Em 2012, embarquei com minha família para uma das jornadas mais marcantes da nossa vida: uma viagem à Índia, esse país de contrastes intensos, cores vibrantes e espiritualidade pulsante. Mais que um destino turístico, a Índia se revelou uma escola viva, onde aprendemos com os templos, com os olhares, com os cheiros e sabores — e, acima de tudo, com o povo.
A diversidade indiana é imensurável. Com 28 estados e sete territórios federais, o país abriga mais de 1,2 bilhão de pessoas (à época), reunindo línguas, religiões, castas e tradições milenares. Em meio a essa vastidão, percorremos o famoso Triângulo Dourado: Delhi, Agra e Jaipur — três cidades que concentravam história, arquitetura monumental e encontros surpreendentes.
Com alegria e prazer, respondi a perguntas elaboradas por Nei Alberto Pies, editor deste site, revivendo os momentos bons desta viagem e ressignificando esta tão genuína experiência desta viagem familiar.


Qual foi a motivação pessoal para fazer uma viagem para a Índia?
A viagem à Índia nasceu da curiosidade e do espírito de aventura da família. A ideia não era apenas fazer turismo, mas aprender sobre novas culturas. A Índia foi escolhida como destino por sua riqueza espiritual, cultural e histórica. É uma verdadeira escola viva, um mergulho na diversidade que nos permitiu viver momentos que foram além do convencional.
Que aspectos culturais e religiosos chamaram a minha atenção?
A convivência entre diferentes religiões nos chamou muito a atenção. Mas o mais marcante foi a espiritualidade expressa por meio das imagens de deuses como Ganesha e Shiva, presentes por toda parte.
Visitamos os Templos de Lótus e Birla — ambos muito belos e frequentados —, bem como a mesquita Jama Masjid. A presença simbólica (e literal) de ratos nos templos e de vacas nas ruas também impressiona: são idolatrados e circulam livremente. Quando avistados, são comemorados, pois significam proteção espiritual.
As “Quatro Leis da Espiritualidade da Índia” tornaram-se, para nós, uma filosofia de vida após essa vivência. São elas:
1. A pessoa que vem é a pessoa certa.
2. Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido.
3. Toda vez que você iniciar é o momento certo.
4. Quando algo termina, termina.
Quais diferenças sociais e culturais mais evidentes foram perceptíveis em território indiano?
As diferenças mais perceptíveis foram a permanência do sistema de castas — mesmo oficialmente abolido — e a profunda desigualdade social, visível na convivência entre a grandiosidade dos palácios e a precariedade das ruas, com tuc-tucs (pequenos táxis) com 10 pessoas dentro, e motos com 4 pessoas sem capacete, só para exemplificar. O contraste entre a riqueza espiritual e a pobreza material é espantoso.
O mais impressionante é que, mesmo diante da superpopulação, do saneamento precário e da infraestrutura deficiente, os indianos não demonstram sofrimento: aparentam estar em paz.


Minha percepção sobre religiosidade, mística e cultura de não violência (ensinamentos de Mahatma Gandhi) junto ao povo indiano.
A religiosidade e a mística estão intrinsecamente presentes no cotidiano indiano — Deus está em tudo. Há um profundo respeito por todas as formas de fé. A frase de Gandhi citada no relato — “Felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia” — resume bem o espírito do povo: uma busca constante por integridade espiritual.
A cultura da não violência, embora desafiada pelas desigualdades, ainda ecoa nos gestos gentis, na paciência diante do caos urbano e na reverência à vida — inclusive dos animais nas ruas. Muitos macacos caminham livremente pelos mercados, inclusive sobre as frutas. Aliás, onde há macacos, acredita-se que o deus Hanuman está presente, protegendo a todos.
O que a Índia tem a nos ensinar?
A Índia nos ensina a enxergar beleza no caos e espiritualidade nas pequenas coisas do cotidiano. Ensina a respeitar as diferenças e a valorizar o essencial — para eles, a sobrevivência. Muitas vezes, parece que ter o que comer e uma boa roda de conversa, agachados sobre os joelhos, ao redor de uma fogueira (mesmo no verão), já basta.
Por que recomendaria uma viagem à Índia?
Recomendo a Índia porque ela não é apenas um destino — é um portal para dentro de nós mesmos. Viajar para lá é confrontar crenças, expandir horizontes e experimentar a humildade diante da grandiosidade da vida. É uma experiência transformadora, que toca a alma e permanece viva muito tempo após o retorno.
Quem vai à Índia volta diferente — mais sensível, mais sábio, mais humano. E, claro, estupefato com as belezas dos monumentos centenários, como o Taj Mahal — com seu interior adornado por mosaicos de pedras preciosas no chão e nas paredes —, o Castelo de Agra e a cidade rosa, Jaipur.
E eu, que sou apaixonada por pavões, me esbaldei (risos)! Ele é a ave símbolo do país e, além de encontrarmos exemplares soltos por diversos lugares, sua imagem serve de adorno em muitos espaços visitados.


Acesse também matéria sobre outra visita à Índia, em forma de entrevista, publicada no site:
Link: https://www.neipies.com/uma-viagem-conduzida-por-uma-guia-a-india/
Autora: Marilise Brockstedt Lech. Também escreveu e publicou no site “Egito: um mergulho no berço da civilização: www.neipies.com/egito-um-mergulho-no-berco-da-civilizacao/
Edição: A. R.











Marilise Brockstedt Lech, te agradecemos muito pela generosa matéria sobre a experiência de tua família, em visita à Índia. Te admiramos muito.
Parabéns!