Em uma sociedade regida por uma lógica utilitarista, o valor do indivíduo é frequentemente associado à sua capacidade de produção, o que marginaliza aqueles que, por questões biológicas ou de saúde, deixam de atender a essas expectativas.
Queridos leitores,
É sempre uma alegria imensa usar este espaço para compartilhar não apenas reflexões literárias, mas também talentos que florescem dentro da minha sala de aula. Recentemente, propus aos meus alunos a leitura da obra O Burrinho Pedrês, de Guimarães Rosa, como ponto de partida para a produção de textos dissertativo-argumentativos nos moldes do ENEM e da UFRGS.
A única fonte de repertório autorizada por mim foi o próprio livro, e, a partir dele, cada estudante precisou construir sua argumentação. Entre tantas produções inspiradoras, uma, em especial, tocou-me profundamente.
O autor do texto que apresento hoje – Bernardo Borrin Bulik – demonstrou uma sensibilidade rara: fez comparações e analogias entre a narrativa de Rosa e a realidade contemporânea com uma naturalidade que poucos conseguem. O que mais me impressionou, no entanto, foi a coragem intelectual de relacionar os conflitos e silenciamentos presentes na obra a uma crítica contundente a uma sociedade que valoriza apenas o que é funcional — uma visão ousada e extremamente pertinente.
O dia em que ele leu o texto ficará marcado na minha memória. A sala estava cheia, o grupo de alunos apresentando seus respectivos trabalhos. Quando ele começou a ler, sua voz serena contrastou com a força das ideias. Aos poucos, o ambiente foi mudando: as conversas paralelas cessaram, os olhares se voltaram para ele, e um silêncio respeitoso tomou conta do espaço. Eu o observava atentamente, e cada frase carregava mais do que uma simples apresentação de trabalho escolar — havia ali uma consciência crítica rara, uma maturidade que ultrapassava as fronteiras da idade. Em determinado trecho, quando ele traçou um paralelo entre o isolamento social do burrinho e a marginalização de trabalhadores invisíveis no nosso país, senti um nó na garganta.
Lembrei imediatamente das notícias recentes sobre idosos abandonados, trabalhadores explorados e comunidades inteiras esquecidas pelo poder público. Aquelas linhas, escritas por Bulik, ressoavam como uma denúncia viva.
Esse jovem vem se destacando cada vez mais no universo literário dissertativo argumentativo, construindo textos maravilhosos, ricos em repertório e senso crítico. E, confesso, cada vez que leio suas palavras, consigo identificar nelas pequenas sementes lançadas nas minhas aulas — conselhos, dicas de estruturação e reflexões que hoje florescem em sua escrita, a exemplo disso, o uso de mesóclise entre outras dicas que passei para a turma toda.
No fim da leitura, o silêncio permaneceu por alguns segundos, como se todos precisassem respirar e inclusive eu, para absorver o que haviam acabado de ouvir. Eu, emocionada, apenas consegui agradecer e dizer que aquele texto era muito mais do que uma tarefa: era um convite à reflexão e à empatia.
E para encerrar, trago uma palavra sábia do próprio Guimarães Rosa, que ressoa como um convite para olhar além da superfície: “Não é nas pintas da vaca que se mede o leite e a espuma!” Assim como nessa expressão popular rosiana, não devemos avaliar um texto — ou um talento — apenas por sua aparência externa, mas pela profundidade, a sensibilidade, a coragem crítica que nele se encontra.
O texto do Bulik foi justamente isso: uma prova viva de que o valor está no que pulsa por trás das palavras, na coragem de trazer analogias, sensibilidade e crítica social a partir de O Burrinho Pedrês. Sonho com leitores que passeiem por essa leitura com o mesmo sentimento que me tomou naquele dia de aula — contemplando, emocionando-se, percebendo o valor que pulsa em cada texto que nasce do olhar atento e do pensar ousado. Afinal, como Rosa e sua cultura popular nos lembram, a essência é o que realmente conta — e é ela que emocionou e me encheu de orgulho.
Segue o texto do estudante Bernardo Borrin Bulik.

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TEMA: A desvalorização dos seres considerados “fracos” na sociedade contemporânea
TÍTULO: A Morte Social
A obra O Burrinho Pedrês ilustra a jornada de Sete-de-ouros, um velho burro que fora chamado para uma última jornada por não ser mais útil ao seu dono. Esse roteiro expõe a triste realidade da esfera social utilitarista brasileira, isto é, uma sociedade que somente valoriza aqueles que demonstram utilidade para seu funcionamento. Frente a esse contexto, denota-se uma subjetividade: Em que ponto um cidadão torna-se inútil? Em resposta, muitos consideram fatores cognitivos (como a perda de conhecimentos básicos) ou fatores etários (sejam limitações físicas, sejam mentais) como predisposição à inutilidade.
Sob esse viés, é injusto chamar outro ser humano de inútil, desabilitar uma pessoa que ignora suas próprias limitações para um bem maior, assim como Sete-de-ouros, ilustra a visão egocêntrica e apática do corpo social. Diante disso, tornou-se comum (não normal) vangloriar uma pessoa enquanto a mesma possui utilidade e desvalorizá-la quando perde tal, entretanto, essa objetificação humana é incoerente com os valores morais e éticos de uma sociedade estruturada.
À exemplo disso, ao final da obra, após o Burrinho ser descartado em sua última jornada, ele morre exausto, sem homenagem ou pesar. Isso mostra a crueldade do descarte humano, uma vez que se morresse quando “útil”, não seria em vão. Ademais, a leitura traz a passagem “Quem vai na frente bebe água limpa”, ou seja, a água suja fica somente para aqueles que são descartados pela crueldade humana, os últimos da fila já foram os primeiros, e deixá-los em último sem nenhum prestígio social, mesmo que tenham contribuído para o corpo como um todo, é injusto. Em suma, a capitalização da vida humana viabiliza a futilidade do “útil”, dando essa coroa somente aqueles que trazem resultados concretos ao meio.
Outrossim, muitos humanos são descartados por fatores que não cabem ao controle dos mesmos, como o envelhecimento ou deficiências. Em uma sociedade regida por uma lógica utilitarista, o valor do indivíduo é frequentemente associado à sua capacidade de produção, o que marginaliza aqueles que, por questões biológicas ou de saúde, deixam de atender a essas expectativas.
Paralelo a isso, na obra O Burrinho Pedrês, de João Guimarães Rosa, os personagens humanos tratam o burro Sete-de-ouros como um mero instrumento, e não como um ser digno de cuidado ou respeito. Essa frieza ilustra a desumanização que acompanha o etarismo — a ideia de que o velho não merece atenção, afeto ou empatia, mas apenas serve enquanto puder oferecer algo em troca. Assim, é configurado um ambiente de desrespeito e ignorância, pois, tal como no enredo, o protagonista estava submetido a uma função que ultrapassava seus limites físicos. Sua morte solitária e sem reconhecimento evidencia como a sociedade muitas vezes se mostra indiferente diante do sofrimento daqueles que já não se encaixam nos padrões de produtividade, perpetuando uma cultura de descarte e invisibilidade que precisa ser urgentemente superada.
Portanto, a narrativa de O Burrinho Pedrês transcende a simplicidade de uma fábula regionalista ao escancarar, em metáforas sutis, a lógica excludente de uma sociedade que hierarquiza vidas a partir de sua utilidade prática. O burro Sete-de-ouros, envelhecido e fadigado, representa todos aqueles que são desconsiderados pelo corpo social ao perderem seu vigor físico ou mental, sendo condenados à invisibilidade e ao esquecimento. Tal representação é um espelho da realidade de inúmeros idosos, pessoas com deficiência ou indivíduos fora dos padrões produtivos impostos.
Enquanto o prestígio humano continuar sendo medido pelo desempenho e pela eficiência, perpetuar-se-á uma estrutura moralmente falida, em que o fim da linha é marcado não pelo descanso merecido, mas pelo abandono silencioso. Desse modo, combater o etarismo e romper com a lógica do descarte é uma urgência ética de qualquer sociedade que se pretenda justa, solidária e verdadeiramente humana”.
Autora da Coluna: Deise Bressan. Também escreveu e publicou no site www.neipies.com/desafios-para-a-valorizacao-da-heranca-africana-no-brasil/
Edição: A. R.












O texto “A Morte Social” oferece uma análise profunda e crítica de O Burrinho Pedrês, de Guimarães Rosa, ao conectar a trajetória do burro Sete-de-ouros com a lógica utilitarista e excludente da sociedade contemporânea. A obra expõe como essa lógica marginaliza indivíduos considerados “improdutivos”, como idosos, pessoas com deficiência e aqueles que não atendem às expectativas de produtividade. A crítica ao etarismo e à objetificação humana é contundente, sugerindo que o valor de uma vida não deve se limitar à sua capacidade de gerar resultados ou cumprir funções práticas. Ao ampliar essa reflexão, o texto traz à tona a questão urgente da exclusão social e a desumanização dos mais vulneráveis. A análise vai além da literatura, oferecendo uma provocação ética sobre a necessidade de combater a cultura do descarte, que desconsidera a dignidade humana. A obra de Guimarães Rosa, assim, se torna um meio de questionar a sociedade que coloca a produção como critério de valor, em detrimento de uma vida plena e digna em qualquer fase da existência.
O texto faz uma crítica forte e sensível à lógica utilitarista que marca nossa sociedade. Ao usar o burro Sete-de-ouros como símbolo dos que são descartados após perderem sua “utilidade”, evidencia-se o abandono dos que já contribuíram, mas hoje não se enquadram nos padrões produtivos.
A morte silenciosa do animal expõe, de forma metafórica, a indiferença diante do sofrimento dos mais vulneráveis. É um chamado ético para romper com a cultura do descarte e reconhecer a dignidade humana para além da produtividade.
O texto apresenta uma crítica profunda e necessária à forma como a sociedade contemporânea trata aqueles que não se encaixam nos padrões de produtividade. A metáfora do burro Sete-de-ouros, que representa os que são marginalizados ao perderem sua utilidade, reflete a realidade de muitos indivíduos, como idosos e pessoas com deficiência, que frequentemente enfrentam o desprezo e a invisibilidade.
A afirmação de que a morte solitária do protagonista simboliza a indiferença social ressalta a urgência de repensar nossas estruturas éticas e morais. É alarmante como o prestígio humano ainda é atrelado ao desempenho, ignorando o valor intrínseco de cada vida.
O texto articula bem a metáfora de O Burrinho Pedrês com a realidade social, criticando a lógica utilitarista que descarta idosos e pessoas com deficiência. A coesão é clara e o uso de conceitos como etarismo enriquece a reflexão. No entanto, faltam exemplos concretos do contexto brasileiro para fortalecer o argumento. Ainda assim, a conclusão é pertinente e aponta soluções éticas, tornando o texto consistente e crítico.
O texto “A Morte Social” critica a sociedade contemporânea e suas ideias utilitaristas, as quais desvalorizam aqueles que não são considerados “úteis” ou “fortes o suficiente”. Utilizando como repertório o conto O Burrinho Pedrês, de Guimarães Rosa, o aluno denuncia a cultura do descarte humano, que mede o valor do indivíduo apenas pelo que ele pode produzir e ignora sua totalidade.
A tese tratada no texto é de suma importância para os dias atuais, pois a sociedade em que vivemos vem glorificando a produtividade e a eficiência em detrimento da solidariedade e da empatia. Esse paradigma precisa ser questionado, já que reduz vidas humanas a meros objetos de uso.
O aluno Bulik, por meio de sua excelente dissertação “A Morte Social”, abrange uma das principais mazelas que vêm se intensificando na sociedade hodierna, em decorrência da visão utilitarista intrínseca à lógica de mercado atual – capitalista e classificando o valor de uma pessoa com base no preço do produto que esta tem capacidade de confeccionar -, a qual já vem se espalhando para o ambiente familiar e interpessoal, culminando na exclusão daqueles cuja convivência é rotulada como infrutífera, neste caso, em relação aos idosos.
Nesse sentido, ao decorrer do texto, percebe-se o questionamento por parte do autor no que tange o fator que levaria um ser humano a ser considerado inútil – e, muitas vezes, repugnado – em frente ao corpo social, com destaque ao declínio de habilidades cognitivas e físicas, bem como todo esse “pré-conceito” destinado aqueles que possuem tais características mais deterioradas, seja por causa da passagem do tempo ou por algum outro motivo. Ademais, destaca-se a cultura do descarte proporcionada por tal visão, a qual desconsidera todos os indivíduos incapazes de atender as demandas produtivas impostas na atualidade, fazendo com que, de modo análogo ao ocorrido na obra “O Burrinho Pedrês”, os marginalizados acabem ficando para trás nesta hierarquia, “bebendo”, assim, a “água suja” e levando ao distanciamento entre os detentores ou não de determinadas características mais desejadas cada vez maior.
Desse modo, por meio da análise da redação, notabiliza-se a necessidade de combater essa visão utilitarista, bem como distinguir o valor de preço da produção capitalista do valor intrínseco à cada vida humana, cuja importância não pode ser medida pela capacidade atual, mas sim todo o esforço que o indivíduo desempenhou até o momento ao longo de sua existência. Com isso, é necessários que órgãos governamentais, sob a liderança do Ministério dos Direitos Humanos, realizem projetos visando a divulgação e a poromoção de ideologias mais humanizadas no corpo social, promovendo o respeito, e não a repulsa por aqueles rotulados diferentes ou menos aptos a executar certas tarefas. Assim, tornar-se-á possível atingir uma sociedade justa e solidária, na qual diferentes grupos não serão vistos com um tom de preconceito, mas sob um viés de acolhimento no momento em que soubermos aceitar e valorizar o que faz de cada um de nós únicos e especiais.
O texto oferece uma leitura muito lúcida e incisiva de “O Burrinho Pedrês”, porque não se limita a resumir a história, mas mergulha no que ela expõe de mais incômodo: a lógica utilitarista que atravessa as relações sociais e que transforma seres — humanos ou não — em instrumentos descartáveis. A reflexão sobre o ponto em que um cidadão se torna “inútil” é provocadora, pois revela como naturalizamos critérios de valor baseados em produtividade, força ou lucidez, desconsiderando dimensões como história, experiência e humanidade. Ao relacionar a morte exausta e sem reconhecimento do burro à invisibilidade social de idosos, pessoas com deficiência ou fora dos padrões produtivos, o texto mostra que o problema não é apenas individual, mas estrutural: uma cultura que normaliza o abandono e o esvaziamento do cuidado. Ler a análise convida a uma introspecção desconfortável — quantas vezes reforçamos esse modelo sem perceber? — e nos leva a pensar em que tipo de sociedade queremos construir, uma que exalta o “útil” até o esgotamento ou uma que reconhece a dignidade intrínseca de cada vida.
O texto “A Morte Social” evidência um ponto que permanece nas sombras para algumas pessoas, que é a desvalorização dos “não produtivos” os considerando inúteis e descartáveis, em evidência de não somarem ao crescimento atual da sociedade, principalmente na questão econômica, por suas deficiências físicas e mentais.
Em relação a isso, a obra “O Burrinho Pedrês” engloba a questão do indivíduo idoso, que na sociedade em que se encontra, é destacado o preconceito em cima do mesmo por sua não colaboração à sociedade atual, desconsiderando totalmente sua colaboração em seu auge no tempo passado, o descartando como um abacate que passou da validade.
Neste viés, a verdade é a história do passado que é apagada, por não ser mais útil na colaboração atual do desenvolvimento contemporâneo da grande massa, no entanto, suas experiências de vida são pontos que destacam seus feitos durante sua vida, sua trajetória, as preciosas lições de vida que tem-se a compartilhar e como raramente são levadas em conta.
As individualidades e deficiências de cada um, devem ser devidamente respeitadas e valorizadas, toda sua especificidade encaixada de forma homogênea e nítida.
O texto a Morte Social traz uma profunda reflexão sobre como a lógica utilitarista tem marginalizado cidadãos idosos e deficientes da sociedade contemporânea. O conto roseano vem muito de encontro com o que a tese vem defendendo, pois no conto o personagem característico Burrinho Sete de Ouros demonstra como o etarismo é um problema geracional, evidenciando que a escolha pela geração mais jovem tem sido uma prioridade para o mercado de trabalho atual. No conto Burrinho Pedrês a experiência e resiliência do personagem que é explorado até seu limite demonstra que nas dificuldades que surgem eles têm melhor interpretação do problema a ser resolvido resultando no sucesso individual e coletivo.
O texto defende que a sociedade ainda mede o valor humano pela produtividade, o que resulta no abandono de idosos e de grupos marginalizados. Essa visão utilitarista não pode ser naturalizada, pois todos têm valor intrínseco e merecem respeito em qualquer fase da vida. O filme O Último Azul reforça esse posicionamento ao retratar personagens vítimas da exclusão e da negação da dignidade, lembrando que só haverá justiça quando rompemos com a lógica do descarte e cultivamos uma cultura de solidariedade. Nesse sentido, a obra mostra como a invisibilidade social corrói não apenas indivíduos, mas também a coletividade. Assim, tanto o texto quanto o filme apontam para a urgência de repensarmos nossos critérios de valor humano e de construirmos uma sociedade mais inclusiva.
O texto “A Morte Social” defende como tese central a crítica à lógica produtivista da sociedade, que valoriza o ser humano apenas enquanto produtivo e o descarta quando perde sua “utilidade”, reforçando práticas de etarismo e desumanização. A argumentação é consistente, pois estabelece um paralelo inteligente entre a trajetória do burro Sete-de-ouros, em O Burrinho Pedrês, e a realidade social brasileira, revelando a crueldade do descarte humano. Além disso, destaca-se pela clareza na exposição das ideias, pela seleção de exemplos pertinentes e pela conclusão ética, que convoca a necessidade de romper com essa lógica excludente e de construir uma sociedade mais justa, solidária e humana. Nesse sentido, considero o posicionamento extremamente válido, já que, em um país marcado pelo envelhecimento populacional e pela desigualdade, valorizar a dignidade em todas as fases da vida é não apenas uma questão de justiça, mas de humanidade.
O texto se sustenta na obra O Burrinho Pedrês para esclarecer sua tese, que por sua vez, evidência, por meio do personagem Sete-de-ouros, a lógica utilitarista e excludente da sociedade brasileira, que valoriza os indivíduos apenas enquanto são “úteis” e os descarta quando perdem sua capacidade produtiva, então reforçando o etarismo, a desumanização e a invisibilidade social. Sendo portanto, uma realidade que precisa ser urgentemente transformada.
Concordo com a tese apresentada, pois ela traduz de maneira sensível e crítica a lógica utilitarista denunciada na sociedade, assim como na obra “O Burrinho Pedrês”. A morte silenciosa de Sete-de-ouros, após ser explorado em sua última jornada, funciona como um espelho da realidade brasileira descrita no texto: um contexto em que pessoas idosas, doentes ou com deficiência são invisibilizadas e descartadas assim que deixam de corresponder às expectativas produtivas do corpo social. O trecho citado “Quem vai na frente bebe água limpa”, reforça essa desigualdade, pois evidencia que aqueles que já contribuíram no passado ficam destinados ao abandono quando chegam ao fim da fila. Essa metáfora denuncia não só a objetificação dos indivíduos, ou seja, o ato de tratar uma pessoa como um objeto, desconsiderando a sua individualidade e humanidade, mas também a incoerência de uma sociedade que se diz estruturada em valores morais e éticos, mas não reconhece dignidade e cuidado a quem já deu sua parcela de esforço. Dessa forma, o texto do Bulik acerta ao mostrar que combater o etarismo e romper com essa cultura do descarte não é apenas um ideal, mas uma urgência ética para que se construa um espaço social verdadeiramente humano e solidário.
Dentro de uma sociedade marcada pela lógica utilitarista e pela supervalorização da produtividade, pessoas vistas como “fracas” – como os idosos ou indivíduos com alguma limitação física – não apenas são marginalizadas, como também invisibilizadas.
Isso ocorre pois tal concepção reduz o ser humano a uma simples função mecânica, descartando todos aqueles que não são capazes de se aproximar do ideal de eficiência, o que revela uma desumanização extrema e incompatível com o próprio conceito de dignidade humana. No entanto, a vida não pode ser encarada apenas sobre a ótica da força ou da capacidade produtiva. Os mais idosos têm consigo uma forte reserva de conhecimento, sabedoria e aprendizado, o que os torna guias experientes para as novas gerações. A valorização desse saber é essencial para a formação de uma sociedade consciente que se respeite como unidade histórica e cultural. Negar esse conhecimento é abrir mão de lições valiosas para pensar e agir em situações de convívio social e de superação de problemas coletivos trabalhistas e sociais. Portanto, concordar com a crítica ao desprezo pelo tido como “fraco” demanda defender o resgate do respeito e da valorização da sabedoria dos mais velhos. Em vez de ver essas pessoas como um peso morto, é extremamente necessário enxergar essas pessoas como pilares de orientação e identidade social. Somente ao superar a lógica da utilidade pura e valorizar o humano em toda a sua dimensão, é que a sociedade do futuro será mais justa, solidária e plenamente justa e humanizada.
A partir da obra “O Burrinho Pedrês”, o aluno Bulik apresentou um texto que faz uma reflexão sensível sobre a desvalorização de pessoas consideradas “fracas” ou “inúteis” na sociedade atual. Por meio da metáfora do burrinho Sete-de-ouros, o autor denuncia uma lógica social cruel, em que o valor do indivíduo é medido exclusivamente por sua utilidade prática. A tese apresentada – a sociedade contemporânea, regida por uma lógica utilitarista, somente valoriza aqueles que demonstram utilidade para o seu funcionamento – reflete exatamente como os idosos e pessoas com deficiência, são ignorados a partir da perpetuação de uma cultura de invisibilidade e abandono.
O texto ainda levanta um ponto importante sobre a normalização da exclusão, quando nos tornamos insensíveis ao sofrimento daqueles que já contribuíram, mas que hoje não se encaixam mais nos moldes da “vida útil”.
O texto apresentado faz uma crítica forte à forma como a sociedade costuma valorizar as pessoas apenas pela sua utilidade e capacidade de produzir. A metáfora do burro Sete-de-ouros, velho e cansado, mostra como muitos indivíduos — idosos, pessoas com deficiência ou fora do padrão — acabam sendo esquecidos e tratados como descartáveis. A ideia principal é clara: enquanto o prestígio humano for medido apenas pelo desempenho, continuaremos presos a uma lógica injusta e desumana. Esse olhar é muito importante, porque nos lembra da necessidade de combater o etarismo e construir uma sociedade mais justa, que reconheça o valor e a dignidade de todos.
A redação apresenta como tese central a crítica à sociedade contemporânea, muitas vezes cruel e utilitarista, que valoriza o indivíduo apenas enquanto funcional, descartando-o quando perde sua capacidade produtiva ou envelhece. Tal lógica mostra-se incoerente, pois reduz a dignidade humana a um critério de utilidade, ignorando que cada pessoa possui o seu valor que transcende sua capacidade de produzir ou atender às exigências sociais. Nesse sentido, o burrinho Sete-de-ouros, que enfrenta sua última jornada, constitui-se como uma metáfora do ser humano reduzido a instrumento de produção, cujo valor é reconhecido apenas enquanto serve, sendo esquecido ao perder suas funções. Assim, evidencia-se a relação entre a problemática do etarismo e a tese discutida, ressaltando a necessidade de superação dessa prática pela sociedade.
Parabéns, meu amigo, Bernardo Bulik, pelo texto profundamente sensível, crítico e bem articulado. Sua reflexão propõe uma leitura contundente da obra O Burrinho Pedrês, de João Guimarães Rosa, utilizando a narrativa do burro Sete-de-ouros como uma metáfora poderosa para denunciar a lógica utilitarista que ainda rege a sociedade capitalista. O tema central do texto gira em torno da desumanização causada pelo utilitarismo social, que leva ao descarte de indivíduos considerados “inúteis”, especialmente idosos, pessoas com deficiência e aqueles que não se encaixam nos padrões de produtividade. A partir disso, o texto discute com profundidade questões como o etarismo, a objetificação humana e a perda do valor social de quem já contribuiu, mas hoje não atende mais às exigências práticas impostas pelo coletivo.
Frases como “quem vai na frente bebe água limpa” ganham novos sentidos dentro da crítica apresentada, reforçando a injustiça sofrida por aqueles que, ao perderem a utilidade prática, são deixados para trás, muitas vezes com sofrimento e sem reconhecimento. Ao final, a mensagem é clara e necessária: romper com a lógica do descarte é um dever de qualquer sociedade que se pretende humana. Mais uma vez, parabéns, Bernardo, por transformar uma narrativa literária em um alerta social tão necessário e atual.
A dissertação escrita por Bernardo Bulik aborda, juntamente com analogias e paralelos à obra “O Burrinho Pedrês” de Guimarães Rosa, o abandono social de parte da população por conta do viés utilitarista da sociedade, onde pessoas mais fracas e “incapazes” são deixadas de lado. Sua tese se comprova quando compara-se a forma de tratamento a pessoas idosas em diferentes épocas. Anteriormente, a sabedoria dos mais velhos era louvada e fundamental para a tomada de decisão. Conforme o passar das épocas, e especialmente no século XXI, o utilitarismo e imediatismo se mostrou cada vez mais presente, que reflete-se na relação entre o novo e o velho, que tornam-se sinônimos de útil e inútil, respectivamente. Outro exemplo atual de imediatismo e utilitarismo é o fenômeno de obsolescência programada, que acostuma e estimula as pessoas a buscarem sempre o novo e mais atualizado.
O texto “A morte social” traz a tona a realidade da sociedade brasileira, que é marcada por uma lógica utilitarista ao marginalizar e invisibilizar indivíduos que deixam de atender às exigências de eficiência e produção.
Nesse sentido, a obra “O Burrinho Pedrês”, de Guimarães Rosa, escancara essa realidade utilitarista ao narrar a história de um animal que foi explorado até sua exaustão, para depois ser descartado.
Por meio disso, percebe-se a dura realidade que muitos indivíduos enfrentam, que, ao envelhecer ou apresentar limitações físicas e cognitivas, são reduzidos à invisibilidade social, de forma a serem tratados como “fardos” e não como sujeitos dignos.
Essa visão acaba por evidenciar uma estrutura moral falha, visto que ao atribuir valor ao ser humano apenas pela sua capacidade de gerar resultados, ignora-se sua essência, seu valor e, diante disso, não o proporciona um digno respeito.
Dessa forma, essa marginalização de idosos e de pessoas consideradas “inúteis” pela sociedade, por não cumprirem os padrões impostos pelo capitalismo, revela uma cultura de desumanização e de descarte.
Deve-se compreender que o envelhecimento e as limitações não anulam a relevância de uma vida, mas ampliam a necessidade de solidariedade e reconhecimento social.
Portanto, compartilho da mesma opinião do autor, assumindo que a superação do etarismo e da objetificação do ser humano é uma medida eticamente necessária para que se alcance uma sociedade verdadeiramente digna e humana que saiba valorizar todo indivíduo.
O texto apresenta uma tese muito pertinente: a crítica à lógica utilitarista que rege a sociedade brasileira e que, assim como no destino do burrinho Sete-de-ouros, descarta indivíduos quando estes deixam de ser produtivos. A análise evidencia que a valorização das pessoas está diretamente vinculada à sua utilidade prática, o que gera exclusão, invisibilidade e sofrimento para idosos, pessoas com deficiência ou qualquer um que não se enquadre nos padrões de eficiência.
Concordo com essa visão, pois, em uma sociedade que se diz ética e justa, não se pode reduzir o valor de uma vida ao que ela produz. Cada ser humano carrega uma história, experiências e afetos que ultrapassam a lógica da produtividade. O envelhecimento, por exemplo, não é uma falha, mas um processo natural que deveria ser acolhido com respeito e dignidade. Quando o corpo social marginaliza aqueles que não atendem às demandas do mercado, revela sua face mais cruel: a incapacidade de enxergar a humanidade do outro.
TESE: Lógica utilitarista da sociedade.
Apesar de ser nobre lutar pelos direitos dos mais vulneráveis, é preciso reconhecer que a eficiência também é essencial em uma sociedade complexa como a nossa. A lógica utilitarista, ao priorizar o bem-estar coletivo, oferece uma base prática para decisões sociais, principalmente em contextos de escassez. Políticas públicas, como as de saúde e educação, muitas vezes precisam atender ao maior número possível de pessoas, mesmo que não contemplem todos. Embora existam críticas sobre a exclusão de minorias, o utilitarismo não ignora os vulneráveis, apenas busca equilibrar necessidades individuais com o bem comum. Concordo que a marginalização de certos grupos é um problema, mas em muitos casos são necessárias ações amplas que tragam benefícios para a maioria, ainda que com algumas limitações sociais assim como concordo que o valor de alguém não deve ser medido pela sua capacidade de produção mas sim pela quantidade de experiências vividas.
– “O sol brilha para todos, só que em momentos diferentes”.
O texto examina “O Burrinho Pedrês”, de João Guimarães Rosa, como metáfora de uma sociedade que mede o valor humano pela utilidade e condena à invisibilidade aqueles que já não se encaixam nos padrões de produtividade. Concordo com essa análise, pois reduzir pessoas à sua eficiência é negar sua dignidade e desconsiderar sua trajetória. Uma comunidade ética deve enxergar valor também na fragilidade, no envelhecimento e nas limitações, cultivando respeito e cuidado em todas as fases da vida. Romper com essa lógica do descarte é não apenas uma exigência moral, mas também um passo fundamental para a construção de um futuro mais humano e solidário.
O texto “A Morte Social” apresenta uma reflexão consistente e sensível sobre a obra O Burrinho Pedrês, de Guimarães Rosa, ao relacionar a trajetória de Sete-de-ouros com a lógica utilitarista da sociedade contemporânea. A análise é pertinente, pois evidencia como o animal simboliza a marginalização de idosos, pessoas com deficiência e indivíduos considerados “improdutivos”. A crítica à objetificação humana e ao etarismo é bem construída, ressaltando que o valor de uma vida não pode estar atrelado apenas à capacidade de produzir. Considero o texto bastante relevante, pois vai além da simples interpretação literária e abre espaço para uma discussão ética e social urgente, a necessidade de combater a cultura do descarte e promover uma sociedade que valorize a dignidade humana em todas as fases da vida.
O utilitarismo apesar de buscar o bem da maioria, não permitindo se manter sem função social e colaborativa para sociedade, coloca em detrimento o bem estar de quem “não tem mais utilidade” bem como o Bulik falou, entretanto na sociedade é moralmente aceita e funciona como motor da inovação até essas minorias que tem seu direitos violados sermos nós “Saúde não é estar adaptado a uma sociedade doente”
O texto reflete e critica sobre a lógica utilitarista que reduz o valor das pessoas à sua capacidade de produzir, descartando-as quando deixam de atender às expectativas sociais. A análise da obra O Burrinho Pedrês, de Guimarães Rosa, ilustra essa realidade por meio da trajetória de Sete-de-ouros, que, velho e fatigado, é explorado até a morte sem reconhecimento ou cuidado. Essa metáfora revela a desumanização do etarismo e a cultura do descarte, que transformam indivíduos em objetos de uso temporário. Concordo com a tese apresentada, pois medir o prestígio humano apenas pela utilidade perpetua uma estrutura injusta e apática, sendo urgente valorizar a dignidade de todos, independentemente de sua produtividade. O tema escolhido pelo aluno é de extrema relevância para nossa sociedade atualmente, e ele mostrou muita eficiência na formação de seu texto, apresentando ótimos argumentos e mostrando como é necessário um acolhimento e melhor compreensão sobre o assunto por parte de todos nós.
Izadora, 312.
A tese do texto: a sociedade brasileira descarta e desvaloriza pessoas quando elas deixam de ser consideradas “úteis”, seja pela velhice, limitações ou improdutividade. O aluna utiliza a obra O Burrinho Pedrês, de João Guimarães Rosa, para mostrar que esse fenômeno não é apenas ficcional, mas reflete uma realidade social cruel, enquanto alguém contribui, recebe certo valor mas quando perde a utilidade é invisibilizado, descartado ou até mesmo desumanizado.
Eu concordo com essa crítica. A sociedade, fortemente influenciada pela produtividade, realmente tende a reduzir o valor da vida humana à sua capacidade de gerar resultados práticos. Isso aumenta as práticas de etarismo e indiferença social.
No entanto, é possível reverter essa lógica. Uma sociedade justa precisa reconhecer o valor próprio do ser humano, que não se esgota na produtividade. O idoso, a pessoa com deficiência ou qualquer indivíduo que não se encaixe nos padrões de eficiência ainda carrega experiências, memórias, saberes e afetos que são fundamentais para a coletividade.
O texto analisa a obra “O Burrinho Pedrês”, de João Guimarães Rosa, para denunciar a forma como a sociedade utilitarista descarta aqueles que já não correspondem aos padrões de produtividade. A trajetória do burro Sete-de-ouros, que morre exausto e sem reconhecimento, funciona como metáfora para idosos, pessoas com deficiência e outros grupos marginalizados pela lógica da eficiência. A tese defendida é que a “morte social” ocorre quando o indivíduo deixa de ser visto como útil e passa a ser invisível aos olhos do coletivo.
Na minha visão, essa crítica continua atual e necessária. Reduzir o valor humano ao que se pode produzir é não apenas injusto, mas desumano. Uma sociedade ética deve enxergar dignidade em todas as fases da vida, oferecendo respeito e cuidado também àqueles que já não conseguem contribuir de forma prática. Romper com a cultura do descarte não é apenas uma questão moral, mas um passo indispensável para construir um futuro mais solidário.
A obra “A Morte Social” retrata um cenário em que o valor do ser humano é reduzido à sua utilidade prática, e aqueles que já não correspondem a esse padrão são empurrados para um espaço de invisibilidade e descaso. Pessoas que antes tiveram reconhecimento por suas capacidades acabam sendo descartadas quando deixam de atender às exigências da sociedade. Nessa lógica, a noção de interseccionalidade é fundamental para compreender como marcadores sociais — como gênero, cor da pele, classe econômica e orientação sexual — se sobrepõem, resultando em múltiplas formas de discriminação que se transformam em exclusão. O resultado desse entrecruzamento é um ambiente que oprime e marginaliza, especialmente quando o mercado de trabalho pratica ações abusivas e rejeita justamente quem antes lhe serviu. Para enfrentar tal realidade, a implementação do Programa Nacional de Reintegração Social e Econômica, apresenta-se como alternativa indispensável. Ao investir em formação profissional, garantir direitos básicos e estimular a inclusão laboral, o projeto não apenas devolve dignidade às pessoas atingidas pela marginalização, mas também atua na transformação das estruturas preconceituosas que alimentam a chamada “morte social”.
O autor do texto aponta um grave problema social, estruturado desde o nascedouro da humanidade: a capitalização do ser humano, a forma utilitarista em que o mundo se compõe para as pessoas, em que muitas vezes a mesma nem saiba disso, muito menos a causa, mas sente na pele todos os dias as consequências. Dessa forma, a problemática apresenta-se coerentemente na tese de Bernardo, na qual apresenta a obra rosiana como um exemplificador do que vive muitos idosos – mas não somente eles, como toda uma minoria étnica social- da sociedade, principalmente da brasileira. Considerei também muito pertinente a colocação de Bulik ao relatar que no final da história, o burrinho (para muitos) morre, simbolizando a jornada exaustiva e totalmente desvalorizada não só do protagonista, mas de todos que envelhecem. Além disso, o fato de que, na obra, a atitude “heroica” do burrinho não foi reverenciada, no entanto, se a mesma tivesse sido realizada por um dos cavalos (figura forte, representante da juventude) com certeza teria mais valor. Portanto, o texto realiza uma dura e necessária crítica e que toca em questoes universais pouco vistas. Parabens ao autor
No texto “A morte social”, o autor nos leva a refletir sobre como a sociedade trata os idosos quando envelhecem, do abandono ocorrido, como se eles se tornassem inúteis e sem valor. Usando o exemplo do conto “O Burrinho Pedrês” de Guimarães Rosa, onde o burrinho é desvalorizado por sua idade, a redação consegue nos mostrar um exemplo real de como os mais velhos são tratados. Eu concordo com o posicionamento do autor. Para chegarmos nas idades mais avançadas, primeiramente passamos anos servindo a sociedade, sendo a maior parte da nossa vida. Portanto, é realmente justo sermos abandonados depois desses anos, apenas por não conseguirmos mais contribuir? Além disso, há pessoas que nascem com limitações físicas, e não conseguem contribuir desde cedo. Isso não deveria torná-las menos que os outros. Essas pessoas devem ser acolhidas pela sociedade, assim como os idosos, ao invés de isolá-las. Uma pessoa que não consegue produzir ainda é um ser humano com sentimentos e emoções, por isso é preciso ter empatia e tratá-las como elas são: pessoas que fazem parte da sociedade, sendo valorizadas e cuidadas tanto como as outras. Para que isso ocorra, é preciso de um apoio do Estado para que ocorra uma conscientização da sociedade, que deve entender que os idosos são parte fundamental dela.
Parabéns pela redação!
O texto promove uma reflexão profunda a respeito do pensamento utilitarista que rege a sociedade brasileira. Ele contextualiza muito bem, relacionando a obra “O Burrinho Pedrês” mostrando como a sociedade costuma tratar aqueles que já não são vistos como “úteis”. Essa situação reflete o modo como muitas pessoas, principalmente idosos ou indivíduos com deficiência, são tratados na vida real: valorizados enquanto produzem, esquecidos quando já não conseguem mais.
É triste perceber que isso acontece com frequência no mundo em que vivemos. Pessoas que trabalharam a vida inteira, que construíram famílias e ajudaram a sociedade de diversas formas, muitas vezes acabam solitárias, abandonadas e sem o reconhecimento que merecem. O mais chocante é que esse comportamento é visto como normal em muitos lugares, como se a única coisa que importasse fosse o quanto alguém pode produzir ou contribuir economicamente. Quando isso não acontece mais, a pessoa é deixada de lado, como aconteceu com o burro da história.
Diante disso, uma solução para esse problema seriam programas de inclusão social por parte do governo e de empresas, incentivando a contratar e manter trabalhadores mais velhos.
o texto “a morte social” do aluno bulik evidencia através da citação da obra o burrinho pedres, um aspecto preocupante de nossa sociedade já que o etarismo é prejudicial não apenas para quem é seu alvo atualmente, mas também para os mesmos que o praticam pois um dia serão também idosos ou incapacitados e então desfrutarão do mesmo tratamento o qual proporcionaram a os idosos.
Assim observasse que o texto aplica com maestria a critica a pratica do etarismo de forma que gere no leitor a reflexão sobre o tema.
A tese é clara e dura: nossa sociedade utilitarista trata pessoas como ferramentas, descartando idosos, doentes ou qualquer um que não produza conforme o esperado. Quem não é “útil” não é lembrado e acaba por virar peso além de ser marginalizado. É a mais pura verdade e é simplesmente revoltante. O texto acerta em cheio ao fazer o paralelo com o livro “O Burrinho Pedrês”, que é usado como forma de dar ênfase em sua argumentação .
A contradição é gritante. Vivemos em um mundo que se gaba de ser “humano” e “civilizado”, mas age com a frieza de uma linha de produção. A gente se revolta com a crueldade do dono do burro na ficção, mas fecha os olhos para a mesma lógica operando ao nosso redor: idosos sendo afastados do convívio social, profissionais sendo queimados por esgotamento e depois substituídos, e pessoas enfrentando barreiras que insistem em medir seu valor pela sua produtividade, e não pelo seu potencial humano.
Isso não é só errado; é burro. Descartar experiência, sabedoria e diversidade em nome de uma eficiência míope é um péssimo negócio para qualquer sociedade que pretenda ser resiliente. Precisamos urgentemente parar de enxergar as pessoas pelo seu rendimento e passar a valorizá-las por sua humanidade intrínseca. É uma crítica necessária e que deveria ser óbvia, mas ainda precisa ser gritada.
O texto do aluno Bulik traz uma reflexão importante sobre O Burrinho Pedrês, mostrando que a morte do burrinho, longe de ser gloriosa, revela a crueldade de uma sociedade que valoriza as pessoas apenas enquanto são úteis. Essa lógica utilitarista exclui e descarta idosos e pessoas com limitações, ignorando sua dignidade e contribuição ao longo da vida. É urgente mudar essa mentalidade por meio de políticas públicas de inclusão, educação e campanhas que promovam empatia e respeito. Só assim poderemos construir uma sociedade mais justa e humana, que valorize as pessoas além da produtividade econômica.
Antes de tudo, expresso minha gratidão por este trabalho, que vai muito além de um exercício acadêmico em que transparece maturidade crítica e sensibilidade humana. Quero registrar meus sinceros agradecimentos ao autor, Bernardo Borrin Bulik, cuja escrita não revela apenas domínio técnico, mas também uma rara delicadeza diante dos dilemas que atravessam nossa condição humana. Sua produção nos oferece um olhar profundo, capaz de provocar questionamentos e despertar emoções ligadas à nossa realidade. É a partir desse reconhecimento que passo à análise do texto. A reflexão apresentada é consistente ao evidenciar a lógica utilitarista que marca as relações sociais e acaba por desumanizar aqueles que já não correspondem ao ideal de produtividade. Essa capacidade de dialogar com os clássicos a partir do presente é valiosa, pois mostra não apenas leitura atenta, mas também consciência social. O mais significativo é que o autor não se limita à crítica: ele aponta para a necessidade de superação, para o rompimento com estruturas que perpetuam desigualdade e invisibilidade. Nesse movimento, seu texto ganha força de voz crítica, tornando-se algo que precisa ser ouvido. Assim, o estudante nos recorda de que valorizar a vida para além da lógica do útil é uma urgência ética e que a literatura, quando lida com profundidade, pode ser uma poderosa ferramenta de despertar social.
O texto escrito por Bulik defende a tese de que a sociedade contemporânea, guiada por uma lógica utilitarista, tende a desvalorizar aqueles que deixam de atender aos padrões de produtividade, condenando-os à invisibilidade social. Essa crítica é evidenciada a partir da obra “O Burrinho Pedrês”, de João Guimarães Rosa, na qual o personagem Sete-de-ouros simboliza os indivíduos que, por limitações físicas, envelhecimento ou fatores biológicos, são descartados pelo corpo social após perderem sua funcionalidade. Essa metáfora escancara a crueldade do etarismo e da objetificação humana, mostrando que a valoração das pessoas pelo desempenho contradiz princípios éticos e morais.
Diante desse cenário, torna-se necessário implementar uma proposta que combata essa lógica excludente. Para isso, o Ministério dos Direitos Humanos, em parceria com os meios de comunicação e plataformas digitais, deve promover campanhas nacionais de conscientização que destaquem a importância do respeito à dignidade humana independentemente da produtividade. Essas campanhas, veiculadas em televisão, rádio, redes sociais e espaços públicos, devem apresentar narrativas que valorizem idosos, pessoas com deficiência e outros grupos marginalizados, mostrando suas histórias, contribuições e direitos, de modo a sensibilizar a população e desnaturalizar práticas de exclusão.
Assim, será possível reduzir a cultura de descarte e fomentar uma sociedade mais justa, solidária e humana, em que o valor do indivíduo não seja medido apenas pelo que ele produz, mas pelo reconhecimento de sua dignidade intrínseca.
Na sociedade contemporânea, a lógica utilitarista impõe uma hierarquia cruel: o valor do ser humano é medido por sua capacidade de produzir, gerar resultados e se manter útil aos olhos do coletivo. Essa mentalidade produtivista transforma vidas em instrumentos, e quando esses instrumentos já não funcionam como antes — por velhice, deficiência ou qualquer limitação — são descartados, silenciados, esquecidos. No texto A Morte Social, escrito pelo aluno Bulik, essa problemática é abordada com sensibilidade e profundidade, ao analisar a obra O Burrinho Pedrês, de João Guimarães Rosa, que ilustra esse processo de forma simbólica e pungente. Sete-de-ouros, um burro velho e cansado, é chamado para uma jornada, não por reconhecimento de seu valor, mas porque ainda pode servir, mesmo que às custas de seu esgotamento final. Ao fim, permanece sozinho, sem honra, como tantos que, ao perderem sua utilidade, são empurrados para a morte social. Esse abandono silencioso não é exceção; é reflexo de um modelo de sociedade que celebra a força, a juventude, a eficiência — e marginaliza o que escapa a essa lógica. A frase citada no texto de Bulik, “quem vai na frente bebe água limpa”, sintetiza a frieza dessa realidade: os que chegam depois, os que envelhecem, os que adoecem, devem se contentar com as sobras. Essa visão desumanizadora não apenas exclui, mas fere profundamente os princípios éticos que deveriam nortear uma sociedade justa. Chamados de “inúteis” por critérios alheios à sua vontade ou condição, muitos são reduzidos à invisibilidade mesmo após uma vida inteira de contribuição. É preciso romper com essa lógica cruel que confunde existência com produtividade e dignidade com desempenho. Como proposta de intervenção, é necessário promover ações que estimulem a valorização da dignidade humana independentemente da utilidade. Para isso, campanhas de conscientização e o fortalecimento de políticas inclusivas são caminhos essenciais para combater a cultura do descarte e resgatar uma convivência mais empática e justa. Uma sociedade verdadeiramente humana não ignora seus “fracos”; ela os acolhe e reconhece.
O texto “A Morte Social” – do meu colega Bernardo Bulik – traz uma crítica profunda à tese de que a sociedade contemporânea enxerga o ser humano a partir de sua utilidade, descartando aqueles que, por idade, limitações ou condições de saúde, já não se enquadram no padrão produtivo. Ao utilizar a metáfora do burro Sete-de-ouros, de O Burrinho Pedrês, o autor revela com clareza a crueldade de uma lógica que transforma vidas em instrumentos e silencia a dignidade de quem já contribuiu. A leitura desperta não apenas a razão, mas também a sensibilidade. É impossível não se comover ao perceber que essa mesma indiferença ilustrada na obra se repete diariamente na realidade: idosos tratados com descaso, pessoas com deficiência vistas como peso, e tantos outros reduzidos a uma existência de invisibilidade. Essa constatação gera um incômodo necessário, pois evidencia que a desumanização não está distante – ela nos cerca e, se não for enfrentada, continuará a condenar milhares ao esquecimento.
Diante disso, torna-se urgente uma intervenção que vá além de leis ou discursos. É preciso que a sociedade aprenda a valorizar a vida em todas as suas fases e condições, cultivando desde cedo nas crianças valores de empatia e respeito. Além disso, políticas públicas que incentivem a inclusão social e deem voz a esses grupos são indispensáveis para romper a lógica cruel do descarte. Assim, a reflexão proposta pelo texto nos lembra que dignidade não pode ser medida pela produtividade. Enquanto houver quem seja esquecido por não corresponder a expectativas de utilidade, nossa humanidade estará em dívida. Somente quando aprendermos a enxergar valor em cada existência, independentemente de sua “eficiência”, poderemos nos considerar verdadeiramente humanos.
O autor Bulik apresenta, uma crítica contundente à lógica utilitarista que permeia a sociedade atual. A partir da metáfora construída pela obra O Burrinho Pedrês, de Guimarães Rosa, Bulik mostra a triste realidade de uma estrutura social que valoriza o indivíduo apenas enquanto ele é funcional, descartando-o assim que sua utilidade se esgota. A tese central — de que a sociedade contemporânea marginaliza aqueles considerados “fracos” ou “improdutivos” — é extremamente pertinente e se alinha a um dos maiores problemas éticos do nosso tempo: a valorização do ser humano por sua existência, e não apenas por sua capacidade de produzir. Nesse sentido, a figura do burro Sete-de-ouros representa com precisão o sofrimento silencioso de milhares de pessoas, especialmente idosos e indivíduos com deficiência, que são constantemente deixados à margem de um sistema que só enxerga valor no que oferece retorno imediato. O texto de Bulik, ao nos fazer refletir sobre a triste lógica utilitarista da sociedade, mostra que precisamos urgentemente conscientizar a população para que o valor do ser humano ultrapasse a funcionalidade. Afinal, não podemos continuar tratando as pessoas como “burros de carga descartáveis” — até porque, diferente do burrinho Sete-de-ouros, ninguém quer ficar só na sombra do esquecimento.
A tese central do texto faz crítica e mostra que a sociedade valoriza só quem é útil para o seu funcionamento, buscando uma reflexão sobre o valor humano em nossa sociedade. A trajetória de Sete-de-ouros é um espelho realidade enfrentada por milhares de pessoas marginalizadas pela idade ou pela incapacidade de atender a um ideal produtivo. Essa desumanização não é só de agora, mas torna-se ainda mais alarmante quando naturalizada. As pessoas admiram quando alguém é funcional, mas vira as costas quando a performance falha. Isso pode ser percebido também na música “Construção”, de Chico Buarque, onde o trabalhador é exaltado enquanto produz, mas se torna apenas “um corpo” ao morrer, simbolizando a substituição rápida e sem glamour de quem já não serve ao sistema capitalista. O indivíduo, assim como Sete-de-ouros, é engolido por uma engrenagem que não reconhece história ou sentimentos.
A indiferença ao sofrimento do outro, sobretudo dos idosos, é sintoma de um mundo que perdeu o senso de coletividade. O burro morre sem honra, sem homenagem, e o mesmo acontece com tantos que são deixados à margem. Podemos mudar esse acontecimento com o Governo juntamente com iniciativa privada, onde por meio de palestras em ambientes escolares elaborem esse tópico, fazendo com que ele entre em pauta e seja desenvolvido tentando conscientizar a todos.
O texto A morte social redigido pelo aluno Bulik foi muito bem escrito e ele, e logo no seu título ja introduz uma ideia de que a morte social, a qual é desenvolvida por meio da falta de visibilidade e empatia aos seres periféricos, e no texto pautado pela população idosa. Ele sustenta a tese de que a sociedade brasileira é norteada por uma lógica utilitarista, ou seja, uma lógica que tende a descartar e invisibilizar indivíduos que deixam de ser “úteis”a partir da ótica, como os idosos, pessoas com deficiência ou qualquer outro que não contribua materialmente para a sociedade. Assim, o sistema atual apoia a ideia que essas pessoas não merecem a devida atenção e cuidado, devido a uma mera falta de empatia. Esse preconceito “capacitista” também afeta ás pessoas mais novas, que ja presenciam essa mentalidade de que apenas o funcional e o lucrativo tem valor, e não pelo valor da pessoa em si. A reflexão central do texto é a crítica da valorização ser humano apenas por sua mera produtividade material, o qual acaba gerando exclusão, etarismo e desrespeito á dignidade humana. A vida de sete de ouros é pautada pelo sofrimento e comparação com outros cavalos, análogo a realidade, mostra a dificuldade que muitos indivíduos considerados descartáveis sofrem no espectro atual. Na obra, o Burrinho mostra-se descartado e invisibilizado pelo seu dono e seu pẽao, porém ao decorrer dos fatos ele supera as barreiras da invisibilização e torna-se útil na travessia durante a enchente, dessa forma acredito que o autor traz uma ótima reflexão de como os idosos podem e conseguem melhorar e contribuir para uma sociedade melhor baseado nas experiências que o indivíduo já vivenciou. Ademais, concordo com o autor ao dizer que a sociedade sim, da palco apenas aos que produzem e materialmente contribuem para a sociedade capitalista atual. Para uma possível PI, acredito que a melhor forma seria utilizar-se de palestras e congressos em escolas, afim de mostrar a população jovem, a maneira certa de cuidar de nossos entes mais idosos que sofrem muitas vezes com a falta de empatia e cuidado dentro dos núcleos familiares, com apoio do Ministério da Educação e do Governo, acredito que o problema de falta de cuidado que carece muitos em células familiares
Primeiramente gostaria de parabenizar o autor do texto. Realmente nossa sociedade tem vivenciado o etarismo, no qual pessoas idosas são descartadas e consideradas inúteis devido a sua alta idade e por acharem que não podem contribuir no meio que estão inseridos, assim considerando os jovens muito mais preparados para situações do cotidiano, devido a sua força e energia. A obra “Burrinho Pedrês” de “Guimarães Rosa” é retratado um burro que por ser idoso é considerando inútil pelos personagens humanos e deixando-o sempre como ultima opção, essa obra vem muito de encontro com este preconceito vivenciado em nossa sociedade, no qual a sociedade tem recusado, desconsiderando as ações que pessoas idosas podem contribuir e ignorando todas as experiências e sabedoria deles. Os idosos são de extrema importância, visto que ajudaram para a formação do que chamamos de atualidade e sociedade, por isso considero injusto desconsiderar eles e coloca-los de segunda opção. Neste viés a sociedade deveria incluir mais os idosos no cotidiano, visto que apresentam muitas características benéficas para trabalho, serviço, etc. Assim o Estado deveria criar iniciativas, juntamente com órgãos trabalhistas, que visam reorganizar a sociedade com os idosos participando ativamente, desta forma criando grupos, iniciativas para atualizar os idosos com as “novidades” tecnológicas, tornando-os capazes para participar da atualidade.
O aluno Bulik defende, em seu texto, a injustiça e descaso sofrido por pessoas (em sua maioria os idosos) que não se fazem mais “úteis” para a sociedade em que vivemos, evidenciando a visão egocêntrica e apática do corpo social ao objetificá-los, anulando seus valores éticos e morais. Ademais, aborda a crueldade do descarte humano ao passo que o texto se desenvolve, nos levando à refletir sobre a lógica utilitarista que rege o mundo e que hierarquiza vidas a partir de suas capacidades práticas. A indiferença diante do sofrimento e a frieza com a qual o assunto é tratado é característico do sistema capitalista que nos rege, focando unicamente nos lucros e apagando histórias que, um dia, contemplavam sua integridade em direitos, mas agora estão condenadas ao abandono silencioso. Para que tal problemática seja superada, acredito que a escola seja o principal agente, promovendo campanhas que abordem esteriótipos associados a diferentes idades e incentivando o respeito mútuo. Aliás, segundo Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo.
Parabéns pelo ótimo texto!
O presente texto carrega uma forte posição contrária á injustiça social desferida contra pessoas consideradas “Inúteis” pelo meio-social, que assim como o autor afirma em relação ao comportamento social: “Tornou-se comum (não normal) vangloriar uma pessoa enquanto a mesma possui utilidade e desvalorizá-la quando perde tal”. Note que ele ressaltou essa prática como “Comum” mas não normal, destacando que a mesma tende a acontecer, mas não deveria. A reflexão feita pelo Bulik evidenciou de maneira clara essa problemática, relacionando o preconceito etário com o comportamento “Utilitarista” presente na sociedade, bem como a intertextualidade feita entre esse tipo de discriminação com os acontecimentos do livro de Guimarães Rosa, uma obra atemporal e que retrata fielmente o etarismo. Portanto, com essa mensagem passada pelo autor, fica evidente a necessidade de uma tomada de atitudes contrárias á essa prática, principalmente no campo educacional, com a inserção de uma educação mais construtiva socialmente dentro e fora da sala de aula.
A redação “A Morte Social” mostra a realidade cotidiana da sociedade onde somente o que é útil possui valor e, as pessoas consideradas “inúteis”, são colocadas no lado obscuro do corpo social, sendo ignoradas e altamente infligidas somente por não possuírem os aspectos positivos que, em algum momento da sua vida, já tiveram. Como consequência desse fato trazemos a palco o conceito de interseccionalidade que descreve como as diferenças sociais – raça, gênero, classe social, orientação sexual, entre outros – são interpretadas sem o mínimo de ética por muitos indivíduos e se tornam uma única coisa: o preconceito. O entrelaçamento dessas características forma um ambiente opressivo ao cidadão que, a partir do momento que o “abuso empresarial” começa a acontecer, acaba sendo isolado justamente pela instituição que antes lhe concedera uma oportunidade de emprego. Portanto, a implementação do Programa Nacional de Reintegração Social e Econômica (PNRSE) representa um passo fundamental para combater a exclusão social imposta por uma sociedade que valoriza apenas a utilidade econômica do indivíduo. Ao promover a capacitação, garantir direitos e incentivar a inclusão ativa no mercado de trabalho, o programa não apenas oferece novas oportunidades a pessoas marginalizadas por marcadores sociais mas também atua na desconstrução de preconceitos estruturais que perpetuam a “morte social”.
A redação do aluno, a partir da análise de O Burrinho Pedrês, questiona o valor atribuído à utilidade das pessoas, em torno disso apresenta uma visão sobre a subjetividade desse julgamento e de como ele se enraizou em nossa sociedade, influenciando a forma como nos relacionamos e lidamos com o outro no cotidiano. Segundo o aluno, a associação das pessoas a objetos com uso e descarte cria uma “visão egocêntrica e apática do corpo social”, evidenciada nas relações diárias. Aqueles considerados inúteis tornam-se invisíveis, relegados às margens da sociedade por critérios como idade, raça, cor, etnia e gênero. O agravamento desse processo compromete a convivência, a construção de laços e de uma comunidade mais acessível e harmoniosa. Pessoas que perpetuam essa lógica de exclusão acabam também se prejudicando, ao ignorarem o valor das vivências de outros, especialmente dos mais velhos. Ao desprezarem a voz da experiência se tornam indivíduos desprovidos de cultura, alienados e egocêntricos, deixando a oportunidade de aprender com tais pessoas passar. A única alternativa para esse fato seria uma mudança de pensamento, a partir do entendimento da importância da existência dessas minorias em nossa sociedade. Por meio de canais de comunicação, como as redes sociais, campanhas abrangentes e solidárias poderia ser criadas e incentivadas pelo governo, proporcionando a esses indivíduos marginalizados e excluídos, mais espaço de fala em nossa sociedade.
No texto “A Morte Social”, Bernardo Burrin Bulik faz uma reflexão profunda e tocante sobre como a sociedade atual trata aqueles que não se encaixam mais no ideal de “útil”. Ao usar a metáfora do burrinho Sete-de-ouros, ele nos convida a enxergar com mais empatia os idosos, pessoas com deficiência e todos que, por algum motivo, são descartados socialmente. A crítica principal do autor é à lógica cruel do utilitarismo, que valoriza o ser humano apenas enquanto ele produz. Sua abordagem é sensível e crítica, apontando como essa desumanização leva ao abandono e ao esquecimento. A tese é clara: nossa sociedade falha moralmente ao tratar vidas como objetos descartáveis. Bernardo propõe uma mudança urgente, combater o etarismo, acolher as fragilidades humanas e reconstruir valores baseados no respeito e na dignidade. Seu texto emociona porque não fala apenas de personagens, mas de pessoas reais, muitas vezes invisíveis, que merecem ser vistas e valorizadas. É um texto muito sensível e empático, é um texto lindo e que definitivamente tem o poder de emocionar quem o lê, o aluno está de parabéns.
O texto, escrito pelo aluno Bulik, apresenta uma forte crítica a sociedade, e a invisibilidade daqueles que não se encaixam na lógica utilitarista do sistema econômico. A obra de Guimarães Rosa, mostra como o etarismo é cruel, em que mesmo dotados de tanta sabedoria os idosos ainda são considerados sem utilidade por não contribuir da forma como o sistema quer e exige, simplesmente ignorando a ética e o valor humano. Sua conclusão aponta a urgência de uma mudança, a necessidade de romper com essa estrutura excludente e que torna invisível cidadãos que têm tanto a contribuir para a nossa sociedade.
O texto escrito pelo aluno Bulik, “A morte social”, enfatiza uma visão não desenvolvida na sociedade, a realidade de um Brasil utilitarista. Escrito em um viés reflexivo, o fato de usar como exemplo o livro “O Burrinho Pedrês”, foi, além de um fortíssimo repertório um exemplo que se encaixou perfeitamente no tema, pois ao refletir em Sete-de-Ouros todas as pessoas que são “descartadas”, vemos que em nós mesmos há muito preconceito e uma visão, mesmo que sem querer, utilitarista. Lendo o texto relembrei e acima de tudo me preocupei em pensar que a visão de descarte que as pessoas possuem sobre idosos, vai algum dia incidir em mim, que mesmo com todo o vigor de agora em algum momento irá acabar e “tomarei a água suja”. Portanto, só tenho a parabenizar o autor pelo tema e a forma que desenvolveu, dando enfoque em um assunto negligenciado e não falado em uma sociedade que sim é preconceituosa e utilitarista, que em minha visão só irá mudar se houver um ensinamento desde criança a uma nova visão. Assim, cabe aos país ensinar as crianças que um ser humano não deve ser descartado.
Gostaria de parabenizar meu amigo Bulik pela incrível produção textual. O texto apresentado mostra como a lógica produtivista cria uma hierarquia de vidas, seguindo critérios de funcionalidade, invisibilizando aqueles que não atendem aos parâmetros de produção e rendimento. A analogia com livro “O burrinho Pedrês” faz relação do animal velho como se fosse os sujeitos socialmente desconsiderados, e aqui incluímos os idosos, as pessoas com deficiência ou qualquer um que não consegue acompanhar o ritmo que a sociedade atual idealiza. Ou seja, o aluno relacionou o tema do livro com a crise do etarismo presente na atualidade, criticando o sistema social imposto. Sendo assim, enfrentar o esse desafio, vai além da criação de normas legais, exige a superação de uma cultura que apaga certas existências, como já ciado, e a construção de uma ética que valorize a dignidade humana em sua totalidade, independentemente de sua utilidade econômica.
O texto de Bulik me fez refletir profundamente sobre como a sociedade trata aqueles que já não são considerados “úteis”. Ele evidencia, com sensibilidade e crítica, a forma como pessoas idosas, com deficiência ou fora dos padrões produtivos são descartadas por uma lógica social utilitarista. Concordo com sua visão ao afirmar que vivemos em uma estrutura que só valoriza o ser humano enquanto ele produz, ignorando sua trajetória, dignidade e limitações. Para mim, isso revela uma falência moral grave, pois ninguém deveria ser reduzido ao que oferece de retorno prático ao sistema. A metáfora do burro Sete-de-ouros, usada por Bulik, ilustra com clareza essa realidade cruel. Acredito ser urgente repensar esses valores e romper com essa cultura do descarte. Defendo, assim como o autor, políticas públicas inclusivas e ações de conscientização que promovam respeito e empatia. Só assim construiremos uma sociedade mais justa e verdadeiramente humana.
A redação “A Morte Social”, de Bernardo Bulik, apresenta uma crítica muito bem construída à sociedade contemporânea, que tende a valorizar somente quem é produtivo, descartando idosos, pessoas com deficiência e outros que não se encaixam no padrão de eficiência. A partir da obra O Burrinho Pedrês, o autor mostra como essa lógica de “utilidade” é injusta e desumana, comparando o abandono do burrinho à exclusão que muitos enfrentam na vida real. Essa lógica, infelizmente, domina grande parte da sociedade atual, levando à desvalorização de pessoas consideradas “inúteis”, mesmo depois de anos de contribuição. Como refletido na narrativa de Guimarães Rosa, a falta de reconhecimento e cuidado com quem já deu o seu melhor revela uma postura social cruel, que precisa ser urgentemente transformada. Para isso, é essencial que o governo promova campanhas de conscientização sobre respeito e inclusão, que as escolas, como o Colégio Tiradentes da Brigada Militar, discutam temas como empatia, etarismo e valorização da vida em todas as fases, e que a mídia dê visibilidade às histórias dos que são esquecidos. O texto de Bulik nos convida justamente a repensar nossas atitudes e a perceber que o valor de uma pessoa vai além de sua produtividade. É um exemplo claro de como a literatura pode despertar senso crítico e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e verdadeiramente humana.
O texto do Bulik traz um tese forte e muito tocante: a crítica a uma sociedade que só enxerga valor nas pessoas enquanto elas são “úteis”, descartando-as quando envelhecem, adoecem ou já não conseguem produzir como antes. Usando a história do Burro Sete-de-ouros como símbolo, o texto do Bulik nos faz pensar em quantas pessoas reais vivem essa mesma realidade – sendo deixadas de lado justamente quando mais precisam de cuidado e reconhecimento. A reflexão nos convida a olhar com mais empatia para quem está à margem, lembrando que ninguém deveria ser tratado como instrumento. Diante disso é preciso romper com essa lógica cruel e lembrar que o valor de alguém não está em sua produtividade, mas em sua humanidade. Cuidar de quem já cuidou, respeitar quem já construiu, enxergar o outro com dignidade. Isso, sim, deveria ser o padrão de uma sociedade justa.
A redação apresentada defende como tese que a sociedade brasileira, regida por uma lógica utilitarista, valoriza os indivíduos apenas enquanto são produtivos, descartando-os quando envelhecem, adoecem ou deixam de atender às expectativas de eficiência. A crítica é pertinente, pois evidencia a exclusão de grupos vulneráveis, como idosos e pessoas com deficiência, ao associar dignidade unicamente à capacidade de produzir. Concordo plenamente com a tese, uma vez que reduzir o valor humano à sua utilidade é desumano e perpetua injustiças sociais que enfraquecem os princípios de igualdade e respeito. Para além da reflexão ética, torna-se necessário pensar em medidas concretas que revertam esse cenário, como políticas públicas de inclusão no mercado de trabalho, programas de valorização da experiência acumulada ao longo da vida e o fortalecimento de redes comunitárias de apoio e solidariedade. Dessa forma, seria possível romper gradualmente com a lógica do descarte e construir uma sociedade que reconheça o valor humano em sua integralidade, promovendo justiça social e dignidade a todos, independentemente de sua produtividade.
Excelente produção textual! A redação do aluno Bulik apresenta como tese a crítica à lógica utilitarista da sociedade, que valoriza o ser humano apenas enquanto produtivo, descartando idosos, pessoas com deficiência e outros grupos marginalizados.
É um texto consistente, com articulação sólida entre repertório cultural e crítica social. A reflexão é bem construída ao relacionar a morte solitária do burro Sete-de-ouros com a invisibilidade e o abandono de indivíduos na vida real, revelando a desumanização presente no etarismo e na cultura do descarte.
Como proposta de intervenção poderia ser abordado a atuação conjunta do Governo Federal, com campanhas de conscientização; do MEC, com projetos de integração entre jovens e idosos; e da sociedade civil, com espaços de convivência que valorizem a dignidade humana.
Concordo plenamente no contexto de que a sociedade contemporânea, regida por uma lógica utilitarista, desvaloriza e descarta os indivíduos considerados fracos ou inúteis, como idosos e pessoas com deficiência, associando seu valor apenas à capacidade de produção, o que resulta na banalização social e do Governo. Por conseguinte, estamos inseridos em uma sociedade de caráter excludente que mede os valores de uma pessoa por seu desempenho de trabalho. Esse pensamento traz à tona a naturalização do abandono de pessoas deficientes e idosos. Diante disso, além de ser um ato totalmente prejudicial à população, ameaça os direitos dos cidadãos e os princípios da lei. Em suma, acredito que uma sociedade não pode ser chamada de justa se ignora aqueles que a construíram no passado ou aqueles que, mesmo com limitações, ainda carregam saberes, experiências e potenciais formas de contribuição. O valor da vida humana deve ser intrínseco, e não condicionado à utilidade prática. Para esse entrave ser mitigado, seria interessante que o Estado se pronunciasse: Governos locais e organizações da sociedade civil podem promover centros de convivência entre gerações, aproximando jovens, adultos e idosos em atividades culturais, educacionais e de lazer, para reduzir a indiferença social. Com isso, será perceptível uma diminuição do preconceito de pessoas consideradas vulneráveis.
O incrível texto do aluno Bulik refere-se a uma interpretação diferente e mais aprofundada do livro: “O burrinho Pedrês”. Nesse sentido, a maioria dos leitores entende a morte do burrinho como sendo algo glorioso, ou uma grande metáfora à vida atual, em que muitos apenas recebem valor por seus afazeres depois de sua morte. Nesse sentido, o burrinho, por ter auxiliado dois dos vaqueiros a chegar até a terra, teria de ser homenageado, por ter feito algo útil. Todavia, o burrinho acaba por ser simplesmente ignorado, visto que, como não era útil enquanto vivo, suas ações foram meramente esquecidas. Assim, Bulik defende em sua tese que ele morre exausto, sem homenagem ou pesar, visto que foi tido como descartado enquanto era improdutivo e velho demais. Isso faz uma reflexão direta ao corpo social atual, que simplesmente descarta, de forma cruel, as pessoas que não são mais produtivas ou úteis para o restante. Dessa forma, acredito que a crítica consistente do autor se baseia no crescente descarte da população excluída da sociedade, podendo ser pela idade, ou deficiência física e mental. Isso é totalmente injusto, visto que os idosos já tiveram participação social e auxiliaram a criar oque temos hoje. Esse desprezo emocional dos seres humanos provavelmente é o que mais me assusta, pois um mundo sem empatia e reconhecimento pelos outros leva a um mundo desumanizado, injusto e cruel.A única forma de mudar esse cenário atual é mudando as ideias enraizadas em toda a sociedade. Projetos de inclusão, financiados pelo Estado e mantidos pelo Ministério do Trabalho, poderiam ser uma maneira de aproximar essas ideias ao cotidiano das pessoas. Esses projetos funcionariam como cursos ou bolsas a essas pessoas ignoradas pelo corpo social.
A análise mostra como a sociedade atual, pautada pela lógica da utilidade, acaba descartando e desvalorizando aqueles considerados “fracos”, como idosos e pessoas com deficiência. A metáfora do burro Sete-de-ouros em O Burrinho Pedrês reforça essa crítica, evidenciando que o valor da vida muitas vezes é reduzido apenas à capacidade de produzir. O texto acerta ao denunciar essa realidade, mas poderia também apresentar caminhos de mudança, como políticas públicas de inclusão, maior valorização do envelhecimento e a construção de uma cultura mais empática. Ainda assim, a ideia central é bastante pertinente: tratar pessoas como descartáveis por não atenderem a padrões de produtividade é cruel e injusto. Romper com essa lógica e reconhecer a dignidade humana para além da utilidade é essencial para formar uma sociedade mais justa, solidária e respeitosa.
Antes de qualquer coisa, gostaria de parabenizar o Al. Bulik pela redação extremamente bem construída que retrata o tema de utilitarismo social e etarismo, fazendo um paralelo competente com a fábula do Burrinho Pedrês de Guimarẽs Rosa. A reflexão é feita de forma muito bem embasada e trás à luz um problema que não é tão trabalhado, trazendo a verdade sobre como aqueles que são vistos como “incapacitados” pela sociedade, tal como idosos e deficientes, são descartados e inutilizados dado o critério de utilidade social adotado atualmente. Em sua redação, ele traz a expressão “capitalização da vida humana”, a qual me chamou atenção por encapsular muito bem a sua tese, dado que no contexto social atual as pessoas realmente são tratadas como capitais ou bens, implicando que umas tem mais valor do que outras, visão que provém da lógica capitalista de lucro e utilidade no trabalho. Como leitor, concordo plenamente com a tese apresentada e creio que o etarismo e desvalorização daqueles denominados “incapazes” – um assunto universal – deve ser mais amplamente comentado e medidas devem ser tomadas para mitigar esse problema. Cabe a entidades públicas trazerem conscientização sobre essa problemática, visando mudar o tratamento que recebem os idosos e deficientes.
Ótima análise pelo aluno Bulik. Notei que o texto faz uma leitura sensível de O Burrinho Pedrês, mostrando claramente como Sete-de-ouros é tratado apenas como um objeto pelos humanos, sem respeito ou cuidado, e como isso reflete o etarismo e o descarte de quem perde sua utilidade. A morte solitária do burro evidencia a invisibilidade de muitos idosos e pessoas que não se encaixam nos padrões produtivos, trazendo à tona uma crítica social que muitas vezes passa despercebida. O texto nos lembra que medir o valor de alguém apenas pela produtividade ignora a humanidade de cada pessoa, suas emoções, capacidades e necessidades
todos têm dignidade, merecem cuidado e respeito. Algumas repetições da ideia de “útil/inútil” poderiam ser substituídas por outros exemplos de exclusão, como marginalização ou desemprego, e frases longas poderiam ser divididas para tornar a leitura mais leve. No geral, a reflexão é profunda, atual e envolvente, nos fazendo pensar sobre a importância de reconhecer o valor de cada ser humano.
O texto “A Morte Social” expõe a triste e cruel realidade do mundo contemporâneo ao dialogar com a obra “O Burrinho Pedrês”, de Guimarães Rosa. Ambos retratam uma sociedade utilitarista, na qual apenas aqueles considerados produtivos são valorizados, enquanto os que já não são vistos como “úteis” são excluídos. Na obra, essa crítica é representada pelo protagonismo do burrinho Sete-de-Ouros, que é velho e desmerecido, mas que, ao final da narrativa, surpreende todos ao demonstrar força e coragem. Em paralelo com o cotidiano, observa-se a objetificação dos idosos, tratados como utensílios que perdem a utilidade ao pararem de produzir e o etarismo é evidente na opinião de muitos. No entanto, esses indivíduos carregam experiência e muita qualidade. Portanto, a ideia de que os mais velhos não merecem atenção ou empatia, como declarou o autor, deve ser combatida e merece reflexão, reconhecendo que tudo que tem-se hoje é graças aos que vieram antes.
O texto “A Morte Social” traz uma reflexão crítica ao evidenciar a desvalorização dos considerados “fracos” de acordo com os padrões utilitaristas das estruturas vigentes. Com base na obra “O Burrinho Pedrês”, de João Guimarães Rosa, o autor aborda a trajetória do burrinho Sete-de-Ouros como metáfora para a lógica que permeia no corpo social, no qual o valor do indivíduo é medido pela sua capacidade produtiva. A análise relaciona a narrativa literária com problemáticas atuais, denunciando a invisibilidade a que os sujeitos considerados inúteis são submetidos. Vinda a capitalização da vida humana, muitos são descartados quando deixam de atender às expectativas da capacidade de produção por motivos que não cabe à eles, como é o caso de deficiências e da idade. Assim como na obra, são tratados como um mero item que não pode oferecer nada em troca, e não como um ser que merece cuidado, respeito e empatia. Com linguagem argumentativa sólida, é exposta a incoerência entre os valores éticos e a prática de objetificação humana, reforçando a urgência de combater o preconceito e de construir uma sociedade mais justa e humanizada.
O texto “A Morte Social” reflete sobre como sociedade contemporânea valoriza as pessoas apenas por sua utilidade, ou seja, por aquilo que elas podem produzir ou oferecer. Ele usa a história do burro de Sete-de-ouros, do livro “O Burrinho Pedrês” de Guimarães Rosa, para ilustrar essa ideia. O burro, depois de uma vida de trabalho, é forçado a fazer uma última viagem que o leva à morte, sem nenhuma aclamação ou carinho. Essa situação é comparada à realidade de muitas pessoas, como idosos ou indivíduos com deficiência, que são descartadas ou ignoradas quando já não são considerados úteis. O autor defende que essa lógica é desumana e injusta, mostrando que a sociedade precisa valorizar o ser humano por quem ele é, e não pelo que ele pode fazer, para se tornar mais justa e solidária. Criar e fortalecer leis que protejam os direitos de idosos e pessoas com deficiência, além de investir em programas que garantam sua inclusão social e profissional. Desse modo, mudando a mentalidade da sociedade, deixando de valorizar as pessoas apenas pela sua utilidade.
O texto mostra como a sociedade costuma valorizar as pessoas apenas enquanto elas são úteis, descartando-as quando envelhecem, adoecem ou já não produzem como antes. A comparação como burro Sete-de-ouros, em O Burrinho Pêdres, revela essa lógica cruel: assim como o animal foi usado até o limite e depois abandonado, muitos indivíduos sofrem com o descaso e a falta de respeito. Essa crítica nos faz refletir que o valor de uma pessoa não pode estar ligado apenas ao que ela faz, mas ao que ela é. Respeito, cuidado e empatia devem estar acima da ideia de utilidade, pois todos merecem dignidade em qualquer fase da vida.
O belo texto, de Bernardo Bulik, “A Morte Social” nos traz uma reflexão sensível da obra “O Burrinho Pedrês” de João Guimarães Rosa, onde evidencia a forma que o burrinho Sete-de-Ouros é tratado quando chega na velhice, sendo considerado fraco e incapaz pelos demais. No entanto, mesmo que Guimarães seja marcado pelo regionalismo, ele retrata o corpo social utilitarista em que vivemos, que mede o valor humano pela sua capacidade de produzir. Tal metáfora evidência a fugacidade de repensarmos em nossos valores sociais, quebrando com o raciocínio que limita a valorização humana com base no que ela pode oferecer à sociedade, para que assim, a sociedade seja capaz de amenizar esse preconceito com o passar do tempo.
O texto apresentado revela uma leitura muito atenta da obra O Burrinho Pedrês, unindo com clareza o enredo e os questionamentos sociais que dele emergem. A análise demonstra maturidade ao relacionar a historia do burro Sete-de-ouros à forma como a sociedade, muitas vezes, valoriza apenas aqueles que podem produzir, deixando de lado pessoas que não se encaixam nesse padrão. A escrita é clara, bem estruturada e demonstra um pensamento crítico consistente, capaz de extrair da narrativa literária reflexões profundas sobre a realidade. É, portanto, um trabalho que nos faz refletir sobre a urgência de construir uma sociedade que valorize cada pessoa pelo que ela é, e não apenas pelo que pode entregar.
O texto do aluno Bulik é ótimo, apresenta uma crítica e reflexão a partir da obra “O Burrinho Pedrês”, de João Guimarães Rosa. Desse modo, explora temas como o etarismo e a urgência por uma sociedade imediatista por capitalizar os humanos ignorando experiências e valores. As referências à obra enriquecem o conteúdo e ajudam a dar profundidade à reflexão. A passagem “Quem vai na frente bebe água limpa” reforça essa ideia, indicando que os que ficam por último, muitas vezes os mais antigos ou enfraquecidos, são associados a um lugar de descaso, mesmo que já tenham sido os primeiros a contribuir. Reflexões são abordadas como: por que a sociedade descarta quem deixa de ser produtivo? Porque seguimos presos a uma lógica utilitarista que mede o valor das pessoas pela sua capacidade de produzir. Envelhecer ou ter limitações passa a ser sinônimo de inutilidade, quando na verdade são fases naturais da vida.
O texto “A Morte Social”, em diálogo com a obra O Burrinho Pedrês, traz uma crítica à lógica conteporânea que dissocia e confunde o ser humano com a sua utilidade. Na narrativa, a figura do burrinho simboliza todos que, ao perderem sua capacidade produtiva — seja por limitações físicas ou mentais — acabam sendo descartados, silenciados e esquecidos. Esse destino reflete, de forma dolorosa, a realidade vivida por muitos indivíduos em um cenário marcado pelo preconceito etário e capacitista. A impiedade está justamente em reduzir o valor de uma vida à sua eficiência, como se apenas os seres úteis pudessem ter direito ao cuidado, respeito e reconhecimento. Essa reflexão nos provoca a questionar qual o sentido do “ser útil”? E até que ponto a utilidade pode determina o valor de uma vida? Em uma sociedade que idolatra desempenho e produtividade, o ser humano corre o risco de ser transformado num objeto automatizado, resultando na “morte social”: um processo de invisibilização que corrói a própria humanidade, desfazendo o sentido de pertencimento e de dignidade. Reconhecer que toda vida tem valor, mesmo quando desacelera, é o primeiro passo para repensarmos a forma como enxergamos o outro. Somente assim será possível construir uma sociedade de seres não apenas úteis, mas também, humanos.
Nota-se no texto apresentado a imensa importância da problemática retratada. À exemplo disso quando o autor coloca que “a capitalização da vida humana viabiliza a futilidade do útil” pode-se perceber a profundidade trabalhada, vista a partir do ponto de vista de um jovem, por relacionar o tema central à um tema muito trabalhado na atualidade: a materialização de tudo.
Nesse sentido, quando Bulik relata a desmoralização na sociedade contemporânea, entende-se a invisibilidade garantida à desvalorização do idoso por meio da posição de conjurar um valor monetário até mesmo para as pessoas.
Portanto, apenas quando for atingida a conscientização de que o ser humano apresenta valor independentemente da sua “aplicação” ou “utilidade” a sociedade estará munida da moral, essa sim verdadeiramente útil em um julgamento sobre o que é bom ou valoroso.
A forma como o etarismo e a visão utilitarista da sociedade foram abordados nesse texto foi incrível, a maturidade e o senso crítico, como destacado pela professora, que o Bulik demonstra reflete o ensino à ele oferecido, e ainda mais, a vontade de deleitar-se do mesmo. Meus sinceros elogios à professora Deise, por lapidar essas jovens mentes, e ao Bulik por redigir um texto de tão grande peso social. Mas nós como leitores não devemos ser passivos, uma vez lido devemos nos convidar não somente à reflexão, mas sim à ação, não é somente o patrão que deve contratar mais idosos e os valorizar, nós devemos falar bem dos mais velhos, valorizar sua sabedoria e vislumbrar seus potenciais para que os que detêm poder passem a refletir a seu posicionamento e façam mudanças efetivas.
A redação do aluno Bulik aborda de forma sensível as reflexões que Guimarães Rosa utilizou em sua obra clássica publicada décadas atrás. Ao retratar a sociedade utilitarista brasileira, ele denuncia as faltas cometidas pelo corpo social. O texto questiona até que ponto o ser humano valoriza os demais, e oferece uma resposta condizente com a realidade atual. Ademais, ele cita trechos da própria obra, sendo assim, mostrando credibilidade e autenticidade. Bulik acrescenta que o valor de um indivíduo é, normalmente, associado a sua capacidade de produção, e que isso marginaliza os que não atendem essas expectativas. Ao revelar uma breve biografia do burrinho Sete-de-Ouros, ele traça uma analogia ao etarismo- a ideia que os idosos são “inferiores”- demonstrando que, muitas vezes, a sociedade mostra indiferença perante os assuntos relacionados ao tema discutido. Para concluir, o autor expõe que o burrinho Pedrês é uma representação de todos aqueles que sofrem marginalização, e que combater essas concepções utilitárias e etárias é uma necessidade para a construção de uma coletividade “verdadeiramente humana”.
O texto propõe uma reflexão profunda sobre a a visão cruel do utilitarismo presente na sociedade contemporânea, onde o valor do indivíduo é medido por sua capacidade de produzir e entregar resultados satisfatórios. O burro Sete-de-ouros, da obra O Burrinho Pedrês, evidencia a desumanização que atinge principalmente os idosos e no qual tal grupo é constantemente considerado descartável sendo assim subestimado pela sociedade, por conta de sua aparência física, fatores etários ou outros aspectos. Essa crítica se traduz em um problema silencioso nas realidades sociais da sociedade contemporânea: idosos negligenciados e cada vez mais desvalorizados, profissionais experientes sendo substituídos por mais jovens , e muitas pessoas consideradas “fracas” sendo , muitas vezes por sua própria família e meio de convivência. O texto mostra como esse pensamento, apesar de naturalizado, traz impactos profundos tanto na saúde mental da população quanto na construção de estereótipos, pois transforma seres humanos em ferramentas temporárias, em que seu único valor é a sua jovialidade e produtividade, e a experiência e a sabedoria, uma vez tão importantes para a construção da identidade de um grupo e para a evolução, agora é ignorada. Ao revelar essa estrutura injusta, o texto apresentado por meu amigo Bulik me leva a questionar que tipo de sociedade estamos construindo , dessa forma convida também nós jovens a resgatar valores como empatia, respeito e dignidade. Essa redação traz, portanto, uma denúncia contra o etarismo e uma convocação ética e moral para romper com a cultura do “descarte humano”. Afinal, foram os mais velhos, nossos progenitores, que construíram as bases da sociedade em que vivemos, com suas experiências e tradições.
O texto “Morte social”, escrito por Bernado Bulik, promove uma reflexão acerca de temas diversos, como o etarismo e utilitarismo. Ademais, acrescenta-se o repertório do livro de Guimarães Rosa “O Burrinho Pedrês”, obra que se encaixa perfeitamente ao tema e agrega no entendimento da crítica proposta pelo autor. A partir dessa perspectiva, fica evidente como a sociedade brasileira, muitas vezes, relaciona o valor de uma pessoa a partir de critérios essencialmente utilitaristas, exaltando sua capacidade produtiva e comercial em oposição a sua vivência. Esse comportamento resulta não apenas em exclusão, mas também em certa desumanização, já que aqueles que não se enquadram nos padrões de utilidade imediata passam a ser vistos como descartáveis ou inúteis. Portanto, a crítica nos convida a repensar quais valores sustentam nossa sociedade. Se continuarmos a resumir o alguém à sua capacidade de gerar lucro ou força de trabalho, estaremos reforçando um modelo de sociedade excludente e cruel, que não reconhece a dignidade de cada pessoa. Valorizar a experiência, a memória e a diversidade de contribuições humanas é uma forma de resgatar nossa própria humanidade e de construir um futuro mais justo e solidário para todos, independente de sua utilidade.
O texto “A Morte Social”, escrito por Bernardo Bulik, retrata de forma excepcional a realidade utilitarista brasileira ao relacionar a temática com a obra “O Burrinho Pedrês”, de João Guimarães Rosa. A redação expõe como a produtividade constante é imposta a todos os indivíduos – mesmo aqueles que, seja por fatores etários ou de saúde, não obtêm a mesma disposição da juventude. Nesse sentido, a população busca cada vez mais se encaixar nos moldes da indústria utilitarista, a qual comercializa um ideal de “utilidade” relacionado a capacidade produtiva de cada cidadão. Segundo Bernardo, essa prática acaba marginalizando aqueles que, por questões biológicas ou cognitivas, deixam de atender a essas expectativas. O autor da redação ainda evidencia de forma excelente como a capitalização da vida humana está ligada a algo mais amplo do que apenas a produção em massa, mas também a desvalorização dos idosos. Nessa lógica, pessoas são tratadas apenas como objetos de fabricação, ilustrando a desumanização que acompanha o etarismo e como a sociedade ignora o sofrimento daqueles que não correspondem mais aos critérios de produtividade estabelecidos. Portanto, a população acaba inviabilizando a própria cultura, ao dar destaque apenas à juventude produtivista, negligenciando e “descartando cruelmente” – de acordo com Bulik – pessoas com deficiência ou fora dos padrões socialmente impostos. Logo, à medida que o valor individual dos cidadãos continuar sendo medido pela regra irracional e injusta da eficiência, o etarismo irá se perpetuar na nação, impedindo o pleno desenvolvimento do corpo social brasileiro como uma comunidade unida e igualitária.
O texto discorre acima do panorama que encontramos na sociedade atual, abordando a grande desvalorização dos mais velhos ou “não úteis” por motivos fúteis, propensos a ocorrer cada vez mais e que se torna anti-ética e contrária aos valores da humanidade. Ao usar como exemplo o burro Sete-de-Ouros, da obra o Burrinho Pedrês, expõe-se como idosos, pessoas com deficiência ou qualquer um fora do padrão produtivo são frequentemente invisibilizados, desprezados e descartados. A análise traz a reflexão não apenas sobre a indiferença, mas também a naturalização da exclusão, como se o envelhecimento ou as limitações físicas ou mentais fossem motivos legítimos para desconsiderar a dignidade de alguém. É preciso uma grande mudança no pensamento já intrínseco na população, trazendo justiça aos menosprezados e retomando a solidariedade, respeito e empatia, que são indispensáveis para a efetuação de uma realidade ética e moralmente correta.
O texto aborda com profundidade e sensibilidade o tema da desvalorização dos seres considerados “fracos” na sociedade contemporânea, especialmente aqueles que, por envelhecimento ou limitações físicas e mentais, deixam de atender às exigências de uma lógica utilitarista. Utilizando a obra O Burrinho Pedrês como metáfora central, o autor evidencia como a sociedade moderna frequentemente marginaliza e descarta indivíduos que não são mais vistos como “úteis”, perpetuando um ciclo de invisibilidade e abandono. A crítica à objetificação humana é contundente e necessária, ressaltando a urgência de uma mudança ética e estrutural nos valores sociais. O texto é direto e reflexivo ao mostrar que enquanto o valor das pessoas for medido apenas por sua produtividade, a dignidade humana continuará sendo comprometida.
De fato existe uma tradição utilitarista vigente na sociedade brasileira, o que torna necessária a existência de textos como esse, afrontas ao sistema injusto, que ainda assim controla a forma como as engrenagens da sociedade funcionam, e a forma como o autor utiliza de um clássico literário brasileiro – O Burrinho Pedrês – demonstra não só maturidade de quem escreve, mas também exclama algumas questões sociais e cronológicas do problema.
Quando um problema é exposto em textos do século passado, sendo esses bases para críticas atuais ao mesmo, porém, na sociedade contemporânea, se evidencia não somente a qualidade do texto, mas também a falta e eficácia no combate ao que há de errado, o que não torna o texto menos digno de ser lido e considerado, muito pelo contrário, valoriza-o pela escolha de repertorio e de tese atemporais.
A redação está excelente e cumpre um propósito de causa reflexão e emoções no leitor. O texto evidencia, com clareza e profundidade, um problema social enraizado em nossa realidade contemporânea, o etarismo, mostrando como a lógica utilitarista reduz o valor das pessoas àquilo que elas podem produzir. A escolha de relacionar essa crítica à obra O Burrinho Pedrês, de Guimarães Rosa, foi abordada de forma bastante criativa, pois o burro Sete-de-ouros, também foi tratado de maneira utilitária, torna-se um exemplo de tantos indivíduos que, ao perderem vigor físico ou mental, são condenados à invisibilidade social.
O aluno conseguiu argumentar de forma diferenciada, explorando o tema de modo sensível e crítico, ao expor que a sociedade, ao invés de reconhecer a experiência e a sabedoria acumuladas ao longo da vida, prefere valorizar apenas a utilidade prática. Isso se mostra cruel, porque todos nós temos histórias, memórias e trajetórias que não podem ser descartadas como objetos. O trecho usado,“Quem vai na frente bebe água limpa” se torna profundamente simbólico, por que ilustra que os primeiros, considerados “úteis” desfrutam dos privilégios, enquanto os últimos, ficam apenas com o que sobra, logo algo ruim. Esse pensamento paira sobre a sociedade e a torna cruel, deveríamos prestigiar e valorizar as pessoas por viverem e não por serem benéficas para algo.
O texto realiza uma análise crítica e sensível sobre a maneira como a sociedade contemporânea lida com aqueles que já não se enquadram nos padrões de produtividade e utilidade impostos por ela. A partir da metáfora da obra O burrinho pedrês, de João Guimarães Rosa, o autor denuncia o modo como essas pessoas são esquecidas e desvalorizadas em um sistema que prioriza a utilidade e o desempenho. A figura do burrinho, velho e cansado, representa simbolicamente todos aqueles que, após uma vida de contribuição, são recompensados com a indiferença e o abandono.
Essa reflexão revela uma sociedade marcada pela falta de empatia e por uma profunda crise de valores. Em vez de respeito, reconhecimento e cuidado, muitos recebem desprezo silencioso, evidenciando o quanto há distanciamento de uma convivência verdadeiramente ética e humana. Portanto, percebe-se a necessidade de reconstrução de uma cultura que valorize o ser humano em todas as fases da vida, e não apenas enquanto considerado produtivo.
O texto aborda uma temática muito presente na sociedade: o etarismo, que é exposto na obra “O Burrinho Pedrês”, na pele do velho burrinho carrega-se mais do que a carga da viagem: carrega-se o símbolo de toda uma geração empurrada à margem, como se o tempo, ao invés de honrar, apenas corroesse valor. O burro, que agora não relincha com força, é descartado sem lamento. Assim também são muitos idosos — tidos como “velhos demais”, “lentos demais”, “caros demais”. E aqui se revela a crítica mais cortante: o corpo social esquece que a água que hoje bebeu limpa foi limpa por aqueles que vieram antes. Essa lógica de descarte é uma engrenagem silenciosa, mas afiada. Ela se esconde no olhar impaciente diante de quem caminha devagar, na voz que fala alto com quem já não escuta bem, ou na pressa em substituir histórias vividas por currículos jovens. O etarismo, nesse sentido, é mais do que preconceito — é um ato de amnésia coletiva, um esquecimento deliberado daquilo (e daqueles) que construíram os alicerces do presente.
O texto traz uma reflexão a cerca do etarismo e do utilitarismo que permeiam a sociedade brasileira. Com base nisso, podemos refletir sobre como definimos o valor de uma pessoa com base em critérios puramente comercialistas, priorizando a sua força de trabalho e desconsiderando tudo que se ainda tem a prover por menor que seja, além de muitas vezes abandonar pessoas unicamente por se encaixarem em uma classificação denominada inútil de acordo com tais métodos de definição de valores. Podemos refletir também em qual momento da nossa existência como espécie que regredimos a ponto de não valorizarmos a experiencia e vivencia dos mais velhos, enquanto no passado víamos a velhice como sinal de sabedoria e inteligencia.
O texto “A Morte Social”, ao dialogar com a obra “O Burrinho Pedrês”, de João Guimarães Rosa, propõe uma crítica profunda e sensível à lógica utilitarista que domina a estrutura social contemporânea. Nele, a figura do burro Sete-de-ouros representa todos aqueles que, ao perderem sua capacidade produtiva, seja pela idade, pela saúde ou por limitações físicas, são descartados, ignorados e esquecidos, o que espelha o destino de muitos seres humanos em nossa sociedade caso esse cenário permeado de preconceitos etários e capacitistas não seja revertido. Dessa forma, é cruel perceber que o valor de alguém possa ser medido apenas por sua eficiência, como se a existência não bastasse para merecer respeito, cuidado e reconhecimento. A reflexão nos leva a questionar: o que significa ser útil? E até que ponto a utilidade justifica o valor de uma vida? Em uma sociedade que prioriza o desempenho e a eficiência, torna-se comum ver o ser humano reduzido a um papel mecânico e a consequência é uma “morte social” que antecede a morte física, que é justamente esse processo de invisibilização que corrói o sentido de pertencimento e dignidade. Toda vida tem valor, mesmo quando desacelera e repensar a forma como olhamos para o outro, especialmente os que já caminharam tanto, seja o primeiro passo para construir uma sociedade mais justa e verdadeiramente humana.
O texto nos traz à refletir que hoje em dia muita gente esquece o valor dos idosos, estamos em uma sociedade que só enxerga utilidade nas pessoas que produzem, que trabalham sem parar, que acompanham a correria do mundo moderno, os mais velhos muitas vezes são deixados de lado, como se tivessem deixado de ser importantes. Os idosos são ricas fontes de sabedoria. Eles carregam experiências de vida que não se aprendem em livro ou na internet, já passaram por dificuldades, superaram crises, viram o mundo mudar várias vezes e têm muito a ensinar, eles viveram a nossa realidade diferente dos autores de livros e dos escritores on-line. Além disso, muitos ainda são o suporte emocional e financeiro das famílias. São os avós que cuidam dos netos, que mantêm os laços familiares vivos e que oferecem conselhos que fazem toda a diferença. Mesmo que não estejam mais no mercado de trabalho, continuam contribuindo para a sociedade de diversas formas. Desvalorizar os idosos é desvalorizar nossa própria história, é ignorar tudo o que foi construído antes de nós. Precisamos parar de tratar o envelhecimento como algo negativo e começar a olhar para essa fase da vida com respeito e cuidado. Envelhecer é um processo natural, todos nós vamos passar por isso. Então, nada mais justo do que lutar por uma sociedade que valorize todas as idades não só enquanto somos “úteis”, mas sempre.
O texto “A Morte Social” propõe uma reflexão profunda sobre como a sociedade contemporânea trata aqueles que são considerados “fracos” ou “inúteis” sob uma lógica fria e utilitarista. Por meio da análise da obra O Burrinho Pedrês, de João Guimarães Rosa, o texto expõe com sensibilidade o processo de desvalorização do ser humano quando este deixa de atender aos padrões produtivos impostos pelo meio social. Essa realidade expõe uma grave crise ética, em que o valor das pessoas é medido apenas por sua capacidade de gerar resultados concretos. A sociedade, ao adotar uma postura pautada na produtividade, esquece que a dignidade humana não pode ser condicionada ao desempenho físico ou cognitivo. Tal perspectiva reforça práticas como o etarismo, a exclusão de pessoas com deficiência e a marginalização de todos aqueles que fogem ao ideal de eficiência. A metáfora da “água limpa” consumida apenas por quem está à frente, enquanto os últimos se contentam com os restos, reforça a ideia de uma hierarquia perversa onde o mérito se sobrepõe à solidariedade. Portanto, a reflexão proposta no texto não é apenas sobre a obra literária, mas sobre um espelho cruel da realidade.
Primeiramente, gostaria de parabenizar o aluno Bulik pela escrita e reflexões trazidas em seu texto que foi muio bem formulado para agregar conhecimento ao corpo discente. Na sociedade atual, é muito evidente como o “velho” é marginalizado perante a sociedade da velocidade. E é triste como pessoas são tratadas como peões e usadas apenas como ferramentas de trabalho em uma sociedade totalmente desigual. Enquanto novas gerações vem vindo, a invisibilidade do mais velho aumenta;um problema que não é divulgado pelos meios de comunicação e pelas mídias sociais, tornando-o um problema silencioso e difícil de resolver, pois não é barulho dos maus que prejudica, mas sim, o silêncio dos bons, que poderiam mudar o cenário do etarismo na sociedade brasileira. E quantas pessoas que no séculos passados ajudaram e deram a base para a tecnologia atual- -Gregor Mendel, considerado pai da genética ajudou a dar base para o conhecimento atual sobre esse assunto;ou Nikola Tesla, grande inventor no âmbito tecnológico, que deu base a muitas tecnologias no mundo atual, ou seja, o quanto outras pessoas mais velhas em geral ajudaram para formar a sociedade atual? E como essas pessoas são lembradas hoje em dia?- Sob esse viés, é importante ressaltar que sem o trabalho e conhecimento antigo é impossível formar o que temos hoje em dia, assim como para um projeto precisa de um protótipo, uma redação precisa de rascunho, para fazer uma casa precisa de uma planta, ou seja, o trabalho antigo deve ser mais valorizado e lembrado para entender a importância do antigo. E pensar que tambem todos são importantes para a formação de uma sociedade bem estruturada e consciente, assim como os idosos podem ajudar e muito para isso, com suas experiencias, vivencias e ensinamentos. Só assim podemos trabalhar juntos em prol de uma sociedade solidária
O texto oferece uma reflexão contundente sobre “O Burrinho Pedrês”, revelando como a trajetória de Sete-de-ouros simboliza a desumanização de uma sociedade que valoriza as pessoas apenas pela produtividade. Ao abordar o preconceito contra idosos e o abandono social, a análise ultrapassa o regionalismo para denunciar o silêncio imposto aos marginalizados — idosos, pessoas com deficiência e todos que não se encaixam nos padrões utilitaristas. Essa metáfora evidencia a urgência de repensar nossos valores sociais, rompendo com a lógica que reduz a dignidade humana à utilidade, para construir uma convivência mais justa, empática e inclusiva.
O texto aborda que vai muito além da simplicidade de um conto sobre um animal. Ela revela, de forma simbólica e tocante, como a sociedade trata aqueles que já não são considerados “úteis”. O burro Sete-de-ouros representa todos os que, ao envelhecer ou enfrentar limitações, acabam sendo ignorados ou descartados, mesmo após uma vida de esforço e contribuição. Essa visão utilitarista, que mede o valor das pessoas pela produtividade, mostra o quanto ainda somos movidos por interesses frios e desumanos. A morte solitária do burro, sem honra ou reconhecimento, reflete a realidade de muitos idosos ou pessoas com deficiência, que são deixadas à margem. Refletir sobre isso é essencial. Precisamos, como sociedade, romper com essa lógica do descarte e reconhecer que o valor humano não pode ser definido apenas pela eficiência. Respeito, cuidado e empatia devem ser oferecidos a todos, em todas as fases da vida.
Primeiramente gostaria de parabenizar aquele que para muitos é um colega, mas para mim é um amigo, e que depois de efetivar a leitura de seu texto ganhou mais ainda o meu respeito e admiração, parabéns B.Bulik. Seu texto mostra uma realidade que acontece muito no nosso dia a dia: pessoas que, ao envelhecer ou ficar doentes, são tratadas como se não tivessem mais valor. Isso acontece com muitos idosos, trabalhadores aposentados e pessoas com deficiência, que são esquecidas pela sociedade e até pelas próprias famílias. A história do burro Sete-de-ouros representa bem essa situação, mostrando como só somos valorizados enquanto somos “úteis”.
Em meio a nossa realidade, isso é injusto e triste, porque o valor de uma pessoa não deve ser medido apenas pelo que ela pode produzir. Todos merecem respeito, cuidado e reconhecimento, independentemente da idade ou das condições físicas. O texto nos convida a refletir e mudar essa visão utilitarista, para construirmos uma sociedade mais humana e solidária.
O texto de meu amigo Bernardo Bulik chama atenção para um problema grave: em uma sociedade moldada pela lógica da eficiência e da utilidade, o ser humano passa a ser valorizado apenas enquanto consegue produzir. Essa mentalidade excludente acaba afastando idosos, pessoas com deficiência e outros que não se encaixam nos padrões de rendimento esperados. O resultado disso é a chamada “morte social” — o esquecimento silencioso de quem já teve participação ativa, mas hoje é tratado como invisível. Romper com essa cultura do descarte é uma exigência ética urgente, pois o valor da vida humana não está em sua utilidade, mas no simples fato de existir.
A redação desenvolve uma crítica contundente e reflexiva à lógica utilitarista que permeia a sociedade contemporânea, valendo-se da metáfora presente na obra O Burrinho Pedrês, de Guimarães Rosa. A trajetória do burro Sete-de-ouros é utilizada como símbolo da condição de diversos indivíduos que, ao perderem sua capacidade produtiva, seja em decorrência da idade avançada, de deficiências ou de problemas de saúde, tornam-se marginalizados, invisibilizados e silenciosamente descartados pela sociedade. A reflexão vai além da simples constatação desse fenômeno, provocando um questionamento aprofundado sobre a hierarquia social que mede o valor humano exclusivamente pela utilidade e desempenho, relegando ao esquecimento aqueles que, em tempos anteriores, contribuíram para a sustentação do sistema social. Ao transformar uma narrativa literária em espelho crítico da realidade atual, a redação evidencia a naturalização dessa prática excludente e convoca à reavaliação dos valores que orientam as relações sociais. O texto destaca, ainda, a urgência da construção de uma sociedade que reconheça e respeite a dignidade de todos os seus membros, independentemente de sua produtividade, reafirmando a importância de um compromisso ético e humano essencial para uma convivência social justa e igualitária.
O texto propõe uma reflexão profunda sobre a lógica cruel do utilitarismo presente na sociedade contemporânea, onde o valor do indivíduo é medido por sua capacidade de produzir. A metáfora do burro Sete-de-ouros, da obra O Burrinho Pedrês, evidencia a desumanização que atinge principalmente os idosos e pessoas com deficiência — grupos constantemente descartados e subestimados pela sociedade, por conta de sua aparência física, fatores etários ou outros aspectos. Essa crítica se traduz em realidades sociais concretas: idosos negligenciados e violentados, profissionais experientes sendo substituídos por mais jovens, e pessoas consideradas “fracas” sendo empurradas à margem, muitas vezes por sua própria família e meio de convivência. O texto mostra como esse pensamento, apesar de naturalizado, traz impactos profundos tanto na saúde mental da população quanto na construção de estereótipos, pois transforma seres humanos em ferramentas temporárias, em que seu único valor é a sua jovialidade e produtividade, e a experiência e a sabedoria, uma vez tão importantes para a construção da identidade de um grupo e para a evolução, agora é ignorada. Ao revelar essa estrutura injusta, a argumentação nos leva a questionar que tipo de sociedade estamos construindo — e nos convida à urgência de resgatar valores como empatia, respeito e dignidade. Essa redação traz, portanto, uma denúncia poderosa contra o etarismo e uma convocação ética para romper com a cultura do “descarte humano”. Afinal, foram os mais velhos, nossos progenitores, que construíram as bases da sociedade em que vivemos, com suas experiências e tradições.
A redação apresentada destaca a forma como a sociedade utilitarista trata o ser humano, valorizando-o apenas enquanto pode produzir e descartando-o quando deixa de corresponder às expectativas de eficiência. A relação com a obra O Burrinho Pedrês revela como essa lógica é injusta e desumana, pois reduz a vida a um instrumento e ignora valores éticos como respeito e dignidade. O infeliz destino do Sete-de-ouros é apresentado como metáfora da marginalização de idosos, pessoas com deficiência ou qualquer indivíduo que não se enquadre nos padrões de produtividade impostos. Nesse sentido, o texto evidencia que gerou-se uma cultura de descarte e invisibilidade que precisa ser combatida, lembrando que o valor de uma pessoa não está em sua utilidade, mas em sua própria existência e trajetória, que sempre merecem reconhecimento e respeito.
Este texto nos faz pensar sobre o tratamento que damos às pessoas que a sociedade julga não serem mais produtivas, em particular os mais velhos. O caso do burro Sete-de-ouros, deixado de lado depois de completar seu trabalho, ilustra o abandono discreto enfrentado por muitos quando não são mais vistos como “úteis”. Numa sociedade que valoriza as pessoas pelo que produzem, envelhecer é tido como algo inútil, quando deveria ser encarado como uma fase de sabedoria e respeito, já que podemos aprender muito com aqueles que já passaram por diversas experiências de vida. A morte do burro, sozinho e sem qualquer reconhecimento, mostra a falta de cuidado com aqueles que ajudaram a construir a sociedade de hoje. Precisamos mudar essa ideia de que a idade significa incapacidade, pois a sociedade só será justa quando valorizar quem já se dedicou para que tivéssemos o que temos agora.
Este texto escrito pelo meu amigo Bernardo Bulik revela que em uma sociedade guiada pela lógica da utilidade, o ser humano passa a ter valor apenas enquanto é produtivo. Essa mentalidade desumana gera a exclusão de idosos, pessoas com deficiência e outros grupos que deixam de atender às exigências de desempenho. A consequência é a chamada “morte social”, o abandono silencioso de quem já contribuiu, mas hoje é invisível. Romper com essa lógica do descarte é um dever ético urgente, pois a dignidade humana não pode ser medida por sua utilidade, e sim por sua existência.
O texto escrito Bernardo Borrin Bulik nos trás a refletir sobre a desvalorização dos seres humanos conforme sua idade avança tornando-os intueis na visão do mercado de trabalho, desconsiderando a expêriencia daqueles que foram o alicerce da sociedade atual desprezando seus feitos e conhecimentos, assim como na obra O Burrinho Pedrês na qual Sete-de-ouros, um burro velho, passa as situações supra citadas e quando salva os vaqueiros é simplismente esqucido, levando a refletir a forma que hoje tratamos também será a mesma a qual seremos tradados?
Refletindo sobre a redação, que trata da desvalorização dos seres considerados “fracos” na sociedade contemporânea, percebo que O Burrinho Pedrês oferece uma metáfora poderosa para essa realidade. A trajetória de Sete-de-ouros mostra como aqueles que deixam de ser “úteis” são esquecidos e descartados. A própria passagem do livro, em que “quem vai na frente bebe água limpa”, simboliza essa exclusão: os privilegiados recebem reconhecimento e conforto, enquanto os que ficam para trás — como o burro exausto e sozinho — enfrentam invisibilidade e abandono. Assim, a obra ilustra como medir o valor humano apenas pela utilidade é negar a dignidade de quem contribuiu e ainda existe.
Essa metáfora se reflete na vida real, por exemplo, quando muitos idosos que dedicaram suas vidas ao trabalho e à família enfrentam abandono em instituições ou solidão no dia a dia, ignorados pela sociedade que valoriza apenas quem ainda produz resultados. Assim como Sete-de-ouros, eles merecem ser vistos, cuidados e respeitados, lembrando-nos de que uma sociedade verdadeiramente humana não se mede apenas pelos que avançam, mas pelo cuidado com aqueles que, por circunstâncias da vida, ficam para trás. Para enfrentar essa realidade, políticas públicas e ações comunitárias poderiam promover programas de integração social que conectem gerações por meio de atividades compartilhadas, como oficinas, debates e projetos colaborativos. Valorizando experiências e fortalecendo vínculos.
YOHANNA BARICHELLO DENICOLO, TURMA 202 –
O texto de Bernardo Borrin Bulik e o conto “O Burrinho Pedrês”, de Guimarães Rosa, dialogam de forma profunda ao denunciar a lógica utilitarista que rege a sociedade contemporânea, na qual o valor do ser humano é medido por sua produtividade. Na obra, o burro Sete-de-ouros, velho e cansado, é convocado para uma última tarefa não por respeito, mas por ainda “servir” a um propósito. Ao final, morre exausto e sem reconhecimento — uma metáfora clara do abandono de idosos, pessoas com deficiência ou qualquer um que não se encaixe nos padrões produtivos vigentes. O texto destaca com sensibilidade como essa lógica desumana gera invisibilidade, exclusão e sofrimento, reforçando a urgência de se combater o etarismo e a cultura do descarte. Assim, tanto o conto quanto a análise revelam, com coragem crítica, a necessidade de resgatar a empatia, a dignidade e o respeito à vida humana em todas as suas fases.
O texto “A Morte Social” propõe uma profunda reflexão sobre como a sociedade trata aqueles que são considerados “inúteis” por não se encaixarem nos padrões de produtividade, como idosos e pessoas com deficiência. A partir da figura do burrinho Sete-de-ouros, o autor denuncia o abandono, a indiferença e o descarte de seres que já contribuíram, mas que hoje são invisibilizados. Ele questiona o valor que se dá às pessoas apenas enquanto produzem, e mostra como essa lógica utilitarista é cruel e desumana. O texto convida o leitor a enxergar além da aparência ou da capacidade de entrega, defendendo que todo ser humano merece respeito, cuidado e reconhecimento, independentemente de sua utilidade prática. Há um forte apelo à empatia, à ética e à reconstrução de valores sociais mais justos. A morte do burrinho, sem homenagem ou luto, simboliza todos aqueles que partem em silêncio, ignorados pela sociedade. Assim, o autor provoca um incômodo necessário ao nos fazer ver o quanto essa realidade é mais comum do que se pensa. A leitura nos convida a repensar atitudes e a cultivar uma humanidade mais sensível e acolhedora.
Achei uma ótima redação. No decorrer do texto, consegui sentir uma mistura de tristeza e indignação, pois ele aponta como nossa sociedade trata pessoas como o burrinho Sete-de-ouros: valorizadas apenas enquanto são úteis e descartadas quando já não servem mais. Essa metáfora traz uma reflexão acerca dos idosos, das pessoas com deficiência e até em familiares próximos, que muitas vezes acabam invisíveis diante da lógica fria do utilitarismo. A escolha do repertório de “O Burrinho Pedrês” foi muito significativa e mostrou de forma simples e dolorosa como o “descarte humano” acontece realmente. Essa leitura faz nós refletirmos sobre nossos próprios valores e atitudes, despertando a vontade de enxergar mais o ser humano pelo que ele é, e não apenas pelo que pode produzir na sociedade atual. A ideia central do texto me remeteu a obra A Metamorfose, de Franz Kafka, em que o protagonista Gregor Samsa, ao se transformar em inseto e perder sua capacidade de sustentar a família, passa a ser rejeitado e invisibilizado. Assim como no conto de Guimarães Rosa e na redação do aluno Bulik, há o mesmo retrato cruel da lógica utilitarista, lógicas que se manifestam no cotidiano, no abandono de idosos, na indiferença aos que não se encaixam nos padrões e até na forma como nós mesmos passamos a nos medir pelo quanto produzimos ou conseguimos ser produtivos. A morte social será sempre uma realidade silenciosa e é necessário promover uma mudança cultural e social que valorize a dignidade humana acima da produtividade, por meio de campanhas educativas contra o etarismo e de iniciativas comunitárias que fortaleçam o cuidado e o respeito aos mais vulneráveis.
O texto aborda uma crítica muito pertinente à lógica utilitarista da sociedade, usando O Burrinho Pedrês como metáfora da desvalorização daqueles que já não correspondem aos padrões de produtividade que as pessoas estabelecem. Em seus momentos finais, o burrinho exaurido e descartado sem reconhecimento, evidencia a crueldade do “descarte humano”, realidade que atinge sobretudo idosos, doentes e pessoas com deficiência, consideradas inválidas ou sem valor diante da sociedade. Quando a morte solitária do burrinho é relacionada com a invisibilidade social dos considerados inúteis, o texto mostra que o problema não é individual, mas fruto de uma lógica enraizada que só valoriza quem serve a um propósito imediato. A reflexão, então, vai além da fábula: denuncia uma moral falida e nos convoca a enxergar cada vida não pela sua utilidade, mas pelo valor intrínseco da existência humana. Ótima produção, que une reflexão e crítica social de forma excelente!
Camila Vial- 303
A redação apresentada aborda a perspectiva do utilitarismo e de todas as mazelas decorrentes dessa ótica presente na sociedade. Hodiernamente, a visão compartilhada pelo maior percentual da população é a de que apenas aqueles que contribuem com algum fator – como força física, produtividade, entre outros – merecem reconhecimento, afeto e atenção. Por esse prisma, muitos indivíduos são marginalizados sem necessariamente ter “culpa” disso, a exemplo dos idosos, que construíram as bases para o desenvolvimento do país e foram os precursores de tudo aquilo que presenciamos e experimentamos hoje, porém tiveram suas forças subtraídas ao passar dos anos e por isso são postos à parte da sociedade.
Assim, o excelente texto escrito por meu colega me levou, acima de tudo, a refletir sobre os valores humanos. Por que nós nos sentimos no direito de subjugar alguém com base num processo natural?Como o ano de nascimento de uma pessoa é prerrogativa para a forma de tratamento a ela atribuída? Essas perguntas não possuem uma resposta correta – talvez nem resposta possuam – mas devem ser investigadas, afinal (como o próprio Guimarães Rosa afirma) “não é pelas pintas da vaca que se mede o leite e ela espuma”.
Excelente texto! A redação retrata de forma muito fiel o modo como a sociedade atual, intensamente marcada pela lógica utilitarista, faz com que indivíduos repletos de sabedoria e conhecimento sejam constantemente negligenciados e descartados. A partir disso, podemos questionar o que de fato é utilizado como critério para medir o valor de cada cidadão, e até que ponto tais critérios são utilizados como instrumentos de preconceito etário e social.
A história do burrinho espelha o que muitos idosos enfrentam diariamente ao viver em uma comunidade que exalta o novo, mas abandona os elos que garantem a sua sustentação e os pilares que construíram a sua base. Sendo assim, a obra nos propõe uma reflexão: até que ponto uma sociedade que despreza aqueles que garantiram a sua própria construção deve ser avaliada como justa? Romper com tal lógica utilitarista é, portanto, uma missão fundamental para que a perpetuação de uma sociedade saudável seja possível.
Parabéns pela excelente redação Bulik!!! Realmente, em nossa sociedade atual, há diversos valores que são constantemente pregados e na realidade não são realmente efetivados, o que é interessante de pensar porque até no passado, a ação de deixar uma pessoa com idade mais avantajada passar na frente em situações do cotidiano, como entrar primeiro no elevador, era um sinal de respeito. Já hoje em dia, a situação é totalmente oposta e os jovens são objetos de valorização constante sem se importar com a camada etária mais antiga da sociedade. Isso é algo que deve ser reavaliado pelos indivíduos no geral, pois não se trata apenas de uma injustiça social, mas também de uma falha ética e humana de todos, a qual nos leva a refletir sobre a seguinte questão, a qual deve ser medida com empatia: quantas vidas são determinadas como inerentes de serem valorizadas por conta do reconhecimento excessivo do utilitarismo humano e pelo egoísmo do meio social? Incontáveis.
Primeiramente, gostaria de parabenizar meu colega Bulik, com essa produção maravilhosa, realmente impressionante para um aluno do ensino médio! Quanto ao texto, ele evidencia como a lógica produtivista impõe uma hierarquia de vidas baseada na utilidade prática, relegando ao esquecimento aqueles que já não correspondem aos padrões de eficiência. A metáfora de O Burrinho Pedrês revela essa exclusão simbólica: o animal idoso representa os indivíduos descartados socialmente — idosos, pessoas com deficiência ou qualquer um fora do ritmo imposto pela produtividade. Combater o etarismo, portanto, exige mais do que leis; demanda romper com a cultura de invisibilidade e instaurar uma ética que reconheça o valor humano em sua integralidade, independentemente da capacidade de produzir.
Ótima redação!
Notei que há uma crítica aprofundada que também desperta emoção em quem lê.
O texto expõe e, acima de tudo, traz para a superfície problemas que o senso comum, o senso de pertencimento, não quer admitir — seja por medo, seja por interesse.
O raciocínio utilidade igual importância se fortalece ainda mais quando somos medidos também pelo capital que temos. No entanto, o que essa lógica ignora é que todos somos humanos, somos caos, somos emoção, temos habilidades diferentes: alguns podem mais, conseguem mais — mas todos são IMPORTANTES!!
Por isso, a idade não deveria ser critério para definir o que é bom ou ruim; falho ou correto; útil ou inútil; virtuoso ou problemático; relevante ou irrelevante — pois todos necessitam: anseiam de amor, carinho e respeito.
O texto é muito bem escrito, conseguindo relacionar a obra do Burrinho Pedrês com a realidade social de hoje. A metáfora do burro descartado mostra como a sociedade trata as pessoas quando não são mais produtivas, especialmente idosos e pessoas com deficiência. Achei interessante como o texto conseguiu mostrar que o problema não é só individual, mas de uma lógica utilitarista que só valoriza quem “serve” para algo.
Na minha opinião, esse ponto é muito importante, pois vivemos em uma sociedade que mede as pessoas pela utilidade, esquecendo que dignidade e respeito não podem depender disso. Ótimo texto!
A história do burrinho, usado e deixado de lado, mostra uma realidade que perpetua na realidade, a desvalorização e julgamento daqueles que não tem mais a mesma força. Na atual sociedade, muita das vezes o idoso, doente e até mesmo a pessoa com deficiência são tratados de forma diferente, como se não tivessem mais valor. Infelizmente, esse pensamento está enraizado na nossa sociedade, onde só dá importância a quem é considerado útil, novo e rápido. Enxergar alguém apenas por ser humano é o que realmente garante respeito e justiça.
O texto constrói uma crítica à lógica utilitarista da sociedade, utilizando a obra “O Burrinho Pedrês” como uma potente metáfora para a desvalorização dos seres considerados “inúteis”. A jornada final de Sete-de-ouros, um burro exaurido e descartado, reflete a trágica realidade de um sistema que hierarquiza vidas baseando-se na produtividade e no desempenho. A “morte social” do animal, que não recebe reconhecimento após ter dedicado sua vida ao trabalho, mostra a crueldade do descarte humano, um problema que afeta idosos, pessoas com deficiência ou qualquer um que não se encaixe nos padrões da sociedade. Portanto, o texto vai muito além de uma simples fábula. Ele nos força a encarar o problema moral de uma sociedade que transforma pessoas em objetos, descartando quem já não serve mais. É um apelo urgente: o valor de uma vida não pode ser medido pela sua capacidade de produzir, mas sim pela sua própria existência.
O texto está muito bom! Ele retrata sobre o livro Burrinho Pedrês e como mostra que a sociedade valoriza só quem é “útil”. O burrinho representa as pessoas que são deixadas de lado quando ficam velhas ou aquelas que não conseguem mais trabalhar. O conto em si mostra como é comum ignorar quem já não produz mais; a frase sobre “quem vai na frente beber água limpa” mostra como os mais fracos ficam sem valor. O texto alerta que isso é injusto e que precisamos respeitar todos, mesmo aquele que deixa de ser produtivo. Essa reflexão é importante para pensarmos em uma sociedade mais solidária e acolhedora.
Lindo texto e lindas palavras Bulik! Realmente concordo que essa realidade com uma visão preconceituosa é infelizmente muito presente, com um grande destaque ao etarismo, como abordado no livro de Guimarães Rosa que foi citado, evidenciando fortemente a desvalorização da sabedoria obtida pela idade juntamente com as experiências. Por fim, acredito e espero que a sociedade seja capaz de amenizar esse preconceito com o passar do tempo e com a mudança de mentalidade das pessoas. Ótima reflexão!
O texto faz uma análise muito bem construída da obra O Burrinho Pedrês, relacionando a trajetória do burro Sete-de-ouros com a realidade de uma sociedade utilitarista, que valoriza as pessoas apenas enquanto são “úteis” e descarta aquelas que envelhecem ou perdem sua capacidade produtiva. A reflexão mostra como Guimarães Rosa denuncia, de forma metafórica, o etarismo, a desumanização e a exclusão social, reforçando a urgência de combater essa lógica do descarte e de construir uma convivência mais justa e solidária.
A escrita consegue ir além da interpretação da obra literária, trazendo um olhar crítico e atual sobre a sociedade. Ele é claro e profundo, mostrando sensibilidade ao tratar de um tema tão humano e necessária.
O valor de uma vida não pode ser medido pela sua utilidade, mas pela sua dignidade.
O texto, apresentado pelo colega Bulik, nos apresenta mais um produto fatídico do capitalismo, a invisibilidade daqueles que não se encaixam na lógica utilitarista de nosso sistema econômico atual. Uma maneira mais cruel de se pensar é que esse etarismo castiga mais aqueles cidadãos de classes inferiores, que possuem mais dificuldade, por exemplo, de se aposentarem. Contudo, vimos senhores de altos bens aquisitivos, como Jorge Paul Lemman e outros desses grandes capitalistas e penso, será que eles sofrem com o preconceito do etarismo?
O texto “A Morte Social” apresenta uma análise profunda e sensível sobre a desvalorização dos indivíduos considerados “fracos” na sociedade contemporânea, utilizando com maestria a obra O Burrinho Pedrês, de João Guimarães Rosa, como metáfora central. A escolha do personagem Sete-de-ouros como símbolo da lógica utilitarista é extremamente eficaz e bem explorada ao longo da argumentação, evidenciando o abandono daqueles que, por envelhecimento ou limitações, deixam de ser vistos como produtivos. A construção textual é coesa, com reflexões éticas bem fundamentadas, e o uso de citações da obra reforça a crítica à frieza das relações sociais pautadas apenas na utilidade.
Além disso, o texto se destaca pela linguagem clara, articulada e crítica, que conduz o leitor a refletir sobre temas urgentes como o etarismo, a invisibilidade social e a cultura do descarte. A conclusão é particularmente impactante ao defender que uma sociedade justa deve combater a lógica excludente que desumaniza os indivíduos. Trata-se de uma produção relevante e muito bem escrita, que não apenas interpreta uma obra literária de forma inteligente, mas também a utiliza como espelho para denunciar uma estrutura social moralmente falida.
Al Pimentel:
O texto escancara uma ferida que a sociedade insiste em maquiar,a ideia de que o ser humano só vale enquanto produz. Ao usar a metáfora de Sete-de-ouros, revela-se o quão cruel é a lógica utilitarista que transforma pessoas em ferramentas descartáveis. A leitura incomoda porque nos obriga a enxergar que fazemos o mesmo com nossos idosos, com os que adoecem, com aqueles que já não cabem nos moldes de eficiência, tratamos vidas como peças de reposição. Mais que um ensaio literário, o texto é um alerta ético, enquanto aceitarmos que alguém perca seu valor por não gerar lucro, estaremos todos fadados à mesma morte social, invisíveis, exaustos e esquecidos, como o burrinho no sertão de Guimarães Rosa. Por fim, valorize essência ao invés da existência.
O texto mostra uma leitura muito madura de O Burrinho Pedrês e faz uma crítica bem clara à lógica utilitarista que aparece tanto na obra quanto na nossa sociedade. Os argumentos são bem organizados e os exemplos usados dão força às ideias, deixando a redação coesa e profunda. A comparação entre o abandono do burrinho e a marginalização de idosos e pessoas com deficiência é sensível e mostra consciência social. Além disso, o vocabulário variado e a boa estrutura deixam a escrita elegante e envolvente. É um texto que, além de cumprir a proposta, emociona e faz refletir.
O texto oferece uma análise sensível do conto “O Burrinho Pedrês”, revelando como a trajetória de Sete-de-ouros simboliza a realidade de uma sociedade utilitarista e excludente, que mede o valor humano pela capacidade de produzir. Ao conectar a narrativa a temas como o etarismo e o descarte social, a reflexão mostra que a obra de Guimarães Rosa vai além do regionalismo, denunciando a desumanização presente no cotidiano. O descaso silencioso do burro ecoa o abandono vivido pelos idosos, pessoas com deficiência e todos aqueles que não se encaixam nos padrões de eficiência. A análise evidencia, assim, a urgência de repensar valores sociais e superar a lógica que transforma indivíduos em instrumentos, defendendo uma sociedade mais ética, empática e verdadeiramente humana, já que, enquanto a utilidade for critério para a dignidade, continuaremos condenando vidas ao silêncio do esquecimento.
O texto aborda de forma profunda e crítica a desvalorização dos considerados “fracos”, explorando questões como o utilitarismo social, o etarismo, a desumanização dos indivíduos e a lógica do descarte humano em função da produtividade. Ao utilizar a obra “O Burrinho Pedrês” como metáfora, o autor evidencia como a sociedade marginaliza idosos, pessoas com deficiência ou aqueles que fogem do padrão de eficiência imposto, denunciando a indiferença e a invisibilidade a que são submetidos. A comparação entre literatura e realidade contemporânea enriquece o argumento, trazendo força crítica à reflexão. Com isso, o resultado é uma excelente capacidade de análise e que demonstra grande consciência social.
A redação revela como a obra O Burrinho Pedrês, de João Guimarães Rosa, pode ser interpretada como uma alegoria do etarismo, preconceito persistente que relega indivíduos à margem em função da idade. Tal qual o burro Sete-de-ouros, explorado até o limite e posteriormente rejeitado por não corresponder mais às exigências de rendimento, inúmeros idosos são silenciados socialmente e reduzidos a um peso, quando deveriam ser reconhecidos por suas vivências e contribuições. Essa mentalidade pragmática sustenta a falsa noção de que o valor de uma vida está condicionado apenas à sua “utilidade”, desconsiderando a dignidade que acompanha o processo de envelhecimento. Desse modo, a narrativa expõe a necessidade de enfrentar o etarismo e instaurar uma cultura de reverência e acolhimento à velhice, em contraposição à apatia e ao abandono que ainda predominam na sociedade, além da visão estruturada de que apenas os jovens são capazes de avançar a sociedade para um futuro melhor, entretanto, existem sábios na sociedade, mais comum anciões, que reverenciam muitas sabedorias expostas e ajudam para essa função. Está muito bom o seu texto, completamente encaixada nos moldes da UFRGS, fazendo analogias e trazendo uma visão melhor para o mundo em que vivemos, parabéns!
O texto traz uma reflexão cuidadosa e crítica sobre a obra O Burrinho Pedrês, explorando suas camadas mais profundas e indo além de sua aparência literária para expor questionamentos relevantes sobre a exclusão social fundamentada na produtividade. A maneira como é abordado é forte e necessária, principalmente ao conectar o personagem do burro Sete-de-ouros com a situação de comunidades marginalizadas, como os idosos e indivíduos com deficiência. Essa comparação amplia a mensagem da fábula e incita o leitor a pensar eticamente sobre a importância da vida humana além de sua funcionalidade prática.
A reflexão sobre a lógica utilitarista que rege a sociedade contemporânea, a partir da análise da obra O Burrinho Pedrês. A figura do burro Sete-de-ouros, descartado por sua velhice e exaustão, agr como simbolo a exclusão social sofrida por aqueles que já não são considerados produtivos. Essa metáfora evidencia a desumanização enfrentada por idosos e pessoas com deficiência, tratadas como meras ferramentas de trabalho. A crítica à lógica capitalista mostra como o valor do indivíduo tem sido atrelado à sua utilidade, ignorando princípios éticos e humanos. O texto também denuncia o etarismo e a invisibilização dos vulneráveis. Sua conclusão aponta para a urgência de se romper com essa estrutura excludente, reafirmando a dignidade de todas as vidas, independentemente da produtividade. A obra, portanto, ultrapassa o regionalismo ao tocar questões universais.
O autor nos leva a refletir sobre a capitalização do homem e como a sociedade usa e descartar de uma pessoa que já não tem a mesma utilidade, seja pela sua idade e ou seja por alguma limitação física ou mental.
Assim como é apresentado no livro “Burrinho Pedrês” de Guimarães Rosa, onde o burrinho é julgado, desvalorizado, considerado inútil e sem valor devido a sua aparência física e pela sua idade já avançada, como isso bulik consegue nos trazer um ótima analogia entre a vida do sete-de-ouros e a realidade de muitos idosos da nossa sociedade, esse que são vítimas de exclusão, abandono, são considerados incapazes, seus conhecimentos e experiências vida são desvalorizados.
Desse modo o autor traz à tona um problema social grave que vem assombrando a nossa sociedade, a invisibilidade e o etarismo.
O texto aborda de maneira incisiva a problemática da desumanização e do descaso em relação aos indivíduos que não atendem às expectativas de produtividade da sociedade. A figura do burro Sete-de-ouros, simbolizando aqueles que são relegados ao esquecimento, provoca uma reflexão sobre a maneira como tratamos os que já não conseguem contribuir de forma ativa.
A ideia de que a sociedade cria uma “cultura de descarte” é alarmante e evidencia a fragilidade das relações humanas em um mundo que prioriza eficiência acima de tudo. A morte solitária do protagonista serve como um alerta para a necessidade de reavaliar nossas prioridades e valores, promovendo uma cultura que valorize cada ser humano independentemente de sua capacidade produtiva.