Jovem e tolo

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Cedo ou tarde, você morrerá. No fim das contas, nada lhe pertence. Tudo lhe foi apenas emprestado.

Eu tinha 20 anos e havia escrito 4 livros.  Todos de poemas.

Ruins. Mas eu não sabia disso.

Dono de uma energia e de uma estupidez que apenas a juventude é capaz de fornecer, eu desejava publicar minhas poesias.

Queria ser escritor e morava em uma cidade bem pequena.

Eu não sabia, na verdade, como agir. Eu sabia, porém, que precisava fazer alguma coisa, nem que fosse algo mínimo.

Assim, certa manhã, fui até a Prefeitura, pedir se havia algum recurso para a publicação dos meus livros.

Por ser jovem e tolo, acreditava que alguém iria querer ler meus poemas. Por ser jovem e tolo, acreditava que alguém iria me ajudar a publicar meus livros.

Fui informado, então, de que havia, de fato, o projeto de uma antologia poética em andamento, organizado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Getúlio Vargas (IHGGV).

E com recurso público.

Hoje percebo o quanto aquele “encontro” foi inusitado.

Menino raquítico que eu era, introvertido, não sei o que me deu na cabeça para, em uma manhã qualquer, levantar da cama com a convicção de que conseguiria publicar meus poemas.

Pela primeira vez tive textos publicados.

Mais: consegui um emprego em um jornal — na redação! Mas isso fica para a próxima história…

Com essa experiência, aprendi uma lição importante.

Se você tem um sonho, não se preocupe com o sucesso. Se concentre em viver esse sonho. Conforme puder.

O sucesso não depende de nós. Viver, sim.

Se você tem um teto sob o qual se abrigar, alguma roupa e um pouco de comida, já pode começar a viver seu sonho.

De forma mínima, primeiro. Um dia, talvez, ao máximo.

Cedo ou tarde, você morrerá. No fim das contas, nada lhe pertence. Tudo lhe foi apenas emprestado. Logo, jamais terá algo a perder. 

Avante…

Autor: Aleixo da Rosa. Também escreveu e publicou no site “Um professor fracassado”: www.neipies.com/um-professor-fracassado/

Edição: A. R.

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