Qual o dia em que me acabarei? /Lenta ou subitamente? / Consciente ou não de estar passando?
Agora que já sou um homem maduro
– quarenta anos acho que são suficientes –
posso me perguntar
sem qualquer reserva ou pudor:
como será minha morte?
Qual o dia em que me acabarei?
Lenta ou subitamente?
Consciente ou não
de estar passando?
É que às vezes
sinto uns tremores no peito
e então me acorre:
é agora!
é a vez!
É inevitável
pois esses momentos
são acompanhados de
ansiosa expectação.
Afinal da morte
ninguém pôde nos dizer
com exatidão.
o que acontece no momento
o que há do lado de lá.
Só especulação.

Então
ser vivente que sou
curioso e investigativo
encaro esse momento
– para além do lamento –
como mais uma oportunidade
de aprendizado
ainda que derradeiro.
Apenas espero estar inteiro
para poder observá-lo.
Não quero uma morte
rápida e violenta
dessas que dizemos:
– Coitado, nem sentiu nada!
Quero uma passagem lenta e gradual
sabendo calmamente
que vou morrer.
Porque me intriga
esse apagar
das luzes.
O que há
por trás do picadeiro.
O que tem nos bastidores
que a vida passamos
ouvindo
sem saber ao certo o que eram
os sons vindos de lá.
Como um quarto escuro da casa
ignorado e desconhecido
e que por mais que o tenhamos
temido
um dia
teremos de o devassar.
Pois ao homem
não foi dado
poder dizer:
– Não, obrigado, acho que vou ficar.
Sempre em frente
e inexoravelemente
tenhamos vivido
felizes
ou tristes
sido bons
ou ruins
um dia nossa hora
vai chegar.
Autor: Júlio Perez. Também escreveu e publicou no site “Ser poeta”: www.neipies.com/ser-poeta/
Edição: A. R.












Mais uma importante poesia do escritor e poeta Júlio Perez. Parabéns pela interessante abordagem do tema morte.