Emblemático!

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Trezentos e trinta anos após sua morte, Zumbi segue nos vigiando do alto da Serra. A luta antirracista é também a luta anticolonial, logo anti-imperialista e de libertação nacional, lutas por sua vez estritamente conectadas com a luta pelo socialismo.

Na véspera de uma das datas máximas não só da negritude, também da brasilidade, o episódio de ofensas, injúrias e ataques contra o jovem deputado negro Renato Freitas, replica pela enésima vez a gravidade e profundidade daquilo tudo que nas profundezas das mentalidades, imaginários e ideologias se retroalimenta secular e colonialmente na vida cotidiana e social do Brasil e dos brasileiros.

A consciência política crítica e revolucionária – longe dos modestos pós-modernos e identitários – já compreendeu e sintetizou uma visão que unifica classe, gênero e raça e dá devida dimensão histórica e sociológica aos fatos, processos e realidades instituídas na carne e no cerne do Brasil que ousamos transformar.

Renato Freitas é mais um entre tantos que sofrem e enfrentam o drama e a tragédia do racismo, da discriminação e do preconceito potencializada pelo discurso de ódio, mentiras e pela própria violência – nada discursiva ou figurativa: física, carnal, letal.

A reação – motivo de hipocrisia ou escárnio por parte de internautas cujas mentes estão intoxicadas e as almas já parecem não ter salvação – criou uma falsa celeuma. Conhecessem os ignóbeis detratores do agredido – condição muito diferente da vitimização atribuída com notas de fraqueza – a concepção dos Panteras Negras ou da luta do MPLA, só para citar dois exemplos forâneos, calariam a boca.

Mas como conheceriam tais exemplos históricos se ignoram e recusam Zumbi e Palmares, se quilombos lhes são a versão apavorante do que nunca deveria ter sido porque a eles lhes agrada sentada, tronco e pelourinho? Se não compreendem que a periferia-favela tem sua razão de ser e existir na pobreza, mas também na resistência e identidade? Se são contra a emancipação racial, social e nacional como parte intrínseca de um único processo?

Trezentos e trinta anos após sua morte, Zumbi segue nos vigiando do alto da Serra. A luta antirracista é também a luta anticolonial, logo anti-imperialista e de libertação nacional, lutas por sua vez estritamente conectadas com a luta pelo socialismo.

Ao nosso companheiro Renato Freitas a máxima solidariedade; aos trabalhadores e trabalhadoras de ontem e de hoje – em sua maioria negros, quando não, ainda assim explorados e oprimidos – uma saudação vigorosa ao 20 de Novembro, Dia Nacional – e porque não internacional – da consciência negra, responsável pela construção da consciência geral de que um outro mundo é possível, necessário e urgente!

Autor: Alex Saratt. Professor de História nas redes públicas municipal e estadual em Taquara/RS. Saratt estreia sua coluna no site com esta publicação. Bem-vindo!

Edição: A. R.

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