Boa universidade promove experiências formativas, realiza pesquisas, produz conhecimentos e tem compromisso com a comunidade  

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A UPF (Universidade de Passo Fundo) é uma universidade comunitária comprometida com o desenvolvimento social, cultural e econômico na grande região Norte do RS. Na sua estrutura de Universidade, integra ensino, pesquisa e extensão de forma indissociável, desenvolvendo projetos de extensão que a aproximam da comunidade, através de projetos de pesquisa e extensão que geram conhecimento com aplicação social.

A UPF tem uma pós-graduação consolidada de Pós-Graduação Stricto Sensu por meio dos diversos Cursos de Mestrado e Doutorado. Um dos mais reconhecidos é o Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu/UPF) com seu mestrado iniciado em 1997 e o doutorado iniciado em 2011, conceito 5 junto a Capes. Dentre as diversas ações do Programa, destacam-se os Grupos de Pesquisa responsáveis por desenvolver os diversos projetos de investigação que dá vida às temáticas educacionais, produzem conhecimento e formam os novos pesquisadores.

Um dos importantes grupos do PPGEdu/UPF chama-se GEPES (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Superior da Universidade de Passo Fundo), o qual completou, em 2025, 15 anos de existência.

Por sua meritória trajetória, decidimos entrevistar um de seus fundadores, o professor Dr. Altair Alberto Fávero. Ele, junto com Dra. Carina Tonieto, continua coordenando este valoroso Grupo responsável por desenvolver diversos projetos que mescla leituras, estudos, pesquisas, reflexões e produções qualificadas sobre as práticas docentes e diversas temáticas no âmbito educacional.

De onde surgiu inspiração ou motivação para a criação do GEPES em 2010?

Primeiramente, quero agradecer a oportunidade de dar mais esta entrevista neste prestigiado site que tenho a honra de contribuir desde 2019.

A inspiração de criar o Gepes em 2010 realizou-se por ocasião do credenciamento que tive no Programa de Pós-Graduação em Educação na linha de Políticas Educacionais. Mas a ideia de que o grupo de pesquisa é a alma da vida universitária remonta um período anterior e tem uma forte inspiração do meu grande e saudoso mestre Elli Benincá. Ainda durante minha graduação em filosofia, realizada entre 1986 a 1989, além de ter sido meu professor, junto com meus colegas de turma Angelo Vitório Cenci, Claudio Almir Dalbosco, Valdecir Esquinsani, Moacir Marconi, dentre outros, realizamos a experiência de acompanhar suas pesquisas como bolsistas voluntários.

Além de contribuir com a tarefa de datilografar (ainda não tínhamos computador) os relatórios de pesquisa que ele realizava, fomos mobilizados para criar grupo de estudos nas férias. Certamente esta foi uma das experiências mais exitosas da graduação e que constituiu boa parte do corpo docente do Curso de Filosofia sob a liderança do nosso mestre maior Elli Benincá. Então posso dizer com toda convicção, que a principal inspiração do Gepes vem da experiência com Elli Benincá. Ele não foi somente inspiração na pesquisa. Foi também inspiração na docência, pois fui seu monitor conforme descrevo brevemente no capítulo “A práxis benincaniana na formação continuada de professores” (Fávero, 2022).

Eu já tinha uma prática de pesquisa junto ao Curso de Filosofia da UPF desde 1998, logo após concluir o mestrado da Pucrs, dando sequência aos estudos da dissertação com projetos sobre Epistemologia onde aprofundei aspectos ligados a Filosofia da Ciência, produção do conhecimento, o problema da causalidade na tradição empirista inglesa e na tradição pragmatista americana. Nestes projetos, tive bolsistas de iniciação científica dos quais diversos se tornaram posteriormente meus orientandos de mestrado e doutorado. Em 2002 institucionalizei um projeto sobre Ensino de Filosofia envolvendo alunos da graduação em Filosofia e Pedagogia. De 2003 a 2007 realizei meu doutorado da UFRGS defendendo uma tese sobre Redescrição do Mundo e Educação baseado no pensamento do pragmatista americano Richard Rorty sob a orientação da professora Dra. Nadja Hermann e com o suporte do Dr. Luiz Carlos Bombassaro.

Ao concluir o doutorado em janeiro de 2007, continuei com os projetos de pesquisa nos campos de estudo da Epistemologia e do Ensino de Filosofia, mas agora com uma sistemática de grupo de pesquisa envolvendo de modo especial graduandos da filosofia. Tive excelentes bolsistas dentro os quais destaco Leandro Carlos Ody (foi posteriormente meu orientando da primeira turma de doutorado e o primeiro a defender a tese do programa, hoje professor e pesquisador da UFFS), Carina Tonieto (foi minha orientanda de mestrado, doutorado, supervisionei dois pós-doutorados e com ela divido até hoje a coordenação do GEPES), Francieli Nunes da Rosa (foi minha orientanda no Mestrado), Marceli Becker (hoje uma escritora famosa em São Paulo, autora de diversos livros de poesia, alguns deles premiados), Gabriela Nascimento Souza (hoje professora da UFFS), Cosme Rafael Gonzatto  (foi meu orientando de mestrado), Jorge Alexandre Bieluczyk (hoje diretor do Colégio Bom Conselho), Junior Bufon Centenaro (foi meu orientando no mestrado e doutorado, hoje assessor da Rede Notre Dame e continua sendo um membro ativo do Gepes e da equipe de pesquisa do Ensino Médio), Antonio Pereira Santos (foi meu orientando de mestrado), Alexandre José Hahn (foi meu orientando de mestrado) dentre vários outros.

Quando fui credenciado no PPGEdu/UPF na linha de Políticas Educacionais em julho de 2008, minha experiência de grupo de pesquisa no Curso de Filosofia é transferida para o Programa de Pós-Graduação em Educação, evolvendo agora também os orientandos de mestrado. Carina Tonieto foi minha primeira orientanda de mestrado e com ela decidi em 2010 criar o GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE EDUCAÇÃO SUPERIOR (GEPES).

Me recordo que já nos primeiros encontros dizia que um bom grupo de pesquisa é aquele que tem longevidade e reconhecimento para além do próprio grupo. Para isso era necessário continuidade e socialização do que era estudado por meio de publicações. Para além de exigências formais, a Capes acreditava que divulgar o que é estudado no grupo de estudo e pesquisa se torna um compromisso social com o conhecimento. De certa forma foram estes princípios que marcaram o início do Gepes em 2010 e que se renovam passados 15 anos.

A primeira produção do Gepes data de 2010 e foi o livro autoral Educar o educador: reflexões sobre formação docente escrito em parceria com Carina Tonieto e publicado pela editora Mercado de Letras de Campinas/SP. De lá pra cá foram 15 coletâneas que, de certa forma, contam a história do Gepes e descrevem quais foram os estudos que marcaram este período.

Não posso deixar de mencionar a importância decisiva de uma grande amiga responsável pela nomenclatura GEPES que é a Dra. Maria de Lourdes de Pinto de Almeida, mais conhecida como Malu. O nome Gepes foi sugerido por ela como uma espécie de desdobramento do Gepes da Unicamp. Foi por meio de sua mediação que tivemos a primeira publicação na Editora Mercado de Letras de Campinas e das 4 produções seguintes: Leituras sobre John Dewey e a educação (Fávero; Tonieto, 2011), Leituras sobre Hannah Arendt e a educação (Fávero; Casagranda, 2012), Leituras sobre Richard Rorty e a Educação (2013) e Docência Universitária: pressupostos teóricos e perspectivas didáticas (Fávero; Tonieto; Ody, 2015). Foi por meio de Malu que me vinculei ao GIEPES (Grupo Internacional de Estudos sobre Educação Superior) em 2014, coordenado pela professor Dra. Elisabete Monteiro de Aguiar (Unicamp) e pela própria Malu, o qual reúne pesquisadores de diversas instituições brasileiras (URI, UPF, UNICAMP, UNOESC, UNIOESTE, UFMS, UFSM, FURB dentre outras) e diversos pesquisadores do Uruguai, Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela, México, Espanha e Portugal.

Segunda Coletânea do Gepes publicada em 2022 pela Mercado de Letras – Campinas/SP

Quais foram os objetivos e os desafios concretos nos primeiros e incipientes anos de existência do grupo? Como iniciativa foi vista dentro da UPF e fora dela?

O Gepes nasceu e foi se constituindo como sendo um grupo plural de estudos e pesquisa, que pudesse agregar e promover a formação de novos pesquisadores por meio de um conjunto de ações, tais como: aprimorar dinâmicas e processos de estudo e pesquisa; sistematizar e publicizar suas produções para a comunidade acadêmica e para a comunidade escolar; debater e aprofundar temáticas que pudessem constituir experiências formativas para os mestrandos, doutorandos, bolsistas de iniciação científica, professores do Ensino Superior e da Educação Básica; contribuir com a missão e os objetivos do Programa de Pós-gradução em Educação da UPF na formação de mestres e doutores; ser um espaço de continuidade dos estudos dos egressos do programa e de outros interessados nas temáticas propostas; ser um espaço acolhedor para todos os que desejam estudar e aprofundar temáticas educacionais.

No seu início o grupo era composto por poucos integrantes e os encontros eram presenciais em uma das salas da Faculdade de Educação da Universidade de Passo Fundo. Quinzenalmente o grupo se reunia às sextas à tarde, das 14 às 15 horas. Nas seções de estudo, liamos e discutíamos os textos propostos para aprofundar as temáticas. Os bolsistas realizavam um relatório dos encontros e com isso fomos constituindo uma metodologia própria de trabalho. Com o tempo sentimos a necessidade de transformar os estudos em processos de escrita e com isso foram acontecendo a produção das coletâneas.

Na medida que o Gepes foi se tornando mais conhecido, para além dos muros da UPF, passaram a integrar participantes de escolas, de outras universidades e um público bem variado em termos de áreas do conhecimento. Me recordo, por exemplo, que alguns integrantes vinham de outras cidades, como Carazinho, Santo Angelo, Marau, Vila Maria, Paraí, Santo Angelo, Tapera, Ibirubá, Não Me Toque, Joaçaba, Chapecó, Maravilha, Soledade, Tapejara, Chapada, Getúlio Vargas, Erechim, Sananduva, Cochila, Casca, dentre outras.

O que permanece da essência (do início) das ideias do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Superior e o que foi modificando ao longo da trajetória?

Certamente, um dos aspectos marcantes do Gepes que constituiu sua identidade desde o início e que passado quinze anos ainda se faz presente diz respeito ao espírito de acolhida e o respeito pelas trajetórias singulares de cada integrante. Me recordo que em 2015 quando lançamos no auditório do antigo IFCH a coletânea Docência Universitária: pressupostos teóricos e perspectivas didáticas (Fávero; Tonieto; Ody, 2015), a professora Renata Confortin (autora de um dos capítulos) deu seu depoimento dizendo que havia percebido que um dos mais importantes diferenciais do Gepes do qual participava a mais de um ano era a capacidade de acolhimento a todos os seus integrantes. Para mim, este depoimento foi muito importante e passou a ser um dos princípios identitários que cultivamos até hoje. Não importa a titulação, o tempo de grupo, ou a experiência de pesquisa. Todos são acolhidos da mesma forma e são respeitados na sua singularidade. Da mesma forma, exige-se de seus integrantes o respeito aos demais, assim como a responsabilidade de zelar pelo grupo e pelos compromissos coletivos.

Até março de 2020, todos os encontros de estudos e pesquisas do Gepes eram realizados presencialmente nos espaços da UPF. Com a decretação da Pandemia, imediatamente instituímos os encontros virtuais síncronos pelo google meet. A partir de então, o grupo cresceu exponencialmente. Mantivemos os encontros e a cada encontro o grupo ia crescendo, com participações de regiões bem distantes. Quando findou a pandemia, nos demos conta que não poderíamos voltar com os encontros presenciais, pois muitos seriam impossibilitados de participar em função das distâncias geográficas. Sendo assim, tomamos a decisão de continuar com os encontros on line síncronos.

Integrantes do grupo no período de Presencialidade

Na sua visão, quais são os maiores méritos desta iniciativa, depois de 15 anos de existência? (números de participantes, dados, número de eventos ou publicações)

Atualmente fazem parte do Gepes mais de 60 integrantes, pertencentes a 13 Instituições de Ensino Superior (UPF, UFFS, IFRS-Campus Ibirubá, UFMG, Cefet/RJ, UFES, UFAC, IFSC-Campus Xanxerê, Uniplac, Unoesc, Unochapecó, IFSC-Campus Concórdia, UFSM e UFPel). Temos também professores de diversas redes municipais de ensino e de escolas particulares, bem como egressos e alunos da graduação. Todos os meus orientandos de mestrado, doutorado, bolsistas de iniciação científica e um quantidade expressiva de egressos participam ativamente nos encontros quinzenais do Gepes.

Além dos meus orientandos, nos últimos dois anos temos a participação de orientandos de outros pesquisadores que também são integrantes do Gepes. Destaco de modo especial os orientandos do professor Dr. Anderson Luiz Tedesco (Unoesc), do professor Dr. Ademilson de Sousa Soares (UFMG) e da professora Dra. Adriana Martins Oliveira (UFAC). Sua participação perene e ativa, orientandos e orientadores fazem do Gepes um grupo interinstitucional.

Também cabe um destaque a participação de pesquisadores internacionais como o Dr. Aristeo Santos López da Universidad Autónoma del Estado de México (UAEMéx) e da Dra. Lorena de Tunja/Colômbia.

Possivelmente um dos méritos do Gepes é ter mantido uma sistemática de trabalho que consiste em leitura, estudo, discussão, escrita e publicação dos resultados. Nestes 15 anos foram 15 livros publicados, um por ano e neste momento estamos discutindo os textos escritos pelos seus integrantes que vão compor a 16ª coletânea a ser publicada em maio de 2026. Para o conhecimento dos leitores, segue uma síntese das 15 coletâneas.

Em 2010, quando Carina estava concluindo seu mestrado, com a decisão de criar o Gepes, inspirados e incentivados pela nossa amiga Malu (Maria de Lourdes de Almeida), que nos “abriu muitas portas” junto às editoras, publicamos o livro autoral Educar o educador: reflexões sobre formação docente (Fávero; Tonieto, 2010) publicado pela Mercado de Letras, com um prefácio de nossa amiga Malu.

Altair e Carina – com a 6ª coletânea – 2017

No ano seguinte, com um grupo mais ampliado, estudamos as obras de John Dewey, de modo especial, Democracia e Educação, Reconstruções em Filosofia e Experiência e Educação. Destes estudos, resultou a segunda produção do Gepes intitulada Leituras sobre John Dewey e a educação (Fávero; Tonieto, 2011) publicado pela editora Mercado de Letras. Composta de 13 capítulos, a coletânea aborda diversos temas do filósofo educador norteamericano, dentre os quais destacam-se: o lugar do pensamento de John Dewey na historiografia da educação brasileira; as contribuições de Dewey para a educação; democracia e reflexão poética em John Dewey; a relação entre filosofia e pedagogia no pensamento; a democracia como credo pedagógico na filosofia de Dewey; a distinção entre pedagogia tradicional e pedagogia progressista; a relação entre interesse e esforço nos escrito deweyanos; a experiência filosófica na reconstrução de John Dewey; a experiência como superação do dualismo; a formação do professor reflexivo na concepção pragmatista deweyana; experiência formativa na educação em valores em John Dewey; dentre outros.

Em 2012 fiz um Pós-doutorado na Univesidad Autônoma del Estado do México (UEMéx) e fiquei fora do país de janeiro a julho. Nestes meses, Carina continuou com o Grupo, estudando Richard Rorty (autor que havia estudado para realizar minha tese de doutorado da UFRGS de 2003-2007). Do México, organizei com a parceria de Edison Alencar Casagranda a terceira produção do Gepes intitulada Leituras sobre Hannah Arendt e a educação (Fávero; Casagranda, 2012), também publicada pela editora Mercado de Letras. Quando retornei do México continuamos com os estudos de Rorty e os resultados foram publicados na coletânea Leituras sobre Richard Rorty e a Educação (Fávero; Tonieto, 2013), também publicado em 2013.

Em 2014, o grupo do Gepes já estava bem ampliado, com a participação de diversos mestrandos, doutorandos, egressos de PPGEdu, alunos da graduação, meus bolsistas de iniciação científica, professores da educação básica, professores da educação superior, dentre outros. Duas temáticas marcaram o estudo deste ano: o processo de Bolonha e Docência Universitária. Da primeira temática resultou a publicação da coletânea O Espaço Europeu de Educação Superior (EEES) para além da Europa: apontamentos e discussões sobre o chamado Processo de Bolonha e suas influências (Almeida; Fávero; Catani), publicado pela editora CRV de Curitiba. E da segunda temática resultou a produção da coletânea Docência Universitária: pressupostos teóricos e perspectivas didáticas (Fávero; Tonieto; Ody, 2015).

Os avanços dos estudos no Gepes nos fizeram perceber que a docência universitária requer uma compreensão dos pressupostos epistemológicos que mobilizam as práticas, as compreensões da forma como se constitui a identidade docente, a maneira como se articulam as distintas formas de ensino e aprendizagem no Ensino Superior.

Destes estudos surgiu a coletânea Epistemologias da Docência Universitária (Fávero; Tonieto, 2016) composta de 12 capítulos onde são abordadas as seguintes temáticas: a dimensão crítico-dialética na formação docente na perspectiva freireana, o lugar da teoria na pesquisa sobre docência na Educação Superior, os aspectos do pensamento complexo que perpassa a autoeco-organização e autoeco-formação do docente universitário iniciante, a atitude vigilante do professor universitário para enfrentar os obstáculos epistemológicos do seu fazer docente, a constituição dos saberes da docência universitária, a epistemologia que perpassa o fazer docente no cenário da sociedade líquida baumaniana, a negação da pedagogia das aparências em prol de uma pedagogia científica na perspectiva bachelardiana, o falibilismo como fundamento epistemológico na formação de professores para o ensino de ciências naturais, os paradigmas necessários à construção da docência universitária no cenário atual, a relação entre racionalismo aplicado e os novos rumos da ciência contemporânea para compreender a docência universitária, a sensibilização docente na compreensão da epistemologia da prática na docência universitária.

A interdisciplinaridade foi tema de estudos do Gepes em 2017 e tornou-se uma temática imprescindível para enfrentar os desafios da docência universitária contemporânea. Destes estudos, surgiu a coletânea Interdisciplinaridade e Formação Docente (Fávero; Tonieto; Consaltér, 2018), composta de 15 capítulos onde são tratados as seguintes temáticas: entendimentos  e perspectivas da interdisciplinaridade na formação de professores, a interdisciplinaridade e o falibilismo na formação docente, os equívocos e as possibilidades da interdisciplinaridade na formação de professores, a resolução de problemas como prática interdisciplinar na educação, a perspectiva história e política da interdisciplinaridade pelo enfoque da educação, as interlocuções possíveis entre interdisciplinaridade e alteridade na educação numa perspectiva estética, a vivência teatral como experiência interdisciplinar formativa, a interdisciplinaridade como crítica à fragmentação do saber, o desafio da reflexividade interdisciplinar na educação escolar, o potencial freireano e interdisciplinar nos processos formativos, as exigências e consequências da complexidade presente na relação entre interdisciplinaridade e educação em direitos humanos, a interdisciplinaridade proposta para a educação física no Referencial curricular do Rio Grande do Sul, a interdisciplinaridade na formação de docentes na Educação infantil na perspectiva da psicanálise e a presença da interdisciplinaridade no campo teórico e no campo de intervenção das políticas educativas.

A relação entre políticas educacionais e formação de professores também foi pauta de estudos e discussões dos pesquisadores do Gepes na disciplina “Políticas de Formação de Professores”, na qual participaram mestrandos, doutorandos e alunos com matrícula especial no segundo semestre de 2018. Destes estudos e discussões resultou a publicação da coletânea Políticas de Formação de Professores (Fávero; Consaltér; Trevisol, 2019) composta de 14 capítulos onde são tratadas as seguintes temáticas: o desafio da prática pedagógica na formação docente de professores de cursos de bacharelado, a pós-graduação stricto sensu como espaço de formação docente no contexto da educação inclusiva, as diretrizes para a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério da educação básica, análise comparada entre os planos estaduais de educação do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina sobre a formação de professores da educação básica, a formação docente e a construção da identidade do professor na educação infantil, a especificidade da formação continuada de professores no PROCAMPO, o lugar das humanidades na perspectiva estética da formação docente, a importância da teorias e das pesquisas na formação docente, um estado do conhecimento sobre a formação de professores para o uso de tecnologias, os sentidos atribuídos às tecnologias da informação e da comunicação por professores em formação, as compreensões teórico-metodológicas da interdisciplinaridade na gestão escolar na formação continuada de professores, um diálogo para além da especialidade na relação entre interdisciplinaridade e formação docente.

Lançamento do Livro Docência Universitária em 2015.

Ainda em 2018, o Gepes debruçou-se nos estudos de algumas das obras de Zygmunt Bauman, dentre elas Modernidade Líquida, Vida Líquida, Legisladores e Interpretes, Vida à Crédito, Vigilância Líquida, Amor Líquido dentre outras. Como resultado dos estudos, foi publicada a coletânea Leituras sobre Zygmunt Bauman e a Educação (Fávero; Tonieto; Consaltér, 2019). A coletânea é composta de 17 capítulos nos quais os autores discorrem sobre as seguintes temáticas: a tensão entre ambivalência e a ordem e a questão da solidariedade; ambivalência como paradigma em gestação no mundo líquido, análise de dois modelos formativos a partir das metáforas do peregrino e do turista; as ações e emoções no mundo líquido de Bauman, autoridade docente na modernidade líquida, os desafios do trabalho docente; as práticas pedagógicas e as relações humanas na sociedade líquida; a fragilidade dos laços humanos e a felicidade efêmera na sociedade de consumo; a educação entre Babel e a cegueira moral; os conceitos de indivíduo e de comunidade nas teorias de Norberto Elias e Bauman; a incorporação dos sinais da incerteza na perspectiva do medo líquido; as interações entre Bauman e Freire na relação entre educação e diálogo com as diferenças; educação e o paradoxo da identidade; a dimensão estética na formação do docente universitário no mundo líquido moderno; a síndrome consumista no ambiente escolar; a utilidade do inútil para a democracia social e política do mundo cibernético; e por fim, as ressonâncias do consumismo nos processos educativos na modernidade líquida.

Em 2019, os estudos do Gepes concentraram-se em aprofundar a relação entre Educação e Neoliberalismo. A partir da discussão e trabalho sistemático das obras A escola não é uma empresa de Christian Laval, A nova razão do Mundo de Pierre Dardot e Christian Laval, e da obra Em defesa da escola: uma questão pública de Jan Masschelein e Maarten Simons, o Gepes produziu sua 10ª coletânea intitulada Leituras sobre Educação e o Neoliberalismo (Fávero; Tonieto; Consaltér, 2020). Composta de 22 capítulos, a coletânea aborda, dentre outras, as seguintes temáticas: a escola sob o gerencialismo empresarial; a educação como consumo; negócio versus formação nas políticas para a cidadania na Europa, as parcerias público-privadas e a drenagem dos recursos públicos para as fundações privadas no contexto da reforma do ensino médio; capital humano e neoliberalismo na educação; crítica a pedagogia das competências; a lógica perversa da profissionalização na ideologia empresarial que invade os processos formativos; a perda da identidade escolar decorrente do avanço do empresariamento da educação; a cultura humanista como antídoto ao empresariamento da educação; a responsabilização como mecanismo de mercantilização da educação superior; a colonização neoliberal da subjetividade e os riscos da formação humana; a presença da ideologia neoliberal no processo de transformação da educação em negócio; a publicidade infanto-juvenil nas estratégias de marketing nas escolas; possibilidades de resistência ao processo de mercantilização da educação; a lógica empresarial presente na narrativa “life long learnig” e a cilada do “educar por competências”; a defesa da escola como tempo livre no cenário global; quando modernizar se transforma em domar a escola nos trilhos da ideologia neoliberal; a “profissionalização” como tática de domar o professorado; os avanços e os entraves na formação democrática da escola pública brasileira; quando o neoliberalismo chega à escola por meio de discursos sedutores; quando a educação se torna um simples produto nas prateleiras do mercado.

Em março de 2020, depois do primeiro encontro presencial realizado na Faculdade de Educação da UPF, em função da Pandemia do Covid-19, o Gepes tomou a decisão de continuar os encontros online por meio do Google Meet. A temática escolhida para os estudos deste ano de Pandemia foram algumas obras da filósofa americana Martha Nussbaum, dentre as quais destacam-se Sem fins lucrativos; El cultivo de la humanidad; Crear Capacidades, Educação e Justiça Social; Fronteiras da Justiça; Las mujeres y el desarollo humano, El ocultamiento del humano, dentre outras. Do estudo do ano, resultou na publicação da 11ª coletânea do Gepes intitulada Leituras sobre Martha Nussbaum e a educação (Fávero; Tonieto; Consaltér; Centenaro, 2021). Composta de 18 capítulos, a obra discorre sobre temas instigantes em torno desta potente pensadora contemporânea. Como é referido na apresentação da coletânea, um dos elementos centrais de sua obra é o papel que a educação possui para o fortalecimento da democracia, para o desenvolvimento humano, para a promoção das capacidades humanas e para a justiça social global. O sucesso da publicação fez com que o Gepes organiza-se, em parceria com o PPGEdu, um curso de extensão onde boa parte dos textos da coletânea foram lidos, apresentados e discutidos nos 12 encontros realizados no segundo semestre de 2021. Todo os encontros estão disponíveis no canal do Youtube do Gepes:

Acesse: https://www.youtube.com/results?search_query=gepes+upf+martha+nussbaum

Em 2021, o Gepes possuía mais de 40 participantes. O tema escolhido para ser investigado foi a Teoria da Atuação de Stephen Ball e sua recepção nas pesquisas em educação. Dentre os textos estudados e discutidos durante o ano destacam-se Como as escolas fazem as políticas; Educação Global S.A.; A nova filantropia, o capitalismo social e as redes globais em educação; Intelectuais ou técnicos? O papel imprescindível da teoria nos estudos educacionais; Reformar escolas/reformar professores e os terrores da performatividade, Sociologias das políticas educacionais e pesquisas crítico-social: uma revisão pessoal das políticas educacionais e das pesquisas em políticas educacionais; Profissionalismo, gerencialismo e performatividade, dentre outros. O intenso estudo e os calorosos debates resultaram na 12ª coletânea do Gepes, intitulada Leituras sobre a pesquisa em política educacional e a teoria da atuação (Fávero; Tonieto; Consaltér; Centenaro, 2022). Conforme é referido na apresentação da coletânea, a relevância do estudo da teoria da atuação reside na sua fecundidade analítica como referencial teórico-metodológico para compreender como as escolas e seus sujeitos lidam, no cotidiano das instituições, com as diversas políticas educacionais que interferem e ditam o rumo e o ritmo do trabalho escolar.

Em 2022, o Gepes concentrou seus estudos e discussões nas perspectivas metodológicas da pesquisa em política educacional. Diversos autores e abordagens metodológicas foram teorizadas e sistematizadas nos 22 encontros realizados de forma online quinzenalmente nas sextas-feiras a tarde. Como resultado, o Gepes produziu sua 13ª coletânea intitulada Pesquisa em Política Educacional: perspectivas metodológicas (Fávero; Tonieto; Bukowski; Centenaro, 2023). Conforme é dito na apresentação da obra, a pesquisa científica em educação, diante do desafio de produzir conhecimento de relevância acadêmica e social, atendendo aos critérios de validade e princípios éticos, requer clareza quanto às suas dimensões teórica e metodológica que a compõe. Nos capítulos que compõe a obra, além de três capítulos iniciais que tratam do objeto de estudo da pesquisa educacional, do papel do referencial teórico e do lugar central do problema de pesquisa na relação entre a dúvida científica e a elaboração da pergunta, os demais 13 capítulos abordam as seguintes perspectivas metodológicas: abordagem qualitativa e quantitativa nas pesquisas em política educacional; possibilidades e limites da pesquisa básica e da pesquisa aplicada; a interação e o diálogo com o campo de estudo possibilitado pela pesquisa bibliográfica; o tratamento e a análise dos dados na pesquisa em política educacional; o papel do Estado da Arte nas pesquisas em políticas educacionais; a importância da pesquisa documental na compreensão das políticas educacionais; os usos da análise de conteúdo nas pesquisas em políticas educacionais; a metapesquisa como um campo de construção nos estudos de políticas educacionais; o compartilhamento de saberes na pesquisa-ação; a etnografia das redes como forma de análise das políticas educacionais no cenário global; o estudo de caso na compreensão dos contextos escolares; como se organiza grupos focais em ambientes virtuais; as potencialidades e riscos das entrevistas nas pesquisas em políticas educacionais, dentre outros.

Em 2023, o Gepes tomou a decisão de que mesmo depois da Pandemia, os encontros permaneceriam online tendo em vista que uma parte expressiva dos seus participantes viviam geograficamente distante de Passo Fundo o que tornaria impossível os encontros presenciais. Desde 2021 foram se integrando ao grupo pesquisadores do Mato Grosso, Brasília, Santa Catarina, Rio de Janeiro e diversas cidades do Rio Grande do Sul. Em 2023, somaram-se diversos integrantes de Minas Gerais sob a liderança do professor Paco (UFMG), do Acre (sob a liderança da pesquisadora Adriana), bem como a presença de mestrandos e doutorandos da Unoesc (liderados pelos pesquisadores Márcio e Anderson).

Não poderia deixar de mencionar egressos do PPGEdu que, embora estejam residindo longe de Passo Fundo, continuam participando dos encontros quinzenais e contribuindo com a produção das coletâneas. A temática de 2023, escolhida para estudo e discussão, foi as Políticas Educacionais e Neoliberalismo envolvendo 5 eixos de discussão: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Gestão; Ensino Médio; Educação Superior e Formação de Professores. Como resultado o Gepes publicou sua 14ª coletânea intitulada Políticas Educacionais e Neoliberalismo (Fávero; Tonieto; Bellenzier; Centenaro, 2024). Composta de 23 capítulos, tornou-se a obra mais volumosa e representa a fase de consolidação do Gepes. As investigações dos 23 capítulos concentram-se em analisar as reformas neoliberais na educação a fim de identificar os desdobramentos nos diferentes níveis da educação, principalmente na organização dos processos educativos.

Em 2024, o Gepes elegeu como temática de estudo, pesquisa, discussão e escrita “Currículo e Políticas Educacionais”. Nos 22 encontros foram lidos, apresentados e discutidos dezenas de textos sobre a temática que resultou na décima quinta (15ª) coletânea intitulada Currículo e Políticas Educacionais (Fávero; Tonieto; Bellenzier; Bukowski, 2025). Trata-se de uma coletânea comemorativa aos 15 anos do Gepes.

Atual coordenação do GEPES

Em recente matéria sua sobre os 15 anos do GEPES, publicada no site (www.neipies.com/a-trajetoria-de-15-anos-do-gepes/) 59 pessoas manifestaram, por meio de comentários, sobre “O que significa ou significou o Gepes para você?”. O que este retorno tão positivo sobre esta experiência singular de Estudos e pesquisas em Educação Superior significa?

Quero aproveitar esta pergunta para expressar minha gratidão a ti Nei, pela oportunidade de conceder o espaço de publicação no site. Iniciei com uma entrevista sobre “Escola Boa é escola que professores estudam” (https://www.neipies.com/escola-boa-e-a-escola-onde-professores-estudam/) publicada em 24/04/2021 que rendeu mais de 7.300 acessos e na sequência o convite para escrever uma coluna quinzenal. Ao todo foram mais de 100 textos que renderam mais de 130 mil acessos. Foi uma parceria importante, pois foi uma das formas que encontrei de divulgar as pesquisas do Gepes e suas produções para um público mais amplo.

Eu já tinha tido uma experiência de escrever quinzenalmente no Jornal Fato Regional de Vila Maria a convite de meu grande amigo, ex-orientando de mestrado e doutorado Evandro Consaltér. Neste Jornal devo ter escrito umas 70 a 80 colunas de 2014 a 2020. O Jornal tinha a circulação regional em 13 municípios, uma tiragem de 2.000 exemplares e era muito lido nas escolas. Recebi muitos retornos de alguns textos lá publicados. Mas com a coluna no teu site, a abrangência dos escritos atingiu muitos outros lugares, em todo o Brasil e em outros países. Sei por exemplo que os textos são lidos na Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Argentina, Uruguai, Chile, México, Colômbia, Venezuela, Espanha e Portugal.

Quando em maio deste ano escrevi o texto “Trajetória dos 15 anos do Gepes”, não imaginava que teria tantas manifestações sobre “O que significa ou significou o Gepes para você?”. A quantidade e a qualidade dos depoimentos causaram em mim um sentimento de profunda alegria e realização de ter atingido nestes quinze anos tantas pessoas e contribuído para a formação de tantos pesquisadores, pessoas melhores, sensíveis, atentos aos desafios atuais da educação. São depoimentos sinceros, profundos, afetivos, expressivos daquilo que constituiu o Gepes nestes quinze anos. Para os que quiserem compreender o significado profundo do que significa fazer parte do Gepes, indico a leitura dos 59 comentários postados no final da coluna cujo endereço de acesso está na pergunta.

Conte-nos também sobre a experiência e cooperação com outros grupos de pesquisa nacional e internacional.

A pesquisa e a formação de pesquisadores é um processo dinâmico, interativo, persistente, exigente, cuidadoso, trabalhoso, colaborativo. Gosto muito da expressão “comunidade de investigação” cunhada por Charles Peirce no final do século XIX e ressignificada por Matthew Lipman na década de 1980 quando instituiu o Programa Educação para o Pensar – Filosofia para Crianças. Tanto em Pierce quanto em Lipman, a ideia fundamental é que não existe um pesquisador solitário, isolado do mundo, das pessoas e de outros pesquisadores.

A pesquisa se faz de forma interativa, com outros pares, com um diálogo construtivo que nos ajuda enxergar mais longe, retificar nossos erros, compreender outras formas de investigar um campo de conhecimento ou um objeto de estudo. No capítulo “Interação e diálogo com o campo de estudo: a pesquisa bibliográfica em políticas educacionais” (Fávero et al, 2023, p. 102) escrito em parceria com integrantes do Gepes e publicado na coletânea Pesquisa em política educacional: abordagens metodológicas (Fávero; Tonieto; Bukowski; Centenaro, 2023), nos inspiramos na ideia do saudoso Mário Osório Marques, um dos mais importantes fundadores da Unijuí, para dizer que a pesquisa é o exercício de “convocar uma comunidade argumentativa” para dialogar sobre um tema/problema de investigação. Não se trata de qualquer comunidade, ou de uma comunidade espontânea. Conforme nos adverte Marques (2001, p. 98), “trata-se de comunidade especialmente convidada para debater em torno de uma determinada temática”.

Quem convoca é o pesquisador ou o grupo de pesquisadores e o tema/problema a ser investigado. Enquanto anfitriões da comunidade, os pesquisadores precisam ser protagonistas do diálogo com seus interlocutores sem esquecer de realizar um diálogo consigo mesmo e com o tempo. Omitir-se de articular o diálogo com os interlocutores ou até silenciar em situações importantes da conversa com a comunidade argumentativa pode produzir uma escrita teoricamente frágil e/ou falta de autoria.

Dito isso, posso dizer que nestes 15 anos nossa “comunidade argumentativa” do Gepes teve importantes e fundamentais interlocutores, assim como continuam chegando novos. Me refiro não somente aos participantes, mas também os autores, os textos, os intercâmbios que constituíram e constitui o Gepes. Pesquisadores que sempre se mostraram abertos e receptivos aos convites do Gepes. Difícil citar todos com o risco de deixar fora nomes importantes. Pesquisadores Brasileiros e internacionais. Se olharmos as 15 coletâneas já publicadas veremos que em quase todos elas tem participações internacionais e interinstitucionais, o que mostra que o Gepes não é um grupo de pesquisa endógeno, mas sim aberto ao diálogo com outros interlocutores para tornar mais promissora a comunidade argumentativa. Além dos pesquisadores, temos também os autores, os referenciais teóricos, as centenas de textos que serviram de inspiração para que o Gepes pudesse avançar nos estudos e entregar para a comunidade acadêmica suas produções. John Dewey, Richard Rorty, Hannah Arendt, Olga Pombo, Zygmunt Bauman, Martha Nussbaum, Christian Laval; Pierre Dardot, Michael Young, Basil Bernstein, Sthephen Ball, Mônica Ribeiro da Silva, Jefferson Mainardes, César Tello, Jorge Gorostiaga, Nora Krawczyk, Alice Casimiro Lopes, Elizabeth Macedo, Lucídio Bianchetti, Angelo Ricardo de Souza e tantos outros foram alguns dos interlocutores que nos acompanharam por meio dos seus escritos na comunidade argumentativa do Gepes nestes mais de 15 anos de estudos, pesquisas e produções acadêmicas.

Na sua visão, como relacionar qualidade na educação básica e universitária a partir de estudos e pesquisas sobre as práticas docentes?

Tenho defendido em alguns textos, na participação em Bancas de mestrado/doutorado e nas discussões com meus pares de pesquisa que BOA Universidade é aquela que consegue desenvolver com qualidade e de forma potente a indissociabilidade de suas três atividades fins: ensino, pesquisa e extensão. O que isso significa? Como estas três atividades podem ser feitas com qualidade? Como elas se cruzam? De que forma se efetivam?

Por partes:

* não existe qualidade de ensino sem professores altamente qualificados na dimensão epistemológica, didática, pedagógica e ética. Bom professor é aquele que tem muita bagagem teórica, bom domínio de conteúdo, sensibilidade ao contexto, e bom repertório didático-pedagógico; bom professor é aquele que tem um bom relacionamento com os alunos, uma qualificada capacidade de diálogo, um bom domínio da compreensão dos conteúdos que ele tem a obrigação de saber; um senso de cidadania e de justiça social porque o conhecimento que ele trabalha não é neutro e sim politicamente posicionado; humildade epistemológica e pedagógica, para se colocar na condição de alguém que aprende com os alunos e com os novos saberes que surgem todos os dias; aberto e disposto a familiarizar-se com as novas tecnologias, pois são ferramentas importantes e necessárias para comunicar-se melhor com os alunos e acessar novos saberes; conhecedor dos atuais desafios educacionais e das demandas sociais que isso implica; e a lista poderia ser bem mais ampla.

Mas uma boa universidade não pode ser só ensino, por melhor que ele seja ou deveria ser.

Uma boa universidade necessita também ter pesquisa, grupos de investigação, produção acadêmica. As próprias diretrizes da legislação indicam que uma instituição de Educação superior só pode ser universidade se também tiver, além do ensino, pesquisa e extensão. Hoje boa parte da pesquisa que ocorre na universidade está ligada aos programas de pós-graduação stricto sensu. Formar mestres e doutores tem sido uma das diretrizes importantes apontadas inclusive nos Planos Nacionais de Educação. E aqui mais uma vez vem o desafio de que a pós-graduação tenha uma interação direta com a educação básica. Como isso é possível?

De que forma a formação de mestres e doutores pode impactar a educação básica? De várias maneiras, mas gostaria de destacar três delas:

1) formação de mestres e doutores que estão ou vão atuar na educação básica: Estudos mostram que escolas que possuem mestres e doutores em seus quadros melhoram expressivamente os índices de qualidade na educação básica. As redes municipais e estaduais, tanto as escolas públicas quanto às escolas particulares, se pudessem fomentar que seus quadros de professores pudessem fazer mestrado e doutorado. Muitas vezes gasta-se enormes recursos públicos para comprar equipamentos pedagógicos que logo envelhecem e que pouco impactam na melhoria de ensino. Se uma parte destes recursos fosse destinada para formar mestre e doutores num planejamento bem ordenado, em uma ou duas décadas, as redes estariam bem servidas em termos de qualificação de seus professores para a pesquisa.

2) produção acadêmica que os programas podem direcionar para a educação básica: Defendo a algum tempo que a produção de artigos, coletâneas, livros autorais ou trabalhos em Eventos Científico/Acadêmicos deveriam ter foco na educação básica. Não estou afirmando que toda produção deve ser direcionada para a educação básica, mas uma parte significativa sim. Talvez este seria o mais importante impacto de inserção social. Mas essa produção necessita chegar às escolas, às mãos dos professores e servir de subsídio para os grupos de estudo, para os planejamentos, para a elaboração dos projetos de trabalho, na condução do diálogo com os pais, no aprimoramento dos conhecimentos específicos das áreas, na forma como a gestão compreende e dinamiza o sistema educacional.

3) Realização de pesquisa no campo da educação básica: esta terceira possibilidade se articula as duas anteriores. Na medida que temos professores da educação básica realizando mestrado e doutorado, certamente muitos dos seus objetos de estudo estariam sendo direcionadas para o campo da educação básica. Num curto espaço de tempo teríamos muitas dissertações e teses problematizando e produzindo conhecimentos importantes sobre os dilemas, problemas e desafios que fazem parte das preocupações da educação básica. Já existem muitas e de boa qualidade. No entanto, na maioria das vezes não chega até a educação básica, não são acessadas pelos professores e pelas escolas, e mais uma vez tem-se um primoroso conhecimento que fica distante do cotidiano escolar.

A extensão é a terceira atividade fim de uma boa Universidade e deve ser igualmente cuidada, organizada, incentivada e efetivada. A extensão não pode ser reduzida a uma prestação de serviço ou a forma paternalista da universidade se fazer presente na comunidade. Isso seria empobrecer tanto a extensão quanto a potência da universidade. Historicamente a extensão foi o fator mais fragilizado das três atividades fins. Me lembro que nos anos 1990 falava-se do “primo pobre” da universidade, porque recebia pouca atenção e investimentos. Houve um momento que se tentou fazer da extensão uma forma de captar recursos transformando-a em prestação de serviço. Avançar nessa direção significa transformar a Universidade um balcão de negócio e mercantilizar uma de suas atividades fins. Por outro lado, a própria comunidade e o poder público compreende mal ou de forma atravessada a extensão. Muitos só querem tirar da universidade e nada dão em troca. Acredito que nos próximos tempos temos de avançar mais na definição de uma compreensão mais assertiva da própria extensão.

O senhor já defendeu, em outra publicação sua, tese “emprestada” de Gilberto Dimenstein de que a escola boa é a escola onde professores estudam (www.neipies.com/escola-boa-e-a-escola-onde-professores-estudam/). Como? Universidade boa também é onde seus professores estudam?

Sim, já mencionei sobre isso em uma das perguntas acima. Adorei ter feito aquela entrevista, assim como estou gostando muito de fazer esta. Na ocasião que respondi aquela entrevista em 2021, pude recuperar uma memória de quase 30 anos voltado a formação de professores. Boa parte das posições que defendi naquela ocasião continuam atuais e altamente defensáveis.

Minha tese geral é que assim como a boa escola é aquela que os professores estudam, da mesma forma uma boa universidade é aquela que os professores estudam.

E mais uma vez vem a pergunta: o que significa estudar? Estudar não é apenas absorver informações, realizar cursos, ou obter títulos e certificados. O bom estudo é aquele que possibilita refletir e pensar conjuntamente sobre o que fazemos como professores, sobre as problemáticas que são enfrentadas no cotidiano das salas de aula, na forma articulada como são planejadas as aulas, nos desenhos curriculares, no aprofundamento dos conhecimentos específicos que cada professor necessita dar conta para formar bons profissionais, na articulação dos esforços coletivos dos colegiados para identificar e propor soluções que aparecem no âmbito curricular, didático e na modo de fazer universidade.

Sabe-se que não é tarefa fácil e que a vida corrida que boa parte dos professores têm nem sempre oportuniza tempos e espaços para o estudo, principalmente, de forma coletiva. No entanto, este é e será o diferencial de uma BOA UNIVERSIDADE, e instituições de educação superior que transformaram o ensino superior num negócio, numa forma de ganhar dinheiro. A mercantilização da educação é um dos piores problemas do atual cenário da educação superior. Quanto mais a educação vira um negócio, menos a Universidade está cumprindo sua função social historicamente constituída. A Universidade transformada em balcão de negócios perde sua potência, sua vitalidade e sua razão de ainda estar no mundo.

Nos estudos que temos desenvolvido no Gepes, temos denunciado esta forma perversa e destruidora da potência da universidade quando se aproxima cada vez de um modelo de negócio e se afasta de formação do pensamento crítico. A título de exemplo e sugestão de leitura, sobre isso indico as seguintes leituras:  capítulo “Para Além da eficiência e da eficácia: em defesa de uma cultura humanista como antídoto ao empresariamento da educação” (Fávero; Centenaro; Santos, 2023); capítulo “Currículo, conservadorismo e neoliberalismo: o discurso da nova direita para dominar mentes e corpos” (Fávero; Mikolaiczik; Consaltér; Trevisol, 2025); o artigo publicado na Revista Paradigma (Venezuela) intitulado “O avanço do neoliberalismo sob regulação do Estado: o curso de licenciatura em Pedagogia e o predomínio da educação à distância” (Fávero; Mikolaiczik, 2024); o artigo publicado na Revista Literatura em Debate da URI, intitulado “A corrosão dos cursos de licenciatura no Brasil: o tensionamento entre Estado e Políticas Neoliberais na formação de Professores” (Fávero; Mikolaiczik, 2024), dentre outros.

Pra finalizar, quero ressaltar que não se tem BOA UNIVERSIDADE se ela não tem em seus quadros professores pesquisadores, suas atividades-fim direcionadas a equilibrar a formação de bons profissionais e a formação cidadã e que em sua missão tenha a preocupação de formar o pensamento crítico de seus sujeitos educacionais (sejam eles professores, alunos, gestores, pós-graduandos), a sustentabilidade (seja ela econômica, ambiental, política, cultural) e, principalmente, promover a justiça social e a equidade. A Universidade falha em sua missão quando em suas ações não promove estas dimensões e suspeito que dificilmente ela terá êxito se não tiver em seu Planejamento Estratégico, estas dimensões contempladas.

Na sua visão, qual é a importância de sites educativos e reflexivos como o nosso, na promoção de uma educação mais crítica e humanizadora?

Reforço aqui, mais uma vez o que mencionei no início da entrevista e diversas outras questões: considero essencial que aproveitemos todas as forma de divulgar o pensamento, as pesquisa, o conhecimento historicamente elaborado, as proposições importantes pra projetar um sociedade melhor, que promova a justiça social, a equidade, a sustentabilidade e a vida digna para todos. As tecnologias, sites educativos e reflexivos como este, que está divulgando esta entrevista, são ferramentas fundamentais para que possamos divulgar tudo isso.

Num cenário marcado por fake news que tem contaminado a política e a vida social, que destrói a confiança e promove o discurso de ódio e banalidade do mal, encontrar ferramentas como estas que divulgam gratuitamente reflexões potentes para pensar e projetar um mundo possível, torna-se uma dádiva.

Sou esperançoso que ainda teremos uma educação melhor, justa, propositiva de uma sociedade menos desigual e mais solidária. Uma economia endereçada a sustentabilidade e a promoção humana, ambiental e não refém do capital, que instrumentaliza a natureza e os seres humanos para produzir privilégios e lucros para poucos, pobreza e miséria para muitos.

Como bem dizia nosso saudoso patrono da educação Paulo Freire, a educação não muda o mundo; a educação muda pessoas e pessoas mudam o mundo. Que estas sábias palavras possam ecoar na vida pulsante de nossas universidades, hoje ameaçadas por uma mentalidade limitada, técnica, burocrática e instrumental do capital, que aposta num projeto suicida de que o conhecimento tem de virar mercadoria. Que saibamos aprender com os grandes pensadores do passado e do presente que a vida democrática se fortalece quando nossas instituições formativas sejam espaços e tempos de cultivar a universidade de ideias para “produzir cidadãos íntegros que possam pensar por si próprios” e não “máquinas lucrativas” (Nussbaum, 2015, p. 4) gananciosas e egoístas que acreditam que a vida se resume ao bem-estar material.

O que mais gostaria de destacar, na perspectiva dos desafios de qualificar as práticas docentes na Educação Superior, mas também na educação básica?

Para finalizar essa entrevista, gostaria de reafirmar minha esperança na potencialidade da educação de modo geral e do papel da BOA UNIVERSIDADE como casa do saber, da formação cidadã, do pensamento crítico e do fortalecimento da democracia. Sou otimista em relação a isso, se de fato tivermos a coragem de fazer aquilo que tem de ser feito.

Penso que o compromisso ético da universidade na efetivação do seu tripé (Ensino, Pesquisa e Extensão) é formar qualificados profissionais e bons cidadãos. Isso não é alcançado quando a Universidade se torna um balcão de negócios, ou quando se torna refém de influências externas que instrumentalizam a instituição para fins restritamente economicistas ou formatação ideológica de profissionais mesquinhos, competitivos, insensíveis aos problemas ambientais, sociais e culturais. A universidade não pode formar profissionais que só se preocupam consigo mesmo ou com os ganhos financeiros, pois estaríamos formatando “máquinas lucrativas” e não “cidadãos íntegros” para usar a expressão de Nussbaum (2015).

Também preciso dizer que não existe Boa educação e BOA UNIVERSIDADE, sem formação de professores e sem um projeto cuidadoso que oportunize condições para que tanto a formação inicial quanto a formação continuada de docentes, seja bem estruturada, robusta, fundamentada e promotora de um projeto democrático que promove a equidade, a justiça social e a preservação ambiental. Coloco estes três aspectos, pois sintetizam os maiores desafios da sociedade contemporânea.

Em um dos seus últimos livros, intitulado Educação ou Barbárie? Uma escolha para a educação contemporânea, Bernard Charlot (2020, p. 11) é enfático e diz com convicção que em termos de educação “é necessário explicitar e assumir nossa diferença antropológica para redefinir nossa relação com o planeta, com as outras espécies animais, conosco mesmo e com nossos filhos e, em particular, para pensar uma pedagogia contemporânea”.

Os discursos contemporâneos sobre educação, entusiasmados com o discurso da qualidade, na neuroeducação, da cibercultura ou até mesmo do transhumanismo, esquecem que precisamos voltar às perguntas fundantes da dimensão antropológica da pedagogia: que tipo de ser humano queremos formar? Um indivíduo egoísta, narcisista, competitivo, insensível ao sofrimento dos outros e aos problemas ambientais, incapaz de perceber as injustiças e a maldade que está sendo naturalizada? Ou um sujeito capaz de ir além do seu próprio umbigo e seja capaz de lutar por uma vida democrática, pela proteção da nossa casa comum que se chama planeta terra, que consiga perceber as contradições dos discursos falaciosos dos políticos, dos falsos pastores, dos mercenários que ocupam cargos públicos, dos vendedores de ilusões, das fake news que circulam nas redes sociais e em certos canais da imprensa?

Como nos adverte Charlot (2020, p. 11), “se não formos capazes de ir além do atual ‘estudar para ter um bom emprego mais tarde’ e educar nossos filhos como membros de uma espécie humana responsável pelo estado atual e futuro do mundo, será muito difícil escapar desses surtos de barbárie que estamos vivendo e cujas novas formas nos são anunciadas com orgulho pelo pós-humanismo”.

Para concluir, penso que as palavras de Hannah Arendt, no final do famoso capítulo sobre “a crise na educação” publicado no livro Entre o passado e o futuro, se fazem oportunas quando diz que “a educação é o ponto que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens”.

Não existe futuro sem educação e sem crianças e jovens que possam ter uma formação escolar que tenha compromisso com a proteção do mundo. E a própria Arendt (2003, p. 247) continua: “A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las do nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência de renovar um mundo comum”. O mundo comum referido por Arendt é nossa casa coletiva, nosso meio ambiente, nossa forma de vivermos coletivamente num mundo onde todos se sentem acolhidos e fortalecidos por um modo de vida democrático.

Referências:

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. 5 ed. São Paulo: Perspectiva, 2003.

CHARLOT, Bernad. Educação ou barbárie? Uma escolha para a sociedade contemporânea. São Paulo: Cortez, 2020.

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FÁVERO, Altair Alberto; TONIETO, Carina; BELLENZIER, Caroline Simon; BUKOWSKI, Chaiane (orgs.). Currículo & Políticas Educacionais. Passo Fundo: Editora UPF, 2025. https://www.researchgate.net/publication/391628516_Curriculo_Politicas_Educacionais

FÁVERO, Altair Alberto; MIKOLAICZIK, Daniê Regina; CONSALTÉR, Evandro; TREVISOL, Márcio Giusti. Currículo, conservadorismo e neoliberalismo: o discurso da nova direita para dominar mentes e corpos. In: FÁVERO, Altair Alberto; TONIETO, Carina; BELLENZIER, Caroline Simon; BUKOWSKI, Chaiane (Orgs). Currículo e políticas educacionais. 1ed.Passo Fundo/RS: EDIUPF, 2025, p. 403-434. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/391583950_Curriculo_conservadorismo_e_neoliberalismo_o_discurso_da_nova_direita_para_dominar_mentes_e_corpos

NUSSBAUM, Martha. Sem fins lucrativos:  por que a democracia precisa das humanidades. São Paulo: Martins, 2015.

Edição: A. R.

2 COMENTÁRIOS

  1. Agradecemos ao entrevistado Altair Favero pela riqueza de detalhes com que trata a história de 15 anos do GEPES-UPF da qual é idealizador e coordenador. Obrigado pela parceria com site em produção de conhecimentos que humanizam!

  2. UPF (Universidade de Passo Fundo) é uma universidade comunitária comprometida com o desenvolvimento social, cultural e econômico na grande região Norte do RS. Na sua estrutura de Universidade, integra ensino, pesquisa e extensão de forma indissociável, desenvolvendo projetos de extensão que a aproximam da comunidade, através de projetos de pesquisa e extensão que geram conhecimento com aplicação social.

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