Abaixo o massacre burocrático na educação!

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Com o advento da pandemia, as diferentes redes de ensino passaram a implantar maior controle sobre a atividade docente no Brasil. Este controle, para além de não gerar melhorias na educação e na aprendizagem dos estudantes, gera um mal-estar docente pela pressão desmedida e pela injustificada ausência de sentido destes controles, configurando uma espécie de alienação no trabalho.

A tragédia que vitimou a professora Silvaneide Monteiro Andrade em Curitiba, dentro da própria escola onde exercia sua vocação, escancara uma ferida aberta há décadas: a negligência com a educação e com aqueles que a sustentam com o próprio corpo e alma — os professores. Silvaneide não morreu apenas de um infarto fulminante. Ela morreu soterrada por metas desumanas, por cobranças frias, por uma política educacional que transforma mestres em números e alunos em produtos de plataforma.

Precisamos urgentemente nos perguntar: onde estamos colocando nossa prioridade?

Este texto ganhou voz no canal do yotube: https://youtu.be/4nhdIZW-jxw?t=29

Quando transformamos a educação em cumprimento de metas e deixamos de olhar para os sujeitos — educadores e educandos —, perdemos o propósito. Em nome de resultados para avaliações externas, sacrificamos o que deveria ser sagrado: o encontro entre professor e aluno, o tempo da escuta, a construção coletiva do conhecimento, o espaço do erro como possibilidade de aprender. Hoje, quem protagoniza a educação? Uma plataforma? Um gráfico? Um índice?

Nenhuma profissão nasce sem um professor.

Mas a sociedade marginalizou a educação.

Os aplausos vão para as tecnologias, as engenharias, as inovações do mercado. O professor? Fica na invisibilidade, na solidão da sala de aula, recebendo salários indignos e enfrentando a violência — física, simbólica, emocional. Que país pode sonhar com um futuro justo e próspero desvalorizando aquele que forma todos os outros?

Por que nenhum governo se pronuncia publicamente com firmeza e compromisso sobre investir nos educadores?

A resposta pode ser dolorosa: talvez porque investir em educação crítica e libertadora assuste. Educar com profundidade não forma apenas trabalhadores — forma cidadãos conscientes, questionadores, que não se submetem facilmente à manipulação. E isso, para certos projetos de poder, é um risco.

A terceirização da educação é um passo perigoso.

Delegar a formação dos nossos jovens a empresas privadas, muitas vezes sem vínculo com a comunidade escolar, não é solução — é abandono. E o reflexo já se vê: nosso país cresce em encarceramento de jovens, em envolvimento com o tráfico, em evasão escolar, em adoecimento psicológico.

Jovens sem perspectiva, desiludidos com o estudo, desanimados com o amanhã. Será coincidência ou consequência da omissão dos sucessivos governos com as necessidades reais da escola?

Hoje, um professor é xingado dentro de sala de aula.

Mas onde começou esse erro mortal em desvalorizar quem ensina? Talvez tenha começado quando deixamos de ver a educação como direito e passamos a tratá-la como custo. Quando tiramos da escola sua função social e a submetemos a um modelo produtivista, competitivo e adoecedor.

Os professores e professoras deveriam ser a classe mais valorizada do país.

Não só por palavras bonitas em datas comemorativas, mas com salário digno, formação continuada, apoio emocional, estrutura adequada e liberdade pedagógica. Sem isso, o ensino adoece — e mata.

Silvaneide não será esquecida. Seu nome ecoa como grito por justiça.

Que sua morte nos acorde, nos una e nos mova a dizer, com toda firmeza:

📢 Educação não é meta. É missão.

📢 Professor não é culpado. É pilar.

📢Sem educação libertadora, só crescerá o encarceramento e a exclusão.

E como dizia Paulo Freire:

“Ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho caminhando, refazendo e retocando o sonho pelo qual se pôs a caminhar.”

Silvaneide caminhava por amor à educação.

Que ela descanse em paz! Que nós despertemos.

Autora: Vera Dalzotto. Também escreveu e publicou no site “O sentido da vida é fazer sentido à outras vidas”: www.neipies.com/o-sentido-da-vida-e-fazer-sentido-a-outras-vidas/

Edição: A. R.

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