Projeto valoriza terreiros de religiões de matriz africana no RS com exposição fotográfica itinerante

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“Memória, Orgulho e Identidade” fez sua estréia em Passo Fundo no dia 17 de junho com visitação gratuita

No último dia 17 de junho, será inaugurada no Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS), na Universidade de Passo Fundo (UPF), a exposição fotográfica “Memória, Orgulho e Identidade”. O projeto, financiado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul via Pró-cultura e com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) propõe uma imersão visual e estética nos terreiros de religiões afro-brasileiras presentes no interior gaúcho.

A proposta nasceu com o objetivo de valorizar, visibilizar e documentar a presença ancestral e cultural das religiões de matriz africana fora dos grandes centros, com ênfase em Passo Fundo e região norte do estado.

As 31 fotografias, captadas em seis casas religiosas nas cidades de Passo Fundo e Carazinho, retratam os espaços, os rituais e as lideranças espirituais que resistem ao racismo estrutural e à intolerância religiosa com persistência.

“A exposição é uma forma de valorizarmos a ancestralidade e reafirmarmos a liberdade religiosa como um direito fundamental. Ao trazer para o espaço museológico as imagens e as histórias das religiões de matriz africana, convidamos o público a refletir sobre o respeito às diferenças e o combate ao preconceito. É também um chamado para que os museus assumam seu papel como lugares de escuta, diversidade e reconhecimento das vozes historicamente silenciadas” afirma Patrícia Vivian, curadora da exposição.

O fotógrafo responsável pelos ensaios é Diogo Zanatta, repórter documental com ampla atuação nacional e reconhecimento internacional. Para ele, participar deste projeto foi uma vivência transformadora: “Mesmo já tendo documentado outras práticas religiosas, essa foi a primeira vez em que entrei de verdade nesses espaços, com escuta e cuidado. Mais do que captar imagens, era preciso entender o lugar, a fé e o simbolismo de cada gesto. Em muitos momentos, eu deixei de fotografar para simplesmente observar e aprender. A fotografia aqui não era só registro, era uma forma de comunicar, de tocar o outro, de romper com preconceitos — inclusive os nossos. Foi um dos maiores projetos que participei, e meu desejo é que as pessoas enxerguem essas imagens com respeito, como pontes para conhecer e valorizar as religiões de matriz africana.”

Leia entrevista de Diogo Zanatta ao site: www.neipies.com/uma-cidade-sob-um-olhar-fotografico/

Segundo dados do IBGE, cerca de 1,48% da população gaúcha se declara de religiões de matriz africana, número superior ao de estados como Rio de Janeiro e Bahia. Ainda assim, o preconceito persiste: só em 2024, foram mais de 3.800 denúncias de violação à liberdade religiosa no Brasil, com a maioria das vítimas sendo pessoas negras e praticantes de religiões de matriz africana.

Com esse cenário como pano de fundo, o projeto ganha importância não apenas pela beleza estética de suas imagens, mas por ser um gesto político de reconhecimento e promoção da educação. Após sua estreia em Passo Fundo, a exposição circulará por outras cidades do estado: Marau, Erechim, Carazinho e Palmeira das Missões já estão confirmadas na itinerância.

Além das fotos, o projeto também inclui o lançamento de um livreto educativo e conteúdos audiovisuais nas redes sociais. O material será disponibilizado ao público com o objetivo de ampliar o alcance da ação, promover debates e fortalecer o combate à intolerância religiosa no estado.

SITE: https://memoriaorgulhoidentidade.com/

INSTAGRAM: https://www.instagram.com/exposicaomoi/

O biólogo Alexandre Vieira, participante do projeto “Memória, Orgulho e Identidade”, posa em um espaço sagrado de sua religião em Passo Fundo — local que já foi alvo de vandalismo religioso. Foto: Diogo Zanatta.

Momento de celebração em  terreiro de Passo Fundo. Foto: Diogo Zanatta.

Pai Ramon Endges realiza cuidado ritual diante do altar de sua casa religiosa, em Passo Fundo. Vestido de branco — cor associada à paz e à purificação. Foto: Diogo Zanatta.

Mãe Carmem Holanda, referência na defesa das religiões de matriz africana em Carazinho. Além de sua liderança espiritual, atua como educadora e desenvolve um trabalho comunitário fundamental com crianças em situação de vulnerabilidade nos bairros periféricos da cidade. Foto: Diogo Zanatta.

Leia também matéria do site: www.neipies.com/nem-bahia-nem-rio-rs-e-o-estado-com-mais-adeptos-da-umbanda-e-do-candomble-numero-de-fieis-triplicou-em-dez-anos/

Autor: Anthony Buqui. Também escreveu e publicou no site “Tecnologia está gradualmente se integrando ao ser humano”: www.neipies.com/tecnologia-esta-gradualmente-se-integrando-ao-ser-vivo/

Edição: A. R.

1 COMENTÁRIO

  1. Autor Anthony Buqui ocupa sua coluna para demonstrar seu engajamento pelas causas inclusivas, neste particular, o reconhecimento às religiões de matriz africana.
    Parabéns!

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