O combate ao narcoterrorismo no século XXI exige, portanto, não apenas uma resposta militar, mas a recuperação urgente da soberania estatal, investindo massivamente em infraestrutura social, dignidade e serviços que o mercado se recusou a fornecer.
O século XXI marca a consolidação de um fenômeno global: a interconexão letal entre o crime organizado transnacional e as falhas estruturais dos Estados. A raiz deste cenário complexo remonta à ascensão do neoliberalismo, que, a partir das décadas de 1980 e 1990, promoveu a desregulamentação econômica radical e a crença na primazia do mercado como único agente eficiente de desenvolvimento.
A característica central e mais perigosa deste novo paradigma foi o enfraquecimento deliberado do Estado-Nação, visto como ineficiente e burocrático. Priorizou-se o ajuste fiscal, o corte em investimentos sociais e a privatização de serviços essenciais, resultando na retirada ou no encolhimento do aparato estatal em vastas regiões periféricas e vulneráveis. Este vácuo de poder e soberania se tornou o solo fértil para novas formas de governança paralelas.
O declínio da presença estatal nessas áreas urbanas e fronteiriças abriu espaço para a expansão exponencial das organizações criminosas. Estes grupos passaram a operar não apenas como agentes econômicos ilícitos, mas como verdadeiros “quase-Estados”, oferecendo um conjunto de serviços substitutivos. Eles garantem segurança privada (o que chamam de “ordem”), assistência social precária e, sobretudo, a regulação da vida cotidiana, do comércio e das disputas nas comunidades abandonadas.
Essa fusão de táticas de terror e objetivos financeiros ilícitos deu origem ao fenômeno do narcoterrorismo, onde a violência política e a econômica se entrelaçam. Grupos transnacionais de alta notoriedade, como o Hezbollah no Líbano, o Cartel de Sinaloa no México, e células radicais como o ISIS no Oriente Médio, utilizam o terror sistemático para controlar territórios, garantir lucros e desafiar a jurisdição soberana.
No Brasil, essa dinâmica global se manifestou de forma crítica na Operação Contenção, ocorrida no Rio de Janeiro em 28 de outubro de 2025. O evento demonstrou que a disputa violenta não é mais apenas um problema de segurança pública, mas sim uma guerra territorial pela soberania. O poder de fogo, a coordenação logística e a hierarquia dos grupos criminosos cariocas evidenciaram o quão profundamente as estruturas paralelas de poder controlam a vida na metrópole.
A Operação Contenção, realizada no dia 28-10-2025, sublinha o legado do neoliberalismo: a criação de um Estado forte para a proteção do capital e das fronteiras financeiras, mas perigosamente fraco e ausente para garantir a vida e a ordem social nas periferias.
O combate ao narcoterrorismo no século XXI exige, portanto, não apenas uma resposta militar, mas a recuperação urgente da soberania estatal, investindo massivamente em infraestrutura social, dignidade e serviços que o mercado se recusou a fornecer.
Autor: Israel Kujawa. Também escreveu e publicou no site “Os humanóides e a educação que desejamos”: www.neipies.com/os-humanoides-e-a-educacao-que-desejamos/
Edição: A. R.












O combate ao narcoterrorismo no século XXI exige, portanto, não apenas uma resposta militar, mas a recuperação urgente da soberania estatal, investindo massivamente em infraestrutura social, dignidade e serviços que o mercado se recusou a fornecer.
Autor: Israel Kujawa.
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