É com profunda alegria e orgulho que compartilho com os leitores desta coluna a brilhante conquista da aluna Eduarda Martinelli Lucietto, do Colégio Tiradentes, cuja redação foi selecionada para representar a 7ª Coordenadoria Regional de Educação do Rio Grande do Sul no Concurso Jovem Senador 2025.
O tema proposto — “Emergência climática: pense no futuro, aja no presente” — foi abordado por Martinelli com rara sensibilidade, maturidade argumentativa e um repertório cultural que merece destaque. A estudante incorporou com maestria clássicos da literatura brasileira, como “Vidas Secas” de Graciliano Ramos e o conto “Sarapalha” de João Guimarães Rosa, estabelecendo conexões ricas entre a arte literária e os desafios ambientais enfrentados pela humanidade. Sua reflexão crítica, aliada ao domínio da linguagem e à empatia social, resultou em um texto inspirador e impactante.
Como professora de redação da Martinelli, não posso deixar de expressar minha admiração e orgulho. Em sala de aula, ela sempre se mostra uma aluna comprometida, criativa e profundamente interessada nos temas que propomos. Participa com entusiasmo dos debates, se aprofunda nas leituras e entrega produções que vão além do esperado, revelando não só talento, mas também dedicação e responsabilidade.
Sua conquista representa não apenas o nosso colégio e a nossa coordenadoria, mas também o poder transformador da educação e da juventude que pensa, questiona e age. Parabéns, Martinelli por ser uma voz promissora e inspiradora — e por encher nossa escola de orgulho.
Segue redação da autora.
Emergência Climática: pense no futuro, aja no presente!
“O advento da Revolução Industrial ampliou gradativamente a exploração dos recursos naturais em todo o mundo, culminando em sérios problemas ambientais que colocam em risco diversas formas de vida do planeta. Paralelamente, no Brasil atual, emergências climáticas, como ondas de calor extremo, inundações, secas e tempestades, têm obtido impactos significativos na saúde humana. Com efeito, é imprescindível compreender os principais desafios relacionados a essa problemática: a relação entre a tecnicização e seus impactos ambientais e o agravamento e transmissão de doenças.
Primeiramente, um importante aspecto transformador originado pelo período de industrialização, com impactos no meio ambiente, foi a modificação na interação entre o ser humano e a natureza. Como consequência, ao longo dos séculos XX e XXI, foram observados sérios níveis de contaminação da água, do solo e do ar, provenientes de indústrias. Nesse sentido, a obra “Vidas Secas”, escrita por Graciliano Ramos, retrata a história de uma família de retirantes que buscam fugir da miséria e da seca instauradas na região do Nordeste. Desse modo, análogo a isso, o livro pode ser comparado a atual realidade brasileira, visto que estiagens severas e intensas têm se tornado mais frequentes e devastadoras no Brasil.
Ademais, a deterioração ambiental e a redução da biodiversidade, intensificadas pelas alterações climáticas, são capazes de piorar problemas respiratórios e cardiovasculares e elevar a ocorrência de doenças propagadas por agentes transmissores. Nesse contexto, o conto “Sarapalha”, desenvolvido por Guimarães Rosa, aborda as duras condições de vida do sertão, onde a malária é uma constante ameaça à saúde dos personagens. Logo, a seca, que agrava a escassez de recursos, cria um ambiente propício para a proliferação do mosquito disseminador da patologia. Dessa forma, assim como na obra, a realidade brasileira é marcada por desigualdades ambientais, onde as populações mais vulneráveis sofrem com as consequências derivadas de urgências ecológicas.
Portanto, os riscos associados às diversas formas de vida do planeta precisam ser revertidos. Outrossim, é essencial a cooperação entre profissionais de saúde pública, veterinários e ecologistas a fim de criar políticas que reconheçam a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental. Além disso, torna-se papel do Ministério do Meio Ambiente, órgão responsável pela política nacional dos ecossistemas, substituir a energia fóssil pela solar e eólica — que, além de limpas e renováveis, tiveram seu custo de produção significativamente reduzido nos últimos dez anos. Em suma, soluções existem, mas é preciso pensar no futuro e agir agora”.
Autora: estudante Eduarda Martinelli Lucietto

Autora: Deise Bressan. Também escreveu e publicou no site “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”: www.neipies.com/desafios-para-a-valorizacao-da-heranca-africana-no-brasil/
Edição: A. R.












Gostaria de agradecer à professora Deise por toda a ajuda e pelos ensinamentos compartilhados durante este trimestre. Essa conquista não teria sido possível sem ela. A citação dos livros só foi possível graças à assistência da professora, uma profissional incrível que, em sala de aula, sempre nos incentiva a ler os clássicos e a citá-los em nossas produções textuais. Muito obrigada por essa postagem incrível, prof. Deise! 💗