Dias dos pais. De todos? Os presentes e os ausentes?
Eis que uma nova configuração no papel dos pais invadiu o nosso meio. Pais que não têm idade para ‘ser’ pais, pais que assumem suas obrigações de pais, não importa o rol delas; os que pedem a guarda de seus filhos, os que vivem a sós com eles… E pais que assumem tudo!
Aumentou o perfil e a sua diversificação. E, na mesma proporção, aumentou a diversificação dos problemas e temores que os cercam.
Ser pai hoje, com a perspectiva do que sabemos e vivemos com os nossos, bastaria estar em casa, diariamente, por uma hora a mais. Mas isso não basta mais.
Dividir a louça, a arrumação das camas, não deixar roupas pelos cantos e, volta e meia, fazer um almoço diferentão aos domingos, pode ajudar.
Também ouvir seus filhos, distribuir conselhos, espalhar limites pela casa, manter as contas em dia, não se descuidar da Mãe dos seus filhos, lutar pela pontualidade, defender a fidelidade, comprar absorventes, se for o caso, e ainda perguntar que tipo e marca comprar…
Ahh! Ficar preocupado com as companhias dos filhos, do amigo mal-encarado que não entra em casa, com os amigos simpáticos que vivem em casa, apoiar os seus primeiros namorados, se for a caso, incentivar e gostar do maravilhoso e maldito namoro, que começou antes da hora…Como se houvesse hora, para ‘deixar’ sua filha – deixar e ver sendo abraçada e beijada por um guri muito querido que foi aprovado, mas que é um pequeno cafajeste; bem-vindo, vai.
É muita coisa!
A diferença dos pais que sobreviveram e que hoje estão pelos 60, é inimaginável para os que nasceram e foram criados em meio a falas racistas e misóginas sobre casamento e filhos, em uma casa onde arrumar camas era sinônimo de fraqueza.
O que dirão os que chegaram até aqui, vendo estes pais, nem tão novos assim, tendo de lidar com lençóis levemente manchados de sangue, o sanguinho da filha que ainda não sabe se proteger em suas fases menstruais? Mas que ele mesmo apanha os lençóis, quando ela sai para a escola e os põe na máquina de lavar. Cantarolando de felicidade.
Ser pai hoje é fazer parte de uma transição incrível, entre épocas machistas que teimam em voltar e a novidade que os novos casamentos ensinam, onde nada é escolhido para fazer ou cuidar, sendo que a única diferença nestes lares é o corte de cabelo ou o uso de saias – e olhe lá. O restante existe para todos. Que bom!

Pais precisam demonstrar amor, mas imitando as mães já farão um progresso imenso. Até para evitar futuras confissões, de filhos perdidos em consultórios variados.
_Eu só queria que ele fosse presente, que apoiasse meus sonhos. _Quando penso no meu pai não sinto nada. _Havia um silêncio em nossa relação. _Não tenho memórias de meu pai sorrindo. _Quando penso em um pai imagino uma pessoa carinhosa, amorosa, cuidadosa e o meu pai não foi nada disso.
É o que dizem jovens atendidos em clínicas psicanalíticas. São meninos e meninas feridas, que carregam na alma as marcas da sua ausência e buscam através do autoconhecimento a cura dessas dores. Não está em questão o julgamento sobre os homens que os maternaram; também eles possuíam uma história. Foram filhos e carregaram os sinais que lhe foram impregnados; pela educação e pelos gritos ouvidos. Ensinados a reprimir seus sentimentos, fingir força e esconder lágrimas…Para maquiar suas dúvidas. E a não lavar louças, claro.
No entanto, isso não precisa ser reproduzido na educação de hoje. Não mais!
Pode-se fazer diferente, pode-se declarar um amor pelos filhos, sem a dependência de um passado cruel e preconceituoso, aonde o amor vinha sempre a seguir, pois a primazia estava na moral e bons costumes. Quantos anos perdidos por este pensamento!
Porque não há idade para mudar e se transformar em um novo pai. Nem idade, nem número de filhos, sequer certidões de casamento…
Em tempo de tantos problemas novos, a novidade é que ser um novo pai está sendo pra valer. Até daria para chocar os filhos com tanta entrega, preparando-os para uma paternidade que os aguarda a seguir e que sequer imaginávamos em alguns anos.
Que assim seja!
Aos que ainda não se convenceram, que aprendam a passar camisas de linho, especificamente, para vesti-las na tristeza de sua solidão paterna.
Viva os novos pais!
Colaborou Marciano Pereira, também autor de textos neste site: www.neipies.com/author/marciano_pereira/
Autor: Nelceu A, Zanatta. Também escreveu e publicou no site “Quando morre uma mãe”: www.neipies.com/quando-morre-uma-mae/
Edição: A. R.












Do autor Nelceu Zanatta:
“Em tempo de tantos problemas novos, a novidade é que ser um novo pai está sendo pra valer. Até daria para chocar os filhos com tanta entrega, preparando-os para uma paternidade que os aguarda a seguir e que sequer imaginávamos em alguns anos.
Que assim seja! “