aluno que não tenha vontade de aprender, acho que não é uma questão de vontade, acho que por alguns motivos essa criança está impossibilitada de despender energia para o estudo.  Nós temos o hábito de pensar que só as crianças de periferia têm dificuldades de aprendizagem, mas não é a realidade, as dificuldades emocionais são inerentes a qualquer classe social. Não tem criança que não queira aprender, que não tenha inteligência para aprender. É preciso pensar aquela criança, em como fazer com que ela se apaixone pelo aprender, algo que deve ser iniciado já na Educação Infantil. A questão do aprender é algo que deve ser trabalhado desde do início e deve ser a valorizado pela sociedade, pela família, o que já não ocorre tanto.

“Não tem criança que não queira aprender, que não tenha inteligência para aprender. Épreciso pensar aquela criança, em como fazer com que ela se apaixone pelo aprender, é algo que deve ser iniciado já na Educação Infantil”

Márcia Machado: Quais os desafios da sua profissão hoje?

Ana Manoela: Há muitos!  Primeiro a dificuldade que as pessoas têm em aceitar um profissional no espaço educacional, tem muitas práticas consolidadas no ambiente escolar que o profissional da psicologia percebe e ao buscar algumas mudanças estas muitas vezes não são bem aceitas, pois o profissional desacomoda e, na maioria dos casos, não é o que se deseja, pois as pessoas se habituam como estão. Ao despertar o desejo de aprender numa criança, vamos torná-la um indivíduo crítico e ela vai tirar toda uma estrutura da zona de conforto, pois vai questionar, vai querer ir mais a fundo sobre várias questões. Indivíduos críticos mobilizam toda uma estrutura, não só dentro da escola, mas como um todo, e as vezes, não sei o quanto isso é interessante para aquele contexto.

“Indivíduos críticos mobilizam toda uma estrutura, não só dentro da escola, mas como um todo, e as vezes, não sei o quanto isso é interessante para aquele contexto”.

Márcia Machado: Um grande desafio hoje é a humanização, no sentido da busca do indivíduo em se tornar um ser humano melhor, como sua profissão colabora com essa humanização?

Ana Manoela: Só colabora! Até porque não tem como você pensar no outro, sem pensar em si mesmo. Para eu pensar a educação, ou, para pensar a questão dos meus pacientes na área clínica, eu tive que me pensar muito antes e vou ter que me pensar pelo resto da vida. Não existe forma de pensar a questão da humanização sem, antes disso, questionar as tuas próprias posturas. Não adianta eu querer ajudar de um lado, sem ter a consciência do todo, e não ajudar do outro. Você não é um indivíduo aos pedaços, você é inteiro! Portanto, ou você é humanizado por inteiro e tem uma preocupação social com você e sua vida cotidiana ou vira uma prática vazia.

“Você não é um indivíduo aos pedaços, você é inteiro! Portanto, ou, você é humanizado por inteiro e tem uma preocupação social com você e sua vida cotidiana, ou, vira uma prática vazia.”.

Márcia Machado: Como a sua profissão colabora com a educação e formação humana?

Ana Manoela: Eu fiquei por um período trabalhando com o projeto Mais Educação. Atuava como psicóloga dentro da escola, acompanhando alunos e professores, atuei por dois anos no programa. Hoje minha contribuição é através de palestras, com participação por exemplo, no Saberes em Ciranda, realizadas pelo Centro Municipal de Professores (CMP) de Passo Fundo, debatendo sobre relações humanas na escola.

Márcia Machado: Como a sua profissão pode ser educadora?

Ana Manoela: As pessoas têm que se sentir responsáveis pelas coisas, não somos indivíduos soltos no mundo, mas fazemos parte dele e nossas ações podem transformar o todo. Temos que pensar a educação como responsabilidade de todos. Os pais dentro de casa têm que ter essa preocupação, não só como questão de formação, mas de formar um cidadão, um indivíduo. É preciso assumir as questões da escola, não deixar a educação como responsabilidade só do professor.  De maneira alguma a escola é a segunda casa. A função da escola é muito específica, a função de educar o indivíduo é da família, a escola vem como um complemento, mas não é uma segunda casa, de certa forma toda a sociedade é responsável por isso. Quando os professores reclamam dos salários, toda a sociedade tem que se fazer presente nessa discussão, fica tudo muito isolado, como se os setores não se conversassem.  Eu sou psicóloga e trabalho com clínica, então, se essa é minha função, não posso pensar nada além disso? As pessoas devem sentirem-se responsáveis pelo todo, pensar, ler, interagir, sobre o assunto.

“De maneira alguma a escola é a segunda casa. A função da escola é muito específica, a função de educar o indivíduo é da família, a escola vem como um complemento, mas não é uma segunda casa, de certa forma toda a sociedade é responsável por isso”.

Márcia Machado: Uma análise da educação no atual momento político e econômico que vivemos. O que deveria melhorar e o que deveria ser priorizado?

Ana Manoela: É uma questão de paixão. Sem sombra de dúvida, o professor devia ser muito melhor remunerado pelo trabalho que faz, o que não ocorre, por isso digo que realmente é uma questão de paixão. O professor tem todas a as ferramentas de transformação do sujeito nas mãos, mas ele pode optar em fazer o “feijão com arroz”, ou então, se apaixonar por isso, e, fazer disso uma possibilidade de transformação indo além da profissão. A dificuldade não é só do professor, é também das instituições, pois às vezes, o professor tem toda essa paixão e muita vontade de realizar a transformação, de que as coisas mudem, acreditando no poder da educação, mas não tem o apoio da instituição. Dificuldades existem em todas as profissões, porém, é preciso encontrar uma forma de superar tudo isso. Acredito que a paixão é o caminho, independente das dificuldades, é preciso continuar tentando e crendo que a educação é possível.

“Acredito que a paixão é o caminho, independente das dificuldades, é preciso continuar tentando e crendo que a educação é possível”.

Márcia Machado: Uma frase para definir a missão de sua profissão na sociedade.

Estou aqui para contribuir com as pessoas, para que se sintam melhor, para que pensem de forma diferente e espero que tal atitude contribua para melhor conduzirem suas vidas.

Fotos: Divulgação/CMP

Planejamento participativo: passos na construção do sonho coletivo

Por: Adriano José Hertzog Vieira[1]

Introdução

A gestão que se propõe pautar por um planejamento coletivo terá muito mais possibilidades de alcançar êxito do que uma administração enclausurada em suas percepções, encaminhamentos unilaterais ou procedimentos autoritários. Quando a comunidade, ou o grupo, encontra espaços para manifestar seus sonhos e reconhece nos procedimentos da gestão, a presença de suas vozes e seus anseios, a execução também passa a ser assumida por todos, ganha força de concretização e fortalece o espírito comunitário.

A gestão municipal de Lagoa Vermelha, no Rio Grande do Sul, por compreender a força, a profundidade e a eficácia do sonho compartilhado e coletivizado, buscou assessoria da Universidade de Passo Fundo para engendrar um processo de planejamento participativo com a comunidade lagoense. O percurso do planejamento iniciou em meados de 2014 e teve sua primeira etapa, com a entrega dos produtos, finalizada em junho de 2016.

A partir de um estudo de caracterização do município, das peculiaridades da gestão pública e do enfoque pretendido pela administração municipal, os assessores da UPF propuseram o método ZOPP (Zielorientierte Projektplanung = Planejamento de Projeto Orientado por Objetivo) de planejamento. Trata-se de uma proposta desenvolvida pela Cooperação Técnica Alemã e utilizada em todo o mundo por várias organizações e instituições. Algumas instituições especializadas em gestão, como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), estudam o método, aperfeiçoando-o e implementando-o em muitas das assessorias que oferece.

Partindo de oficinas, desenvolvidas com os principais grupos de interesse, de acordo com Carneiro (2007), o método ZOPP constitui-se em estrutura sistemática para a identificação das situações da organização, seu planejamento e indicações basilares para a gestão. Os dois principais objetivos do ZOPP são: a) definir objetivos claros e realistas e b)  melhorar a comunicação e a cooperação entre os envolvidos, através do planejamento conjunto, claras definições e documentação do projeto (CARNEIRO, 2007).

lagoa planejamento

Esta abordagem possibilita, ainda, que os envolvidos participem ativamente das decisões,determinando as áreas de abrangência e criando indicadores claros para a avaliação, acompanhamento e monitoramento. A gestão que opta por um planejamento participativo tem como principal foco o desenvolvimento, a otimização de serviços e a melhoria da qualidade de vida dos sujeitos a ela relacionados. O planejamento participativo tem por principal foco a construção da realidade social (GANDIN, 2001).

Escutar: o primeiro passo

De modo geral, existe uma percepção, mais ou menos elaborada, da situação em que se vive, e a qual se quer modificar. Entretanto, qualquer projeto que se pretenda eficaz não pode basear-se somente nesta primeira percepção. É necessário aprofundar, detalhar, focar e priorizar aquilo que está se percebendo. Quando a realidade em questão diz respeito à organização pública, esta necessidade de um olhar mais aguçado se faz ainda mais contundente. Daí que, o primeiro passo de um planejamento sério, bem estruturado e que responda às reais necessidades da população precisa partir de uma escuta sensível, qualificada e sistematizada das grandes questões da comunidade.

Com base nas premissas do método ZOPP, a equipe de profissionais que assessorou o processo de planejamento, juntamente com o poder executivo de Lagoa Vermelha, elencou as principais áreas de abrangência da gestão pública. Foram, assim, listadas as seguintes dimensões: institucional, econômica, social (educação e cultura), infraestrutura e território, saúde e meio ambiente. A partir daí, organizou-se um plano de ação com os seguintes produtos: 1) plano de capacitação dos sujeitos do processo de planejamento; 2) plano de mobilização social; 3) diagnóstico; 4) matrizes de planejamento e 5) relatório final.

Os vários instrumentos de escuta permitiram o diagnóstico a partir do qual é possível precisar os objetivos e os meios para alcançá-los. Um plano de mobilização social, com uma proposta que partiu do chamado aos membros da comunidade, convidando-os a participação, construiu os instrumentos que foram organizados em reuniões temáticas, diálogos com coletivos específicos (sindicatos, associações, comunidades), distribuição de urnas de coleta de sugestões, visitas aos bairros e zonas rurais, questionários online, entre outros. Todo o tipo de manifestação da comunidade foi acolhido pela equipe do planejamento.

Para cada dimensão levantada foram organizados dois encontros temáticos. O convite à participação era aberto a comunidade e amplamente divulgado. O primeiro encontro contava com a participação de um especialista da área em questão. O convidado apresentava os grandes conceitos do tema, trazia dados com foco na realidade do município e fazia uma análise da conjuntura e da situação de cada área. Depois, abria-se o diálogo para questões, esclarecimentos e manifestações do grupo. Num segundo momento, os participantes organizavam-se em pequenos grupos a fim de discutir o tema, com as questões levantadas e focalizar as peculiaridades do município em relação ao que foi apresentado. Finalmente, socializa-se a síntese das discussões no grupo.

O segundo encontro tem por objetivo levantar os principais problemas, sistematizá-los e priorizá-los. Os grupos são convidados a elencar os problemas percebidos na dimensão em foco. Utiliza-se a imagem da “árvore” como esquema de sistematização de cada problema. No tronco da árvore escreve-se o problema. A partir daí propõe-se uma discussão tendo como metáfora a raíz: de onde provém este problema? Quais suas causas? Depois, dialoga-se sobre as consequências (galhos), a partir das questões: o que este problema produz na comunidade, na cidade? Quais as consequências deste problema? A árvore de problemas expressa a rede causal, ou seja, a complexidade de causas e efeitos no qual o problema a ser superado está envolvido. Este diagnóstico é fundamental para que, ao elaborarem-se os objetivos, estes sejam o mais operacionais possíveis, propiciando um resultado mais eficaz.

O diagnóstico

A partir do conjunto das informações coletadas, o grupo coordenador do processo de planejamento fez um estudo e uma nova sistematização. O produto deste trabalho, um relatório diagnóstico, é novamente submetido aos grupos da comunidade que estão colaborando no processo. Esta etapa é muito importante, será neste momento que a comunidade faz um elenco de prioridades em cada área ou dimensão. Para isto, a construção de consensos é fundamental. O coordenador desta etapa terá como tarefa mediar os interesses pessoais ou de grupos, ponderando, a partir de argumentos objetivos, sobretudo considerados nas raízes e nos galhos das árvores de problemas. Com base nas discussões, o grupo é, então, convidado a elencar, de forma ordinal, as prioridades a serem consideradas na etapa seguinte do planejamento.

As matrizes do planejamento

As matrizes constituem-se em um primeiro instrumento operacional do planejamento. Em cada uma delas, construídas a partir das dimensões (uma matriz para cada dimensão), formula-se o problema, de forma completa e abrangente. A partir do problema e considerando-se a hierarquia de prioridades, elaboram-se os objetivos. Os objetivos são elaborados a partir de verbos escritos no infinitivo, considerando-se, ainda, a operacionalidade.

A partir do objetivo, estabelecem-se as ações a serem desenvolvidas para alcançá-lo. As ações precisam ser realistas e factíveis. É importante, também, que se tenha clareza de uma sequência de ações progressivas e relacionadas entre si. É possível que, diante da complexidade da administração de um munícípio, seja necessário trabalhar com a ideia de pré requisitos. Tendo-se clareza das ações a serem desenvolvidas, é hora de definir os indicadores. Como o próprio nome define, os indicadores “indicam” a execução da ação. Também com características bem realistas e factíveis, os indicadores precisam ser claros e, se possível, quantificáveis. Os indicadores serão elementos fundamentais para o acompanhamento e a avaliação do cumprimento do objetivo.

Outro elemento fundamental para o sucesso de um planejamento é ter uma equipe responsável por cada objetivo. Com o mesmo espírito cooperativo e participativo que mobiliza o planejamento, faz-se necessário que os envolvidos no processo de escuta, diagnóstico, elaboração, também contribuam com a execução. No grupo que coordenará cada objetivo, é necessário definir papéis: coordenação, relatoria, avaliação, ou outras funções que sejam necessárias, de acordo com a peculiaridade do objetivo.

A equipe responsável pelo objetivo definirá, a partir da realidade administrativa, um cronograma para a execução de cada ação. Os prazos precisam ser bem definidos, considerando-se a característica da ação em questão e a realidade na qual ela será executada.

Finalmente, para chegar a bom termo, o objetivo precisa ser monitorado. O monitoramento será fundamental para uma avaliação precisa do cumprimento do objetivo. Para tanto, faz-se necessário que, através de um instrumento simples, em uma planilha, deixe-se claro os indicadores e o cronograma. A partir da relação entre estes dois elementos, estabelece-se um quadro do status da ação. Ao alcançar-se o objetivo, é importante que a comunidade seja informada, apresentando-se, também, um relatório da execução das ações. Reforça-se, aqui, a importância de um envolvimento da comunidade em todo o processo de planejamento.

Conclusão

Comunidade feliz é aquela que participa. Ninguém conhece melhor a vida de uma cidade do que os cidadãos e cidadãs que nela vivem. Uma gestão que convoque a sociedade civil para a construção das grandes propostas a serem executadas, parte do pressuposto fundamental do respeito àqueles e àquelas que formam a sociedade. O acolhimento dos desejos, sonhos e esperanças da população é atitude basilar para quem quer fazer uma gestão de qualidade, com foco na melhoria da vida das pessoas e do serviço a elas prestado.

A esperança é condição identitária do ser humano (FREIRE, 1992), que é vivenciada na expressão dos desejos e na concretização de sonhos. Nenhum ser humano é feliz sem um sonho a ser perseguido. Quando o sonho é partilhado, encontrando companhia em outros sonhos, transforma-se em projeto e ganha força de realização. A gestão que convida os sujeitos dela pertencentes ao sonho coletivo, reposiciona as pessoas em um novo campo de ação no qual todas e todos se reconhecem autores da realidade, construindo sentido para viver o cotidiano da comunidade. O planejamento participativo é caminho para este envolvimento capaz de conclamar cidadãos e cidadãs de uma cidade inteira à reconstrução da comunidade municipal em vista de uma melhor qualidade de vida e da cultura do bem viver. A atual gestão de Lagoa Vermelha, por meio do planejamento participativo, está se posicionando na vanguarda de um novo projeto de cidade.

Referências

CARNEIRO, M. C. ZOPP. Recife: NESCON, 2007.
FREIRE, P. A Pedagogia da Esperança: Um Reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
GANDIN, D. A Posição do Planejamento Participativo entre as Ferramentas de Intervenção na Realidade. Em: Currículo Sem Fronteiras, V.1, N.1, pp.81-95, jan./jun.2001.
RAIMUNDO, J. S. Procedimentos de Gestão Social na Escuta Qualificada: Elementos Para um Programa de Formação Continuada em Serviço de Saúde. Dissertação de Mestrado: Centro Universitário UNA. Belo Horizonte, 2011.


Este texto é uma versão reduzida do capítulo de mesmo título publicado no livro do Planejamento Estratégico de Lagoa Vermelha.

[1] Doutor em Educação: Aprendizagem, Currículo e Formação Docente (2014/UCB); Mestre em Educação: Currículo, Cultura e Sociedade (2003/UNISINOS); Bacharel e Licenciado em Filosofia (1998/UNILASALLE); Licenciado em Pastoral Catequética (1992/UNILASALLE); Curso Técnico em Magistério (1990/CEL); Formação em Psicanálise Clínica (2007/ANPC); Formação em Acompanhamento e Discernimento Vocacional (1998/UNILASALLE). Atualmente é Diretor do Instituto Transdisciplinar de Formação Saber Cuidar. Assessor Pedagógico da Editora Edebê Brasil (desde 2014). Assessor Pedagógico da Vice-Reitoria de Extensão da Universidade de Passo Fundo/RS (desde 2014). Consultor Para a Formação Docente na Rede Salesiana de Escolas do Brasil (desde 2014); Atuou como Docente no Curso de Pedagogia da Universidade Católica de Brasília (UCB) de 2003 a 2015. Nesta instituição, foi Diretor de Programas de Pastoral (2007 a 2009), Diretor do Curso de Pedagogia (2009 a 2012), Diretor de Programas Comunitários e de Extensão (2012 a 2014). Na UCB, também participou do Comitê Assessor de Extensão (2003 a 2006), Comissão Própria de Avaliação (2004 a 2009), Conselho Consultivo da Reitoria (2007 a 2011) e do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (2009 a 2011). Coordenou o Projeto Sonho Possível, que criou a Escola Fundamental La Salle de Sapucaia do Sul/RS (1997 a 2002). Foi professor de Ensino Fundamental 1 em 1990/91, de Ensino Fundamental 2 de 1994 a 1998 e Ensino Médio de 2002 a 2003. É membro do Grupo de Pesquisa (CNPq) Ecologia dos Saberes, Docência e Transdisciplinaridade. Autor do livro “Eixos Significantes: Ensaio de Um Currículo da Esperança na Escola Contemporânea” (Brasília: Universa, 2008), Organizador com Maria Cândida Moraes e Juan Miguel Batalloso do livro “A Esperança da Pedagogia: Paulo Freire – Consciência e Compromisso” (Brasília: Liberlivro, 2012). Autor de inúmeros artigos científicos. Palestrante e conferencista em nível Nacional e Internacional. Temas que aborda: Pensamento Complexo e Transdisciplinaridade; Formação Docente; Aprendizagem; Extensão Universitária; Currículo; Pedagogias Inovadoras.

Por todas elas: contra a cultura do estupro

A notícia de que uma adolescente de 16 anos foi estuprada por mais de
30 homens no Rio de Janeiro e além disso teve imagens dessa violência
divulgadas na internet chocou os brasileiros nos últimos dias. A
indignação surgida após o ocorrido tomou as rodas de conversa, as
redes sociais e acabou pautando a grande mídia sobre um assunto ainda
considerado tabu nos lares brasileiros.

A cada onze minutos uma pessoa é violentada sexualmente no nosso país.
Esses dados assustadores foram declarados pelo estudo mais recente do
Ministério da Justiça, que aponta que 50 mil mulheres são estupradas
por ano no Brasil. Os números são apavorantes e correspondem a 26,1
estupros por grupo de 100 mil habitantes. No Rio Grande do Sul são
18,4, estupros por grupo de 100 mil habitantes. Esses números de
ocorrências registradas, por sua vez, não contemplam todos os casos
que acontecem. Milhares deles são abafados e ficam escondidos envoltos
em um mar de vergonha e culpa. Em até 65% dos casos o agressor é
familiar ou conhecido da vítima.

Filtro nas fotos, denúncia no Ministério Público, atos públicos ou
textão nas redes, o fato é que todos que se sentiram tocados pelo fato
precisaram externar de alguma maneira a sua indignação. E quando esse
crime tão comum (mas tão pouco comentado) vira assunto na mesa da
família tradicional, acaba sendo tão simplesmente para culpar a
vítima. Seja pela sua roupa, pelo local que estava, pelo seu passado.
A culpa é da mulher que disse não e não foi ouvida. É da mulher que
não teve sua escolha respeitada. A culpa é da mulher que teve seu
corpo invadido e sua alma dilacerada.

Essa culpabilização da vítima se deve ao fato de cultuarmos a
normalização e naturalização de situações de abuso como o estupro, por
exemplo. Portanto o que chamamos de cultura do estupro só é possível
por estarmos inseridos em um contexto com profunda desigualdade entre
os gêneros, a desumanização das mulheres e a objetificação de seus
corpos. Isso não é minha opinião, mas os fatos que a sociedade nos
confirma diariamente quando, por exemplo, dizemos que a culpa é dela
porque estava lá. Quando ensinamos que as meninas devem se esconder,
ao invés de ensinar aos meninos que devem receber consentimento antes
de fazer qualquer coisa.

A cultura do estupro está na nossas casas, todos os dias, quando o
corpo da mulher é usado em propagandas para vender cerveja, carro,
barra de cereal… Quando censuramos as roupas das meninas (que saia
curta!) ao invés de reprovar o menino que acredita que tem o direito
de enfiar sua mão dentro da roupa dela. Ou ainda quando os garotos, ao
receberem mais liberdade que as garotas, passam a sentir-se superiores
e em posição de tratá-las com violência verbal, física ou psicológica.

E o estupro está no topo dessas expressões de superioridade. É quando
alguém é violado a tal ponto que tem seu corpo invadido por um corpo
que não tem permissão para estar ali.

É o não sendo calado.

Vale lembrar que a legislação é clara e enquanto o atual governo não
aprovar qualquer retrocesso, segue sendo definido como estupro
“Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter
conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique
outro ato libidinoso”. Portanto se a moça do Rio disse que ia dar pra
boca inteira o fato é que na hora do vídeo ela estava desacordada e
outras pessoas tocaram seu corpo sem o seu consentimento.

Cultura do estupro é a rapidez com que uma barbárie como uma mulher
sendo abusada por 30 homens muda a versão para “ela que quis”, “ela
tava drogada, pediu”, estava bêbada” ou qualquer outra coisa que
minimize a culpa daquelas dezenas de homens que não respeitaram o
limite daquela mulher.

Como milhares de homens não respeitam o limite de nenhuma de nós. Seja
com a mão boba na balada, seja te obrigando a beijá-lo na festa para
poder passar, seja na encoxada no ônibus ou nas palavras de baixo
calão que somos obrigadas a ouvir todos os dias da nossa vida, pelo
simples fato de sermos mulher. Ou o professor que fica te elogiando e
usando da hierarquia acadêmica para pedir favores sexuais. Ou o colega
de faculdade que “tentou” transar mesmo quando você havia bebido
demais… E ainda ouvir que a culpa é nossa por tentarmos viver
normalmente e não deles, que se comportam como animais! Já pensou usar
os mesmos argumentos para justificar o porquê de um homem ter sido
estuprado? “Mas ele estava bêbado, drogado, sozinho ou a regata era
muito decotada, pediu!”

Sabe porque soa estranho?

Porque não está certo! Porque é desigual!

E desumano!

Esse desabafo é por todas elas.

Obs.: Homens que respeitam as mulheres e não propagam a cultura de
estupro: não percam tempo se ofendendo, já que essa conversa não é com
vocês. E ninguém se ofende pelo que não faz, não é?!

Foto: FEMMA Registros Fotográficos (por Fernanda Cacenote)

Não existe neutralidade na educação

Afirmações fundamentalistas e simplistas tendem constituir falsas verdades. Caso típico das absurdas afirmações dos que defendem as ideias de uma “escola sem partido”. O viés do debate que se coloca deve ser mesmo pela afirmação das diferentes ideologias, mesmo daqueles que imaginam ser possível existir neutralidade na educação, dizendo ser possível “uma escola sem partido”. Eles também agem por ideologia.

Verdade é que não existe a possibilidade de uma educação neutra. Os diferentes conhecimentos sempre se apresentam permeados por diferentes ideologias. Mesmo quando tratamos de métodos, estes nunca são isentos de ideologia. As ideologias são as diferentes ideias que estão em permanente disputa na sociedade. Quando se tornam fortes, chamamos as mesmas de ideologias dominantes. Se as ideologias estão na sociedade, como não estarão na escola? A escola nunca foi e nunca será uma redoma de vidro; sempre será o reflexo e espelho da sociedade.

A educação sempre acontece em dois movimentos: ou para manter o “status quo”, deixando tudo como está ou ser uma ferramenta de emancipação humana, afirmação das liberdades e transformação da realidade. Pelas ideias que defendemos e pelas atitudes que tomamos podemos ser avaliados como liberais ou conservadores, libertários ou opressores, democráticos ou autoritários.

A alegação de que professores das escolas da rede de ensino fundamental e de ensino médio fazem doutrinação política-ideológica carece de qualquer fundamento. Pois, vejamos. Os professores sempre exercem certa influência sobre seus alunos, mas jamais a ponto de doutrina-los. O poder da educação é muito mais relativo do que imaginamos. Paulo Freire, nosso grande pedagogo brasileiro, entendeu o papel da educação: “a educação não muda o mundo. A educação muda pessoas e as pessoas (se quiserem) mudam o mundo”. O discernimento e o conhecimento dos alunos, com tantas outras informações e vivências, jamais os coloca na condição de doutrinados. Quem acha que os jovens estão perdidos é porque não fez nenhuma visita aos estudantes que ousaram ocupar suas próprias escolas.

O alvo deste movimento da “escola sem partido” parece mesmo ser o ataque à dignidade, reputação e liberdade de cátedra dos professores. Uma espécie de ditadura institucionalizada, agora com força em leis e regimentos. Uma forma de mudar radicalmente a escola que afirmamos e construímos nos últimos 30 anos, com fundamentos reformistas e progressistas, sem perguntar nada aos maiores interessados: os professores, os alunos e a comunidade escolar como um todo (pais, mães, funcionários, comunidade geral). Com que segurança trabalharão os professores sabendo que, a qualquer hora, por motivos adversos e alheios ao seu controle, terão de explicar e justificar a forma e o conteúdo que estão trabalhando nas salas de aula?  Com que método trabalharão? Como abordarão os temas sociais não previstos como violência, drogas, sexualidade, construção de relações de solidariedade e paz e direitos humanos? Ainda haverá a possibilidade de escolher livros didáticos (mais de um livro didático já trará problemas ideológicos). O que apresentarão de conteúdo aos estudantes sempre terá que ter fonte e autoria, mas o que fazer quando os estudantes perguntarem pela opinião do professor? Em caso de dúvidas sobre a neutralidade ou não dos conteúdos, a que instâncias o professor recorrerá? Serão proibidos o uso de anéis, de símbolos ou adereços religiosos no corpo e nas vestimentas dos professores? Ainda será possível assumir-se professor e educador? O que faremos com nossos Projetos Políticos e Pedagógicos e com Regimentos Escolares que descrevem o que desejamos construir, através da educação, como ser humano, como sociedade e como escola num viés crítico, emancipatório e libertário (mesmo que na prática ainda tenhamos dificuldades de realizar práticas democráticas e emancipatórias na escola)?

O político na educação não é o ideológico-partidário. O político na educação refere-se sempre às ações e intervenções na sociedade, ou seja, possibilidades de mudança concreta na vida das pessoas. Por isso, talvez, ninguém fale sobre o verdadeiro temor dos defensores desta absurda ideia de controlar a escola pública, para que ela não tenha qualidade social. “Quando se nasce pobre, estudar é o maior ato de rebeldia contra o sistema”. No atual momento histórico, os pobres, os filhos de trabalhadores ousaram formar-se na faculdade. Aí, bem, aí já é demais, não acham?

A defesa da democracia e da liberdade de expressão de todos são os maiores contra-argumentos da “escola sem partido”. Os fundamentalistas, que se dizem sem ideologia, não passarão! Nós, os professores, com liberdade para ensinar, “passarinhos”.

A escola tem de ser um lugar de livre pensamento! Não existem soluções para a coletividade fora da democracia e da política.

Acolhendo os que “ninguém quer”

Na segunda entrevista da série “Profissões Educadoras”, vamos conhecer um pouco do trabalho de Julio Renato Lancellotti, 67 anos, formado em Pedagogia, com especialização em Orientação Educacional e Teologia, padre católico, militante de direitos humanos, vigário do povo de rua e coordenador do Centro de Defesa de Direitos Humanos Pe. Ezequiel Ramim na cidade de São Paulo.

Vocação, missão ou destino? O que leva padre Julio a se dedicar aos que “ninguém quer” como ele mesmo se refere? Não encontrei  resposta, mas encontrei nas ações e palavras do padre Julio poesia, força, fé e um amor incondicional pelos marginalizados, pelas minorias. Ele reparte pão, cobertor, acolhida e luta mas, principalmente, procura oferecer um pouco de dignidade e cidadania ao povo da rua. Como Francisco de Assis pedia “pregue o evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras”, assim percebo nosso entrevistado, contido nas palavras, mas um gigante em ações que realiza nas ruas de São Paulo, pregando igualdade e amor ao próximo. O padre se diz em casa junto aos que não têm casa.

Julio assim se define: “velho, celibatário, penso que incomodo pelas posições que tenho e pelo que aprendo dos mais pobres e indesejáveis. Carrego muitas cicatrizes e dores na vida. Tenho saudades dos que amo e findaram sua caminhada. Gosto de ler, amo meus livros que são meus companheiros, fico muitas horas sozinho, gosto de ser padre, defendo e estou ao lado das minorias e dos discriminados. Quando estou com os que ninguém quer me sinto acolhido” declara.

 

Márcia Machado: Quando o senhor ingressou na vida religiosa? O que o levou a optar pelo sacerdócio?

Pe. Julio: Sou padre há 31 anos, sempre quis, desde pequeno, a decisão de ser padre foi minha com apoio, ajuda e exemplo de Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Luciano Mendes de Almeida. A decisão foi construída, discernida e vivenciada num processo continuo que só acaba quando acaba a vida.

Márcia Machado: Fale um pouco sobre seu trabalho paroquial e pastoral.

julio-lancelotti-2Pe. Julio: Meu trabalho na paróquia é caminhar com o povo, celebrar, batizar, testemunhar casamentos, confessar, aprender e ensinar, alimentar a esperança, acolher, estar em momentos de morte e doença, sonhar e cantar, chorar, caminhar cair e levantar, não desistir, ser consolado e consolar. Articular, vivenciar conflito, perder e reencontrar.

Márcia Machado: Vivemos um período em que há um clamor por ética e moralidade no país e tais questões passam também pela questão espiritual do sujeito. Nesse contexto, quais os principais desafios do religioso hoje?

Pe. Julio: Estar ao lado dos pobres e esquecidos, seguir Jesus sem medo da Cruz, andar por caminhos perigosos e ir ao encontro dos feridos e esquecidos. Testemunhar a capacidade de amar e de enfrentar impossibilidades sem desanimar.

Márcia Machado: O papa Francisco tem oferecido uma abertura maior à igreja católica, tratando temas como homossexualidade e aborto. Mas principalmente mostrando que a igreja tem que estar junto ao povo, aos menos favorecidos. Como o senhor avalia esse atual momento da igreja católica?

Pe. Julio: Este momento é de primavera em meio a tempestades, é tempo de coragem e misericórdia, de acolher e abrir as portas, de ser mais humano e não julgar. É tempo de se dar.

Márcia Machado: Além de teólogo o senhor é formado em pedagogia e foi professor primário e universitário. Como o padre contribui com o educador e vice-versa?

Pe. Julio: Contribuiu  muito na pedagogia da fé, na simplicidade de aprender e ensinar, de não dogmatizar, de fazer caminho e caminhar.

Márcia Machado: O senhor sempre dedicou-se ao trabalho social. Como surgiu esse interesse em contribuir e defender populações marginalizadas?

Pe. Julio: Caminho sem volta, caminho de opção, de convicção, de reconhecer que não se pode ser cristão sem estar ao lado dos evitados, esquecidos e abandonados.

Márcia Machado: Fale sobre o seu trabalho com crianças e adolescentes.

Pe. Julio: Atuei na pastoral do Menor, na Casa Vida, com adolescentes privados de liberdade e massacrados, torturados. Sempre na defesa dos direitos humanos, atuei em várias rebeliões na antiga Febem.

Márcia Machado: O senhor também tua junto a grupos como menores infratores, detentos em liberdade assistida, pacientes com HIV/Aids, além de assistir populações de baixa renda e em situação de rua.  Numa sociedade onde impera o individualismo, como é realizar um trabalho visa que o bem-estar do outro?

Pe. Julio: Atuar ao lado de quem perde de quem não conta, estar do lado de quem é ferido e ser ferido também. Nunca ganhei, sempre perdi. Perdi tudo, só restou viver, lembrar, sorrir e chorar, restou acreditar que vale lutar mesmo sem nada restar.

Márcia Machado: Poderia destacar alguns programas nos quais atua?

Pe. Julio: Atuo na Pastoral de rua, nas lutas populares e autônomas, na defesa dos LGBT de rua, na convivência com os pobres na paróquia e nas lutas sociais.

Márcia Machado:  Um grande desafio hoje é trabalhar a questão da humanização do sujeito, como tornar as sociedades mais humanas, inclusivas, cuidando dos vulneráveis?

Pe. Julio: Os vulneráveis nos ajudam a superar com eles a desumanização, acolhendo e lendo os olhos que choram e sonham.

Márcia Machado: De que maneira sua experiência como educador contribui com o trabalho social que realiza?

Pe. Julio:  A transformação social é um processo de educação contínua para a solidariedade.

Márcia Machado: Em uma entrevista o senhor fala que a maioria dos moradores de rua passaram pela escola. Uma análise da atual educação brasileira. Quais os principais desafios? O que deveria melhorar e o que deveria ser priorizado?

Pe. Julio: A escola é uma reprodução da sociedade autoritária, por isso a primavera secundarista e as manifestações dos jovens são esperança, a escola como é hoje vai ser superada.

Márcia Machado: Ao se referir a primavera secundarista, o senhor acredita que esse movimento dará um novo norte à educação no país?

Pe. Julio: Esperamos que sim, superando toda manipulação e repressão.

Márcia Machado: O senhor acompanhou e apoiou junto com os moradores de rua a mobilização dos alunos pela CPI da Merenda em São Paulo, como foi aproximar tais movimentos na luta pela educação?

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Pe. Julio: Há uma aliança entre os que lutam por justiça. A solidariedade entre os que sofrem transforma e humaniza a luta.

Márcia Machado: Como é estar ao lado dos moradores de rua em momento como o que está ocorrendo, muitos morrendo em função dessa onda de frio, sem assistência, nas ruas de São Paulo?

Pe. Julio:  É resistir e insistir ao lado dos indesejáveis e descartados e com eles gritar sem cessar para que sejam ouvidos.

Márcia Machado: Em sua rede social o senhor denuncia a falta de políticas públicas, mas também observa a falta de “misericórdia” das pessoas com os que estão a mercê do frio nas ruas, como analisa essa falta de sensibilidade com o próximo?

 Pe. Julio:  Houve solidariedade de muitos, mas a burocracia do estado, congelado pela imobilidade, é incapaz de amar.

Márcia Machado: O senhor já recebeu vários prêmios por seu trabalho social e na defesa dos direitos humanos. Porém, qual o seu maior desejo em relação ao trabalho social e educacional que realiza?

Pe. Julio: O maior desejo é com o povo acorrentado quebrar todas as correntes, dançar e cantar a liberdade que mesmo que tarde há de chegar!

Márcia Machado: Uma frase que defina sua missão na sociedade.

Pe. Julio: “Deus escolheu os fracos para confundir os fortes” (São Paulo).

 

Fotos: Divulgação/Arquivo pessoal

Aprendi da “gurizada”!

Obrigado guriazada, piazada, juventude, vocês nos fazem acreditar que precisamos continuar aprendendo, de vocês e de todas/as que continuam acreditando que a realização de mudanças está na proporção direta do compromisso com a transformação.

Aprendi da guriazada [neologismo que tenta enfrentar o sexismo da linguagem] das escolas ocupadas que só aprende quem sabe que ainda não sabe, ou, que sabe que ainda tem muito a aprender.

Esta guriazada nos ensinou que as escolas são lugares vitais. Não são expedientes, de turnos, de períodos, de aulas.

São casas nas quais aprende-se para a vida, aprende-se a viver, aprende-se com a vida. Por isso não tiveram dúvida de ocupa-las. E o fizeram não para outro motivo senão que para que, se, em algum momento se converteram em algo que não servisse para aprender ou que não tivesse condições adequadas para tal, que passassem a ter.

Sua luta não quis outra coisa do que fazer das escolas, escolas, lugares para aprender, com condições adequadas, com pessoal suficiente, valorizado, reconhecido.

Foram duros. Fecharam os portões a cadeado. Não deixavam entrar facilmente. Sabiam que havia os que queriam acabar com sua causa, acusá-los de baderna. Mostraram que são organizados, que aprenderam cedo a fazer luta, a resistir, a cobrar, a cuidar!

As autoridades, lamentável! Primeiro fugiram, para outro país, inclusive. Depois responderam com descaso. No final, usaram da força, da pior, da força violenta, aquela que só fala com pimenta e com sabres, com pancadas e cassetetes.

Os enquadraram numa lista horrorosa de crimes. Os transformaram em criminosos. Jovens que lutavam por educação transformados em criminosos! Acusados de crime.

Saíram da escola e foram se meter com o cofre! Foram para a Secretaria da Fazenda. Metidos, foram meter-se onde não poderiam! E se descobrissem que há dinheiro para a educação, e que o que falta é que seja usado para a educação! E se descobrissem a chave do cofre e o abrissem e espalhassem o dinheiro que está reservado para outros fins e o distribuíssem para a qualidade da educação. Absurdo, metidos, criminosos. Melhor que sejam presos e expulsos a força, antes que descubram o caminho do cofre, que o abram, que espalhem educação, e que ensinem aos outros onde está o dinheiro, o que fazer com o dinheiro, ponham o dinheiro na educação!

Aprendemos a indignação e a revolta com o tratamento violento dado a estudantes que só resistiram. Imagens mostram que não houve negociação, mediação, para retirada pacífica. A truculência foi do começo ao fim.

A educação perdeu para a violência. Os estudantes aprenderam que a polícia militar não existe para protegê-los; existe para criminalizá-los. Aprenderam que o Estado não existe para garantir seus direitos, mas para se proteger deles, para tratá-los como “delinquentes de alta periculosidade”.

Eles resistiram, alegres, seguem felizes, voltaram para casa, voltam para suas escolas, seguem aprendendo, seguem ensinando. Seguem mostrando que a luta que vale a pena é a luta que não se deixou de lutar. Deles aprendemos que aprender é um processo de luta e que só aprende quem luta!

Obrigado guriazada, piazada, juventude, vocês nos fazem acreditar que precisamos continuar aprendendo, de vocês e de todas/as que continuam acreditando que a realização de mudanças está na proporção direta do compromisso com a transformação.

Um horizonte novo se abre. Caminhos novos estão para serem construídos!

Que vocês nos guiem!

A vida dos outros

Será mesmo que devemos seguir em frente, sem indignação, sem culpa e sem vergonha por tratar os animais como se fossem objetos e não como seres sencientes e “sujeitos de uma vida” e, portanto, portadores de direito à liberdade, saúde e vida? Será mesmo? Eduque-se e eduque seus filhos e seus discípulos espirituais, dizendo não ao especismo e sim à fraternidade universal, para que o princípio do amor incondicional seja real.

Nós, humanos, somos o ponto culminante da criação e o grau mais elevado na escalada da vida e os animais não humanos só tem um sentido, a saber, estar ao nosso serviço, domínio, uso.

Só o homem é sujeito de uma vida e só o homem tem valor moral intrínseco. Só o homem é criado à imagem de Deus e só ao homem devemos respeito, amor, compaixão, pois ofender o ser humano é ofender, ferir e causar sofrimento ao próprio Deus. Os outros animais podem ser tratados como coisa, como objeto para o nosso interesse e prazer. Os animais têm apenas valor instrumental, isto é, só tem valor para nós e não em si mesmos. O homem tem dignidade, os animais têm preço.

O cachorro, o gato, o boi, o porco, o coelho, a ovelha, a galinha, a baleia, o rato, todos os animais enfim, estão sob nosso poder e deles podemos nos servir para nos entreter, para nos vestir com sua pele e couro, para fazer experimentos em vista da cura de nossas doenças ou para testar produtos químicos, farmacêuticos, cosméticos etc. E, sobretudo, para matá-los e saboreá-los. Quão grande é a nossa posição no mundo! Quão bom foi Deus dando-nos de presente o resto do mundo animal!

O animal não se importa, não tem interesse em não sofrer, em ser capturado e aprisionado, em ser privado de liberdade, em ser criado em condições de extremo stress e ser morto. Não sinta indignação, culpa e vergonha por causar sofrimento e morte aos animais, afinal são apenas animais! Nada de romantismo típico dos protetores dos direitos dos animais. Siga em frente com consciência tranquila.

Será? Será mesmo que devemos seguir em frente, sem indignação, sem culpa e sem vergonha por tratar os animais como se fossem objetos e não como seres sencientes e “sujeitos de uma vida” e, portanto, portadores de direito à liberdade, saúde e vida? Será mesmo?

O negro já foi considerado objeto de compra e venda e a isso chamamos racismo. A mulher já foi considerada propriedade do homem e a isso chamamos machismo. Nem o racismo e nem o machismo são hoje considerados legítimos e moralmente aceitos. Tratar os animais como objetos, sem direitos à liberdade, saúde e à vida tem um nome: especismo.

O especismo, isto é, a pretensa superioridade de uma espécie sobre a outra é hoje considerada legal e legítima do ponto de vista moral. Mas, haverá de chegar um dia em que olharemos para trás e nos envergonharemos, sentiremos culpa por termos sido cúmplices de toda sorte de sofrimento e morte causados a um ser do qual somos imagem e semelhança: os animais! Até lá, até que essa nova aurora moral e religiosa desponte, eduque-se e eduque seus filhos e seus discípulos espirituais, dizendo não ao especismo e sim à fraternidade universal, para que o princípio do amor incondicional seja real.

Educação pública: de qualidade social

As crescentes manifestações por mais qualidade e por mais valorização dos principais sujeitos que fazem a escola pública leva-nos à reflexão sobre a qualidade que deve ser buscada e perseguida para a mesma. Revela, também, necessidade de atentarmos para o papel que a escola pública deveria exercer para contribuir com o desenvolvimento humano e social da maioria da população brasileira.

centro de professores na lutaAs greves e paralisações dos professores Brasil afora revelam a luta pelo reconhecimento profissional que os mesmos foram perdendo ao longo das últimas décadas. Para estes, a educação não é um fim, mas é meio para estimular e projetar no imaginário das crianças, dos jovens e dos adultos as condições subjetivas, materiais e sociais para que cada um conquiste sua vida e sua felicidade. Por isso mesmo, professores reclamam condições materiais e subjetivas para que possam exercer função de alimentar esperanças para a superação da vida sofrida da maioria de seus estudantes e de toda comunidade onde atuam através da escola. Reclamam apoio para implantar propostas pedagógicas que considerem a organização dos sujeitos para a conquista dos direitos e construção de sua dignidade.

Os adolescentes e jovens que ousaram ocupar suas próprias escolas para denunciar o descaso dos governos e exigir mais atenção à qualidade de sua aprendizagem são “os mesmos que sempre mantiveram seu inconformismo e sua disposição de mudar o mundo”. A novidade é que se apoderaram da internet e das redes sociais para comunicar suas mensagens e ideais, mas descobriram também que a organização em defesa de direitos só tem força com a união e a organização coletiva. A internet e as redes sociais os conectam, mas a força organizativa está na reunião, na ocupação do espaço, na convivência concreta dos sujeitos, na manifestação inteligente e organizada.

A qualidade na educação não é a mesma reclamada e perseguida por organizações corporativas, industriais e comerciais. A qualidade social não se ajusta aos limites, tabelas, estatísticas e fórmulas numéricas que possam medir um resultado de processos tão complexos e subjetivos que esperam da escola a mera formação de trabalhadores e de consumidores para os seus produtos. Qualidade social da educação mede-se pelo envolvimento, participação, satisfação e atendimento das necessidades da comunidade escolar e de toda população do entorno das escolas. Estas necessidades incluem que a escola seja lugar de boa aprendizagem, de boa socialização, de assimilação dos conhecimentos universais e humanitários e centro (referência) de conhecimento e convivência socialmente válidos e reconhecidos para o bem da vida comunitária e social.

Escola pública de qualidade social é escola onde toda a comunidade se sente sujeito e responsável pelos processos educativos que nela acontecem. Como afirma Maria Abadia da Silva, doutora em educação e professora na UNB, “a escola de qualidade social é aquela que atenta para um conjunto de elementos e dimensões socioeconômicas e culturais que circundam o modo de viver e as expectativas das famílias e de estudantes em relação à educação; que busca compreender as políticas governamentais, os projetos sociais e ambientais em seu sentido político, voltados para o bem comum; que luta por financiamento adequado, pelo reconhecimento social e valorização dos trabalhadores em educação; que transforma todos os espaços físicos em lugar de aprendizagens significativas e de vivências efetivamente democráticas”.

Escola pública de qualidade social ainda não é realidade; será mais uma conquista de toda sociedade brasileira (ou daqueles que entenderem a importância de que ela exista).

Fotos: Ingra Costa e Silva 

Bandos de Letras: promoção do gosto pela leitura e literatura

As palavras, ditas, recitadas e destacadas em contextos próprios podem nos tornar seres humanos melhores. As palavras ditas e anunciadas através de poesias, de contos e de histórias mexem com as nossas sensibilidades e sempre são capazes de promover na gente os mais nobres sentimentos e perspectivas de vida mais leve, livre e solta.

Testemunho e acompanho, há três anos, como pai de uma das crianças que participa do Bandinho de Letras da UPF (Universidade de Passo Fundo), o quanto o estímulo e o despertar do gosto e prazer pela leitura e literatura fazem diferença na formação integral e socializadora das crianças que dele participam. A sintonia e o entrosamento com o Bando de Letras (cujo público são estudantes do ensino médio e ensino superior) é muito importante para o crescimento e desenvolvimento das crianças, pois os adultos são os espelhos e as referências das aprendizagens mais complexas.

Acredito, sobretudo, no poder humanizante das palavras. As palavras, ditas, recitadas e destacadas em contextos próprios podem nos tornar seres humanos melhores. As palavras ditas e anunciadas através de poesias, de contos e de histórias mexem com as nossas sensibilidades e sempre são capazes de promover na gente os mais nobres sentimentos e perspectivas de vida mais leve, livre e solta.
A arte, por natureza, é transgressora, inquietante e revolucionária. Quanto feita, vivida e apresentada por crianças, torna-se ainda mais interessante. As crianças são mesmo as melhores porta-vozes da poesia e da magia da vida que sempre se anuncia. Conviver com crianças e com professores e professoras que apostam no poder das poesias, dos contos e das belas histórias é dar mais sentido à nossa existência e também à nossa profissão.

O início de tudo…

A mágica da surpresa, do repentino, do inesperado, só não encantava mais do que o espetáculo que era apresentado pelo bando de alunos do curso de Letras que invadia as salas da Universidade de Passo Fundo (UPF). De repente, a aula teórica de um curso qualquer se tornava um espaço de estímulo à leitura literária. Isso iniciou há 20 anos, tendo, nos primeiros 15, ocorrido de modo informal, com apresentações e intervenções do Bando de Letras, que, em 2010, recebeu caráter institucional e tornou-se um Projeto de Extensão da UPF.

Desde sua fundação, o Bando de Letras foi acompanhado de perto pelo professor Eládio Weschenfelder. “Como professor de Literatura da UPF, componente da equipe organizadora das Jornadas de Literatura, membro do PROLER, do Pró-leitura, do projeto  Autor Presente, dentre outros eventos em favor da promoção da leitura, pude acompanhar de perto o nascimento do Bando de Letras, seus desdobramentos e ações na comunidade acadêmica e na comunidade externa, especialmente nos meios de comunicação”, conta o docente, destacando que outros professores também incentivaram e acompanharam o Bando de Letras, ainda quando era realizado informalmente.

Há 20 anos

De acordo com o professor Eládio, o Bando de Letras surgiu como um desdobramento positivo das Jornadas Literárias e outros eventos relacionados aos projetos de estímulos às múltiplas leituras, especialmente as literárias. “Imagino que os encantamentos suscitados pelos contadores de histórias e dizedores de poemas como Eliana Yunes, Marina Colasanti, Fernando Lébeis, Gregório Filho, dentre tantos outros, tenham motivados os alunos a criarem um grupo de contadores de histórias e dizedores de poemas na UPF, mais propriamente no curso de Letras, onde encontraram terra fértil para se estabelecerem”, avalia.

O propósito dos alunos, segundo ele, foi criar um espaço alternativo de estímulo de leitura literária no curso de Letras, sendo uma alternativa de preencher o espaço acadêmico formal e demasiadamente teórico. A partir das apresentações não programadas e não liberadas, cerca de meia dúzia de alunos invadia as salas de aula, interrompendo abruptamente a aula que estava sendo ministrada, à luz de velas, lampeões ou focos, para fins de contar histórias e dizer poemas. “Os alunos adoravam. Alguns professores protestaram, alegando que suas aulas estavam sendo interrompidas por um ‘bando de alunos do curso de Letras’, prejudicando o conteúdo. Daí o nome Bando de Letras. Isso foi lá pelos meados de 1996”, relembra Eládio.

Os primeiros membros do Bando de Letras foram os alunos Alexandra Borin, Bárbara Rohde, Claudiléia Batistella, Clodoaldo Casagrande, Douglas Pereto, Jocelene Trentin, Paulo Henrique Amaral, Roberta Ciocari e Roberta Salinet. Antes das aulas e nos finas de semana, eles se reuniam para fazer a seleção dos textos, memorizá-los e planejar as ações e os lugares a serem invadidos, tais como rádio, televisão, clube de serviço, biblioteca, evento acadêmico e salas de aulas de outros cursos, especialmente os lotados no IFCH, como Filosofia, Psicologia e História. “Às vezes, os saraus eram realizados nas escadarias do prédio, nos corredores e na entrada, inclusive nas e sob as árvores próximas ao prédio. Um verdadeiro espetáculo pensado, mas não avisado com antecedência. Muitos foram seus seguidores a partir de então”, esclarece o professor.

As marcas dos 20 anos

Na opinião de Eládio, o Bando de Letras tornou-se referência de estímulo à leitura de textos literários, especialmente poemas e contos e, há 20 anos, é admirado pela promoção ao gosto pela leitura de crianças, jovens e adultos, não importando o espaço, a idade, o nível cultural. “São incontáveis as idas dos Bando de Letras a hospitais, escolas, bibliotecas, eventos acadêmicos, rádios e TVs, sempre levando a importância da leitura à formação de cidadãos. Todas as apresentações do Bando são especiais, pois são preparadas com dedicação voluntária de muitos participantes”, destaca, informando que, além de alunos do curso de Letras, participam do projeto acadêmicos de outros cursos de graduação, alunos de ensino médio do Integrado UPF e uma funcionária.

Bandinho de Letras

Originário do Bando de Letras, o projeto do Bandinho de Letras foi criado em 2011, abrindo espaço à comunidade externa, ofertando às crianças e a seus pais a oportunidade de participarem de um grupo artístico que promove a cultura da leitura, permitindo que também contem histórias e digam poemas a quem tiver o coração aberto.

“Contar histórias e dizer poemas é um gesto de amor a quem se conta, além de suscitar prazer e alegria a quem as conta”, define o professor Eládio.

01-IFCH-aniversario-bando-letras (5)Compõem o Bandinho de Letras 10 crianças de 8 a 12 anos, que se reúnem a cada 15 dias no Mundo da Leitura para selecionar leituras, memorizar textos de forma lúdica para serem ditos a quaisquer públicos. “Sabe-se que uma criança leitora é uma potencial leitora no futuro. Se o futuro pertence às crianças, por que não formar crianças leitoras e, consequentemente contadoras de histórias?”, aponta ele, destacando que alguns pais e funcionários da UPF também participam voluntariamente do Bandinho de Letras. “Não há quem não se emocione diante de um grupo de crianças que contam histórias. O Bandinho de Letras, no fundo, constitui uma prática leitora construindo pontes para ligar textos aos leitores. É mágico”, celebra.

Sarau “Pausa Poética”

01-IFCH-aniversario-bando-letras (1)Para marcar a trajetória de 20 anos do Bando de Letras, o projeto de extensão da Instituição realizou dia 31 de maio, o Sarau “Pausa Poética”.  Na dizeção dos diversos textos poéticos da literatura em língua portuguesa, a “Pausa Poética” propôs uma intervenção literária por meio da poesia naquilo de mais humano que existe em cada um de nós. Pela sensibilidade com que pretende abordar as diferentes temáticas dos textos, o espetáculo provocou no leitor-ouvinte o deslocamento do fluxo temporal para o tempo do poema, fazendo-o refletir sobre as projeções do seu eu na sociedade e vice-versa.

Fonte do histórico e crédito das fotos: Assessoria de imprensa da Universidade de Passo Fundo (UPF).

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