A origem da Fraternidade Essênia ainda é incerta. Ela existiu e foi atuante durante os últimos dois a três séculos antes de Cristo e no primeiro século depois de Cristo, junto ao Mar Morto, na Palestina e na Síria, e próximo ao Lago Mareote, no Egito, onde eram conhecidos como terapeutas ou curadores.
A Fraternidade dos essênios era composta pelos verdadeiros discípulos de Moisés. Eles cultuavam o estudo e prática dos Dez Mandamentos e dos legados escritos autênticos de Moisés que ensinavam a deslumbrar a eterna beleza da Lei Divina nas penumbras aprazíveis das rochas.
Originalmente eram conhecidos como “Irmãos do Silêncio”. Tinham por ideal a busca, o estudo e a cópia dos manuscritos religiosos antigos e originais e a conjugação com as ideias novas, sempre com o objetivo de melhor servir às pessoas que viviam nas comunidades próximas dos redutos onde estava estabelecido o santuário.
Seus adeptos procuravam sempre fazer o bem, compreendendo a ignorância dos que agiam mal e orando por eles.
A “voz do silêncio” era a senha usada entre eles; o silêncio era o costume usual para não se exporem, pois eram muito perseguidos pelo Sinédrio judaico porque buscavam divulgar a verdade contida nos textos autênticos escritos por Moisés. Lutavam, silenciosamente, contra o egoísmo do clero judeu e sobre as alterações que foram feitas nos cinco textos de Moisés e de outros profetas do Velho Testamento, bem como contra o poder romano que, despoticamente, dominava e explorava o mundo conhecido da época.
Para eles, Deus, que era invisível, vivia como uma essência em tudo quanto tem vida. Deus se encontra no ar, na água, nas plantas, nos astros, nas pessoas e animais. Compreendiam que era necessária uma evolução avançada para despertar o desejo de estudar e conhecer a causa suprema de tudo que existe e começar a morrer em si mesmos as ambições de grandeza material e dos desejos grosseiros. Eles escolhiam, para participar das atividades por eles realizadas, só os que já estavam aptos para, gradativamente, absorverem a proposta de vida da Fraternidade Essênia.
Há cerca de dois mil anos, as comunidades essênias viviam afastadas das cidades, dos grandes centros urbanos. Elas se estabeleciam nos montes afastados ou praias de lagos ou rios e praticavam o modo comunitário de vida, compartilhando de tudo igualmente; desta forma, eram ignorados pelo mundo social organizado e, assim, tinham a liberdade necessária para agirem em completo sigilo nos retiros onde moravam, na busca da perfeição espiritual e preparar o caminho do Enviado Divino esperado por todos. Eles esperavam a vinda do Messias, Cristo de Deus, e tinham a certeza que lhes preparavam o caminho e que sua missão não seria fácil. Estavam disseminados por toda a Palestina e Síria e não havia lugar onde não existisse um essênio, que, com seu conhecimento mais avançado, ajudava os necessitados discretamente, curando suas dores físicas e morais.
A obra silenciosa e oculta desta fraternidade formava uma rede prodigiosa de amor e caridade que se estendia no auxílio ao próximo oprimido e injustiçado. Nas cavernas destes montes eles organizavam as Escolas da Sabedoria Divina onde os adeptos externos eram preparados em sete graus de educação e desenvolvimento espiritual, que levava anos, durante os quais o aluno ia dando mostras, na vivência prática diária, na família e no grupo social da comunidade a que pertencia, do seu progresso, tendo em vista o preceito maior da Lei Divina: “Amar A Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
Os Mestres observavam criteriosamente se os adeptos do primeiro e segundo graus estavam aptos a prosseguirem na formação da busca da luz eterna ou deveriam ficar mais tempo nestes níveis para se desprenderem dos preconceitos e das ideias mundanas adotadas por eles e vigentes na sociedade. Era exigido dos mesmos o trabalho honrado que dá o pão para si e para as obras de auxílio ao necessitado, o estudo da Torá, a oração, a auto iluminação, o controle de si próprio e a misericórdia para com o próximo.

Os mestres essênios que moravam nos retiros ocultos, eram homens celibatários e viviam de forma metódica, tinham vida regular e simples, levantando-se diariamente antes do nascer do sol para se comungarem com as forças da natureza. Após os afazeres nos campos, nas hortas, nos pomares e no cuidado com os animais domésticos, reuniam-se em silêncio para fazer a refeição frugal.
Geralmente, ao anoitecer, consagravam-se ao estudo e às comunicações com o plano espiritual. Eles obtinham revelações divinas, especialmente sobre a vinda do Messias, que era esperado por séculos pelos judeus, e se preparavam para recebê-lo e ampará-lo na missão heroica que Ele viria executar. Eles tinham conhecimento dos escritos originais de Moisés, que estudavam com afinco, através das cópias que possuíam. Elas eram guardadas como relíquias preciosas.
Foi o profeta Isaias que organizou regularmente a fraternidade essênia. Ele viveu entre os judeus de 740 Ac a 701 AC, era muito culto, escrevia muito bem e é considerado o profeta que anunciou, com detalhes claros, a vinda do Messias que nasceria entre os judeus. Ele foi um dos profetas mais importantes do Velho Testamento.
Um dos principais santuários ficava no monte Horeb ou Sinai, que era repleto de pequenas cavernas as quais formavam celas onde os adeptos viviam. O estilo de vida dos essênios devotos estava ligado ao tempo de Moisés e Arão e se assemelhava a uma ordem religiosa.
Um dos objetivos da fraternidade era a instrução das pessoas comuns que precisavam ser esclarecidas para buscarem seus direitos humanos com êxito, para conseguirem ocupar seu lugar na ordem da vida universal, de ter ciência de quem ela é, de onde veio e para onde vai, enfim, saber sua origem e seu destino.
Propunham a vivência da solidariedade, da fraternidade, da união e da harmonia entre todos, com vistas à conquista da felicidade futura. Esta ação era realizada pelos essênios terapeutas, que atuavam como médicos e professores na comunidade onde viviam, mas sempre mantinham silêncio sobre onde se localizava a sede da Ordem a que pertenciam. Estes formavam família e tinham lar, convivendo no meio social. Se disseminavam por toda a Palestina e formavam uma segunda cadeia espiritual que mantinha contato permanente com os mestres essênios solitários dos santuários, que viviam em celibato. Iam de casa em casa, curando as enfermidades físicas e as almas das pessoas simples do povo a quem, conforme a necessidade, doavam também roupas, remédios e alimentos que vinham dos retiros onde eram fabricados.
Visitavam, regularmente, as prisões e os locais onde estavam os inválidos, os leprosos para levar-lhes um pouco de esperança, alento e, se fosse permitido do Alto, a cura, na aplicação da bioenergia. Eles eram exímios nesta prática.
Os terapeutas peregrinos usavam manto cor de nogueira seca, pelos quais eram reconhecidos pelos necessitados de assistência. Esta atividade caridosa era feita sem alarde de espécie alguma, pois todos sabiam que os “religiosos oficiais” da época os perseguiriam. Eles percorriam as aldeias das cidades próximas das montanhas da Síria e da Palestina.
Os essênios que viviam nos santuários eram excelentes agricultores, apicultores, engenheiros, tecelões, marceneiros, pois sabiam trabalhar com todos os elementos naturais. Conheciam o regime das colheitas, dos solos e das condições climáticas.
Cultivavam grande variedade de frutas, vegetais e ervas medicinais; muitas vezes recuperavam áreas desérticas com grande trabalho e as tornavam férteis. Os terapeutas preparavam remédios em forma de loções, xaropes e pomadas que utilizavam no tratamento dos doentes; também usavam o recurso da água magnetizada e a vibração da imposição das mãos. Os essênios que viviam fora dos retiros, tinham vida normal, constituíam família e nos seus lares tinham sempre pequeno santuário que consideravam sagrado.
Em todo retiro essênio havia um local específico que era o santuário e destinava-se ao culto; tinha mesa de pedra talhada na gruta onde ficavam os Sete Livros dos antigos profetas de Israel e uma cópia das Tábuas da Lei, recebida por Moisés. Os grandes mestres essênios foram: Elias, Eliseu, Isaías, Samuel, Jonas, Jeremias e Ezequiel. Os santuários dos essênios existiam no Monte Ebat, para os judeus da Samaria; no monte Carmelo e no Tabor para os galileus; no monte Hermon, para os da Síria.
O grande Conselho dos Setenta Anciãos, dirigentes da Fraternidade Essênia, se estabelecia no Monte Moab, na margem oriental do Mar Morto onde, uma vez por ano, se reuniam os adeptos para serem avaliados e elevados a um novo grau, quando eram analisadas as provas relativas aos diversos graus.
O seguidor essênio tinha por desafio a possibilidade de ser promovido do primeiro ao sétimo grau. Aos essênios do primeiro grau tinham por dever, vivenciar por determinado tempo a hospitalidade ao próximo e o silêncio; os do segundo grau tinham por acréscimo o dever de trabalhar duas horas a mais, diariamente, para poder prover com seus recursos a ajuda e a manutenção de um indigente, com desprendimento e generosidade. À medida que ascendiam a um novo grau, novos desafios eram exigidos dos adeptos. Só quando chegavam aos últimos graus é que ingressavam na vida solitária dos santuários para o desenvolvimento das faculdades superiores do espírito.
Ao tempo do nascimento de Jesus existiam quatro grupamentos judeus de Fraternidade Essênia espalhadas nas grandes grutas das montanhas de Moab, nas Cordilheiras do Líbano e nos montes da Samaria e da Judéia. Através de suas atividades místicas e mediúnicas estes grupos souberam quando aconteceu a aproximação do Grande Messias junto à humanidade terrena: e Jesus nasceu na cidade de Belém.
Os essênios esperavam um Messias – Instrutor, cheio de luz divina e de conhecimentos superiores para demarcar aos homens o roteiro que os conduzissem a Deus, o fim supremo de toda a criatura. Os demais judeus esperavam um Messias-Rei, que vencesse os romanos…
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Nesta época, nas Montanhas de Paran, às margens do Mar Vermelho, na Arábia, estava estabelecida a Escola de Sabedoria Divina coordenada pelo sábio astrólogo Melchior, que dirigia um grupo de estudiosos e seguidores que buscavam a serenidade do infinito, a esperança, a paz e a sabedoria.
Eram conhecidos como Ermitãos Horeanos, e considerados como oráculos, astrólogos e terapeutas. Existia também, na Pérsia, entre as montanhas da Cadeia dos Montes Zagros, outro grupo místico de estudiosos da sabedoria divina que se dedicava ao estudo, à meditação, à música e aos trabalhos manuais e eram dirigidos pelo conselheiro Baltazar. Outro grupamento religioso e místico estava situado nos Montes Suleiman, próximo ao rio Indo, que se dedicava às observações astrológicas e ao despertamento dos poderes internos concedidos por Deus aos homens, e era dirigido pelo sábio Gaspar. Estes grupos se dedicavam ao estudo profundo para a compreensão das leis divinas que regem a vida, demostravam grande respeito à natureza e, por suas ligações com o plano espiritual elevado, lhes foi revelada a informação da descida do Cristo Planetário em um corpo físico.
Os essênios judeus tinham forte ligação com a escola de filosofia de Alexandria, no Egito, nos vales do Rio Nilo, liderada pelo filósofo Filon. Nesta escola havia um prolongamento dos estudos profundos dos manuscritos religiosos antigos, feitos pelos essênios. Essas informações eram trocadas e se somavam às pesquisas de outros estudos filosóficos feitos por Filon e seus adeptos. Deste modo, essas escolas de Sabedoria Divina se conectavam e sabiam da descida do Grande Avatar ao mundo físico.
Estes sábios astrólogos e filósofos sabiam o que significava a conjunção astral entre os planetas Júpiter e Saturno, juntamente com Marte. Eles sabiam que a reunião destes três planetas era a eterna clarinada que marcava a hora em que o Messias-Instrutor nasceria na vida física para trazer seu legado de amor e sua posterior imolação.
Os três sábios, conhecidos por magos, saíram de suas Escolas de Sabedoria Divina em busca do local que a luz astral os conduzia e mostrava onde acabara de nascer o Filho de Deus. Melchior saiu das Montanhas de Paran, às margens do Mar Vermelho; Gaspar, da Pérsia e Baltazar, da Índia, cada um com seus ajudantes. Se reuniram, casualmente, sem planejamento prévio, ao pé de uma das colinas do Monte Hor e se dirigiram a Jerusalém.
Os três sábios do oriente foram amparados por essênios e conduzidos a Belém, até onde estava Maria e José com o menino Jesus que já estava com 10 meses. Eles examinaram detidamente a criança e constataram que todas as características físicas demonstravam, por suprema lógica, que ele reunia todas as perfeições físicas, morais e espirituais; era um poderoso receptor e transmissor da Energia Eterna, da Luz e do Supremo Amor – causa e origem de todo alento que existe no Universo.
Antes de retornarem aos seus países de origem, os três sábios foram conduzidos, secretamente, ao grande santuário essênio do Monte Moab e junto com os Setenta Anciãos, organizaram um vasto programa de preparação, a fim de que todas as Escolas de Divina Sabedoria pudessem secundar a obra apostólica de Jesus Cristo o que foi feito pelos trinta e três anos que Jesus permaneceu, fisicamente, no Planeta Terra.
Obras pesquisadas:
– Szekely, Edmond Bordeaux – O Evangelho Essênio da Paz – Ed. Pensamento – 2022.
– Alvarez, Josefa Rosália Luque – Harpas Eternas – Volumes I, II, III e IV ED. Pensamento – 2020.
– Oliveira, Gladis Pedersen – Jesus, Mestre, Guia e Modelo – Ed. OLSEN – 2024.
– Maia, João Nunes – Jesus Voltando – Shaolin – Ed. Espírita Cristã Fonte Viva – 1991
Autora: Gladis Pedersen. Pedagoga, Especialista em Educação, Escritora, Historiadora. Também escreveu e publicou no site “O método pedagógico de Jesus”: www.neipies.com/o-metodo-pedagogico-de-jesus/
Edição: A. R.











