Agora, o prêmio só fortalece as posições belicistas dos Estados Unidos e a extrema direita no Continente. Paz? Que paz?
“The Lady” (Além da Liberdade: Um filme sobre a Birmânia) nos dá o caminho para poder mostrar o fosse entre a conquista do Prêmio Nobel da Paz em 1991 por Aung San Suu Kyl e o de 2025, por Maria Corina Machado.
Até os dias atuais, Aug San Suu Kyl luta na Birmânia (Mianmar) contra os militares assassinos que comandam o país desde o assassinato de seu pai. Ela passou 20 anos em prisão domiciliar, lutando por seus meios. Neste interim, morreu seu marido na Inglaterra, proibido de entrar no país para se juntar à sua esposa.
Já em 2025, o Nobel foi para a ativista da extrema direita, Maria Corina Machado, que não quer “libertar” o seu país, a Venezuela, do governo de Maduro, mas entregar o país e sua riqueza para os Estados Unidos, que com sua premiação já bombardeou embarcações daquele país, ameaçando agora invadir não só a Venezuela, mas a Colômbia também.
Em 1991, a premiação a Aug San Suu Kyl foi recebida pelo marido e os dois filhos, pois, se saísse do país, não conseguiria voltar. Ela voltara a sua terra natal para acompanhar a morte da mãe, tida como símbolo em lembrança ao pai assassinado pelos militares que estão no poder, permanece no país, liderando a oposição.
Agora, o prêmio só fortalece as posições belicistas dos Estados Unidos e a extrema direita no Continente. Paz? Que paz?
A primeira, vivia à luz no meio das lutas pela democracia. Presa, continuou lutando de forma pacífica para evitar mortes e reiteradas ações genocidas; a outra, escondida em algum lugar do país, como leio na mídia, abre caminhos aos ianques.
De fato, os tempos são outros. Tempos sombrios até no Prêmio Nobel.
Autor: Adeli Sell, professor, escritor e bacharel em Direito. Também escreveu e publicou no site “60 anos de golpe e eles não mudam”: www.neipies.com/60-anos-do-golpe-e-eles-nao-mudam/
Crédito foto capa: Wikimedia Commons
Edição: A. R.











